Era o primeiro dia de trabalho de Cuddy e ela estava assustada com a possibilidade de conviver com House, afinal o relacionamento deles resultou em Audrey e só ela sabia disso.Em todos esses anos não teve só um dia que ela não tenha pensado nele, que não tenha desejado que ele estivesse ali com elas, como uma família e mesmo agora que eles estavam tão perto fisicamente isso parecia muito distante, porque além dos belos sentimentos o reencontro trouxe a magoa também.
Cuddy estava na recepção da clínica conversando com duas enfermeiras (na verdade estava tentando fazer amizade, por que ter a confiança das enfermeiras facilita muito o trabalho dos médicos).Ela sentiu um frio na barriga quando viu House passar pelo outro lado do vidro, percebeu que ele não falava com ninguém nem ao menos um "bom dia" então resolveu especular:
-O Dr.º House está com algum problema?
-Acho que não Drª. Cuddy.Por que? Pergunta e enfermeira Brenda.
-Ele passou direto sem olhar na cara de ninguém, pensei que tivesse nervoso com alguma coisa. Cuddy responde.
-Ah, não se preocupe, ele é assim mesmo, Miserable. Avisa a enfermeira Martha.
-Ele ficou assim desde o incidente com a perna dele, ele está acabando com a própria vida, se separou da mulher, se tornou um viciado...Completa Brenda
-Ele é um viciado, como assim? E o que aconteceu com a perna dele? Cuddy pergunta com cara de preocupada.
-Ele teve um enfarte no músculo da coxa, que causou necrose e os médicos tiveram que retirar o músculo.Desde então ele se entope de Vicodin para agüentar a dor.
Cuddy fica petrificada ela não podia imaginar que Gregory House tivesse passado por tudo isso em sua vida, ela tenta segurar as lagrimas que estão prestes a cair de seus olhos e sai depressa para seu escritório.
Brenda e Martha ficam paradas na recepção sem entender nada.
XXX
As primeiras semanas de trabalho de Cuddy iam transcorrendo bem, ela queria evitar House a todo custo, mas ele já tinha começado a aprontar, tinha feito uma transfusão sanguínea em uma paciente Testemunha de Jeová, a família ficou super nervosa, então foi inevitável, ela teve que ir vê-lo.
Ela sai de seu escritório à procura do médico, e encontra a equipe dele próxima ao elevador.
-Boa tarde Drª Cuddy. Cumprimenta Cameron
-Me Desculpem não tive tempo de decorar todos os nomes, vocês são?
-Drª Cameron, Drº Foreman e Drº Chase. Ela diz apontando para os colegas
-Ah sim, vocês são da equipe do Greg. Cuddy deixa escapar e se assusta consigo mesma.- Quero dizer do Drº House.
Foreman,Chase e Cameron se olham intrigados.Ninguém chamava House de Greg, nem mesmo o Wilson que era quem o conhecia há mais tempo.
Cuddy fica extremamente constrangida, ela não queria que soubessem que eles se conheciam, ela tenta disfarçar os elogiando:
-Sei que vocês não participaram da loucura que o Drº House cometeu hoje, significa que mesmo trabalhando com ele vocês ainda tem juízo.
-Obrigado.Os duncklings falam em coro.
-A propósito vocês sabem onde ele está? Ela pergunta
-Ele está na sala dele.Responde Chase.
Ela agradece e segue em direção a sala de House.
Os Ducklings continuam esperando o elevador ainda intrigados com o modo com que Cuddy chamou House
-Greg? Ela chamou ele de Greg? Foreman pergunta mais para si do que para os dois colegas.
-Também achei estranho, vai ver eles se conhecem dos tempos da faculdade, ela foi aluna do Johnson e o House também. Chase explica.
-Mas chamá-lo de Greg é um pouco demais, ela é chefe dele. Cameron fala meio enciumada.
-Acho que você tem uma concorrente Cameron, e que concorrente. Chase fala dando risada.
-Ela não tem uma concorrente, porque ela nunca foi uma pretendente. Completa Foreman.
Cameron faz de brava, desiste de esperar o elevador e vai de escada. Os dois colegas permanecem ali, rindo da pequena crise de ciúmes de Cameron.
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Cuddy chega a sala de House, as cortinas estavam todas fechadas, ela hesita um pouco em bater mas o faz, afinal ela era Dean of Medicine não podia evitá-lo o tempo todo, ela ia ter que aprender a conviver com ele.House estava sentado em sua poltrona de olhos fechados pensando (imaginem em quem!!), ele ouve as batidas na porta, mas não se incomoda em ir abrir.Seja lá quem fosse, provavelmente veio lhe dar alguma lição de moral, ele continua a ignorar as batidas até Cuddy chama-lo:
-Drº House?
