Capítulo 4

AUTORA: Lady K

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Bones" são propriedade de HH e Fox (não venham me pentelhar), mas nada me impede de pegá-los emprestado só um pouquinho.

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe? Depende do meu humor). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não me responsabilizo por qualquer dano psicológico ou moral...

COMMENTS: Meninas, desculpem a demora! Estava numa loucura para entregar minha monografia, por isso precisei deixar a fic abandonada. Agora vou postar rapidinho, até porque estou louca para escrever novas histórias.

MLSP: Estou publicando só aqui no FF mesmo.

Às meninas que pediram, o livro que estou adaptando se chama As duas vidas de Adrienne.

O capítulo tem cenas HOT, então, cuidado :D


O mundo pareceu reduzir-se àquele quarto. Ela conservou o olhar fixo em Booth. Era como se minúsculas estrelas de fogo dançassem no fundo das íris negras, hipnotizando-a. A centelha de desejo brilhou tão intensamente no olhar de Booth, que Temperance sentiu-se desarmada. Fez menção de retirar a mão do peito dele, mas Booth não permitiu. Cobriu-lhe a mão com a sua.
"Esta retirando seu convite, Temperance?"
"Não" – Ela sussurou quase sem voz.
"O que houve então?"
Temperance quis se esquivar daquele olhar, daqueles olhos que pareciam devassar-lhe a alma. Jamais havia se sentido tão confusa, como se no meio de uma encruzilhada. De um lado, a promessa de um caminho prazeroso, mas pelo qual, provavelmente, ela saberia ter de pagar um alto preço. Do outro... havia outro caminho? Estava ficando cada vez mais difícil ordenar seus pensamentos com a proximidade de Booth.
Booth notou que a mão dela tremia. Falou num tom quase terno, mas seus lábios curvaram-se em um sorriso irônico:
"Acaso está com medo, madonna?"
"Não existem motivos para se ter vergonha ou medo. O sexo é algo natural que ocorre entre qualquer criatura da natureza, exceto, obviamente, que o ser humano, graças a seu córtex cerebral altamente desenvolvido, pode atribuir-lhe características únicas."

Booth encarou-a, supreendido e um tanto aborrecido com a intensidade do ciúme que corria por dentro, se é que ele havia entendido metade do que ela havia dito. A mão dele deslizou para o pulso dela.
"Não consigo compreendê-la, Temperance" – murmurou, sentindo-se impotente, pouco acostumado que estava a ficar intrigado com as mulheres.
"Terá a vida inteira para me compreender, não?"
Ao ouvir a voz suave de Temperance, tão cheia de promessas, Booth deixou a mão deslizar pelo braço dela. Já esquecido de sua cólera, segurou-lhe a mão e levou-a aos lábios, beijando-lhe as pontas dos dedos. Foi quando viu as marcas arroxeadas ao redor do pulso dela. Foi tomado pelo remorso. Nunca antes marcara o corpo de uma mulher. Sentiu um princípio de raiva, dirigida a si mesmo por não ter sabido se controlar.

Temperance observou a gama de emoções refletidas nos olhos dele. O medo que ameaçara dominá-la momentos antes, dissipou-se. Ganhando coragem, ergueu a mão e tocou-lhe a face.
O gesto parecia tão espontâneo e verdadeiro, que comoveu Booth. Embora ainda com desconfiança, beijou-lhe a palma da mão e aspirou o perfume de rosas que dali emanava.
Soltou a mão dela. Seus dedos aferraram-se à colcha púrpura e desataram o nó que a sustinha. A colcha deslizou para o chão com um suave farfalhar. Por um longo minuto, Booth limitou-se a contemplar o corpo nu de Temperance, acariciando com o olhar a pele alva e as curvas sinuosas que acenavam para infinitos prazeres. Ele estreitou-a nos braços fortes, puxou-a para si, suspendeu-a do chão.

