James já estava casado havia três meses, e Narcissa ainda não havia recebido notícias dele. Sabia que ele tinha obrigações com a esposa, mas sentia falta daquele homem que a tirava do sério nos menores olhares.

Lucius, o homem que ainda dormia a seu lado, não era metade do que James era. Seu namorado era aquele tipo de homem que se importa apenas consigo mesmo e que, não raro, satisfazia apenas a si próprio, indo dormir logo assim que tivesse um orgasmo. O outro, por sua vez, sempre havia se preocupado em fazer com que ela gostasse.

Narcissa sentia falta de ter prazer, daquela sensação gostosa de fazer algo proibido com um homem proibido. Levantou-se da cama, vestiu um robe de seda verde-escura, foi até o escritório e sentou-se para escrever uma carta para ele. Depois de meia hora procurando as palavras certas para dizer a ele o que queria sem que Lilly tivesse razão para um ataque de ciúmes, lacrou a carta e mandou que sua coruja a entregasse.

James foi despertado pelo pio baixo de uma coruja parada a seu lado. Reconheceu-a imediatamente como pertencente a um Black, e, sabendo perfeitamente bem que Sirius não usava nada da família, pegou a carta e levantou-se da cama, para lê-la longe de Lilly. Sabia que a remetente era Narcissa.

Eu sei que não devia escrever essa carta, porque não sou bem vinda na sua casa, mas acontece que estou com saudade de você, querido.

Ficaria imensamente feliz de vê-lo novamente, nem que fosse por meros cinco minutos. Amanhã, às sete da noite, meu apartamento. Festa de comemoração do meu noivado com o Lucius. Espero você e a Lilly aqui.

Sua Cissy.

James riu do cinismo de Narcissa e, sem hesitar, respondeu a carta:

Nem eu nem minha esposa somos bem vindos em lugares onde Lucius Malfoy estiver presente, Cissy. Mas vou ver o que eu faço. Também estou louco para ver você.

Não assinou a carta; sabia que era melhor manterem o sigilo, não importando o que fosse acontecer entre eles. Quase meia hora depois, chegou a resposta dela:

Por um segundo, tinha esquecido de quem é a mulher com quem você está casado e dos acontecimentos da formatura. Podemos jantar, então? Só eu e você?

Parece perfeito para mim. Dou um jeito de fugir da Lilly e passo pra te pegar às sete.

James esperou por algum tempo, para ver se a resposta dela chegaria. Por fim, voltou ao quarto, onde Lilly ainda dormia. Sentou-se ao lado dela na cama e a acordou.

- Te deixei exausta ontem, foi? - Lilly sorriu.

- Foi sim. Você se empolga demais, Jay.

- Você nunca reclamou.

- Nunca reclamei porque eu adoro isso. Faz muito tempo que você acordou?

- Uns quarenta minutos. O Sirius me acordou.

- Eu vou jogar aquele espelho pela janela. O que o Sirius quer?

- Me ver. Sair comigo. Aquela coisa de sempre, sabe? Cerveja, sinuca, cigarros...

- Mulheres ...

- Oras, Lil, eu achei que já tivesse te convencido de que não vou te trair. Claro que tem mulheres no meio, mas elas vão todas pro Sirius.

- Acho bom que não esteja mentindo, Jay.

- Eu não estou, meu amor. Confia em mim.

Lilly confiava. Achava que ele vinha sendo fiel desde o casamento. Mas James Potter não conhecia a fidelidade e, às vezes, saía de casa atrás de alguém com quem passar algumas poucas horas. Tinha apenas 20 anos. Onde estava com a cabeça quando pediu Lilly em casamento?

- Vou tomar banho, amor. Tenho que ir trabalhar. Você vem comigo?

Ele pulou da cama junto com a mulher e a seguiu até o banheiro. Lilly tirou a finíssima camisola de seda que vestia e entrou no chuveiro. Vendo-a daquele jeito, James se lembrou por que se casara com ela.

