Odeio confessar isso, mas me senti importante quando ele falou que ia nos escoltar. Embora eu começava a compreender que minha cabeça iria estar a prêmio, mais do que a de Bridget, afinal, meus pais é que tem uma casa de campo em Little Key. Suspirei com pesar.

Afinal, olha a situação que nos metemos por causa de uma total coincidência extremamente aleatória! É uma chance é um milhão de isso acontecer perto de bruxas! Não consigo entender o ritmo que minha vida tomou depois dessa revelação de Você-Sabe-Quem. Como Dumbledore falou depois, quando estava preparando a Rede de Flu da lareira de sua sala:

- Não se sintam culpadas, afinal, se uma situação tão aleatória acontece e tem todas essas consequências, era para que nós, da Ordem da Fênix, soubéssemos o que realmente está se passando – Ele estava tentando nos animar, era visível, mas Bridget continuava encolhida na cadeira – Alguns chamam de coincidência, eu chamo de Destino, que é um elemento da natureza que não se pode desafiar.

Eu assenti por educação, mas minha mente ainda estava concentrada na minha culpa de envolver meus pais e os pais de Bridget nisso. Sei que fiz a coisa certa em contar para Dumbledore, estou segura disso. Mas não posso evitar aquela angústia palpável em meu peito esquerdo. Eu analisei a situação de Bridget. Os pais dela estavam na Índia, o que seria mais fácil para despistar os Comensais da Morte, embora Bridget demonstrasse não medo de seus familiares, mas sim medo da cabeça dela, nossa, estivesse a prêmio.

É óbvio que também estou morrendo de medo, e receio, que isso aconteça, que eles nos descubram. Mas é apenas uma questão de tempo que essa informação chegue aos ouvidos de Você-Sabe-Quem. Afinal, do jeito que a Ordem da Fênix se mexer, como em um tabuleiro de xadrez, Você-Sabe-Quem saberá que, na única vez que ele pronunciou tal coisa em alto e bom som foi em Little Key.

O que ele fará? Rastreará se algum bruxo ou bruxa mora por ali. Assim, ele achará a casa de campo dos meus pais, que possuem uma filha bruxa, ainda no período de Hogwarts. Mas como ele vai ficar sabendo disso? Eu não sei, embora tenho um palpite bastante forte: Comensais infiltrados no rastreamento de bruxos ou bruxas no região de Little Key. Então, voltando a falar isso, é só uma questão de tempo até isso chegar aos ouvidos dele. E tenho a leve impressão de que não demorará.

Pode ser uma questão de dias, tendo nossas cabeças à prêmio. Um arrepio subiu minha espinha, deixando todos os poros de meu corpo arrepiados. Extremamente desconfortável, mas Bridget não movia, não falava, parecia uma estátua. Enquanto Dumbledore conversava com alguém na lareira da sala dele, eu chamei Bridget.

- Bridget? – Ela me olhou, assustada – Está tudo bem?

Resolvi chegar de fininho para não fazer muito estrago. Ela suspirou profundamente. Parecia pensativa, ou mesmo reflexiva, o que não era bom. Seus olhos estavam arregalados e ela estava mordendo seu lábio inferior.

- Sabe o que estou lembrando, Lily? – Perguntou, cabisbaixa – Deixamos nossos uniformes de Hogwarts lá na sua casa de Little Key.

Eu estranhei o que ela tinha falado, mas só por um momento. Ela olhava para mim, parecendo perturbada de não ter pensado nisso. Deu uma pane em minha mente. Eu suspirei lentamente, tentando raciocinar o nosso erro prático. Nossos uniformes eram marcados com nossos nomes para identificação quando os elfos domésticos pegam para lavar e separar nos guarda-roupas. Deixamos em Little Key. Eu fechei meus olhos, ouvindo minha consciência praticamente gritar de tanto desespero. Eu estava parada, enquanto Bridget mexia inquieta na poltrona. Agora o negócio realmente ferrou para o nosso lado. Eles poderiam apenas revistar o lugar e encontrariam nossos nomes marcados nas vestes de Hogwarts.

Mas como Você-Sabe-Quem poderia saber que alguém o escutara? Até ele levantar essa suspeita, vai ser pelas atitudes da Ordem. Mas quem garante que ele só vai ter esse meio de saber que seu segredo havia furado?

Será se ele é cauteloso o suficiente para revistar se haviam bruxos ou bruxas morando ali? Meu coração começou a bater mais rápido. Ele procuraria vestígios de magia ali.

' A magia deixa rastros ' , era o que a professora Minerva McGonagall sempre fala para a gente nas aulas de transfiguração. Você-Sabe-Quem é inteligente e calculista, igualzinho à uma cobra rastejante, ele não se entregaria ao luxo de pensar que ali seria um lugar isolado dos bruxos. Ele iria revistar a cidade em poucos minutos e descobriria a magia, que sempre deixa rastros em seus feitiços, em nossa casa de campo. Assim, ele entraria em nossos quartos e colocaria aquilo de cabeça para baixo. Assim, acharia nossas vestes e nos procuraria. Ao descobrir que simplesmente sumimos do mapa, junto com nossas famílias, e provavelmente não voltaremos à Hogwarts, ele saberá que estávamos com a Ordem da Fênix, com a resistência.

