Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fic não possui fins lucrativos.
Summary: Nigel narra a busca de Sidney por uma relíquia que pode mudar o destino, a pedido de um amigo de longa data. O novo rumo dos acontecimentos trazido pela relíquia trará um futuro melhor ou pior para todos?
Caminhos errados
4. O dia da pesquisa
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Dia nº 51: A interferência de Josh em nossas vidas estava apenas começando. Mas nesse dia, só o que me importava era a satisfação de poder ajudar minha amiga.
Sydney ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha e prestou mais atenção na folha de papel em suas mãos. Eu ainda não estava entendendo muito bem.
"Afinal, seu encontro com Greyard ontem à noite produziu alguma coisa além de mais trabalho para nós?"
Recebi dela aquele olhar que dizia 'Se preza sua habilidade de se locomover sozinho, acho melhor se calar'.
Abaixei a cabeça de volta para a pilha de documentos que Sydney havia trazido para o escritório naquela manhã e que estava espalhada sobre minha mesa. Ela havia dito que eram partes da pesquisa completa de Greyard, e que na noite anterior em seu "encontro" ficara sabendo de vários detalhes sobre o artefato que acabaria com o problema do arqueólogo.
A professora também disse que nesse mesmo "encontro" prometera a Greyard que resgataria a relíquia dentro de um certo tempo. Pois é, como eu havia previsto: encrenca.
"Pensei que Josh já tivesse resolvido tudo."
"Ele não está se sentindo bem. Seremos eu e você na viagem." Disse a historiadora enquanto analisava alguns papéis em suas mãos.
"Hum. E para onde estamos indo?"
"Tudo indica que a relíquia esteja na Grécia. Partiremos assim que confirmarmos isso." Ela largou as folhas sobre a minha mesa e começou a tirar ainda mais papéis das pastas que havia trazido.
"E eu posso saber que relíquia é essa?"
"Trata-se de um vaso de argila que uma jovem, cansada de sua vida pobre, oferecera aos deuses, pedindo que lhe agraciassem com uma vida que não fosse trabalhosa ou cheia de preocupações."
Arqueei as sobrancelhas. "Pouco pretensiosa, não é mesmo?"
"Podemos dizer que a Deusa Atena não ficou feliz com o pedido. Admirada com o egoísmo da moça, decidiu encantar o vaso com o poder de mudar o destino de quem o possuir, da forma que o dono desejar. De acordo com o mito, a moça pediu riqueza e a conseguiu, mas acabou vivendo infeliz e sozinha depois disso. Ela se suicidou no mar, e o vaso de barro passou por vários outros proprietários até acabar se perdendo."
Apenas a encarei.
"O que foi?"
"E essa é a relíquia que vai salvar Josh?" Perguntei perplexo. "Como vamos fazer isso?"
"Ao que parece, quando tocarmos na relíquia, poderemos pedir que ele seja salvo."
Continuei olhando para Sydney. Eu devia estar com o queixo caído naquela hora. "Está me dizendo que a única chance de salvar Josh é usarmos uma relíquia feita para destruir quem a usou?"
"Ela não foi feita para destruir, Nigel. Mas quem a usar terá que fazer o pedido certo."
"Oh, então tudo bem. Eu pensei que estivéssemos totalmente enrascados, mas agora vejo que há menos de um por cento de chance de fazermos o pedido certo e não causarmos a total ira dos deuses."
"Não seja tão pessimista. Não estamos sendo egoístas como a moça da lenda. Vamos fazer isso para salvar Josh."
"E Josh não foi nem um pouco egoísta tentando encontrar a relíquia." Não preciso mencionar que esta foi uma frase sarcástica.
Ela me encarou, séria. "Poderia ter acontecido com qualquer um, Nige. Até mesmo conosco."
"Não sei. Nós normalmente respeitamos os avisos quando encontramos alguma coisa sinistra como a possibilidade de mudar o destino e destruir as nossas vidas." Cruzei os braços.
Sydney permaneceu de pé, na frente de minha mesa, me encarando. "Vamos nos atrasar. Vai parar de reclamar e me ajudar com a pesquisa, ou eu terei que fazer isso sozinha?"
