Estranhamente, a primeira reação de Lily foi de fúria, não de tristeza. Notou zangada que o quarto estava escuro. James devia ter desligado a lâmpada do abajur ao entrar.
Ela virou-se na cama para checar os números luminosos do relógio digital e viu que eram onze e vinte. Não tão tarde, para não levantar suspeitas em uma esposa. Com um ressentimento amargo no coração, Lily voltou à posição em que estava, de frente para a parede, curvando o corpo em posição fetal, feliz por estar usando uma de suas camisolas mais discretas.
James adorava quando ela usava lingerie de seda preta, que mal cobria o corpo dela. Aquela camisola em particular era comprida, indo até os joelhos. Bem, era bem melhor que fosse assim.
Lily jurou para si mesma que fingiria estar dormindo. Assim não diria nada de que pudesse se arrepender pela manhã.
Talvez até conseguisse ser capaz de manter tal juramento se James não houvesse ficado no chuveiro por tanto tempo. Mas quinze minutos depois, com o jato de água ainda jorrando, a mente de Lily começou a evocar todo tipo de pensamentos sombrios e ciumentos.
Ele estava tentando tirar o cheiro de Francesca de seu corpo. Provavelmente ainda devia estar recendendo ao perfume almiscarado que ela sempre usava.
Quando as torneiras foram fechadas, cinco minutos depois, Lily já voltara a girar o corpo e estava olhando em direção ao banheiro, observando e esperando que James saísse.
Instantes depois ele apareceu, obviamente tentando não fazer ruído algum, e desligou a luz do banheiro antes de fechar a porta cuidadosamente atrás de si.
Mas não antes que Lily o observasse, examinando a silhueta máscula emoldurada pelo batente da porta.
Não havia dúvida de que James era um homem impressionante quando estava nu. Não era a primeira vez que notava aquilo.
Ele tinha tudo perfeito: ombros largos, peito musculoso, músculos do estômago definidos e pele bronzeada. Não havia excesso de pêlos pelo corpo. Braços e pernas fortes, com adoráveis coxas musculosas... e um membro mais do que adequado entre elas.
Lily ficara enfeitiçada desde a primeira vez que o vira despido. E ainda se sentia igualmente atraída. Mesmo agora, quando queria odiá-lo.
Seu coração começou a bater mais forte quando a silhueta começou a mover-se na penumbra do quarto, aproximando-se em segundos da cama. Aquilo era natural. James frequentemente dormia nu.
Mas a arrogância fria e casual do homem a enfurecia. Quando ele virou-se, amoldando seu corpo ao dela, Lily quis matá-lo. Ficou deitada ali, pensando nas piores formas de puni-lo pelos crimes que cometera contra ela e o casamento dos dois. A guilhotina era muito rápida e civilizada. O mesmo se aplicava a um pelotão de fuzilamento. Queria que James sofresse como estava sofrendo, que gemesse... de agonia. Infelizmente, tal tipo de pensamento não trazia nenhuma satisfação real, por isso a fúria cega de Lily logo foi substituída por uma determinação igualmente selvagem de saber ao certo até onde James tinha ido. Precisava saber quanto ele lhe fora infiel até aquele dia.
A exaustão do corpo dele poderia dizer muito mais do que a visão de seu carro naquele estacionamento.
Ele resmungou quando a mão da mulher insinuou-se por suas costas contornando o quadril, ameaçando atingir um ponto bem mais íntimo. Abruptamente, James rolou na cama, apoiando-se no cotovelo para encará-la.
Naquele momento, a palma da mão de Lily ainda repousava de maneira provocante entre as coxas dele. Seu coração estava disparado. Será que tinha medo de descobrir a verdade? Ou será que temia o que ele poderia fazer ao ser tocado daquele jeito?
— Pensei que você estivesse dormindo — ele disse com a voz tão fria quanto sua pele.
— Eu estava. — A única opção de Lily era conservar a compostura. Bravamente, lutou para manter o rosto sereno na penumbra do quarto. Os olhos dele já deviam estar acostumados ao ambiente, levemente iluminado pelo brilho leitoso da lua cheia.
James a olhava com estranheza, sua expressão denotava curiosidade e hesitação.
— Tentei não fazer barulho — ele disse, com um acento um tanto defensivo na voz.
— Por quê?
— Mamãe me disse que você teve uma enxaqueca horrível. Também disse que teve de lhe dar alguns comprimidos.
— Sim. Ela fez isso. Uma mulher muito gentil, sua mãe.