Minha nossa. Eu arregalei os olhos assustada. Bridget levou um susto com minha repentina reação. Depois de todo esse meu raciocínio, eu levei em consideração o tempo que estávamos ali em Hogwarts ao observar a noite estrelada.

- O que foi? – Perguntou alarmada. Ela estava trêmula, assim como eu.

Eu cobri minha boca, estando boquiaberta com meu raciocínio.

- Bridget, eu definitivamente não quero te assustar – Ela arregalou seus olhos mais do que já estava, eu sentia sua respiração ficando mais rápida e mais alta – Mas eu acho que vai ser questão de horas para Você-Sabe-Quem nos achar.

Ela fechou os olhos e colocou as mãos em cima deles, mostrando o seu desespero. Definitivamente, nossas cabeças já estavam à prêmio. Eu observava Dumbledore afastar da lareira e se sentar de frente para mim. Ele observou a posição de Bridget e ficou pensativo.

- Posso saber o que aconteceu? – Perguntou gentilmente, compreendendo nosso total desespero.

Eu respirei profundamente e tentei manter a calma, embora minhas pequenas mãos estavam trêmulas e minha garganta havia se enrolado em um nó complicado. Tive que esperar alguns segundos, com Dumbledore esperando pacientemente a minha resposta. Fechei os olhos por alguns segundos e os abri.

Contei meu raciocínio para Dumbledore. Suas sobrancelhas ficaram arqueadas, expressando surpresa e uma certa apreciação da minha teoria. Quando terminei, eu tentei compreender a reação dele, afinal, era para que ele ficasse, sei lá, tivesse uma reação bastante dramática, exagerada ou até de descrença. Mas não, ele ficou me analisando atentamente. Quando terminei, ele deu um sorriso apreciativo.

- Você é muito inteligente, Srta. Evans, daria uma excelente auror – Comentou com seu sorriso gentil e discreto – Mas devo responder suas suspeitas, concordando com sua hipótese. Sim, eu acabei de ser informado pela Ordem da Fênix que sua casa de campo foi revirada aos mínimos detalhes. Mandaram um auror bastante esquivo, para não atrair atenção. Não, não explodiram sua casa, mas esse meu informante me falou que tudo estava no lugar, exceto seus malões de Hogwarts.

Bridget permanecia petrificada, ainda com os olhos fechados e suas mãos sobre os mesmos. Meu coração estava acelerado ao extremo, meu peito esquerdo parecia que ia sair pulando e rasgando minha blusa. Eu vi meu reflexo em um velho espelho da sala, eu estava extremamente pálida.

- Então quer dizer... ? – Comecei com um fio de voz.

Dumbledore assentiu.

- Eles pegaram seus uniformes – Respondeu calmamente, o que me deixou melhor, mas não menos desesperada – Não se preocupe, seus pais estão seguros. Vocês tem que pensar apenas em vocês. Não vou arriscar transportá-las para a mansão Potter ainda hoje. É óbvio que Voldemort ( um arrepio subiu minha espinha e Bridget abriu os olhos assustada ), ao não encontrarem vocês ali, vão saber que estão comigo. Assim, não vai ser seguro para que eu mesmo as transporte. Amanhã virá dois membros da Ordem para usarem o pó de Flu. Nisso, eu vou despistá-lo para que, no mesmo momento que vocês estiverem sendo transportadas, eu aparecerei em algum lugar bruxo, como o Ministério, Gringotes, enfim, para que ele se concentre em mim e vocês escaparem de fininho, ok?

Eu repensei todo o plano de Dumbledore. Era um bom plano, não apressando as coisas. Estávamos morrendo de tanto medo e desespero, ainda mais sabendo que Você-Sabe-Quem estava atrás da gente. Seria como engolir uma pista falsa. Só espero que funcione com ele, afinal, sabe-se lá o que pode acontecer, não?

Até um dia atrás, eu estava jantando com meus pais e Bridget ao mesmo tempo que contávamos sobre Hogwarts e algumas bizarrices do mundo mágico. Estava tão quentinho e aconchegante lá, com a lareira acesa e todo mundo rindo. Parecia que aquilo tinha acontecido em alguma época distante, alguns anos. Não parecia que ocorrera a menos de um dia. Olha como o Destino nos prega peças, até essa deprimente que eu e Bridget estamos vivendo.

Eu assenti, me sentindo um pouquinho menos insegura, mas ainda com medo. Bridget respirou fundo. Ela parecia um pouquinho melhor agora, pelo menos para falar. Dumbledore conjurou dois copos com água, que nós bebemos em um só gole. Ele olhava para Bridget, sabendo que ela iria falar a qualquer instante. Ela colocou o copo na escrivaninha cheia de objetos estranhos e mordeu o lábio inferior, aparentando nervosismo.

- Então, nós vamos dormir em nossa casa aqui em Hogwarts? – Perguntou insegura – Eu não iria me sentir muito protegida se ficasse sozinha com Lily no dormitório feminino da Grifinória. Provavelmente, eu surtaria.

