Faltavam nove dias para o fim de março e o frio ainda estava presente, aquele ano o inverno havia sido muito rigoroso e parecia que a primavera tardara a começar. E lá estava o gerente da equipe Rubi caminhando pelas ruas de Namimori com as mãos no bolso do sobretudo negro com os olhos quase fechando por causa do sono. Respirou profundamente e entrou em uma cafeteria pedindo quatro cafés, o seu o mais forte de todos, já que precisava manter-se acordado.
Ao sair do elegante local seus olhos se depararam com uma cerejeira com o primeiro desabrochar do ano, e aquilo o fez sorrir. Era um bom sinal ver as sakuras se abrindo e principalmente. Em poucos dias já podia marcar os encontros de seus clientes para fazer o Hanami (1) e todo aquela clima, temperatura, floriculturas se enchendo novamente, tudo favorecia seu emprego, que nesse momento se encontrava atrasado para tal.
Apertou o passo e em menos de dez minutos conseguiu estar dentro da sua sala quentinha, que nesse momento o ar condicionado já fora concertado, e caminhou até a mesa do outro gerente depositando um dos copos de café na mesa alheia e voltar a sua sem dizer uma única palavra, o que era estranho para alguém como si, mas não recebeu nenhum comentário do outro, então ficaram assim... em silêncio.
O primeiro a chegar de sua equipe foi Kaiwan, que caminhou lentamente, mas teve de parar bruscamente quando um copo de café apareceu repentinamente na sua cara. Com surpresa pegou o copo de plástico e olhou para o ruivo que organizava algumas fichas e agradeceu baixo começando a tomar o liquido e surpreendeu-se ao perceber que era seu sabor favorito e se perguntava até que ponto seu gerente conhecia de si, ou até que ponto sua irmã escreveu na carta junto do currículo enviada a empresa. Tais pensamentos o fizeram perder a noção que estava a longos minutos olhando seu gerente.
- O que foi? Não gostou do café? Eu tomo então, deixa ai na minha mesa.
- Não é isso.. .eu só estava me perguntando como sabia que eu gostava de Cappuccino Italiano.
- Só imaginei que você gostava de coisas doces, não tanto quanto um Mocha, mas mais do que um simples cappuccino.
- E por que pensou isso?
O ruivo de olhos amarelos viu o sorriso de seu gerente, era doce e suave, um tipo que nunca havia visto até então, e aquilo o surpreendeu e fez com que corasse um pouco, não sabia bem o motivo daquilo, talvez tivesse sido a temperatura do café que lhe aqueceu demais o corpo.
- Você é fofo, mas esconde isso... não, esconder não é a palavra certa... Expor? É... Não é do tipo que fica expondo isso a todo o momento então... Foi assim...
Kaiwan até ia perguntar mais coisas, mas o barulho da porta se abrindo chamou sua atenção e a do mais velho e assim chegou o terceiro membro do grupo parando ao seu lado e sorrindo de canto enquanto deixava uma mão apertando seu traseiro.
- E ai? O que contam de novo?
- Tire as mãos dai.
Com certa impaciência o de tapa olhos retirou a mão do moreno e pegou suas fichas indo trabalhar, deixando os dois homens para trás que conseguia sentir, olhavam para suas costas enquanto saia.
- O que deu nele?
- Não sei... café?
- Adoraria.
Sorriu o moreno e colocou suas mãos em cima da pequena mão pálida que segurava o copo de plástico, e não pode evitar de sorrir de canto, dando um passo para frente e aumentou sua faceta ao ver o ruivo dando um passo para trás e estar encurralado por sua própria mesa. Colou os corpos e com a mão livre enlaçou a cintura do menor ainda segurando a mão do outro, que estava ocupada com o café, com a outra.
- Obrigado...
Beijou os lábios do ruivo, fazendo questão de morder o lábio inferior deste e puxasse, até que ele reclamasse de dor para assim soltar e ver o pedaço de carne avermelhada e os olhos azuis estreitos. Riu com gosto pegando o café e suas fichas e saiu correndo até que fosse atingido por um vaso qualquer, que sempre ficava ali para enfeitar o enorme ambiente.