Ela saiu para trabalhar, deixando James sozinho em casa até a tarde, quando ele tinha treino. Preferira seguir carreira como apanhador de um time de quadribol em Godric's Hallow, quando se formou na escola, e era exatamente isso o que fazia da vida, enquanto Lilly trabalhava num sub-departamento do Ministério da Magia. Não eram trabalhos que muitos considerassem aceitáveis, mas eram empregos que davam aos dois jovens tudo o que queriam: diversão e dinheiro suficiente para pagar as contas no fim do mês.

James voltou do treino às cinco da tarde e foi tomar banho para se arrumar para o encontro com Narcissa. Lilly só chegaria à casa deles uma hora depois, às seis.

- Tem mesmo que sair com o Sirius hoje, amor?

- Tenho, querida. Por quê?

- Hoje é sexta-feira. Não tenho que trabalhar amanhã. Podíamos passar a noite inteira acordados hoje.

- Eu sei disso, amor... Mas nada impede que você me espere acordada. Quando eu voltar, prometo que faço tudo o que você quiser.

- Você sempre diz isso, Jay.

- Hoje eu vou cumprir. Prometo. Já sabe o que vai fazer enquanto eu estiver fora?

- Me arrumar - ela sorriu, com certa malícia. - Vai voltar cedo hoje?

- Depois da meia-noite.

- James Potter, não faça nada de que você possa se arrepender depois.

- Je ne regrette rien , Lilly.

- Cínico - ela sorriu e beijou o marido. - Por que eu te amo, hein?

- Porque eu sou perfeito pra você?

- É uma hipótese. Quero você em casa antes das duas da manhã. Temos um acordo?

- Ganhei duas horas de bônus?

- Só porque eu confio em você.

James sorriu para seu reflexo no espelho e bagunçou os cabelos, terminando de se arrumar. Eram exatamente seis e meia quando ele se despediu da mulher e saiu de casa. Andou até uma ruela próxima e aparatou para o Beco Diagonal. Passou pelo Caldeirão Furado, onde encontrou Sirius.

- Preciso de um favor seu, Pad - James sentou à frente do amigo, pedindo uma cerveja ao garçom.

- Quem você vai encontrar, Prongs?

- Narcissa.

- Você voltou a correr atrás da minha prima bebê?

- Bebê nada. Ela é bem adulta na cama. E eu não corri atrás dela. Ela que me procurou.

- Você não tem o menor juízo, Prongs. Já conversou com a Cissy?

- Já. Eu costumo conversar com as mulheres que eu levo pra cama.

- Bom pra você. Você quer que eu diga pra Lilly que você passou a noite comigo, certo?

- Exatamente.

- Prongs, quanto tempo a Lilly vai demorar pra achar que você está tendo um caso comigo ?

- Pad!

- Mas é verdade, Prongs! Você tá sempre comigo! Ou você começa a ser fiel, ou você arranja desculpas melhores.

- Então, eu preciso de desculpas melhores. Porque ser fiel não me agrada nem um pouco.

James terminou de beber a cerveja, se despediu do amigo e saiu do bar, indo na direção da rua onde Narcissa morava.

- Cinco minutos atrasado, Jay - ela disse, sorrindo, abrir a porta para ele. - Quer entrar?

- Parei para tomar uma cerveja com o seu primo - ele entrou no apartamento dela e sentou-se no sofá, conforme ela indicava.

- Quer beber alguma coisa, querido?

- Você tem fire whisky?

- Claro que tenho - ela pegou uma garrafa da bebida no armário e encheu um copo, servindo a si mesma uma taça de Martini.

- Quais são os seus planos?

- Meu elfo doméstico está terminando de cozinhar o jantar. Não seria apropriado você me levar a um restaurante, não é mesmo?

- Por mim ou por você? Porque você disse estar noiva do Malfoy.

- E estou - ela mostrou a mão direita para ele. - É um diamante um pouco grande, não acha?

- Ele tem que mostrar que tem dinheiro. E que é seu dono.

- Coitado. Vai ter que pagar bem mais que isso pra se dizer meu dono. Você não tem problemas com noivas, tem?

- Não. Claro que não. Esse anel é bastante tentador. "Testada, aprovada e proibida ".

- A sua aliança é mais tentadora, querido.

- Eu sei disso. Já percebi.

Ela sorriu e colocou a mão na coxa dele.

