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CAPÍTULO QUATRO
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Desisto, pensou Rin. Hachi tinha-lhe roubado uma bolinha com que ela se entretinha quando não tinha nada para fazer no expediente, e por mais que ela mandasse, ele não lha devolvia. Levantou-se e saiu do balcão da recepção e foi atrás dele. Os seus latidos constantes e os movimentos de ar à sua volta mostravam claramente que nunca devia tê-lo deixado ver a bolinha, agora ele só queria brincadeira.
- Hachi! – sussurrou rispidamente e zangada. – Quando voltarmos à pensão eu brinco contigo, mas agora não! Estou a trabalhar!
O cão fugiu dela outra vez e ela foi seguindo-o através do som. Já era fim da tarde e o seu horário de trabalho já estava quase no fim.
- Hachi! Anda aqui! Devolve-me essa bola, agora! – voltou a sussurrar e apontou o dedo para os seus pés.
Hachi correu até ela e começou a ladrar à sua volta. No meio de tantas voltas e sons que ele fazia, Rin ficou desnorteada e acabou por cair quando ele foi contra ela na brincadeira.
A porta do elevador abriu-se nessa altura e Rin bateu com o rosto no peito de um homem muito alto.
- Oh, desculpe, foi sem querer! O meu cão… - desculpou-se timidamente, o rosto a queimar de vergonha e a sua mente a pensar em mil e uma maneiras de matar Hachi quando chegasse à pensão.
Os braços que estavam à sua volta pareciam de ferro e, estranhamente, Rin sentiu-se protegida. Obviamente que, para ela, nenhum par de braços poderia dar-lhe mais segurança que os de Inuyasha, mas aquele…
- Ainda bem que a encontrei. – a voz soou perto de seu ouvido e ela teve um sobressalto.
- Senhor Taisho! – soltou-se de um salto e arrumou o cabelo atrás da orelha.
Sesshoumaru teve de sorrir. Ninguém podia bater Rin em termos de aparência inocente e ingénua. Os cabelos encaracolados e compridos da cor do ébano contrastavam com a sua pele pálida e os olhos castanho-claros eram tão grandes como doces, às vezes parecendo ter um tom amarelo. Naquela manhã, quando falou com ela na cozinha, os seus olhos estavam expostos à luz do sol e eram completamente amarelos.
Levou a mão ao cabelo que ela arrumou atrás da orelha e puxou-os até caírem ao lado do rosto. – Gostava de pedir desculpas pelo meu comportamento hoje de manhã. Reconheço que fui mal-educado e brusco consigo, peço desculpa.
- Não, eu é que devia pedir desculpas. Não me deveria ter metido em assuntos que não são da minha conta. Ainda para mais, estava na sua casa.
- Então, estamos quites. – estendeu a mão e pegou na dela para lhe depositar um breve beijo nos nós dos dedos. Os cabelos prata deslizando suavemente para a frente. – Vamos começar de novo. Prazer em conhecê-la, sou Sesshoumaru Taisho.
Ela riu-se. – Prazer, sou Rin Hatanaka.
- Hatanaka? – endireitou-se. – Não conheço esse sobrenome. É da universidade onde estuda a Kagome?
- Não. – gaguejou. – Eu não entrei em nenhuma universidade.
Sesshoumaru praguejou mentalmente. Claro que não eram da mesma universidade! Rin era cega, precisava entrar numa universidade para pessoas com o mesmo problema, onde pudessem ler em braille.
- Quem são os seus pais? De certeza que os conheço. São donos de alguma fábrica ou marca de algum produto?
Rin ficou sem reacção. Ele julgava-a alguma menina com pais ricos? Pensaria ele que Kagome só tinha amigos de origens ricos? Oh, como ele ia ficar decepcionado…
- Eu trabalho aqui. – disse.
- Como?
- Eu não sou rica nem tenho origens ricas. Eu moro com o meu tio do outro lado da estrada numa pequena pensão. Eu trabalho aqui. – repetiu.
Sesshoumaru arregalou os olhos. – Então como é que…?
Rin bufou e a sua franja moveu-se. – Como sou amiga da sua irmã? Simples: a Kagome queria uma amiga que não quisesse saber das suas origens nem do seu dinheiro. Queria uma amiga de verdade.
- Só podia ser mesmo alguém cego… - disse com ironia, mas assim que viu a indignação e a dor passar nos olhos cegos, arrependeu-se. – Não, desculpa, não era isso que eu queria dizer…
- Era sim. – ela replicou e cruzou os braços abaixo dos seios. - Porque não consegue acreditar em outros princípios que não o dinheiro e as aparências? Tornar-se-ia uma pessoa muito melhor!
