Escuto o carro estacionando em frente a minha casa exatamente às oito da noite.
Dou uma última olhada no espelho, um tanto insegura, mas desço rapidamente.
Infelizmente não a tempo de impedir meu pai de abrir a porta para Edward.
Charlie me olha como se eu estivesse indo para um ritual de sacrifício.
Tento não ficar chateada ou brava com ele. Afinal, é meu pai.
Mas realmente não sei o que ele vê de tão errado em eu sair com Edward Cullen.
Vejo meu pai cumprimentar Edward friamente e me apresso a intervir.
–Oi, Edward, você é pontual.
–E você está bonita.
Eu quase suspiro com o olhar que ele me lança, me sentindo realmente bonita como ele diz.
Meu pai limpa a garganta com um pigarro chato.
–Vamos? – pego minha blusa e saio, ignorando o olhar do meu pai.
–Me desculpe pelo meu pai. – digo dentro do carro.
Mas Edward não parece impressionado com isto.
–Ele é seu pai, natural que se preocupe com você.
–Ele exagera... Desde que... – eu paro, mordendo os lábios.
–Desde o quê?
–Nada... – desconverso.
Edward mal me conhece. E há coisas que ele nem precisa saber sobre mim.
Ao menos por enquanto.
Nós chegamos em Port Angeles numa velocidade incrível e entramos num restaurante italiano.
Eu sorrio.
–Como adivinhou que eu gosto de comida italiana?
Ele sorri de volta.
–Apenas um palpite.
–Eu não sou italiana, apesar do nome.
–Eu sei.
–É que as pessoas às vezes pensam isto.
–Imagino.
Nós fazemos o pedido e a garçonete demora mais tempo que necessário com Edward.
Quase sinto uma simpatia por ela. Se fosse eu talvez estivesse fazendo o mesmo.
Edward é quase perfeito demais para não se interessar.
O que me faz de novo ficar em dúvida sobre os motivos dele gostar de mim.
–Parece muito pensativa.
–Apenas me perguntando o que você vê em mim. – talvez eu estivesse sendo sincera demais pra um encontro, mas não consigo evitar.
–Você é bonita.
–Não sou.
–Pra mim você é. Acha que é à toa que Mike Newton e Jacob Black são loucos por você.
Eu fico vermelha.
–Não é assim.
–Tudo bem, eu realmente não quero falar de outros caras. Me conte sobre Londres.
Eu conto a ele sobre minha faculdade, sobre minha adoração por Jane Austen e de como me emocionei em visitar sua casa.
–Então isto foi o de mais interessante na Inglaterra.
–Deve me achar tediosa agora.
–Não. Acho fascinante.
Minha respiração acelera e eu perco um pouco o prumo quando ele me encara.
É fácil fazer tudo desaparecer ao redor.
–Muitos caras deviam te achar fascinante. – ele diz.
Eu dou de ombros, incomodada.
–Achei que não queria falar de outros caras.
–Apenas curioso se você deixou alguém te esperando lá
–Ninguém. – me apresso a dizer. – Eu não... Fui pra Inglaterra para arranjar um namorado.
–Então não saía com ninguém?
–Eu não disse isto. Houve alguns encontros... nada marcante.
Não sei por que ele insiste em saber estas coisas.
Realmente não há nada de interessante sobre minha vida amorosa em Londres.
Eu estava mais interessada em pesquisar Jane Austen e outros autores preferidos do que paquerar.
–Mas espero que pelo menos tenha conhecido os lugares interessantes de lá.
–Já esteve lá?
–Algumas vezes, com meus irmãos.
–Acho que devem viajar bastante, não é?
–Às vezes. Minhas irmãs gostam de viajar mais do que eu.
–Como elas são?
–Rosalie é linda e sabe disto. É muito vaidosa. Até meio egoísta. Alice adora moda. E é muito enxerida. Gosta de se intrometer na minha vida.
–E seus irmãos?
–Jasper é calado, sempre fica na dele. Emmett é valentão. Ele é obcecado por Rose.
–Ainda acho esquisito, seus irmãos namorarem.
–Não somos irmãos de sangue. Fomos adotados quando éramos adolescentes.
–O que aconteceu com seus pais verdadeiros?
–Morreram. Tive sorte de Carlisle me adotar em sua família. Ele e Esme são os pais que eu conheço.