- Macchiatto... Delicia...
Lambeu os beiços e saiu andando para a sala onde seu cliente lhe esperava.
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Yuki adentrou na sala onde sue cliente lhe esperava e assim que a observou, sorriu de canto e se aproximou com a mão estendida para fazer o cumprimento.
- Meu nome é Harihima Yuki, seu cupido por hoje. – Riu um pouco para aliviar a tensão existente sempre nos primeiros minutos de consulta, recebendo um sorrido em troca.
- Meu nome é Lidia Urth.
- Urth? É de que nacionalidade?
- Minha mãe é ucraniana.
- E seu pai...?
- Não o conheci...
Yuki teve que se controlar, mas sorriu por dentro. Adorava se divertir com a desgraça alheia e a garota de pele amendoada e olhos verdes parecia estar pedindo por uma dose do seu veneno, mas tentava se lembrar de tentar ser gentil e conseguir cumprir seu papel naquele local.
- Me desculpe, não foi minha intensão. – Simulou uma preocupação que foi engolida pela garota.
- Tudo bem, estou acostumada a falar essas palavras... e não é como se ele tivesse feito alguma falta na minha vida.
- Entendo... mas mesmo assim, deve ser difícil... ter que falar sempre as mesmas palavras... como um discurso na ponta da língua.
Os olhos esverdeados se estremeceram e juntaram algumas lágrimas, assim como os lábios finos se crisparam e o inferior foi ferido pelo dente branco. Ela bem que tentou falar alguma coisa, várias vezes, mas o ar entalava em sua garganta e as lágrimas começavam a escorrer. No começo Yuki faria seu trabalho, sem se importar realmente com os sentimentos dos clientes, mas ter Abel como gerente era... impossível não ser humano.
E lembrava-se das palavras do mestre.
Flashback on
Mais um caso resolvido na melhor agencia de relacionamentos do mundo, Yuki saiu de sua sala assoviando todo contente, era seu primeiro trabalho sem interferência direta de seu tutor e estava muito orgulhoso de si mesmo. Caminhou na direção do ruivo com um sorriso de canto, totalmente cheio de si.
- E então? Nada mal para um novato não é?
- É... não foi mal, foi péssimo.
- O quê? – O moreno ficou realmente surpreso com o jeito nervoso no menor.- Eu fechei o caso! Ele esta com um cara, então esta tudo perfeito!
- Não! Não esta! Este relacionamento vai durar no máximo duas semanas Yuki!
- E daí? Nós só temos que arranjar um par, eles que se virem para fazer durar ou não, isso não é da nossa conta.
- É isso o que pensa?
O silêncio reinou no momento, os olhos parecendo aflitos do ruivo, os braços cruzados em sinal de defesa, e aquelas palavras de alguma forma mexeram com o recém chegado. Ele até então não havia entendido nada até agora, pensou até que conseguiria um novo cargo, ganharia uma promoção, ele imaginou todas as reações possíveis, menos aquela. Aquela de desapontamento.
- O que quer dizer...?
- Quero dizer que se é isso o que pensa, pegue suas coisas e vá embora... esta no lugar errado se veio aqui brincar de Deus.
- Mas... é isso o que aqui faz..
- Não Yuki, aqui se chama agência de relacionamentos, não de namoros, encontramos pessoas compatíveis, não para criar um conto de fadas, mas para criar um relacionamento de verdade...
- Vocês só juntam dois estranhos, o que sabe de relacionamentos Abel? Você mesmo disse assim que entramos que não acredita em amor!
- E eu não acredito! Para mim nada mais é do que uma reação química criada para que aja o acasalamento e perpetuação da espécie, no fim tudo se resume a sexo e alguém inventou algo chamado monogamia, mas não somos assim... Eu não acredito em amor, mas isso não significa que não acredito em relacionamentos! Relacionamentos saudáveis!
- Diz isso por que tem um relacionamento bem saudável dormindo com um estranho toda noite não é!?
