Nos dias que se seguiram eu evitei o Will de todas as formas possíveis, até mesmo da mesa da Corvinal eu passava longe. Eu sabia que se eu desse uma chance, mesmo que fosse ela fosse mínima, ele voltaria a pegar no meu pé e, então, eu não ia conseguir fazer mais nada sem que ele estivesse atrás de mim. Eu sabia que ia ser assim, eu o conhecia o suficiente para saber e a última coisa de que eu precisava era ter alguém me seguindo pela escola inteira, eu já quase não estava dando conta de todos os deveres que tinha para fazer, junto com os treinos de quadribol e as detenções que finalmente, graças a Merlin, tinham acabado.

Um dia eu estava saindo da aula de Poções com a Kay e o Al e percebi que tinha esquecido o meu livro na sala, falei para os dois irem na frente enquanto eu voltava para pegar o livro e depois eu os alcançaria. Entrei na sala, peguei o livro que estava em cima da mesa onde eu costumava me sentar e sai. Dei dois passos no corredor até que trombei em alguém que não tinha visto, pois estava guardando o livro na mochila.

– Descul... – Parei a palavra no meio quando vi quem era. Will estava na minha frente, parado como uma estátua. Ele tinha os cabelos negros e um pouco ondulados, que faziam contraste com a pele branca, os olhos eram verdes. Eu podia ver porque eu tinha namorado com ele, era um dos garotos mais atraentes da escola, mas isso até que você conhecesse sua personalidade.

– Rosie, você viu o meu bilhete, não?

– Vi.

– E então?

– Não Will.

Eu recomecei a andar, mas ele foi atrás de mim. Ah, não, isso ia ser difícil.

– Rosie, eu sei que eu fui um idiota ano passado e acabei com o nosso namoro, mas eu me arrependi. Você não sabe a falta que eu sinto de você, por favor, me dê outra chance.

– Will, eu sei que você não vai mudar, vamos parar de fingir que você vai. O que existia entre a gente acabou ano passado, e eu não vou voltar com você. – Eu havia parado de andar, falei isso olhando nos olhos dele.

– Eu estou falando sério, as coisas vão ser diferentes dessa vez.

– Ah, Will, por Merlin, me deixe em paz. – Não era possível explicar as coisas racionalmente para ele, ele nunca ia entender. Eu ia saindo de novo, quando ele me puxou pelo braço, eu tentei me soltar, mas era impossível, ele era muito mais forte do que eu.

– Mas Rosie, você tem que me ouvir, tem que me dar uma chance...

– Ta surdo, cara? – Era o Scorpius, que diabos ele estava fazendo? – Ela disse pra você deixar ela em paz, ou é muito difícil pra você entender isso?

– Isso não é assunto seu Malfoy. – Disse Will, mas ele começou a andar de novo e ir embora. Mas antes de subir as escadas ele ainda virou-se para mim e disse:

– Por acaso ele é o que, seu novo namorado Rose? – E finalmente foi embora.

Ele só podia estar brincando, insinuando que havia alguma coisa entre mim e o Scorpius, essa era a maior besteira que alguém já tinha dito em toda a história. Olhei para Scorpius, ele parecia atordoado pelo o que Will acabara de falar, mas quando viu que eu o estava encarando, seu rosto mudou para aquela cara de superioridade e nojo de sempre.

– Humpf, agora eu entendi porque o cara namorou com você Weasley, ele tem problemas mentais. – E saiu, rindo.

Ok, eu queria correr atrás dele e atirar alguma maldição contra ele, porém, eu estava muito ocupada pensando em o quanto estranho tudo isso tinha sido. Bom, a parte do Will não, mas toda a atitude do Scorpius tinha sido mais do que estranha, simplesmente não fazia sentido. Primeiro, ele havia me defendido do Will e à troco de quê eu não sabia, mas tinha que ter alguma razão que não fosse mero cavalheirismo, pois essa palavra não devia fazer parte do vocabulário de Scorpius Malfoy. Depois, ele tinha feito uma cara muito estranha quando Will falou sobre ele ser meu namorado, eu teria esperado a expressão de nojo que veio depois mas, na hora foi diferente, eu não conseguia identificar a expressão dele, parecia que ele havia mergulhado em uma reflexão muito profunda, bom, talvez ele só estivesse incomodado pela fala de Will, era mais plausível.

Eu estava tão imersa nesses pensamentos que não havia nem me preocupado em andar, eu ainda estava ali parada, no meio do corredor, não vendo nada do que acontecia em volta até que ouvi Al gritando comigo.

– Caramba Rose! O que você estava fazendo?

– A gente está te esperando há meia hora, e você disse que só ia pegar o livro. – Completou Katy.

Com essa gritaria, eu sai do meu transe e percebi que, pelas caras deles, meus amigos estavam bem irritados por eu ter feito eles esperarem tanto tempo.

– Desculpa gente, eu tinha ido só pegar o livro mesmo, mas o Will apareceu quando eu estava indo encontrar vocês.

– O Will? O que ele queria? – Disse Katy.

– Ela está querendo que eu vá ao baile com ele, mas isso não foi nada, vocês não tem idéia o Malfoy apareceu lá também.

– Nossa, como assim? – Eles perguntaram juntos.

Então eu contei tudo o que tinha acontecido, como o Scorpius tinha me defendido do Will e depois sobre aquela cara dela, eles concordaram comigo quanto à atitude dele ter sido muito estranha.

– E era nisso que eu estava pensando quando vocês me encontraram.

– Mas por que você acha que o Malfoy faria isso? – Perguntou Katy.

– Eu não sei Kay, não tenho a menor idéia.

