Nota: Nossa, fiquei empolgada para escrever logo este capítulo. Até porque minha imaginação está fervendo mais que um caldeirão de Poções, devo dizer. Haha! As reviews também me servem de combustível, cada vez que eu recebo mais uma, eu me animo mais para continuar a escrever! Então aqui vai um muito obrigada para aquelas pessoas que me abastecem com seus comentários! Hoho! Obrigada à pessoa que comentou como Guest (?!) por ter gostado! Espero que continue acompanhando! Rachel, com certeza absoluta continuarei esta fanfic, principalmente tendo leitores tão animados! :D E Terezaaa, fico mais uma vez lisonjeada com tantos elogios! Hahahah! Acho que meu ego está começando a inflar (mas nada para o mal... :P). Aqui está o quarto capítulo desta Dramione fanfiction!
Yukari Nefertari, random ficWriter.
Capítulo Quatro
Assim que a aula de Runas Antigas chegou ao final, Hermione tratou de recolher as suas coisas o mais rápido que conseguiu. Seu pescoço estava rígido como uma pedra de tanto se focar em alternar o olhar somente para frente e para baixo - para o pergaminho que escrevia. Não se atrevera a lançar olhares furtivos para a direita onde uma certa figura alta e esguia apoiava o fino queixo na mão direita enquanto a esquerda arranhava a ponta da pena sobre o pergaminho enquanto copiava a lição do quadro-negro.
Durante toda a aula a garota deixara o cabelo cobrir a sua face direita, escondendo o seu rosto ligeiramente perturbado do olhar que – apesar dela não enxergar – ela sabia que Malfoy estava lhe dando. Algumas vezes pegou-se escutando atentamente os movimentos que se sucediam ao seu lado; o barulho da pena sendo molhada no pote de tinta preta, a respiração forte que era exalada, até mesmo o baixo volume das pernas sendo trocadas de posição de tempos em tempos por baixo da mesa. Tudo era motivo para sua desconcentração.
Hermione estava tensa. Não sabia exatamente o que Draco Malfoy estava pretendendo com todos aqueles olhares e certa educação, mas sabia que provavelmente coisa boa não viria a partir dele. Com certeza estava preparando algo de ruim e cafajeste como ele sempre fazia. Ou quem sabe ele está realmente doente. Uma daquelas doenças exóticas que se adquiria após passar muito tempo em frente a um caldeirão borbulhante. Pensava freneticamente descontente com todas as suposições que fazia.
Mas o fato de estar tão nervosa agora para sair o mais rapidamente possível da sala, não se referia somente aos olhares que ela tinha certeza que o garoto lhe lançara durante a aula.
Há poucos minutos, enquanto ela começava a se empolgar numa pequena tradução das runas que o professor acabara de passar, sua pena escapulira de sua mão levemente suada. No mesmo instante, esquecida de utilizar a varinha para convocá-la de volta, Hermione espremeu o braço no pequeno espaço entre a sua cadeira e a da do lado. Contudo, antes mesmo que ela pudesse resgatar a pena, ela viu uma mão longa e pálida alcançar o objeto. Nervosa, levantou-se lentamente para ver, a centímetros do seu rosto, Draco Malfoy a mirar com seus olhos cinzentos e gélidos, depositando a pena branca sobre a sua mesa sem mesmo lhe dizer uma palavra.
Ela ainda conseguia lembrar do braço estendido do garoto alcançar o tampo de madeira polida, o rosto quase raspando com o seu enquanto o corpo magro e alto arqueava-se um pouco para frente para entregar-lhe a pena. Parecia que havia sido uma eternidade aqueles poucos segundos. Seus batimentos foram a mil quando seus olhos se cruzaram e - ela não quis acreditar - enrubescia uma segunda vez naquele dia, pelo simples fato de seus olhos encontrarem com os de Draco Malfoy. Draco Malfoy!
Agora estava ali: decidida com a alça da bolsa pesando sobre o seu ombro, um livro entre os braços, olhos fixos somente na saída. Hermione ergueu o queixo e esgueirou-se para fora dali como um gato astuto.