- Agapi…
O apelido carinhoso em grego deixou-a irada. Quem ele pensava que era para a tratar assim?
- Desculpe, mas tenho que voltar ao trabalho. – virou-se e Hachi levou-a de volta ao balcão.
Sesshoumaru viu-a virar-lhe as costas e franziu o sobrolho. Uma mulher pobre. Kagome tinha feito amizade com uma mulher cega e pobre. Aquilo não podia ser. Mudava tudo. Os pobres estavam sempre de olho nos ricos, à procura que lhe dessem a mão para depois pedir o braço inteiro. Aquela mulher iria criar problemas para a sua família, e isso era a última coisa que queria que acontecesse naquele momento. O seu pai estava a morrer e Kagome estava para se casar. Não queria mais distracções.
Pegou no telemóvel e ligou para um amigo.
- Sim? Detective Lambert? Preciso de um favor seu…
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Kagome saiu da entrada do hotel e foi surpreendida por uma enxovalhada de perguntas acerca do seu irmão. Os paparazzi estavam por todo o lado e queriam saber se era verdade ou não que Sesshoumaru Taisho havia voltado de Nova York. Os flashes eram tantos e os barulhos, as vozes, os gritos eram tão descontrolados que se sentiu subitamente presa e assustada. Estava acostumada a esse tipo de coisas, mas naquele dia estava mais assustada que o costume. Além disso, Sesshoumaru tinha-a avisado para não falar acerca dele à imprensa, ele mesmo trataria disso.
- Menina Taisho! Menina Taisho! É verdade que o seu irmão já chegou de Nova York?
Ela sorriu, um pouco cega pelos flashes. – Desculpem, mas não quero responder a nenhuma pergunta. Agora, com licença! – tentou passar por eles, mas foi novamente presa pelos jornalistas obcecados.
- Por favor, menina Taisho! – um deles voltou a insistir. – Responda a algumas perguntas, apenas! O que acha da fama de playboy do seu irmão? Acha que ele alguma vez vai assentar e ter uma família?
- Ele já tem uma família! – disse rispidamente. – E sou eu e o meu pai.
- Diga-nos como está a saúde do grande InuTaisho! – uma jornalista pediu, quase enfiando um gravador pelos seus lábios. – Quanto tempo de vida tem?
Kagome sentiu lágrimas nos olhos. Estavam a ser rudes propositadamente e ela odiava aquela sensação de invasão de privacidade. Se Sesshoumaru descobrisse que quase chorara em público, processaria todos os jornalistas que ali estavam e mais alguns.
Desatou a empurrar todos os que formavam um círculo à sua volta e começou a correr para a estrada. Tentava desesperadamente encontrar um táxi, até que uma voz masculina a chamou e ela, cega pelas lágrimas e pelo desespero, entrou no táxi que esse homem segurava para si.
Entrou e logo a seguir o homem também se sentou ao lado dela e disse ao motorista para dar uma volta pela cidade.
Kagome tinha as mãos no rosto e chorava copiosamente. Sentiu umas mãos quentes e reconfortantes nos ombros e nos braços e finalmente olhou para ele, com intenção de lhe agradecer.
Mas quando o viu, ficou boquiaberta.
- Inuyasha! És tu?
Ele sorriu. – Sim. O que aconteceu? Porque havia tantos paparazzis à tua volta? – ergueu a sobrancelha.
Kagome lembrou-se que Inuyasha, na sua qualidade de melhor amigo de Rin, era extremamente desconfiado e detestava todo o tipo de pessoa rica. Desprezava-os porque os achava mesquinhos, ignorantes e cruéis. Claro que a maior parte era assim. Mas ela, por exemplo, não era má para uma mosca, e ficou com receio de lhe dizer a sua verdadeira identidade. Ele continuava a achar que ela era uma simples funcionária no hotel.
Decidiu continuar a sê-lo, pelo menos pare ele.
- Não sei! Eles apareceram do nada! Devem ter-me confundido com alguém famoso! Fiquei tão assustada!
- O que é que eles te estavam a perguntar?
- Sei lá! Não ouvi nada com o medo que sentia! – limpou as lágrimas e aproximou-se dele. Tinha vontade de o abraçar, de procurar conforto naqueles braços fortes e musculados, mas tinha medo. Afinal, tinham acabado de se conhecer no outro dia. – Achas que podem voltar?