–Parece muito digno da parte deles. Gostaria de conhecê-los.
Acho que fico decepcionada de Edward não comentar algo sobre me apresentar aos pais dele, mas guardo pra mim.
O que eu estou pensando? Nós mal nos conhecemos!
De repente o celular de Edward toca. Ele olha o visor e não parece muito feliz com quem seja que está ligando pra ele.
–Eu vou atender, já volto. – ele se levanta da mesa e eu seguro minha curiosidade.
Aproveito para levantar e ir ao banheiro.
E quando estou saindo, vejo alguém conhecido.
–Ben! - exclamo surpresa ao ver o namorado de Angela.
–Oi, Bella, quanto tempo! – ele me abraça.
–Cadê a Angela?
–Ela acabou de entrar, não a viu?
–Nossa, acho que nos desencontramos.
Ele me mede, reparando no meu vestido.
–Hum, está num encontro.
–Sim.
–Uau. E eu conheço o sortudo?
–Não sei... – eu lanço um olhar a nossa mesa, onde Edward acabou de se sentar novamente.
–Edward Cullen? – Ben parece realmente perplexo e isto me incomoda um pouco.
Será que todo mundo achava esquisito eu estar saindo com Edward?
–Bella, está saindo com...
–Ben! – Angela aparece e o interrompe. – Deixa a Bella em paz. – e ela sorri, me abraçando rapidamente. – Oi, tudo bem? Entendi que está num encontro?
–Sim, com o Edward.
–Entendi. – Angela parece tão esquisita quanto Ben agora. – Bom, nós vamos nos sentar. Não queremos atrapalhar seu encontro. Eu te ligo amanhã, ok?
–Claro.
Eles se afastam antes que eu possa perguntar qual o problema.
–Mas isto é... – ainda escuto Ben falar e Angela o interrompe.
–Cala sua boca! Não é da sua conta.
–Mas este Edward...
–Chega, Ben!
Caminho de volta a nossa mesa intrigada.
–Eu pedi a conta. – Edward diz e eu me pergunto se o fato dele estar terminando nosso jantar abruptamente tem a ver com o telefonema.
–Tudo bem. - apenas digo.
E enquanto estamos no carro, o estranho diálogo entre Angela e Ben ainda me intriga.
O que eles sabem sobre Edward que eu não sei?
Quando Edward pára o carro em frente a minha casa todo os outros pensamentos se tornam secundários.
Há apenas um desejo dentro de mim.
Enquanto me acompanha até a porta da minha casa, ele segura minha mão, que cabe perfeitamente dentro da dele, aquecendo meus dedos frios.
Gosto da sensação.
Desejo que ele me aqueça inteira naquele momento.
Quero que ele me beije como nunca quis algo na vida.
E espero ansiosa, com a respiração presa na garganta e um frio na barriga.
Mas Edward solta minha mão, dando um passo atrás.
–Boa noite, Bella.
Ele se afasta, voltando para o carro e eu ainda fico ali, aturdida.
E ainda estou ali muito tempo depois do Volvo prata desaparecer na estrada.
Naquela noite, eu tenho pesadelos.
E quando acordo na manhã seguinte, Charlie me encara com mal disfarçada curiosidade enquanto como meu cereal.
–Como foi seu encontro?
–Quer mesmo saber sobre isto? – resmungo.
Uma leve dor de cabeça lateja em minha têmpora.
Resumo de uma noite mal dormida.
–Não está mais aqui quem falou...
Ele fica em silêncio por um momento.
–Vai sair com o tal Cullen de novo?
Sim. É o que também me pergunto.
–Não sei. – resmungo, me levantando e me ocupando em lavar a louça.
–Você está bem? – Charlie pergunta.
–Por que não estaria?
–Pensei ter ouvido você gritar ontem à noite.
–Apenas pesadelos.
–Bella... – suas mãos tocam meu cabelo. Suspiro pesadamente.
Quero afastar suas mãos e dizer pra parar com aquela preocupação.
Eu tinha ido embora pra Londres justamente por causa disto.
–Estou bem, pai. – garanto, com um sorriso não muito seguro.
–Sobre o que eram os pesadelos?
–Não me lembro... – dou de ombros e é verdade.
