Nota: Os personagens de Naruto pertencem a Kishimoto Masashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.


Sumário: Eu também te amo... Aquela era a frase pela qual mais ansiara em toda a sua vida, poder de fato compreender um sentimento literalmente tatuado em sua pele, algo que jamais pudera experimentar. Mas seria ele capaz de realmente compreender esse sentimento?


Hoje não têm pedidos DESESPERADOS por reviews tá? Vou deixar pro final do capítulo... rsrsrsrs

Uma boa leitura a todos!


Aishiterumo

Capítulo IV: Aluna e Professor

Daria tudo por um banho descente agora...

Esse era o único pensamento da konoichi naquele momento. Após treinar até a exaustão tudo o que precisava era de um bom e merecido banho, mas... Como estanho num lugar daqueles? Havia precisado adentrar um pouco mais mata à dentro até que encontrasse aquele pequeno riacho. Suas mãos juntaram-se feito uma concha, encheu-a de água e levou-a até o rosto. A água do riacho era gelada e senti-la em sua pele a relaxava. Animada ante a recente descoberta a ninja acabou por enfiar a cabeça toda dentro d´água.

Seus cabelos estavam horríveis! Sujos!

Com delicadeza a konoichi pôs-se a alinhar os fios molhados, sentindo as gotículas de água rolaram por suas costas de forma refrescante. Uma lua pálida era o único foco de luz, e o seu reflexo sobre o espelho d´água a fez franzir o cenho. Há quanto tempo não fazia isso? Não olhava para si mesma? Era como se a imagem que via refletida ali não condissesse com quem realmente era, ou pelo menos com a forma que se lembrava de si mesma. Já não era mais a garota franzina dos seus quatorze, quinze anos... Já não tinha mais olhos grandes e traços infantis... Era uma mulher, mesmo que por vezes inconsciente disso.

Seus olhos haviam se tornado levemente puxados, como os de um felino e tinham um tom quase que amendoado. O rosto adquirira traços mais delicados e femininos, como os lábios macios e cheios. O corpo já não era mais franzino, estava muito longe de o ser. Tinha belas curvas que haviam sido muito bem trabalhadas durante todos esses anos como ninja. Subir e descer de árvores, correr e manusear armas pesadas, aquilo tudo sem dúvida agraciara o seu físico.

E o mais estranho era que... Em todos aqueles anos, nada daquilo pareceu interessar aos olhos masculinos... Tinha consciência de seus atributos femininos, mas os homens pareciam temer aquela conhecida como a: "konoichi especialista em armas de Suna...".

Armas... Ali estavam elas espalhadas sobre a grama a refletir o seu brilho metálico. Como se tivesse sentido falta de alguma delas a konoichi imediatamente levou uma das mãos até a cintura. Ali sob suas vestes jazia preso o seu jouhyou, sua arma favorita. Pegou-o entre as mãos, tão pequeno e ao mesmo tempo tão letal quando bem manipulado. Defesa, ataque, um objeto de valor sentimental... Aquela arma podia ser cada uma dessas coisas.

Um graveto se quebrou na mata.

Os ouvidos atentos da konoichi imediatamente apuraram o barulho e os previu: não se tratavam de possíveis animais que poderiam ali viver. Eram passos humanos, provavelmente de um homem. Não era a toa que era a melhor. Prever a chegada de inimigos e pressentir possíveis ameaças antes que elas se tornassem reais, era uma das primeiras lições da escola ninja.

Não pensou duas vezes. Certamente deveria ser um dos guardas a procurando, vendo-se que demorara mais do que previra, mas se o fosse esse alguém não tinha intenções lá muito "descentes". Uma mulher sozinha e um rio?

Homens eram previsíveis demais!

Ou... Poderia mesmo ser um inimigo a espreitando. Sem saber ao certo se suas deduções estavam certas, Matsuri desenrolou habilmente o pequeno jouhyou e o lançou diretamente contra as árvores atrás de si. O objeto cortou o vento frio da noite numa velocidade absurda até que por fim acertou o "alvo", fazendo um barulho oco. Errara! Por alguns milímetros errara o alvo e acertara uma das árvores.

-Por pouco você não me arranca um olho...

Aquela voz, aquele timbre calmo e... Por Deus! O que havia feito?

-Kazekage-sama?

Matsuri imediatamente se voltou para trás, quase que desesperada, se deparando com a figura de Gaara ao lado da árvore acertada. Correu até ele sentindo o coração saltar como se fosse sair pela boca, tamanho o desespero que a acometia. Estancou quando por fim o alcançou.

-Kazekage-sama... Gomen nasai, Kazekage-sama, eu... Eu machuquei você? –seu tom era preocupado e ao mesmo tempo doce, gentil.

