- Vamos embora imediatamente! – Disse Lúcio sem dar chance de Hydra falar com seus amigos, ela acenou para eles e disse que os encontrava mais tarde.
Eles foram engolfados pela multidão que saía do estádio e regressava aos acampamentos. O ar da noite trazia aos seus ouvidos cantorias desafinadas quando retomavam o caminho iluminado por lanternas, os leprechauns continuavam a sobrevoar a área em alta velocidade, rindo, tagarelando, sacudindo as lanternas.
Depois de chegar nas barracas, Hydra perguntou se podia ir encontrar Peter.
- Está muito perigoso lá fora e está tarde – Disse Narcisa.
- Não, deixe ela ir – Disse Lúcio fazendo pela segunda vez Hydra se chocar completamente.
- Tudo bem então... – Concordou Narcisa
- Você quer ir junto, Draco? – Hydra perguntou para o menino que estava sentado em uma poltrona.
- Não, eu vou procurar o Goyle, acho que ele está por aqui em algum lugar.
- Ok então... – Disse Hydra saindo da barraca, seu primeiro destino foi a barraca dos Weasleys e Peter parecia saber disso já que eles se encontraram no meio do caminho.
- Está feliz pela Irlanda? – Perguntou ele em meio aos gritos de comemoração que ainda ecoavam.
- Muito!
Hydra e Peter chegaram na barraca dos Weasleys e foi apresentado ao irmão mais velho da turma, Gui Weasley, um bruxo ruivo, bonito, de cabelos compridos em um rabo de cavalo e usava um brinco, tinha uma aparência jovem e bacana.
- Muito prazer Gui – Disse ela sorrindo e ele sorriu de volta.
- O prazer é meu, Fred e Jorge falam muito de você.
E também a um outro bruxo ruivo de rosto largo e bem-humorado, com sardas que o fazem parecer queimado.
- Prazer, Carlinhos Weasley – Disse ele estendendo a mão para Hydra e Peter.
- Querem tomar uma xícara de chocolate? Deixei que todos tomassem uma antes de nos deitarmos – Perguntou o Senhor Weasley.
- Aceito, não pretendia mesmo demorar – Sorriu Hydra e ela e Peter se sentaram
- Meu irmão tinha te achado bonita, mas agora que viu o Peter acho que desistiu da ideia – Disse Jorge rindo para Hydra enquanto Peter estava distraído conversando com o Sr. Weasley.
- Qual deles? – Perguntou Hydra curiosa olhando para os dois irmãos mais velhos de Fred e Jorge.
- O Gui – Afirmou Jorge.
- Achei que ele fosse bem mais velho que eu! – Exclamou Hydra surpresa,
- Nem tanto, ele é o que? 3 anos e pouquinho mais velho que o Peter só, talvez...
- Bom, meus olhos já estão ocupados com o Peter realmente... – Disse Hydra rindo e admirando o namorado que sorria de volta para ela agora.
Logo estavam discutindo prazerosamente a partida; o Sr. Weasley se deixou envolver por Carlinhos em uma polêmica sobre jogo bruto, e somente quando Gina caiu no sono em cima da mesinha e derramou chocolate quente pelo chão que o pai deu um basta nas retrospectivas verbais e insistiu que todos fossem se deitar.
- É melhor irmos Peter. – Disse Hydra sem graça.
Eles se despediram dos Weasleys e saíram em direção a sua barracas, Hydra se despediu de Peter que a deixou em frente a sua barraca com um beijo e entrou, indo direto para a cama, reparando que nenhum membro da família estava na sala, mas pensou que já deviam estar dormindo.
- Acorda Hydra, acorda! – Draco estava na ponta da sua cama parecendo nervoso e a chamando.
- O que houve? – Perguntou ela sonolenta.
- Venha, mamãe disse que temos que correr, venha logo.
Hydra se levantou assustada.
- Vão para a Floresta agora, já! – Gritou Narcisa na sala, Hydra pegou sua varinha, vestiu um longo casaco e saiu correndo com Draco, que parecia estranhamente calmo.
- O que está acontecendo? – Perguntou Hydra para ele, tudo parecia tranquilo, apenas algumas cantorias de vitória, mas nada demais, não estava entendendo o motivo de toda a correria.
- Nada, só é melhor irmos para a floresta... – Disse ele, ainda parecendo calmo.