- Cissy... Não começa.

- Não quer? Por que foi que você veio, então?

- É claro que eu quero. Só não me provoca. Eu vim jantar com você e, desse jeito, não vamos chegar ao jantar.

O elfo apareceu na sala e anunciou que o jantar estava servido. Narcissa conduziu James até o cômodo ao lado e os dois se sentaram à mesa.

- Como é ser casado, Jay?

- É difícil dizer. Tenho que ser menos galinha, e nunca fui muito bom nisso, como você pôde notar. Só que eu tenho com quem transar quando e quanto quiser. E essa é a melhor parte.

- Isso vai ser irrelevante para mim.

- Eu podia jurar que você era ninfomaníaca.

- Não sou ninfo. Só gosto de sexo. Quando o cara faz direito, o que não é o caso do Lucius.

- Ah, não?

- Você acha que eu te procuraria se estivesse satisfeita?

- Quando você se casa, Cissy?

- Daqui a um ano, se nada adiantar os planos.

- E o que poderia acontecer?

- O Lucius tem certas obrigações no trabalho que poderiam forçá-lo a viajar na época em que planejamos o casamento. E, claro, sempre há risco de eu engravidar.

- Mas você não toma aquela poção?

- Anticoncepcional? Não. O Lucius não gosta que eu tome. Diz que diminui a minha vontade.

- Como você pode casar com alguém tão egoísta?

- O que me importa é o que meus pais irão dizer. Não preciso me preocupar com o Lucius se consigo amantes num estalar de dedos.

- Já pensou o que vai ser quando descobrirem seus amantes?

- Ninguém vai saber. Eu sou discreta - James sorriu. - Sabe de uma coisa? Eu queria ser sua amante - ela murmurou, olhando para o próprio prato. James fitou Narcissa.

- Minha amante? Cissy, eu estou tentando sossegar.

- Eu sei disso, Jay. Mas é que não está dando muito certo.

- Eu queria que desse. Só que, quando eu estou quase conseguindo, acontecem coisas como essa. Sua proposta é tentadora demais.

- Aceita ela. Eu queria mesmo ser sua amante.

- Cissy, você sabe o que isso significa?

- Que eu vou ter você freqüentemente.

- E que a Lilly vai matar você se descobrir.

- Eu não me importo com isso. E já disse: se você souber ser discreto, ela não vai descobrir nunca.

- Você vai querer ser a única?

- E é possível querer exclusividade quando se é a amante? - Narcissa gargalhou falsamente. - Não, Jay, não quero ser a única. Mas você vai acabar me colocando nesse posto.

O elfo entrou novamente na sala, ao notar que os dois já haviam acabado de comer.

- Posso trazer a sobremesa, senhores?

- Eu preferiria que não trouxesse - James respondeu. - Estou de dieta - Narcissa olhou para ele, com ar de "essa frase é minha". - Pesado demais para um apanhador.

- Quem disse isso? - Narcissa ria.

- Meu técnico. Ele disse que, depois de casar, ganhei peso. Tenho que perder dois quilos para um jogo na semana que vem.

- Coitado de você. - Narcissa fez cara de pesar e se voltou para o elfo: - Deixe a sobremesa na cozinha. Vamos querer ela depois.

- Quer mais alguma coisa, senhorita?

- Sabe aquelas garrafas de champanhe que o Lucius comprou para amanhã? Pegue uma delas e um balde de gelo e leve para o meu quarto. Acho que não precisaremos de taças. Depois, você pode ir terminar seus outros afazeres.

- Sim senhorita. Se os senhores permitem, Dobby vai fazer o que a senhorita mandou.

O elfo fez uma reverência e saiu da sala. James olhou para Narcissa.

- Você fica tão sexy dando ordens... - ela sorriu.

- Vamos para o quarto, querido?

- Mas já? Merlin, eu adoro esse seu jeito de me pedir as coisas.

- Eu sei. Todos os homens amam. Vamos?

Os dois se levantaram da mesa e foram até o quarto dela, de onde Dobby acabava de sair. Narcissa trancou a porta e beijou James.

- Você ainda não disse se quer que eu seja a sua amante.

