Olá Pipow \o/!!

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Sim, não é milagre – sou mesmo a Illy-chan HimuraWakai, voltando após um período bastante conturbado para trazer o restante das minhas traduções e dar continuidade ao lançamento das que estavam paradas \o/ E que sim, meu site VAI sair, ehehhehe

Além de tudo, quero agradecer de CORAÇÃO para a fofa da Aryam MacAllyster por, durante este período, ter permanecido firme e forte levando o projeto do Grupo a frente, com seu belíssimo e dedicado trabalho nas traduções de Los Herederos de Low, Lawless Hearts e Boot Camp!! YES, a Aryam é NOTA 1.000, ohohohhoho

Desnecessário dizer que a Aryam também entrou com o pé direito e um talento único, no fandom GW brasileiro, lançando suas próprias fics: Baseado em Fatos Reais, Sentido Litoral e Problema (Fic PRESENTE DE ANIVERSÁRIO para MIM!!), fics que... Meu São Yaoi, vocês PRECISAM LER, meninas *_______*

Agora, para terminar, dois avisos:

AVISO 01: A nossa Tradutora Aryam MacAllyster está desenvolvendo a

Campanha: Diga não a morte do fandom nacional de GW.

Salve os nossos G-boys, o "felizes para sempre" deles depende de você!

Faça uma boa ação: Leia e Comente.

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Sim, isto mesmo – a Campanha é para que VOCÊ, leitora, NÃO FAÇA o fandom brasileiro de Gundam Wing morrer. Maiores detalhes, acessem o link próprio da Aryam: http :/ / www. fanfiction. net / u / 692578 / Aryam_ McAllyster (unam os espaços!)

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AVISO 02: Para as fãs que acompanhavam as Traduções feitas por nós anteriormente no XYZ, por favor, confiram as fics que já estão prontas para serem lançadas no meu site:

Blood or Chocolate? – Caps 16 e 17

Blue Forest Banshee – Caps 48 a 53

Broken Jade – Cap 03

Chiaroscuro – Cap 21

Everybody Breaks – Cap 03

Layers – Cap 11 e 12

Lawless Hearts – Caps 16 e 17

School Tales – Arc 01 – Caps 15 e 16

The Arrangement – Cap 03

The Call – Cap 07

Trial and Error – Caps 08 e 09

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…E fora estas fics, muitas MUITAS outras fics novinhas em folha, traduzidas pela Aryam!!! *________________*

Preparem os corações, ohhohohohohohoho

Agora, boa leitura para todas... e lembrem-se...

NÃO DEIXEM O FANDOM NACIONAL DE GUNDAM WING MORRER! \o/\o/

Illy-chan HimuraWakai

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Autora: Lorena

Tradutora: Illy-chan HimuraWakai

Revisor: Marlon Kalango

Gênero: Yaoi, Romance.

Casais: 3x4, 2x1, 5xOC.

Censura: Nenhuma por enquanto ^~

Advertências: Humor, Drama, Angústia, Lemon, Universo alternativo.

Retratações: A série Gundam Wing e seus personagens são propriedades das empresas japonesas Soutsuu Agency, Sunrise Television e Bandai. Ninguém aqui ganha um centavo que seja com eles.

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Nota da Autora: Fic número 01 do ARCO 01 – Bildungsroman. ^~

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Nota da Tradutora – Illy-chan:

Esta fic foi escolhida para dar continuidade aos trabalhos do 'Illychan e Grupo Gundam Wing Traduções', pois se trata de uma das mais bonitas fics 3x4 existentes no fandom americano, além de ser escrita por uma autora cujas fics são verdadeiras declarações de amor ao casal Trowa&Quatre \o/

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Daniela Sacomani Rodrigues & Paula Teixeira & Ilia Verseau

Cristal Samejima & Joana Malfoy & Harumi

Aryam (Te conheço de algum canto, hohohoho)

Joicinha sem Juízo & Kaoru Vexille

Dark Wolf 03 & Fabi & Evora

Meninas, a dedicatória deste capítulo é toda, todinha, para vocês!!!


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CHIAROSCURO

Luz e Sombra

By Lorena

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Parte 02

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"Eu posso lhe perguntar uma coisa?"

"O que?"

"Por que você não foi castigado ou expulso, por usar cabelo longo?"