Muitos dias se passaram sem que mais nada de estranho ou anormal acontecesse, eu ainda não sabia a razão para o comportamento estranho do Scorpius, mas também já deixara de me preocupar com isso. Will não estava mais me incomodando tanto, ele tinha tentado falar comigo mais duas vezes, mas eu tinha rejeitado todos os pedidos de desculpas dele e, finalmente, ele parou de vir atrás de mim, eu tinha reparado algumas vezes que ele olhava para Scorpius raivosamente toda vez que o via, mas, como não passou disso, eu resolvi não me preocupar, além do que, eu tinha coisas mais urgentes para serem o alvo da minha preocupação.

O baile do Dia das Bruxas estava cada vez mais perto e eu ainda não tinha um par e não sabia o que ia fazer para arranjar um, bom, eu precisava falar com a Katy, talvez ela pudesse me ajudar e me dar alguma esperança. Ela também era motivo de outro problema meu, na verdade, não era meu, mas ela tinha feito com que fosse. Katy queria que eu fizesse com que James a convidasse para o baile e eu tinha prometido fazer o que pudesse, agora ela estava me cobrando isso, eu falei para ter mais calma, eu não podia simplesmente chegar e dizer: James, vá ao baile com a Katy.

Um dia eu cheguei bastante cedo para o almoço, Al e Katy ainda não haviam aparecido e James estava falando com um garoto da Lufa-Lufa, mas, um pouco depois que eu cheguei, ele veio sentar comigo.

– E aí, Rosie.

– Oi James, tudo certo?

– Aham, sempre.

– Ei, já tem um par para o baile? – Nossa, como eu conseguia ser uma pessoa espontânea, nem ia ficar na cara que eu estava perguntando isso por causa da Katy.

– Bom, ainda não, estou trabalhando nisso.

– Nossa, conhecendo você eu esperava que você já tivesse no mínimo uns três pares. – Eu estava brincando, mas realmente isso não me surpreenderia, seria a cara do James. Ele riu com o meu comentário.

– Não, dessa vez eu estou focado em uma pessoa só.

– Olha só, meu priminho está tomando jeito!

Ele ficou quieto por um tempo, parecendo estar prestando muita atenção ao seu almoço, depois, virou-se para mim novamente e falou:

– É... Rosie, você sabe se a Katy já tem um par?

Que ótimo, no final das contas eu não ia ter tanto trabalho bancando o cupido como eu tinha achado que ia ter.

– Então é ela! Bom, pelo o que eu sei, ela ainda não tem par, mas você devia chamá-la logo.

– Ah, que bom. Valeu Rosie! – E ele se levantou e saiu.

Eu não vi a Katy no almoço, mas quando eu a encontrei na aula de Poções, ela estava dando pulinhos enquanto contava para mim e para Al que o James a tinha convidado para ir ao baile com ele. Bom, pelo menos ela não tinha mais problemas.

Dois dias depois, eu, Roxanne, Fred e James estávamos indo tomar café da manhã, logo antes da entrada do Salão estava a gangue da Sonserina e, no momento em que íamos passar por eles eu ouvi o Johnson dizer para Scorpius:

– Olha lá, bando de traidores do sangue se aproximando. – Scorpius riu com o comentário.

– Vão se ferrar, todos vocês! – Eu disse. Tudo bem, eu podia ser um pouco pavio-curto, mas não dava para agüentar eles falando assim, principalmente se eles faziam isso há seis anos. – Vocês não passam de um bando de idiotas sem inteligência suficiente para fazer outra coisa senão insultar as pessoas.

– Falou a senhorita sabe-tudo. Olá, eu sou um livro ambulante! – Scorpius disse a última frase com uma imitação de uma voz feminina tão péssima que seria cômico se eu não estivesse com tanta raiva dele.

– Prefiro ser um livro ambulante do que não ter cérebro!.

– Ah, não, vocês estão brigando de novo? – Hugo acabara de parar na nossa frente e agora me olhava com cara de tédio.

– Cala a boca Hugo. – Eu disse.

– Sério, vocês são iguaizinhos, aposto que se parassem de brigar feito idiotas iriam perceber isso e iam parar de ter problemas por causa das brigas de vocês.

– Até parece!

– Eu nunca teria nada de parecido com a sua irmãzinha, Weasley.

– Ah, é? Então eu tenho uma aposta pra vocês – Ah, não o que meu irmão estava aprontando? – Vocês dois vão ao baile juntos e aí, a gente vê quem está certo: eu ou vocês.

Hugo poderia ter acabado de me estuporar, pois o efeito seria o mesmo, eu não tive reação porque não podia acreditar no que ele estava dizendo, eu esperava que eu estivesse sonhando, assim isso seria apenas um pesadelo e dos péssimos. Percebi que Johnson e Montgomery estavam rindo.

– Isso ia ser engraçado, Scorpius e a Weasley! Essa eu queria ver. – Disse Johnson.

– Aposto cinco galeões que eles vão. – Disse Montgomery

– Ah, também vou entrar nessa aposta aí. – Agora eu realmente não podia acreditar. Até o Fred?

– Fred!

– O que foi priminha? Ia ser engraçado mesmo. E aí, vai aceitar? Ou não tem coragem de agüentar o Malfoyzinho? – Ele parou e ficou me encarando, como se estivesse me provocando. Mas ninguém provoca Rose Weasley.

– Ok. – Eu disse rispidamente e olhei para Scorpius.

– Tudo bem. Está combinado então. – Ele disse, com a cara fechada, e saiu, indo para a mesa da Sonserina. Hugo também havia ido embora, porém na direção oposta, indo para a mesa da Grifinória. Eu sai atrás de Hugo, ah, eu ia matar o meu irmão por isso.