Dumbledore assentiu, concordando com a opinião dela. Verdade, eu também não me sentiria bem se ficasse sozinha com Bridget no meio desse castelo enorme e escuro. Além de estar totalmente vazio e com a certeza que Você-Sabe-Quem está nos procurando pelas redondezas, tentando penetrar em Hogwarts. Mas confio em Dumbledore, ele protege o castelo da melhor forma que conhece, sendo o bruxo mais temido por Você-Sabe-Quem. Ele não arriscaria um duelo aberto com Dumbledore. Pelo menos é o que eu acho. Eu estava um pouco mais segura agora que soube o que vamos fazer daqui a pouco: dormir. Definitivamente, é o que eu preciso nesse momento.

E parecia que Bridget sentia o mesmo. Ela estava abatida e cansada, com um semblante bastante pesado. O desespero dela era palpável. Senti pena dela e da nossa situação, embora eu agradeço por não estar com o desespero tão visível igual Bridget. Cada qual com sua reação, não?

- Não, seria muita irresponsabilidade de minha parte de as deixassem sozinhas – Respondeu calmamente, transmitindo segurança – Você vão dormir aqui na minha sala hoje, a professora Minerva e eu estaremos com vocês aqui. O professor Slughorn está fazendo uma poção para vocês se acalmarem e o professor Flitwick está colocando feitiços protetores e delatórios em todo canto de Hogwarts. Três membros da Ordem estão de vigília aqui na gárgula de entrada. Não se preocupem com o agora.

A professora McGonagall apareceu na sala, bastante afobada e com a respiração acelerada. Estava com o cabelo solto, todo desgrenhado, muito diferente do coque apertado que ela usava. Nunca havia visto a professora McGonagall tão alarmada. Estava com seu robe de tecido escocês amarrado de qualquer jeito. Suas rugas estavam visíveis, com um alto teor de preocupação em seu rosto. Ela não estava mais com aquele semblante severo e seguro que eu sempre a conhecera em todos esses anos sendo sua aluna.

Ela atravessou a sala rapidamente, parecendo que não havia visto eu e Bridget encolhidas nas poltronas. O desespero dela assustou Bridget mais ainda, o que também aconteceu comigo.

- É verdade, Alvo? – Perguntou rapidamente, com um tom de voz alarmado – A profecia feita?

- Sinto dizer que sim, Minerva – Respondeu Dumbledore, com seu ar sereno, mas eu sentia um certo ar de preocupação vindo dele – Mas não sabemos quem são essas duas pessoas que não podem se juntar.

A professora McGonagall cruzou os braços, pensativa.

- Eles sabem das meninas? – Perguntou objetivamente. Ela olhou para no nosso estado. Dumbledore assentiu – Alvo, os Potter seria o lugar mais seguro para elas!

- Calma, Minerva, vamos mandá-las amanhã... – Dumbledore nos analisou - ... vocês precisam dormir agora.

Após a professora McGonagall transformou algumas móveis da sala em duas camas e um criado-mudo. Colocou em um canto da sala de Dumbledore e murmurou vários feitiços e encantamentos, provavelmente para esconder as camas por meio de magia. Olhando de fora, eram apenas estantes com livros, mas que, poderíamos atravessar e lá dentro estava nossas camas e o criado-mudo.

- Obrigada – Agradeci sinceramente a professora McGonagall.

Ela me retribuiu um olhar de pena, tentando sorrir para me passar calma. Me senti estranha quando ela lançou esse olhar em nós duas. Não posso esconder que isso me assustou bastante. A nossa situação estava tão séria... É até estranho pensar que isso está acontecendo. Ela sentou na poltrona que Bridget tinha acabado de levantar. O professor Slughorn ( com outro olhar de pena para nós duas ) nos deu a poção e logo estávamos morrendo de sono. Dumbledore e a professora McGonagall fariam vigília na sala.

- Obrigada – Agradeci, dessa vez me dirigindo à Dumbledore, que sorriu.

Observei Bridget enquanto nos deitávamos nas confortáveis camas de dossel. Ela estava tensa, mesmo com a poção que o professor Slughorn nos deu, que era uma delícia por sinal. Ela deitou na cama, mas não conseguia relaxar. Dumbledore e a professore McGonagall apagaram a luz, mas não se moveram de onde estavam sentados, parecendo conversarem por meio de sussurros.

- Tente relaxar, Bridget – Falei baixinho – Estamos com Dumbledore aqui.

Ela me lançou um olhar de puro terror.

- Lily, você não está com medo? – Perguntou alarmada, mais ainda baixinho.

Eu revirei os olhos.

- É óbvio que eu estou, mas é um momento decisivo – Respondi aos sussusrros – Temos que saber o que acontecerá e planejar para que nada aconteça conosco. Mas estou tremendo nas bases, escreve o que eu tô te falando.

