Disclaimer: Naruto pertence ao Kishimoto-sensei ;)

Casal: Sasuke e Sakura

N/a: POV é do inglês Point Of View, que traduzindo significa "Ponto de Vista" ;D


Capítulo IV

Sakura POV

Cansada de contar os dias e as horas de quanto tempo estou condenada como a nova fantasminha camarada desse hospital – E exausta de passar esse infinito tempo sem fazer simplesmente nada – arrastei o Sasuke-kun para seguirmos o médico que caminhava para o quarto em que ele estava trancafiado, mesmo que ele estivesse tão entusiasmado quanto o médico.

Ainda lembro quando chamei o Sasuke-kun pela primeira vez com esse sufixo carinhoso que nem sei por que estava saindo dos meus lábios – Apesar de eu gostar bastante da maneira como eu conseguia pronunciá-lo – e a sobrancelha arqueada dele foi a única resposta que consegui, o que me arrancou uma risada descontraída. Na verdade, eu também não tinha resposta para a pergunta silenciosa dele de 'De onde diabos veio esse apelido?', mas ele também pareceu se desinteressar pela minha súbita mudança de chamá-lo de egocêntrico estúpido para o nome mais recente. Eu ainda o achava egocêntrico e estúpido, mas acho que eu simplesmente havia me acostumado com isso pelas imensas horas de todos esses dias que passávamos juntos.

Entramos no quarto bem na hora em que o médico fazia alguns exames físicos no Sasuke-kun e consegui lembrar vagamente do que minhas práticas de medicina haviam me ensinado para saber que as coisas iam bem. Alguns reflexos do Sasuke-kun agora existiam quando dias atrás não davam vestígio algum. Eu sabia que isso era bom. Era ótimo!

- Olha, Sasuke-kun, você está melhorando! – Um animado sorriso veio junto com minhas palavras assim que desviei os olhos do corpo do Sasuke-kun na cama para o fantasma ao meu lado. – Parece que o hospital não vai mais ter tantas almas penadas perdidas, hein?

Ele me olhou, quieto.

- Só duas vão sair, Sakura. O resto inteiro do exército de zumbis estará perdido por aí ainda. – Não pude evitar o olhar meio surpreso pelas palavras que me pegaram desprevenidas e agradeci mentalmente por ele ter voltado a encarar o corpo adormecido para que ele não visse minha face corada. Droga, eu estava há dias tentando entender o que diabos era isso que subia da minha garganta e vinha aquecer minhas bochechas pelo simples ato de encarar os olhos negros ou alguma outra coisa estúpida, como essas palavras que ele acabou de proferir.

Enquanto ele ganhava diagnósticos cada vez melhores, eu só me afundava nessa óbvia doença que estava me perseguindo. Eu devia estar contraindo alguma coisa de tanto ficar enfurnada nesse hospital. Isso explicaria a minha recente hipótese de como eu havia ficado louca de tanto trabalhar em hospitais, resolvi beber e estava muito bêbada quando sofri o acidente de carro.

- Ora, ora. Novos peregrinos. – Uma voz tranqüila e até curiosa me arrastou para o quarto vazio, exceto por mim, Sasuke e seu corpo, e um recém-chegado bem... Exótico. No mínimo. Tinha cabelos prateados, vestia roupas verdes parecidas com as do exército, mas o semblante não era nem de longe de severidade, apesar de ter uma cicatriz na pálpebra esquerda que poderia ter sido muito bem ganha em alguma batalha. Mas general ou cadete algum teria uma máscara cobrindo desde o nariz até a boca, nem um sorriso por trás dela, e muito menos seguraria um livro erótico.

Que legal, ele era exótico e erótico. Que diabos de espírito era esse?!

- Quem é você? – Sasuke-kun perguntou, desinteressado.

- Isso é pornô? – Perguntei, erguendo as duas sobrancelhas bem alto, encarando a capa principal do livro entreaberto que o Sr. General segurava. Eu tinha que ensinar ao Sasuke-kun quais perguntas eram prioridades, sério.

