Oi, oi povo! Então sobre esse projeto RW/HG, a história é legal, gosto bastante dela, a única coisa que me irrita um pouco é o mocinho que é muito Rony!rsrs
Acho que vale a pena adaptar, vamos ver.

Bora ver a interação dos dois e as consequências.

Patt Soares: Fico contente por saber que gostou do capítulo, então sobre novos projetos de Dramione, tenho dois. ^^

Daniela: Eu também amo SS, é o meu favorito.

Viola: Sim o Alonso é uma ameba, rsrsrs e Não ele não é assim na A tempestade, a homenagem é só no nome...rsrs Esses dois ao dá o que falar ainda, se prepare...

Alexandra: Seja bem vinda! Espero que goste do capítulo!

Lembre-se, comentar nunca é demais!

Bjs e boa leitura!


Hermione percebeu a hesitação do marquês entre o barulho do relógio com tanta claridade como se um trombeteio tivesse dado início a uma batalha. E Snape caminhou com passo firme, arrogante. Decidiu-se e se aproximava com artilharia pesada.

Ele era a autêntica artilharia pesada, pensou a jovem. Não estava preparada para aquilo, nem sequer pelo que o irmão e outras pessoas contaram. O cabelo mais negro que o carvão, uns olhos negros, atrevidos, um enorme nariz cesárea e uma boca huraña, cheia de sensualidade... somente o rosto já lhe deixava a estirpe de Lúcifer, como assegurava Duffy.

E o corpo...

O irmão havia dito que Snape era um homem muito grande, e ela esperava uma espécie de gorila gigantesco, mas não estava preparada para ver um garanhão: grande, esplendidamente proporcionado e de poderosos músculos, se levasse em consideração os que ressaltavam suas rodeadas calças. A jovem não deveria prestar atençao ali, nem sequer dar uma leve olhada, mas semelhante físico chamava a atenção e a fascinava... em todas as partes. Depois daquele comportamento tão impróprio de uma dama, teve que requerer toda sua força de vontade para manter o olhar fixo no rosto do lord, e realizou aquela proeza porque, se não, teria perdido a pouca razão que restava e teria feito algo terrível.

—Enfim, senhorita Granger — sua voz profunda parecia sair de um quilômetro por cima do ombro direito dela, de forma extremamente calma e fria — despertou minha curiosidade. Que demônios encontrou aí que a deixou tão hipnotizada?

Sua cabeça podia estar um quilômetro acima dela, mas o resto de seu musculoso corpo estava muito perto. Notou o aroma de fumo, e o de uma sutil colônia masculina, escandalosamente cara. Seu corpo começara a crescer novamente nos ardores que tinha experimentado momentos antes e dos que ainda não se recuperara por completo.

Teria que ter uma longa conversa com Geneviéve, pensou. Aquelas sensações não podiam ser o que suspeitava que eram.

—O relógio — respondeu com serenidade — O do desenho com a mulher do vestido rosa.

Ele se inclinou para olhar mais de perto o expositor.

— A que está debaixo de uma árvore?

Pousou uma mão embainhada em uma cara luva sobre o expositor, e toda a saliva de sua boca se evaporou. Era uma mão imensa, poderosa. Fascinada, deu-se conta de que aquela mão podia levantá-la do chão sem o menor esforço.

—Sim — respondeu, resistindo à necessidade de passar a língua pelos ressecados lábios.

—Suponho que quererá examiná-lo mais atentamente — disse ele.

Levantou o braço, agarrou uma chave que pendurava em um prego de uma viga, abriu o expositor por trás e tirou o relógio.

Era impossível que o dono da loja não tivesse dado conta de semelhante atrevimento, mas não pronunciou nenhuma palavra. Hermione olhou para trás. Parecia imerso em uma conversa com Alonso. "Parecia" é a palavra mais expressiva, porque com o irmão o que normalmente se entende por conversa apenas entrava no terreno da probabilidade. Uma conversa profunda com ele, e ainda por cima em francês, era impensável.

—Talvez devesse lhe mostrar como funciona — disse Snape suave, voltando a atrair a atenção dela.

Naquele tom de voz tão sob medida Hermione reconheceu a excessiva inocência que indevidamente precedia à típica idéia varonil, completamente estúpida, de uma brincadeira. Poderia ter dito que, como não tinha nascido ontem, conhecia perfeitamente o funcionamento daquele instrumento, mas o brilho dos negros olhos do moreno a fez perceber que aquilo lhe divertia enormemente, e ela não queria estragar sua diversão. Ainda não.

