Natalie entrou e viu Luise deitada em uma cama de casal. O quarto não havia mudado em nada, era o mesmo de sempre com sua decoração elegante em dourado, mas nada exagerado. A lareira acessa na frente da grande cama que dava um ar quente ao ambiente, tudo parecia estranhamente familiar.

- Querida! Você veio... – Luise falou e apesar de sua aparência extremamente cansada, Natalie percebeu a animação em sua voz, por mais que essa saísse como um sussurro

- É claro que eu vim. Assim que eu recebi sua carta não pensei duas vezes. – Natalie falou, se sentando na cama pegando a mão de Luise, que estava fria. Seu coração ficando pequeno quando viu a situação da mulher, estava branca e magra demais, sua pele fria e ressecada. – Desculpe por eu não estar aqui esse tempo todo. Isso é... Imperdoável, inadmissí...

- Não fale isso querida. – A mulher falou sincera para a menina. – Você está aqui agora, isso que importa e eu fico eternamente agradecida por isso.

- Eu deveria estar aqui, com você. – A menina falou sentindo seus olhos marejarem. – Você já perdeu Matthew... Eu deveria estar aqui.

- Natalie Potter, você estava onde você deveria estar. Pare de se martirizar no sentimento de culpa. – Luise falou com dificuldade, porém dura e Natalie assentiu, sentindo-se ainda mais estranha. A muito tempo ninguém a chamava pelo sobrenome "Potter". – Sei que estava bem acompanhada. Me conte sobre o... Como ele chama mesmo?

- Shannon. – Natalie sorriu. – Shannon Leto.

E então Natalie contou sobre como estava sua vida no-maji em LA. Sobre seus trabalhos como modelo, o que Luise achou um pouco estranho. Pelas suas palavras "Seu trabalho é ser bonita então". Natalie riu. Contou de sua história com Shannon e como eles se davam bem, como apesar de problemáticos e rebeldes, eles se entendiam e se completavam. Uma hora ou outra a mulher tinha crises de tosse, ou sua voz falhava ou simplesmente não saía. Aquilo quebrava o coração de Natalie de todas as formas possíveis. Ela estava mesmo morrendo e não havia nada que Natalie podia fazer.

- Queria poder conhecer ele. – Luise falou. Mas ela sabia que não podia, e que sua vida estava a um fio. Natalie ia responder quando Luise começou a ter uma crise de tosse.

- Luise? Meu deus Luise... – Natalie se desesperou quando viu sangue na cama.

- Filha... Calma Natalie. – Luise falou com a voz fraca pegando um papel que estava ao lado da cama limpando sua boca. – Preciso que escute o que eu tenho para falar.

- Luise, você precisa descansar. Descanse e falaremos mais amanhã ok? – Natalie falou preocupada.

- Não Natalie, tem que ser hoje, agora. – Ela falou pegando o braço de Natalie. – Provavelmente não vou estar aqui amanhã.

- Pare de falar isso! – Natalie falou irritada.

- É a verdade e agora me escute. – Luise falou ficando cada vez mais fraca e sem força na fala. – Você... precisa voltar para Inglaterra. Precisa, entendeu?

- O que? Não... Luise você sabe que eu...

- Você tem medo, sempre teve medo de enfrentar quem você realmente é, mas agora Nate, você PRECISA voltar para lá. – Ela falou firme, buscando o máximo de forças. As palavras foram como tapas na cara de Natalie. Era difícil admitir que ela sempre tivera medo de voltar para o Reino Unido. Queria rebater, falar que ela era o que era independente de seu sobrenome, mas não havia tempo para aquilo.

- Por que Luise? – Natalie estava se assustando, mas também estava com medo. Não queria pressionar Luise, mas precisava saber o porquê de tudo aquilo.

- Na carta que eu te mandei... estava escrito que precisava falar algo referente a seu passado certo? - Natalie assentiu. – Então, Natalie, ouça bem... você e Harry são irmãos...