Quando alcançou a porta, respirava fortemente como se o ar estivesse rarefeito dentro da sala de aula e ali fora acenando para ela, estavam Ron e Harry que haviam acabado de descer a escada em espiral que dava acesso à torre de Adivinhação. Suspirou aliviada e correu de encontro aos dois garotos que a esperavam parados a poucos metros dali.
-Oi... – ofegou ela, o rosto ainda vermelho.
-Puxa, Mione, o que vocês estavam fazendo nessa aula? – quis saber Ron não se preocupando em soar curioso. – Parece que acabou de disputar uma corrida contra um testrálio. Está até suada...
Ela riu um pouco sem graça. De fato estava suando frio. Na verdade suara desde o início da aula quando percebera Draco Malfoy tão próximo dela. Falando nele...
Puxou o amigo pela manga das vestes, virando-o cento e oitenta graus do lugar onde Malfoy se dirigia naquele instante, movimento que Harry – graças a Merlin – também acompanhou quando ela disparou passos a frente deles.
-Para onde vamos? – quis saber o garoto e ela logo percebeu que ele se referia ao tempo livre que teriam até a hora do jantar.
Ela virou-se para eles, fazendo-os parar surpresos com a sua abrupta mudança de caminho. Eles soergueram as sobrancelhas como se esperassem uma resposta enquanto ela checava por cima de seus ombros se o tal sonserino ainda estava por ali.
-Hermione?! – Harry balançou uma mão em frente ao seu rosto tentando chamar a sua atenção, coisa que funcionou apenas após alguns segundos de tentativa.
-Ah, sim... – riu ela completamente sem graça. – Hmm... Não sei quanto a vocês, mas queria descansar no nosso salão comunal.
Os dois garotos encolheram os ombros como se não tivessem muitas opções, e apenas a seguiram até o quarto andar do castelo por onde passaram por um buraco atrás de um retrato de uma mulher gorda.
DMHGDMHG
O chá esfriava em suas mãos e o garoto apenas contentava-se em inalar o vapor quente e agradável que a bebida exalava.
Ele não se lembrava exatamente quando sua preferência por chá de jasmim começara, mas lembrava-se que desde muito pequeno já sentava-se confortavelmente perto da lareira de sua mansão para tomar uma xícara de chá e comer biscoitos finos que sua mãe mandava preparar para ele.
Jasmim também era o cheiro que tinha os cabelos encaracolados de Hermione Granger, sendo que nela, o perfume era refrescante e energizante. A simples lembrança de alguns fios lhe acariciando a face quando se abaixara para apanhar a pena branca que a garota deixara cair durante a aula de Runas Antigas, lhe arrepiava a nuca.
O efeito dessa poção é realmente forte. Resmungava a voz insistente de dentro de sua cabeça, mas Draco estava cada vez menos prestando atenção ao que ela lhe dizia. Passara duas – curtas – horas ao lado da garota por quem a Amortentia tinha escolhido para que ele se apaixonasse. O caso era docemente grave e sutilmente desesperador.
Agüente mais um pouco! Urrava voz dentro dele quando pensamentos de beijos molhados e mãos entrelaçadas passeavam pela mente de Draco, o derretendo. Suas bochechas, normalmente pálidas, encheram-se de manchas avermelhadas e deformes. Ele sentava-se próximo à janela de seu dormitório, deixando que o vento lhe bagunçasse os cabelos loiros esbranquiçados, mas mesmo assim, sentia calor, o suor lhe escorrendo pelo pescoço até ser sugado pela camisa branca de seu uniforme.
Voltou a aproximar a beirada da xícara ao seu nariz pontudo e orgulhoso. Maldição. O cheiro era pecaminoso e puro, amargo e doce... era uma mistura perfeita que embriagava os sentidos de Draco, levando-o a ter memórias de situações que ele nem se lembrara de possuir. O sorriso dela, os cabelos esvoaçando no vento, a neve lhe molhando as vestes negras, os olhos faiscando de satisfação quando algum professor a elogiava por sua inteligência...
Talvez se ela fosse sangue-puro, não seria má idéia. Rendeu-se a sua razão até então tão resistente. Com isso, os pensamentos que tinha deram uma guinada: a silhueta de Granger projetada sobre lençóis brancos e platinados, a respiração ofegante, o toque quente de duas línguas se chocando...
