Nunca Te Abandonarei

"Assim como a cera, naturalmente dura e rígida, torna-se, com um pouco de calor tão moldável que se pode levá-la a tomar a forma que se desejar, também se pode, com um pouco de cortesia e amabilidade, conquistar os obstinados e os hostis." (Arthur Schopenhauer)

Capitulo 4 – Bem-vinda à Cidadela.

Após umas duas horas, a nave glodariana finalmente conseguiu chegar ao seu destino final: o império da raça glodariana. Ao sobrevoar a cidade principal pode-se ver prédios altos em fileira, super naves voando como se fossem um tipo de transporte muito utilizado por aquele povo.

—Destino final: Cidadela. — disse a voz eletrônica masculina do computador da nave.

—Já não era sem tempo! — o tenente-coronel Wingler exclamou, cansado de estar naquele mesmo ambiente por tanto tempo, a viagem foi exaustiva e tudo por uma mera princesinha de Tamaran.

Pouco a pouco, o meio de transporte espacial foi diminuindo a velocidade gradativamente, o piloto de capacete apertou alguns botões do grande painel de controle e as rodas aparecem para o lado de fora, ele pegou no volante e começou a fazer o pouso com um pouco de turbulência, mas nada tão chocante.

—Já chegamos? — perguntou Starfire, assustada pelo que estava por vir assim que a tirassem daquela cela mal-iluminada e fria.

— Penso que sim. — olhou e não viu nenhum soldado no corredor e a mirou. — Eu prometo que farei algo por você. — beijou-lhe a mão com carinho como um cavalheiro, levantou-se, deu um pequeno sorriso para ela e saiu daquele cubículo.

Foi caminhando pelos corredores, sua intenção era chegar onde seu superior estivesse e tentar levar a princesa consigo e deixá-la em um lugar mais seguro do que, com certeza, iriam a levar. Sentia algo quando olhou em seus olhos pela primeira vez, uma mistura de emoções e sentimentos, seu peito disparou ao pensar nisso e arrepiou-se. Deixou de lado os pensamentos e continuou sua procura, passou pela porta aberta que levava para a sala de comandos e parou quando o avistou.

—Senhor Wingler... — o chamou ríspido, da maneira como tinha aprendido.

—Ah, meu garoto. Fez boa viagem? O que achou? — perguntou o outro militar, virando a cadeira giratória de metal para o moço, animado.

—Foi satisfatório. — limitou-se a dizer e procurou palavras para fazer seu pedido. — Sabe aquela tamaraniana que capturamos... — começou, o que fez a expressão do outro mudar completamente para raiva.

—O que tem ela? — perguntou hostilmente.

—Para onde a vão levar?

—Para onde todos os escravos vão, as masmorras e depois... bom, você já sabe. — falou, se deliciando com a visão das torturas praticadas. — Por quê?

—É que...

—Ah, já entendi. — levantou a mão para fazê-lo parar de falar e deu um sorriso malvado. — Você a quer como escrava, não é isso? Não seja por isso. Nós temos muitos outros escravos, aquela criatura insignificante não fará diferença alguma.

O Major tentou disfarçar o olhar de repulsa o máximo que pode, mas pensou que não conseguiu ser tão convincente. A raiva brotou em suas mãos e teve que fechar os punhos, como alguém poderia falar isso de uma forma de vida tão adorável e doce como Kory? Já tinha ouvido histórias que o povo tamaraniano era um povo guerreiro que lutava pela liberdade, talvez os outros planetas do Universo sentissem inveja por causa disso e os quisessem prender. Não haveria outra explicação, pelo menos não a encontrou.

— Tenente-coronel, acabamos de pousar. — disse o co-piloto aparecendo na grande e fina tela led de cristal.

—Ótimo, ótimo. — fez um sinal para os soldados buscarem a Princesa e dentro de poucos minutos a trouxeram relutantemente. — Isso não são modos de uma princesa se comportar, não é? — perguntou, levantando-se da cadeira, indo em sua direção e a olhando seriamente, o que não a intimidou nem um pouco.

—Você vai pagar caro por isso! — ela disse com raiva e seus olhos ficando totalmente verdes, podia soltar uma starbolt naquele minuto.

—Muito ingrata por sinal também. Deveria nos agradecer por termos lhe dado esses poderes. — ele disse, dando-lhe um tapa na face com gosto.

Eitlar lhe segurou as mãos fortemente quando viu que outro tapa iria recair sobre o rosto da menina, Wingler virou-se para ele e surpreendeu-se com tamanha seriedade que este o estava o fitando.