- Muito provavelmente. – tocou na face cálida com uma mão e olhou-a nos olhos. – Mas não me admira que te tenham confundido com uma celebridade. És tão bonita que às vezes pereces irreal. – murmurou.
Kagome corou, a cor subindo-lhe pela garganta e instalando-se no rosto. – Obrigada…
Ele puxou-a de repente para um abraço e ela fechou os olhos, sentindo o calor do seu corpo, o cheiro delicioso que dele emanava. Devagar, colocou as mãos no seu peito e arregalou os olhos ao sentir uns peitorais intimidatórios que não suspeitava que pudessem existir. Recuou, surpresa, e sem deixar de olhar ou tocar neles.
Inuyasha riu-se. – O que se passa, Kagome?
Ela gaguejou. – N-Não, n-nada. É só que… - voltou a passar a mão pelos peitorais e depois afastou-a. – Nunca pensei que fosses… tão…
Ele riu-se outra vez, uma gargalhada grave e rouca. – Os teus amigos não são como eu? Eu trabalho muito a sério, sem descanso.
- Onde?
- Numa oficina, e por vezes o chefe manda-me fazer alguns trabalhos pesados. Mas… - franziu o cenho. - Tu já deves saber, não? Apesar de trabalhares num sítio tão finório, os teus amigos devem ter todos trabalhos parecidos com o meu.
Ela engasgou-se. – Ah, sim! Sim, sim, tens razão. Desculpa ter sido tão… inconveniente. Não estava nada à espera! – riu nervosamente.
- Ouve, queres ir à pensão da Rin e do tio Kaito? Se calhar é melhor, sabes… para te acalmares ou assim. O tio Kaito pode servir-te um chá ou um café, se quiseres. – Inuyasha parou de falar por um instante. – A não ser que tenhas que voltar ao trabalho, é claro! Nesse caso eu levo-te de volta e faço de guarda-costas!
Ela riu e abanou a cabeça. – Não é preciso, eu já não trabalho mais hoje. Adoraria conhecer o tio Kaito!
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Dois dias depois, Rin estava a acabar de arrumar o quarto e estava a pôr a roupa suja para lavar, quando Inuyasha aparece de repente sem avisar e atira-se para cima da sua cama acabada de fazer e começa a comer ruidosamente uma maça vermelha.
- Inuyasha! Que modos são esses! – repreendeu o jovem sempre bem-humorado. – Já te disse mil vezes para bateres antes de entrares!
- Porquê?
- Podia estar nua, já te ocorreu?
Ele deitou-se de lado e sorriu. – Por isso mesmo é que não bato.
Ela encontrou uma almofada e atirou-lha. Não sabia se o tinha acertado no rosto, mas pelo menos tinha-lhe acertado. – O que queres?
- Quero levar-te ao hotel. Tu sabes, ser cavalheiro pelo menos uma vez na vida. – encolheu os ombros e continuou a comer a maçã.
Ela sorriu e pôs as mãos nas ancas, com ar maternal. – Ah, sim?
- Huh, huh!
- Não me lixes!
- Estou a falar a sério!
- Tu queres ver a Kagome!
- Em parte! – admitiu. - Mas a outra parte quer levar-te sã e salva ao outro lado da rua! Juro!
- O Hachi faz esse papel melhor do que tu! – acusou. – Bastava passar um rabo de saia que me deixavas logo sozinha no meio da rua sem saber para onde me virar!
Ele riu-se alto, cada gargalhada a ecoar no quarto pequeno. – Tens razão, tens razão, mas o que posso fazer? Sou um homem muito grande que precisa de atenção. – ergueu a sobrancelha com o duplo sentido.
Ela semicerrou os olhos. – A Kagome não é esse tipo de mulher, Inuyasha.
Inuyasha perdeu a vontade de se rir e sentou-se. – Eu também não disse isso.
- Então porque a queres ver?
- Não sei. – deu de ombros e olhou para a maçã. – Só sei que gosto dela. Do riso dela, do perfume dela, dos olhos dela. Até do cabelo! Desde que a vi… não sei, sinto que tenho que estar perto dela, sabes? É uma coisa esquisita, não consigo explicar. Não vou ser um ordinário com ela, Rin mou, só quero conversar e passar algum tempo com ela. Gosto da companhia dela, entendes?
Rin deixou cair os braços ante a confissão. Inuyasha estava a apaixonar-se.
Oh, não… Oh, bolas!
