Diário de Viagem de Marlene McKinnon

Tenho que me internar urgentemente!

É uma pena eu ter que ir embora logo depois do casamento, se ele acontecer, na verdade. Quer dizer, não que eu vá ficar triste de me despedir para sempre de ALGUMAS pessoas que revi aqui. Mas acho que vou ficar com saudades de Londres. A parte boa é que vou escolher o meu vestido de madrinha hoje, um Carolina Herrera, Dorcas ela mesma escolheu a grife, disse que os vestidos dela "são os mais elegantes do mundo", segundo suas palavras.

Espero nenhum encontro repentino com vocês - sabem - quem, ele já me deixou três mensagens no celular, querendo me encontrar pois tinha planos e queria falar cara a cara comigo. Isso não vai dar em coisa boa.

De: Sirius Black

Para: Marlene McKinnon

Assunto: Você tem problemas?

Se a Srta. Tem tanto medo de mim, o problema é seu, já te mandei três e-mails e claro, você não respondeu a nenhum! Sem problemas, vamos resolver isso mais rápido do que você pensa.

Palmtop de Sirius Black

Música de hoje: Dance with the Devil - Breaking Bejamim.

Marlene deve ter achado que eu estava a seguindo, na verdade, eu estava mesmo. Perguntei mais cedo a Dorcas para onde elas iam e aqui estou eu, tomando café e fazendo planos mirabolantes com Marlene McKinnon. Claro que ela não ficou nenhum pouco feliz quando eu apareci na Carolina Herrera, fingindo um encontro não planejado, Dorcas logo estava em uma conversa animada com a atendente e eu fui obrigado a puxar Marlene para fora da loja para ela me escutar, por que, sinceramente, essa garota parece ter repulsa a mim.

-Bom, seja lá o que você esteja tentando fazer, pode esquecer. Estou ficando nervosa. Eu gostava mais quando você me odiava.

Seus olhos cinzas se moveram rapidamente, não dando chances a um contato visual direto.

-Eu nunca odiei você...

Falei sutilmente.

-Mesmo? As palavras "louca", "excêntrica" e "psicopata", não te lembram nada não?

-O quê? Nem posso brincar com você?

Falei fingindo indignação, sabia que ela estava apenas enrolando para começar a falar sério comigo.

-Não era brincadeira. Você RIA da minha cara.

-E você por acaso não fez isso inúmeras vezes no colegial?

Posso me lembrar muito bem do quanto ela me ofendia, quer dizer, ela mais gritava idiotices do que me xingava, mas tudo bem.

-Não, não na sua frente.

Mentirosa.

-Ótima diferença.

Marlene revirou os olhos e finalmente, olhando para mim sussurrou palavras quase inalditiveis.

-Se quer tanto trocar palavras comigo, poderia pelo menos me convidar para tomar um café?

Não pude evitar sorrir, um leve sarcasmo veio a tona, ora, ora, parece que a Srta. McKinnon pode ficar comigo em um ambiente fechado...E com mais umas vinte pessoas. Incrível.

-Pensei que se eu convidasse você não aceitaria.

-Não, não aceitaria, mas como sou eu que estou chamando...Não vejo nenhum problema.

Se eu já vi uma pessoa mais complicada do que essa mulher eu só podia estar ficando louco, apesar que teve a Lindsay, aquela modelo loira e alta... Com exceção de modelos e atrizes, nunca, eu nunca vi.

-Tudo bem então.

Fomos até um café perto do ateliê, Marlene não conseguia parar de olhar para os lados, não pude saber se era apenas para não ser seguida ou se ela não queria ser vista comigo. Provavelmente a segunda opção.

-Não acredito que concordei em fazer isso.

Ela disse com raiva, sentando na mesa rapidamente, seu olhar era de total desespero para cima de mim.

-Olhe, eu já falei, só quero o melhor para os dois e com certeza, eles ficarem juntos não é a melhor opção.

Disse me sentando a mesa também, pedimos dois expressos duplos e Marlene suspirou.

