N/A: Twilight não me pertence.
Obrigada Lou por, mesmo ocupada, aceitar betar essa fic, sua linda. Obrigada Dans por ficar me ouvindo tagarelar sobre isso no MSN.
Celebridade do mês
Dia 3
Gavetas abrindo e fechando. O som era distante, porém presente. Será que era um sonho? Comecei a despertar e meus olhos se abriam aos poucos, ainda lutando contra o sono. Tateei a mesa de cabeceira, acendi o abajur e encarei o relógio. Ainda não eram nem 10 horas da manhã e eu já estava acordada. Saí da cama, repousando meus pés sobre o chão, quando novamente ouvi o som de gavetas sendo fechadas com bastante força. Caminhei pelo quarto, seguindo o barulho até ficar de frente para o closet. As portas estavam fechadas, mas conseguia ver que a luz lá dentro estava acessa graças a uma fenda próxima ao chão. Abri a porta e meu coração disparou. No meio do grande armário havia uma pilha de roupas e logo ao lado uma menina baixinha e totalmente desconhecida segurando uma saia florida queme pertencia.
- AHHH! – gritei, afinal foi isso que minha mãe me ensinou a fazer caso algum desconhecido tentasse invadir minha casa. Bom, isso e ligar para o 911, mas meus pés não se moviam.
- Eu sei – ela falou levantando a saia que estava em suas mãos e pegando a blusa igualmente florida que completava o conjunto – Também quis gritar de pavor quando vi isso!
- Quem é você? – perguntei. A menina foi chegando mais perto de mim e fui dando passos para trás até bater em algo... ou alguém, já que mãos cheia de calos envolveram minha cintura, encostando em minha pele por debaixo da blusa e restabelecendo meu equilíbrio.
- O que houve? – Edward perguntou olhando para mim e eu simplesmente apontei para a pessoa dentro do armário – Alice!
- Oi maninho – a menina falou dando um sorriso que deixava seu rosto deveras infantil.
- Nem vem com esse papo de maninho! Eu falei que não era pra você entrar no armário dela sem antes conhecê-la!
- Eu sei, mas é que cheguei aqui às 6 horas. Tentei até ficar um pouco na cozinha com a Zaza, mas ela falou "menina Alice, vá assistir um pouco de TV e deixe-me cuidar dessa cozinha" – Alice imitou de forma assustadoramente perfeita a voz de Zafrina – Eu juro que estava indo pro meu quarto assistir televisão, mas quando passei pela porta desse quarto não resisti! Eu sabia que tinha um armário cheio de roupas e olha o que eu encontrei – ela falou novamente levantando minhas peças de roupas – não posso permitir que alguém use isso!
- Ei! Não fala assim das minhas roupas! E isso foi presente!
- Ser presente não é justificativa. É só ir à loja trocar que vai continuar sendo presente se você não pagou por aquilo.
- Alice, como você passou pelo portão? Nem com segurança eu consigo te manter longe, é isso? – Edward exalou forte, indo até a irmã. Suas mãos saindo de minha cintura.
- Eu falei pro Demetri que estava com saudades de você e que a mamãe tinha me mandado. Eu posso ter chorado um pouco também. Aliás, ótima escolha na contratação, ele é um gato.
- Você é terrível. – ele falou a abraçando.
- Mas você continua me amando! – ela falou bagunçando o cabelo dele.
- Bella, essa é minha irmã pentelha, Alice.
- Muito prazer – ela falou estendendo a mão para mim em um gesto de cumprimento. – Eu sinto muito por ter te assustado.
- É. Edward já havia me avisado sobre essa sua... mania, mas acho que ainda estava um pouco inconsciente quando escutei o barulho de outra pessoa dentro do meu quarto para poder associar o que ouvi a qualquer aviso prévio que ele fez.
- Eu sinto muito, sinceramente. Espero não ter te acordado. – ela falou e parecia estar falando a verdade.
- Tudo bem, mas, por favor, não mexa mais nas minhas coisas sem minha autorização.
- Posso ao menos jogar aquela pilha de roupas fora? – perguntou esperançosa.
- O que? Você é louca? Aquilo é mais da metade das roupas que eu trouxe para cá!
- Eu vou repor tudo com novas peças, só que bonitas! Eu prometo.
- Não – falei cruzando os braços. Aquela efusividade toda já estava me irritando.
- Edward... – Alice falou fazendo bico para ele.
- O que? Eu não vou me meter. Quer saber? Na verdade eu vou sim, Bella está absolutamente certa. – ele falou e eu dei um sorriso de vitória em direção a Alice.
- Ok. Posso ao menos te enviar algumas peças de roupa?
- Não. Eu realmente não me importo com moda. Não vou gastar meu dinheiro com isso.
- Você não vai gastar nada – falou.
- Também não quero ninguém pagando pelas minhas coisas – disse lançando um olhar severo a Edward, que havia pagado pelo nosso lanche no dia anterior.
- É de graça.
- De graça? Você acha que vai me convencer com isso?
- Err... – Edward murmurou coçando a cabeça – Ela está sendo sincera. Alice é uma personal stylist, muitos estilistas enviam roupas para ela na esperança que um de seus clientes irá usar a peça e divulgar a marca.
- Sim, não sairia um centavo do meu bolso – Alice reafirmou.
- Não sei... – falei colocando o dedão na boca e mordendo a unha.
- Por favor? – Alice falou com os olhos brilhando. Meu deus, ela estava chorando?
- Eu aceito com uma condição.
- Qual?
- Você vai guardar todas minhas roupas de volta.
- Ok! – respondeu imediatamente batendo palmas e quase saltitando.
- Todas. Eu faço uma lista de todas as roupas que levo quando saio de casa, então vou saber de qualquer coisa que estiver faltando.