Ela deu um sorrisinho fraco e logo voltou a ficar tensa. Pelo jeito, ela não iria conseguir ficar tranquila hoje. É o jeito de Bridget. Ela poderia aparentar toda sorte de coisas grandiosas, mas quando bate o medo, o desespero, a preocupação ou a tensão, ela se encolhe e fica mais baixa que eu. Bridget sabe direcionar as coisas, desde que ela fique segura. Se ela não se sente segura, ela não aguenta, cai mesmo. Fica despedaçada. E é assim que meu coração está, despedaçado. Sei que Você-Sabe-Quem encontrará meus pais. Alguma coisa me diz que eles estão em perigo nesse momento. Meu coração batia acelerado.

Olhei para Bridget, que estava dormindo profundamente agora. A poção havia tido o efeito desejado nela. Nela. Eu continuava com os olhos bem abertos, sentada na cama de dossel. Não sentia a mínima vontade de dormir, nem mesmo de descansar. Eu estava tão tensa quanto Bridget, só que, como falei anteriormente, eu sofro calada. Nem tão calada assim, mas meus sentimentos mais profundos eu não mostro meu sofrimento assim, logo de cara.

Depois de alguns minutos, eu senti sono. Escorreguei para me deitar na cama e dormi imediatamente. Finalmente a poção havia tido o efeito desejado!

Nem bem eu havia dormido quando a professora McGonagall nos acordava. Bridget ainda estava dormindo quando fui acordada.

- Acorde, Srta. Evans – Falou a professora McGonagall, baixinho – Eu vou permanecer aqui em Hogwarts, Dumbledore acabou de ir para o Ministério e três membros da ordem estão aqui para te escoltarem, ok?

Eu assenti, ainda sonolenta. Esfreguei meus olhos por um momento, esquecendo o que havia se passado. A professora McGonagall estava acordando Bridget agora, que levou um susto quando acordou. Logo, ela começou a chorar baixinho por lembrar do que estava acontecendo.

- Oras, não fique assim, Srta. Hamilton, você está em mãos confiáveis – Consolou a professora McGonagall, mostrando uma face que eu nunca havia visto – Vamos levantando, os Potter estão esperando vocês para o café-da-manhã.

Ela fez essa significativa observação quando meu estômago começou a roncar sonoramente. Foi bom para Bridget, que soltou um riso breve em meio suas lágrimas. Eu sorri fracamente, mostrando que minha disposição não estava bem nesse dia. O que é óbvio! Quem deseja ter um assassino psicótico atrás de você?

É muito masoquismo para minha vida. Ou ironia. Sabe-se lá qual é o pior.

Eu e Bridget já estávamos prontas ( sem comer nada, coloca em observação ) e meu estômago continuava roncando. Os três membros da Ordem da Fênix nos escoltaram pelo pó de Flu da lareira de Dumbledore, que eu fiz questão de perguntar ( mesmo sendo uma idiotice ) se os Ministério da Magia tinha o controle da lareira de Dumbledore.

Ela deu um sorriso encorajador e falou que não. Parecia que ela queria que ficássemos bem, mais animadas ou cativadas. Ou todos esses três. Mas não funcionou bem. Bridget estava menos tensa, mas ainda permanecia petrificada de medo pois ainda não conseguia formular uma frase inteira sem gaguejar ou ficar com a voz trêmula. Então, ela não falava nada. Os três membros da Ordem da Fênix nos escoltaram até a lareira. Eu acenei, me despedindo da professora McGonagall, e Bridget fez o mesmo. Antes de desaparecermos nas chamas verdes do Flu, eu vi uma lágrima descendo pela face da nossa professora de Tranfiguração.

Fiquei chocada com que vi. Em alguns segundos me bateu tal pensamento: será que, ao sermos marcadas de morte, a morte é certa para nós duas?

Isso me incomodou profundamente, mas Bridget parecia um pouco mais relaxada. Não quis importuná-la com esses pensamentos que só piorariam o estado da minha melhor amiga. Eu ficaria assim, guardaria meu pensamento só para mim. Para meu único e próprio sofrimento. Por mais estranho que isso soe.

Fomos transportadas para a mansão Potter, que eu fiquei sabendo por meio da professora McGonagall que, ao nos levar para lá, faríamos parte da lista de fiéis do segredo. No caso, Dumbledore era o fiel do segredo da mansão Potter, fazendo com que seja um dos lugares mais seguros que existem, para meu consolo interno. Apenas a elite da Ordem conhecia o local da mansão, ou seja, não tem como os Comensais da Morte ou Você-Sabe-Quem descobrir onde estamos. É praticamente invisível para quem não sabe o segredo, para minha alegria eterna.

Assim que chegamos na lareira dos Potter, pude perceber o tamanho e a amplitude da mansão. Agora eu sei porque chamavam de 'mansão Potter'. Era enorme.

Havíamos chegado em uma sala de visitas bem decorada, com um visual bem clássico e poltronas beges. As cortinas brancas e o papel de parede branco fazia com que a linda sala de visitas ficasse agradável. Não havia quadros na sala de visitas, só espelhos enormes que ficavam pendurados nas paredes. Não havia ninguém ali.