Wufei sorriu, olhos fechados, quando ele se sentou em sua cadeira, apoiando a cabeça contra a parede atrás. Os braços cruzaram-se no tórax e as pernas esticaram-se e cruzaram-se à altura dos tornozelos. Wufei era o exemplo perfeito de compostura – algo que normalmente não era visto na sala de espera do escritório do diretor.

"Você conhece Duo Maxwell, Quatre?" Ele perguntou.

O outro adolescente ergueu uma sobrancelha. "Hã... Sim. Por quê?" Sentiu o rosto ficar vermelho, apesar da aparente despreocupação. Afinal de contas, o nome daquele rapaz sempre seria sinônimo de 'sexo atrás da gruta', para ele.

"Você sabe que o cabelo dele é longo a ponto de bater na bunda?"

"Hã... Er..."

"Pois o cabelo dele nunca vai ser cortado e ele nunca vai ser suspenso ou expulso - por uma única razão."

"Qual?"

"Ele é um trunfo para a escola. Esses troféus aí ao seu lado…"

Quatre virou-se depressa e pousou os olhos em um gabinete de exibição enorme ao seu lado que estava quase explodindo de troféus e medalhas.

"O que têm eles?"

"Eu diria que um quarto desses troféus foi ganho por Duo, em Olimpíadas de Matemática Extra-Escolares as quais ele vem competindo desde que éramos calouros."

Quatre encarou o amigo, incrédulo. "Você está falando sério? Eu não sabia que ele é um gênio em matemática! Quer dizer, ele realmente não age como se... bem, você sabe..."

Wufei riu, olhos ainda fechados. "Duo é um trunfo para a escola, Quatre. A Diretoria não pode se dar ao luxo de perdê-lo. Ele pode quebrar as regras e regulamentos impostos quantas vezes quiser – e o pior que pode acontecer a ele é passar um fim de semana em detenção."

"É mais ou menos o que está acontecendo com você?"

"Sim. Contanto que eu mantenha meu cabelo preso e num pequeno rabo de cavalo, tudo bem."

Quatre balançou a cabeça. Ele estava tentando duramente entender e descobrir a razão atrás daquelas atitudes. "Não entendo por que a administração deixa isto acontecer."

"Para onde quer que você vá, Quatre, sempre haverá algum conjunto de regras estúpidas para serem seguidas: não importa se irá gostar, ou não." Ele parou, rindo um pouco mais alto. "De fato, vez em quando eu quebro as regras de propósito só para irritá-los. É meu modo de lhes mostrar que o sistema deles é podre. Portanto, não fique pensando que eu nunca estive neste escritório antes."

"Quantas vezes você já…"

"Não conto. Não faz sentido."

Quatre se empurrou mais para trás na cadeira, erguendo os pés para cima, colocando-os no assento de modo que pudesse passar os braços ao redor dos joelhos, enquanto contemplava Wufei. "Emocionante." resmungou pensativo. "Nunca pensei que este tipo de coisa acontecia aqui. Imagino que esta situação seja intolerável para o resto dos estudantes. Tenho certeza que eles teriam algo a dizer sobre isto."

"Você ficaria muito surpreso se soubesse que ninguém nunca reclamou, nem mesmo uma única vez?"

Quatre olhou para ele em assombro. "Não acredito!"

Wufei abriu os olhos finalmente e encolheu os ombros com um sorriso. "É verdade. Os alunos daqui são muito passivos. A maioria acredita nas mesmas coisas que a administração acredita. Eles odiariam ver Duo ser expulso, porque ele é um dos alunos que traz honra e orgulho para a escola. E droga, vamos encarar os fatos, todo mundo gosta dele. Então, se houvesse uma exceção, algum metido 'qualquer' que tentasse acabar com toda essa idiotice, ele seria chutado daqui rapidinho."

"Bem... Vejo que viver desta forma funciona muito bem para você e os outros."

"Não, não realmente. Você já conheceu Trowa Barton, por acaso?"

"O nome não me soa familiar."

"Ele está tentando ser expulso desta escola desde que foi transferido para cá, no final do ano passado."

Quatre fez uma careta de assombro – antes de começar a rir de repente. "Oh, meu Deus!" Clamou, entre risos. "Por que ele iria querer fazer isso?"

