Capítulo 4
Hermione, naquele corpo másculo de Draco, seguiu novamente para a arena tentando parecer o mais confiante possível – o que era extremamente difícil num momento crucial como aquele -, e assim que se aproximou de Blaise, pegou a vassoura violentamente (como imaginou que o slytherin faria) e subiu tentando equilibrar-se. Suas mãos estavam começando a ficar suadas pelo nervosismo e quando a vassoura ficou a menos de um metro do chão, ela logo entrou em pânico.
— "Socorro, Malfoy!"¹
— "Relaxa, você está indo bem." — disse o garoto que a observava com os binóculos já na arquibancada da gryffindor tentando ficar longe do olhar de Weasley.
— "Estou?"
— "Não, Granger, era uma piada. Vai, voa logo!"
— "Imbecil..."
Foi um pouco mais alto e esperou pelo apito que daria início ao jogo. Olhou em volta, os slytherins olhavam pra ela como se dissessem "acabe com eles, Draco" o que a deixava mais amedrontada. PIIIIII!
O jogo começou.
— "Pega o pomo! É pra isso que você está aí!"
— "Quer parar de jogar pressão?" — no instante seguinte a pequena bolinha de ouro passou a sua frente tão rapidamente que quase a perdeu de vista. Segurou na vassoura com mais força inclinando o corpo um pouco pra frente quando começou a voar numa velocidade maior. Sempre parecia perto o suficiente para pegá-lo, mas aquela maldita bolinha conseguia desviar de seus dedos a cada vez. Estava para levantar um pouco o quadril e inclinar-se mais um pouco quando viu pela visão periférica um balaço e freou a vassoura o que lhe fez perder o equilíbrio e não demorou para quase cair da vassoura se não fosse pela mão que segurava no cabo.
— "Granger, mas o que...? O balaço!" — batedor do outro time já tinha batido novamente o balaço na direção do falso Malfoy, mas a garota conseguiu desviar. Colocou a duas mãos na vassoura e tentou subir novamente, com sucesso. Sua respiração estava descompassada e o coração a mil. — "Desce um pouco! Rápido!" — o fez, sem pensar duas vezes e o terceiro balaço que vinha na sua direção acertou Viktor Krum. — "YES!"
— "Malfoy!"
— "Cala boca e se concentra, Granger." — o pomo estava a milímetros da castanha, o que deixava Malfoy mais histérico que o normal resultando em mais pensamentos altos o que, de fato, tirava Granger do sério. Não era tão fácil assim aquela coisa toda de voar, equilibrar-se e ainda ganhar o jogo. — "Pra pegar o pomo você precisa ficar em pé na vassoura!"
— "O que?"— bradou. — "Mal consigo ficar sentada, você quer qu—"
— "Fala sério, até o idiota do Potter conseguiu!"
— "Ta no sangue dele fazer essas idiotices e sobreviver!"
— "Vai jorrar sangue da sua cara se você não pegar o pomo AGORA!"
Respirou fundo e tentou pensar pelo lado bom. Quanto mais rápido pegasse o pomo, mais rápido aquilo acabaria; só não seria nada bom, afinal podia cair da vassoura que estava... Arriscou olhar ao chão pra imaginar a quanto de altura estava, logo se arrependendo. Era alto, e isso era o suficiente pra se preocupar, porém, algo lhe dizia que talvez fosse melhor escutar Malfoy por uma vez só, apenas. Até por que, de certa forma, confiava nele.
Com uma cautela extrema, equilibrou-se na vassoura para que conseguisse ficar em pé e o coração disparou quando se desequilibrou por questões de segundos e quase caiu. Abriu os braços para dar equilibro e depois esticou um deles para pegar o pomo. Faltava tão pouco...
— "Granger! Ta vindo um balaço! Você precisa pegar o pomo e sentar!"
— "Não vou conseguir...!"
— "VAI!"
Inclinou o corpo pra frente, com todo o cuidado e sem tirar os olhos do pomo de ouro, e conseguiu – por pouco – fechar a mão em volta do objeto, mas a felicidade e o alívio foram tanto que não teve tempo de pensar em sentar novamente e o que já tinha previsto, aconteceu. O balaço lhe acertou em cheio o lado esquerdo da cabeça numa força tão bruta que lhe tirou da vassoura na mesma hora, inconsciente. — "GRANGER!" — o loiro saiu correndo da arquibancada da gryffindor – que estava começando a lhe dar nojo – e correu de encontro ao seu corpo estendido no chão. A testa sangrando, os olhos fechados e o pomo na mão que, infelizmente, no momento era o de menos.
Gritou por socorro naquela voz feminina que tinha agora e logo uma maca chegou para levá-la à Ala Hospitalar do colégio. Os seguiu, mas na porta Madame Pomfrey o parou.