— É verdade.
Houve um momento de silêncio constrangedor quando James não disse mais nada, e Lily sentiu a coragem lhe faltar. Sua mão repousava sobre o abdome de James, e seu coração acelerou-se.
— Você tem chegado muito tarde, James...
— Sim. Eu sei. Sinto muito, mas Jeremy deixou uma tremenda confusão no escritório. Estou tentando organizar tudo antes que partamos na sexta-feira. Mas ainda não terminei. Hoje não foi um dia produtivo como eu desejaria, houve interrupções demais. Por isso vou ter que trabalhar até mais tarde amanhã também.
— Entendo — Lily disse, e um silêncio pesado voltou a envolvê-los.
— Você não costuma ter enxaquecas, Lily — James murmurou finalmente. — O que será que provocou isso?
Pensar em você apaixonado por Francesca todos esses anos. Pensar em você na cama dela o dia todo.
Aqueles pensamentos renovaram a resolução amarga de ver a mentira esclarecida de uma vez por todas.
— Sinto-me muito melhor agora — ela murmurou, afastando a mão do marido.
— Posso notar — James replicou.
Quando ele não fez nenhum movimento para detê-la, a mão de Lily mudou de direção. Um pouco trêmula, ela começou a descer até encontrar o membro desejado.
O choque fez seus dedos congelarem por alguns momentos. James nunca parecera tão insensível, ou menos interessado em seu toque!
Apesar de já ter descoberto a mentira naquela tarde, era difícil constatar de fato a evidência da verdade. Ondas de emoção invadiram-na. Desconsolo. Devastação e desespero... Como ele podia traí-la daquela forma? Enganá-la? Destruí-la?
E quanto a Francesca? A vadia! Como ela podia fazer aquilo poucos dias depois da morte do marido?
Eventualmente, e de maneira surpreendente, o desejo de matar os dois foi sublimado pela louca disposição de fazer James reagir a seu toque, mostrar a ele que ela, sua esposa, conhecia-o melhor do que qualquer outra mulher, e, por isso mesmo, podia dar-lhe um prazer inigualável. Era impossível que Francesca pudesse fazer por James o mesmo que Lily.
Finalmente, seus dedos começaram a se mover outra vez.
O gemido dele soou como um protesto, mas Lily o ignorou teimosamente, usando o conhecimento que adquirira sobre o corpo de James para excitá-lo. De qualquer forma, daquela vez o corpo másculo não respondeu ao estímulo. Ele provavelmente tinha passado o dia todo fazendo amor para ficar naquele estado.
Lily recusou-se a desistir. Ele tinha de reagir.
— Isso não é de seu feitio, James — ela murmurou, continuando a acariciá-lo intimamente.
— Pensei que você estivesse dormindo — James murmurou por entre os dentes cerrados. — Por isso tomei uma longa ducha fria.
Na verdade, a pele dele estava fria. Mas Lily não acreditava que uma simples ducha tivesse algo a ver com a reação do marido.
— Então talvez você precise de uma ajuda extra — ela disse, e, escorregando para os pés da cama, tomou a evidência da recente traição do marido entre os lábios.
Aquilo não era algo que Lily fizesse com frequência. Na verdade, não podia lembrar-se da última vez que agira com tanta ousadia. Provavelmente fora no último verão, naquele mesmo quarto. Mas no passado o ato teria excitado-o infalivelmente, não importava quantas vezes tivesse feito amor com ela antes. Mesmo agora seus lábios o excitavam. A pele de James arrepiou-se, comprovando isso. Lily foi impiedosa. Seu único propósito era deixá-lo tão excitado a ponto de perder o autocontrole. Ela queria seduzi-lo totalmente e fazê-lo esquecer de tudo mais... especialmente de Francesca.
Intimamente, Lily sabia que estava agindo corno uma desesperada, mas não podia se deter. Uma parte sua ainda estava horrorizada pelo que estava fazendo. A outra parte permanecia friamente determinada, levando-a a usar todos os truques em que conseguisse pensar. E muito mais. Suas mãos juntaram-se aos lábios nas carícias, e os dedos encontraram todo tipo de zonas erógenas para atormentar James fisicamente.
Satisfeita ao ouvi-lo gemer, ela sentiu os dedos fortes acariciarem seus cabelos. Por um segundo, imaginou que James estava prestes a tentar detê-la. Mas ele não fez aquilo. Com voz grave e trêmula, James limitou-se a murmurar algo em italiano, fazendo-a erguer momentaneamente a cabeça para encará-lo.
