Disclaimer: Naruto não me pertence. Acabaria no 699 pra mim, dsclp.
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Resposta ao desafio que um dia já foi dos 72, dos 198 e hoje é dos 465 com a Srta Abracadabra. Eu não sei.
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Cap 4 - Realidade
Sakura apertou as alças da bolsa em suas mãos, observando o elevador subir todos os andares do enorme edifício onde Sasuke agora morava. Repassava constantemente, em sua cabeça, o que iria falar e como iria falar. Não esquecera como Karin a olhara quando chegaram daquela maldita festa e como a tratara todo o resto do dia e ficava com um bolo no estômago toda vez que pensava no que causara aqui.
Não dormia há dois dias, até que decidira fazer o óbvio: tirar Sasuke novamente de sua vida, para que pudesse voltar a ficar em paz com a ruiva. Descobrira com Naruto onde o moreno se instalara, depois que voltara a cidade, e seguira direto para lá. Na portaria, interfonaram para o apartamento do Uchiha e ele dissera para que ela subisse.
O elevador abriu-se direto para o hall da cobertura de Sasuke e toda aquela ostentação a enojou por um momento. Pensar nisso apenas a deu mais coragem para fazer o que faria. Como Sasuke ainda conseguia a abalar de qualquer forma se ela ao mesmo tempo conseguia sentir todo aquele asco por ele? Não. Não eram resquícios de sentimentos que Sakura sentia por ele, era sua própria vulnerabilidade daquele momento a atormentando. Isso tinha que acabar.
Respirou fundo e saiu do elevador, sobressaltando-se um pouco ao ver que o moreno já a esperava.
"Imaginei que viria." Ele disse, com a voz sempre incrivelmente calma e mesclada de arrogância. Sakura imaginou três formas de cozinhá-lo em um caldeirão antes de sorrir com escárnio.
"Imagino que sim. Imagino que esperava aquela... menina tonta de sempre aparecendo aqui, feliz com qualquer demonstração de afeto, esperando por qualquer migalha sua, pronta para dizer sim." Ela falou, sentindo as mãos que ainda seguravam sua bolsa tremerem. Sasuke pareceu surpreso por um breve momento, mas acabou por suspirar.
"Talvez um dia você tenha realmente sido assim, Sakura, mas se ainda o fosse, eu não teria ido até você." Ele abriu a porta do apartamento e indicou com a cabeça. "Você não precisa me dizer nada agora, apenas entre. Deseja alguma bebida quente?"
"Não, Sasuke, escuta..." E antes que começasse a sentir sua veia pulsando em sua testa, Sakura contou até dez em sua cabeça e soltou as mãos da bolsa. Elas agora estavam firmes como estiveram há cinco anos. "Eu só vim aqui para dizer que não. Não para qualquer coisa que você possa achar que eu queira com você, não para qualquer proposta sua, não para todo esse teatro ridículo que você está fazendo. Você tem os seus problemas, eu posso ver isso claramente, e algum dia eu quis te ajudar, não apenas por interesses românticos, mas como sua amiga de infância, mas hoje eu só... não. Eu não sei porque demorei tantos dias para te dizer isso, mas não me procure mais. Não dá. Eu não quero e eu simplesmente não mereço viver sob esse peso que é você." Lentamente, conseguiu formar um sorriso em seus lábios ao ver as sobrancelhas de Sasuke se franzindo. "Mas obrigada mesmo por ter me dado a oportunidade de dizer isso na sua cara."
Sakura então se virou, satisfeita consigo mesma, e apertou o botão do elevador. Estava acabado. Não haveria mais Sasuke, nunca mais, e ela finalmente pudera dizer isso.
"Eu não..." Ouviu a voz de Sasuke atrás de si e virou-se, apenas por curiosidade. Ele deu de ombros. "Imagino que ache que está certa de sua decisão. Não tenho mais nada a dizer. Mas como um conselho, só pense que se demorou tanto tempo para vir aqui me dizer isso e se considerou uma proposta que acha não considerável... talvez não esteja feliz, Sakura."
O elevador chegou e Sakura foi embora sem mais uma palavra.
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O chão do estacionamento fazia com que os passos de Sakura ecoassem, mas o barulho intenso que parecia ecoar nos ouvidos de Sakura vinha de sua própria cabeça, que no momento pegava fogo de tanto pensar. Quem ele imaginava que era para dizer que ela não era feliz. Sasuke Uchiha ditando quem era feliz ou não, era só o que faltava. Como se ele soubesse de qualquer coisa, como se ele a sequer entendesse. Podia estar vulnerável e sua relação com Karin podia estar abalada, mas... infeliz? Ela não...
"Olá, Sakura." A voz da ruiva a fez parar a meio caminho de seu carro, onde Karin estava encostada. Seu tom era calmo e seus braços estavam cruzados, o que significava que ela iria gritar a qualquer momento.
"Karin, eu... não é o que você pensa... o que está..."
"Fazendo aqui? Talvez você devesse responder primeiro, mas me deixe fazer a honras." Karin descruzou os braços e mordeu o lábio inferior. "Eu vim aqui para dizer ao merda do Sasuke para te deixar em paz. Para nos deixar em paz. Vim dizer o que ele merecia ter dito, o que você deveria ter dito." E aumentou consideravelmente o tom na última parte.
"Karin, vamos para casa, aqui não é lugar para conversarmos, vamos e eu te explico tudo."