Os três membros da Ordem se despediram da gente e voltaram para a lareira, murmurando um lugar que eu não sabia onde é que ficava ou o que era. Assim, eu e Bridget ficamos olhando para a sala de visitas.

Olhamos uma para a outra.

- E agora? – Perguntou confusa. Eu dei de ombros – Será se é falta de educação sair procurando alguém pela casa?

Eu olhei em volta.

- Casa? – Repeti, encarando meu reflexo no espelho – Isso está mais para uma mansão mesmo. Vamos sair dessa sala.

Eu e Bridget pegamos nossas varinhas e saímos da sala, que estava com a porta aberta para um saguão principal. O piso era todo de mármore com um lustre gigantesco pendido no teto. Pareciam cristais descendo em cascatas. Não havia nenhum quadro na casa. Uma escada se mármore estava no centro do saguão, que possuía várias portas para diversos cômodos. Algumas portas estavam abertas e uma fechada.

Nós ficamos olhando o saguão.

- Ahh... Você tá tão perdida quanto eu? – Perguntou com um misto de confusão e riso, o que me deixou tranquila, afinal, ela tinha voltado a sorrir!

- Com certeza! – Respondi com um sorriso divertido. Olhei para a porta de madeira escura, como as demais, que estava fechada – Duvida que tem gente justa na única porta fechada?

- Não mesmo! Mas será que não é falta de educação chegar e abrir a porta falando 'Olá, Você-Sabe-Quem está nos perseguindo para nos matar, pode abrir a porta, por favor?' – Respondeu divertida. Eu fiquei tão feliz quando percebi que Bridget havia voltado a ser ela mesma!

E eu fiquei tão preocupada com ela na noite passada! Ela simpesmente entrou em pane ontem, quando estávamos conversando com Dumbledore.

Eu sorri para ela.

- Que foi? – Perguntou na defensiva, pensando que ela tinha falado alguma coisa errada, ou muito pesada.

- Nada, é só que é bom vê-la voltar a rir – Respondi bondosamente e ela me deu um sorriso agradecido.

Nessa hora ouvimos alguns passos vindo do cômodo que estava com a única porta fechada do saguão. Nossa atenção se virou toda para os passos rápidos que estavam atrás da porta, que foi aberta por uma mulher com feições delicadas, com seu cabelo rebelde na altura dos ombros, da cor de mel, assim como seus olhos. Ela parecia ser um pouco mais velha, mas não tanto, mesmo assim, muitas rugas estavam pronunciadas naquele rosto tão delicado.

Quando ela nos viu no saguão, esperando alguma coisa acontecer ( e olhando para todos os lados sem saber o que fazer ), nos deu um sorriso e foi até nós, em passos pequenos e rápidos. Ela era bastante elegante, seu porte e sua postura mostrava uma mulher delicada, mas determinada. Seu óculos em formato de retângulo, com armação preta, a deixava com feições intelectuais.

Quando ela chegou até nós, Bridget acenou e eu estiquei a mão para um aperto. Ela parou diante de nós e nos abraçou, pegando-nos totalmente de surpresa.

- Meninas, vocês foram tão corajosas... ! – Comentou com sua voz fina e delicada. Ela nos analisou de perto e eu vi um semblante pensativo em suas feições – Vocês são tão novinhas! Dumbledore não falou seus nomes para que nã comprometesse demais a informação.

Ela nos analisou, esperando que nos apresentássemos. Eu, particularmente, estava muito sem-graça na frente de uma mulher tão elegante e delicada. Ela me lembrava aquelas fadinhas de contos de fada que são lidos para crianças trouxas.

- Bridget Hamilton, Sra. Potter, eu presumo? – Eu olhei para Bridget, como ela sabia que era uma Potter?

- Sou, sim – Respondeu com um sorriso – E você...?

- Lily Evans – Respondi sem-graça. Por ela ter todas essas qualidades, a figura dela era um pouco intimidante. Não no sentido ruim, mas... sei lá. Pelo menos sua aparência era perfeita. Isso intimida.

Ela assentiu ainda sorrindo.

- Vocês estão tão pálidas – Comentou enquanto nos analisava – O que acham de um café-da-manhã?

Eu abri um sorriso imenso. Qualquer comida era bem-vinda para meu estômago nessa hora! De gafanhoto frito a um mega X-Tudo! Só não pode ser comida de genta rica, que não tem comida nenhuma...

Bridget abriu um sorriso enorme, igualzinho o meu. Ela pensava a mesma coisa que eu: comida!

Eu fiquei com água na boca e não via a hora de comer um omelete com bacon. Enquanto ela nos empurrava para a sala de jantar ( que estava tendo o café-da-manhã, dã ), eu também notei que ali não havia quadros dependurados, apenas espelhos grandes e antigos com bordas de porcelana. Era uma mesa longuíssima, de vidro e com várias cadeiras acolchoadas de um tecido branco. A sala também tinha um lustre de cristal que descia em cascatas, assim como o saguão. Tudo ali era branco e bege, mas várias orquídeas e girassóis nos vários vasinhos de flores que havia no console da lareira, em alguns móveis e um enorme no meio da mesa. Deveria caber uma 30 pessoas naquela mesa, mas só haviam quatro lugares ocupados, com o da Sra. Potter.