- Eu poderia jurar que tinha deixado essa intenção bem clara na última vez que nos vimos.

- Ah, é... Então, você vai me salvar do Lucius?

- Claro.

Narcissa tirou os escarpins de salto alto, deixando-os ao pé da cama, e andou novamente até James.

- Você está irritantemente lindo hoje. Quase dá pena de tirar a sua roupa.

- Tudo bem. Eu tiro sozinho.

Ela sorriu e beijou James, com desejo e malícia, daquele jeito que só ela sabia beijar. James correspondeu, ainda mais intensamente. Sentira falta daquela boca, daquele corpo, daquele cheiro. Sentira falta daquela Narcissa que conhecera ainda menina e que ele próprio tornara mulher.

Lentamente, abriu o zíper do vestido branco que ela usava e o desceu pelo corpo da amante. Ela tirou a camisa dele, correu os dedos por sua pele, sem arranhá-lo. James se lembrou da primeira vez. Ela decididamente estava mais segura agora do que antes.

Ele a deitou na cama e pegou a garrafa de champanhe, que estava sobre a mesa de cabeceira. Abriu-a e sentou-se ao lado de Narcissa, que sorriu ao ver o olhar malicioso dele.

- Gostou da idéia, safada? Mas eu nem fiz nada ainda!

- O que você está esperando para fazer?

Ele riu e entornou um pouco da bebida na barriga dela. Narcissa gemeu baixinho ao sentir o contato do líquido gelado em sua pele, seguido pelos lábios quentes de James, que lambia o champanhe.

- Deixa um pouco pra mim, Jay.

- Vou tentar.

James repetiu a ação, aumentando lentamente a área pela qual espalhava a bebida. Conforme a garrafa ia esvaziando, ele ia percorrendo o corpo dela inteiro, enquanto Narcissa gemia e murmurava palavras desconexas.

- Você não acha que está na hora de me deixar brincar um pouquinho?

Ele revirou os olhos e colocou a garrafa dentro do balde de gelo. Deitou ao lado de Narcissa, que se sentou sobre ele e pegou o champanhe. Bebeu um gole do líquido e virou um pouco no umbigo dele. Colou os lábios à sua pele quente e sorveu a bebida, correndo a língua pela barriga dele. James fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, para conter um gemido. Ela continuava a enlouquecê-lo, mesmo nos menores toques.

- Gostou, foi? Eu sou malvada, não sou?

- Cruel - ele gemeu, quando ela mordeu sua orelha. Narcissa sorriu. - Continua, Cissy.

- Não mande em mim, Potter.

Mas Narcissa obedeceu. Desceu o corpo sobre o dele novamente e virou o champanhe em sua barriga, observando a forma como ele se espalhava pelos músculos definidos de James. Lambeu até am última gota e virou novamente. Foi fazendo isso até restar um pouco mais de um dedo de champanhe na garrafa. Beijou a boca dele, entregando-lhe a garrafa, e deitou na cama.

- Quer acabar com a minha brincadeira, Narcissa? - James bebeu o restante do champanhe, colocou a garrafa no chão e pegou o balde de gelo. - Tudo bem, querida. Sempre há o plano B.

Ele pegou uma pedra de gelo e a encostou no pescoço de Narcissa, deslizando-a sobre sua pele e provocando-lhe arrepios. Narcissa se contorcia de prazer, à medida que ele corria seu corpo com o gelo, lambendo a água em que ele se desfazia.

- Sentiu falta de um homem, foi?

- Já estava enlouquecendo.

- Achei que você só enlouquecesse quando eu estou aqui.

- Não, Jay. Eu te enlouqueço.

- Isso, minha querida, é a mais pura verdade - ele voltou a beijá-la na boca. Narcissa envolveu a cintura dele com as pernas. Estava cansada de brincar, e essa era sua forma de pedir que ele parasse com isso e fosse logo ao que importava de verdade.

Pela primeira vez em sua vida, James atendeu prontamente um pedido de uma mulher. Penetrou-a com certa força, o que fez Narcissa gemer alto e agarrar os lençóis da cama.

- Você realmente estava precisando de um homem de verdade.

- Cala a boca e continua. Com mais força. Muito mais força.

