4) Dias conturbados
Mais uma vez, ao acordar, desejou que a noite tivesse sido mais longa. Levantou sem vontade, e seguiu para o banheiro. Só de imaginar outro dia de trabalho ao lado de Harry, sentia-se exausta. Mirou seu reflexo no espelho, e deu um sorriso triste. Como aquela amizade de tantos anos pôde se perder assim? Respirou fundo, enquanto tentava se controlar, e evitar que as lágrimas rolassem sobre sua face. Nunca entenderia o porquê de tanto ressentimento... Harry sempre fora tão gentil e compreensivo... "As pessoas mudam...", pensou.
- Só queria saber por que uma mudança tão repentina – disse baixinho, ao fechar os olhos.
O quarto estava completamente na penumbra quando Hermione entrou. Podia distinguir um corpo encolhido sobre a cama, no meio das sombras. Mordeu o lábio inferior, num gesto de incerteza. Talvez ele desejasse ficar sozinho naquele momento. Todavia, não queria voltar atrás. Abriu mais a porta e esta rangeu, chamando a atenção do garoto. - Vá embora, Gina – ele disse.- Eu... Eu não posso, Harry – ele levantou a cabeça ao reconhecer a voz. Não era Gina.- Mione, por favor, me deixe sozinho – Harry pediu, mas a morena já caminhava até ele. - Imagino... Como deve estar se sentindo – Harry não a encarava, nem mesmo quando ela sentou ao seu lado – Também perdi um grande amigo, Harry.- Você não foi a responsável pela morte dele.- Muito menos você – Harry a encarou.- Hagrid fez o que achou certo – ela disse – Sentir-se culpado não o deixaria feliz.- Ele está morto, Hermione! - Ele deu a vida dele para te salvar, como todos aqueles que te amam fariam – ele finalmente a encarou – Daria a minha por você, Harry.- Mas eu não quero que morram por minha causa... Eu só queria... Poder ter todos aqueles que amo sempre comigo – ela podia ver que ele estava no limite. Primeiro foi a morte de Lupin, e agora, apenas duas semanas depois, Hagrid também morrera. - Lembra-se do que Sirius disse uma vez? – Harry a olhou bem nos olhos. Algumas lágrimas molhavam a face dela – Você sempre terá aqueles que ama no coração, Harry. - Ah, Mione – sem poder mais se controlar, ele chorou, enquanto ela o envolvia num abraço – Eu não queria que fosse assim...- Eu sei que não. Todos sabem – ela o abraçou com força. - Obrigado por estar comigo – sussurrou no ouvido dela, fazendo-a sorrir. - Está tudo bem, Harry.- Acabei brigando com a Gina... - Ela me contou – Hermione se afastou um pouco dele – Você quer que eu a chame agora?- Não. Agora não – ela apenas confirmou com a cabeça. Ele a abraçou novamente...
Com a mesma velocidade que aquela lembrança veio, ela se foi. O passado nada valia, se no presente Harry não a tratava daquela maneira. Limpou o rosto, não conseguiu segurar as lágrimas. E antes que as lembranças mais tristes viessem, tentou pensar em outras coisas... Tomou um banho rápido, esforçando-se para esquecer o passado. Não demorou a se arrumar; rumando em seguida para a cozinha, a fim de tomar um rápido café da manhã. Em alguns minutos, já estava no elevador.
- Mi! – ao ser aberta a porta, Sara entrou no elevador.
- Bom dia, querida – Hermione abraçou a menina.
- Já está indo para o trabalho? – ela perguntou.
- Sim, e você? Indo para a escola?
- Estou sim – a garota sorriu.
- E seus pais... Não te levam? – perguntou Hermione – Você vai sozinha?
- Geralmente papai sempre me leva, mas hoje ele precisou ir mais cedo para o trabalho – Sara explicou – Minha mãe deveria me levar, mas ela está ocupada demais...
- Não deveria ir sozinha.
- Falou igual ao meu pai... Mas eu já sou uma mocinha – ambas saíram do elevador.
- Londres é uma cidade muito perigosa para uma garotinha de... Quantos anos você tem?
- Nove! Quase dez – Sara disse.
- É muito novinha para estar saindo sozinha – Hermione a olhou preocupada. Pelo visto, a mãe dela não lhe dava muita atenção.
- Ah, Mi... Por favor, não conta para o papai não – ela pediu – Se ele descobre que estou indo sozinha vai ficar uma fera com a mamãe...
- A que horas você costuma ir para a escola?
- Esse horário, um pouco antes das oito – Sara olhou para o relógio no pulso.
- Então você vai me prometer uma coisa...
- O quê?
- Toda vez que seu pai não puder lhe levar, não vá sozinha para a escola – Hermione pediu – Saio para o trabalho nesse horário, então... Eu posso te levar, o que acha?
- Sério? Não estaria incomodando?
- De modo algum – a mulher sorriu – Você promete para mim?