"Ele odeia isto aqui, é óbvio." Wufei fechou os olhos mais uma vez. "Mas como – novamente – ele também é uma espécie de trunfo, um gênio para a escola, a administração não o deixará escapar tão facilmente. Acho que ele já quebrou todas as regras existentes na escola e ainda continua preso neste lugar."

Quatre estava agora às gargalhadas, zombando. "Não acredito nisto! Assim já é demais!"

"Melhor não rir assim na frente dele, Quatre. A ironia da coisa toda é suficiente para deixá-lo realmente fora de si, de tanta raiva."

A porta para o escritório do diretor abriu-se de repente e de lá saiu um rapaz que parecia prestes a estourar em lágrimas. Mas ele se conteve, baixando a cabeça e passou a toda pelos outros dois rapazes, praticamente correndo para fora dali. Um homem grande como uma montanha apareceu de súbito na porta da sala da diretoria, encarando de cima para baixo os dois adolescentes que estavam lá sentados com um par de olhos pequenos, amarelados. As pontas de um bigode, caindo, quase lhe cobriam a boca. Quatre nem mesmo a viu se mover, quando ele os chamou.

"Qual de vocês é o próximo?" Rosnou, a voz praticamente estourando os tímpanos de Quatre e fazendo a mobília da sala sacudir um pouco.

Wufei o encarou impassivelmente, antes de se virar para encarar o amigo. Inclinou a cabeça em direção à porta principal e ao homem. "Sua vez, meu caro."

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Como Quatre era novato e ainda estava se adaptando aos métodos da escola, ele foi apenas meramente advertido com uma reprimenda verbal e seu histórico escolar permaneceu imaculado. Pelo menos por enquanto. No entanto, aquela fora uma tenebrosa experiência para o rapaz, a ponto de fazê-lo precisar criar uma tabela, a qual fizera questão de colocar sobre a escrivaninha de estudos, no quarto. Ela era constituída, em sua maior parte, de anotações simples colocadas ao lado de colunas nomeadas como reagir e o que esperar em relação aos professores que tinha; e tratou de certificar-se de que os itens "não dar risadas" e "não imaginar pessoas nuas", encontravam-se exatamente abaixo do nome do Professor Richards. Com apenas três semanas que tinha entrado no primeiro ano, já havia adquirido o hábito de sempre dar uma olhada nestas notas enquanto se vestia para ir para as aulas, antes de sair – só para se garantir.

Por esta altura, os alunos já tinham se integrado aos diversos clubes acadêmicos e Quatre escolhera tornar-se membro do Clube dos Escritores: um clube pequeno, responsável por reunir os alunos escritores que faziam o jornal da escola. Foi, em grande parte, uma pura sorte que o fez conseguir um lugar nesse clube – virtualmente exclusivo – que exigia que os membros produzissem amostras dos seus melhores textos e os entregassem para o líder do clube, de quem era o dever de ler e escolher quem seriam os novos membros que o Clube receberia.

A primeira reunião foi para apresentar os recém-chegados e escolher um novo líder do clube, assim como também propor temas interessantes para o jornal. O encontro durou duas horas e eles acabaram por adiar a reunião para dali a uma semana, uma vez que ninguém tinha nenhuma nova idéia para a escolha de uma matéria.

Um estranho acontecimento veio mudar tudo dois dias após a reunião.

As turmas do primeiro ano estavam no refeitório às seis e trinta da manhã, tomando o café da manhã, quando um berro agudo soou da cozinha, silenciando o corpo inteiro de estudantes de pronto, deixando-os sentados, atordoados e encarando pasmos uns aos outros durante vários segundos.

"Oh Inferno!" Wufei resmungou dando de ombros enquanto voltava a morder o sanduíche antes de submergi-lo em catchup, novamente: "Acharam outro rato na cozinha, no mínimo."

"Que nojo!" Quatre exclamou, fazendo careta, enquanto encarava a própria comida, sentindo seu apetite desaparecer repentinamente.

Antes de qualquer outra pessoa da mesa ter uma chance de dizer algo, a enorme porta de vai-e-vem que conduzia para a cozinha abriu-se com um verdadeiro estrondo, fazendo todo mundo pular nas cadeiras. Um dos estudantes que se apressara lá dentro para investigar a situação estava parado, em estado de choque, frente a ela. Ele encarou os colegas atordoados no salão do refeitório com um olhar assombrado no rosto enquanto respirava como se fosse uma luta fazer isso, sua boca abrindo-se e fechando-se repetidamente, sem que conseguisse proferir um único som ao menos uma vez.