Gaara viu a konoichi dar mais dois passos em sua direção com a mão direita estendida. Parecia ter a intenção de lhe tocar, mas não o fez. Recuou antes mesmo de estar perto o suficiente para que tal ato pudesse ser feito. Viu-a abaixar a cabeça e apertar uma mão na outra visivelmente constrangida, não sabia se pelo que havia feito antes ou se pela sua intenção mais recente.

-Bom trabalho; ele disse chamando a atenção da jovem que o fitou confusa. –Tem uma mira perfeita. Alguém que desconhecesse suas habilidades certamente teria sido pego.

-Kazekage-sama; Matsuri murmurou e sem saber por que sorriu, um meio sorriso. Aquele era um elogio. Há muito tempo não recebia um, muito menos vindo dele, seu antigo sensei. –Gomen; a konoichi voltou a se desculpar. –Mas é que eu pensei que...

"Que era um tarado querendo me espiar..." Deus! Aquela fora a primeira hipótese que lhe viera em mente, mas agora... Agora aquilo lhe parecia absurdo e pior... Extremamente constrangedor! Amaldiçoando-se por tal coisa a konoichi não pode impedir que um tom rosado lhe viesse a face. Fitar aqueles olhos claros só a deixavam ainda mais constrangida, então desviou-se deles para que pudesse continuar a falar.

-Pensei que pudesse ser algum inimigo, ou então, quem sabe algum ninja do País da Terra desavisado sobre a nossa chegada e que estivesse em vigília, bem e; a konoichi ponderou. Havia dado dois passos para o lado e se aproximado da árvore que havia acertado. –Droga!

E mais essa agora? O que era aquele tremor involuntário em suas mãos? Por que raios não conseguia retirar a lâmina do jouhyou dali?

-E eu acho que; a konoichi continuou enquanto inutilmente tentava retirar a arma presa na árvore. Sabia que ele a fitava e isso só piorava as coisas. Estaria ele a avaliando como antigamente? Como seu sensei?

Sem proferir palavra alguma Gaara se aproximou da jovem. Matsuri sentiu outro tremor involuntário quando sentiu o calor da mão dele sobre a sua. Suas pernas jaziam tremulas diante daquele toque que não durou mais que alguns segundos. Gaara ajudou-a a retirar o jouhyou da árvore e então se afastou.

-Arigatou Gaara-sensei...; a konoichi logo cortou a frase ao perceber o erro que cometia, mas não teve tempo de corrigi-lo.

-Há muito tempo já não me chama assim; disse-lhe Gaara e a ameaça de um meio sorriso curvou-lhe os lábios.

-Perdão, Kazekage-sama; Matsuri se retratou abaixando a cabeça, mais uma vez constrangida. E se surpreendeu com a resposta do Kazekage.

-Eu gostava de ser chamado assim...

-Kazekage-sama? –a konoichi não sabia o que dizer. O seu antigo sensei tinha um olhar distante para além das árvores, na direção em que ficava o acampamento.

-Vamos voltar até o acampamento; disse-lhe Gaara, mas aquilo não era uma ordem, era quase que um pedido de alguém preocupado para consigo. Um amigo.

Aquela era uma sensação muito boa, mesmo que provavelmente fosse apenas fruto de sua imaginação... O Kazekage preocupado consigo?

Ooo –O– ooO

No outro dia bem cedo haviam partido. Faltava pouco para que por fim chegassem a Vila Oculta da Pedra, lhes dissera um dos velhos conselheiros. O que a estava incomodando agora era outra coisa... Os olhares estranhos e de reprovação dos três velhos...

Na noite passada quando retornaram ao acampamento logo de cara se depararam com olhos de todos os lados. Depois de um "boa noite" polido Gaara se dirigira sem mais delongas até sua tenda, ignorando os olhares que lhes eram dirigidos. O problema fora quando ficara só. Os velhos, os guardas, e até mesmo a serva lhes lançaram olhares estranhos, como se tivesse cometido um crime muito grave. Só então uma luz se fez na mente da konoichi: Primeiro ela sumia na mata, depois o Kazekage... Aí ambos voltam juntos?

Ela de cabelo molhado e... "descomposta"?

Por todos os deuses! Não era possível que a mente pervertida daqueles homens estivessem pensando o que achava que estavam. Ou será que era? Tivera a confirmação disso assim que adentrara sua tenda. Karin entrara logo depois de si, quase que trotando e lhe dera as costas sem nem mesmo um "boa noite". Enrolara-se em seu catre improvisado e não mais se mexera, mesmo que não estivesse dormindo. Depois disso sequer lhe cumprimentara no dia seguinte.

E agora ali estava ela, a viajar junto de um homem que preferia evitar fitar nos olhos... Toda vez que olhava pra ele, se lembrava da insinuação silenciosa e absurda de sua comitiva.