Mais do que depressa ele levanta da poltrona e abre a porta para enxergar Lisa Cuddy.Eles se olham por um momento, ambos pensam em como aquilo era esquisito, eles estavam sozinhos pela primeira vez depois do reencontro.
-Posso entrar? Ela pergunta meio sem graça.
House se afasta da porta dando espaço para Cuddy entrar, alguns segundos de silêncio e ele pergunta:
-Veio me demitir Drª Cuddy?
-Não Drº. House, só vim te avisar que você está fora do caso. Ela diz.
House revira os olhos, e fala:
-Fanáticos religiosos, quem se importa...Deixe a menina morrer então.
-Nós faremos o possível de acordo com as crenças religiosas da família.Cuddy fala indo em direção a porta.
House olha para Cuddy e balbucia:
- Drª. Cuddy...
-O que? Ela vira para ele e o encara.
-Nada. House completa
-Você ainda tem 2 horas para cumprir na clínica hoje. Cuddy termina a conversa e deixa a sala.
House a observa sair e fica se achando um completa idiota, ele nunca teve medo de falar com ninguém, principalmente Lisa Cuddy, eles sempre conversaram, foram muito mais que namorados, foram amigos e agora ele estava com receio de falar com ela.
"você está ficando frouxo Greg House, ele pensou"
XXX
Dois dias depois.
Audrey estava entediada passava parte do dia na escola e depois ficava em casa sozinha, ela até gostava de ficar sozinha em casa , mas nos últimos tempos sentia muita falta de sua mãe, Cuddy estava trabalhando demais tinha muita coisa para resolver no hospital. Não estava sendo fácil para nenhuma das duas, já que elas eram muito unidas e gostavam de passar muito tempo juntas. Então naquela tarde depois da escola ela resolve fazer uma surpresa para a mãe, ela sai da escola e vai direto para o PPTH. Chegando lá Audrey é informada que Cuddy está em uma reunião, enquanto espera ela resolve dar uma volta pelo hospital.Ela passa em frente a sala de House observa que ele está brincando com sua bolinha na mesma hora ela lembra do ocorrido no dia do coquetel de apresentação de sua mãe ela então resolve tirar isso à limpo.Audrey dá umas batidinhas na porta e chama:
-Drº. House...
House desvia o olhar de seu passatempo e passa a observar Audrey, a volta de Cuddy tinha sido tão repentina e tinha trazido tantos sentimentos à tona que ele havia esquecido até que ela tinha uma filha já adolescente.
-Posso entrar? Pergunta Audrey já meio impaciente.
House balança a cabeça em confirmação.A garota então sorri e entra em sue escritório. Ele passa alguns segundos observando Audrey, ela tinha os cabelos da mãe e um sorriso que iluminava qualquer ambiente, exatamente o mesmo sorriso que Cuddy. Pensou em como cuddy o tinha esquecido rápido, a menina tinha 15 anos, a mesma idade do fim do relacionamentos deles.
-Creio que você deveria estar trabalhando? A garota pergunta olhando-o firmemente.
-E você deveria estar na escola. Ele diz encarando-a também.
-Eu já fui à escola hoje. Ela fala e senta na cadeira de frente para ele.
-Então, o que você quer? Meu salário não inclui serviço de babá. House fala.
Audrey balança a cabeça e dá uma gargalhada:
-Engraçadinho, eu não preciso de babá, já sou bem crescidinha.
-Então? House pergunta.
-Ela está em uma dessas reuniões cheia de gente chata, aí eu resolvi dar uma olhada por aí.
-Acho que sua mãe não vai gostar se te encontrar aqui, acho que ela não vai muito com a minha cara. House fala tentando se livrar da garota.
-É sobre isso mesmo que eu queria falar. Você e minha mãe já se conhecem há muito tempo? Audrey pergunta seriamente.
House coça a cabeça, pensa um pouco e responde:
-Nós fizemos faculdade juntos.
-Ah que legal, minha mãe não fala muito sobre a época da faculdade, ela diz que não aconteceu nada de interessante, mas eu tenho certeza que foi lá que ela conheceu o meu pai. Ela fala sorrindo
-É pode ser. Você não conhece seu pai? House pergunta tentado assimilar a possibilidade de Audrey ser sua filha.
-Não, minha mãe nunca me disse nem o nome, ela diz que fez fertilização in vitro, mas duvido muito.Já a ouvi uma vez ao telefone com uma amiga, ela estava dizendo que queria que ele estivesse com ela, que sentia muita falta dele, só que ela não citou nomes. Audrey explica.