Notei Sirius Black e James Potter olhando-nos de cima a baixo, incrédulos. O que pareceu o Sr. Potter, alto e forte como o filho, com uma forte presença de segurança e, igual a da Sra. Potter, determinação. Era perfeitamente agradável a sensação que o senhor e a senhora Potter passavam. Mas eu ainda estava sem-graça de que James Potter e Sirius Black continuavam a nos olhar, sem acreditar que aquilo ali estava acontecendo. Eles não falaram nada enquanto a Sra. Potter conjurava mais dois pratos e duas xícaras para dois lugares ao lado dela. Eu sentei do lado dela, em frente ao filho dos Potter que eu mal conhecia. Apenas via que ele era meu colega. Só. O mesmo com Sirius Black, mas todo mundo escuta os boatos vindos deles...

Bridget se sentou do meu lado enquanto o Sr. Potter perguntava nossos nomes e falava o que mesmo que a Sra. Potter falou, que somos muito conrajosas por ter colocado informações tão preciosas à mostra e que não é todo mundo que faz isso. E que por isso somos da Grifinória.

Eu dei um sorriso amarelo, sem-graça por receber atenção de pessoas tão importantes do meio bruxo. Todo mundo já escutou as histórias de que a família Potter era descendente de Godrico Grifinória, o que sempre provam que é verdade. Pelo menos é o que eu escuto sobre eles. E, do nada, estar aqui com eles, tomando café-da-manhã com eles... É puramente irreal. Parece que eu estou vivendo em um Universo Paralelo. Minha vida virou de cabeça para o ar.

Bridget estava observando a Sra. Potter colocar chá no nosso copo. Não levantei meus olhos para James Potter e Sirius Black. Eu estava me sentindo extremamente sem-graça. É como se eu tivesse invadido a privacidade de alguém e forçado esse contato da pessoa comigo. Senti que estava corando.

Mas assim que eu e Bridget vimos comida em nossa prato, não quisemos saber de mais nada! Comemos silenciosamente, mostrando nossa fome para quem quisesse ver, oras, ficamos horas e horas sem comer absolutamente nada! Depois de uns quinze minutos, a Sra. Potter resolveu puxar assunto. Eu suspeitei que era para nos deixar à vontade naquele casa. Mansão. Castelo. Oi?

- Então, vocês estão em qual ano? – Perguntou ela, colocando mais chá para Bridget, que agradeceu.

Eu ia responder, mas alguém foi mais rápido...

- Elas vão para o sétimo – Respondeu James Potter em um tom formal – São nossas colegas de ano e de casa.

Eu o observei atentamente. Ele estava anormalmente sério. Toda vez que passava por James Potter e sua turminha, eles estavam rindo, tirando sarro de outros, pendurando Severo pelo castelo ( é uma coisa horrível, mas sinto confessar que também acho engraçado. Ok, parei ). Ou seja, não é uma cena que eu esteja acostumada.

Bridget olhou para mim, intrigada.

- Que bom! – Exclamou o seguro Sr. Potter, aparentando estar bem tranquilo – Vocês já se conhecem, então a convivência pode ficar bem mais fácil, não?

Ninguém respondeu por algum momento. Aí, lentos 'arrãs' apareceram. O de Sirius Black foi o primeiro, o meu foi o segundo, o de James Potter foi o terceiro e o de Bridget foi o último, ela estava se sentindo extremamente confusa em reencontrar colegas tão... distantes do nosso mundo de Hogwarts em uma situação tão inusitada. Dá pra ver que ela tá meio perdida nesse amontoeiro de informações.

E eu não fico pra trás também. Foi informação demais para minha mente em tão pouco tempo. Preciso de tempo para pensar. Preciso de um tempo sozinha. Preciso ter notícias de minhas família...

Nessa hora, o sorriso amarelo que estava em minha face se desfez. Olhei para a comida em meu prato, pensativa. Depois de algumas garfadas, eu estava cheia. Mas eu não voltei a olhar para James Potter ou Sirius Black. Nem mesmo para Bridget.

- Sra. Potter, desculpa por ser tão direta nisso – Todos da mesa olharam pra mim e me senti corando de novo – Mas Dumbledore falou onde que minha família está?

Eu não sei como estava minha expressão, mas senti as lágrimas arderem meus olhos e aquele tão conhecido nó se formando na minha garganta. Minha voz havia saído bastante trêmula. Meus lábios estavam tremendo.

Percebi a expressão de pena em seu rosto.

- Você que tinha uma casa em Little Key? – Perguntou o Sr. Potter, estranhamente interessado no assunto. Eu assenti, estranhando e ele , percebendo minha reação, logo justificou – Bem, não sei como te falar isso sem causar impacto, mas os Comensais rastrearam seu nome. Bem, sua casa foi revirada e, com sorte, seus pais conseguiram fugir. Não se preocupe, eles estão em outro país agora.