-Acho que chegamos... Aquela deve ser a entrada para a Vila Oculta da Pedra; Gaara apontou a imagem pela janela e a konoichi focou a paisagem externa.

Aquela certamente era a entrada da vila. Um imenso paredão rochoso erguia-se em frente à comitiva. Era todo de um cinza chumbo e tão alto que parecia tocar os céus. Seria difícil alguém passar dali se não fosse convidado. Pelo menos por terra uma invasão era quase impossível. Quando se aproximaram de fato da entrada, a ponto da comitiva toda assemelhar-se a grãos de areia, devido a magnitude da entrada, dois guardas apareceram.

O cocheiro que levava a carruagem de Gaara logo lhes disse em alto e bom som:

-É o Kazekage de Suna quem chega!

Os guardas por sua vez, logo identificaram o símbolo de Suna nas carruagens e gentilmente os deixou passar.

-O Tsuchikage-sama e sua filha os esperam! Sejam bem vindos a Iwagakure no Sato!

Mesuras à parte ambos adentraram a vila. Depois de um percurso parcialmente longo pelo vale que cortava o paredão, por fim a Vila da Pedra se fez vista. De fato ela se parecia bastante com Suna em alguns aspectos. O vilarejo, tudo ali era cinza feito às muralhas da entrada e o chão de terra batida num tom vermelho fosco. Ao longe grandes campos de vegetação eram o verde que quebrava todo aquele padrão cinza. Por onde passavam atraíam olhares e reverências, por vezes pomposas em demasia. Certamente os habitantes da vila já deviam saber sobre o "arranjo" que Suna faria com o País da Terra.

-É lindo! –Matsuri não conteve um murmúrio extasiado ao observar as construções que se assemelhavam à pedras empilhadas uma sobre as outras. –Diria que é quase impossível; ela completou.

Gaara não fez qualquer comentário, mas concordava com a konoichi. Quando lhe disseram que aquele país havia prosperado não sabia que fosse a tal nível. Era mesmo um lugar muito belo. Enquanto Suna tinha suas dunas de areia, palácios e construções arenosas, a Vila Oculta da Pedra tinha seus campos verdejantes, belas montanhas cinzentas e uma arquitetura abstrata.

O palácio, a residência do Tsuchikage, por fim estavam diante dele. As duas carruagens jaziam em frente à construção que chegava a ser intimidadora, tamanha magnitude. Era um "monstro de pedra" que os convidava a entrar. Diante de uma imensa porta de madeira jazia uma dúzia de guardas a fazer sua costumeira vigília. A comitiva de Suna já estava em pé ao lado dos cavalos, quando por fim a porta cor de ébano se abriu e um homem apareceu. Era um homem forte, por volta dos seus trinta e cinco anos, trajando um uniforme militar que muito se assemelhava aos de Suna. Provavelmente era o capitão do exército.

-Sejam muito bem vindos a Vila Oculta da Pedra! –o homem fez uma mesura respeitosa em direção a Gaara e aos conselheiros. –Sou Daichi-sama chefe da guarda, me desculpem, mas o Tsuchikage-sama não os pôde receber; ele completou com visível pesar.

-Algum problema com o Tsuchikage? –indagou Gaara, deixaria para contemplar a beleza arquitetônica do lugar em uma outra hora. Seus olhos estavam entretidos com as figuras talhadas sobre a entrada do castelo, mas as palavras do guarda chamaram a sua atenção.

-Hai Kazekage-sama, na verdade já faz algum tempo que ele adoeceu, entretanto, foi de uma semana para cá que ele piorou. Tsuchikage-sama me pediu para que lhes explicassem o inconveniente e pedisse perdão em seu nome; completou o homem.

Gaara se voltou para os três velhos ao seu lado. Um deles havia estado ali há cerca de menos de um mês e sequer tocara no assunto. Seria então aquele "contrato" nada mais do que... O desejo de um moribundo? Os velhos conselheiros trocaram olhares cúmplices entre si, temendo pela ira de seu Senhor, mas, mais uma vez, Gaara não fez qualquer comentário.

-Gostaria de ver o Tsuchikage pessoalmente se possível; Gaara se voltou para o capitão. –Tenho assuntos a tratar com ele e não posso ficar muito tempo longe de Suna, então, quanto mais rápido resolvermos isso melhor.

-Como quiser Kazekage-sama; disse Daichi. –Onegai shimasu, entrem! Os servos cuidarão de seus cavalos e bagagens. Fizeram uma longa viagem e devem estar cansados.

-Certamente; disse Gaara e os velhos ao seu lado trocaram mais uma vez olhares cúmplices: Estavam mesmo todos cansados da viagem.