Eles pararam perto de uma árvore e Hydra percebeu que o barulho no acampamento tinha mudado. A cantoria parara. Ele ouvia gritos e um tropel de gente correndo.
À luz das poucas fogueiras que ainda ardiam, viu gente correndo para a floresta, fugindo de alguma coisa que avançava pelo acampamento em sua direção, alguma coisa que emitia estranhos lampejos e ruídos que lembravam tiros. Caçoadas em voz alta, risadas e berros de bêbedos se aproximavam; depois uma forte explosão de luz verde, que iluminou a cena.
Um grupo compacto de bruxos, que se moviam ao mesmo tempo e apontavam as varinhas para o alto, vinha marchando pelo acampamento. Hydra apertou os olhos para enxergá-los... não pareciam ter rostos... então ele percebeu que tinham as cabeças encapuzadas e os rostos mascarados. No alto, pairando sobre eles no ar, quatro figuras se debatiam, forçadas a assumir formas grotescas. Era como se os bruxos mascarados no chão fossem titereiros e as pessoas no alto, marionetes, movidas por cordões invisíveis que subiam das varinhas erguidas. Duas das figuras eram muito pequenas.
Mais bruxos foram se reunindo ao grupo que marchava, riam e apontavam para os corpos no ar. Barracas se fechavam e desabavam à medida que a multidão engrossava. Uma ou duas vezes Hydra viu um bruxo explodir uma barraca com a varinha para desimpedir o caminho. Outras tantas pegaram fogo. A gritaria foi se avolumando.
As pessoas no ar foram repentinamente iluminadas ao passarem sobre uma barraca em chamas, e Hydra reconheceu uma delas – o Sr. Roberts, o gerente do acampamento. As outras três, pelo jeito, deviam ser sua mulher e seus filhos. Um dos arruaceiros virou a Sra. Roberts de cabeça para baixo com a varinha; a camisola dela caiu deixando à mostra suas enormes calças; ela tentava se cobrir enquanto a multidão embaixo dava guinchos e vaias de alegria.
Hydra queria chorar vendo a cena, se revoltou, sentiu medo, nojo, tudo junto.
- É o papai não é? – Perguntava ela nervosa para Draco – Ele é um desses homens, não é? E você sabia, mamãe também, por isso mandou que fossemos para a floresta, não foi Draco? – Gritava Hydra assustada para o irmão.
Antes que Draco pudesse responder, uma multidão assustada passou por eles, fazendo com que eles se separassem, Hydra o perdeu completamente de vista.
- DRACO, DRACO! – Gritava ela procurando por ele mas foi levada para a floresta por uma multidão que gritava desesperada e fugia.
Hydra olhou para trás ao alcançar outras árvores. Os manifestantes sob a família Roberts eram mais numerosos que nunca; os garotos viram os bruxos do Ministério tentando chegar aos bruxos encapuzados no centro, mas encontravam grande dificuldade. Aparentemente estavam com medo de executar algum feitiço que pudesse fazer a família Roberts despencar, Hydra também queria ajudar de alguma forma, mas sabia que não podia fazer nada naquele momento.
As lanternas coloridas que antes iluminavam o caminho para o estádio tinham sido apagadas. Vultos escuros andavam perdidos entre as árvores; crianças choravam; ecoavam gritos ansiosos e vozes cheias de pânico por todo o lado no ar frio da noite.
Uma pessoa, que ela não conseguiu ver quem era, esbarrou nela e a fez cair em uma pedra, Hydra sentiu sua cabeça sangrando, mas estava tão nervosa que esqueceu que naquela situação, poderia usar magia para se curar.
Ela apenas correu, foi para mais para dentro da floresta onde o som diminuiu e não conseguia mais ver o que acontecia e se sentou no tronco de uma árvore chorando sem parar.
"Não é possível que meu pai tenha feito uma coisa dessas", pensava ela enquanto soluçava.
- Hydra, Hydra é você? Eu estava te procurando como um louco!– Ela ouviu a voz de Peter que estava de pijamas e casaco todo despenteado e nervoso. – Você está machucada? – Disse ele se abaixando a sua frente.
- Eu... eu... – Hydra não conseguia parar de chorar tempo o suficiente para responder.
- Você está sangrando...
Peter observou a ferida em sua cabeça e fez um feitiço que fez com que o sangramento parasse imediatamente.
- O que houve? – Perguntou ele, quando acabou.