—Não a machuque. — disse, elevando o tom de voz para que os soldados também o ouvissem em alto e bom som.

—O que está fazendo? — questionou o tenente-coronel estupefato de raiva.

—Ordens do General, ele não quer que a machuquem. — inventou uma desculpa qualquer, só queria ajudá-la.

O outro militar resolveu não questioná-lo, seu pai era General-de-Exército, ou seja, era quase o cargo mais alto do exército glodariano. Mexer com seu filho era arrumar uma briga feia, ou até uma forma de desaparecer misteriosamente, ninguém se atrevia a isso.

—Pois bem. —começou Wingler se recompondo e a mirando friamente. — Não pense que está liberta de mim, sua estadia na Cidadela será longa e terrível.

Um sub-oficial entrou na sala naquele instante, pediu as devidas licenças e comunicou que já era autorizada a saída deles e da prisioneira de guerra. Os soldados a algemaram com equipamentos impossibilitando que ela usasse seus poderes contra eles, apesar de tudo, a tamaraniana não se sentia confortável em voltar a aquele lugar. Só de lembrar-se das experiências... Não queria nem recordar sobre aquele terror que havia passado quando era um pouco menor.

A rampa de acesso a plataforma foi abaixada e vários glodarianos esperavam ansiosos lá fora para ver o que tinham trazido de novo. Alguns curiosos ficaram surpresos em ver a Princesa Koriand'r daquele jeito, um povo tão guerreiro como eram chamados. Para aquela raça, capturá-la era sinal de poder e superioridade.

Foram descendo até encontrarem o grande Coronel que havia mandado fazer uma busca na Terra inteira para achá-la e capturá-la assim que a encontrassem. Ele usava trajes finos do exército, sua cara era de poucos amigos e o olhar frio era sua característica principal, era aquele glodariano que estava falando com Weigler após o sucesso da missão pelo vídeo.

—Olha só, nossa convidada de honra chegou para alegrar nossa festa. — riu ao dizer isso e outros soldados o acompanharam. — Vejo que não mudou nada.

—Você que pensa. — falou com toda coragem que pretendia demonstrar no momento, não sendo o que realmente sentia por dentro.

—Atrevida. — falou mal com ódio e pensou em batê-la no rosto, mas mudou de ideia.

—Senhor Coronel. — começou Eitlar procurando o respeito em sua voz e dando um passo a frente.

—Eitlar, ótima captura não acha? — como todo os homens do exército, ele não era nenhuma exceção a regra de bajular e ser gentil com o Major.

—Se me dá a permissão, senhor, eu gostaria de levá-la para minha casa. — explicou tudo de uma vez para ser mais rápido.

—O que? Por quê?

—Eu a quero como minha escrava. — respondeu o jovem não perdendo a compostura de malvado.

—Não pensa que as masmorras seriam um lugar mais apropriado para ela? — seus olhos repousaram sobre a adolescente que sentiu um arrepio na espinha do jeito que ele a olhava.

—Na minha casa as coisas vão ser piores, acredite em mim. — disse de modo convincente.

O Coronel logo entendeu sua mensagem e deu uma risada bem barulhenta, Eitlar era exatamente como o pai, o que mudava era apenas seu corpo parecido com o deu um humano.

—Guardas, levem-na para a casa do Major. — deu ordens que rapidamente foram cumpridas pelos soldados de baixa patente.

O jovem mestiço sentiu-se extremamente aliviado de conseguir enganar o Coronel e salvar Kory de um destino horripilante e sem esperanças nas masmorras úmidas e sujas da Cidadela. Olhou-a nos olhos e não pode evitar sentir um certo medo da parte dela, não era pra menos, ele tinha interpretado muito bem. Agora era só ganhar sua confiança e mostrar que poderiam ser amigos, apesar de seus povos serem inimigos desde... Há muito tempo atrás, não era nem nascido.

Os quatro titãs perderam-se várias vezes para encontrar o planeta dos glodarianos e tiveram que muitas vezes parar para pedir informações. Às vezes os nativos não eram tão amigáveis quanto pareciam. Mas é claro, o Universo é um lugar muito grande, fácil de se perder e com muitos tipos diferentes de espécies.

Chegando à casa de Eitlar, casa? Estava mais para uma mansão bem luxuosa e decorada com bom estilo. Ordenou que a deixassem na sala e fossem embora depressa, ela ficou amedrontada quando ele aproximou-se dela. Será que tinha tido impressões erradas sobre ele? Ele foi tão gentil, será que era mentira?

—Não vou te fazer nada. — disse suavemente e pegou a chave das algemas no seu bolso do casaco vermelho que lhe cobria até os pés.