— Quer que eu pare? — ela ronronou.
Com um violento movimento de cabeça, James expressou sua negativa. Lily sorriu perversamente e, inclinando a própria cabeça, continuou.
A respiração dele era irregular. Estava muito excitado. Mais do que jamais estivera, pelo que ela podia notar.
Uma onda de triunfo invadiu Lily, deixando-a ao mesmo tempo excitada e satisfeita, porque, naquele momento, James era totalmente seu. Ele não tinha mais controle da própria vontade. Nenhuma habilidade para pensar, quanto mais detê-la.
Pelo menos foi aquilo o que ela pensou. Lily estava tão inebriada pela própria demonstração de poder que não notou as mãos de James abandonando seus cabelos. Quando as mãos fortes seguraram-na pelos ombros, puxando-a para cima, seu gemido de choque e frustração foi real.
Ignorando tal protesto, James puxou a camisola de cetim até a cintura de Lily, segurando-a com força pelos quadris e erguendo-a até que estivesse sobre ele. Antes que Lily pudesse pensar, a ereção titânica do marido penetrou-a sem qualquer preliminar.
Com os lábios entreabertos, ela experimentou o prazer estonteante de ser possuída por James. Não tinha percebido até aquele momento como estava excitada...
— Fique quieta! — James comandou, com seus dedos fortes cravando-se na pele dela.
— Mas não quero ficar quieta — ela balbuciou.
— Posso notar isso — ele murmurou com um sorriso malicioso. — Mas preciso de um pouco de tempo antes que continuemos. Mesmo assim... talvez eu possa ajudá-la enquanto isso.
Os olhos de James brilhavam à luz do luar quando ele retirou lentamente a camisola de cetim até que os seios de Lily estivessem totalmente expostos.
Mesmo sem olhar, ela sabia que seus mamilos estavam duros como rochas.
— Eu devia negligenciá-la na cama com mais frequência... se o resultado é esse. — James murmurou com voz rouca. Erguendo os braços, ele tomou os mamilos entre os dedos e começou a acariciá-los.
— Quer que eu pare? — ele murmurou, ecoando o que ela dissera pouco antes.
A excitação deixou-a sem fala. James riu com um tom grave e sexy, e então continuou com aquele tormento delicioso. Alguns instantes depois, Lily não conseguia nem sequer encarar o marido, estava completamente fora de controle.
— James... por favor...
— Por favor... o quê? — ele murmurou, obviamente satisfeito com a reação excitada de Lily a suas carícias. — Quer que eu pare? Ou quer mais? Diga-me, micetta. Farei tudo o que você quiser. Embora, hoje à noite, você não se pareça nem um pouco com uma gatinha... é mais como se fosse uma tigresa. Acho que você me comeria vivo se eu deixasse.
— James, por favor — ela repetiu roucamente, seu rosto queimando tanto de embaraço quanto de excitação.
— O quer que eu faça? Quer que eu a toque aqui... é isso? Desse jeito?
Lily retesou o corpo e gemeu. "Não, ali não!", ela pensou desesperada. E não daquele jeito. Algumas vezes James a fazia atingir o orgasmo tocando-a naquele lugar íntimo. Mas nunca antes Lily se sentira tão vulnerável e exposta. Seu estômago revirou-se de forma incontrolável.
Mas ele continuou tocando-a no ponto exato, e instantes depois, ela já estava completamente enfeitiçada.
— Oh, céus... — Lily gemeu, mexendo os quadris de maneira rítmica, como se tentasse manter a magia e a loucura daquele momento tanto quanto fosse possível.
— Não se controle — James pediu em um sussurro. — Quero ver seu orgasmo... sabe que isso me excita muito, não sabe?
Aquelas palavras mal foram registradas na mente dela.
— Olhe para mim, Lily — ele comandou com firmeza, mantendo os olhos no escultural corpo feminino, que continuava no balé sensual.
James deixou escapar um som animal, e então girou o corpo, puxando-a para baixo como se fosse um homem possuído. A penetração foi tão profunda e selvagem que o fez atingir o clímax em poucos segundos, ao mesmo tempo em que o corpo de Lily era sacudido por violentos espasmos elétricos. Instantes depois, os corpos trêmulos de ambos repousavam lado a lado, e ela se abraçava a James pensando apenas naquele momento, esquecendo tudo o mais.