Hydra o abraçou e chorou mais ainda explicando a situação. Ele se sentou ao seu lado depois de um tempo.
- E você realmente acha que foi seu pai?
- Não só ele, mas sim, mamãe me avisou antes de tudo começar para vir para a floresta, não pode ser uma coincidência, Peter, você não acha?
Peter ficou calado sem saber o que falar por um instante, então os dois se assustaram e viram uma coisa enorme, verde e brilhante, irrompeu do lugar escuro que os olhos de Hydra se esforçaram para penetrar: e voou para o topo das árvores e para o céu. Depois percebeu que era um crânio colossal, aparentemente composto por estrelas de esmeralda e uma cobra saindo da boca como uma língua. Enquanto olhavam, o crânio foi subindo cada vez mais alto, envolto em uma névoa de fumaça esverdeada, recortando-se contra o céu noturno como uma nova constelação.
De repente, toda a floresta ao redor deles explodiu em gritos.
- É a marca dele, é a marca dele! – Gritava Hydra! Peter a abraçou e os dois ficaram escondidos em um canto da árvore enquanto a multidão passava gritando.
Hydra não sabe quanto tempo passou ali, abraçados, assustados, sem reação, até as coisas parecerem ter se acalmado.
- Vamos, eu te levo até a sua barraca... – Disse Peter.
- Eu não quero, eu não quero ver meu pai, por favor não me leva para lá.– Chorou Hydra.
- Então eu te levo para a minha barraca. – Disse ele e os dois andaram em direção a barraca de Peter, passaram pela aglomeração e voltou ao acampamento. Tudo estava silencioso agora; não havia sinal de bruxos mascarados, embora várias barracas destruídas ainda fumegassem.
Eles chegaram até a barraca de Peter aonde o Sr. Macmillan e Jeniffer já esperavam nervosos, abraçaram Peter ao verem que ele chegara bem.
- Estávamos muito preocupados! – Chorou Jeniffer – Hydra, que bom que você está bem também. – Disse ela a abraçando e depois abraçando Peter novamente.
- Hydra, seus pais devem estar preocupados, Peter, não é melhor leva-la até a barraca da família dela? – Perguntou o Sr. Macmillan.
- Não, por favor não, eu não quero ir para lá, eu acho que meu pai é responsável por isso, por favor Sr. Macmillan, não me faça voltar lá! – Hydra voltara a solução sem parar, fazendo com que todos ficassem muito nervosos com a situação.
- Tudo bem, pode entrar, mas eu vou procurar seus pais para dizer que você está aqui e está bem, ok? Você pode dividir o quarto com a Jeniffer. – Disse ele calmamente, Hydra concordou e entrou na barraca.
Hydra ainda tremia nervosa, se sentou no sofá da barraca dos Macmillans e Peter sentou ao seu lado acariciando seus cabelos.
- Abbas passou aqui antes e disse que o ministério está furioso, fizeram tudo isso em cima de seus narizes – Disse Jeniffer, se sentando também.
- Ele sabe o que houve exatamente? – Perguntou Peter
- Comensais da Morte, eles acham que se tratam dos comensais que não estão em Azkaban, como... – Ela interrompeu a fala subitamente
- Como o meu pai... – Completou Hydra, triste.
- Não sabem dizer nomes... – Disse Jeniffer sem graça – Mas o Ministério acha que essa é a ideia deles de brincadeira, você sabe, maltratar os trouxas...
Todos ficaram em silêncio.
- E a marca negra? – Perguntou Hydra – Quem fez?
- Abbas não sabia me dizer, mas achava que tinham pego o culpado, acho que amanhã iremos descobrir – Disse Jeniffer.
Ninguém falou mais nada, Hydra ficou com o rosto afundado no ombro de Peter chorando baixinho, ela sempre soube do ódio de seu pai pelos trouxas, sempre soube que ele foi (e possivelmente ainda é) um comensal da morte, mas nunca tinha experimentado a sensação disso tudo de perto antes.
Depois de um tempo, o Sr. Macmillan voltou, Jeniffer exausta já tinha ido dormir e Hydra estava quase adormecendo nos braços de Peter no sofá. Ela deu um salto ao ver o Sr. Macmillan entrando na barraca.