-Eu já entendi essa parte, a minha pergunta é: por que eu tenho que fazer isso? Não quero ser presa ou alguma coisa do tipo.

-Não é como se fossemos fazer loucuras, McKinnon.

Marlene riu, agora o som que saia de sua boca era de total indignação, pude notar quando ela levantou as sobrancelhas e balançou a cabeça, fazendo suas ondas escuras balançarem.

-Já é bastante insuportável ficar no mesmo ambiente que você, você poderia pelo menos ser realista? Como vamos fazer isso?

-Com um leve empurãolsinho...

Marlene revirou os olhos, não posso negar o quanto sensual ela fica quando faz esse movimento com os olhos, acho realmente que estou precisando comer alguma coisa...

-Pare de prolongar, qual é o seu plano?

Ela se aproximou mais de mim, apoiando o rosto nas mãos e colocando o cotovelo na mesa, o garçom logo trouxe nossos dois cafés, que foram totalmente ignorados.

-Bom, para inicio de conversa, queria começar arruinando a despedida de solteiro... Da Dorcas claro.

O sorrisinho irônico passou pelos lábios vermelhos de Marlene, uma de suas sobrancelhas também havia se levantado.

-Por que todo o trabalho que você teve na despedida do James não pode ser desperdiçado, não é?

Tentei sorrir, mas sabendo que poderia levar um tapa na cara a qualquer momento, apenas, por impulso, coloquei minha mão sobre a dela.

-Tenho certeza que você não iria se importar.

Grande erro.

-De novo não.

Disse Marlene com um tom não tão agradável olhando para nossas mãos uma sobre a outra em cima da mesa.

-Do que você está falando?

Olhei para ela.

-Nada, é que você é uma criatura insistente.

Tirei minha mão suavemente de cima da dela, Marlene suspirou e tomou seu café, em silêncio. Tentei de alguma forma um dialogo, mas quando ia disser mais alguma palavra a figura loira de Dorcas Meadowes apareceu no café sorridente, ela se esticou para me dar um beijo na minha bochecha quando se aproximou de nos dois.

-Ai estão vocês! Lene, achei um vestido lindo para você, perfeito!

Ela disse entusiasmada e Marlene se levantou sem olhar para mim e tratou de seguir Dorcas enquanto ela falava de cada detalhe do vestido, segurei o braço dela a impedindo se prosseguir.

-Não se esqueça do que nos conversamos.

Marlene estava chateada, de alguma forma, não tinha a mínima idéia do por quê.

-Não vou esquecer.

Agora me vejo aqui pensando, ou eu bati com a cabeça em algum lugar ou eu estou realmente começando a... gostar da Marlene. Não, eu bati com minha cabeça em algum lugar, gostar da McKinnon? Aquela louca destrambelhada? Impossível.

Diário de Viagem de Marlene McKinnon.

Estou quase chorando!

O que ele acha que é? Ele precisava fazer isso? Precisava fingir que pelo menos... Tem afeto por mim? Não, ele não precisava! Eu não preciso do afeto de ninguém e ele sabe disso, então, de onde ele foi tirar a maldita idéia de colocar a mão sobre a minha como se fossemos velhos amigos? Eu odeio Sirius Black, odeio, e amo odiá-lo. É uma ótima sensação, que eu não sentia a um bom tempo, na França eu não posso começar a odiar alguém sem motivos, na verdade não se pode fazer isso em simplesmente nenhum lugar.

Ok, já terminei. Precisava libertar minha raiva de algum jeito não é? E com certeza não iria ser batendo na parede, não mesmo.

Diário de Viagem de Marlene McKinnon.

Contando as horas!

Eu sabia que não ia me livrar de Black nem tão cedo, acredita que ele me fez sair da minha cama as duas da madrugada dizendo que precisávamos "conversar"? Foi contra a minha vontade claro, é uma coisa totalmente sem respeito fazer isso com uma mulher que esta praticamente dormindo. Coloquei um vestido qualquer do guarda roupa de Lily e meu casaco por cima, Sirius disse que eu iria ficar resfriada se não levasse e fomos para o carro dele, já estávamos em bastante silencio quando ele resolveu se pronunciar.