"Pessoal!" Ele gritou finalmente. "Vocês não vão acreditar! Nós tivemos uma aparição! Uma aparição sagrada!!"

O mais puro silêncio resultou a esta explosão, com os alunos encarando alternadamente uns aos outros, enquanto tentavam apreender o significado da situação. Era muito para eles – afinal de contas, ainda eram apenas seis e trinta da manhã, e compreender a enormidade do que o colega estava a lhes dizer era demais: o aviso de que eles – alunos das turmas do primeiro ano do Victoria College - tinham sido abençoados com uma aparição sagrada era realmente demais para qualquer um àquela hora do dia.

Uma voz finalmente perguntou, quebrando efetivamente o choque:

"Onde?"

"Na cozinha!" O adolescente ofegou, ainda respirando pesadamente, apontando para a porta atrás de si.

"Qual foi?"

Todos prenderam o fôlego, enquanto esperavam pelo colega informá-los. "Qual?", realmente? Mesmo sendo uma honra serem abençoados com o milagre de uma aparição, também era uma questão de caráter importantíssimo saber qual santo os tinha julgado dignos de ver sua presença, fosse ele ou ela.

"Espera!" Mais uma voz se ouviu vinda do outro lado do refeitório: "Foi Jesus?"

"Não!!"

"A Virgem Maria? Só pode ter sido ela! Ela é quem sempre aparece para as crianças!!" – exclamou nova voz – "Lembram de Lourdes? Fátima? Garabandal?" – o mesmo rapazinho continuou, excitado.

"Er... Não, não foi ela desta vez!"

Wufei estava praticamente sufocando com o café da manhã. "Estão gritando alto demais!" Ele reclamou, engasgando - agarrando depressa seu suco de laranja e tomando um generoso gole de uma só vez.

"Você está bem?" Quatre perguntou, observando o amigo com um pouco de preocupação.

O amigo chinês balançou a cabeça, cobrindo a boca com o guardanapo. Acenou atordoadamente para Quatre.

"DEUS?" – especulou outro colega.

Uma voz revoltada atravessou o refeitório: "Deus? Como Deus pode fazer uma aparição se a gente nem faz idéia de como ele é?"

Outra voz exclamou, excitada:

"Espere!!! Foi um santo, então?"

"OBA! Não seria demais se São Francisco fizesse uma aparição na cozinha?"

O rapaz, ainda parado frente a porta da cozinha, agora olhando furiosamente para os colegas negava todas as hipóteses anteriores, balançando a cabeça enfaticamente: "Não, não, nenhum desses, seus idiotas!!" replicou. Seu rosto iluminou-se com um sorriso luminoso, ao responder: "Foi Madre Teresa!"

Novo silêncio tomou conta de todos ao ouvirem sua declaração final e ele se pôs mais à frente da assembléia, obviamente orgulhoso de ter sido o escolhido como o arauto da santa aparição. Seus os olhos esquadrinharam o refeitório com um ar complacente que divertiu e confundiu Quatre ao mesmo tempo.

"Onde ela apareceu? Onde?!?" os outros alunos começaram então a gritar.

"Vocês NUNCA adivinharão!!" ele retorquiu, esfuziante.

"Ora, pelo amor de Deus!!" um outro rapaz gritou acima de todos, irritado, ao mesmo tempo em que levantou-se e, furioso, marchou através do refeitório em direção à cozinha, atirando punhais pelos olhos ao colega parado sozinho em pé enquanto deste se aproximava.

Aquela reação de pura raiva chamou a atenção de Quatre. Assustado, seus olhos seguiram a figura alta, esbelta, enquanto o rapaz passava o outro e entrava furioso, pelas portas que levavam à cozinha. Não se lembrava de já tê-lo visto antes – mas o campus era grande e era muito provável que ele só conhecesse, mesmo passado todo aquele tempo, dois-terços de todo o primeiro ano. Aquele estranho (ou assim pensava que o outro fosse) devia ser talvez um dos tipos CDFs que constantemente se enfiava na biblioteca sempre que aparecia uma chance.