- Não foi fácil, mas eu convenci seus pais a deixarem você voltar conosco amanhã. – Disse ele sorrindo, Hydra reparou que ele trazia sua mochila nos braços – Aqui – Disse ele dando a mochila para ela –, sua mãe mandou para você, são as suas coisas, eles me deram instruções para levar você diretamente para casa amanhã.
- Eu não vou! – Disse Hydra decidida – Eu não volto para aquela casa nunca mais!
- Hydra – Disse Peter ainda meio sonolento levantando do sofá –, infelizmente você ainda não é maior de idade, você vai precisar ir... – Hydra caiu no choro novamente. – Mas eu prometo que no segundo que você fizer dezessete anos eu te tiro de lá se você quiser, eu prometo! – Ele então a abraçou.
- Minha filha, fique calma, tente não discutir quando chegar em casa, faltam poucos dias para o fim das férias e você vai poder ficar em Hogwarts e logo depois fará dezessete anos e assim como Peter, saiba que eu e Mezra iremos lhe acolher com todo coração se assim você quiser. – Hydra se emocionou tanto com as palavras de carinho do Se. Macmillan que voltou a chorar.
Peter serviu um pouco de chá que a acalmou e finalmente foi para o quarto de Jeniffer, onde dormiu quase no mesmo segundo que encostou na cama.
Depois do que pareciam alguns minutos, o sol nem tinha nascido ainda e o Sr. Macmillan acordou Hydra e Jeniffer para partirem. Todos se arrumaram, ele dobrou e guardou a barraca com magia e seguiram juntos para fora do acampamento.
Hydra viu com tristeza o olhar desorientado do Sr. Roberts à porta de casa, com certeza teve sua memória alterada e se sentia um pouco culpada por saber que seu pai provavelmente era o causador de sua dor, ao menos um dos.
Eles ouviram vozes ansiosas quando se aproximaram do lugar onde estava a Chave de Portal e, ao chegarem, encontraram numerosos bruxos e bruxas reunidos em torno de Basílio, o guardador das Chaves de Portais, todos exigindo, em altos brados, partir do acampamento o mais rápido possível. Hydra viu os Weasleys e se reuniram a eles enquanto os senhores Weasley e Macmillan tinham uma discussão com Basilio e entravam na fila.
- Você acha que seu pai era um dos comensais da morte? – Perguntou Fred sem jeito.
- Eu acho que sim, Fred... – Disse Hydra triste, estava prestes a chorar de novo e Peter disse algo para os gêmeos e eles não fizeram mais perguntas.
Os Weasleys, Harry e Hermione partiram primeiro, em um pneu velho e logo depois Hydra e os Macmillan conseguiram uma chave de portal em forma de uma garrafa pet amassada e Hydra se viu em cima de uma pequena colina.
- É perto da nossa casa, vê? – Disse Peter apontando para a grande casa branca que ficava abaixo da colina.
- Se despeçam aqui, eu vou levar Hydra para casa – Disse o Sr. Macmillan sob protesto de todos.
- Pai, deixa ela pelo menos dormir um pouco lá em casa! – Disse Jeniffer.
- Não posso minha filha, eu bem que queria, mas eu prometi que seria a primeira coisa que faria quando chegasse aqui, infelizmente, eu sinto muito mesmo Hydra, espero que você saiba que não é vontade minha, eu entendo a sua indignação e gostaria de poder acolher você em minha casa, mas infelizmente, você ainda é menor de idade e fiz uma promessa aos seus pais. – Disse ele sem jeito.
- Eu entendo... – Disse Hydra, lutando para não chorar na frente deles.
Jeniffer abraçou Hydra por alguns segundos e disse que faria de tudo para ajudá-la, Peter a beijou, mesmo sem graça de estar na frente do pai e irmã dele e ela retribuiu, o rapaz também prometeu que sempre estaria ali para ela.
- Peter, leve sua irmã para casa, eu vou aparatar com Hydra para a casa dela.
- Mas ela ainda é menor de idade! – Disse Jeniffer.
- Aparatar ao meu lado não tem problema, ela não pode fazer sozinha.
Jennifer e Peter acenaram de novo para Hydra e foram em direção a casa.
- Segura firme meu braço, ok?
- Ok!
Foi tudo muito rápido, Hydra sentiu tudo girar e parecia que não iria parar nunca, sentiu um enorme enjoo e uma sensação de seu corpo estar sendo todo remexido, em pouco tempo, se sentindo doente de enjoada, se viu na porta da entrada do jardim de sua casa.