O moreno esbravejou, estava cansado e irritado de toda aquela situação, provavelmente estava ficando agressivo, mas só voltou a si quando sentiu sua face arder e até perceber que havia levado um tapa e os olhos azuis estarem marejando. Aquilo destruiu o novato, ver alguém chorando e magoado era uma das únicas coisas que o faziam ter freios e parar de zombar dos outros.
- Desculpe... – Pediu baixo, envergonhado.
- Entenda seu cliente... analise sua alma, seu coração... alguém ferido por mais que vá para a batalha, não significa que vá durar muito... se perceber que algum dos clientes não esta pronto, que esta se forçando a isso... recue... poupe a você e seu cliente, um conselho é melhor do que guia-lo para a cova do leão só porque ele pediu.
- Pessoas vem aqui com coração partido?
- É o que faz elas desistirem de buscarem elas mesmas... e virem aqui...
- Então como sabe quando deve atender ou não?
- Eu analiso seus corações...
O ruivo foi se retirando as sala, quando teve seu braço segurado e assim os olhos azuis se encontraram com os vermelhos, que tremiam, hesitantes.
- Desculpe... por gritar com você...
- Repita isso e eu mesmo corto suas bolas fora, com as unhas.
Um arrepiou correu pela coluna do maior que fez recuar ao menos cinco passos e protegesse com as mãos as partes intimas enquanto o mais experiente riu da situação.
- Não peça desculpas, me pague um almoço!
E assim se viu sozinho novamente.
Flashback off
- Lidia... é mesmo um namorado o homem que procura... ou é seu pai?
Os olhos verdes se arregalaram e as lagrimas pararam se escorrer, os lábios foram soltos e um suspiro foi deixado. Assim como os longos fios castanhos foram jogados na frente do corpo enquanto ela massageava a própria nuca.
- Semana passada conversei com um conselheiro na escola onde eu trabalho e... ele disse que enquanto eu não superar essa história eu jamais seguiria em frente...
- ... Você... conhece seu pai não é mesmo...?
Um sorriso triste deixou os finos lábios da mulher, e os olhos verdes se ocultaram, como se sentissem vergonha de encarar novamente aquelas enormes bolas rubras. Puxou o ar para seus pulmões e continuou o discurso.
- Pare tão obvio...?
- Não... é que alguém uma vez me disse que... eu saberia quando eu encontrasse um coração ferido... que saberia a hora de recuar...
- Pensei que fossem uma agência de relacionamentos e não de aconselhamento...
As mãos amendoadas foram envolvidas pelas pálidas e assim as ires esverdeadas se abriram em surpresa encarando o homem a sua frente, que sorria de forma gentil, continuando o que falava de forma educada.
- Às vezes um conselho é tudo o que uma pessoa precisa... aposto que esteve muito bem sozinha até agora, esta mesmo procurando alguém para juntas as escovas de dentes? Pense nisso por um instante... se mesmo assim você me disser que é isso que seu coração deseja, eu vou encontrar alguém para você, mesmo que eu tenha que revirar todo esse mundo e ir até a Ucrânia. – Seu último comentário fez a mulher rir um pouco e apertar sua mão levemente. – Eu vou encontrar alguém... eu juro...
- Isso... foi a coisa mais gentil que alguém em disse...
- Que sabe é porque não esta andando com as pessoas certas.
Sorriu de canto e beijou a pequena mão disposta entre as suas, fazendo a mulher corar e a retirar daquela palidez que era a pele do maior. Mas a porta se abrindo foi surpresa para os dois presentes, principalmente para o de terno, que se levantou assustado e caminhou até o invasor pensando que cometeu outra besteira.
- O que foi...?
- Parece que esse caso virou de nível 3...
- Pensei que novatos trabalhassem só com o nível 1.
- E trabalham. – O ruivo sorriu e colocou uma mão no ombro do moreno, como sinal de confiança. – Não deixe mais ninguém saber disso. – Piscou para ele e deixou um sorriso divertidos nos lábios pequenos e tão desejáveis.