Draco Malfoy agora precisava de um banho frio de preferência.
HGDMHGDM
As pernas de Hermione pareciam parte relutantes, parte estranhamente rápidas, enquanto a sua ronda rotineira de monitora começou. Seus passos ecoavam nas paredes frias e silenciosas do castelo e ela hesitou alguns instantes em frente a uma janela entreaberta para observar a lua que crescia cheia. Um vento soprou mais forte penteando seus cabelos com delicadeza; e sentindo os pêlos de seus braços se eriçarem, resolveu fechar a janela.
Os corredores do quarto andar – lugar de onde ela não se atreveu a sair em direção aos andares mais baixos – pareciam solitários aquela hora. Decidiu-se, porém, por dar mais uma volta por ali, para checar mais uma vez se a biblioteca estava realmente trancada e evitar que algum aluno espertinho tentasse se aventurar na sessão proibida. Riu ao se lembrar que Harry uma vez conseguira o feito de entrar ali, mas quase foi pego por Snape ao encontrar um livro que gritava na estante.
Virou por alguns corredores quando ouviu uma voz meio chorosa replicar:
-Mas Draco... – Hermione congelou ao ouvir aquele nome ser mencionado. Parecia algum tipo de encantamento das Trevas, pois mesmo desejando sumir dali, seu corpo permaneceu estático.
-Eu sinto muito, senhorita er... – ela ouviu a voz seca e levemente irritada do garoto responder. Enrijeceu-se ainda mais.
-Daphne! Como já esqueceu meu nome? – Hermione pensou ter ouvido o pé da menina bater no chão em protesto.
-Daphne, Daphne. – a voz completou rapidamente. – Escute, eu não sinto nada por você. Aquilo que aconteceu foi mera circunstancia da situação que nos encontrávamos.
A voz feminina guinchou, indignada.
-Olhe aqui... – a voz de Malfoy se exaltou. – Foi apenas um beijo e nada mais. Eu não lhe jurei a minha lealdade eterna, como se fossemos fazer um elo bruxo no dia seguinte.
A voz do garoto despejava escárnio e impaciência. Hermione tentou até sentir pena da menina, mas a sua situação de alguém que estava escutando atrás das paredes, não lhe dava este direito.
Houve uma longa pausa que a grifinória desejou que acabasse logo para que ela pudesse escapulir dali. Escutou um sonoro tapa, e em seguida passos correrem em direção ao outro corredor na direção distinta do qual se encontrava. Suspirou um pouco mais aliviada pelo fato de um dos protagonistas da cena ter se afastado dali. Seu alívio, contudo, foi cortado de forma inesperada quando Draco Malfoy surgiu ao seu lado, vindo do corredor que se encontrava com uma marca enorme e vermelha projetada em sua face esquerda.
Um silêncio pesado pairou no ar no momento em que os olhos dos dois se cruzaram em milésimos de segundos que pareceram séculos. Castanho no cinza gelo.
-Granger... – a garota ouviu o seu sobrenome ser balbuciado novamente naquele tom da noite passada. Algo, porém, estava levemente diferente. Educado, mas não contido e reservado, mas levemente... contente.
-M- Malfoy. – gaguejou ao se lembrar que acabara de entreouvir uma cena um tanto quanto constrangedora em que o sonserino dava um fora numa garota e recebia uma bofetada em troca.
Novamente o silêncio constrangedor reinou entre eles. Ela ofegava, tentando disfarçar o seu desconcerto enquanto ele... Bem, ele não desviava o olhar, ao contrário, sustentava-o com determinação.
-Bem... – começou ela quando as pernas voltaram a ganhar energia para andar novamente. – Eu já estou indo, então...
Mas antes que fizesse menção de colocar um pé na frente do outro, uma mão longa e fina agarrou-lhe o pulso com surpreendente delicadeza. Hermione parou de respirar alguns segundos fitando os dedos brancos que envolviam seu pulso. Malfoy estava muito próximo com os olhos ainda fixos nela e deixando que o maldito silêncio voltasse a se instalar.