- Acho melhor acompanhá-la até dentro de casa – Disse o Sr. Macmillan.
Hydra andou até a entrada, segurando no braço do Sr. Macmillan, ainda se sentindo meio tonta e sem conseguir andar sozinha direito, com certeza foi o pior tipo de viagem que já fez.
Chegando dentro de casa, Narcisa veio correndo recebê-la, como se nada demais tivesse acontecido.
- Minha filha, eu estava tão preocupada! – Narcisa a abraçou, mas Hydra não se mexia – Muito obrigada por ter trazido ela para casa, deseja entrar e tomar café conosco? – Perguntou Narcisa educada ao Sr. Macmillan.
Hydra sabia que ela queria evitar uma cena na frente dele e decidiu apenas acompanhar o teatro de sua mãe e não falar nada na frente dele, o Sr. Macmillan não precisava saber os horrores que aconteciam naquela casa quando ninguém olhava.
- Eu agradeço muitíssimo, mas eu preciso partir, minha esposa deve estar muito preocupada, só vim acompanhar Hydra.
- Qualquer dia então... – Sorriu Narcisa forçadamente.
- Sim, seria ótimo. Até mais Hydra, se cuida! – Sorriu ele e a abraçou. – Se eles fizerem algo com você, se te lançarem um feitiço que seja, me mande uma coruja imediatamente que eu te busco! – Disse o Sr. Macmillan, baixinho em seu ouvido, deixando Hydra muito confusa e sem ação, como ele podia saber o que seu pai fazia com ela?
- Senhora Malfoy – Disse acenando e aparatou assim que saiu da casa.
- Eu vou para o meu quarto! – Disse Hydra, sem olhar a mãe nos olhos e tremendo. – E eu não quero por favor ter que ver nenhum de vocês até chegar o dia de ir para Hogwarts.
- Você vai fazer o que eu quiser que faça! – Disse Lúcio, que chegava na sala, com seu olhar pomposo de soberba e de frieza cinza.
- Você fez aquilo! Você fez aquilo com aquela pobre família! Você conjurou a marca negra, não fez pai? NÃO FEZ PAI? - Gritava Hydra descontrolada, perdera qualquer senso de preservação que tinha, qualquer medo, apenas gritava como uma louca, indo para cima de seu pai.
- Eu não conjurei nada, mas sim, me diverti com aqueles trouxas nojentos, é para isso que eles servem! – O brilho cruel nos olhos de Lúcio era assustador.
- Que tipo de monstro você é? – Gritou Hydra novamente.
- Se você não se calar imediatamente... – Disse ele com ódio e foi interrompido por Hydra.
- Você vai fazer o que? Me dar outra cicatriz? – Hydra disse isso puxando o vestido que usava para cima e mostrando uma cicatriz branca na altura da lombar. Narcisa colocou a mão na boca e Lúcio parecia ainda mais nervoso.
- Você trouxe isso em si mesma, se comporte imediatamente! – Disse ele, agora também gritando.
- Eu tinha sete anos! Sete anos e você me deu essa cicatriz mágica e quase me deu outra a dois anos atrás, fora as outras vezes. Assume a sua culpa, assume que você é um covarde que gosta de se aproveitar de quem é mais fraco que você! – Lúcio ficou vermelho de fúria e Narcisa chorava desesperada.
Hydra viu Lúcio levantando a varinha, mas Narcisa se colocou na frente da filha.
- NÃO LÚCIO! ELA É NOSSA FILHA!– Gritou ela – DESSA VEZ NÃO, DEIXA ELA IR, POR FAVOR!
- Ela precisa aprender uma lição! – Lúcio conjurou um feitiço o qual fez o corpo de Hydra se esticar dolorosamente.
- LÚCIO, PARA, PELO AMOR DE DEUS, PARA! – Gritava e chorava Narcisa.
- ictus – Gritou Lúcio, apontando a varinha para filha.
No mesmo momento, Hydra sentiu dores em várias partes do corpo, era como se várias mãos a batessem, marcas roxas apareceram por várias partes.
- NÃO, LÚCIO, CHEGA, CHEGA! – Gritava Naricisa, se colocando na frente dele.
As dores continuaram, Hydra gritava, chorava e se debatia.
- Expelliarmus – Gritou Narcisa, finalmente desarmando o marido, que olhava para ela com grande fúria, por um momento, Hydra, deitada no chão, achou que Lúcio iria fazer algo contra ela.