O mesmo rapaz – depois da ausência de alguns momentos – reapareceu novamente à porta da cozinha, um olhar bastante aborrecido no rosto. Ele balançou a cabeça e encolheu os ombros.

"Não foi nada, gente." Ele anunciou aos demais num tom firme, controlado, melodioso, e – ao menos para Quatre – um pouco menos atormentado pela raiva: "Era só uma batata. Voltem a comer."

Óbvio, que, em vez de diminuir as dúvidas, o intrigante comentário só fez os estudantes que tinham um zelo católico mais pronunciado dispararem em comentários – e a balbúrdia recomeçou outra vez quando os rapazes começaram a tagarelar excitadamente entre si e a fazerem as perguntas mais disparatadas pela batata santa.

"Madre Teresa apareceu em uma batata?"

"Oh, meu Deus! Como ela fez isso?"

"Ela está morta! Pode fazer qualquer coisa que quiser, seu tolo!"

"Ei, você também apareceria em algo como uma batata, se fosse um santo!!"

Quatre assistia a tudo aquilo com confusão crescente e, apesar querer que Wufei o ajudasse a entender desesperadamente o que estava acontecendo, optou por não fazê-lo. Afinal de contas, o amigo mais parecia estar a ponto de ter um ataque cardíaco de tanta raiva: o contraste de cores em várias tonalidades diferentes no rosto dele já lembrava um arco-íris, quando ele se levantou repentinamente e se enfiou pelo tumulto dos outros alunos, indo em linha reta até o local onde os outros dois rapazes ainda discutiam, no centro do refeitório que agora mais parecia a platéia de um ringue de boxe:

"Não, não, não! Você não entende! Espere...! Deixe-me trazer o cozinheiro!! Foi ele quem viu tudo!"

"Não há NADA o que falar...!! Dennis!" - O rapaz desconhecido que chamara a atenção de Quatre irritou-se novamente, quando Dennis deu-lhe as costas e disparou a toda de volta para a cozinha, chamando, aos gritos, o cozinheiro. "Oh, pelas chagas de ...!!!"

"Cale a boca, Trowa!" Outra voz insuflou-se da turba de alunos, irritada: "Só porque você não acredita em milagres, isso não quer dizer que vai poder desmentir o que aconteceu!"

"Trowa?" Quatre repetiu, piscando. Aquele rapaz era o Trowa Barton de quem Wufei tinha lhe falado antes?

Quatre empurrou a cadeira para trás, levantou-se e esticou o pescoço para acompanhar a volta de um Trowa verdadeiramente puto de raiva a sua cadeira. Dizer que estava espantado com o que via era o mínimo. Afinal de contas, do que entendera das palavras de Wufei, havia ficado convencido que Trowa seria um rapaz desleixado, sujo, de barba por fazer, desalinhado, e ainda assim, um aluno jovem e brilhante, seria um daqueles intratáveis que rosnaria a qualquer um que se aproximasse demais dele. Ao invés disso, acabara de ser apresentado à visão de um rapaz que tinha um ar muito aristocrático sobre si – orgulhoso, reservado, intenso, com uma carga de irritação e impaciência latentes... e sim: inacreditavelmente bonito. O mistério que parecia cercá-lo só fazia aumentar o fascínio dele, uma vez que tinha o rosto parcialmente encoberto e escondido atrás de uma longa franja do cabelo castanho. E o modo como os olhos dele iam de uma coisa a outra ou brilhavam quase que furiosamente assustavam mantendo à distância qualquer um que o observasse – foi o bastante para afastar momentaneamente a mente de Quatre dos acontecimentos milagrosos na cozinha.

O cozinheiro apareceu logo, avental sujo, com espátula e tudo. Era um homem de uns sessenta anos, do tipo magro com um aspecto espectral e com um ar muito supersticioso, sobre o qual todos ali dentro pareciam se alimentar. E com a excitação da possibilidade dele ter sido "o escolhido" enlouquecendo praticamente a turba de alunos no refeitório em um verdadeiro frenesi, sua presença provou ser um elemento aditivo potencialmente mortal aos estudantes com o extremo zelo religioso.

"Diga a eles, Sr. Gray, o que o senhor viu, diga!" Exigiu Dennis, apreciando o fato de ser alvo das atenções novamente.

"Uma batata que se parece com Madre Teresa!" O homem idoso respondeu, sua voz tremendo na felicidade de uma alegria espiritual completa.

