Capítulo 4: Dando uma chance
Gintoki sentiu um calafrio ao ver os olhos de Tsukuyo o encarando com um sorriso bem de leve passando por seus lábios. Começou a sentir que o clima ao redor dos dois começava a mudar. Mudar até demais para o seu gosto...
"Ei, espera aí! Isso tá ficando muito, muito estranho!", pensou. "Droga! Nós dois estamos a sós aqui! O... O que é que eu faço...?"
O albino suava frio. O silêncio existente ali o incomodava. Um não ousava falar nada com o outro. Mas ambos esperavam que o silêncio fosse rompido de alguma forma.
"Vamos, Gintoki...!", Tsukuyo pensava. "Quebre o silêncio! Diga alguma coisa! Qualquer coisa!"
"Ei, Tsuki...!" Gintoki pensava, por seu turno. "Te dou trezentos ienes se você romper esse silêncio!"
Não adiantava. Nenhum dos dois conseguia abrir a boca, apenas se entreolhavam. Mas alguém precisava romper o silêncio que estava mais que incômodo para os dois.
"Droga, ela não fala nada...! Preciso pensar em algo pra dizer... Qualquer coisa que aparecer serve, mas, por favor, que apareça alguma coisa pra eu falar!"
Nisso, o ex-samurai disparou a primeira coisa que lhe veio à mente:
- Tá bem deserto lá fora...
"O que foi que eu acabei de dizer, caramba? Que coisa mais idiota foi essa que disparei?", Gintoki pensou, tentando manter a pose de desligado. "Agora me sinto mais imbecil do que aqueles personagens de doramas!"
- É, está bem deserto. – Tsukuyo respondeu. – Hoje não é um dia lá muito movimentado.
Gintoki havia jogado verde pra colher maduro. Pelo menos conseguira algum assunto, conseguira romper aquele silêncio que tanto o incomodava. Já não conseguia ficar indiferente quando estava perto de Tsukuyo, desde aquele beijo que ela lhe dera. Como resistiria àqueles lábios tão macios?
Mesmo sendo uma armação de Kagura, pelo jeito não tinha mais cara de ser uma bobagem de telenovela. O Yorozuya engoliu seco e olhou para a loira, que olhava para ele. Ela também engoliu seco, e o silêncio novamente tomou conta do ambiente.
Quem tomaria a iniciativa de quebrar o silêncio mais uma vez?
- Eu já imaginava que o Gin-san era meio lento, mas não a esse ponto. – Shinpachi comentou com uma expressão bem cética no rosto.
- Isso não acontece no dorama que eu assisto. – Kagura bufou aborrecida.
- Kagura-chan, os doramas não passam de mera ficção... Assim como animes, mangás, filmes, livros e fanfics.
- Não importa! O Gin-chan e a Tsukky estão demorando demais para conversar.
- Fiquem calmos, meninos. – Hinowa procurava tranquilizar os dois adolescentes ansiosos, que espiavam a porta entreaberta. – Não vai demorar para eles se sentirem à vontade. No caso deles, é preciso paciência.
Shinpachi e Kagura estavam meio que "stalkeando" Gintoki e Tsukuyo. Vê-lo começando a se interessar por uma mulher era algo novo para os dois. Não que Gintoki "gostasse de outra fruta", mas não o viam se interessando por outra mulher que não fosse Ketsuno Ana.
Aliás, dava pra se interessar por mulheres que ofereciam risco de vida a ele? Era difícil, vendo que tipos de mulheres o rodeavam, e que os dois adolescentes conheciam muito bem.
O Yorozuya e a Cortesã da Morte se entreolharam mais uma vez e perceberam que ficar em silêncio não daria em nada. Alguém precisava quebrar o silêncio que continuava a incomodar. E tinha que ser logo.
Os dois estavam sentados lado a lado, mas não conseguiam articular nenhuma frase para conversar. Gintoki mais uma vez encarou os olhos da loira. Por que não dar uma chance? Por que não se arriscar? O máximo que poderia lhe acontecer era morrer cravejado de kunais. Enquanto comia alguns dangos que Hinowa deixara ali, sua mão esquerda tateou o espaço entre ele e Tsukuyo até achar a delicada mão da kunoichi.
Tsukuyo, por seu turno, a princípio se assustou um pouco ao sentir sobre sua mão direita a mão calejada do ex-samurai. Ela fitou os olhos vermelhos do Yorozuya, que lhe devolveu o olhar com um sorriso bastante gentil.
Foi o bastante para que a loira desse uma relaxada. E respondesse com um sorriso ainda tímido. Foi o bastante para que o Yorozuya se sentisse mais seguro.
Desde aquela investida de Tsukuyo, ele começara a vê-la de uma forma diferente. Percebeu que ela realmente queria se aproximar dele de outro jeito. E acabou se sentindo atraído por isso, assim decidiu baixar a guarda. E viu que ela também fizera o mesmo.
- Esses dangos estão muito bons. – o albino puxou assunto.
- Foi a Hinowa quem fez. Ela tem talento pra cozinha.
- Dessa eu não sabia.
- Vivendo e aprendendo, não é?
- Aham. – o Sakata respondeu com mais um pedaço de dango na boca.
- Gintoki, o que acha de...
-... Dar uma chance?
- É... Sim, uma chance para nós.
- Podemos tentar. – ele disse mais tranquilo.
Segurou com mais firmeza a mão de Tsukuyo. Sentiu que, apesar de ela lutar manejando kunais e tudo mais, sua mão era macia e delicada na medida do possível. A líder das Hyakka sentia aquele toque gentil e percebia que aquela mão calejada já não era tão hesitante como no começo. Não a surpreendia o fato da mão do Yorozuya ser assim, afinal, era uma mão calejada de um espadachim. Porém, lhe agradava muito aquele toque cálido, era uma sensação bem gostosa. A companhia daquele homem sempre fora bem agradável... Mesmo que por muitas vezes o espancasse.
Os dedos de Gintoki se entrelaçaram com os de Tsukuyo, de tal forma que era como uma atitude protetora. E ela se sentia assim, protegida. Nisso, a loira procurou aproximar sua face da dele, com a clara intenção de buscar seus lábios. Ele percebeu e também já ia se aproximando, quase que magneticamente, dos lábios dela, quando sua cabeça foi para trás, como se ele tivesse sido atingido.
E, de fato, fora atingido.
- GINTOKI! – uma apavorada Tsukuyo exclamou, enquanto o Yorozuya se levantava com uma kunai fincada na testa.
- Eu... Eu estou bem, relaxa...! – Gintoki respondeu ainda com a dita kunai enfiada na testa e com sangue em abundância escorrendo pelo rosto. – Mas se não quisesse um beijo era só me falar...! – ele disse com cara de aborrecido, ao mesmo tempo em que retirava o objeto pontiagudo da testa, fazendo com que o buraco do ferimento esguichasse sangue.
- Não fui eu quem fez isso. – a loira respondeu cética. – Essa kunai nem é minha.
- Então quem foi que...
- É MELHOR TIRAR AS MÃOS DO MEU GIN-SAN! ELE É SÓ MEU!
A voz de outra mulher vinha de um canto escuro, do qual emergiu com as lentes dos seus óculos emitindo um ameaçador brilho assassino. A dona daquele par de óculos era Sarutobi Ayame, assassina profissional e stalker nas horas vagas.
O que, normalmente, não era para assustar Gintoki, o assustou.
Sacchan estava em seu "Modo S".