Eu respirei aliviada e todos perceberam. Fechei os olhos por alguns segundos, imaginando meus pais em outro país, vivendo uma vida pacata, sendo protegidos pela Ordem e pelo Ministério de tal país. Eu só gostaria de saber onde é que eles foram.

- Fico feliz em saber – Comentei com um sorriso sincero – Obrigada.

- Não tem de quê – Respondeu o Sr. Potter, com uma expressão bondosa – Mas agora eu preciso ir. Dumbledore me chamou.

Ele deu um selinho rápido na esposa e bagunçou o cabelo de James Potter e de Sirius Black ao passar por eles, que sorriram e se despediram dele. Assim que o Sr. Potter saiu, a Sra. Potter olhou no relógio assustada.

- Minha nossa! Já são dez da manhã? – Ela se levantou e deu um beijo na testa de cada um que estava sentado na mesa da sala de jantar que agora era café. Logo, ela deixou a sala de jantar a passos curtos e rápidos.

Aquele silêncio incômodo e constrangedor caiu na sala de jantar. O tempo lá fora começava a fechar, as nuvens estavam bastante nubladas, começando um chuvisco leve mas levando um vento frio que passava por algumas janelas da sala de jantar que estavam meio abertas.

Um arrepio subiu minha espinha, mas não teve nada a ver com o vento frio que batia em minhas costas. Eu havia levantado o olhar para James Potter e ele me encarava pensativamente.

- Evans, a amiga do Ranhoso? – Perguntou olhando para mim, mas ele já sabia a resposta e nem esperou a minha – Estranho você delatar isso para a Ordem, pensei que fosse à favor do movimento que seu Ranhosinho faz parte agora.

Eu o olhei assustada, com os olhos arregalados.

- Como assim? – Perguntei timidamente. James Potter e Sirius Black estavam me intimidando. E a Bridget também, que estava silenciosa igual um túmulo.

Sirius Black tossiu. Parecia que eles estavam tirando sarro de mim... ?

- Pensei que seu Ranhosinho fosse contar à você – Começou com uma voz séria. Estou em dúvida se ele estava tirando sarro de mim... Seria uma puta falta de educação na minha atual situação – Ele se tornou um Comensal no há dois meses. Meu próprio pai confirmou isso.

Eu mordi meu lábio inferior, me sentindo totalmente intimidada. Abaixei meu olhar para a comida, tentando achar padrões nela onde realmente não existiam. Nem ousei olhar para Bridget, ela não suportava Severo.

- Não somos mais amigos – Comecei, falando baixo e ainda olhando para o meu prato – Não conversamos desde o começo do ano letivo passado.

Outro silêncio insuportável se instaurou ali.

- Bem, somos colegas mas ninguém nos apresentou formalmente – Começou Bridget, querendo acabar com aquele clima constrangedor e, vendo que eu estava incapacitada de responder, ela puxou as rédeas – Meu nome é Bridget Hamilton e tenho ascendência indiana. Esta é Lily Evans, com essa cara de bonequinha e ainda é a garota mais firme que já conheci.

Eles olharam para Bridget e deram um sorriso discreto.

- James Potter e Sirius Black – Começou Sirius Black e eu senti que ele estava olhando para mim, que ainda mantinha minha cabeça abaixada – Você está bem?

Todos os olhares estavam em mim agora.

- Mais ou menos, estou preocupada com minha família... – Respondi com a voz trêmula – Além de minha cabeça estar à prêmio, estou me sentindo sem saída.

- Nossa cabeça – Completou uma Bridget amargurada.

Eu assenti. Os dois nos observavam atentamente.

- Sabe, eu sempre te vi em Hogwarts – Comentou Sirius Black para Bridget – Quando teve aquele baile de natal no nosso quinto ano, eu vi que você usou vestes indianas. Achei muito legal... Você conhece a Índia?

Bridget assentiu de forma um pouco mais animada e começou a conversar com Sirius Black, que pareceu compreender um pouco da nossa situação. Ele puxou assuntos da Índia e como é feita a magia lá, todos os costumes. De vez em quando eles riam, mas eu e James Potter permanecíamos calados. Eu observava meu prato atentamente enquanto todas as vezes que eu espiava, ele permanecia me observando.

Alguns minutos se passaram e eu notei que Bridget e Sirius se levantaram, saindo da sala de jantar. Eu olhei para ela, surpresa com sua reação assim, tão amigável e ela sibilou um 'te conto depois'.

James Potter tinha olhos castanho-esverdeados que brilhavam a qualquer luz que ali adentrava. Seu cabelo rebelde e escuro dava um certo ar de jovialidade nele, embora sua expressão séria e analítica me fez ver o homem que havia por trás de todas aquelas brincadeiras infantis que todo mundo de Hogwarts via. Ele era alto e definido como o pai, mas seu rosto era fino como o da sua mãe. Seus óculos de aro redondo davam um charme indescritível nele. Não acreditei no que pensei agora. Um charme indescritível?

Mas... Eu... Hã... ?

Continuando com meu sentimento de desorientação e constrangimento, eu não levantei meu olhar, para não encontrar com o dele. Alguns minutos, longos minutos, se passaram e minha angústia aumentava em ficar no mesmo cômodo que ele.

