Capitulo 4: Rapadura é doce mas não é mole


Fui andando até a estação de metrô, espulmando de raiva. Algumas lágrimas rebeldes insistiram em escapar, mas tenho certeza que elas surgiram devido ao ódio que estava sentindo agora. E não era exatamente ódio dele e sim ódio de mim mesma. Sentia raiva. Eu não tinha que ter ficado ali e ter aturado tudo aquilo. A verdade é que queria que as coisas voltassem a ser como antes. Que talvez eu tivesse me enganado em relação ao James e talvez, quem sabe, ele não fosse realmente tão frívolo, arrogante e... sei lá. Eu já estou é cansada disso. Já deveria ter superado tudo o que aconteceu e deveria tê-lo esquecido. Às vezes parece que eu gosto de cair no mesmo buraco mais de uma vez. Comecei a rir do nada no meio da rua. Algumas pessoas que passavam me olharam, intrigadas. Contudo, isso tudo era demasiado irônico para que eu pudesse impedir a mim mesma de rir.

Sempre antes de pular em um buraco, ou me arriscar em alguma coisa eu penso muito, muito mesmo. O estranho é que sempre quando James está envolvido parece que meu cérebro não vê necessidade em raciocinar. Eu simplesmente fico cega e me meto no buraco, e o faço várias vezes. Cometo o mesmo erro. Me deixo enganar por James. E novamente eu estava fraquejando.

O que aconteceu a seguir nem lembro direito. Cheguei à estação, comprei meu bilhete e apenas fiquei ali em pé, olhando pro nada, esperando o trem. As pessoas passavam à minha frente como simples borrões, e as palavras que elas diziam chegavam aos meus ouvidos, mas meu cérebro não decodificava nada. Apenas imagens do que havia acontecido na ultima hora passavam na minha cabeça. Só queria chegar em casa.

Quando cheguei, girei a chave na fechadura ainda com a cabeça quente, mas já estava mais ligada. Elizabeth me ouviu chegando e veio lá de seu quarto com uma longa camisola e uma expressão de curiosidade. Ela apenas me olhou um instante e eu fiz o mesmo.

-Hey Lily. Não devia estar trabalhando? Achei que você tinha uma entrevista hoje, ou algo do tipo... – ela disse.

-Aah. – eu disse, um pouco infeliz – Bem... Tinha, você falou certo. Antes que eu estragasse tudo. Antes que ele estragasse tudo.

O olhar de Elizabeth já mostrava a pergunta que ela ia fazer a seguir. Me olhou extremamente intrigada, com a testa franzida.

-Ahm? Ele quem?

Eu suspirei e encolhi os ombros, deprimida.

-James... – respondi, simplesmente – James Potter.

Se é que era possível, ela franziu ainda mais a testa,e pareceu que estava franzindo o cérebro.

-Como é que é? – Elizabeth perguntou, surpresa.

Eu suspirei novamente e contei a ela sobre tudo. Ela só disse algumas palavras soltas como consolo e disse que ia preparar um chá. Eu bufei e me deitei no sofá, com os olhos bem fechados.

Ah. Isso não pode ser real. Quando eu pensei que havia me livrado dele!

Mas eu sei que é mentira.

Eu sempre pedia à Marlene ou à Dorcas alguma informação dele. Claro que indiretamente. No entanto, elas apenas riam e fingiam que não sabiam de nada. E eu sei que elas sabem. Sabem o quanto ele ainda é importante para mim.

Que merda.

Este era mais um daqueles momentos em que você se afundava no sofá, fingia estar dormindo, suspirava sem parar e não parava de pensar nem por um minuto sequer: "Que merda".

Droga. Por que ele tinha que ser tão importante para mim?


Na época, nosso começo pareceu algo mágico para mim. Eu admiti aos poucos o quanto gostava dele, enquanto ia percebendo que sempre desejei tê-lo ao meu lado e só para mim.

Mas foi uma fraude a felicidade ter durado. Tudo não passava de uma falsa realidade. E eu não queria desistir. Queria ir até o fim. E acabei não percebendo que o nosso começo acabou sendo o começo do fim.

-Evans, olha por onde anda!

Uma garota ruiva de iris com formato amendoado e cor verde-vivo olhou assustada. Hm. Uma garota que eu reconheci como... eu.

-J-James?

James sorriu.

-Estava pensativa? – perguntou ele.

Eu demorei a responder, devido ao meu nervosismo.