Chegou mais perto para poder lhe tirar aquelas amarras que estavam prendendo seus pulsos e seus poderes. Mirou-o e por um minuto lembrou-se do primeiro dia que havia pousado (ou caído) na Terra, Robin a havia ajudado a fazer isso e ela ainda o beijou para poder falar a língua dele. Corou com a recordação e o outro não deixou escapar.

—Eu sou tão irresistível assim pra corar em minha presença? — perguntou, o que a fez corar mais ainda, virou-se de costas para ele para esconder o embaraço.

—Você é bem convencido. — disse colocando a mão direita no pulso esquerdo, estava um pouco vermelho devido ao aperto.

Ele não recuou.

—Kory. — chamou-a com tanto carinho que ela não pode resistir ao chamado, fazia tanto tempo que não ouvia seu nome ser pronunciado de modo tão carinhoso e atencioso.

—Você mora sozinho? — quis perguntar para mudar o foco da conversa, sua curiosidade sempre tirava o melhor de si.

—Moro, desde que minha mãe morreu e meu pai tornou-se General. — disse, com um tom de tristeza na voz e nos olhos.

Starfire virou-se ao notar aquele tom melancólico.

—Eu não pretendo torná-la escrava. Pretendo levá-la de volta para onde quiser, se não desejar minha companhia. — ela o olhou com mistério, nenhum glodariano que conhecia havia proposto algo desse tipo.

—Eu não tenho para onde ir. — disse simplesmente ao lembrar-se da briga que teve com Robin alguns dias atrás.

—Então pode ficar aqui o quanto tempo quiser. — pegou-lhe as duas mãos pequenas e deu um grande sorriso.

Estava um pouco nervosa, mas retribuiu. Em pouco tempo o jovem estava chamando sua funcionária que trabalhava como governanta da casa, enquanto estava fora em missões para a Cidadela. A mulher não era glodariana também, parecia até uma tamaraniana, mas seu cabelo era diferente: azul. Seu nome era Nina e fez uma pequena reverência para a outra quando foram apresentadas.

—Não precisa de tanta formalidade. — disse a titã sorrindo.

—Minha mãe sempre me falou que as Princesas de Tamaran eram muito bonitas e agora vejo que ela tinha toda a razão. — disse com os olhos brilhando deixando Star um pouco sem jeito.

—Você também é bonita. É tamaraniana? — perguntou Kory.

—Sou sim, mas meu pai era de outro planeta, por isso tenho esse cabelo azul. — explicou, não deixando de sorrir.

—Entendi. — murmurou e já estava com o olhar perdido na grandeza da casa, até lembrava o palácio onde morava na sua terra natal.

Ficou com saudades de repente e lembrou-se do sonho que teve há algum tempo atrás, que não a deixava dormir de forma alguma. Ouviu seu nome real ser chamado por Nina que já estava nas escadas, a esperando para subirem.

—Aonde vamos? — questionou a titã, confusa.

—Eitlar me disse para levá-la para o melhor quarto da casa. — respondeu e continuou subindo para que a outra a seguisse também.

Starfire subiu uns três degraus e depois deu uma rápida olhada para o glodariano que rumava a seu escritório do lado do salão antes da escada. Ele sentiu, parou de andar e a olhou também. Os olhos dele demonstravam compaixão e amor. A ruiva o olhou sem nenhuma reação, mas seu coração estava agitado demais. Deu um grande sorriso e seguiu a governanta sem demoras. Eitlar ficou feliz por vê-la feliz e foi trabalhar no escritório com sua mente ainda pensando na mulher adolescente que roubou seus pensamentos sem a mínima intenção.

Foi levada até um quarto perto do principal, que era do Major. Surpreendeu-se com tanto luxo num lugar só: seu tamanho era respeitável, sua decoração do estilo da Terra. Nunca pensou que em outro planeta houvesse alguém que admirasse as coisas do planeta que tinha acabado de ser raptada. A cama era king e o edredom uma mistura de rosa com violeta, cheio de flores e babados. Ficou realmente deslumbrada ao ver tudo aquilo. Sua estadia na Cidadela seria muito melhor do que havia pensado, seria bem diferente de quando esteve lá pela primeira vez e ganhou seus poderes.

Nina deu uma pequena risadinha com o espanto da sua conterrânea, adentrou o recinto e abriu as cortinas de seda branca com desenhos de flores para mostrar a luz que vinha direto do Sol e tornava o quarto aconchegante e confortável.

—Entre. — disse a morena vendo se estava tudo em ordem.

—Puxa vida. — foi só isso que a Princesa conseguiu pronunciar antes de admirar cada canto de onde estava.