— Onde pensa que vai, Srta. Granger?
— Eu preciso vê-lo... — apontou para o corpo loiro deitado na maca e, sem acreditar, sentiu um leve aperto no coração. Pomfrey pareceu notar e o deixou entrar se ele prometesse ficar quieto enquanto tratava do corpo inconsciente. Quando ela terminou, ele começou: — Ela vai fic— digo... Ele vai ficar bem?
— Vai sim, só houve cortes. Não quebrou nada... Muita sorte, se me permite dizer. — no instante seguinte, o corpo de Viktor Krum entrou numa maca flutuante e logo foi colocado numa cama mais afastada. Pomfrey não perdeu tempo e Malfoy rodou os olhos. "Monocelha idiota." Nem sabia o que Granger via naquele gordo; e foi quando viu ela se mexer e se aproximou da cama.
— Ai, minha cabeça... — choramingou, o que era engraçado visto que as expressões eram dele.
— Que cabeça? Ah! Ta falando dessa caixa?
— Há, há, engraçadinho... Ganhamos o jogo?
— Sim, e o pior: graças a você.
— Idiota.
— Aé, fui eu que levei um balaço na cabeça...
— Claro, você não parava de pensar alto! — de um jeito muito estranho, ele sorriu.
— O importante é que você está bem. — Hermione arqueou ambas as sobrancelhas e piscou uma, duas, três vezes.
— Own, Malfoy, que fofo...
— Eu me referia ao meu corpo, lerda.
— É, é... Estava bom demais pra ser verdade. — ele deu aquele sorriso que ela odiava e aproximou perigosamente o rosto do dela, quase tocando em seus lábios, parando apenas pra dizer:
— E agora? Está bom ainda? — tocou o rosto dela com a ponta dos dedos e odiou por um instante não poder ver como estavam os olhos castanhos dela... Como seria o brilho deles quando a beijasse... Mas o fez ainda assim. Um beijo gostoso, intenso e Hermione tentou não pensar em nada, mas parou o beijo antes que levasse a algo mais.
— Eu não beijo assim, Malfoy!
— Assim como? Bem?
— Não, der! Eroticamente.
— Mas eu nem passei a mão em nada! Claro, só por que já conheço esse corpo de cor e salteado...
— Tarado.
— Sangue-ruim.
— Você não tem nenhum argumento, não? Aé... Você é loiro, melhor eu não pedir muito. Vai que seu cérebro frita ou algo assim... Aliás, ta sentindo um cheiro de queimado?
— Há, há, há. Muito engraçado. Você deveria trabalhar no circo, Granger.
— E roubar seu emprego? 'Magina, Malfoyzinho. — provocou, apertando as bochechas dele. — E não esquece que tem festa do pijama no meu quarto hoje.
— Divirta-se.
— Malfoy, seu mané, o meu quarto é o seu quarto!
— Eu não vou passar a noite com Hannah Summers e Weasley fêmea.
— Sei que seu sonho é uma noite com o Krum, mas não poderemos realizar isso hoje...
— Ok, então. Anotação mental: tratar não tão mal as amigas inúteis e patéticas da Granger.
— E eu vou fazer a monitoração sozinha hoje.
— Adorei a piada.
— 'To falando sério!
— E se algo acontecer? — até estranhou seu tom de voz. Parecia... preocupado.
— Eu sei me defender.
— Aé, sabe tanto que quando aquele anjo medíocre de quinta apareceu, você se agarrou em mim!
— O QUE? Eu não me agarrei em você, Malfoy! Eu segurei na sua mão, nada de mais. E agora vai, por que as meninas estão te esperando...
— Não ganho um beijo?
— Leia meus lábios: N-Ã-O.
— Espera, acho que preciso ler de mais de perto... — e tascou-lhe um beijo, mais intenso que o primeiro, passando a mão pela nuca dela e a castanha até que correspondeu, mas então colocou as mãos sobre os ombros dele e o empurrou, o que foi fácil, considerando que agora ela quem tinha a força ali.
— EU DISSE NÃO!
— HUAHUAHUAHUAHUA... Ta, ta... Nervosinha.
Hermione bufou, ajeitando-se na cama – ainda sentia algumas dores pelo corpo todo. "Como eu agüento esse loiro?"
DHDHDH
Draco, por sua vez, estava subindo as escadas para o quarto da monitoria da castanha, quando encontrou com o Weasley Macho. Que má sorte estava tendo naquele dia... Primeiro ficar naquela arquibancada ridícula dos gryffindor e depois ficar encontrando com mais idiotas pelo corredor. Isso sem falar naquela festa do pijama. Ele era um Malfoy preso numa sangue-ruim, aquilo já não era masoquista o suficiente?