- Droga – ela falou pegando certa quantidade de roupas do chão e abrindo uma gaveta – Mas a gente começa hoje! Aposto que você não tem o que vestir para a première de "Amor escrito ao contrário é Roma".
- Não... – falei mordendo o dedo com tanta força que arranquei um pedaço da unha.
- Pode ficar tranqüila, eu tenho um Armani que vai ficar ótimo em você, o azul dele vai formar um ótimo contraste com a sua pele, fora que o tecido... – ela continuou falando, mas era como se meu cérebro tivesse a colocado no mudo.
A boca dela se movia rápido demais, ela parecia gesticular cada palavra e meu Deus, eu juro que ela estava ficando um pouco roxa. Será estava respirando?
- Seria bom começarmos a fazer o seu cabelo depois do almoço, eu estou vendo daqui que as pontas estão um pouco ressecadas. Definitivamente vamos precisar de uma manicure – comentou praticamente fuzilando com o olhar o dedo que eu estava mordendo - e pedicure, sem falar na maquiagem. Tenho que pausar isso aqui pra fazer uma ligação urgente para Eleazar. Já volto. – disse tirando o celular do bolso e saindo do quarto.
- Ah meu Deus, no que me meti? – perguntei olhando para Edward
- Por que você acha que tento me proteger das visitas dela?
- Ela é louca.
- Sinto muito pelo que ela vai fazer você passar hoje. Comigo pelo menos ela só vai exigir que vista o que ela escolheu.
- Por que eu aceitei isso? – gemi irritada colocando as mãos nos cabelos e os puxando pela raiz.
- Vamos comer, Carrapata – ele falou retirando minhas mãos da minha cabeça com cuidado para não arrancar qualquer fio de cabelo – Antes que você fique careca.
Assim que alcançamos o último degrau da escada do primeiro andar, demos de frente com Nessie que não parava de correr em círculos tentando morder o próprio rabo.
- Alice! O que você fez com a minha cachorra? – ele perguntou pegando Nessie e a trazendo para perto de nós para que pudéssemos a observar. Ela usava um vestidinho rosa com a frase "Eu amo meu boxer" escrito bem no centro, mas o que parecia estar causando incômodo era um laço rosa coberto de purpurina amarrado em seu rabo.
- Nem a cachorra consegue escapar? – falei libertando a cadela do laço.
- Ela sempre insiste em vestir a Nessie. Outro dia ela colocou um tutu na minha cachorra! Tutu, Bella! Que homem tem uma cachorra que veste tutu?
- Aparentemente Edward Cullen tem. – falei rindo e tirando Nessie do colo dele. Ela parecia estar confortável com a roupa.
- Vocês vão me matar – ele falou sacudindo a cabeça e indo para a cozinha.
Eu não deveria deixar o lado de Edward, mas ele prometeu que ficaria em casa assistindo TV até o horário em que deveria começar a se arrumar para a festa. Alice conseguiu, as pressas, marcar um horário no salão de Eleazar. Nós chegamos ao cabeleireiro de luxo quando eram cerca de 14 horas. Além da equipe que trabalhava lá não havia mais ninguém. Alice então me informou que tinha pedido exclusividade e que o local foi fechado para nós.
Eleazar quase teve um ataque quando viu Alice, eles se beijaram três vezes na bochecha e pareciam amigos distantes que não se viam há séculos. Eleazer era um homem baixo, mas ficava da minha altura graças aos saltos que usava. Me senti uma tola porque um homem caminhava de salto mil vezes melhor que eu.
- Quem temos aqui, querida Ali? – ele perguntou olhando pra mim e começou a tocar em meu cabelo.
- Bella Swan, ela está trabalhando com meu irmão esse mês e como te informei pelo telefone tem uma première badaladíssima para ir hoje.
- Posso até ver porque a urgência! Meu deus, amiga! Como as pontas desse cabelo estão desidratadas!
- Eu sei, Elê! Eu falei pra ela que estavam!
- Querida, vou fazer o que é possível, mas não sei se vai ter como ficar perfeito. – falou exalando com força e fazendo uma cara de preocupação.
- Claro que vai! Você é o melhor, Elê! Alguma vez você já me decepcionou? – Alice disse bajulando o amigo.
- É verdade, eu sou o melhor! Senta aí, gata. É hoje que vamos deixar esse cabelo per-fei-to! – falou separando cada sílaba da palavra.
Preciso falar que estava mortificada? Meus cabelos não estavam tão ressecados assim. Bom, pelo menos não para mim. Tudo bem que não eram cabelos dignos de comerciais de shampoo, mas também não era tudo aquilo de ruim que eles faziam parecer.
Enquanto Eleazar hidratava meu cabelo, uma menina cuidava das minhas unhas das mãos e outra das unhas dos pés, era uma loucura. Alice não parava de fofocar com "Elê". Ele contava pra ela tudo que aconteceu no salão no último mês, não poupando detalhes. Certa hora quis falar para ele limpar o veneno, pois era difícil sair um elogio daquela boca. Não queria nem imaginar o que ele iria falar de mim depois que eu saísse daqui. Quando as meninas das unhas acabaram sua parte Eleazar começou a secar e a fazer alguns cachos em meu cabelo. Assim que terminou Alice pediu para cuidar do meu penteado.
- Elê, deixa que eu já sei exatamente o que quero fazer com o cabelo dela.
- Ela é toda sua, querida Ali. Sente só a maciez! Acho que é uma das minhas maiores obras de arte.
- Meu Deus! – Alice falava enquanto seus dedos passeavam por uma mecha de meus cabelos – Estão tão macios que estou até com inveja!
- Só marcar, querida! – ele falou – Você sabe que sempre tenho um horário pra você.
- Obrigada! Que tal terminarmos isso em casa, Bella?