- Pornô? – O homem mascarado fez cara de ofendido. – Não, que nome feio para o livro mais romântico que existe.

- Não minta, eu estou vendo 'Desaconselhado para menores de dezoito anos' daqui. – Revidei, ainda incrédula.

- Nossa, um espírito com super visão. – Ele comentou, impressionado com minhas óbvias habilidades que nenhum fantasma conseguiria nem com anos de árduo trabalho. Fala sério, ele estava tirando uma com a minha cara?

- Você está em coma também? – Sasuke-kun perguntou.

- Ah. É.

- E está segurando um livro? – Sasuke-kun ergueu uma sobrancelha ao indagar.

- Pornô. – Acrescentei, reprovadora.

- Romance.

- Se é um espírito você também não pode tocar em nada que seja real. – O cenho do Sasuke-kun franziu ao falar e apenas agora me dei conta daquele fato. Ora, eu ainda estava processando a pornografia do homem com mais cara de tédio e descaso do mundo.

- Bom, eu levo a memória do livro comigo. – O homem mascarado deu de ombros. – Vocês sabem, é um bem muito valioso.

- O que?! – Deixei escapar, cética e já impaciente com o misterioso tarado que, pra completar, devia estar nos seus quarenta anos ou mais. Quer dizer, a memória das minhas amigas também era muito valiosa e elas não estavam ao meu lado como espíritos!

Não acho que o Sasuke-kun estava dando muita importância para qualquer coisa acontecendo aqui – Pelo menos em comparação com a minha indignação de conhecer um velho mascarado com cara de peixe morto e afeição por pornografias que ele intitulava romances – porque ele manteve a face serena, quase desinteressada como a do Sr General exótico aqui.

Claro que eu estava longe desse nível espiritual elevado e já ia começar a enxurrada de perguntas quando Naruto apareceu pela porta, com a expressão mais revoltada que eu já tinha visto – Depois, é claro, de quando sofreu a depressão de ontem pela derrota dos Knicks.

- Kakashi! – Ele apontou para o homem mascarado, com os olhos azuis cheios de indignação. – Você me enrolou! Aquele cara já estava morto!

- Apostas são apostas, agora mantenha as suas mãos longe do meu livro. – Kakashi retrucou, escondendo o livro contra o peito.

- Merda. – Naruto resmungou, aceitando a derrota, mas eu podia apostar que ele bem que merecia por ter sido idiota mais uma vez. É sério, às vezes eu ficava pensando que a minha missão nessa outra vida era ensinar ao Sasuke-kun a falar mais que monossílabos e ao Naruto um pouco de bom senso, porque a inteligência eu já tinha desistido.

Mas alguma coisa me dizia que não foi só a estupidez de Naruto que o fez perder a aposta misteriosa. Esse tal de Kakashi só tinha a cara de tédio, eu podia apostar com quem quisesse. No entanto, não me detive nisso e resolvi perturbar o Naruto, pra ele deixar de ser idiota. E tarado, pelo que acabava de descobrir.

- Você quer ler pornô? – Perguntei a ele, reprovadora. Qual era o problema com os homens e um par de peitos, sério? As mulheres não saíam abanando o rabo pra cada bunda ou tanquinho que aparecia. Ou pelo menos não a maioria delas.

- Dã. Eu sou homem, Sakura-chan. – Naruto falou, com ar óbvio e nada envergonhado. Revirei os olhos.

- Por mais difícil que pareça. – Sasuke-kun comentou, impassível.

- Você é o único que não está interessado no livro aqui, Teme.

- Eu não dependo de um livro pra saber se eu sou ou não gay, Dobe.

- Ora, seu...!

Depois de dias na presença desses dois juntos, eu já não dava a mínima quando eles se atracavam assim para arrancar o fígado um do outro ou puxar o cérebro pelo olho ou nariz, o que, no início, era até legal de ver – Ei, eu era médica! Carnificinas são o que há de melhor! – mas agora eu só ignorava, entediada.