—Muito amável — murmurou.

—Como verá, quando se gira esta chave, suas saias se abrem — disse — e entre suas pernas há um... — fingiu olhar com mais atenção—. meu Deus, que escândalo. Acredito que há um homem ajoelhado.

Aproximou o relógio do rosto da castanha.

—Não tenho problema de visão, meu senhor — disse ela, pegando o relógio — Você tem razão. É um homem... conforme parece... seu amante, já que está lhe prestando um favor amoroso.

Abriu sua bolsa, tirou uma pequena lupa e submeteu o relógio a um minucioso exame, consciente de que a estavam submetendo a um escrutínio similar.

—Da peruca do cavalheiro se desprendeu um pedaço de esmalte e há um pequeno arranhão na parte esquerda da saia da dama — disse — Pelo resto, eu diria que o relógio se encontra em um perfeito estado, tendo em conta sua antigüidade, embora duvide muito que marque a hora exata. Pois apesar de tudo, não é um Breguet¹.

Guardou a lupa e ao erguer o olhar encontrou com os olhos de pesadas pálpebras cravados nela.

— Quanto acredita que o lojista pedirá?

— Quer comprá-lo, senhorita Granger? — perguntou ele — Duvido muito que seus parentes aprovem semelhante aquisição. Ou será que as idéias inglesas sobre o decoro sofreram uma revolução durante o tempo que estou distante?

—Não é para mim — respondeu ela — É para minha avó.

Teve que reconhecer, Snape não se alterava por nada.

—Ah, nesse caso, é distinto — replicou o homem de maneira mordaz.

—Por seu aniversário — explicou a castanha — E agora, se me perdoar... Será melhor que desembarace Al de suas negociações. Por seu tom de voz sei que está tentando fazer contas, e como comentou você com tanta acuidade, não se sente bem.

Poderia levantá-la com uma só mão, pensou Snape enquanto a observava atravessando despreocupadamente a loja. Sua cabeça apenas chegava à altura de seu esterno, e inclusive com aquele chapéu tão sobrecarregado não pesaria nem cinqüenta quilos.

Estava acostumado a ser muito mais alto que as mulheres — que quase todo mundo — e tinha aprendido a sentir-se cômodo com seu descomunal corpo. Os esportes, sobre tudo o boxe e a esgrima, tinham-lhe ensinado a ser ligeiro.

Ao lado de Hermione havia se sentido como um bruto, torpe feio e estúpido. Ela sabia perfeitamente que deixara ambos em uma maldita situação. A questão era: que maldita situação era? Aquela pirralha olhara diretamente para ele, sem pestanejar. Ele tinha se aproximado de seu corpo, e ela não se movera. Depois retirara a lupa, com toda a pompa, e examinara o lascivo relógio como se se tratasse de uma edição exótica da Bíblia.

Pensou que talvez deveria ter prestado mais atenção nos comentários de Granger sobre a irmã. O problema era que se prestasse atenção em algo que Alonso Granger dissesse, seguramente ficaria louco em pouco tempo.

Acabava de completar este pensamento quando o rapaz gritou:

— De jeito nenhum! É que você a estimula, Mione, e não vou consentir. Não deve vender-lhe senhor.

—Claro que me vai vender, senhor — replicou a senhorita Granger em um francês mais que aceitável — Não tem por que fazer caso meu irmão mais novo. Não exerce nenhuma autoridade sobre mim.

Traduziu amavelmente as palavras para seu irmão, cujo rosto se tingiu de vermelho.

— Não sou pequeno! E sou o cabeça da maldita família e digo que...

— Vá jogar uma partida de cartas, Al — disse a castanha — Ou melhor, por que não leva seu encantador amigo para tomar uma bebida?

—Mione, sabe que o mostrará às pessoas — disse o rapaz em tom suplicante — E eu... me envergonhará terrivelmentel.

—Por Deus, como se tornou dissimulado desde que saiu da Inglaterra.

Deu a impressão que os olhos do jovem iriam sair das órbitas.

— Sou o que?

—Um dissimulado, querido. Um dissimulado e um fanfarrão. Um típico metodista.

O rapaz emitiu diversos sons inarticulados e se voltou para Snape, que já tinha decidido não partir.

Estava apoiado no expositor de jóias, observando à irmã de Granger, pensativo, fascinado.

— Você a ouviu, Snape? — perguntou o rapaz — ouviu o que disse esta bruta?