- Tudo bem. – falei, mas na verdade queria agradecê-la pela sugestão. Estava completamente fora da minha zona de conforto.
Assim que chegamos a casa, Alice me levou direto para seu quarto. Ele era imaculado, nada fora do lugar. No centro de uma parede havia uma penteadeira enorme. Ela virou a cadeira de costas para o espelho e pediu que eu me sentasse.
- É mais divertido assim, no final você vira e tem uma surpresa – falou indo para trás de mim e mexendo em meus cabelos.
- Você sabe o que está fazendo? – perguntei, já que afinal ela tinha me tirado de um cabeleireiro para terminar si própria o trabalho.
- Sim, eu fiz um curso de penteados com Elê há algum tempo, não se preocupe. Quando eu era pequena, meu sonho era ter uma irmã pra brincar de cabeleireira e pentear o cabelo dela. Uma vez Emmett e Edward acordaram com o cabelo cheio de tererê, eles tinham um sono muito pesado e eu fiz tudo enquanto eles dormiam. Eles não acharam muita graça, mas eu me diverti tanto.
- Aposto que você tem um monte de histórias engraçadas da infância com Edward Cullen.
- Muitas. Você quer saber algumas? Aposto que ele vai ficar super sem graça. – ela falou soltando uma gargalhada.
- É claro que eu quero saber!
- Você sabia que ele tem medo de peixe?
- Não. Por quê? Algo me diz que essa é uma boa história.
- Lá em Chicago nós tínhamos um aquário bem grande na sala. Não sei se você já teve um, mas é normal limpa-los de mês em mês. Tinha um mês que havíamos comprado esse e era finalmente dia da limpeza. Eu estava super entusiasmada e Emmett também, mas Edward sempre teve um pouco de medo daquele aquário, ele era bem pequeno, deveria ter uns 2 anos. A mamãe trouxe uma bacia cheia d'água e colocou em cima da mesa, depois com uma cestinha começou a tirar os peixes do aquário e foi colocando lá dentro. Eu estava parada ao lado da bacia, meus olhos esbugalhados não perdendo uma ação sequer da mamãe, e Emmett colado ao meu lado, já Edward estava um pouco distante. Mamãe então resolveu chamá-lo, tentando fazer com que ele perdesse um pouco de medo dos peixinhos, dizendo que eles eram lindos e coloridos, não faziam mal algum. Tudo estava indo muito bem, Edward estava até sorrindo para os animais. Até o momento que tudo deu errado – ela falou e fez uma pausa.
Enquanto alguns achariam que aquela pausa era pra respirar, eu não tinha dúvidas que era somente para fazer um mistério. Notando que seu plano de suspense havia dado certo e minha curiosidade estava aguçada, resolveu continuar.
- Mamãe retirou um dos peixes e ele começou a se remexer dentro da cestinha, antes que ela pudesse o colocar dentro da bacia ele pulou e caiu do chão. Eu levei um susto tão grande que comecei a gritar, e não demorou pra mamãe e Emmett juntarem-se a mim e começarem a gritar atrás do papai pra pegar o peixe. Quando fomos reparar Edward estava atrás do sofá tremendo e chorando. Ele ficou apavorado com a nossa reação. Desde esse dia ele passa longe de peixe. Nem de comê-los ele gosta, toda vez que alguém preparava peixe lá em casa ele falava que se sentia enjoado, mas eu sei que na verdade ele tinha medo, mesmo eles estando fritos.
- Pobrezinho – falei morrendo de pena de um Edward pequenininho chorando e cheio de medo.
- Eu sei. Ainda sinto um pouco de culpa, sabe? Mas não para por ai, Edward tem outras histórias traumáticas de infância. Quando eu tinha uns 6 anos, tinham acabado de lançar um carro de bombeiros que você colocava água dentro e era só apertar um dos botões do controle remoto que a água saía pela mangueira. Emmett era louco por aquele carro e foi pedir para mamãe, mas naquele dia ele havia aprontado todas e ela o deixou de castigo. Como punição ela falou que caso ele quisesse tanto o carrinho, podia ir pro jardim e fazer um bazar com os brinquedos antigos que não usava mais. Ele não gostou muito no começo, mas queria tanto o carrinho que resolveu por em prática aquela idéia. Eu e Edward o seguimos e até o ajudamos a organizar as coisas no jardim.
- E alguém comprou alguma coisa?
- Ah, algumas pessoas só passavam, mas uns chegavam a comprar os brinquedos, principalmente nossos amiguinhos de colégio, porém Emmett estava longe de conseguir toda grana para comprar o carrinho. Foi então que uma vizinha nossa, que era muito amiga da mamãe, apareceu e olhou os brinquedos, mas quanto os olhos dela pararam no Edward, começou a o elogiar, falando o quanto ele estava crescido e que era uma das crianças mais adoráveis e belas que ela já tinha visto. Eu vi exatamente o momento em que os olhos de Emmett brilharam e ele teve uma idéia. Ele pegou Edward pelo braço e colocou em frente à moça dizendo "Ele pode ser seu por 200 dólares". Edward tinha só 4 anos e respondeu com uma risada dizendo "Emmy a mamãe disse que a cegonha me trouxe especialmente pra ela, você não pode me vender, bobo". Quando eu vi a vizinha abrindo a carteira saí correndo para cozinha e fui contar para mamãe. Imagina o rosto dela quando cheguei histérica e falei cheia de indignação que Emmett estava vendendo meu maninho no jardim.
- Ah meu Deus! – falei rindo – E o que ela fez?
- Foi correndo pro jardim, o que mais ela poderia fazer? Quando chegou lá a nossa vizinha estava dando uma nota de 10 dólares para Emmett porque ele era muito criativo. Mamãe o deixou de castigo por uma semana depois dessa.