House continua parado olhando para a garota do outro lado da mesa, seria ela sua filha?
-Você sabe de algum namorado dela, alguém que ela esteve envolvida? Ela continua perguntando
- Você acha que eu tenho cara de Gossip Girl, eu não sei com quem sua mãe fazia sexo. Ele responde de modo não convincente tentando evitar os olhos da garota.
Audrey cruza os braços, se inclina para mais perto da mesa e diz:
-Você está mentindo, quer dizer que em todos os anos de faculdade ela não namorou ninguém?
-Ela era bem feia, aliais você é bem parecida com ela. Mente House, na verdade Lisa era uma das garotas mais bonitas da faculdade de medicina.
-Minha mãe nunca foi feia e eu só tenho o cabelo parecido com o dela.Em geral somos bem diferentes.Ela diz que eu sou subversiva e que tenho um jeito difícil de lidar...Audrey continua falando.
Audrey e House ficam ali conversando por vários minutos, pareciam dois amigos de infância.Estavam tão entretidos um com o outro que nem se deram conta que Cuddy tinha entrado na sala e observava a conversa dos dois.Ela então pergunta:
-Pode devolver minha filha DRº. House?
House não responde, apenas encara Cuddy e pergunta:
-Como está a paciente, aquela da transfusão?
-Ela está fora de perigo, mas há dois dias os pais não vem visitá-la, a assistente social está tentando falar com eles. Responde Cuddy.
-Eles abandonaram a menina? Ele indaga
-Tudo indica que sim, não atendem os telefones, não tem ninguém em casa.Ela fala chateada.
-Quer dizer que o Deus deles não permite uma transfusão de sangue, mas abandono infantil tudo bem. Ele fala com raiva.
-Por essa e outras é que devemos respeitar as crenças alheias. Cuddy fala tentando não se exaltar com House, não na frente de Audrey.
A menina estava distraída ouvindo o Ipod de House então nem deu muita importância para a discussão.
-Eu salvei a vida dela. Ele fala tentando se explicar.
Cuddy ignora o último comentário de House e fala para a filha:
-Vamos Audrey, é melhor deixar o Drº House trabalhar.
Audrey se levanta e se dirigi a porta, mas antes de sair vira-se e fala docemente:
-Tchau Greg, foi muito bom conversar com você.
House dá um sorriso para a garota.
Cuddy fica meio atônita com a cena que acabara de presenciar e se sente culpada por privar Audrey de todas as coisas boas que um relacionamento de pai e filha pode proporcionar.
Antes que Cuddy deixe sua sala ele pergunta:
-Ele é minha filha não é?
-Do que você está falando Drº. House? Ela pergunta tentando se esquivar.
House levanta de sua cadeira agora nervoso, ele diz:
-Pára de tentar disfarçar, de tentar fingir que não me conhece, pára de negar que temos um passado juntos.
Cuddy percebe que Audrey estava olhando, fecha a porta e responde:
-Você disse muito bem, nós temos um passado, que não está relacionado ao meu presente e a Audrey não é sua filha.
-Quem é o pai dela então? House pergunta se aproximando dela.
-Isso não te interessa. Cuddy fala.
-Se ela for minha filha, eu vou saber Lisa Cuddy. House sussurra olhando nos olhos dela.
Cuddy se prepara para sair da sala e fala com lágrimas nos olhos:
-Eu sinto muito...
House fica parado tentando entender aquela frase.
-Sobre a sua perna. Ela completa e deixa a sala dele.
"...Se sente na pele que chegou a hora
Saber qual é olhando no olho
Pra alguns isso assusta, mas é tão necessário
Pra se ter uma noção do que é real
Pra se ter uma noção do que é real..."
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N/A:
Primeiro quero agradecer as meninas que me ajudaram nesse capitulo a Luisa e a Pri, enchi a paciência delas no MSN.
Música do final do post: A Saideira - Pitty
Quero esclarecer a história da paciente, minha intenção não é faltar ao respeito com a religião.É que esse caso aconteceu de verdade uma professora da minha faculdade que contou. Era uma garotinha de 4 anos e ela precisou de transfusão só que o pai e mãe por motivos religiosos não queriam permitir, só que o médico realizou o procedimento mesmo assim, então alguns dias depois a família abandonou a menina no hospital.O médico em questão se sentiu tão culpado que acabou por adotar a criança (essa parte não vai acontecer na minha fic).
Por último, mas não menos importante quero dedicar esse post a Katie Jacobs e ao David Shore, pela melhor noticia que eles podiam ter nos dado... PQ ter seu shipper confirmados pelos bam-bam-bam da série não é para qualquer um...Orgulho Huddy lá em cima