—Não pude evitar — respondeu o homem — Estava escutando com muita atenção.

— Um dissimulado! Eu! — exclamou, batendo com o polegar no peito.

—É um desgosto terrível. Serei obrigado a cortar toda relação com você. Não vou deixar que sua virtuosidade me corrompa.

—Mas Snape, eu...

— Seu amigo tem razão — interrompeu a jovem —. Se alguém se inteira disto, não pode se arriscar em deixar vê-los juntos. Sua reputação ficaria destruída.

—Ah, então ouviu falar de minha fama, senhorita Granger? — perguntou o moreno.

—Sim, claro. Você é o homem mais terrível que jamais viveu nesse mundo. Come meninos no café da manhã. As babás costumam dizer isso quando as crianças se comportam mau.

—Mas você não está nem um pouco assustada...

—Não é a hora do café da manhã e não sou precisamente uma menina. Claro que de seu vantajoso e amplo mirante, possivelmente me confunda com uma.

Lorde Dain a olhou de cima abaixo.

—Não, não acredito que pudesse cometer esse engano.

—Tampouco acredito eu, depois de insultar assim um homem — disse Alonso.

—Por outro lado, senhorita Granger — continuou Snape como se o rapaz não existisse (e em um mundo realmente lógico, não deveria ter existido) —, se se comportar mau, talvez eu sinta a tentação de...

Qu'est- que c'est², monsieur? — perguntou a jovem ao lojista, dirigindo-se ao mostrador onde o moreno estava olhando quando entraram seu irmão e ela.

Rien, rien³. — o senhor pousou uma mão protetora sobre a bandeja. Olhou nervosamente para o lord.

Hermione olhou na mesma direção.

— Vai comprá-lo, milorde?

—Absolutamente — respondeu de forma calma — O que me chamou a atenção há uns momentos foi esse tabelionato de prata que, como você poderá perceber, é o único objeto que merece a pena olhar duas vezes.

Mas não foi o tabelionato o que ela agarrou para examinar com a lupa, e sim um quadro cheio de porcaria com o grosso marco recoberto de mofo.

—É o retrato de uma mulher, conforme parece — disse.

Snape se afastou do expositor de jóias e se aproximou do mostrador, onde ela estava.

—Ah, sim. Com certeza é uma figura humana. Vai sujar suas luvas, senhorita Granger.

Alonso também se aproximou, carrancudo.

—Cheira a não sei o que — disse, fazendo uma careta.

—Porque está podre — replicou o moreno.

—Porque é muito antigo — replicou a jovem.

—Deve ter permanecido esquecido em algum esgoto durante uma década — disse Snape.

—Tem uma expressão interessante — disse a moça ao senhor lojista em francês — Não consigo saber se triste ou feliz. Quanto quer?

Quarante sous.

Ela largou o quadro.

Trente-et-cinq — renegociou o senhor.

A jovem riu.

O lojista disse que pagara trinta e cinco sous e que não podia vendê-lo por menos.

Hermione o olhou com lástima.

Os olhos do vendedor se encheram de lágrimas.

Trente, mademoiselle.

Então só levaria o relógio, disse ela.

Por fim afinal pagou dez sous por aquele traste sujo e fedorento, e se tivesse continuado regateando,o senhor teria acabado pagando-a para que o levasse, pensou Snape.

Nunca tinha visto o calejado lojista reduzido a tal sofrimento, e não entendia o motivo. Certamente, quando a senhorita por fim saiu da loja — levando seu irmão, graças a Deus —, o único sofrimento que experimentava lorde Dain era dor de cabeça, que atribuiu a ter permanecido quase uma hora, sóbrio, em companhia de Alonso Granger.

Algum tempo mais tarde, em sua casa de prazeres preferida, com o inocente nome de Vingt-Huit, lorde Dain obsequiou a seus companheiros com uma descrição da farsa, como ele a chamava.

— Dez sous? — disse Peter Pettigrew, rindo—. A irmã do Granger conseguiu que o velho da Dervish and Banges o rebaixasse de quarenta para dez? Quem me dera ter estado lá!

—Bom, é evidente o que aconteceu, não? —interveio Theodore Nott —. Ela nasceu antes. Como absorveu toda inteligência, não restou nem um pingo para Granger.

— E é igual fisicamente? — perguntou Rodolphus Lestrange enquanto voltava a encher a taça de Snape.