Inuyasha odiava os ricos. Odiava principalmente os Taisho, como InuTaisho e Sesshoumaru. Devia desconhecer que também havia uma mulher na família, ou se o sabia, não havia ligado a Kagome que conhecia à Kagome Taisho.
Gostava da jovem, não o culpava, Kagome era irresistível demais para não se gostar dela. Mas quando Inuyasha descobrisse quem ela era, não ficaria tão contente. Só esperava que as coisas não ficassem muito feias.
- Bom… - uniu as mãos. – Ao menos trata bem dela, ok?
- Podes ficar descansada, aquela mulher é tão delicada que eu tenho até medo de a partir. Vou tratá-la com carinho e muito respeito! – levantou-se, segurou-a pelos ombros e plantou-lhe um beijo na testa. – Agora, quero falar contigo sobre outro assunto.
- Qual assunto?
- Como vão as coisas com o InuTaisho?
Rin desanimou-se e sentou-se numa cadeira. – Nada bem, Inuyasha, nada bem. Não consigo vê-lo, apesar de estar no hotel, porque há muitos seguranças e não consigo entrar nos escritórios porque há sempre muita gente.
O homem sentou-se na cama, de frente para ela, e agarrou-lhe as mãos. Os olhos dourados olhavam-na com preocupação e os cabelos prata brilhavam por causa do sol que o iluminava nas costas. – Não achas que está na altura de desistires desse plano maluco?
- Não! – tirou as mãos no seu aperto. – Bolas, Inuyasha! Não entendes? A minha irmã morreu por culpa dele! – começou a chorar. – Eu estou cega por causa dele! E o bastardo nunca quis saber de nós! Nunca lhe pesou na consciência o que fez! Ninguém tentou fazer justiça porque éramos apenas crianças órfãs e porque tinham medo dele e do seu dinheiro! – levantou-se e deambulou pelo quarto, vez ou outra esbarrando-se contra alguma mobília.
- Rin...
- Pois eu não tenho! – gritou, furiosa. – Não tenho! E vou enfrentá-lo, Inuyasha! – chegou perto dele e enfiou um dedo no seu peito. – Eu vou botá-lo abaixo, ouve o que te digo, e vou envergonhar esse homem que pensa que manda no mundo! Não quero saber se está a morrer, pior para ele porque está a acelerar a sua vergonha! Ele vai perceber que o que fez foi errado e vai pagar caro por me ter levado a minha irmã!
Inuyasha amparou-a quando caiu sobre o seu peito, desfeita em lágrimas, e consolou-a o melhor que pôde. Embalou-a nos seus braços e esperou que o pranto cessasse. Tentou animá-la e disse que, apesar de não querer que ela se arriscasse tanto, iria apoiá-la no que fosse preciso.
No fim, levou-a com Hachi para o hotel e ficou triste por ter perguntado por Kagome e terem-lhe dito que ela não falava com subalternos.
Deve ser algum tipo de gerente ou assim…, pensou, desanimado.
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Sesshoumaru estava a sair do hotel para voltar para casa. Normalmente, saía muito depois de acabar o expediente, mantendo-se no escritório até à meia-noite, mas naquele dia sentia-se cansado. Tinha ido falar com o pai, e já estava a sair quando viu Rin na rua.
Parecia não saber onde ir, e Hachi não estava com ela e por isso estranhou. Quando se ia aproximar para lhe perguntar se estava bem, um mendigo tomou a dianteira e roubou-lhe a bolsa. Rin gritou e Sesshoumaru agiu num impulso.
Num momento, o mendigo estava a fugir, no outro, Sesshoumaru tinha-o preso pela garganta contra a parede.
- Sê um bom homem e devolve a bolsa à senhora! – disse com uma suavidade aterradora.
Rin aproximou-se, receosa. – Senhor Taisho? O que está a fazer? O que se está a passar?
- Eu tenho a sua mala, Rin, não se preocupe. – puxou-a com uma mão e deu-lhe a bolsa. – Quanto a este ladrão, vou chamar a polícia para o prender!
O mendigo começou a pedir perdão e a chorar, mas Sesshoumaru não quis saber. Pegou no telemóvel e ligou para a polícia.
- Senhor Taisho! – Rin colocou suavemente a mão no seu bícep e fez com que baixasse o braço com que segurava o aparelho contra o ouvido. – Não há necessidade de mandar prender este homem.
- Como que não há? Ele tentou roubá-la!
Ela sorriu, apesar de tudo, e olhou para onde estava o homem. – Tenho a certeza que o senhor deve estar arrependido e vai prometer que não cometerá outro crime, não é?