- Edward sofria com vocês, né?
- Na maioria das vezes, já que é o caçula da família, mas não se engane ao pensar que ele era um santinho. No final do ano 2000 tinham lançado um filme chamado "Drácula 2000", mas éramos muito pequenos pra assistir no cinema, só que na véspera do Halloween de 2001 Emmett já estava com 18 anos e conseguiu alugar o filme para nós vermos lá em casa. Eu fiquei morrendo de medo o filme inteiro e embora Emmett tenha negado, vi que ele também tinha ficado um pouco assustado. Edward, ao contrário de nós, adorava histórias de vampiros e tinha decidido que ia se vestir assim no próximo dia. Nós tínhamos mania de fazer pegadinhas uns com os outros no dia das Bruxas, mas naquele ano Edward pegou pesado. – falou séria, como se estivesse lembrando exatamente daquele dia.
- O que aconteceu? – perguntei curiosa, querendo que ela acelerasse a história.
- Nós saímos à noite para uma festa, mas Edward se despediu mais cedo, disse que estava cansado e foi pra casa. Eu e Emmett acabamos indo para casa uma hora após isso. Nossa varanda era escura, mas como estávamos acostumados com o lugar, nem acendíamos as luzes. Foi ai que erramos. Edward estava vestindo uma capa preta e por isso não o vimos na escuridão, já que ele estava de costas, mas quando se virou e abriu a boca, tudo que eu vi foram os dentes pontiagudos e comecei a gritar junto com Emmett, morrendo de pavor. Foi totalmente constrangedor, Edward ficou zombando da gente aquela semana inteira, mais ainda de mim que estava morrendo de vontade de fazer xixi quando fui pra casa e poxa, depois de levar um susto daqueles, minha bexiga não conseguiu segurar. – ela contou enquanto lágrimas rolavam de meus olhos do tanto que eu estava rindo.
- Escutar essa história de vocês faz com que eu pense que era sortuda por ser filha única.
- Era terrível, mas a infância com meus irmãos foi maravilhosa – ela disse sorrindo. Embora Alice fosse um pouco fervorosa e não tivesse a mínima idéia do que espaço pessoal era, dava para notar o quão carinhosa ela era e o quanto a família era importante em sua vida.
- É difícil lidar com o fato que seu irmão é um dos cantores mais famosos do mundo?
- Não. As vezes nós sentimos falta quando ele não pode tá com a gente, mas é algo que ele sempre quis, sabe? Edward sempre foi muito envolvido com música. Ah, tenho que te contar sobre a primeira música que ele escreveu!
- Se ele descobrir isso tudo que você tá me contando ele vai querer te matar, mas sou toda ouvidos, essas histórias são fantásticas.
- Pode dizer que eu te contei e depois quero saber a cara que ele fez, aposto que será impagável. – ela falou rindo. Irmãos pareciam adorar se torturar. – A primeira música que ele escreveu foi quando tinha uns 14 anos, se não me engano. Uma estudante italiana chamada Gianna veio estudar no nosso colégio, ela era da sala do Edward e ele ficou fascinado por ela. Gianna era bem branquinha, mais alta que ele naquela época, tinha os cabelos negros e olhos azuis bastante expressivos. Engraçado era que ele morria de amores por ela, mas nunca tomou uma iniciativa. Quer dizer, isto é até o dia que ela anunciou que aquela seria sua ultima aula no colégio, pois estava voltando pra Itália naquela semana. Edward ficou devastado. Na hora do recreio, quando estávamos na cafeteria, ele foi até a mesa que ela ocupava e falou que gostaria do endereço dela na Itália, para que pudessem trocar correspondência. Ela olhou pra ele e começou a rir. Edward saiu correndo do local e foi direto pra casa. A primeira coisa que fez quando pôs os pés em seu quarto foi pegar o violão. Ele então compôs uma canção chamada "Dianna", sobre uma estudante australiana que veio aos Estados Unidos roubar o coração de um pobre americano que só queria a amar. A letra era ridícula e a gente não aguentava mais escutar ele cantando aquela maldita música, durou cerca de um mês para ele superar isso e finalmente parar de cantar a música mais emo que ouvi na vida.
- Deve ser uma honra ter Edward Cullen compondo uma música sobre você, aposto que hoje em dia ela se arrepende de não ter fornecido o endereço a ele.
- Com certeza. Você não faz idéia da quantidade de garotas que estudaram com a gente, e o dispensaram naquela época, já tentaram entrar em contato com algum de nós para ter uma chance de novo com ele. É patético.
- Imagino. Por que ele não namora? Você sabe?
- Acho que ele tem dificuldade pra confiar nas pessoas ao redor dele, sabe? Acho que tem dúvidas se a menina está com ele pelo dinheiro ou porque gosta mesmo dele.
- Entendo.
- Por que a pergunta? Alguém está interessada? – ela falou e embora não pudesse ver seu rosto, sabia que tinha um sorriso nele.
- Não. – eu falei virando meu rosto para ela com olhos arregalados e o sorriso dela aumentou – Não. Sério, Alice. É só algo que me perguntei quando estava pesquisando sobre Edward. Não há nenhum histórico de namoradas. Só existem alguns boatos, até porque é impossível evitar isso em Hollywood, mas nada que comprove que ele teve uma namorada desde que ficou famoso.
- Isso é porque de fato ele nunca teve uma namorada. Não imagino que ele seja celibato, mas ele não se compromete tem tempo. Edward já namorou por alguns meses quando estava no ensino médio, mas nunca apresentou alguém para mamãe. Agora então que ficou famoso parece que esse sonho da mamãe de conhecer a próxima nora está cada vez mais distante. Ou não. – disse com uma voz maliciosa – Não pense que não reparei como ele pegou na sua cintura hoje de manhã.