Se era para colocar a situação daquela maneira, por que ela ainda se dava ao trabalho de perguntar? Não era óbvio que eu a acompanharia em qualquer caçada e faria tudo ao meu alcance? Ela não precisava fazer chantagem emocional. Pus os óculos e comecei a analisar os inúmeros papéis sobre a escrivaninha. "Como está Josh?"
"Ele foi consultar um médico. Não quero perder tempo, Nigel."
Eu balancei a cabeça concordando e foquei minha mente no trabalho que deveria ser feito. Josh precisava de tratamento médico, significava que ele estava pior do que eu imaginava. E Sydney parecia mesmo decidida a recorrer ao vaso com poderes sobrenaturais.
Lembro que naquela hora eu não sabia se a admirava por acreditar naquela relíquia e ter a coragem de usá-la, ou se a chamava de maluca. Eu ainda não tinha a audácia necessária para mencionar a segunda opção, então resolvi trabalhar.
Aconcheguei as costas em minha poltrona e então ouvi a professora arrastar uma cadeira para perto de minha mesa. Observei de soslaio enquanto Sydney se acomodava ao meu lado em MINHA mesa.
Sua poltrona ficara à minha esquerda, em um ângulo que até agora não entendo ter sido possível. De alguma forma, ela conseguiu enfiar-se junto no pequeno espaço para a cadeira de baixo da escrivaninha.
A professora começou a mexer nos documentos que EU deveria traduzir. Fiquei fitando enquanto ela se esticava sobre a escrivaninha e pegava uma pilha de papéis que estava do outro lado, praticamente se deitando sobre a folha que eu segurava. Aguardei que ela alcançasse o que queria.
Sydney voltou a se sentar e eu comecei a ler o trecho que deveria analisar. Percebi ainda mais movimento ao meu lado. Ela puxou um bloco de anotações que estava na beirada da mesa, começando a escrever.
Houve silêncio por um momento, e aproveitei para voltar a atenção para a tradução. Hmm. Este símbolo toma um sentido ambíguo nesta sentença. Pode ser traduzido como-
"DROGA!"
Dei um salto com o grito no meu ouvido esquerdo. Olhei para Sydney. Ela estava xingando enquanto riscava furiosamente sobre o bloco de anotações com uma caneta, que obviamente não tinha mais tinta.
"Que porcaria, Nigel! Por acaso não assinei o pedido de material de escritório na semana passada? Por que você não tem uma caneta decente nesta mesa?"
Ela continuou forçando a ponta sobre o papel, como se suas ameaças fossem convencer o objeto a funcionar novamente, mesmo sem tinta.
Estiquei o braço na frente da professora, puxei uma das canetas azuis do porta-trecos e depositei-a sobre o bloco que ela já estava destruindo, de tanto rabiscar com ódio. Ela pegou o objeto e jogou a outra caneta na lixeira ao lado da mesa. Começou a escrever novamente.
Me virei para o documento, que já deveria estar traduzido, e retomei meu trabalho. Onde eu estava? Ah, sim. Este símbolo pode significar em algumas circunstânci- "AU!"
Larguei o papel e massageei meu cotovelo esquerdo. "Sydney, você está muito perto!"
Ela não tirou os olhos do que estava escrevendo.
"Se afaste mais, está me dando cotoveladas. Faz idéia do quanto isso dói?"
"Temos que terminar a pesquisa, Nigel! O que este símbolo significa?" Ela mostrou o documento que estava lendo.
"Significa passado. Mas o resto da tradução está errado." Disse apontando para o que ela havia escrito no bloco.
Ela olhou as anotações e analisou novamente o documento. Franziu o cenho. "Não está não!"
Eu a fiz soltar os papéis que segurava sobre a mesa. "Sydney, eu já estou fazendo as traduções. Você não precisa se preocupar com isso. Vá acompanhar seu amigo no médico."
"Não temos tempo, se demorarmos..." Ela não terminou a frase.
Pus a mão sobre o ombro dela. "Eu sei, Syd. Mas você não está ajudando, nervosa desse jeito."
"Se duas pessoas fizerem as traduções, terminaremos mais rápido."