- Suba, Hydra, suba imediatamente, por favor, minha filha! – Disse Narcisa.
No começo, ela não conseguia se mexer, ainda sentia muitas dores e estava muito confusa, com medo de Lúcio fazer alguma coisa contra a sua mãe.
- SUBA AGORA, HYDRA! – Gritou Narcisa.
Hydra levantou, ainda cambaleando, subiu para o quarto o mais rápido que pôde e se trancou lá, com medo, dor, raiva, tudo misturado.
Se jogou na cama, colocou o travesseiro em cima da cabeça e começou a gritar e chorar, seu som foi abafado pelo macio travesseiro branco, se sentia impotente, covarde, por quê não revidara dessa vez? Por quê apenas deixara acontecer novamente? Por quê estava naquele lugar?
Hydra ouviu uma gritaria no andar de baixo, se perguntava aonde estaria Draco, se ele estaria ouvindo tudo isso e só escolheu não fazer nada ou apenas não estava em casa, o que parecia estranho para ela.
A menina levantou da cama, tirou seu vestido e se olhou no espelho, marcas roxas se espalhavam por todo seu corpo, ela pensou em preparar uma poção para diminuí-las, mesmo arriscando receber uma notificação do ministério, mas preferiu não, iria usar essas marcas como um reflexo do que Lúcio verdadeiramente era para ela.
Depois de um tempo, novamente deitada, finalmente adormeceu.
- Filha, acorda! – Hydra abriu os olhos e viu Narcisa sentada ao lado da sua cama com os olhos inchados e vermelhos.
- Mãe, me deixa em paz por favor, por favor, é tudo que eu peço..– Pediu Hydra sonolenta.
- Eu conversei com o seu pai, ele acha melhor que você passe o resto das férias em outro lugar. –Narcisa falou calmamente, como sempre, agindo, ou fingindo como se nada tivesse acontecido. Hydra levantou a cabeça nesse momento.
- Vocês vão me deixar ir embora? – Perguntou ela esperançosa.
- Não embora, viajar, você pode ir para a casa de uma das suas amigas na França como costumava fazer.
- Eu quero ficar com o Peter! – Disse Hydra.
Narcisa respirou fundo e respondeu:
- Tudo bem, eu vou mandar uma coruja aos Macmillans pedindo se podem lhe receber pelo resto das férias, mas Hydra, é só isso você terá que voltar nos feriados como sempre, eu só acho que você e seu pai precisam de um tempo afastados.
- Um tempo afastados... – Repetiu Hydra.
- Ele não tinha a intenção, Hydra! – Disse Narcisa, vendo as manchas roxas no corpo de Hydra.
- Ele nunca tem...
- Mas ele não tinha mesmo, ele só perdeu o controle, acredite. – Narcisa mais uma vez, quase chorava.
- Não, mãe, não tente defender ele, por favor... Eu já estou cheia, farta disso, completamente farta disso, só me deixa ir em paz, você foi tão boa me defendendo. – Disse Hydra, se levantando.
- É melhor esconder isso... eu sei uma poção que...
- NÃO! – Disse Hydra, vendo que Narcisa olhava para sua manchas roxas no corpo – Eu não quero falar nada para eles, mas elas ficam.
Hydra provavelmente iria falar, ela sabia que era mentira jurar que não, mas sabia também que se a mãe soubesse, provavelmente não a deixaria partir, queria evitar um escândalo.
- Pelo menos o seu rosto está intacto... – Disse Narcisa, levantando e acariciando as bochechas da filha.
- Aonde está o Draco, mamãe? Aonde ele estava ontem de noite? – Perguntou Hydra, afastando as mãos da mãe.
- Na casa de um amigo, Goyle eu acho, ou Crabbe...
"Pelo menos ele não viu, ele não ignorou, apenas não viu...", pensava Hydra.
- Obrigada por ter parado ele... – Disse Hydra, antes de sumir em seu banheiro.
- Não foi a primeira vez que eu parei, Hydra... - Respondeu Narcisa chorosa, porém sendo forte - Ninguém machuca a minha filha se eu puder fazer algo sobre isso, nem mesmo meu marido, o pai dela, eu te amo muito para isso, Hydra, eu só sinto muito de verdade que isso tenha acontecido com você de novo...