Foi o que fiz, me dirigindo a um Kakashi que também não parecia muito interessado na briga.

- A propósito, eu sou Sakura e aquele é o Sasuke. – Obviamente ele não só conhecia o Naruto, mas também o enrolara, então não mencionei meu amigo loiro. – Kakashi, não é?

- Sim. Bem vinda a esse desastre, Sakura. – Ele sorriu, e mesmo por debaixo da máscara, gostei do gesto. Seus olhos sorriam do mesmo modo amigável e sincero. Ele era tarado, mas e daí? O Naruto era um tapado, o Sasuke-kun era um egocêntrico estúpido e eu tinha um pavio extremamente curto. Parecia-me um belo quarteto de fantasmas.

Exceto que eu não pretendia passar tanto tempo sendo parte desse quarteto, muito menos quando Kakashi comentou sobre o desastre, mesmo que ele nem precisasse falar disso.

Suspirei, cansada.

- Quanto tempo você acha que passamos aqui? – Perguntei, quieta.

- Você quer mesmo sair daqui? Lá fora você pode ser esfaqueada ou sofrer decepções amorosas, não é não?

- É, mas eu estaria vivendo.

- Quem disse que você não está vivendo agora?

Fiquei calada, sentindo minhas palavras serem engolidas pelos olhos curiosos dele.

- Eu gosto de viver aqui. – Ele acrescentou, contente.

- Você fala isso porque tem o seu pornô. – Resmunguei, meio incerta do que saía da minha boca.

- Você tem esses dois. – Kakashi deu de ombros, indicando os gladiadores a alguns pés de distância de nós que nos ignoravam completamente. Olhei-os e não pude evitar o suspiro.

- Ou o que sobrar deles.

.:OoO:.

.:OoO:.

.:OoO:.

Sasuke POV

- Anda, Sasuke-kun, você tem que se concentrar.

- Por que você não está fazendo isso? – Franzi o cenho para a mulher irritante ao meu lado, ignorando as pedrinhas que tanto a chamava atenção.

- Porque eu perdi as energias tentando.

- Você não perde energia nenhuma quando é um fantasma, Sakura. – Retruquei, entediado.

- Tem razão. Porque eu quero ver outro se frustrando com essa droga.

Eu sinceramente queria entender o que se passava na mente diabólica dessa mulher, porque que diabos de idéia era essa de se aproveitar dos outros depois de não ter agüentado os fracassos com a coisa mais idiota do mundo? Poderia até ser por ela me considerar um egocêntrico estúpido, mas ultimamente ela não tinha demonstrado vontade em me matar, o que me provava que eu estava sendo realmente estúpido em acreditar na cordialidade dela e no término das brigas.

Mulheres, juro, são as criaturas mais diabólicas que existem. Um sorriso podia se transformar nisso que estava acontecendo agora. Apenas não continuei a discussão porque eu já estava acostumado às mudanças de humor de Sakura. E porque eu sabia que não ia adiantar enfrentar o cenho franzido dela. Mulher irritante e teimosa.

Então me limitei a rolar os olhos para o céu azul e respirar o ar puro de fora do hospital, chegando à conclusão de que nem o som atrás de nós do chafariz, ou a visão das pedras branquinhas que rodeavam a lagoa artificial, seriam capazes de acalmar Sakura quando ela estava frustrada com seus resultados.

Tudo porque o idiota do Kakashi apareceu segurando aquele livro.

Parecia que eu tinha mais motivos para não gostar dele.

- Sério, Sakura-chan, eu passei uma semana inteira tentando isso, e eu realmente perdi as energias. – Naruto comentou, as mãos apoiadas nos azulejos que constituíam a borda da lagoa onde estávamos sentados. – Não podemos tocar em nada, conforme-se.

- Eu não posso me conformar. – Sakura rebateu, desafiando as pedrinhas brancas com seus olhos frustrados, em seguida estendendo a mão para uma delas e franzindo ainda mais o cenho quando o único sucesso que conseguiu foi atravessar os objetos que deveriam ser de decoração e que ninguém, nem fantasmas, deveriam estar incomodando. Nenhum paisagista imaginou encontrar alguém tão teimoso quanto Sakura, obviamente.