"Syd. Eu já teria terminado metade desses documentos se não estivesse preocupado com você podendo explodir a qualquer segundo. Pegue suas coisas e vá encontrar Josh. No final do dia, eu ligarei com o resultado das traduções."
Ela olhou a pilha de documentos e balançou a cabeça. "Você não vai conseguir, são muitas folhas."
"Eu vou conseguir." A fiz me encarar. "Vai ficar tudo bem. Eu farei as traduções e amanhã teremos tudo pronto para buscar a relíquia." Mesmo que eu tivesse que passar a noite em claro eu terminaria as traduções até o outro dia!
Ela pareceu ponderar um pouco, mas acabou concordando. "Está bem. Eu ligarei à tarde para saber como está se saindo."
"Certo. Agora vá. Estou perdendo tempo aqui." Disse em um falso tom de censura. Empurrei-a delicadamente para que ela levantasse da cadeira.
A professora pegou sua bolsa no gabinete, e parou perto da porta. "Se acontecer alguma coisa, ligue para meu celular. Até amanhã." Eu e Karen acenamos e ela saiu do escritório.
"Eu nunca vi Sydney tão nervosa antes." Disse a loira, enquanto se aproximava de minha mesa.
"Greyard parece ser muito importante. Ela não chegou a ficar assim quando ajudamos seu amigo Ross Crawford."
"Você acha que Sydney ainda está apaixonada por Josh?" Karen perguntou, animada.
"Tudo indica que sim. Eles quase se casaram depois da faculdade." Karen me fitou com uma expressão indecifrável. "O que foi?"
"Será que eles ficarão juntos de novo?"
Dei de ombros. "É bem provável."
Ela me encarou mais um momento. Eu estava prestes a perguntar no que ela estava pensando, mas a loira foi mais rápida.
"Isso não o incomoda, Nigel?"
Devo ter feito cara de quem não entendeu, porque a loira continuou falando. "Ele parece ser o grande amor de Sydney. E está de volta."
Ajeitei os óculos e voltei a atenção para as folhas sobre minha mesa. "Não sei onde quer chegar, Karen. Se Sydney o reencontrou e está feliz, isso é bom. Claro que eu preciso traduzir estes documentos como prometi, antes que aconteça algo com Josh, e Syd desconte em mim por não ter encontrado o vaso."
A secretária me fitou por mais um instante e voltou para o outro lado da sala. "Vocês são verdadeiros amigos." A ouvi dizer.
"Sou seu amigo também."
Ela virou-se para mim. "Eu tenho sorte!"
•••
Às três da tarde, Sydney ligou para o escritório. Eu havia passado o dia todo fazendo as traduções. Havia muitos trechos complexos que eu teria que revisar à noite, mas o trabalho estava saindo como o desejado. No outro dia, com certeza, tudo estaria pronto.
Sydney informou que Josh estava bem melhor após a consulta, e que os dois estavam passando a tarde juntos na casa dela. Ergui uma sobrancelha. Josh parecia ser quem mais estava se divertindo nos últimos dias, e era para ele estar AMALDIÇOADO!
Não questionei mais detalhes, estava satisfeito por Sydney ter superado a inquietação e o nervosismo daquela manhã. Ela ficou eufórica com a notícia de que a tradução estaria pronta no outro dia.
Depois de conversar brevemente com ela, desliguei o telefone e voltei ao trabalho. Ao me preparar para sair, deixei os documentos sobre a mesa da professora e levei várias anotações comigo, a fim de acertar alguns detalhes e ter tudo pronto pela manhã.
Já havíamos conseguido ajudar um amigo anteriormente com outra relíquia. Não havia por que imaginar que Josh não teria a mesma sorte. Sydney estaria realizando a busca, afinal. Tudo deveria dar certo. Eu já sabia até para onde iríamos.
No dia seguinte, eu e a caçadora ignoraríamos mais uma auditoria, arriscando nossos empregos, e partiríamos rumo ao Monte Olimpo, na Grécia.
Mas, mais importante do que isso. No dia seguinte, eu conheceria Josh Greyard.
•••
Continua
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N.A.: Obrigada pelo comentário, Yvarlcris! Estou super feliz que você esteja acompanhando minha fic. Mal posso esperar para ler a continuação da sua fic também! Um montão de beijosssssss