O mendigo desdentado e magro acenou, com os olhos esbugalhados, e depois olhou para Sesshoumaru. O homem não o queria soltar.
- O que a faz pensar que ele não voltará a roubar pessoas inocentes, outra vez?
- Senhor Taisho, seja razoável! – repreendeu. – Sempre tão desconfiado! Não vê que ele está assustado? Já aprendeu a lição! Não há necessidade de o prender por algo que nem sequer chegou a acontecer!
- Se eu não estivesse por perto, provavelmente teria ficado sem nada.
- É verdade, mas precisamente porque estava perto, este homem aprendeu uma lição muito importante e vai ter mais cuidado para a próxima. – olhou para ele, mais precisamente para onde o seu peito se fundia com o seu pescoço.
Sesshoumaru não soube explicar, mas naquele momento, sob aquele olhar amarelo inocente e cheio de boas intenções, largou o mendigo, que saiu a correr aos tropeções.
Alguém atendeu finalmente o telemóvel e Sesshoumaru desculpou-se, inventando uma escusa qualquer. Quando guardou o aparelho no bolso outra vez, olhou para a mulher a seu lado.
- Sinceramente, não sei o que ganhou com isto tudo.
Ela sorriu-lhe. – Ganhei um novo amigo. Da próxima vez ele não me vai fazer mal.
Ele abanou a cabeça. – Não entendo como pode ter tanta fé e ser tão branda com as pessoas. E se fosse um assassino ou algo do género?
- Nesse caso, estaria eternamente grata por intervir, senhor Taisho! Ter-me-ia salvado a vida!
Ele abanou a cabeça e franziu o cenho. – Onde está o seu cão?
Ela levou uma mão à boca e fez uma expressão de se espanto, como se tivesse acabado de se lembrar do animal. – Oh, Hachi! Aquele malandro foi atrás de um gato vadio há minutos atrás e deixou-me para aqui especada!
- Deixou?
- Sim! Isto acontecia muitas vezes nos primeiros tempos em que ainda não estava habituado, mas com o tempo foi aprendendo a deixar de lado os gatos e outras distracções e a estar sempre a meu lado.
- E se o chamar, ele não vem?
- Era o que estava a fazer… - olhou para os lados e tentou mais uma vez. – Hachi! Anda cá! Hachi!
As pessoas que passavam já eram muito poucas àquela hora, pelo que era mais fácil procurar o cão, que não era nada pequeno, mas mesmo assim, Sesshoumaru decidiu ajudar.
- Hachi! – gritou. – Anda cá, rapaz! – dito isto, assobiou.
Um latir grave e grutural ouviu-se ao longe e logo um urso polar saiu a correr duma esquina com tanta velocidade e atrapalhação que derrapou e foi contra um carro. Sesshoumaru arregalou os olhos quando viu aquele monstro correr na sua direcção e previu o pior.
Hachi atirou-se para cima dele e derrubou-o, caindo pesadamente em cima dele e lambendo-lhe o rosto várias vezes.
- Oh, meu deus! – Rin ajoelhou-se e procurou a mão de Sesshoumaru. – O senhor está bem? Hachi, já chega!
O cão parou de o lamber e sentou-se obedientemente ao lado da dona, com a língua de fora e a cauda a bater no chão com força.
- Estou bem, obrigado. – o youkai levantou-se devagar com a ajuda de Rin e limpou o casaco.
- Peço imensas desculpas! Eu não sabia que ele ia ter esta reacção! Normalmente só faz isto comigo ou com o Inuyasha! – explicou, fazendo festas na cabeça do bicho.
Sesshoumaru parou de limpar o casaco o olhou para ela de repente. – Quem é esse? É o seu namorado? – reprimiu-se mentalmente por ter feito aquela pergunta, mas não fora capaz de travar a língua. Porque raios perguntara aquilo?
Os olhos amarelados piscaram três vezes. – O quê? N-Não, não é. É meu amigo.
- Desculpe, não tinha o direito de perguntar. – disse, com uma expressão de enfado, como se estivesse aborrecido consigo mesmo.
- Não faz mal.
- Ia para casa?
- Sim, por acaso ia.
- Quer que a leve? Posso dar-lhe boleia, se quiser.
- Não, obrigado, a pensão é já ali e tenho que passar na mercearia para comprar uma… - obrigou-se a calar antes de lhe dizer a lista de compras. Um homem como aquele não queria saber de tarefas domésticas para nada. – Ainda tenho coisas a fazer… - sorriu e segurou na trela de Hachi com as duas mãos, à frente da barriga. – Portanto, tenho que ir. Mas obrigada na mesma!