Aquilo fez Yuki sorrir abertamente, uma das primeiras vezes e acabar abraçando seu gerente que batia nele de leve pedindo para seu solto, é claro que só estava sendo educado porque havia uma cliente os olhando, só estava imaginando a dor terrível que sentira quando aquela morena cruzasse a porta e estivesse a sós com o ruivo. Mas no momento só queria aproveitar e sentir o calor daquele pequeno corpo, a textura dos fios tingidos, que eram muito macios mesmo assim, sentir o cheiro do perfume importado, que com certeza virou seu favorito desde que havia trabalhado ali, e que iria querer sentir por muitos anos ainda.
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Kaiwan caminhava para o escritório entregar sua ficha e pegar mais uma, quando viu uma porta entreaberta e pode jurar que era a sala destinada a seu colega de equipe. Começou a caminhar na ponta dos pés para tentar descobrir o que estava acontecendo, mas sem pego, quando parou de andar e olhou para si mesmo suspirando.
- O que está fazendo Kaiwan...? Não se intrometa na vida dos outros... vá trabalhar.
Disse a si mesmo baixinho e foi andando para o seu destino, quando quase teve um ataque do coração quando um vulto apareceu do nada na sua frente, e após se recuperar de uma quase morte pode olhar seu quase assassino, e que este estava tão assustado quanto si.
- Kaiwan! Mas que diabos?! O que está fazendo aqui a essa hora?
- Eu... eu estava voltando para o escritório, eu acabei meu atendimento... o que você estava fazendo?
- Eu?
- É... você...
- Eu... eu... eu estava... – Foi quando os olhos azuis se iluminaram como se tivesse tido uma ideia. – Eu sou seu gerente e não te devo satisfações! Agora vamos!
O ruivo de olhos azuis ditou dando um tapa no bumbum do de tapa olhos que corou e foi seguindo o mais experiente para a mesa deste. Que para variar estava com aquele homem loiro sentado na cadeira e fuçando no computador alheio. Pode sentir a aura assassina de seu gerente, e o segurou pela cintura, por puro instinto, quando este deu um passa mais rápido para frente, mas seu ato fez com que o outro parasse e olhasse para o único olho amarelo visível.
- Por que me segurou?
- Não quero ser testemunha de um homicídio.
- Não vou matar ninguém.
- Não mesmo? Você apertou sua mão com tanta força que esta sangrando... você sabe o que é isso?
- Não estou sangrando.
O gerente disse com tanta convicção que quase convenceu o de tapa olhos que estava dizendo a verdade, que aquele liquido escuro e avermelhado que escorria pela mão branca era apenas fruto da sua imaginação e que estava vendo muitos animes violentos por ai, não que alguém precisasse saber que era um otaku de carteirinha. Escondia aquele segredo com sua vida.
- Vamos para a enfermaria.
- Aquele idiota está no meu computador!
- Relaxa, eu codifiquei as coisas, o máximo que ele vera será alguns números .
-... O quê...?
- Eu faço faculdade, lembra? De computação.
- Entrou no meu computador sem minha autorização?!
- Pensei que seria mais seguro se alguém mexesse ou se roubassem alguma coisa, Reborn pediu para que eu fizesse isso para a segurança de nossos clientes.
- E como eu faço para não ler códigos?
- Usando a sua senha de sempre.
- E como você sabe a minha senha para entrar no meu computador?
- Ah... isso... isso é bem interessante, sabe?
- Eu vou chutar na onde mais doí, tantas vezes, mas tantas vezes, que você vai implorar para que fosse aquele loiro oxigenado nesse momento.
- Certo! Eu te hackiei...
- Me o quê?
O Ruivo pareceu bem confuso com o que o outro dizia, e aquilo fez o de tapa olhos rir ficando não só fofo, mas adorável, perante a presença dos outros. Tanto que Abel quase se esqueceu o motivo para estar bravo com seu pupilo.
- Eu vi uma vez que tinha uma pasta... com o nome de um ... um negócio que eu gosto muito e... eu quis saber se era isso mesmo... dai eu te hackeie.
- Que negócio? – O outro cruzou os braços, parecendo descrente na história.
Kaiwan pareceu muito relutante em contar, mas no fim acabou suspirando e puxando seu gerente para o armário dos casacos, o local era tão pequeno e escuro, para que lâmpadas em um armário certo? Que os corpos estavam colados um no outro, a respiração de ambos se confundiam e Abel começava a ficar com medo daquela situação.
