Capítulo IV

Reuni autocontrole suficiente pra perguntar:

- O que você tá fazendo aqui?

- Olá pra você também, estressadinha – Edward respondeu, irritante como sempre.

- O que você quer? – insisti, cruzando os braços.

Ele se levantou da escada e andou lentamente até a calçada, diminuindo a distancia entre nós.

- Vim te falar uma coisa importante.

Senti um arrepio descer por meu corpo, mas continuei com a cara fechada.

Fiquei esperando que ele continuasse, mas ficamos em silencio.

- E então? – falei.

Edward respirou fundo e começou a mexer na manga da camisa azul clara que estava usando.

- Eu só queria falar que...

Minha mente começou a imaginar várias maneiras de como aquela frase poderia terminar, mas tentei ignorar a maioria, que era do tipo "eu só queria te falar que você é muito especial pra mim", ou "que você é muito melhor que Rosalie" ou coisa pior.

- Eu só queria falar – ele recomeçou – que eu não tenho absolutamente nenhum sentimento especial por você. Só queria deixar isso claro, depois... Depois desse fim de semana.

Comecei a piscar furiosamente, perplexa.

- O quê?

- Me ocorreu que você podia achar que existe alguma coisa entre nós, mas não existe – prosseguiu, e eu dei um passo pra trás, como se tivesse levado um tapa. – Eu queria deixar isso claro, porque eu to indo ver a Rosalie agora.

- Rosalie? – repedi, franzindo as sobrancelhas.

- É. Eu realmente quero que as coisas funcionem com a gente, e ela também, então...

Continuei olhando pra ele sem entender.

- Da próxima vez, não fique no meio do caminho – concluiu Edward.

Arregalei os olhos.

- Ah – falei bem alto – Então a culpa é minha. Certo.

Tirei o cabelo do rosto, ainda piscando muito, sem conseguir ficar parada. Minhas mãos tremiam de raiva.

- Então a culpa é minha – repeti, cruzando os braços de novo. Meus pés riscavam o chão.

Edward, que havia falado aquela ladainha toda sem nenhuma expressão, pareceu ficar assustado.

- Não... Não foi isso que eu quis dizer – gaguejou.

- Ah foi sim – falei, tentando controlar minha voz.

Ele abriu a boca como se fosse dizer mais alguma coisa, mas não saiu nada.

- Vai embora – pedi.

Ele continuou parado ali, tentando pensar em alguma coisa pra dizer, mas ainda não saía nada.

- Vai embora! – repeti, com mais raiva, e ele deu uns passos pra longe de mim.

Respirando com dificuldade, atravessei a calçada e subi as escadas da varanda.

- Bella – ele me chamou quando eu procurava as chaves na minha mochila.

Ignorei-o.

Achei as chaves e destranquei a porta com certa dificuldade. Entrei o mais rápido possível e bati a porta com a maior força possível.

Segundos depois, ouvi o volvo indo embora.

Sem sequer acender as luzes – naquele tempo nublado, a casa ficava escura quase 24 horas por dia -, tirei a mochila dos ombros, deixando-a cair no chão, e me sentei. Apoiei os braços na mesa e pus a cabeça entre eles, tentando decidir se o que tinha acabado de acontecer era bom ou ruim.

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- Alô, quem fala?

- Bella, sou eu – disse Alice ao telefone.

- Oi. Aqui – falei, segurando o telefone no ouvido com o ombro enquanto afofava o cobertor nas minhas pernas. – Você sabe como seu irmão e a Rosalie terminaram?

- Bom, aparentemente – ouvindo atentamente, segurei o telefone com uma mão e peguei a tigela de pipoca que eu tinha deixado no chão ao lado do sofá – Ele deixou um recado no telefone dela, falando que era melhor pra eles se eles terminassem e tal...

- Que imbecil – comentei, com a boca cheia.

- Olha a agressividade, Bella, é do meu irmão que estamos falando – revirei os olhos e continuei ouvindo. – É isso que eu sei. Mas acho que aconteceu mais coisa.

- Acho que só tem um jeito de descobrir. – falei, com um tom de voz ameaçador.

- Bells, você não vai seqüestrar a Rosalie ou coisa assim, né? – Alice pareceu realmente assustada, e eu ri alto.

- Credo, claro que não. Eu ficaria surda com os gritos – ela riu. – O jeito de descobrir é você perguntar pro Jasper.

Ela suspirou. Eu sabia que ela não gostava de ficar interrogando o namorado sobre a Rosalie, mas eu precisava de informações.

- Tá. Quando eu descobrir alguma coisa eu te ligo.

- Ok. Até amanhã.

- Até.

Desliguei o telefone. Comi mais um pouquinho de pipoca, mas qualquer comida parecia borracha. Culpa do nó formado na minha garganta.

No dia seguinte, acordei me sentindo meio mal, mas fui pra escola mesmo assim.