Apenas me faziam acordar com uma sensação ruim.
–Não deveria estar saindo com este cara...
Eu me irrito.
–E o que o Edward tem a ver com isto? Está começando a exagerar!
–Eu apenas me preocupo...
–Pai, já faz dois anos. Eu estou bem. Por favor, não faça eu me arrepender de ter voltado pra cá.
–Tudo bem. Vou deixá-la em paz. Apenas tome cuidado...
–Não tem motivo pra preocupação, acho que Edward Cullen nem está interessado em mim...
–Ah é?
–Não quero falar sobre isto.
–Certo. Eu vou dar um pulo na delegacia.
–Hoje é domingo. Achei que íamos almoçar juntos.
–Eu também, mas preciso verificar uns problemas na floresta. Ligue para o Jacob.
Depois que Charlie sai eu penso se realmente devo ligar para o Jake.
As coisas não tinham ficado nada bem depois de eu ter desmarcado com ele pra jantar com Edward.
Mas será que eu ainda podia contar com Jacob como meu amigo?
Só havia uma maneira de descobrir.
Pego e o telefone e ligo pra Jake.
–Oi Jake
–Bels?
–Sim, sou eu... ainda está bravo comigo?
–Bravo não é a expressão correta...
–Eu sinto muito...
–Para de dizer isto, Bels. Eu ainda sou seu amigo, ok?
Eu rio sozinha.
–Então quer vir almoçar comigo?
–Nem precisa chamar duas vezes.
E eu ainda estou rindo quando desligo.
Ia ser tudo como antes.
Antes de Edward Cullen aparecer e bagunçar minha cabeça.
Não que eu não quisesse que ele voltasse e bagunçasse mais um pouco.
Mas Edward era estranho demais. Uma hora parecia gostar de mim e outra me tratava friamente e sumia.
Talvez meu pai tivesse razão e Edward não fosse mesmo bom para mim.
Jacob aparece na hora combinada e tudo parece realmente como se nada tivesse mudado.
E eu gosto disto. Gosto da sensação de normalidade que ele me dá.
Mas em algum momento na tarde, enquanto assistimos um filme antigo na tv, ele me encara.
–Como foi seu encontro?
–Jake... Não precisamos falar sobre isto.
–Mas não somos amigos?
Dou de ombros.
Não quero falar de Edward com Jacob.
–Eu não sei... se ele vai voltar. As coisas foram meio estranhas ontem, mas podemos não falar sobre isto?
–Tudo bem.
E Jacob não pergunta mais sobre Edward e me sinto aliviada.
Mas as coisas já não são tão naturais agora.
Eu não posso fingir que Edward não existe.
Jacob diz que precisa ir embora quando o filme termina e eu o acompanho até o jardim.
E nós dois paramos surpresos ao ver um Volvo prata estacionando.
A alegria e o alívio que sinto quase transborda em meu peito e por mais que não deseje esfregar nada sobre o que sinto por Edward na cara de Jacob, tenho certeza que isto é transparente em meu rosto.
E tenho que conter minha vontade de correr pra ele, quando Edward sai do carro.
Mas sua expressão é fria ao ver Jacob, que também o encara com descontentamento.
–Edward... não sabia que viria... aqui. – gaguejo, sem saber o que fazer.
–Eu não sabia que estava ocupada. – ele olha pra Jake.
–Jacob está indo embora... Não é Jake?
–Claro que sim! – não me passa despercebida a ironia na voz de Jacob.
Mas eu já estou em outro mundo agora.
Um mundo onde tem Edward Cullen.
–Tchau, Bels. Adorei a nossa tarde. – e ele se aproxima e beija meu rosto.
Fico vermelha, pois sei que ele fez de propósito.
Olho para Edward para ver sua reação enquanto Jacob se afasta e entra no carro.
–O que veio fazer aqui? – pergunto aturdida. – Se eu soubesse que viria, eu... bem, Jacob veio apenas almoçar comigo. – eu nem sabia porque estava dando tantas explicações, mas de repente Edward estava perto de mim.
E sem aviso, ele está me beijando.
E tudo o mais desaparece ao meu redor.
Ele me beija com uma familiaridade surpreendente. Não há aquela estranheza normal de quando as bocas se encontram pela primeira vez.