- Hey... por que me trouxe aqui?
- Para ninguém nos ouvir...
- O claro, porque não é nada suspeito duas pessoas entrarem em um armário!
- Shiii! – Tapou a boca de seu gerente com uma mão, e não foi nem preciso precisar enxergar para saber que o outro estava lhe olhando com aqueles olhos assassinos. - Sekai ichi hatsukoi.
Bem que o gerente tentou falar, mas a voz saiu abafada por causa da mão que ainda lhe impedia tanto de falar, como de respirar, precisando dar um beliscão no de olhos amarelos para que este se tocasse e o soltasse, e foi a vez do novato ter que se controlar para não gritar.
- O que diabos é isso?
- Um anime!
-... Anime...?
- É...
- Desde quando gosta de animes?
- Desde sempre, ok! Mas estava escrito sekai ichi Dairiten(2)... desculpe invadir seu computador sem sua permissão.. não vai acontecer de novo... eu juro.
- Se quebrar esse juramento é como se estivesse quebrando sua honra... e às vezes isso é mais importante do que nossas vidas! (3)
- Posso te fazer uma pergunta?
- Já esta fazendo uma.
E o silêncio como resposta fez Abel revirar os olhos e suspirar.
- Certo, faça.
- Você... avaliou a mim e o Yuki não é?
- É claro, acha que eu pegaria qualquer um para a minha equipe?
- Não sobre isso... sobre nossos gostos para o café... faz isso com os clientes também não é?
- Ah... isso...
- Então...?
- Já ouviu aquela expressão '' se quer vencer o inimigo, conheça-os''?
- Já, por quê? Nos considera inimigos?
- Não... é só... é só que é minha forma de proteção... que de alguma forma cai como uma luva para esse trabalho... reconhecer gestos, expressões, a forma como as pessoas falam e pensam... é o caminho mais seguro para o coração... e é ai que nós trabalhamos.
- Pode dizer então quando alguém esta apaixonado?
- Não... porque eu não acredito no amor, mas posso dizer quando alguém esta interessado sexualmente e apenas para uma noite sem compromissos.
- É tudo o que importa, não é?
- ... Nem sempre... vá pegar sua ficha Ka-chan, eu preciso matar um certo loiro oxigenado.
O sorriso suave do ruivo de olhos amarelos não pode ser visto por causa da escuridão, mas o gerente pode jurar que o outro fazia aquilo, por isso imitou o gesto de forma espontânea, segurando nas mãos deste, antes que a porta fosse aberta, mas foi impedido esse ato assim que a voz de duas mulheres se fez presente e parecia que uma delas fazia peso contra a porta.
- Viu aquilo? Ele realmente não se enxerga, se jogando para cima de qualquer um.
- Uma verdadeira vadia.
- Eu pensava que Wanuki era alguém de caráter, não alguém que ficasse aceitando presentinhos, é sério... é nojento e irritante ver ele dando em cima do senpai, sério... faz quanto tempo? 3 anos já?
- Não sei como ele não foi despedido ainda, deve até ter alguma doença contagiosa. Pobre daquelas crianças, viu como ele os trata? Fica os beijando e abraçando, é tão repulsivo!
- O período de treinamento esta acabando, graças a Deus, quem sabe eles não pegam alguém que realmente os ajude ao invés de assediar, deveríamos pedir um exame médico mais cedo, aquelas crianças já devem estar pelo menos com sapinho!
- Sim, é verdade.
Foi ouvido um som alto e estridente e uma das mulheres dando um gritinho e a outra ralhar, mas ambas pareciam trêmulas, e o som do salto alto batendo na madeira foi ouvido e assim o gerente abriu a porta e deu de cara com seu outro aprendiz e o chão sujo de café com algumas canecas quebradas. Assim como os olhos vermelhos raivosos, e o falso sorriso gentil se desfazendo.
Os três estavam em silencio, o único que não encarava a diração que aquelas mulheres foram era o principal assunto da fofoca do momento.
- Vá pegar uma pá Yuki, isso se secar vai ficar um nojo.