- Alice, você está viajando – falei, mas minhas bochechas coraram. Ainda bem que ela não podia ver. Eu não tinha nenhum interesse romântico em Edward, mas ele era um cara atraente e divertido. Quando ela falava essas coisas, uma parte minha ficava sem graça, porque não podia negar a atração.
- Eu conheço meu irmão, Bella. Aposto que ele vai ficar alucinado quando te ver hoje.
- Alice! Eu não vou colocar algo indecente! Aviso logo.
- Eu só estou brincando – falou entre risos altos – Ok, talvez esteja falando um pouco sério também. Eu não estou tentando arrumar um casamento, Bella. Você tem namorado?
- Não. – falei desviando o olhar e mexendo na barra de minha blusa. Merda, será que o esmalte já havia secado? Já. Ufa.
- Então pronto, apenas siga o ritmo da música. Faz esse favor pra mim. A cara do Edward vai ser inestimável quando ele te ver com o vestido.
- Eu tenho outra opção?
- Não, mas é sempre mais legal quando as pessoas fazem as coisas de boa vontade.
Alice pegou um produto e o espirrou em meus cabelos, uma névoa com cheiro de morango se formando em minha cabeça.
- É só um fixador. Agora só temos que esperar entregarem o vestido. – ela falou e ao mesmo tempo Zafrina bateu na porta com um cabide e uma roupa coberta por um plástico cujo em seu centro lia-se "GIOGIO ARMANI" – Obrigada, Zaza. Era só isso que faltava. Você sabe se Edward já está pronto?
- Sim, menina Alice. Ele está impaciente na sala, se você puder agilizar eu agradeceria. Se aquele menino andar mais uma vez de um lado para o outro eu vou ficar tonta!
- Diz pra ele me dar mais uma hora! Eu estou dentro do horário marcado.
- Farei isso... Ou colocarei um sonífero no próximo copo de coca-cola dele – murmurou fechando a porta, fazendo com que nós duas começássemos a rir.
- Você já pode olhar no espelho, seu cabelo está pronto.
Virei a cadeira e no momento que meus olhos bateram no reflexo do espelho, fiquei impressionada. Alice era realmente boa nisso. Meu cabelo estava preso em um coque, mas deixando alguns fios soltos. Minha franja lateral caia de forma suave sobre minha testa. O penteado acentuava mais meu rosto em forma de coração.
- Aprovado?
- Sim! – falei empolgada. Até que estava começando a curtir todos aqueles mimos.
- Agora você vai se vestir e vamos colocar sua maquiagem – falou retirando o vestido do plástico e o mostrando para mim.
O vestido era lindo, porém um pouco curto e deveria bater no meio de minhas coxas. A parte de trás fazia um X em minhas costas e sua saia era volumosa. Ele era quase totalmente azul marinho, exceto por sua barra que era grossa e tinha uma bela cor prateada. Quando Alice me mostrou a parte da frente eu quase enfartei. Ele era extremamente decotado. Metade de meus seios definitivamente fariam uma aparição hoje a noite.
- Alice! Todo mundo vai ver meu peito!
- Relaxa, A gente põe um adesivo para tampar a aréola e ninguém vai ver mais do que deveria, fora que ele não é completamente solto. Tem essa película no meio que evita que o tecido se mova e você mostre mais do que o necessário.
- Eu não acredito que vou vestir isso.
- Você prefere vestir aquele conjunto florido? – ela perguntou com a sobrancelha arqueada e eu peguei o vestido de sua mão. – Boa garota.
Ela me ajudou a colocar a peça de roupa e a esconder tudo que poderia aparecer demais. O resultado era impressionante. O vestido estava longe de ser vulgar e, embora nunca fosse admitir isso a ela, tinha amado o decote. Alice pediu que eu sentasse novamente e começou a aplicar um pouco de maquiagem no meu rosto. Alguns minutos depois permitiu que eu olhasse no espelho.
Meus olhos estavam esfumaçados e com uma sombra prateada tão clara que era quase imperceptível. Minha pele estava suave, mas para isso não era necessário tanto esforço, já que era uma das coisas que mais me orgulhava. Minha pele não tinha uma mancha sequer. As maças de meu rosto tinham um blush muito claro, Alice provavelmente já sabia que minhas bochechas ficavam vermelhas toda hora, fazendo o uso de blush quase desnecessário. Meus lábios tinham um vermelho matador, parecendo ousado demais para uma pessoa como eu.
- E ai? – Alice perguntou – Está pronta para arrasar no tapete vermelho?
- Alice, eu nem sei se vou entrar ao lado de Edward, provavelmente só vou encontrar com ele dentro do cinema.
- Claro que não! Não te vesti assim a toa, quero você mais bela que as atrizes de Hollywood.
- Ok – falei balançando a cabeça para como afirmar que concordava com ela, mas na verdade já estava pensando em formas que poderia me esconder.
- Agora pra dar um toque final vamos por este colar. - falou tirando um cordão de sua cômoda e o estendendo para mim. Ele parecia simples, mas o brilho do singelo pingente redondo não me deixava dúvidas que era um diamante.
- Alice, eu não posso aceitar isso.
- Relaxe, isso não é presente, é um empréstimo. Foi o primeiro cordão Tiffany que eu ganhei. Você acha que iria dar pra alguém? – perguntou olhando para mim como se eu tivesse crescido uma segunda cabeça.