— Hermione, como você está bonita...
— Acorda. Eu sou bonita. — Weasley ficou boquiaberto, sem entender o porquê de ela ter mudado tanto assim. Normalmente, apenas ia ficar com as faces rosadas e dizer um 'obrigada' quase num sussurro. — Com licença. — passou por ele, jogando os cachos para trás e andando como se desfilasse até estar longe dos olhos do garoto. — Argh. Como a Granger pode ser amiga desses caras? E gostar daquele monocelha?
— Gostar de que, Mione? — perguntou Ginny, na porta do quarto.
— De... De... Voar.
— Voar? Mas... Você não meio que odeia voar...?
— Eu sei, eu... Só estava contrariando o meu... Eu-lírico. Entende?
— Não, pra ser sincera.
— Ta, Ginevra. Vamos, vai... — rodou os olhos e puxou a ruiva pra dentro do quarto, onde já estava Hannah Summers, sentada na cama.
— E então? Pronta pra lembrarem os nossos podres? — riram, e Draco também arriscou uma risadinha, sentando junto às amigas de Hermione. — Vamos começar pelo Malfoy... Já que vocês estão namorando e tudo mais.
— Bom, uma vez a Mi me disse que achava ele sedutor.
— Eu acho ele um babaca, mas tem uma bunda P-E-R-F-E-I-T-A. Eu pegava!
— Ele beija bem? — não sabia exatamente o que responder, ainda estava na parte da bunda perfeita. Quer dizer, sabia que tinha uma bunda assim, só não sabia que metade das amigas virgens de Hermione sonhava em passar a mão nela. Era perturbador, sinceramente, mas ao mesmo tempo, hilário.
— Beija!
As garotas caíram na gargalhada e lançaram olhares para a castanha estilo: sua safadjénha! o que fez Draco rir instantaneamente, concordando com tudo aquilo. Claro de Granger era uma safada, só jamais ia admirar. É como dizem por aí, as mais quietinhas são as melhores. Quietinhas e sangues-ruins, então...
— E o dele é grande?
— O dele o que?
— O... Negócio... dele.
Draco ficou encarando-as com o cenho franzido como se tentasse entender do que elas falavam.
— O instrumento, Mi! Não finja que não sabe do que estamos falando!
— AH! O meu inst- Digo, o instrumento dele... Bom...
Foi aí que passou pela sua mente que Granger da devia ter passado o olho sobre o instrumento de Draco e, por um segundo, teve o pensamento malicioso de querer saber o que ela achava a respeito. Afinal, quem estaria dando a opinião agora era ele mesmo, então não valeria de nada porque podia dizer qualquer besteira, mas Granger... Ah, sim, ela ia dizer a verdade.
— Parece um... — ele chegou perto das garotas e sussurrou de forma quase inaudível como se houvesse outras pessoas naquele quarto que poderiam escutar. As garotas quase pularam de seus lugares, colocando as mãos no coração e ficando boquiabertas. Draco, claro, riu.
— Mentira.
— Mas então ele não é humano!
— Imagina uma coisa dessas na minha humilde residência... — "Humilde mesmo, Weasley...", debochou ele em pensamentos, mas não podia mentir dizendo que não estava se divertindo, ah não. Aquela noite daria boas risadas depois.
A tarde se passou bem, com uma contando os podres da outra e apesar do loiro detestar as duas, achou bem divertido. Pretendiam dormir lá, mas aí Malfoy não gostou muito da idéia; apesar de nem passar pela sua cabeça ficar com uma delas, não fazia bem para o pouco de testosterona que ainda tinha dormir com duas garotas. Mesmo que duas leprosas-interessantes, ao seu ver. Conseguiu convencê-las a irem, e foi dormir logo em seguida.
[ ... ]
Hermione eventualmente foi liberada d'Ala Hospitalar e precisou seguir para o quarto trocar de roupa, tomar um banho e vestir-se para monitorar. Ficou pensando no que Malfoy devia estar aprontando com Ginevra Weasley e Hannah Summers, revirando os olhos em seguida como se soubesse que não seria nada bom. Era capaz de acordar no dia seguinte e ter fama de lésbica ou Merlin sabe o que pode ser pior. Ajeitou os cabelos loiros dele, que não precisavam de muito para combinar com aquela cara de canalha dele e espirrou um pouco do perfume no pulso.