Nossos lábios se acariciam como se tivessem feito aquilo milhões de vezes antes. Nossas línguas se entrelaçam como velhas amantes.
Estremeço de puro deleite e derreto nele, querendo saber se nossos corpos também se encaixarão à perfeição.
E todo meu intimo dói de um desejo quase desesperado.
Sinto vontade de arrancar suas roupas e as minhas com as unhas e travo meus dedos em sua camisa, enquanto sinto suas mãos em meus cabelos.
O barulho de um motor saindo em arrancada me tira do transe e eu me afasto. Só então me dando conta de que Jacob ainda estava ali.
Encaro Edward ofegante. Meus lábios ainda sentem o gosto dele.
Meu corpo ainda treme.
–Fez isto para que Jacob visse. – é uma constatação.
Ele não nega.
–Ele está apaixonado por você.
–Somos amigos.
–Ele é apaixonado por você. – insiste.
Seus dedos passam pelos cabelos num gesto de frustração.
–Te deixei em maus lençóis por te beijar? Você e ele...
–Não! Eu te disse, não há nada entre mim e Jake. Ok, pode haver algum sentimento da parte dele, mas somos amigos. Apenas isto. Não precisava... ter me beijado pra demarcar território!
–Talvez eu quisesse apenas te beijar.
Eu ofego de puro prazer.
Quero desesperadamente que ele me beije de novo.
–Eu vim te convidar pra dar uma volta na cidade. – ele diz e eu sinto um certo desapontamento.
Eu só consigo pensar que meu pai não está em casa. E que eu poderia levar Edward até meu quarto e...
Respiro fundo, tentando manter minha mente e meu corpo sob controle.
–Certo. Vou pegar minha blusa.
Entro correndo e pego a blusa. Ao passar por um espelho, vejo meu cabelo em estado lastimável.
Solto um gemido de desalento e resolvo simplesmente prendê-lo num rabo de cavalo
Edward me espera dentro do carro e eu entro.
Ele sorri pra mim e eu sorrio de volta.
Quero me inclinar e beijar sua boca. Mas não tenho coragem.
Nestas horas eu queria ser menos tímida. Ou mais experiente.
Queria saber seduzir um cara como Edward Cullen.
E me pergunto quantas garotas ele já deve ter saído.
Este pensamento me enche de um ciúme dolorido e ridículo.
–O que foi? – ele indaga intrigado.
– O que foi o quê?
–Parece estar pensando em coisas ruins.
–Nada... apenas... curioso sobre você.
Ele ri, olhando a estrada. Me delicio encarando seu perfil.
–Você disse que era pra eu perguntar qualquer coisa a você.
–Sim, eu me lembro. Pergunte.
–Você realmente não tem nenhuma namorada?
–Não, Bella, não tenho.
–Mas deve ter tido várias.
Ele pára em um farol e me encara divertido.
–Você quer um relatório de todos meus antigos relacionamentos.
–Não, claro que não...
–Porque talvez eu peça o seu também.
–Apenas imagino que um cara como você deve ter ficado com muitas garotas na universidade.
–Um cara como eu?
–Bonito, rico...
–Você me faz parecer bem superficial, Isabella Swan.
–Não quis dizer isto.
Ele ri, parecendo realmente divertido com minhas conjecturas.
–Você é tão absurda. – ele diz.
–Me acha absurda?
–Chegamos.
Ele pára o carro em frente a uma livraria e eu esqueço que ele me chamou de absurda, abrindo um sorriso.
–Como adivinhou que este é um dos meus lugares preferidos?
Ele sorri.
–Não é difícil de adivinhar, adoradora de Jane Austen.
Nós saímos do carro e ele segura minha mão enquanto entramos.
Gosto demais disto. De suas mãos nas minhas.
A sensação de compromisso que isso me traz.
No fundo sei que estou sendo precipitada, mas não consigo evitar.
Eu passeio pelas prateleiras como uma criança numa loja de doce.
E Edward me acompanha com divertimento.
–Gosto do seu sorriso. – ele diz e eu levanto o olhar de um exemplar de Mansfied Park.
–Você ganhou muitos pontos por ter me trazido aqui. – guardo o livro na prateleira.
Já tenho todos os livros de Jane Austen.
–Mas acho que se arrependerá disto... quando entro numa livraria não quero mais sair.