Após fazermos os últimos ajustes, desci as escadas para encontrar com Edward. Ele estava conversando com Zafrina no meio da sala, de costas para mim, mas quando ela parou de dá-lo atenção, ele se virou em minha direção. A imagem que observava era de tirar o fôlego. Edward vestia um terno preto com uma blusa branca por baixo. Sua gravata era fina e um flash dela enrolada em minha mão e punho, apareceu em minha mente. Senti meu rosto ficar quente. A face dele, como sempre, impecável. Seus olhos verdes eram vibrantes, seus lábios tinham um tom próximo ao vermelho e os fios de bronze completamente desgrenhados. Custava ele ser só um pouquinho feio?
Ele estava quieto, mas observando seus olhos, vi que ele fitava cada parte do meu corpo. O salto alto que eu calçava, minhas pernas, a saia de meu vestido, meu decote. Acho que ele havia sido enfeitiçado, pois sua boca estava entreaberta e seus olhos nem piscavam. Alice e Zafrina começaram a cochichar e rir. Edward então olhou em direção ao som que faziam e ficou um pouco sem graça. Quando seus olhos ficaram no mesmo nível que os meus, contemplou meu rosto e então deu seu sorriso torto que deveria ser ilegal. Quantos dias disso eu ainda tenho pela frente mesmo?
- A limousine já está nos esperando aqui fora. – Edward falou colocando sua mão em minhas costas, seus dedos quentes fazendo contato com minha pele exposta.
- Por mim já podemos ir.
Felix, embora estivesse no carro, não conduzia o veículo, ocupando assim, o lugar de passageiro ao lado do motorista, um homem careca e magricela que se apresentara como Benjamin.
- Ansiosa? – Edward perguntou.
- Não gosto de atenção, mas acho que não será necessário que eu passe pelo tapete vermelho, né?
- Claro que é. Você está vindo como minha acompanhante.
- Edward, seria melhor não. O pessoal pode ter uma idéia errada disso.
- Claro que não, a imprensa sabe que você vai me acompanhar durante esse mês. Nada mais justo que você também experimente como é passar pelo tapete vermelho e ter aqueles flashes todos em cima de você.
- Você tá tentando me convencer com esse papo?
- Não se preocupe, Carrapata. Tenho certeza que ninguém vai se incomodar de ver você dentro desse vestido.
Mal ele sabia o quanto estava errado. Assim que chegamos ao Nokia Theatre e Edward comunicou a Jessica que passaria pelo tapete vermelho comigo, ela só faltou ter um ataque do coração. Edward pediu desculpas a mim e perguntou se poderia o esperar do lado de fora. Jessica entrou dentro do carro e fiquei os observando pela janela. A discussão entre eles era intensa e o rosto de Jessica ficava mais escuro a cada segundo, mas o tom de voz era inaudível do lado de fora do carro. Aparentando ter a palavra final Edward saiu do carro e disse que podíamos seguir em direção ao tapete.
Quando os sapatos de Edward fizeram contato com o tecido de veludo vermelho, vozes e mais vozes gritavam seu nome. Era difícil enxergar, pois os flashes eram fortes, mas diferente da última vez que os paparazzi tiraram nossas fotos, desta vez foi possível manter a calma. Os fotógrafos elogiavam desde a roupa que ele vestia até seu último fio de cabelo. Era uma sensação mesmerizadora.
Jessica guiava Edward pelo tapete e o avisava com quem deveria falar. Alguns entrevistadores perguntaram o que ele sentia em fazer parte da trilha sonora de um filme que prometia ser a comédia romântica mais vista do ano. Ele respondia sempre a mesma coisa, que era uma honra fazer parte dessa trilha incrível que continha vários artistas que ele sempre admirou. Estávamos quase chegando no final quando Jessica falou que ainda dava tempo para mais uma entrevista. O entrevistador era famoso no mundo do entretenimento por apresentar um programa que falava da vida das celebridades e por ser sempre indiscreto com suas perguntas.
- Estamos aqui com Edward Cullen, eleito um dos homens mais sexy do ano pela Persons no ano passado. Será que esse ano você leva o primeiro lugar? - o repórter perguntou.
- Do jeito que Hollywood produz rostos bonitos é capaz de eu nem entrar na lista esse ano – Edward falou rindo.
- Não seja modesto! Como foi participar da trilha sonora do filme?
- Foi incrível, uma honra ter meu nome junto com o de outros excelentes artistas. A música que compus foi feita exclusivamente para esse filme e espero que os fãs tenham gostado do resultado.
- Com certeza eles amaram! Novo álbum saindo em breve, correto?
- Sim, lançamento do primeiro single vai ser essa semana. Estou ansioso pela resposta dos fãs e espero que a faixa não vaze na internet antes do tempo esperado.
- Vamos falar agora sobre essa beldade do seu lado, Isabella Swan, jornalista da "Crepúsculo", estou certo? – perguntou olhando pra mim.
- Hmm... Sim- respondi tímida.
- A gente não pôde deixar de perceber enquanto vocês andavam no tapete vermelho a incrível química que rolava entre vocês, a relação que estão mantendo é realmente só profissional?
- Bella está hospedada na minha casa há apenas 3 dias, nossa relação é absolutamente profissional – Edward respondeu, mas parecia ter sido pego de surpresa pela pergunta.
- Profissional e somente isso? Vocês são ambos jovens, bonitos, e desculpe a sinceridade, senhorita Swan, mas você está despertando suspiros de todos os homens desse lugar.
- Sem perguntas pessoais, por favor – Jessica interrompeu o nosso papo.
- Ok – o entrevistador falou finalmente desistindo – Obrigado por conversar conosco Edward Cullen. Isabella Swan, esperamos continuar vendo seu belo rosto.
Nós saímos do alvoroço e caminhamos para dentro do cinema.
- Não falei que iam achar que estava rolando alguma coisa entre a gente? – cochichei com Edward. Algo me dizia que se Jessica escutasse essa conversa a cara de mau humor dela iria apenas piorar.
- Não duvido nada que ele só tenha perguntado aquilo pra saber se você estava ou não solteira.