Foi só quando o calor daquele sexo selvagem arrefeceu que a sanidade de Lily começou a retomar lentamente.
"No fim, quem seduziu quem, querida?", uma voz interior fria e cínica provocou-a. "Quem perdeu totalmente o controle? E o que você queria provar com isso?"
Nada, Lily respondeu silenciosamente para si mesma. A não ser que continuava dando a James o próprio corpo, a única coisa que ele sempre quisera dela, além dos filhos. Um corpo que, além de belo, era um traidor...
Um último e patético vestígio de orgulho compeliu Lily a livrar-se do abraço de James, mas estava exausta, e ele era muito forte. Abatida, deixou a cabeça repousar contra o peito másculo e começou a soluçar de forma incontrolável.
— Ei... O que é isso? — James ajeitou o corpo na cama, tomando o rosto de Lily entre as mãos.
Ela não conseguiu dizer uma palavra, limitando-se a encarar a expressão intrigada do marido. Como pôde fazer isso comigo! Queria gritar. Eu sempre lhe dei tudo!
Na verdade, ainda continuava dando tudo a James.
— Calma, calma... — ele murmurou, acariciando-a levemente nos cabelos. — Ficou muito excitada, só isso. Às vezes, quando ficam tempo demais sem sexo, as pessoas reagem desse jeito.
Com gentileza, James ajeitou a cabeça de Lily no travesseiro antes de inclinar-se para beijá-la no rosto com ternura.
— Está tudo bem agora — ele continuou, voltando a acariciá-la. — Pare de chorar e tente dormir, ou vai acabar com outra dor de cabeça... Sei que não tenho sido um bom marido, mas as últimas três semanas foram... difíceis, para dizer o mínimo. A morte de meu irmão causou toda sorte de problemas, problemas numerosos e complexos demais. Basta dizer que quase tudo já foi resolvido...
Lily ouviu aquela confissão súbita sem se alterar. Como James se achava esperto... Bastardo!
Ela fechou os olhos diante da tentação de voltar a encará-lo. Sabia que não descobriria nada naquele rosto traidor. James era tão bom como mentiroso quanto como homem de negócios.
— Provavelmente não lhe disse isso com a frequência que deveria — ele prosseguiu, inclinando-se para beijá-la nos cabelos —, mas eu a amo, Lily...
Subitamente, Lily conteve a respiração. Por que aquela tão esperada declaração parecia ferir seu coração como um punhal envenenado? E quem ele estava tentando convencer com tais palavras?
Oh, James... James...
A alma de Lily chorava, mas seu coração endureceu-se. Sabia quem o marido amava de verdade. A própria mãe dele tinha revelado aquilo. Francesca. A mulher com quem, um dia, James planejara se casar.
Mas tudo estava correndo como Charlus dissera. James não queria se arriscar a perder a família, mesmo por Francesca. Ela sabia que precisava parecer feliz, sem dar mostras de que conhecia a verdade.
Lily pretendia fazer qualquer esforço para salvar seu casamento... já não tinha demonstrado isso? Mas também queria preservar a auto-estima, por isso se recusou a ouvir aquelas palavras, mantendo os olhos fechados e fingindo dormir profundamente.
— Lily? — James chamou-a depois de alguns segundos.
Notando que ela continuava imóvel, James finalmente suspirou e então afastou-se cuidadosamente para o outro lado da cama.
Um ressentimento profundo tomou conta de Lily naquele momento. Ele realmente achava que tudo era muito fácil. Bastava um pouco de sexo e algumas palavras doces para tê-la novamente nas mãos, impedindo-a de questionar suas atitudes e permitindo que ele tivesse tudo o que queria. A esposa, os filhos e a amante.
Lily não fazia idéia de como o marido podia continuar aquele caso, vivendo na Austrália. Mas estava convencida de que James faria isso. Ocasionalmente viajava a negócios para a Europa por uma semana ou duas. Seu pai tinha concordado com a mudança para Sídnei, cinco anos antes, desde que isso não interferisse com os negócios da Potter International. No começo do casamento, ela o acompanhava, mas não agora, não com duas crianças para cuidar.
Sem dúvida, haveria mais viagens de negócios no futuro. Não necessariamente para Milão... James não era tão tolo! Mas para Nova York e Londres, talvez Paris. Lugares onde a empresa da família mantinha escritórios e apartamentos luxuosos... lugares para onde Francesca poderia voar em um instante sem que ninguém desconfiasse. Bastava um telefonema.