Ela planejou rir, ou dizer algo sem sentido, mas tudo fora rápido demais.
A mão livre do menino se ergueu no ar e tocou-lhe a nuca suavemente, forçando as testas a se encontrarem com sutileza. Hermione sentiu as respirações se misturarem e, ainda em estado de incredulidade, aspirou um cheiro agradável de hortelã que o hálito de Malfoy exalava.
Ela queria se soltar dali e correr. Correr para bem longe, longe do toque suave das mãos do garoto, de seu cheiro refrescante, de seus olhos paralisantes. Mas ao contrário do que planejava, fechou os olhos lentamente, seu coração pulsando descompassado. Não sabia quando tinha se envolvido naquilo, mas seu corpo queria se entregar completamente ao toque de veludo de Draco Malfoy.
-Quem está aí?! – uma voz descomunalmente alta ressoou nas paredes do corredor do quarto andar.
Num sobressalto, Malfoy e Hermione se largaram, suas respirações ofegantes e complicadas. Desviaram o olhar, totalmente envergonhados e aguardaram a sombra, dona da voz que os atrapalhara se aproximar. Ernnie McMillan foi surgindo a medida que foi se aproximando dos dois.
-Ah! Granger! – sorriu para menina e voltando-se para o outro, ergueu as sobrancelhas. – Malfoy?! O que vocês-?
-McMillan, como sempre metendo o nariz excepcionalmente grande onde não é chamado. – Malfoy rasgou em sarcasmo e a garota percebeu que o outro monitor cobriu o próprio nariz com a mão. – Esta-... esta sangue-ruim e eu, estávamos apenas acertando algumas contas.
O Lufa-Lufa voltou-se para a garota como se pedisse uma confirmação da história que ela apenas assentiu com vigor, movendo a cabeça. Contudo a palavra que o sonserino usou para se referir a ela, ainda ecoaram em seus ouvidos. Sangue-ruim. Não sabia o quanto, mas aquilo parecia machucar; e muito. Quis olhar para Malfoy mais uma vez e compreender o que se passava, mas já era tarde. Pode apenas ver de longe as costas do garoto tornarem-se apenas sombras na escuridão do corredor de Hogwarts.
DMHGDMHG
Draco segurou o peito como se tentasse conter os batimentos cardíacos, já preocupado que fosse acordar os companheiros de dormitório, tamanho era o som que seu coração fazia em sua caixa torácica. Puxou a franja para trás com as duas mãos. Aquilo era loucura. O pensamento da boca de Hermione Granger pairando a poucos centímetros da sua, era algo inacreditável que fazia seu estômago dar voltas e voltas, como se estivesse possuído por borboletas invisíveis e monstruosas.
Ela sequer resistiu. Sua cabeça fez questão de relembrar o óbvio: que a grifinória não o afastou enojada ou sequer o acertou com um chute nas canelas ou...
Ao contrário, pensava admirado, ela fechara os olhos, realmente fechara, os cílios tremendo para o que viria a seguir.
Esmurrou com certa força o travesseiro de sua cama, caindo sobre ele logo em seguida, o abraçando para enterrar seus rosto na maciez das plumas de ganso. Por que Ernnie-Intrometido-McMillan tinha que aparecer justamente naquele exato momento? Por que ele não apareceu antes para que Draco não pudesse ter segurado Hermione Granger pelo pulso? Por que ele não apareceu depois do beijo ter sido consumado? Suplicou o fundo negro e profundo de seu cérebro, já dominado pela Poção do Amor. Que sabor teria aquela boca?
Draco levantou-se num pulo. Precisava urgentemente de outro banho frio.
Notinha: Aêêê! Não me matem, por favor! O beijo quase saiu neste capítulo, hein?! Espero que tenham sido convencidos pela tensão que eu tentei retratar aí (espero que eu tenha conseguido). Enfim... Ficou com vontade de ver mais dilemas entre o Draco e a sua consciência relutante (nem tão mais relutante assim), ou de chegar e empurrar a cara de Hermione contra a do sonserino de uma vez; review me!
Beijos e queijos,
Yukari Nefertari, random ficWriter.