- Que?
- Por favor, né Carrapata? Ele estava totalmente dando em cima de você. "Você está despertando suspiros de todos os homens aqui" – ele falou com uma vozinha ridícula tentando imitar o entrevistador.
- Ah, com certeza foi isso – falei com ironia – Óbvio que não foi porque ele queria levar algum assunto pra criar polêmica no programa sensacionalista sobre celebridades que ele trabalha.
- Precisava ele fazer todos aqueles elogios se o objetivo dele era causar polêmica?
- Vai ver ele queria tirar alguma reação de você, caso estivéssemos juntos. Ele provavelmente pensou que você tomaria alguma atitude sobre o comentário dele. Eles não são bobos, Edward. Não se esqueça onde eu trabalho. Você não sabe como alguns jornalistas da redação que escrevem para as colunas de fofoca são manipuladores. Fora que várias pessoas estavam te elogiando no tapete vermelho, isso significa que todas elas estavam dando em cima de você? Pelo menos uma pessoa me notou, ele provavelmente só quis ser simpático dizendo que alguém além dele tinha prestado atenção em mim.
- Ok, você pode ter razão – falou relaxando – Exceto pela última parte. Teriam que ser cegos pra não te notar.
- Obrigada pelo elogio – falei sem graça.
- É sério. Ainda mais hoje que você trouxe as meninas pra brincar – ele falou apontando para meus seios.
- Cachorro...
- Eu estou brincando – ele falou rindo – Quer dizer, parcialmente brincando...
- Vou fingir que não estou te escutando – falei andando na frente.
- Muito cedo para ficar fazendo piada sobre as meninas? Acho que dentro de mim ainda vive um adolescente de 14 anos.
- Tem certeza que quando você tinha 14 anos era sobre o peito das meninas que você conversava? Porque pelo que eu fiquei sabendo você, na verdade, escrevia música sobre italianas, digo, australianas que roubavam o seu, quer dizer, o coração de pobres americanos. – falei e a reação de Edward, como Alice havia dito, foi de fato impagável. Seus olhos se esbugalharam e suas bochechas demonstravam apenas constrangimento.
- Que... Mas como... Quando que você... – ele tentava fazer perguntas, mas nenhuma realmente saía. Até que seus olhos se iluminaram – Maldita Alice! Eu sabia que não deveria deixá-las juntas! O que mais ela te contou?
- Não vou falar. Isso é somente entre sua irmã e eu.
- Ei, não é justo que vocês fiquem falando de mim sem eu saber do que se trata
- Nem venha por a culpa em mim, sua irmã que deixou seus segredos escaparem.
- Me fala, por favor...
- Edward Cullen! – uma voz familiar falou atrás de mim fazendo com que o assunto fosse deixado de lado – Que prazer revê-lo!
- Charlotte! – ele falou indo abraça-lá.
- Quem é ess... Izzy querida! – Charlotte falou me dando um forte abraço. Que saudade! Você está trabalhando com Edward agora?
- Sim, esse mês ele é meu.
- Será que não tem um jeito de fazermos aquela matéria de novo? – ela perguntou. Charlotte foi uma diversão de se acompanhar. Ela era uma das atrizes mais badaladas dos últimos tempos e era um doce de pessoa. Seu único problema era que quando ia para as baladas acaba exagerando um pouco nos drinks, mas mesmo assim nunca deixei de me divertir ao seu lado. Ela era uma bêbada feliz. – Edward, você não vai querer largar Izzy por nada! Conta pra ele como eu chorei no dia que nos despedimos.
- É verdade – confirmei a história dela. Charlotte realmente havia chorado, mas como ela era tão boa atriz, nunca tive certeza se tudo não passava de encenação ou se ela realmente sentiria minha falta.
- A exibição do filme já vai começar, vamos todos entrar na sala. Na festa nos falamos melhor, ok? – falou se despedindo de nós dois com beijos no rosto.
- Ela é um amor de pessoa – falei para Edward.
- Eu sei, esbarrei com ela algumas vezes nesse ultimo ano – ele falou. Será que eles já tinham feito mais do que se esbarrar? Quando vivi com Charlotte soube que monogamia estava longe de seus planos de vida.
Fomos para os acentos que eram designados a nós e o filme começou em menos de 5 minutos. A história se passava em Roma, uma estudante americana de sociologia foi para a Itália estudar e acabou se apaixonando por um colega de classe italiano. O roteiro continha vários diálogos incríveis e embora o filme tivesse um título ridículo e as vezes caísse nas falas clichês de comédias românticas, a atuação de Charlotte estava impecável. Ela realmente era uma das promessas de Hollywood. Após o término do filme, seguimos para a festa que seria num local próximo de onde estávamos.
- Gostou do filme? – Edward me perguntou.
- Sim, me deu mais vontade ainda de conhecer a Itália.
- No começo desse ano eu estava lá – ele falou.
- Sério?
- Sim, fiz dois shows da minha turnê passada lá em janeiro.
- Deve ter sido incrível. É um dos meus sonhos.
- Você deveria ter sido minha carrapata enquanto eu estava em turnê.
- Uma pena! Acho que vou pedir pro meu chefe me mandar te seguir de novo quando você estiver rodando o mundo, o que acha?
- Acho ótimo, afinal não foi isso que a Charlotte disse? Quando os 30 dias acabarem eu não vou querer te largar.
Quando chegamos ao lugar da festa, alguns paparazzi esperavam na porta e tiraram poucas fotos. Assim que entramos nos foi oferecida uma taça de champanhe. Alguns artistas conversavam animadamente e era claro que alguns já haviam bebido demais. Um cantor pop que também fazia parte da trilha sonora puxou Edward para um papo e meus olhos escanearam o local a procura de uma cara conhecida. Nada. O papo que Edward e o homem levavam era sobre música e eles pareciam falar numa língua que eu não entendia. De repete, senti uma mão em minha cintura e uma voz em meu ouvido.