–Eu também gosto de livrarias.
–Sério? Agora vai me dizer que é grande fã de Jane Austen.
–Prefiro os mais modernos. – ele pega um livro na prateleira. – Já leu W.H Auden?
–Nunca.
–É um poeta e crítico inglês, foi a grande voz dos jovens intelectuais de esquerda dos anos 30. Sua poesia é sempre perturbadora... – ele abre numa página e me dá. – Leia.
Pego o livro de suas mãos e leio o poema que se chama Funeral Blues.
Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado.
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
Fecho o livro ao acabar de ler, sentindo toda a tristeza daquele poema triste.
Edward parece triste também.
–É lindo.
Ele sorri, pegando o livro das minhas mãos.
–É triste.
–Mas é bonito mesmo assim.
–Vamos embora.
Edward faz questão de comprar o livro pra mim.
–Não gosto de presentes. – reclamo, enquanto passamos no caixa.
–Nem livros?
–Não quero ganhar presentes de você.
–Mas eu quero dar.
É inútil discutir, então eu aceito o livro.
–Quer tomar um café?
–Claro. – aceito prontamente e Edward me leva a uma cafeteria no fim da rua.
Adoro estar ali com ele. Mas desconfio de que adoraria estar em qualquer lugar com Edward Cullen.
–Ainda não me contou o que estudou na faculdade.
–Nada extraordinário. Administração.
–Imagino que sua família tenha alguma empresa, algo assim.
–Mais ou menos. A gente trabalha com investimentos.
–E ninguém quis ser médico como seu pai?
–Creio que não.
–E você... não mora aqui em Forks não é?
–Eu moro em Seattle atualmente.
–Ah. – tento conter minha decepção.
–Mas estou sempre na cidade para visitar meus pais.
–Que bom. – meu sorriso é amarelo.
O que vai acontecer agora? Tenho vontade de perguntar.
Mas tenho medo.
Nós voltamos para casa quando já anoitece.
Edward pára o carro em frente a minha casa.
–Estou indo para Seattle amanhã.
Eu mordo os lábios, apreensiva.
–E isso quer dizer o quê? – pergunto, o encarando na semi-escuridão do carro.
–Bella eu não sei... se sou uma boa opção para você.
–Porque mora em outra cidade?
–Se fosse só isto...
–Qual o problema então? Por que todo mundo parece achar que não devo sair com você?
–Talvez eles tenham razão.
–Sou eu que defino isto. E eu escolho você.
Minha voz sai bem corajosa e decidida naquele momento.
E eu chego a ter orgulho de mim mesma.
–Então se você não quer ficar comigo, se... – eu não consigo continuar, pois sou puxada pela nuca, e sinto seu hálito delicioso em minha língua antes dele me beijar.
E é um beijo diferente do outro.
Sinto quase um desespero em seus lábios apertando os meus, de suas mãos infiltrando-se em meus cabelos.
Como se a qualquer momento ele fosse me soltar e nunca mais fossemos nos ver.
Como se fosse um último beijo.
Meu coração se aperta com a mera possibilidade de uma separação.
E agora sou eu que o beijo de volta com temor desesperado.
O desejo me percorre como fogo, marcando minha pele.
Crescendo em meu intimo desmesuradamente.
E um beijo se transforma em muitos. Paramos apenas para respirar e nossas respirações se misturam, até que de novo ele me beije, e sinto sua língua procurando a minha, que se enrosca na dele como eu gostaria que nossos corpos se enroscassem.
Meus dedos torcem seus cabelos cor de areia e eu sinto suas mãos deslizando por minhas costas, me apertando mais. Mas não é suficiente.
E eu gemo, perdida num redemoinho de sensações que faz eu desejar estarmos em outro lugar.
Um lugar onde ele possa tirar a minha roupa. E eu possa tirar a dele.
Onde eu possa sentir suas mãos em mim. Inteira.
Eu não quero me livrar do fogo. Eu quero me consumir nele.
Uma batida no vidro me assusta e Edward me solta.
E eu acompanho seu olhar e encaro horrorizada meu pai nos fitando com reprovação.
–Saia já deste carro, Bella.
–Oh deus. – murmuro, entre chocada e envergonhada.
–Acho melhor fazer o que ele pede. – Edward diz surpreendentemente calmo.