Embalada pelo calor do momento, Temperance já não mais protestou. Sentiu sua pele queimar ante o toque dele e, antes que se desse conta do que estava acontecendo, as mãos fortes já a puxavam mais para si. Quando o membro rijo se comprimiu contra seu ventre, ela deixou escapar um gemido, num misto de surpresa, receio e deleite.
Booth, dominado pelo desejo, nada ouviu. Tudo o que ouvia agora eram os apelos de sua própria volúpia, o sangue correndo rápido por seu corpo, fazendo-o ter a sensação de que estava prestes a explodir de tensão.
"Coloque as suas penas em volta de minha cintura" – disse com a voz rouca. Quando ela obedeceu, as mãos dele escorregaram para suas nádegas. "Vou levá-la para a cama."

E foi o que ele fez. Deitou-se no leito, puxando-a sobre si. Temperance sentiu o membro ereto roçar-lhe o sexo e estremeceu.
"Eu te quero, Temperance."
As mãos de Booth erraram pelo corpo dela até que, com a ponta dos dedos, ele tocou a curva de seus seios. Aquele inexplicável sentimento que o subjugava era mais que um mero querer. Já desejara outras mulheres, mas nunca desse modo. Tinha necessidade de Temperance. Como se ela fosse seu ar, seu alimento. Tinha fome. E, logo que esse pensamento se formou em seu cérebro, Booth o rejeitou. Não permitiria que Temperance se assenhoreasse dele. Não se curvaria ao poder dela, pois isso seria o mesmo que dar as costas ao inimigo para receber uma punhalada.
Tentou afastar-se dela, mas Temperance aprofundou o beijo. A fome dele aumentou.
Ele se deteve, pouco depois, e acompanhou o contorno de seus lábios com a ponta dos dedos. Depois inseriu o indicador em sua boca, brincou com sua língua. Mas não ficou ali. Retirou o dedo úmido e correu-o pelo pescoço de Temperance, descendo, descendo, resvalando o colo alvo, circundando a carne tenra dos seios. Aí ele se curvou para degustá-los.
O coração batendo desatinadamente, a sensação de vertigem aumentando, ela arqueou o corpo, numa demonstração de sensualidade inconsciente que fez Booth arder de volúpia. Enquanto beijava-lhe o seio, deixou a mão vagar ao bel-prazer, mapeando-lhe cada curva, buscando novos pontos de sensibilidade para estimular, incitar, excitar. A mão deslizou pelas coxas bem torneadas dela e acercou-se de sua essência de mulher. Com um suspiro, ela entreabriu as pernas, sem mais resistir.
Porém, em vez de tocar o sexo que ela lhe oferecia, Booth continuou palmilhando-lhe as coxas macias, subindo e descendo. Só quando ela gemeu e se contorceu, fora de si, ele tocou as suaves pétalas que guardavam seus segredos mais íntimos.
Levantando a cabeça, Booth olhou a própria mão enquanto a acariciava. A excitação fez sua visão se turvar, sua garganta queimar.
"Olhe para mim, Temperance" — murmurou, e esperou que ela abrisse os olhos. "Diga-me o que quer."
Ela não respondeu, mas seus quadris moveram-se quase imperceptivelmente. Com seu movimento, os dedos de Booth aprofundaram-se em seu sexo úmido. Ela gemeu, arquejando ao seu ouvido.
Incapaz de esperar mais, ele empurrou-a para o colchão. Beijou-a selvagemente, já antecipando o momento em que penetraria seu corpo. Posicionou-se sobre ela, sentindo que estava pronta, que o acolhia em cada suave tremor, em cada suspiro.