- Como você está gostosa – ouvi a voz grossa e senti o ar que saía de seus lábios batendo em meu ouvido.
- Ei, quem você... – falei tirando as mãos desconhecidas da minha cintura e virando com rapidez. Assim que meus olhos deram de cara com o sorriso mais bonito de Los Angeles, todas minhas preocupações foram embora – Jake!
- É claro! – ele falou me abraçando e mais uma vez cochichando em meu ouvido – E sinceramente, você está muito gostosa. Se eu gostasse da fruta ia fazer de tudo pra te levar para casa comigo, gata! Com quem você está aqui?
- Ah, eu estou com Edward Cullen – falei me virando pra chamar Edward, mas não foi necessário já que os olhos dele moviam-se entre Jacob e eu.
- Prazer – Jacob falou apertando a mão de Edward, que retribuiu o gesto apertando a mão de Jake com mais firmeza do que parecia necessário. – Você se importa se eu seqüestrar a Bells por alguns minutos? Faz alguns meses que não nos vemos.
- Er... – Edward pareceu pensar franzindo o cenho, ele não parecia tão relaxado. Talvez precisasse de mais uma taça de champanhe.
- Eu já volto – falei dando a mão para Jake que me puxou para um canto onde não tinha muito movimento.
- Gata, como assim Edward Cullen? – Jacob perguntou.
- Qual o problema?
- Problema nenhum. Deus, como eu queria ter que passar um mês seguindo aquela maravilha. Vocês estão transando?
- Jake! É claro que não!
- Claro que não por quê? Ah meu Deus, não me diz que ele é gay. Porque se ele for acho uma audácia você não nos ter apresentado melhor.
- Não, ele está longe de ser gay.
- Droga. Meu gaydar também já tinha me dito que ele é hetero, mas esperança é a última que morre. Por que então vocês não estão transando?
- Jake, não é assim! Embora a gente brinque bastante, essa é uma relação puramente profissional. Você lembra muito bem o que aconteceu quando eu misturei as duas coisas.
- Bells, Edward não é James.
- Como você sabe?
- Ok, eu não sei, mas se é isso que está te impedindo de tomar alguma atitude com o bofe, acho que você deveria deixar a paranóia um pouco de lado.
- Esquece, Jake. Edward é atraente, mas não quero nem pensar além disso.
- Bom, ele com certeza já pensou muito além disso.
- Do que você está falando?
- Não vira para trás, mas desde que a gente tá aqui ele não tira os olhos de você.
- Jake, não pira.
- É sério, quer ver como ele vai aparecer aqui rapidinho?
- Como? – perguntei e ele como resposta colocou a mão em minha cintura e me pôs mais perto. Dez segundos depois Edward estava ao nosso lado.
- Bella, acho melhor irmos embora. Temos que acordar cedo pela manhã.
- Ah... Ok. Jake, a gente se fala.
- Com certeza. Você ainda tem meu número?
- Tenho. Eu te ligo. – falei dando um beijo em sua bochecha e me virando para acompanhar Edward.
- Bells? – Jake gritou fazendo com que eu me virasse.
- Não se esqueça de pensar sobre o que conversamos, ok? E se caso você siga meu conselho, não quero que poupe detalhes.
- Tosco!
- Você me ama. – ele falou dando uma risada alta.
- Você já acabou de conversar com seu amiguinho? – Edward perguntou parecendo irritado.
- Sim, a conversa com meu amiguinho já terminou. O que tá te incomodando, hein?
- Nada. – ele falou e eu fechei a cara. Odeio quando pergunto as coisas e alguém me responde com "nada" – Jessica me deu um sermão agora pouco, eu só quero ir pra casa, ok?
- Ah... Ok.
Ficamos em silêncio no carro e quando entramos na casa, ela estava tão silenciosa que deveria ser possível escutar um alfinete caindo no chão.
- Boa noite – falei para Edward quando subimos as escadas, cada um seguindo para seu quarto.
- Boa noite, Carrapata.
- Ei, Edward?
- Sim.
- Tem como você me ajudar a tirar o cordão? É da Alice e eu tenho que devolver. Estou com medo de puxar e estragar alguma coisa.
- Claro – ele falou ficando próximo de mim. Virei-me e suas mãos tocaram minhas costas, seus dedos vagando suavemente até chegarem ao fecho do meu cordão.
- Que horas tenho que acordar amanha? – perguntei tentando me distrair das sensações que o toque dele causava no meu corpo.
- Amanhã eu só tenho que gravar uma entrevista num talk show com o Harry Queen à noite, a manhã está livre.
- Pensei ter escutado que a manhã ia ser cheia.
- Eu... me confundi. – ele falou retirando o cordão do meu pescoço e me entregando. – Eu nunca estive tão confuso.
- Talvez você precise de férias – sugeri.
- É, deve ser isso. – ele falou virando em direção ao seu quarto – Boa noite, Bella.
- Boa noite, Edward.
Abrindo a porta do quarto, sentia-me exausta demais para tomar banho. Retirei o vestido, coloquei meu pijama e escovei os dentes. Assim que minha cabeça bateu no travesseiro fiz de tudo para não considerar a conversa que tive com Jake, mas quanto mais eu tentava não pensar, mais difícil era esquecer.
N/A: Alice finalmente apareceu para entregar os podres de Edward. Ah, os prazeres de ter irmãos.
Review para esse capítulo recebe o extra "Thump. Thump. Thump." e consegue dar uma espiadinha na mente do Edward.
A foto do vestido de Bella está no meu profile.
Beijos e até a próxima sexta!