À tal declaração o corpo inteiro dos estudantes moveu-se para cima dele como uma onda, na insana intenção de invadir a cozinha. E decerto teriam passado por cima do pobre cozinheiro e do azarado colega sem pensarem duas vezes – quando do nada o som estridente de um apito de arrebentar ouvidos os fez parar como que fulminados em seus lugares.

Era Wufei, de pé em cima de uma mesa, o rosto vermelho e os olhos negros dardejando fogo em todo mundo.

"SENTEM-SE TODOS VOCÊS!!!" berrou ele a plenos pulmões, sua voz reverberando ao longo do refeitório. "MALDIÇÃO!! Onde estão os líderes de Turma? Justin! Walter! Heero! Mantenham seus alunos sob controle! ESTAMOS NA HORA DO CAFÉ DA MANHÃ, POR PIEDADE!!"

"Mas... Mas... é uma aparição!" Um estudante lamentou, no meio da multidão. "É uma aparição santa! Nós não podemos ignorar isto!"

"Eu disse PARA VOCÊS SENTAREM ESSES SEUS TRASEIROS A.G.O.R.A., ou vou mandar TODOS VOCÊS para a sala do Sr. Parrish!"

Forçados a se acalmar – pelo menos momentaneamente – os estudantes voltaram as suas mesas e cadeiras, com Wufei ficando parado no alto da mesa, fumaçando, enquanto assistia os colegas se restabelecerem a um mínimo de dignidade. A ameaça principal de serem enviados à sala do Diretor fora o suficiente para calar mais manifestações a respeito da tal aparição.

"Hã... Wufei?" Outro colega o chamou, humildemente, de algum lugar próximo: "Nós podemos mandar alguém do Clube de Escritores para investigar? Eu acho que é uma grande matéria para o jornal."

"Ah, inferno!" Wufei suspirou pesadamente, enquanto esfregava as têmporas. "Vá em frente, Quatre, e faça o serviço." ordenou.

"Eu?"

"Sim, você! Agora vá, antes que tenhamos outro estouro de boiada, aqui, maldição!!" Ele desceu da mesa para a cadeira e se sentou nela. Apoiando os cotovelos adiante e baixando a cabeça, pediu num sussurro: "Vá, Quatre, por favor. Peça para eles confirmarem o que houve, que lhes contem o que viram, e no fim, diga a eles que você vai indicar a matéria como reportagem para o seu moderador, no jornal. Agora vá."

Quatre o encarou e hesitou. "Certo." ele disse finalmente, empurrando a cadeira para trás e indo com pressa para o lado de Dennis e o cozinheiro, ainda pasmos com o que quase acontecera. Dennis, com um sorriso largo, puxou o loirinho para perto. E quando Quatre tropeçou ao lado dele, seus olhos caíram momentaneamente em Trowa, que estava tomando café da manhã com os colegas do Primeiro Ano B... e que também o estava observando curiosamente.

Os três passaram pelas portas da cozinha e apressaram-se à mesa cumprida onde se encontrava uma pilha de legumes, alguns dos quais já tendo suas cascas retiradas e espalhados por toda a parte da superfície de madeira, alguns até mesmo caídos no chão. Pratos sujos, bem como panelas e pratos estavam espalhados por toda a parte sobre várias outras mesinhas, pia e fogão. Quatre fez uma careta.

"E comemos a comida que sai deste lugar...", pensou, fazendo uma nítida careta de desgosto. "Ecaaaaaaa!!"

"Aqui está, Quatre!" Dennis declarou orgulhosamente, o conduzindo a uma batata bastante volumosa que estava apoiada contra a superfície da mesa, separada do resto dos legumes por causa do seu recém-descoberto status.

O rapaz loiro a encarou.

Encarou.

E continuou encarando.

"Cadê a Madre Teresa?" Ele perguntou.

"O quê? Como assim? Você não pode ver?" Dennis exclamou, incrédulo.

"Mas... Onde? Eu não vejo coisa alguma!"

O companheiro perdeu a paciência. "Oh, pelo amor de Deus! Olhe! Olhe! Vê? Aqui está o véu dela, com as faixas, e aqui os olhos…!"