Booth penetrou-a até sentir a barreira de sua virgindade, a qual foi uma surpresa imensa para ambos, principalmente para ela. Booth foi invadido por uma onda de alegria e de puro orgulho masculino.
"Agora sei que é minha, Temperance. Minha."
Suas carícias provocaram uma onda interminável de prazer em Temperance. Um prazer nunca antes imaginado. Então, de repente, algo mudou. As sensações que lhe assaltavam o corpo transformaram-se em espasmos de agonia. Sem aviso, ela se viu lançada em um redemoinho de luz e sombra, espiralando, espiralando fora de controle... Consumindo-se em um ritmo vertiginoso. "Booth!" — sussurrou, estremecendo.
Booth sentiu que ela estava atingindo o clímax enquanto murmurava seu nome. Desejou ter a dádiva de assistir ao gozo dela, tentou se refrear. Porém, ela arqueava o corpo mais e mais, as paredes de seu sexo fechavam-se em torno dele. Booth não resistiu. Com um gemido abafado, que era tanto de triunfo quanto de rendição, explodiu dentro dela.
Trouxe-a para mais perto, aninhando-a em seu peito. Enterrou o rosto nos cabelos dourados dela e estreitou-a, enquanto ambos eram sacudidos pelos últimos espasmos do orgasmo.
Mesmo quando uma sensação de paz veio aplacar sua inquietude, Booth soube que queria mais. Sim, a voracidade que antes o dominara estava saciada. E ele queria fazer amor com Temperance, hora após hora, sem mais pressa, até que os dois transbordassem de prazer e de satisfação.
Mas não tornaria a fazer amor com Temperance agora. Não agora, quando ainda a desejava com tamanha intensidade. Tinha que resistir à tentação de possuir seu corpo. Tinha que provar a si mesmo que aquela mulher não havia se tornado vital para ele em tão curto espaço de tempo. Precisava se assegurar de que era capaz de se abster das delícias que ela lhe oferecia.
No fundo, ele não a possuía novamente por uma razão muito simples. Não queria saciar seus apetites rudemente nela. Mas, assim como jamais admitiria aquela sua fraqueza, tampouco admitiria que sua única vontade agora era aconchegá-la em seus braços e olhá-la enquanto dormia, no interlúdio da paixão.
Apertando-o contra si, Temperance descansou a cabeça no ombro de Booth. Parecia-lhe que flutuava, os membros anestesiados, um sorriso pairando nos lábios. Por outro lado, tinha a impressão de que todos os seus sentidos se haviam aguçado. A realidade explodia em volta dela. O cheiro dele invadia-lhe as narinas. Passou a língua nos lábios e sentiu o gosto dos beijos dele. Fechou os olhos, embalada por uma deliciosa lassidão.
Depois ergueu o rosto e encarou-o.

"O que foi?" - ele a olhou intrigado.

"Acha que será sempre assim?"

"Não. Acho que será cada vez melhor."

Outra vez, Temperance agarrava-se à racionalidade, era o que conhecia. Sensível a ela, Booth notou como parte de sua docilidade havia escapado novamente, e ela voltava a usar sua máscara de frieza.

"Sabe que a intensa atração sexual dura um período, o suficiente para que os casais possam procriar e..."

Booth riu baixinho.
"Do que está rindo?"

"De nada... de tudo!" - ele continuava a sorrir.

"Não sei o que isso significa."

Booth reprimiu-se por estar tão à vontade, lembrando-se de quem era a mulher a seu lado. Seu queixo retesou-se.
"Escute, Temperance, estamos em trégua, mas não me esqueci quem você é."

"Não sou quem você..." - Ela pensou poder explicar o que dizia.

"Shhhhh... não quero falar disso." - Ele enroscou no dedo uma mecha dos longos cabelos loiros. Sua mão forte então desceu para a nuca de Temperance.

"O que realmente pensa de mim, Booth? Sei que é um homem corajoso. Por que não corre o risco e confia em mim? Dê-me ao menos o benefício da dúvida."

"Posso ser corajoso, mas não sou nenhum tolo, madonna. Tenho amor à vida e não gosto dessa espécie de risco. Já pedi para mudarmos de assunto. Não quero me irritar com você. Não agora."

Temperance fez um gesto de assentimento. Por ora, teria de se conformar com o ceticismo dele.


Houve o murmúrio de vozes quando Temperance se mexeu no leito. Meio acordada, meio dormindo, ela se espreguiçou, sentiu os músculos doloridos e resolveu dormir mais um pouco. Virou-se para o lado e escondeu o rosto no travesseiro.
Tivera um sonho muito estranho. Estranho e maravilhoso. Enquanto flutuava entre a fronteira do sono e da vigília, recordou-o em cada detalhe. Parecia um conto de fadas. E fora tão intenso que seu corpo ainda guardava a lembrança dele.