- Eu sei disso Luise, eu não estou entendendo. – Natalie falou desesperada. Toda essa situação estava muito complicada. Odiava falar de seu passado e odiava ver Luise no leito de morte. Aquilo estava sendo um pesadelo.

- Ouça Natalie! Você e Harry são irmãos... por parte de mãe. – Luise se esforçou para falar e Natalie arregalou os olhos. Demorou alguns segundos, talvez minutos para digerir as palavras enquanto a mulher tinha outro ataque de tosse.

- Por parte de mãe... isso quer dizer que... James não é meu pai? – Natalie enfim perguntou e Luise afirmou com a cabeça. Natalie sentiu como se tivesse levado um soco na boca do estomago. Nada daquilo fazia sentido. Ela era uma Evans Potter, não é? Sempre fora. Mas... Então o que Luisa queria dizer com aquilo? Será que o sobrenome que teve resistência em admitir que tinha... não era dela? Não, aquilo não era possível. Seus pais biológicos sempre foram Lily e James.

- James Potter não é seu pai biológico, Natalie. – Luise falou resistindo ao máximo, mas já estava fraca demais. Só mais uma coisa e depois poderia ir em paz, ela teria que aguentar.

- Ok... Ta... eu não sou uma Potter. Eu sou o que então? – Natalie falou, fechando os olhos, quase para si mesma do que pra Luise. Nada daquilo fazia sentido, porra! – Quem é meu pai, Luise? – Natalie enfim abriu os olhos quando Luise teve outra crise de tosse, dessa vez pior.

"Ta bom ok, ok." – Falou desesperada. Estava com medo de estar provocando muito estresse a mulher doente, que sempre fora sua mãe durante todos esses anos. De todas as coisas do mundo, Natalie nunca teria imaginado isso acontecendo em sua vida. Respirou fundo algumas vezes tentando a muito custo manter a calma. Mas a calma naquele momento era difícil... Quase impossível. – Podemos conversar disso mais tarde, descansa e eu volto depois e você esclarece tudo, me conta tudo. Não quero que você piore por minha causa.

- Não... Natalie... ouça-me, eu não estou assim por sua causa. Eu estou morrendo, e você precisa saber... - Era obvio que a mulher estava morrendo. Aquele era seus últimos minutos. Seus olhos perderam o brilho e ficaram desfocados. – "A escuridão e as trevas do mundo bruxo só irão ser combatidas por completo com a ajuda da menina cujo sangue está vinculado ao menino-que-sobreviveu, cuja mãe se sacrificou protegendo seu filho, e o pai é aquele..." – A voz que saia dos pulmões de Luise parecia não ser dela. Quando ela começou a falar Natalie entrou em choque, assim como quando ela desacordou no meio da frase.

- Não... Luise, não vá por favor... não agora. – Natalie chorava em desespero em cima do corpo frio da mulher. Aquilo que ela havia falado claramente era uma profecia, e com o resto daquela profecia ela poderia saber quem era seu verdadeiro pai. Mas queria a mulher de volta não só por isso, ela tinha sido sua mãe, maldição!

- Natalie... vá... para... Londres. – Ela falou em um sussurro em seu ouvido, sentiu as mãos da mulher pegarem a suas, mas em questão de segundos a soltaram, e dessa vez não tinha mais volta.

- Não, não, não, por favor, não. – Natalie agora estava realmente desesperada. Luise estava morta agora e ela simplesmente não sabia o que fazer.

O mundo naquele momento parecia que estava engolindo Natalie, nunca antes em sua história havia se sentido tão sozinha e tão perdida. Se sentia angustiada, e pequena... pequena diante de tudo o que estava acontecendo. Ela se sentia vazia, sentia que não sabia mais quem ela realmente era. Todas as informações giravam em sua cabeça e ela encontrava alguma forma de tentar entender tudo.

"Luise esta morta", pensou. "James Potter não é meu pai. Existe uma profecia que diz respeito a mim. Eu preciso voltar para Inglaterra."

Sem saber o que fazer ou pensar, apertou a mão da falecida mulher e chorou. Chorou durante minutos, ou talvez horas.