- Prometo! Toda vez que o papai não puder me levar; eu irei com você! – Sara parecia extremamente animada.
- Isso mesmo – Hermione sorriu – Basta ir ao meu apartamento, certo?
- OK.
- Onde fica sua escola? – Hermione perguntou.
- Naquela direção – já do lado de fora do prédio, Sara indicou para aonde deveriam seguir.
- Vamos, então – a mulher estendeu a mão, a qual foi aceita por Sara. Hermione sabia que Sara já era grandinha, mas a garota não pareceu constrangida por andar de mãos dadas a um adulto.
Mirou a garotinha ao seu lado, tinha um largo sorriso nos lábios. Na opinião de Hermione, ela parecia ser carente de carinho, carinho materno... Ela nunca fora mãe, mas estava quase certa de que a mãe de Sara não deveria ser das melhores. Como uma garotinha tão amável poderia ser tão desprezada pela mãe? Conhecia Sara há poucos dias, mas já sentia um grande afeto pela pequena. Sorriu, enquanto atravessavam uma rua. Realmente a escola não ficava muito longe do apartamento, mas era um caminho bastante movimentado e perigoso para uma menina de nove anos.
- Chegamos – Sara falou – Obrigada por me trazer, Mi.
- Não precisa agradecer, querida – Hermione sorriu – E não esqueça do que prometeu.
- Não vou esquecer!
- Tenha um bom dia.
- Você também, Mi – Sara beijou a face de Hermione – Tchau!
- Tchau! – despediram-se, e Hermione ficou a ver Sara correr até a porta da escola, onde encontra uma amiga. Sorriu, quando a viu virar-se e acenar para ela.
Olhou o relógio, eram oito e dez da manhã. Resolveu se apressar para não chegar ainda mais atrasada no trabalho. Caminhou até um lugar discreto e desaparatou. Surgiu no mesmo lugar de sempre, e seguiu para o Ministério de Magia. Torcia mentalmente para não encontrar Harry, mas ao abrir o elevador, o viu com uns pergaminhos em mãos, quase entrando na sessão dele. Ao ver Hermione se aproximar, ficou parado, como se a esperasse.
- Bom dia – disse Hermione formalmente.
- Todos os funcionários deveriam chegar às oito horas, Granger – ele disse ironicamente. Hermione parou, com a mão na maçaneta da porta. Respirou fundo e se virou.
- Eu já fui informada sobre isso, Potter – respondeu com um sorriso forçado.
- Mas pelo visto não se importou muito – Harry a olhou bem nos olhos – O que aconteceu com a senhorita perfeição?
- Não é da sua conta.
- Nossa... Acordou de mau humor ou é só seu charme matinal? – Hermione bufou de raiva.
- Oh... Bom dia, Hermione – ambos olharam surpresos para a nova pessoa que chegara. Era Mark.
- Bom dia, Mark – a mulher sorriu.
- Bom dia pra você também Mark! – Harry resmungou incomodado. Mark olhava apenas para Hermione, como se ele não estivesse ali.
- Ah, olá, Harry... – cumprimentou casualmente, como se só tivesse se dado conta da presença de Harry naquele momento.
- Hermione, eu já preparei aqueles relatórios que me pediu – Mark disse.
- Obrigada. Estão com você? – Hermione questionou.
- Quais relatórios? – Harry perguntou confuso.
- Sim, estão. Quer que eu pegue? – Mark fingiu que não ouviu. A cara de raiva que Harry estava fazendo fez Hermione ter vontade de sorrir, mas ela se controlou.
- Eu agradeceria muito – ela sorriu amigavelmente para o homem.
- Pego agora mesmo.
- De que estão falando! – Harry segurou o braço de Mark e o impediu de seguir para o Departamento de Aurores.
- Uns relatórios que a Hermione me pediu sobre os últimos acontecimentos envolvendo esse provável novo bruxo das trevas... – Mark respondeu displicentemente, enquanto soltava-se e seguia seu caminho.
- Se queria relatórios, deveria pedir a mim, que sou o chefe do departamento – Harry olhou com raiva para Hermione.
- E você me escutaria? Você conversaria civilizadamente comigo? – Harry não respondeu – Por que tudo que tem feito desde que cheguei aqui é me agredir!
- Não esperava ser recebida com festa, esperava? – nesse momento, Mark voltou com os relatórios.
- Aqui estão, Hermione – entregou os pergaminhos à mulher.
- Realmente, agradeço muito – ela falou olhando apenas para Mark – Farei o máximo possível para ler todos hoje mesmo. Amanhã, provavelmente, estarei inteiramente a par de toda a situação.
- Sempre que precisar... – Harry já estava começando a ficar furioso. Quem aquele homem pensava que era para falar daquele jeito com Hermione, como se fossem velhos conhecidos?
- Preciso ir agora, conversamos mais tarde, está bem? – Hermione falou.
- Claro. Também preciso me apressar, com licença – e saiu em direção ao elevador.