- Não sei direito o que aconteceu com você, mas vejo que foi bem grave – Começou com um discreto sorriso. Ele também parecia um pouco pé atrás... ou foi só impressão? – Espero que seus pais estejam bem. A Ordem é muito organizada, muito protetora. Acredite, eles são os melhores.

Eu dei um sorriso um pouco mais animado com o escorajamento dele.

- Obrigada – Comecei com meus lábios tremendo. Eu olhei para os lábios finos dele com um certo... uma certa curiosidade... – Eu estou precisando disso.

Ele me observou por um tempo e vi seus olhos baixarem em meus lábios naturalmente da cor vermelho-alaranjado. Ele se demorou um pouco ali e a chuva que caía lá fora ficava mais forte. Eu não aguentei e resolvi perguntar uma dúvida que eu tinha.

- Vem cá, quando você espancou o Severo, porquê que foi? – Perguntei timidamente e, ao nosso olhar ter se encontrado, eu corei novamente – Ele nunca me disse o porquê.

Eu mordi meu lábio inferior novamente. Eles estavam tremendo de nervosismo. Mas porquê que eu estava tremendo de nervosismo? Eu estava conversando com um rapaz da minha idade, do meu ano, da minha casa! Porquê que estou com essa reação toda?

Ele passou a língua em seu lábio inferior, parecia que ele havia percebido que eu tinha mordido meu lábio inferior também. Nunca pensei que diria isso, mas pareceu tão erótico para mim... A cor avermelhada da língua dele sendo passada pelo lábio...

- E porquê você quer saber agora? – Perguntou James, se debruçando sobre a mesa, olhando-me com mais intensidade e, obviamente, com mais objetividade. Seu olhar era de puro mistério, um misto de sedução com algo mais. Algo mais. Seus cílios eram grossos, deixando-o com uma aparência mais misteriosa ainda. Suas mãos grandes estavam cruzadas em cima da mesa e eu observava todo ato dele.

E ele observara meu ombro nu e meu lábio inferior sendo mordido.

De certa forma, um arrepio subiu minhas costas e ele percebeu quando eu arrepiei.

- Me falaram que eu estava no meio – Respondi sinceramente. Eu não conseguiria arranjar uma mentira, no mínimo, aceitável naquelas condições. Naquele calor, independente da tempestade que despencava lá fora, o ar da sala de jantar estava decididamente quente. Abafado.

Coloquei minhas mãos na mesa de jantar e olhei para as mesmas, corando violentamente pelo o que eu tinha dito. James fechou os olhos e mostrou um sorriso divertido. Quando abriu os olhos, ele falou:

- Ele tinha te chamado de Sangue-Ruim – Eu o olhei surpresa – Sim, ele a chamou. Não suporto esse termo.

Sorri involuntariamente. Foi sem-querer, fiquei com a consciência pesada pois ele sorriu de volta. Seus dentes eram perfeitamente brancos e alinhados. A blusa do seu pijama tinha uma abertura larga o suficiente para eu olhar parte de seu peitoral definido. Anos de Quadribol.

O clima estranho e constrangedor estava de volta, me deixando um pouco desconfortável. Ele parecia à vontade, mas eu sabia que estava procurando alguma coisa para quebrar aquele clima involuntário que apareceu desde que nós ficamos sozinhos ( desde que o pai e mãe dele saíram da sala de jantar ).

- Vejo que Sirius gostou de sua amiga indiana – Comentou enquanto bagunçava seu cabelo, deixando-o mais rebelde do que ele era... Hum... Isso pode ser um sinal de nervosismo – Eles logo saíram.

E James sorriu abertamente, me fazendo corar, embora eu tenha retribuído o sorriso. Ele havia espancado Severo porque o mesmo me chamou de Sangue-Ruim...

- Eu nunca esperava ser defendida pelo popular James Potter – Falei com um certo tom de comédia. Eu queria deixar o clima menos pesado ali, mas pelo jeito não havia JEITO de mudar aquilo. Parece coisa de pele, de química. De poção.

Ele sorriu abertamente. Sim, de novo. Dessa vez eu sorri sem corar, mas ainda um pouco nervosa. Meus lábios ainda estavam tremendo muito e, enquanto eu os mordia, James me observava atentamente... Sua expressão era indescritível. Uma mistura de atenção com uma certa distratibilidade. Aquilo que eu fazia o fazia lembrar alguma outra coisa, o que me fez abrir outro sorriso involuntário.

- É, mas esse popular James Potter sempre observou uma certa ruiva amiga de um sonserino que não vale nada – Rebateu animadamente, colocando a mão grande e estranhamente sedutora em cima de minha delicada e pequena mão esquerda.

No mesmo instante, eu observei a situação e senti como se meu cérebro havia entrado em uma pane. Sobre a mesa, ele levantou minha mão esquerda e a beijou, passando seus lábios desejosos em meus pequenos dedos. Ele me olhou diretamente e eu sustentei o olhar.

Nessa hora eu pude sentir a minha queda em sua íris castanha-esverdeada.