Além disso, a morte de Jeremy forneceria a James a desculpa perfeita para o aumento do número de viagens...
Lágrimas começaram a correr dos olhos de Lily, que virou o rosto ligeiramente para a parede e começou a piscar. Jurou para si mesma que aquele assunto não a faria chorar mais. De qualquer forma, lágrimas nunca tinham resolvido os problemas de ninguém.
O sono não chegou para Lily até pouco antes da aurora, e, quando ela acordou, James já havia partido para Milão. Mas ele deixara um bilhete sobre o travesseiro, dizendo que depois daquelas deliciosas caricias não tinha tanta certeza se ia demorar para voltar para casa naquela noite.
Ela gemeu de desgosto quando a excitação dominou-a involuntariamente. Seus mamilos ficaram intumescidos com a recordação do que James fizera algumas horas antes...
Os dedos finos amassaram o bilhete com força. Lily disse a si mesma que faltava pouco para que voltassem para seu verdadeiro lar.
Uma vez lá, talvez conseguisse encarar o marido e fazer amor com ele sem sentir-se tão humilhada. Ao menos Francesca estaria a milhares de quilômetros de distância, o que tomaria impossível para James fazer amor com as duas no mesmo dia...
Cerca de trinta minutos mais tarde, Lily abriu a porta do quarto das crianças e entrou, encontrando Nina, a babá italiana, sentada perto da janela, admirando o lago. As crianças, como sempre, estavam bastante entretidas com seus brinquedos.
A moça virou a cabeça ao ouvir o som da porta. Ao ver Lily, levantou-se com um sorriso nos lábios.
— Bom dia, signora — ela disse em inglês. Gostava de praticar a língua com Lily, e planejava visitar a Austrália um dia. — Parece muito melhor hoje. Sua pele está ótima, bem mais rosada...
Involuntariamente, o rosto de Lily ficou ainda mais vermelho em virtude do comentário.
— Sim — ela disse secamente. — Felizmente a enxaqueca passou... Muito obrigada por cuidar das crianças, Nina. Ficarei com os dois agora.
— Estarei na cozinha se precisar de mim — a moça disse continuando a sorrir placidamente. Era uma jovem de vinte anos, bonita, gentil e adorada pelas crianças. Aparentemente vinha de uma família grande, o que a forçara a ajudar a mãe desde cedo, cuidando dos irmãos e irmãs mais novos.
— Mãe, você acordou muito tarde — Emma apressou-se em intervir. — Senti sua falta.
— Eu também senti a sua, amor — Lily respondeu. — Guardou um abraço e um beijo para a mamãe?
A menina saltou da cadeira plástica vermelha em que estava e correu para os braços abertos que a esperavam.
Emma adorava beijos e abraços. Harry, porém, talvez por causa de um comentário que o pai fizera meses antes sobre garotos que viviam na barra da saia das mães, comportava-se de forma mais arredia. De qualquer forma, o menino assistiu à cena com uma inequívoca expressão de ciúme no rosto.
Lily colocou a filha no chão e caminhou até Harry, que fingiu ignorá-la, voltando a brincar com seu cavalinho de madeira.
— E você não vai dar um beijo e um abraço na mamãe, rapaz? — ela perguntou gentilmente, agachando-se ao lado do garoto.
Ele hesitou um pouco, então deixou escapar um suspiro e enlaçou a mãe pelo pescoço com força.
— O que há de errado, Harry? — Lily perguntou incapaz de esconder a própria preocupação.
O menino afastou a cabeça, encarando-a com seus grandes olhos brilhantes.
— Quero ir para casa — ele gemeu. — Estou com saudade do Teco.
Um sorriso aliviado curvou os lábios de Lily. Tinha quase certeza de que Teco, um gato de dez anos que fora presente de uma vizinha que se mudara, também devia estar sentindo falta do filho. Harry estava começando a andar quando a Sra. Lake o presenteara com o animal, e, naquela época, o menino ficara encantado com aquele estranho brinquedo que se movia sozinho e o acompanhava em todos os momentos.
— Também sinto falta do Teco — ela disse. — Logo todos nós estaremos em casa.
— Não vejo a hora — ele resmungou.
Lily suspirou. Concordava inteiramente com o filho.
Olá gente! Sei que demorei para postar, por mim postaria todos os dias, mas estou desanimada e por isso não sei quando postarei novamente, talvez quando eu entre em férias e isso só acontecerá no mês que vem. Obrigada Joana Patricia por comentar, beijos flor.