James riu da exigência dela. Lilly era o tipo de mulher calminha, que prefere "fazer amor". Narcissa era o tipo de mulher de que ele gostava: tinha jeito de menininha inocente e angelical, mas, na cama, era louca e selvagem.

Obedeceu. Sempre acabava obedecendo. Investia cada vez mais rápido e com mais força, fazendo-a gemer, naquele misto de dor e prazer que adorava sentir. Ele chegou primeiro ao orgasmo, e Narcissa, esquecendo-se por um instante de quem era o homem que estava sobre si, se preparou para vê-lo sair de cima dela e deitar-se na cama, após ter satisfeito suas vontades. Mas era James Potter o homem que estava com ela, e ele não o fez. Ela suspirou, com certo alívio, e suplicou:

- Continua, Jay.

Ele fez o que ela pedia, até que, pouco depois, ela também chegou ao clímax, os olhos azuis embaçados pelas lágrimas.

- Eu morreria feliz agora - Narcissa murmurou, quando ele deitou na cama.

- Mas você não pode morrer agora. Precisamos aprender o Kama Sutra antes disso. Além do mais, você tem só 18 anos. Ainda vai ter muitas transas maravilhosas na vida.

- Quantas delas com você?

- A maior parte delas. Prometo. Que horas são?

- Vinte pras onze. Por quê?

- A gente demorou. Eu preciso ir pra casa.

- Agora?

- Não. Preciso tomar um banho, ver o tamanho do estrago que você fez... Depois, nós podemos ir comer a tal sobremesa... E eu vou pra casa, quando meu cabelo já estiver seco e tudo mais.

- Tudo bem, então - Narcissa levantou da cama e vestiu o robe. - O banheiro é ali - ela apontou para uma porta ao lado de um imenso espelho na parede de frente para a cama.

- Como eu não tinha visto esse espelho?

- Você não é narcisista. Vou pegar uma toalha pra você. Pode me esperar lá.
Narcissa saiu do quarto. James pegou suas roupas no chão, antes de ir para o banheiro. Ela não demorou a entrar e fechar a porta. Colocou a toalha sobre o mármore da pia e, lenta e sensualmente, tirou o robe, deixando-o caído no chão.

- Posso entrar, Jay?

- Por favor.

Narcissa entrou debaixo do chuveiro e sentiu a água quente escorrer por seu corpo. Odiava tomar banho acompanhada, porque realmente parecia ter acabado de ser salva de um afogamento e, não importava o que os outros dissessem, não iria achar isso sexy nunca. Mas não queria perder um segundo que fosse com James, e iria fazer qualquer sacrifício para isso.

- Quando você volta?

- Eu ainda nem fui embora!

- Quando você volta?

- Em breve. Tenho um jogo em Londres na quinta-feira, e a Lilly vem passar um mês aqui, a trabalho.

- Quando ela vem?

- No próximo fim de semana.

- Sábado?

- Sim. Por quê?

- Convide-a para um jantar aqui. Diga que eu faço muita questão e que eu prometo ser boazinha.

- Você é louca.

- Não. Eu sei muito bem o que estou fazendo. - Narcissa beijou James e sussurrou em seu ouvido: - Confia em mim, querido.

Lilly estava deitada na cama, esperando pelo marido. Eram quase duas da manhã, e ela se perguntava por onde ele estava.

- Lil? - James entrou no quarto e ela olhou para ele.

- Você demorou.

- Você disse que me esperava até as duas - ele sentou na cama e tirou os sapatos.

- Como está o Sirius?

- Às voltas com a Bellatrix, como sempre. Encontramos a Cissy.

- A Narcissa , James?

- É. A irmã da Bellatrix. Sabe quem é?

- Sei. A vagabunda que passou a sua despedida com você.

- Essa. Ficamos conversando. Ela nos convidou para ir jantar no apartamento dela, na semana que vem.

- "Nós" quem?

- Eu e você. Eu contei que vamos estar em Londres no próximo fim de semana e ela disse que fazia questão de nos oferecer um jantar. Não podia recusar, não é mesmo?

- O Malfoy vai estar lá?

- Não sei. Isso não faz diferença para mim.