Depois do ataque de depressão dela daquele dia eu estava esperando que nada a abateria ou a deixaria revoltada – Afinal, o que era pior do que aceitar o próprio coma e a iminência de morrer a qualquer segundo? – mas caso isso acontecesse eu já imaginava ser por alguma notícia que suas amigas lhe dariam ou pela primeira visita de seus pais, que até agora não deram sinal de vida e isso não me parecia nada bom quando eu previa outro ataque de depressão. Eu lhe daria razão por qualquer dessas coisas, mas essa loucura agora só por não poder tocar em nada que fosse real? E daí? Eu não via como esse fato tinha a menor importância.

Talvez ela estivesse mesmo enlouquecendo com essa história de ser fantasma.

Que ótimo.

- O que está esperando? – Ela dirigiu a pergunta a mim, me encarando de forma impaciente, apontando em seguida para as pedras. – É isso aqui ou eu arrasto você para aturar o seu irmão.

- E eu não sei se é pior aturar você ou ele.

Sakura rolou os olhos, mas eu não estava fazendo drama algum. Eu só queria que ela parasse de ser tão irritante com esse assunto. Eu a aturava por muitas coisas, mas por pedrinhas brancas idiotas? Não, obrigado. Mesmo que a considerasse mais do que poderia querer, eu não ia entrar nesse jogo idiota.

- Por que você quer tanto tocar em alguma coisa? – Perguntei a ela, olhando-a.

- Porque faria toda a diferença do mundo! Eu poderia usar o material do hospital para nos tirar dessa! Além do mais, é bem mais reconfortante saber que eu posso fazer parte do mundo real ao invés de encostar apenas nos espíritos aqui. – E ela apontou para mim e para um Naruto distraído.

Pra mim isso ainda não tinha a menor importância, mas quem era eu para tentar entender a mente dela?

Ainda decidida, Sakura segurou minha mão.

- Está vendo? É fácil – Ela se referia a tocar em mim, e depois olhou o mar esbranquiçado que eram as pequenas pedras. – Exatamente como segurar essa pedrinha aqui.

E ela guiou minha mão com a sua para encostar em alguma daquelas infinitas pedras, na tentativa de que sua teoria tão simples se tornasse realidade. Mas não me importei mais se meus dedos estavam atravessando ou não a pedra, mesmo que meus olhos estivessem concentrados em minha mão. Na verdade, o que eu via era a mão dela segurando a minha. Tudo abaixo disso ou ao redor fugiu dos meus sentidos e não entendi por que.

Não quer dizer que me importei em tentar descobrir, já que eu estava mais concentrado em como aquela mão pequena e delicada era incrivelmente mais macia do que aparentava, e fosse ou não a temperatura gélida da sua pele eu me vi perdido na corrente elétrica agradável que me percorreu desde o toque de sua mão até minha nuca.

Eu podia ver os lábios de Sakura murmurando palavras que não deveriam ser agradáveis, julgando pelo cenho franzido dela, e fiquei grato por ela não estar percebendo a dormência que tudo isso estava me proporcionando. Quando pousei os olhos em seu rosto, percebi que seria impossível voltar a encarar nossas mãos ou qualquer pedra branca. E, merda, como eu queria que isso passasse. Era estranho demais, mesmo que a corrente fosse agradável o suficiente para eu querer senti-la todos os segundos.

Dane-se, ainda era estranho demais. Mas eu não podia fazer nada. Quando meus sentidos me abandonaram, horas atrás pelo que parecia, levaram meus atos voluntários junto e eu tinha medo do que os involuntários poderiam estar arquitetando enquanto eu me perdia nos detalhes do rosto de Sakura. Ela não havia largado minha mão e estava concentrada demais em sua tarefa para notar meus olhos delineando seu nariz afilado, os lábios que falavam alguma coisa, a franja movimentando-se com o vento.