–Me desculpe por isto, eu...
–Bella, ou você sai ou... – meu pai ameaça e eu abro a porta saindo.
–Pai, o que pensa que está fazendo?
–Já pra dentro!
–Não! Não sou uma criança pra agir deste jeito...
–Mas está na minha casa e aqui são as minhas regras!
–Não acredito que está fazendo isto...
Charlie respira fundo e eu sei que ele está tentando se acalmar.
–Bella, entre. Vou apenas trocar uma palavrinha com seu... amigo.
Eu olho pra Edward.
–Bella, faça o que seu pai pede.
–Mas...
–Nós conversamos depois.
–Vai me ligar, não é?
–Sim.
E sem ter o que fazer eu entro em casa, batendo a porta.
Subo pro meu quarto e abro a janela.
E escuto meu pai dizer.
–Eu não pedi pra ficar longe da minha filha?
Não consigo escutar a resposta de Edward dentro do carro, mas estou absolutamente chocada por meu pai ter pedido isto a Edward.
–Você disse que ia se afastar, disse... – de novo Edward está falando e eu não escuto. – Sim, ela é adulta... mas é minha filha! E Você sabe porque eu te peço isto!
Sinto meu coração batendo descompassado. Quero ouvir o que Edward diz, mas não consigo.
–Tudo bem... Não posso concordar com isto, mas tem razão. Se ela quiser, eu não posso impedi-la! - e Charlie bate a porta do volvo com força.
Eu desço as escadas e o encontro.
–Pediu pra Edward se afastar de mim? – grito.
–Bella...
–Pediu?
–Sim, eu pedi.
–Meu Deus! Como pode ter feito isto? É a minha vida! Não pode me impedir de sair com quem eu queira.
–Você não sabe o que está fazendo...
–Não sei? Por que odeia o Edward? Qual o problema com ele?
–Não tenho nada a ver com o Edward e sim com você!
–Cansei desta superproteção!
–Você sabe o porquê.
–Isto é ridículo.
–Bella, escute. Você pediu pra ir pra Londres, e eu concordei... Você diz que está tudo bem, mas este Edward... Não é o homem certo pra você.
–Eu mesma devo definir isto e não você!
–Bella, apenas me escute...
–Não! Não vou escutar. Já cansei disto! De agora em diante não se intrometa mais, não vai adiantar, entendeu?
Eu subo as escadas de dois em dois degraus e ligo pra minha mãe.
Renée como sempre me escuta, enquanto choro e conto tudo a ela.
–Bella, Charlie apenas se preocupa...
–Ele não pode se intrometer assim na minha vida! Eu tenho 22 anos. Não devia ter vindo pra cá.
–Então venha pra Phoenix.
–Não posso, tenho um trabalho aqui agora.
–E tem o Edward, não é? – Renée diz e eu sinto seu tom preocupado também.
–Você também não, por favor.
–Sabe que nunca me intrometi na sua vida e nas suas escolhas. Apenas tome cuidado.
–Eu sou cuidadosa.
Era uma mentira. Mas eu não ia admitir isto.
Eu durmo mal naquela noite e acordo com olheiras para trabalhar no dia seguinte.
Angela pergunta se tenho algum problema e eu me calo.
Sei que posso confiar nela, mas simplesmente não quero falar sobre isto agora.
Quando chego em casa, pego a lista telefônica e acho facilmente o telefone da casa dos Cullens.
Uma mulher atende.
–O Edward está?
–Não, ele está em Seattle... quem quer falar com ele?
–Isabella Swan.
–Oh... – a mulher parece surpresa. – Eu sou Esme, a mãe dele. Você quer deixar algum recado?
–Não... tudo bem.
–Ele estará na cidade no fim de semana.
–Certo... obrigada.
Eu desligo.
Foi uma idiotice ligar.
Ele disse que estaria em Seattle.
Deito na minha cama e pego o livro que ele me deu.
Passo a tarde lendo e quando Charlie chega, bate a minha porta meio ressabiado.
–Quer pedir uma pizza?
Eu me sento atordoada.
–Nossa, perdi a hora...
–Não tem problema. Vou pedir uma pizza.
–Tudo bem.
Não falamos mais sobre Edward Cullen naquela semana.
E eu conto as horas para o dia em que ele estará de volta.
continua