Alice veio falar comigo no intervalo entre o primeiro e o segundo horário, e me contou que Jasper não sabia nada sobre o término do namoro de Edward e Rosalie, só que ela tinha chegado em casa chorando e ficado trancada no quarto um bom tempo.

Isso não era tão animador quanto eu esperava.

Fui de sala em sala feito um zumbi, sem prestar atenção em nenhuma aula. No almoço, só percebi que Angela estava me gritando havia séculos quando ela apareceu na minha frente, abanando as mãos.

- Bella! Em que mundo você tá?

Tirei os fones de ouvido.

- Na Terra mesmo, só to ouvindo musica – respondi. Música barulhenta geralmente acalmava meus nervos, mas nesse dia estava tendo o efeito contrário.

- Então – ela foi falando, andando do meu lado enquanto eu ia para a mesa ocupada por Alice. - a gente tem que fazer o trabalho de inglês, né?

- Aham.

- Você pode ir pra minha casa depois da aula?

- Aham – repeti, feito um robô.

- E você me dá uma carona? – ela sorriu, parecendo sem graça. – É que o Ben me trouxe hoje, e eu to meio sem...

- Claro – interrompi, meio sem querer. – Te vejo mais tarde.

Fiquei com medo de que ela se irritasse, mas Angela pareceu apenas ficar ainda mais sem graça.

- Tem algo errado, Bella?

Olhei pra ela direito pela primeira vez naquele dia.

- A gente conversa depois, tá?

Ela pareceu aliviada, disse ok e foi atrás do namorado.

Depois das aulas, fiquei esperando Angela perto de onde havia estacionado minha picape, numa das vagas próximas do ginásio. Fiquei com as costas apoiadas na construção de concreto e liguei meu iPod.

Pace is the Trick - Interpol

Eu estava ouvindo uma musica nervosa do Interpol quando um certo dono de um volvo prateado parou na minha frente.

- Tudo bem com você?

Tirei o fone esquerdo.

- Por que todo mundo fica me perguntando isso? – retruquei.

- Porque você não tá com uma aparência muito boa – respondeu Edward, ficando do meu lado.

Revirei os olhos e fechei a cara.

- Isso é problema meu.

Ele não respondeu, só ficou parado ali. A presença dele me dava uma fraqueza estranha. Depois de uns 10 minutos assim, o estacionamento estava quase vazio.

Fiquei observando as nuvens de chuva e tentando manter a calma.

- Bella.

Ele disse meu nome em um tom de voz baixo, quase um sussurro. Meu coração deu um salto, e senti minhas defesas ruírem. Tarde demais, percebi que estava apaixonada por ele.

Senti uma enxurrada de lágrimas, vindas de lugar nenhum, aparentemente por motivo nenhum.

Edward ficou na minha frente, apoiando um braço ao lado da minha cabeça. Se inclinou e, ao ver meu rosto, arregalou os olhos.

- Você tá chorando?

- Não – respondi, e a minha voz saiu estranha. Empurrei o braço dele e comecei a marchar em direção a minha picape, mas ele agarrou meu pulso.

- Bella – ele disse de novo, e meus joelhos fraquejaram. Senti que eu ia cair a qualquer momento. – Eu não devia ter dito aquelas coisas ontem. Sinto muito.

Continuei olhando pro chão. Fiquei com medo de que alguém visse aquela cena, eu e Edward de mãos dadas, parados no estacionamento. Ou melhor, tive medo que Rosalie visse aquela cena. Mas eu a vira indo embora, com Jasper.

Olhei pra Edward, bem em seus olhos verdes. Me senti derreter.

- Está tudo bem – falei.

Ele respirou fundo e puxou meu pulso. Quando eu estava mais próxima, segurou meus dois braços, acima do cotovelo, e me puxou mais pra perto. Quando estávamos com os corpos colados, e os rostos a dois centímetros de distancia, ele me beijou.

Algumas lágrimas acumuladas escaparam, mas eu as ignorei. O beijo foi como uma explosão. Segurei os ombros de Edward com a maior força que consegui, puxando-o pra mim. Os braços dele se fecharam contra mim, num abraço delicioso. Por alguns segundos, esqueci tudo o que me preocupava.

Quando nos separamos, ele respirava como se tivesse corrido alguns quilômetros. Acho que eu não estava melhor. Ele sorriu, e eu espelhei seu gesto, depois apoiei minha cabeça na curva do seu pescoço. As conseqüências daquilo queriam tomar conta da minha mente, mas me permiti relaxar antes.

Afinal, eu merecia. Ou não?

N/A: OI GENTCHI

demorei pra postar pq fiquei MUITO decepcionada com a falta de reviews do outro capitulo. sério u.u

espero que tenham gostado desse ahahah

beijinhos :D

Lih: rosalie ainda nao aprontou nada, mas nunca se sabe né? UASHUAHS bjosss

Layra Cullen: oi, bem vinda hahah e quê isso, qualquer crítica (construtiva rsss) é bem vinda tambem :DDD bjss