-Então, vai me dizer?

-O que?

-O seu prato favorito.

-Curioso?

-Talvez, vai dizer?

-Coq au vin.

.

.

.

-É uma palavra difícil.

-O que você quer dizer com isso?

-Que é uma palavra difícil, Marlene.

-Você me chamou de burra?

-Eu não disse isso.

-Mas quis, seu filho-da-puta!

-Não envolva minha mãe nessa historia.

-Idiota.

.

.

.

-Finalmente, para onde vamos?

Perguntei já cansada de uma conversa sem sentido, Sirius parou na frente de um bar e olhou para mim.

-Está pronta?

Arregalei meus olhos, até agora nem sei por que eu fiz aquilo.

-PROTA PRA QUÊ?

Gritei, mas Sirius apenas sorriu para mim e me entregou uma máscara.

-Está acontecendo a despedida de solteiro do James agora mesmo e bom, eu trouxe uma amiginha...

Joguei a máscara na cara dele com raiva, Mio Dio.

-Eu não vou fazer isso!

-Pare de ser teimosa, Marlene.

-Por que não vai você ser o brinquedinho da festa da Dorcas?

-Céus, você não vai ser brinquedinho nenhum! Só quero que tente convencer James que ele ama mesmo a Lily, é complicado?

-Se envolver danças eróticas e homens bêbados, é.

-Marlene, eu vou estar lá, nada vai acontecer a você.

-Como se isso fosse alguma coisa.

-Olhe, James já esta suficientemente bêbado, não vai querer te agarrar.

-Por que eu fui entrar nisso, ein?

-Por que você confia em mim, agora, pôe essa mascara logo, se souberem que é você estamos fritos.

Saímos do carro, tive que deixar meu casaco e entrar de braços dados a Sirius. Foi a maior humilhação da minha vida. Mas se eu tinha que destruir esse casamento, tinha que fazer direito pelo menos.

-Tente mudar sua voz.

Ele sussurrou no meu ouvido, não sabia se havia me arrepiado pelo frio ou pela voz do Sir...Deixa para lá.

-Você já ta pedindo demais.

Remus bebia whisky no canto do bar, enquanto James dançava com mulheres praticamente sem roupa alguma, Peter apenas acompanhava. Sirius se aproximou de James e vi o olhar dele parar em mim.

-Eu conheço esse vestido.

Ótimo, por que eu fui usar logo o vestido da Lily? Ein?

-Essa é a Danny, ela queria muito te conhecer.

-Sério?

Sirius assentiu e eu tentei mandar meu melhor sorriso.

-Então, você é o famoso Jay-Jay?

James gargalhou, eu sabia muito bem desse apelido podre dele da faculdade.

-Como você sabe?

-Você é famoso sabia?

Ele gargalhou de novo, Sirius já estava longe dali. Mon Dieu.

-Então, Danny, você é de onde? França? Sabe que eu tenho uma amiga bem parecida com você que é francesa? Se eu não estivesse bêbado diria que é você.

Engoli em seco, maldito-filho da puta.

-Que coincidência, então, soube que vai casar...

-É, despedida de solteiro.

-Você ama ela?

-Quem?

-Você ama sua noiva?

-Claro.

-Não está muito animado com esse casamento, não é?

-Sirius diz ser um grande erro.

-Você ama outra?

-Bem, não sei dizer..

-Tem outra não é? Qual o nome dela?

-Hum, Lily...

-Gostei, Lily, soa bem. Ela é bonita?

-Muito.

-Por que vai se casar com a Dorcas, então?

Droga.

-Eu não falei que o nome da minha noiva era Dorcas. Espera ai... Marlene?

Ele perguntou confuso, entrei em estado de pânico, o que eu ia fazer? Peguei uma garrafa de vidro vazia e bati com força na cabeça de James, o coitado já havia desmaiado. Mon Dieu.