- Algum problema, Potter? – perguntou Hermione antes de abrir a porta. Harry a segurou pelo braço.
- Ele não presta – disse, sem nem saber exatamente por que.
- Como?
- Já namorou metade das mulheres desse Ministério.
- Eu sei me cuidar, Har... Potter – por um momento, ela sentiu como se fossem os velhos tempos. Como se Harry estivesse preocupado com ela.
- Eu não me importo com você... – ele ficou realmente furioso, mas provavelmente era consigo mesmo por deixar-se se preocupar com Hermione. Ela não merecia. Largou-a e entrou em seu departamento; batendo a porta em seguida. Hermione sorriu um pouco.
Caminhou até sua mesa, com os pergaminhos em mãos. "Ele não presta"... Lembrou. Já tinha percebido que Mark não parecia muito de confiança, notava o jeito como a olhava. Hermione era uma mulher madura, e conhecia o tipo de Mark. Ele não precisava tê-la alertado. Contudo, permitia-se ficar um pouco feliz. Talvez Harry não a odiasse tanto quanto imaginava...
Sua felicidade durou realmente muito pouco, pois no mesmo dia, ao encontrar-se com Harry acabaram discutindo. Ele parecia ter sua raiva duplicada, e Hermione imaginou que a razão havia sido o pequeno "aviso" que Harry lhe dera no início da manhã. Provavelmente, o moreno não se perdoara por ter "fraquejado" naquele momento.
- Graças a Merlim, estou indo pra casa – Hermione comemorou sozinha enquanto deixava a sala em que trabalhava. Trazia os pergaminhos feitos por Mark nas mãos.
- Hermione... – era Mark – Maravilha encontrá-la neste exato momento.
- Está indo embora? – ela perguntou.
- Sim, agora mesmo – Mark e Hermione caminharam até o elevador – E então, Hermione... – naquele momento, o elevador abriu.
Hermione soltou um muxoxo baixo ao ver que Harry estava lá dentro. Ele pareceu, igualmente chateado. Mark e Hermione entraram no elevador.
- Será que... Gostaria de jantar comigo essa noite? – Mark perguntou, deixando Hermione surpresa. Harry se mexeu inquieto.
- Eu não posso – Hermione disse.
- Não pode? Por que não?
- Desculpe-me, Mark, mas preciso ler os pergaminhos – ele lembrou dos relatórios.
- Você pode ler quando chegar... – insistiu. Harry sentiu aquela vontade de intervir, mas se conteve.
- Infelizmente, não dá mesmo – Hermione o encarou. Naquele momento, o elevador parou – Quem sabe outro dia...
- Está bem – Mark soltou contrariado.
- Até amanhã – Hermione apressou o passo, deixando os dois homens para trás.
Os outros dias da semana passaram sempre com os mesmo acontecimentos... Toda vez que se encontravam, era discussão na certa entre Harry e Hermione. E Mark ainda insistia em sair com a mulher, mas toda vez ela recusava. Então, o fim de semana finalmente chegou, para a alegria de Hermione. Passou o sábado em casa, revendo relatórios, e tentando encontrar pistas do novo bruxo maléfico. À noite, teve a visita de Sara. Haviam marcado o horário do almoço no dia seguinte.
O domingo amanheceu claro, e ensolarado. Hermione levantou cedo e aproveitou para ajeitar umas coisas de casa. No meio da manhã, seguiu para o banheiro e tomou um banho bem demorado. Escolheu a roupa daquele dia com cuidado. Estava louca para conhecer a familia de Sara, principalmente o pai dela que parecia ser tão bom. Sorriu enquanto passava um leve batom nos lábios. Estava pronta, usava um vestido alaranjado um pouco acima dos joelhos. Era de tecido leve, apropriado para a estação em que estavam.
Caminhou até a porta, em seguida, deixou o apartamento. Chegando ao andar do apartamento de Sara, respirou fundo. Não podia negar que estava um pouco nervosa. Sorriu de si mesma, era apenas... Um almoço. Parou em frente à porta, e tocou a campainha. Ouviu passos vindo, e mordeu o lábio inferior.
- Mi! – Sara a recebeu, parecia estar muito contente – Que bom que chegou! Papai! Papai... A Mi chegou!
- Finalmente conhecerei a famosa Mi – disse uma voz extremamente familiar, que fez Hermione arregalar os olhos. Quando a porta foi aberta completamente, deu de cara com o dono da voz.
- Mi, este é o meu pai... Harry Potter – Sara apresentou com um largo sorriso. Harry e Hermione encararam-se completamente atônitos...
N/A:D Helloooo... Olha eu aqui novamente... Mais um cap novo pra vcs... Espero que gostem... Sei que não está... Muito interessante, mas... Acho que o próximo será melhor! D Sorry, se não coloquei o almoço nesse cap, mas é que... Eu queria um cap exclusivo p ele, e tinha que falar com foi a semana e talz... :D