Ela suspirou, cansada da tarefa que parecia continuar inútil, e ergueu os olhos para me encarar e provavelmente pedir para que eu me concentrasse na pedra e na minha mão ao invés de me perder em sua face, mas a única coisa que eu podia me concentrar era na mão dela e na minha. E em seu rosto. Eu nem sabia mais que pedras brancas haviam causado tudo isso e pouco me importava. Ainda mais quando os olhos verdes se prenderam nos meus e as palavras ficaram presas, percebi claramente.

Todo esse tempo que eu passei com Sakura, todas essas horas, as noites sem dormir em que passávamos ao lado um do outro, quietos, não pude perceber como os olhos verdes eram um mar infinito que brilhava e que me afogaria em menos de dois segundos. Eu nunca percebi que ela tinha cílios longos, e ela nunca me pareceu tão... Delicada, frágil desse jeito, quando as palavras fugiam. Lembrei de quando sentamos naquele corredor e o cheiro de baunilha de seus cabelos me intoxicou o suficiente para eu permanecer com o braço ao redor de seus ombros, sentindo seu rosto afundar em meu peito e suas lágrimas me encharcarem.

O que estava acontecendo? Eu não pensava nada relacionado à Sakura que não fosse uma mulher irritante que não parava de falar e sorrir daquele jeito igualmente irritante. Eu estava drogado? Era a única explicação.

Drogado ou não, percebi que estávamos próximos. Mais próximos do que quando a frustração dela agarrou minha mão para me jogar no transe mais estranho da minha vida. E percebi que estava muito drogado. Porque eu gostei da nossa proximidade.

- Ei, e aí? O que as crianças estão fazendo? – Kakashi apareceu diante de nós, animado, nos sobressaltando e fazendo Sakura largar minha mão abruptamente e aumentar a distância entre nós.

Nunca pensei que agradeceria a alguma aparição dele.

.:OoO:.

.:OoO:.

.:OoO:.

Sakura POV

- Ta, eu admito. Eu queria segurar a mão dele.

Foi a primeira sentença que murmurei para minha mãe desde que ela e meu pai apareceram no quarto. Quando os vi pela primeira vez fiquei chocada, incapaz de emitir um som e apenas me limitei a observá-los em seu sofrimento por ver a filha em coma, cheia de fios saindo do corpo e a expressão serena de quem dormia o melhor dos sonos. Era bom saber que aquela fachada funcionava, porque o meu verdadeiro eu aqui estava comendo os próprios miolos.

Não por ter visto meu pai consolando minha mãe enquanto ela chorava até não poder mais; nem por vê-lo sair do quarto anunciando que iria comprar comida para ela senão ela seria a próxima nessa cama de hospital; e nem por observar minha mãe agora, sentada numa cadeira ao lado da cama, segurando minha mão ao dormir, a cabeça descansando no lençol. Certo, essa imagem me comoveu – Uma parte de mim estava bastante comovida com a chegada dos pais que eu nem sabia ter, de fato – e talvez por isso eu não tivesse dito uma só palavra há tanto tempo, com medo de que a cena se desfizesse diante dos meus olhos.

Mas a outra parte de mim estava comendo os miolos porque eu não conseguia apagar a imagem de poucas horas atrás, quando Kakashi chegou para nos dizer que eu tinha visita – Meus amigos fantasmas até me acompanharam, mas depois de ver minha expressão surpresa resolveram me dar um tempo a sós com minha família.

Eu não conseguia esquecer os olhos negros me afogando no silêncio que roubava minhas palavras. O arrepio que senti ao segurar sua mão. Foi a primeira vez que essa corrente elétrica me acometeu só por eu sentir a textura e a temperatura de sua pele. Quantas vezes eu já não havia arrastado-o pelo braço ou pela mão antes? Por que isso aconteceu hoje? Era verdade que essa dúvida me consumia cada vez mais rápido a cada minuto, mas meus miolos sendo engolidos não eram exatamente por esse fato.