Daichi estendeu um dos braços em direção a porta de entrada e os guardas que ali estavam se dividiram em dois grupos, cada um de um lado da porta. Gaara foi o primeiro a adentrar junto de Daichi, atrás de si Matsuri e os demais.

"Kazekage-sama... Kazekage-sama...".

Ainda ouviria muito aquilo durante aquela viagem...

Ooo –O– ooO

O interior do castelo não era diferente de sua aparência externa. Era muito bem ornamentado e em cada canto haviam estatuas magnificamente bem talhadas, talvez de deuses que o País da Terra adorasse ou simplesmente algo que a criação do artista que as fez idealizou. Eram tão perfeitas e ricas em detalhes que pareciam até mesmo ter vida própria. A hospitalidade do lugar era outro ponto importante, ali todos pareciam estar atentos a quaisquer necessidades que o tivessem, até mesmo para com os guardas que vieram de Suna. Foram recepcionados formalmente apenas por Daichi que pediu que algumas das servas levassem os recém chegados aos seus respectivos aposentos. Segundo o capitão, a princesa também lhes pedia desculpas por não os ter vindo receber, estava indisposta depois de passar a noite ao lado do pai que jazia enfermo. Dentro de algumas horas seria servido o jantar e Hana hime viria até eles. Enquanto isso o Kazekage e sua comitiva poderiam descasar em seus aposentos e banhar-se. Depois daquela longa viagem, aquilo era tudo o que precisavam para que estivessem mais dispostos a noite.

Por volta das sete horas ambos foram avisados que o jantar seria servido. Gaara deu graças aos deuses em por fim poder sair daquele quarto. Era suntuoso demais, pomposo demais. Sentia-se esmagado entre tanto luxo. Não que não o tivesse em Suna, mas ali, tudo parecia ter sido exageradamente enriquecido graças a sua presença. Provavelmente era o melhor quarto que tinham. Lá também havia algumas daquelas magníficas "estátuas vivas" e elas o faziam se lembrar de Kankurou. Provavelmente o irmão lhe diria que aquelas deviam ser obras do antigo membro da Akatsuki se as visse...

Na parte inferior aos dos aposentos ficava a sala de jantar, lá uma mesa divinamente decorada e farta havia sido posta. As servas ainda terminavam os últimos arranjos e punham a mesa quando o Kazekage e sua comitiva desceram para a refeição. Mais uma vez Daichi os esperava.

-Kazekage-sama, Senhores; Daichi fez-lhes uma reverencia. –Konbanwa!

-Konbanwa!lhes responderam Gaara e os conselheiros.

-Bem; o homem parecia um tanto quanto desconcertado. Seu olhar não se cansava de fitar a enorme escadaria de pedra atrás dos convidados. –Eu acho que Hana hime deve estar...

-Estou aqui, perdão por lhes fazerem esperar... Eu sou Hana hime, filha do Tsuchikage, Tsuchi no Tori...

Continua...


N/a: Tsuchi: Pedra /Tori: Pássaro: Tsuchi no Tori: "Pássaro de Pedra". Na falta da menção de um nome para o Tsuchikage eu juntei essas duas palavras e "criei o meu". Não há muita informação sobre a Vila da Pedra e tão pouco sobre os Tsuchikages ou habitantes dessa vila. Mesmo pesquisando tudo o que descobri foi que há a citação de alguns ninjas dessa vila no mangá "Kakashi Gaiden", que infelizmente, ainda não pude ler (Se alguém souber onde baixar me avisem, hein? Haha quem não quer ver o Kakashi nos seus tempos de garoto? XD). Fora isso, sei o que todo mundo sabe, e que foi mostrado no episódio filler "Em busca do Bikochu", lá também são citadas algumas informações sobre essa vila, mas nada mais além disso. Achei importante esclarecer isso pq a maioria das informações que estão sendo citadas aqui são criações minhas pra preencher esse espaço e dar forma a fic em si, a aparência da vila por exemplo e personagens secundários, como a própria princesa.

Outra coisa é com relação ao Deidara, não sei muito sobre ele e pesquisando não descobri muito mais a respeito. Afortunadamente descobri que ele era dessa mesma vila, e que fugira dela antes de se tornar membro da Akatsuki. Mas essa história todo mundo conhece não? Pois bem, o que realmente importa é que o que eu citar sobre ele também será algo ilustrativo e sem ligação com o mangá. Achei legal fazer essa ponte de ligação na fic, por isso, provavelmente, ainda irei citar o Deidara mais vezes.

Gomen nasai: Desculpe, lamento.

Arigatou: Obrigado.

Iwagakure no Sato: Vila Oculta da Pedra.

Onegai shimasu: Por favor, formalmente.

Konbanwa: Boa noite.

Um grande bju e um forte abraço a todos!

Hana.

P.s: Agora sim... Reviews! Reviews! Reviews! XD