-Ahm... Um pouco, creio eu... – disse debilmente. – Ahm, por quê?

Ele abriu ainda mais seu sorriso.

-Por que eu queria saber se você estava pensando na minha proposta, Lily... – disse ele alegremente.

Minha cabeça pendeu para o lado e eu sorri, cansada.

-James... Por favor – pedi em tom de súplica.

-Eu quero... Você quer... E você sabe que quer – acrescentou ele em resposta a um olhar descrente que lhe lancei. – Lily... E já faz tanto tempo...

Eu lhe dei meu maior exemplar de sorriso pálido.

-Eu não entendo por que você não esquece isso. – disse, simplesmente. – Esqueça, não vai dar certo.

Ele se aproximou rapidamente, o que provocou em mim uma imensa fadiga. Todavia, a fadiga não foi a única coisa que a aproximação dele causou em mim. Senti uma taquicardia. Uma falta de ar. Uma tontura. Sempre acontecia quando ele se aproximava mais do que deveria.

-Não o torne... Não o torne... Ainda mais penoso – supliquei, novamente.

-Penoso? – ele perguntou. Estava tão próximo que nossos narizes quase se chocaram. Digo, o nariz dele quase chocou em minha testa, pois James era mais alto que eu, algo que ele resolveu em breves instantes, curvando-se e fazendo seu nariz roçar no meu, e nossas respirações se encontrarem.

-É, James. – eu respondi, com a voz baixinha e fraca. – Penoso... Deixe as coisas... Do jeito... Que elas... Estão...

Ele sorriu, cínico. E era isso que eu odiava nele e sempre odiaria. Sua altivez. Meu olhar se encontrou com o dele, por que até então eu estava com os olhos encarando o chão.

O perfume dele invadiu minhas narinas, agindo como um entorpecente. De repente era como se eu quisesse ficar ali para sempre, sentindo aquele cheiro bom...

Eu vacilei, e ele, ao perceber, sorriu.

-Então prove. – James disse. – Prove que você não quer...

-James... !– eu disse, esganiçada, embora tentasse parecer irritada. – Eu não quero.

E aquelas palavras vieram como se estivessem cortando minha garganta.

-Seja mais... – ele se curvou ainda mais e seus lábios roçaram os meus. Eu fechei os olhos, imaginando o que aconteceria. Porém, minhas expectativas não foram preenchidas.Sua bocheca passou rente a minha e eu senti seu hálito quente em meu ouvido – Persuasiva.

Eu estremeci, comprimindo nervosamente uma mão contra a outra, e desviei o olhar. Ele levou uma de suas mãos ao meu queixo, levantando-o e fazendo com que eu o encarasse nos olhos.

-E... Se... Não... Der certo? – eu perguntei, hesitante.

-Se não der certo, não deu... – ele sussurrou em meu ouvido.

Eu senti arrepios e disse, ainda um pouco hesitante.

-Eu quero. – sibilei. – Eu... Quero... James...


As mãos pequenas e quentes de Elizabeth me despertaram de meu devaneio, que poderia ser chamado também de 'retrocesso'. Eu buscara em mim uma lembrança tão preciosa... Levantei um pouco tonta e entreabri os olhos, fechando-os logo em seguida, para não chorar. Dessa vez não precisava tentar evitar. Não havia lágrima nenhuma em minhas pestanas.

Eu suspirei. Elizabeth sorriu para mim.

-Está tudo bem? – ela perguntou.

-Ahhm... Está sim... – eu respondi. – Vou ter de enfrentar a Christine amanhã, mas eu dou conta!

Ergui os braços, fingindo animação; Lizzie apenas riu.

-Lil's... Falando em Christine, ela ligou perguntando onde você havia se metido.

Eu senti como se uma mão invisível tivesse agarrado meu estomago e o embrulhado.

-Pois é... – eu disse.

Ficamos em silêncio por um bom tempo, eu examinando o teto e divagando e Elizabeth me fitando preocupada.

-Lils... – ela chamou – Você realmente vai ficar bem?

Eu a olhei como se não estivesse compreendendo e ergui uma sobrancelha.

-Hm... Claro – forcei um sorriso.

Ela sorriu.

-Bom saber.


N/A: Sim! Finalmente um flashback pra voces! É, eu sei que não explica nada. AINDA.

Muito dramático? Muito trash ? Muito... BOM?

Reviews servem pra isso uU

Minha mente (nada) criativa agradece!

(Sobre o titulo do capitulo foi uma amiga que sugeriu, TÁ!)