Dennis apontou para pequenas manchas, depressões e linhas que a batata tinha... e Quatre sentiu-se como se estivesse sendo testado em uma versão católica das famosas 'Pegadinhas', quando estreitou os olhos azuis-claros para dar um olhar rápido à 'freira santificada'. Ele não viu nada, mas teve que admitir que, se olhasse para a batata de um certo ângulo, e dependendo de como a luz agisse, ele poderia imaginar que ele estava vendo Peter Lorre [1].

"Hã... Dennis...? Isto é uma... batata."

"Meu bom Deus, você é um pagão, mesmo!"

Quatre revirou os olhos. "Não tem NADA para ver aqui. Eu vou voltar para o meu café da manhã."

"Ótimo! Zombe, se você quiser! Eu vou levar esta batata para Padre Brian dar uma olhada nela!! Aí sim, veremos quem de nós é um retardado!"

Quatre simplesmente caminhou para fora da cozinha e entrou num refeitório inteiramente silencioso, enquanto os alunos terminavam o café. Todos os olhos estavam nele. E ele odiou ser o foco das atenções, desejando ardentemente que pudesse sair dali sem ser percebido.

"E... então?"

Ele se virou para achar Duo Maxwell, do Primeiro Ano C, olhando para ele. "Estamos comendo batatas que tem santos nelas ou o quê?"

"Eu não vi nada". O rapaz árabe respondeu em voz baixa.

"Oh." Duo disse, piscando. Então deu de ombros. "Certo. Acho que está tudo bem para eu terminar de comer o resto do meu café, então." ele recomeçou a comer sem outra palavra.

"Ora, claro que ele não vai ver nada!" Outro estudante gritou, irritado, de outra turma. "Como poderia? Ele nem mesmo é católico!! Só nós, crentes, podemos ver!"

A este novo argumento, se criou outro um tumulto geral e os alunos estavam mais uma vez debatendo fervorosamente sobre o legume milagroso... e Quatre só pôde suspirar e caminhar de volta a mesa que partilhava com Wufei. Deu um sorriso envergonhado ao amigo, quando se sentou.

"Me desculpe..." Começou. "Não fui de muita ajuda, não é?"

"Não preocupe com isto". Wufei disse, enquanto balançava resignadamente a cabeça. "Só esteja preparado para escrever uma matéria sobre isto para o jornal."

Quatre encarou o café da manhã. Saber que, de alguma maneira o que ele estava comendo ostentava uma semelhança estranha a uma pessoa já falecida, o fez perder o apetite para o café da manhã e ele optou por comer apenas a torrada e os ovos mexidos.

Ao seu redor, a conversa e a boataria começaram a crescer... Desta feita, sobre se transformar a cozinha em um santuário.

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Continua... ^^

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Nota da Tradutora:

[1] Peter Lorre (1904 / 1964) = Ator de origem húngara, foi na Alemanha onde se tornou conhecido – um dos seus principais papéis no cinema foi o do assassino de crianças, em 'M, o vampiro de Dusseldorf', em 1931. Por causa de particularidades em sua aparência física, era de causar medo, portanto, eis a explicação da Lorena em fazer o Quatre comparar a feiúra da pobre batata com o ator.

Maiores detalhes, conferir em:

http: / / www. fafich. ufmg. br / ~labor / cursocinema/ bios/ peterlorre. html

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*MENSAGEM DO NOSSO PATROCINADOR - SÃO YAOI*

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Você já nos mandou reviews?

Já disse quais fics mais gosta, qual autora prefere, qual a melhor caracterização de personagem?

Quais os casais que você adora?

Qual roteiro te fez chorar, qual te fez roer as unhas de nervoso... e qual cena LEMON fez a sua tela de pc pegar fogo?

Já? Já? Já??

POIS MANDE MAIS \O/ FAÇA-NOS FELIZES!!!

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Você já nos mandou reviews...

...e eu ainda não pude responder? NÃO DUVIDE - sua hora irá chegar, hohoho

TENHA FÉ EM SÃO YAOI!!! \O/

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Você NUNCA nos mandou reviews?

NÃO SEJA TÍMIDA!!! ARME-SE DA TARA POR TODAS AS VARIAÇÕES MATEMÁTICAS

... E MANDE, MANDE, MANDE.E.E.E.E.E.E.E.!!!

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MANDEM MAIS REVIEWS!!

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Illy-chan HimuraWakai