O mais experiente da equipe foi saindo, quando foi agarrado pelos dois braços, um por casa membro da equipe.
- Por que deixa elas falarem assim de você? – Disse o de tapa olhos sério, não era do tipo que se metia na vida dos outros, mas acabou se afeiçoando pelo outro ruivo e não queria vê-lo magoado.
- Porque chega uma hora... que você simplesmente se acostuma... desculpe por vocês terem ouvido isso... vamos sair para comer em algum lugar, eu pago.
Mesmo dizendo aquilo e já dando inicio a outra caminhada, o braço do ruivo de longas madeixas foi agarrado com força pelo moreno, que um gemido dolorido escapou de seus lábios.
- Tá me machucando.
- Você nunca deixa que falem de você, principalmente do Wanuki, por que com elas é diferente?
- Porque eu tenho dó delas.
E finalmente se soltou e foi caminhando.
- É serio, limpa isso dai ou eu mesmo te faço lamber! Meus sapatos foram muito caros para a sola ficar grudenta. – Falou divertido e se retirando do local, enquanto os dois aprendizes se juntavam para limpar o ambiente.
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Era primavera e o ar estava agradável, o zoológico era um dos lugares favoritos de Abel naquela época do ano, e lá estava ele, com uma câmera profissional nas mãos, dois aprendizes do seu lado e várias crianças correndo pra lá e pra cá, assim como mais adiante a tal cliente de Yuki.
- O que... estamos fazendo aqui exatamente? – Kaiwan foi o primeiro a dizer alguma coisa desde que entraram os três no carro e Abel ficou mudo desde o incidente do dia anterior, pensava ser porque ele estava magoado, mas não, lá estava seu gerente sorrindo e uma cliente.
- Como esse caso é um nível 3, e vocês não tem autorização para isso... eu pensei, hum... se eu juntar dois níveis 1, da um nível dois, e com a experiência e guia de alguém como eu, podemos dar conta de um nível 3 facilmente.
- Isso não faz o menor sentido. – Yuki falou, olhando descrente para seu gerente, como se perguntasse que ele falou mesmo aquilo, recebendo um golpe no estômago, forte o bastante para perder o ar e sair tossindo por aí.
- Eu disse isso para Reborn e ele concordou, então cá estamos.
- E o que faremos? – Kaiwan colocou as mãos no bolso olhando a cena.
- Descobri quem é o pai dela, Hoje é o desabrochar das cerejeiras e aqui é um dos lugares mais bonitos de todos, ele é fotografo, ele vira...
- Ele quem? – O moreno do grupo perguntou cauteloso.
- O pai dela, quem mais?
- Por que o pai dela está aqui? – Kaiwan estava por fora do assunto, não conseguia acompanhar a história, foi quando Abel resumiu a situação rapidamente.
- Por isso a câmera...
- Exatamente! Bem, ela é alugada, então tomem cuidado...
- O que faremos então? – O de tapa olhos perguntou olhando o outro ruivo.
- Fazemos os dois conversarem, mesmo que não seja como ela espera, fara ela seguir em frente...e não há lugar mais romântico do que aqui nessa época do ano então.. mãos a obra, meninos.
E aquele foi um dia um tanto quanto exótico na melhor agencia de relacionamentos do mundo, mas que se tornariam muito comuns na equipe Rubi.
OoOoOoOoOoOoOoOoO
(1)- Hanami é um encontro de pessoas para verem o desabrochar das cerejeiras, é muito comum esse ato no Japão
(2) A tradução livre do nome do anime é ''Primeiro amor no mundo'' , então eu pensei em colocar sekai ichi Dairiten, onde Dairiten significa agencia então seria ''Primeira agencia do mundo'', ou algo assim asuhasuahsu
(3) A honra é considerado pelos japoneses até mais importante do que a própria vida, então eu pensei nisso e... coloquei.
Reneev- Espero que tenham gostado \o escrevi com muito amor =B E continuem nos acompanhando =Db bjs sz
Abely- E é isso! E equipe Rubi? xD Oh my... Tirou o nome de uma personagem que eu pretendia escrever, mas tudo bem. E sairam tão fofos~ E é isso, obrigada por nos acompanharem!