"Diga que compareceremos."
Temperance ouviu a voz, mas não compreendeu as palavras. Estaria ainda sonhando? Novamente, recordou cada detalhe de seu sonho, tão rico em imagens e sensações. Quando voltou a se espreguiçar, sentiu o corpo fatigado. Sorriu. Tinha até impressão de haver vivido aquele sonho...
"Acorde, Temperance. Ou nos atrasaremos."
O último pensamento de Temperance foi simultâneo ao som daquela voz. No mesmo instante, ela compreendeu o que lhe acontecera e despertou completamente. Não fora um sonho. Tinha, com efeito, caído nas malhas de uma trama inexplicável.
Uma onda de pânico tomou conta dela. Por alguns segundos, foi incapaz de respirar. Onde estava? Quem, afinal, era ela? Estava desorientada, como uma marionete cujas cordas fossem puxadas em diferentes direções.

Mas, mal o pânico surgira, e já dava lugar a lembranças doces, quentes, das últimas horas que passara ali. Booth havia feito amor com ela muitas e muitas vezes, até que ficasse embriagada com a presença, o toque, o gosto dele. O coração bateu mais forte. Ela pressionou a mão sobre o seio esquerdo, como se com isso pudesse acalmá-la. A quem pertencia aquele coração? A Isabella? A Temperance? A quem pertenceria a alma que habitava aquele corpo?

"Acorde, madonna. Chamei suas quatro aias. Elas aguardam sua permissão para entrar no aposento."

Temperance afastou o travesseiro do rosto e abriu os olhos. Booth estava diante dela, muito bem vestido.

"Chegaremos atrasados ao banquete. Já recebi duas mensagens, uma de seu pai e outra de seu irmão, para confirmar nossa presença."

"Não me parece o tipo de homem que se importa de chegar atrasado a um banquete. Por que não me acordou antes?"
"Porque estava muito cansada."
O tom dele era seco, e Temperance retraiu-se como se tivesse levado uma bofetada. Aquele não podia ser o mesmo homem que a amara com tanta entrega. Como seria capaz de assumir a postura de um desconhecido, de olhos opacos e frios, quando ainda na véspera a fitara com paixão, ternura até? A desconfiança de Booth incomodava profundamente.
"Até que ponto me conhece, Booth?"
"Sua pergunta é despropositada. Sabe tão bem quanto eu que, antes de nosso casamento, só nos havíamos visto a distância. Se nossa união não fosse do interesse do papa Alexandre, os Brennan ainda estariam espreitando nos becos escuros, na tentativa de cortar a garganta de qualquer um ligado à família Booth." - Ele ergueu o queixo com desdém. Percebendo o olhar inflamado da esposa, segurou-a pelo pulso e acrescentou: "Ainda não estou nem um pouco convencido de que desistiram de espreitar nos becos da cidade. Ou será que já contrataram mercenários para levar adiante sua vingança?"

O olhar de cólera que Temperance lhe dirigiu fez com que ele cedesse. Curvou-se e beijou-lhe o pulso.

"Feiticeira... Acertaremos nossas contas mais tarde. Antes que eu mande para o inferno as aias, seu pai, seu irmão e esse maldito banquete." - Ele beijou-lhe o pulso uma última vez, mantendo os olhos presos aos dela. Antes que mudasse de ideia, saiu do quarto, passando pelas damas de companhia.
Temprance o seguiu com o olhar até Booth desaparecer pelo corredor. Só então se voltou para as quatro mulheres que se enfileiravam com ar respeitoso à porta do quarto. Mesmo com os braços carregados de tecidos e roupas, fizeram-lhe uma profunda reverência e acercaram-se da cama.