- Porque não foi você que ele beijou.

- Ah, Lil, venha cá - ele abraçou a mulher. - Eu te protejo dele.

- Que perfume é esse, Jay?

- Onde, Lil?

- Na sua roupa. Que cheiro é esse?

- Ah, não é nada. É só que... Você como é a Narcissa. Toma um banho de perfume antes de sair de casa. Nos cumprimentamos com um abraço, como velhos amigos. É natural que eu tenha um pouco do perfume dela.

- Assim como é natural que sua roupa esteja amarrotada, é claro.

- Por Merlin, Lilly, você sabe que eu odeio essas suas crises de ciúmes! Eu não fiz nada com a Narcissa. Nós apenas conversamos.

- Isso não é uma crise de ciúmes, Jay! Você tinha jurado que não ia ter mais nada com aquela vadia!

- E eu não tenho nada com ela, Lil!

- E eu acredito em você - ela murmurou, com sarcasmo e desprezo, apagando a luz e deitando-se na cama. James tirou os sapatos e deitou-se a seu lado, mas Lilly virou-se para ele e disse: - Aqui você não dorme. Fora da minha cama!

James levantou-se, pegou os travesseiros e foi para a sala. Deitou no sofá, tirou os óculos e ficou contemplando o teto. Sem trocar de roupa, adormeceu.

Quando acordou no dia seguinte, Lilly já tinha saído. Não sabia onde ela estava: era sábado, e nenhum dos dois trabalhava no fim de semana.

Tomou café sozinho e foi tomar um banho. Pensava em Narcissa. Precisava parar com aquilo. Estava enlouquecendo com aquelas mentiras que contava à mulher que amava por conta das amantes e, não conseguiria esconder a Black por muito tempo. Lilly já sabia que havia algo errado.

Contemplou o próprio corpo nu, no espelho. Passou os dedos sobre uma marca circular em sua cintura, única prova física de sua traição, fruto de uma mordida que a loura lhe dera pouco antes de deixá-lo ir embora.

Abriu o chuveiro. A água gelada bateu em sua cabeça e correu por suas costas, provocando-lhe um arrepio sinistro. Esmurrou a parede à sua frente e encostou a testa nos azulejos gelados, com lágrimas nos olhos. Precisava acabar com aquilo, mesmo que não quisesse.

Acabou por convencer Lilly a ir ao jantar na casa de Narcissa. A ruiva não parecia muito feliz com isso, mas, mesmo assim, conversava alegremente com Sirius, enquanto esperavam que a anfitriã abrisse a porta.

- Olá, Jay! Lilly, como você está linda hoje! Sirius?

- Eu espero que você não se incomode de termos trazido o seu primo.

- Não, claro que não! Entrem, por favor - ela escancarou a porta e os três entraram no apartamento. - Querem beber alguma coisa?

- Cerveja amanteigada com vodka - James respondeu prontamente, fazendo Narcissa sorrir. - Deu vontade. Não bebo isso há séculos. Desde a minha formatura.

- E vocês?

- Fire whisky, com quase nada de gelo. Black label, por Merlin.

- Só há Black na minha casa, Sirius. Evans?

- Potter , Narcissa. Ela está casada comigo.

- Ah, perdão, James! É o hábito. Não quer nada, querida?

- Um vinho tinto, por favor.

Narcissa serviu os drinques, os entregou a seus devidos donos e sentou na poltrona, à frente de James. Conversaram, com certa formalidade e evitando trocas significativas de olhares. Por fim, Dobby entrou na sala.

- O jantar está servido.

Os quatro se levantaram e foram para a sala de jantar. Narcissa sentou-se à cabeceira da mesa, com James à sua direita e Lilly à sua esquerda. As duas mulheres conversavam animadamente, quase como duas velhas amigas, enquanto a loura aproveitava breves momentos de distração da ruiva para, por debaixo da mesa, arranhar de leve a perna de James, como se quisesse dizer que se controlava muito para não carregá-lo para seu quarto.

Tudo corria perfeitamente bem. Dobby fingia não conhecer James, e nenhum dos Black havia dito algo comprometedor. Isso até Sirius perguntar:

- Como vai a Bella, Cissy? Não tenho notícias dela desde o casamento do James!