"O que foi? Está com medo que Sasuke veja você comigo? Medo de ele ter ciúmes? Você acha que pode fazer isso comigo, Sakura?" Com o rosto vermelho, a ruiva andou até Sakura e segurou-a pelo pulso.
"Karin, me solta. Se acalme, por favor. Eu não vim aqui para ficar com Sasuke, quem você pensa que sou? O que você pensa que eu sinto por você? Será que tem tão pouca fé em mim assim? Eu só... vamos para casa, por favor."
"Como é que eu posso acreditar em você quando descubro que ele te procurou e você não me disse? Que ele até mesmo a pediu em casamento? Como posso confiar em você se eu os encontrei se beijando e pouco tempo depois eu a encontro, novamente sem me avisar, na porra do apartamento dele?" A cada palavra que dizia, ela puxava a Haruno mais para perto de si a apertava seu pulso.
"Karin, pára!" Sakura gritou, tentando se desvencilhar. "Da para você me escutar ao menos uma vez na sua vida?" Completou e, vendo que não conseguia sair do aperto da outra mulher, a puxou-a consigo para o carro. Abriu a porta do carona e fez com que ela sentasse lá. "Karin. Me solta, agora." Karin estremeceu por um momento, pelo tom que nunca ouvira Sakura usar com ela antes. Sakura nunca lutara antes, sempre obedecera e se mostrara submissa, mas era como ela gostava. Como elas gostavam. Não era? Estremeceu mais uma vez, mas não soltou. Não soltaria. Soltá-la significaria deixar Sakura ir, perdê-la, perder. Para o maldito Uchiha. Não. Não. Não.
"Karin, olhe para mim. Eu estou aqui, e se você me soltar eu não irei a lugar algum. Por favor, acredite em mim. Só me solte e me deixe levar a gente para longe daqui. Longe dele. Certo? Eu vim aqui para dizer a ele o mesmo que você queria. Para nos deixar em paz. Não aparecer nunca mais. Acredite em mim, por favor. Eu estou aqui."
A mão de Karin vacilou e Sakura conseguiu se desvencilhar e andar até o seu lado do carro. A Haruno respirou fundo ao sentar-se e apertou o volante por um momento antes de pegar a chave, porém não pôde ligar o carro, pois os dedos gelados de Karin de repente estavam em seu braço.
"Karin, nós vamos para casa agora, depois..." Mas os olhos da ruiva lhe pareceram suplicantes por trás dos óculos, e Sakura não conseguiu fazer nada além de deixá-la segurar sua mão. Karin não queria apenas isso, porém. Aproximou-se de seus lábios e beijou-lhe sofregamente, no que a outra relutou de início em responder, mas sentia tanta súplica em cada gesto de Karin que não conseguia dizer não. Beijaram-se e Karin a abraçou-a fortemente, enquanto sussurrava seu nome até Sakura sentir seu ombro molhado. "Karin, o que..."
"Sakura, me desculpe, Sakura, eu não vou mais duvidar de você, eu juro. Eu juro. Só não venha mais aqui. Só não volte para ele. Só não me deixe. Eu juro que não vou mais agir assim, foi um erro meu, eu só... eu te amo tanto, Sakura."
A cada palavra, Sakura sentia sua pele se arrepiar mais e mais. Quem era aquela mulher a sua frente? Chorando de ciúmes e amargura. Mostrando uma fraqueza que nunca mostrara ou que talvez... que talvez a Haruno nunca quisera enxergar. Quem era aquela Karin e o quê exatamente ela queria de Sakura?
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Karin dormia sonoramente no colo de Sakura enquanto a mesma acariciava seu cabelo distraidamente. Voltaram para casa num silêncio esquisito e, quando chegaram, a ruiva titubeou algumas vezes, mexeu no cabelo, andou de um lado para o outro e acabou por pedir desculpas novamente. Por ser boba, pelos ciúmes, por deixar Sasuke ser Sasuke de novo, por enfraquecer. O pedido dessa vez não tinha lágrimas, só um sorriso desconcertado, o que fez Karin parecer Karin novamente, e aquela pessoa que ela deixara transparecer no carro parecia ter sido enterrada novamente. E quando elas se aproximaram uma vez mais, quando se beijaram e deixaram suas peles suadas trocarem calor novamente, foi como se nada tivesse acontecido.
Sakura não sabia o que dizer sobre isso. Não sabia se ficava feliz, pois de repente parecia o começo novamente, com um sexo incrivelmente bom, com o mundo parecendo só delas outra vez. Não sabia se sentia medo, porque talvez, e finalmente ela percebia isso, aquele desespero de Karin sempre existira e ela apenas nunca o enxergara e isso o amedrontava.
Olhou para a mulher em seu colo e retirou-lhe os óculos. Amava Karin. Sentia isso em cada arrepio de seu corpo e sentia que ela a amava também, muito, mas... "só pense que se demorou tanto tempo para vir aqui me dizer isso e se considerou uma proposta que acha não considerável... talvez não esteja feliz, Sakura".
Se as palavras de Uchiha Sasuke lhe pareciam fazer sentindo... o que ela deveria fazer?
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N/A: Essa fanfic é muito errada e eu to tentando consertar asjdhkhas. Eu nem sei, só agradeço à Srta. Abracadabra, as always minha luz no fim do túnel fanfical. Obg rainha.
Ninguém vai ler mesmo, mas beijos e queijos.