Respirando fundo, Temperance levantou o rosto e encarou as recém-chegadas. Por trás das três damas de companhia, adiantou-se uma mulher oriental carregando uma grande tina de água. Vestia-se com muito mais simplicidade que as outras, usando uma túnica desbotada presa à cintura por um cordão. Seus cabelos negros estavam trançados e enrolados no alto da cabeça e, ao contrário das demais mulheres, ela não ostentava nenhum adorno. Aproximou-se do dossel e, conservando os olhos baixos, ajoelhou-se.

"Posso preparar seu banho agora, senhora."

Temperance olhou-a surpresa. Seu coração falhou uma batida. Lembrava-se da história de uma criada chinesa de Isabella. Capturada e vendida como escrava a um antro de prostituição, Isabella a viu na rua e, parecendo-lhe que seria muito exótico ter uma criada chinesa, comprou-a.

"Angela?"

A escrava levantou o rosto para encará-la. Em seus olhos lia-se surpresa, medo. Mas logo ela tornou a baixar o rosto.
Cada vez mais confusa, Temperance virou-se para as outras mulheres.
"Deixem as roupas aqui. Depois podem sair. Eu as chamarei se precisar de seus serviços."

Rapidamente, Angela começou a preparar o banho, sempre de cabeça baixa. Parecia visivelmente constrangida.

Temperance ainda pensou em pedir explicaçoes, mas concluiu que sua amiga, agora, também fazia parte desse cenário estranho e desconhecido, assim como Booth. Assim, despiu-se e entrou na banheira. Quando Angela pegou uma bucha para esfregar suas costas, Temperance a deteve.

"O que está fazendo, Angela? Posso perfeitamente tomar banho sozinha."

"Desculpe." - Disse confusa.

Brennan logo percebeu que Isabella, como qualquer nobre da época, teria preferido dispor de muitas serviçais a fim de melhor desfrutar o gosto do poder.
Depois, Angela ajudou-a a vestir-se rapidamente. As roupas de baixo, confeccionadas em linho, eram quase transparentes de tão finas. O vestido, de brocado branco, pesado, coberto com minúsculas flores bordadas com fios de ouro e guarnecidas com safiras e rubis. Um cinto de pérolas brancas e rosadas completava o traje.
Depois Temperance foi sentar-se diante do espelho. Ficou olhando Angela penteá-la e só então percebeu o quanto seus cabelos haviam ficado embaraçados após as horas de amor que passara com Booth. A criada tentou passar o pente com todo cuidado, mas, mesmo assim, ele acabou escapando de suas mãos. Os dentes arranharam o ombro de Temperance, que deixou escapar uma exclamação de susto. Ao olhar novamente para o espelho, viu Angela se ajoelhar e oferecer-lhe o rosto com expressão resignada.

Temperance ficou com as faces abrasadas de constrangimento quando notou que a escrava esperava ser punida com um golpe rude.

"Não foi nada, Angela. Continue, por favor." - Foi o que conseguiu dizer no momento.

A criada fez um penteado simples, uma trança frouxa enfeitada com cordões de pérolas. Ao redor de seu pescoço, pendurou um colar de pérolas com uma safira em forma de gota. Por fim, foi apanhar um porta-jóias de veludo para que escolhesse os anéis que desejava usar.
A porta do aposento se abriu. Ela viu a imagem de Booth refletida no espelho.
"Onde estão as outras criadas, Temperance?"
Ela virou-se e fitou-o.

"Dispensei-as."

"Então preparou-se para o banquete com o auxílio de apenas uma criada?"
Em resposta, ela levantou-se. "O que? Não estou à altura do evento?"
Booth aspirou o suave perfume que se desprendia do corpo dela e sentiu um vago torpor. De novo, aquele desejo insaciável voltava a atormentá-lo. Mesmo assim, resistiu e recuou um passo para contemplá-la.
"Um homem teria que ser insano para encontrar um defeito em você, Temperance."

"Você sabe que perfeição, exceto por construções matemáticas..." - Ela começava outro de seus monólogos racionais, quando bateram à porta.

"Senhor, a carruagem está pronta." - Anunciou o escravo.
Booth ofereceu o braço a Temperance e, juntos, os dois saíram do aposento.

CONTINUA...