—Se está impressionada agora, espere para abrir o guarda-roupas. — Nina foi até a porta do armário e o abriu.

Viu a coisa mais linda do mundo, dentro do armário tinha um closet bem grande, com vários sapatos e diversos tipos de vestidos e roupas charmosas. E não acabava por ai, quando entrou para ver as peças mais de perto, havia várias jóias: anéis, colares, brincos, pulseiras, todas super delicadas e maravilhosas.

—Ele me pediu para arrumar tudo para vossa alteza, me mandoueu comprar os vestidos e tudo mais. — explicou e continuou mirando a garota que estava ao seu lado.

—Não precisa me chamar desse jeito, Nina. — reclamou a adolescente de um modo suave e calmo. — Pode me chamar de Star, se você quiser.

—Certo, Star. — a mestiça riu.

—Pode me responder uma pergunta?

—Claro. — olhou-a curiosa.

—Como ele fez tudo isso? Quero dizer, ele mandou comprar tudo isso, mas... — procurou especificar o que queria realmente perguntar. — Como ele podia ter tanta certeza que eu vinha pra cá?

A morena a olhou de um jeito extremamente encantador.

—Eitlar não sabia exatamente o porquê de estar indo para Terra, um planeta que ele sempre adorou e admirou. Quando ele a viu, mudou completamente. Ele nunca foi a uma missão de rapto de pessoas, sabe? Mas teve algo em você que o encantou demais. Me disse que iria te trazer pra cá de qualquer maneira e que surgiu um sentimento dentro de seu coração.

A essa altura Kory teve que sentar na cama macia, se não iria desmaiar bem ali mesmo. Ela tinha conseguido encantar alguém e ainda mais um inimigo? Era demais. Seu coração agitou-se novamente e teve que procurar a calma. Um sentimento nasceu dentro do glodariano? Será que era o que estava pensando?

Não muito longe dali, quatro amigos tinham conseguido pousar a espaçonave num lugar seguro, sem que nenhum guarda os visse ou os prendesse. O computador de bordo dizia que eles tinham chegado a seu destino final, mas como achar a pequena tamaraniana numa cidade tão grande e ameaçadora?

—Eu posso tentar senti-la. — afirmou Raven querendo ajudar a encontrar sua melhor amiga.

—Faça isso. — disse Robin, um pouco mais calmo, mas com um tom de voz agitado por estar tão perto e tão longe da pessoa que ama. — Depois que a acharmos, teremos que ter um plano para tirá-la daqui e levá-la conosco. — raciocinou o líder.

—Como vamos fazer isso? — questionou Mutano, dando um grande bocejo, estava super cansado.

—Teremos que nos infiltrar... — respondeu o menino prodígio, olhando os edifícios, não era muito diferente das grandes cidades da Terra.

Após algum tempo, nenhum sinal da presença da tamaraniana tinha sido sentido pela telepata, os meninos estavam esperando que ela conseguisse a encontrar e assim facilitar muito mais o trabalho que teriam que fazer. Estava quase desistindo da sua meditação quando algo muito mais forte acertou em cheio seu peito, caiu para trás e o verdinho já estava lá para socorrê-la.

—Raven, está bem? — perguntou ele, preocupado.

Ela colocou uma das mãos na cabeça e Mutano a levantou com os dois braços, certificou-se que a titã estava bem o suficiente para ficar em pé sozinha.

—O que houve? — o líder já tinha esperanças.

—Eu consegui a encontrar, mas... — começou dizendo, procurando palavras pra explicar o que a tinha a jogado com tanta violência. — Algo a está rondando e eu não gostei da presença. Temos que ir atrás dela, o mais rápido possível. — terminou, com pressa, como se quisesse ir buscar a amiga naquele exato instante.

Os outros titãs não tinham gostado nem um pouco do relato de Ravena, se essa coisa misteriosa estava rondando Starfire e ela sentiu que não era algo bom, então era melhor agir depressa, a vida da tamaraniana podia estar em jogo e em pouco tempo saberiam o porquê.


Hello people :D

Desculpem ter demorado tanto ._. É que eu tava em época de vestibular e ai já viu. Ainda bem que eu passei! Engenharia da Computação xD para aqueles que viram meus comentários em outras fics, eu falei que ia fazer Medicina, só que eu sempre gostei das duas áreas. E ai que eu passei em engenharia, ai vou fazer isso xD

Espero que tenham gostado desse capítulo, vocês acham que ficou muito pequeno? ._. Sugestões, críticas, etc, podem me comunicar :D

Kisses,

Bela