- A Bellatrix não foi ao meu casamento - Lilly sibilou, perigosamente irritada. - E eu poderia jurar que você continuava tendo um caso com ela. Pelo menos, foi o que o James disse.

- Foi o que ele deu a entender! - James disse, numa tentativa desesperada e frustrada de se salvar.

- Ah, sério? E quando foi que vocês se viram pela última vez, James? Antes ou depois de você levar essa vadia pra cama?

- Você acha que eu transei com a Narcissa?

- Eu tenho certeza!

- E se transou? - Narcissa interveio, o que deixou James ainda mais desesperado. Não iria sair boa coisa dali. - Ele estava completamente bêbado, e eu o provoquei! Ele não tem a menor culpa!

- Ah, não? Então, ele comeu você totalmente inconsciente do que estava fazendo?

- E sob efeito da Maldição Imperius.

- É uma pena que eu saiba que isso é mentira.

Lilly desaparatou dali e Narcissa se retirou da sala. James e Sirius se entreolharam.

- Obrigado por estragar meu casamento, Padfoot - James tentava usar um ar frio, mas o apelido por que chamou o amigo quebrou esse clima.

- Eu não estraguei nada. Você fez isso sozinho. Não mandei você ter um caso com a irmã da minha amante.

- E você tinha que falar nela?

- Eu ia saber que você colocou a Bella no meio dessa história? Quer saber? Eu não vou me meter mais nisso. Quer ter um caso? Tenha. Você é adulto, sabe o que está fazendo. Mas não conte comigo. A Lilly é uma mulher maravilhosa demais pra ser traída desse jeito. Ela não merece isso. Não ouse censurá-la se ela resolver correr atrás de outros homens pra ela. E tenha certeza de que eu vou me oferecer pra ser o primeiro.

Sirius desaparatou. James ficou alguns segundos olhando para a própria taça de vinho, brincando com o líquido vermelho-sangue. Bebeu-o todo de uma vez e se dirigiu ao quarto de Narcissa, que havia acabado de tirar o vestido quando ele entrou.

- Veio me dizer que não podemos continuar, e que você está feliz casado com a mulher que você ama?

- Sim.

- Então, poupe-se esse trabalho e vá embora de uma vez.

Narcissa virou-se de costas e vestiu o robe. Não queria vê-lo ir embora. Mas James não foi. Em vez disso, a abraçou e beijou sua nuca, fazendo-a se encolher e virar para ele.

- Isso tem que acabar. Eu estou casado com alguém que eu amo e que não quero perder. Mas também não quero perder você, nem quero que isso aqui acabe.

- De que adianta você me desejar, Jay?

- Não sei... - ele tirou o robe dela e a deitou na cama. - Talvez isso seja o bastante para sentirmos prazer...

- Por favor, me diz que eu estou delirando - Lilly disse, quando ele entrou no quarto. - Você não chegou às três da manhã, vindo da casa da Narcissa.

- Não quer acreditar, não acredita. A verdade é que eu estava na casa da Cissy, me divertindo absurdamente com ela e uma outra mulher. Que detalhes? Eu conto todos direitinho. Aposto que consigo te fazer ter um orgasmo só contando.

Lilly olhou para o marido, com nojo.

- Some daqui, James.

- Não. A gente precisa conversar.

- Precisa? Eu não acho.

- Olha pra mim, Lilly - ele puxou a mulher e a imprensou contra a parede, forçando-a a olhar em seus olhos. - Não ache que eu estou feliz.

- Por que você faz isso, então?

- Porque eu tenho 20 anos! Casar foi uma estupidez. Eu não estava pronto pra isso. Você não me merece, Lil. E eu passo noites e mais noites sem conseguir dormir por causa disso. A consciência pesa.

- Então pára. Não era tão impossível assim ser fiel a mim quando estávamos na escola, era?

- Não, não era. Eu parei. Acabei de dizer isso pra Cissy - mentiu.

- Acho bom. Agora, fora do meu quarto!

Ele desaparatou para casa. Deitou na cama e dormiu. Naquele momento, estava se sentindo mais cansado que culpado.