Ele assentiu e disse-lhe adeus, logo se dirigindo para o seu Bentley preto. Por uma razão que odiava e desconhecia, os olhos amarelos dela não lhe saiam da mente. Eram de uma cor pouco comum, mas à parte disso, achava insuportável não conseguir controlar os seus próprios pensamentos. Ao fazer a manobra e entrar na estrada movimentada, não conseguiu evitar olhar para o fundo da rua, onde a morena virava numa esquina e apalpava a parede para se situar, mesmo com a ajuda de Hachi.
Odiou-se a si mesmo por, mesmo à noite, quando estava na cama, continuar a pensar que não vira coisa mais bonita que aqueles olhos castanho amarelados sob a luz do sol.
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Continua…
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Respondendo às reviews!
Ticha – Muito obrigada! Ainda bem que estás a gostar! E não te preocupes… quanto ao nosso Sesshy, ele vai ficar mais do que apaixonado. Ahahha! Beijo!
Bulma Briefs Butowski – Sim, sou portuguesa! É que, como costumo escrever em português do Brasil, achei que devia parar. O português de Portugal é tão mais antigo e tão esquecido que achei que devia honrar o meu país e a minha Língua Mãe. Além disso, como eu aprendi coisas em brasileiro, acho que está na hora de vocês aprenderem um pouco connosco, também. E, sim, aqui o apelido é o sobrenome daí. Aqui também usamos 'sobrenome', mas é mais frequente dizermos apelido. No entanto, o apelido daí, é a nossa 'alcunha'. Por exemplo… Aqui, o apelido da Kagome é Higurashi, e a alcunha é Kah, entendeste? É um bocado confuso, mas é interessante ver estas pequenas diferenças. Continua a ler e obrigada pela review! Beijo!
Juliana – Desculpa a demora, mas não tive tempo de postar ontem e como amanhã de manhã tenho um casamento (YEY!), resolvi pôr agora de noite! XD Beijos!
Rin Taisho Sama – Eu também escrevi a personagem do Sesshoumaru como um homem preconceituoso e com a mania da superioridade. Achei interessante abordar o tema da cegueira e fazer com que as pessoas se interessassem mais pelo interior do que pelo exterior. A Rin vai ensinar ao Sesshoumaru a fechar os olhos e a ver com o coração.
Eu também adoro o Hachi! É que eu tenho uma cadela enorme que é completamente desvairada e que não me obedece. No entanto, o cão da vizinha (uma raça rafeira, mas lindo de morrer e ainda maior que a minha cadela de raça), ficou meu amigo e vem passear comigo onde quer que eu vá! No outro dia foi comigo pela cidade até ao dentista e ficou deitado à porta à minha espera! Que lindo! Então, o Hachi é baseado nele. Espero que gostes do capítulo, beijo!
Bella Taisho – Bom, o Sesshy não vai ficar cego (a não ser cego de amor! ahaha!), mas vai aprender uma lição muito importante. Quanto às coisas erradas… bem, vão haver por aí uns problemazinhos mas não serão para sempre! ;) Beijo!
Lene – Obrigada por achares o meu nível de escrita bom, fiquei mesmo muito contente! E ainda mais quando disseste que achaste que a minha fic era uma adaptação! Isso quer dizer que está boa! A sério, muito obrigada. Sei que pode parecer uma tristeza, mas uma autora fica mais feliz com esses pequenos elogios do que se ganharem o euromilhões. Eu pelo menos fico! Somos tão carentes por 'afecto apreciativo'! Ahahah! Beijos!
Jubs-chan – Que bom que estás a gostar de ver as diferenças! Como aprendi tantas coisas sobre o 'brasileiro', decidi que estava na altura de parar de me esconder por aí e mostrar como o português tradicional da Europa pode ser interessante quando bem apreciado. Obrigada pela review e continua por aqui! Beijo!
Bom, sobre o próximo capítulo… deixa ver… que tal dia 22, segunda-feira? Tenho o fim-de-semana ocupado, mas ponho o capítulo na segunda de manhã, está bem?
E se quiserem saber um bocadinho mais, no próximo capítulo o InuTaisho tem um ataque um bocadinho mais forte, a Kagome toma uma decisão séria e a Rin encontra uma pessoa muito especial. Mais, não digo! XDD
Beijos para todos e obrigada pelas reviews, mais uma vez!
Ja ne, minna!