Não.

Era porque eu quis fazer aquilo.

Naquela hora, frustrada com a pedra, bem no fundo, eu quis segurar a mão dele.

E eu estava admitindo isso para minha mãe adormecida, como se ela pudesse escutar esse fantasma aqui, mesmo se estivesse com os olhos verdes abertos. Mas eu não ligava. Estava perdida em lembranças. E eu não podia acreditar que as primeiras palavras que falava com minha querida mãe eram sobre Sasuke e não em como eu estava ansiosa pela visita deles. Mas eu não podia me controlar.

Porque eu só conseguia pensar nele...

- Era um toque tão bom quanto esse que você deve estar sentindo, mãe. Era... tão bom... – Um pequeno sorriso apareceu em meus lábios. – E eu não queria largá-lo.

Meu Deus. Era verdade. Eu não teria largado-o se Kakashi tivesse ficado escondido em seu canto lendo o livro pornô...! Eu teria me perdido nos olhos negros, exatamente como aconteceu e nem percebi o quanto estávamos próximos...! Eu teria fechado meus olhos apenas no momento em que...! Não, não! Isso era loucura!

Balancei a cabeça, franzindo o cenho.

- O que está acontecendo? Eu mal o conheço. Me recuso a acreditar que eu... – Enruguei o nariz. – Eu não posso estar, não é? – Perguntei à minha mãe, meio assustada, confusa, incrédula. Nem eu sabia o que estava sentindo. Certo, eu sabia que a incredulidade se sobressaía, junto com a razão que aparecia apenas agora.

- Isso é ridículo. Eu estou atravessando paredes, pelo amor de Deus. Estou apenas passando por uma crise. – Convenci-me, decidida, cenho franzido. Olhei meu corpo adormecido e suspirei. – E me olhando em coma.

Que crise.

Não precisava de mais provas para me convencer da dimensão da loucura que me perseguia como minha sombra, então toda essa confusão de horas atrás e o canibalismo que se desenrolava em minha mente não passavam de fragmentos da loucura que acompanhava o meu espírito e o meu corpo em coma.

Nada para me preocupar.

Claro. Como pensei em me preocupar com isso?

Idiota. Idiota.

- Sakura-chan! – A calmaria do quarto foi cortada pela voz animada de um Naruto que apareceu diante de mim. O que ele estava aprontando? – Você está perdendo aquela neurocirurgia do tumor da hipáfase, hipófase, sei lá!

- Ah, é mesmo. – Pisquei, curiosa. O tumor de hipófise que eu vi no quadro de cirurgias era uma das coisas que me entretinha nesse hospital. Fazia uns dois dias que eu ficava invadindo salas de operação para observar os procedimentos cirúrgicos que até nessa outra vida me encantavam, diferentemente dos meus amigos fantasmas, o que me assustava a idéia de Naruto ter vindo aqui para me lembrar da operação. – Vocês estão vendo?

- Não, mas o Sasuke lembrou pra eu avisar.

- Ah. – Agora eu estava oficialmente assustada. O Sasuke-kun se lembrou de mim e do meu vício com cirurgias? Eu ficava horas falando disso e arrastando-os comigo para esses locais, mas não esperava tanta consideração do egocêntrico que eu conhecia. – Valeu, Naruto, vou daqui a alguns minutos.

- Roger. – Naruto falou, batendo continência e se virando. – Ei, Sakura-chan.

- O que?

- Da próxima vez tentem se beijar antes que o Kakashi apareça.

Meu rosto se incendiou de uma maneira que nem eu estava preparada para suportar.

- O-O que você-?!

Naruto só riu – Provavelmente das minhas bochechas pegando fogo – e sumiu, me deixando sozinha com minha frustração, meu rubor e minha mãe que dormia.

E os meus miolos sumindo de novo.

Continua...


Que bonitinho, o romance está aparecendo xD Hahauhahuahu! Próximo capítulo tem mais ainda ;D

Reviews:

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Kiyuii-chan