Seguiu para a monitoria e não teve muitos problemas naquela noite. Nenhum Harry-Idiota-Potter se agarrando com nenhuma Cho-Não-Sei-Abrir-os-Olhos-Chang. Nenhum delinqüente praticando coisas inapropriadas pelos corredores escuros e, só, infelizmente, precisou tirar pontos de um ou dois grifinórios do primeiro ano que pareciam estar aprontando uma com suas varinhas. Nada demais. Exausta daquela noite, foi logo para seu quarto de monitora e, assim que fechou a porta e pensou em se jogar na cama, viu Crabbe e Goyle sentados em sua cama comendo Feijõezinhos de Todos os Sabores.
— O que vocês estão fazendo aqui?
— Ah, finalmente chegou! Esqueceu? Hoje é o dia que falamos sobre as gostosas com quem você ficou essa semana.
— Gostosas com quem eu fiquei essa semana? — "Puta que o pariu! Malfoy é mesmo um idiota!" — Lamento dizer isso pra vocês... — como será que Malfoy os chamava? — ...lacaios, mas não haverá resumo da semana hoje. Então, tchau.
— Ah, sim. Entendo. Porque agora você está de amassos com Hermione Granger, não é?
— Eu não estou de amassos com Hermione Granger e- Aliás, eu não devo satisfações a vocês.
— Ora, Draco, não tem problema. Pensa que nos esquecemos daquela vez que você falou que gostava das pernas grossas dela?
Aquilo lhe fez ficar estática por alguns segundos. Aquilo era um elogio ou Malfoy tinha sido irônico e chamado ela de gorda? Pernas grossas? O garoto não tinha outro elogio pra fazer, não?
— Eu disse isso? É. Claro, eu disse isso.
— E ela beija bem?
— Ah, eu... Eu acho que...
— Tão mal assim?
— Não! É só que...
— Então tão bom assim que te deixou sem palavras, né?
— Olha, vazem, agora. Tchau. Podem sair do meu quarto e levem esses feijõesinho de merda com vocês!
— Ei, Draco, vê se relaxa ok?
Pediu um dos dois enquanto faziam o caminho até a porta para saírem dali.
— Ah! E Parkinson disse que queria falar com você!
— Então diga pra ela que nós não temos nada pra falar.
— Ela vai ficar irritada...
— Jura? Então olhe bem pra minha cara... Isso, olhe bem, grave bem esse rosto e mostre pra ela essa expressão que vou fazer agora porque SOU EU NÃO ME IMPORTANDO! Adeus!
Fechou a porta, trancando-a e jogou-se na cama exausta. Olhou para o teto alguns segundos e então abraçou o travesseiro ao seu lado. "Então quer dizer que o Malfoy já tinha falado de mim por aí..." Fechou os olhos, sorrindo e se aconchegando na cama. Quem diria...
DHDHDH
Hermione acordou de super bom humor na manhã seguinte. Não sentia mais dores musculares e o corte em sua cabeça já estava bem melhor; Pomfrey sabia o que fazia. Vestiu seu uniforme e resolver ir acordar Malfoy já que não o via desde a tarde passada e começava a sentir falta daquele idiota.
Entrou sem bater e foi até a cama onde ele dormia e notou que o loiro parecia um anjo dormindo, mesmo que aquele anjo tivesse o seu rosto. — Malfoy? — o empurrou. — Malfoy! Levanta, a gente em aula! — ele abriu os olhos, nada mais. — ANDA! VAMOS! — puxou o cobertor e ele finalmente levantou indo se arrumar, mas com uma cara de cu horrível. — Bom dia, né?
— Uh. — rebateu, sonolento.
— Eu disse BOM DIA, Malfoy.
— E eu disse UH, Granger.
— Babaca. Eu ia te contar que fiquei com o Harry na hora da monitoria, mas nem vou mais. — ele a encarou sério e ao mesmo tempo pasmo. Era impossível ela ter ficado com Harry Potter na noite passada. Primeiro, ela estava visivelmente apaixonada pelo loiro (isso era o que ele pensava... Convencido). Segundo, o corpo dela era o DELE, seria como se ele tivesse virado gay! Balançou a cabeça em negação afastando o pensamento perturbador.
— VOCÊ FEZ O QUE?
— Além de beijar o Harry? — foi até ela, Hermione com sua expressão impenetrável e Draco puto da vida. — Ótimo, como eu ia dizendo... — o enlaçou pela cintura, e deu-lhe um selinho demorado nos lábios. — Vista-se logo. Temos aula de duelos.
— Mas e você e o Potter?
— Eu não fiquei com o Potter, seu débil mental! Era só pra chamar sua atenção... — riu, indo em direção à porta. — Você vem?
Continua...
Nota da Autora
¹Só relembrando — eu não me canso dessas palavras com re (repostar, relembrar...), que raiva! — quando as falas aparecem nessa formatação de travessão, aspas e fala em itálico (ex.: — "Dessa forma!")