—Não percebi a menor semelhança nem no formato dos olhos nem na cor — respondeu o moreno de forma calma, e tomou um gole de vinho.

— Nada mais? —perguntou Lestrange — Vai nos deixar curiosos? Como é ela?

O lord encolheu os ombros .

—Cabelo castanho, olhos castanhos, com um e cinqüenta de estatura e uns quarenta e cinco quilos de peso.

— Pesou-a? — disse Nott, sonrrindo—. E diria que esses quarenta e cinco quilos estão bem distribuidos?

— Como demônios vou saber? E ninguém poderá saber, com todos aqueles espartilhos, anáguas e essas coisas que as mulheres se preenchem e se amarram? São todos truques e mentiras até que ficam nuas, certo? — sorriu — São mentiras distintas.

—As mulheres não mentem, milorde Dain — ouviu uma voz melodiosa com leve acento da porta — Só achamos isso, porque elas vivem em outra realidade.

O conde Riddle entrou e fechou brandamente a porta

Embora saudasse o conde com uma breve inclinação de cabeça, Snape se alegrou muito em vê-lo. Lestrange tinha grande astúcia para conseguir das pessoas precisamente o que menos queriam revelar. Embora o moreno estivesse a sua altura, incomodava-o a concentração que era preciso para defender-se daquele velhaco. Com a presença de Riddle, Rodolphus não podia prestar atenção a ninguém mais. Mesmo Snape distraía do que estivesse fazendo às vezes, embora por distintas razões. Tom Marvolo Riddle era tão bonito quanto um homem poderia ser sem se assemelhar com uma mulher. Era magro, moreno, de olhos escuros e misteriosos e rosto de anjo.

Quando os apresentou, uma semana antes, Lestrange sugeriu brincando que pedissem a sua mulher, que era pintora, que os retratasse juntos "Poderia titular o quadro Céu e Inferno", disse.

Lestrange desejava Riddle desesperadamente, devido sua riquesa e seu poder de persuasão. Tom por sua vez, desejava à mulher de Lestrange, e ela embora mostrasse não desejar ninguém, correspondia o belo conde.

Para o moreno parecia uma situação encantadoramente divertida.

—Chegou bem a tempo, Riddle — proferiu Nott — Snape teve uma aventura hoje. Há uma jovem recém chegada a Paris, e com quem primeiro que se encontra? Com Snape. Ele falou com ela.

O mundo inteiro sabia que ele se negava a manter qualquer tipo de relação com mulheres respeitáveis.

—É a irmã de Alonso Granger — explicou Lestrange.

Havia um assento vazio junto ao dele, e todos sabiam a quem estava destinado, mas Tom foi até o assento do lord e se apoiou no respaldo. Para martirizar Rodolphus, é obvio. Riddle somente parecia um anjo.

—Ah, claro — disse —. Não se parece em nada seu irmão. Evidentemente, saiu a Geneviéve.

—Tinha que ter desconfiado — disse Lestrange, voltando-se para encher a taça — A conhece, não? E ela se parece com você,Riddle?

—Encontrei-me com Granger e seus familiares recentemente, no Três Vassouras — respondeu o belo moreno ignorando o comentário malicioso — No restaurante se formou uma revolução enorme. Geneviéve, quer dizer, lady Pembury, não aparecia em Paris a muito tempo. Era evidente que não a esqueceram, apesar de que transcorreram vinte e cinco anos.

— Diabos, sim! — exclamou Nott, golpeando a mesa com mão. Estava tão atônito com a incrível conduta de Snape com a garota que não tinha relacionado Geneviéve — Isso explica tudo.

— O que é que explica? — perguntou Pettigrew.

O olhar de Nott se encontrou com o de Snape, e o primeiro adotou uma expressão de inquietação.

—Bom, que naturalmente sentisse um pouco de... curiosidade — disse Nott — Geneviéve é um tanto fora do comum, e bom, se a senhorita Granger tiver essa mesma... anomalia, deve ser como essas coisas que compra no Dervish and Banges. E precisamente ali estava, nessa loja, como a maleta de médico em forma de cavalo de Troya que comprou o mês passado.

—Uma peça estranha, quer dizer — replicou Snape — E não cabe dúvida de que também escandalosamente cara. Excelente analogia, Nott — levantou sua taça — Eu não teria sabido expressá-lo melhor.

—De todos os modos, não acredito que se formasse um tumulto em um restaurante parisiense por causa de duas mulheres estranhas — objetou Lestrange, olhando para Nott e Snape.

—Quando conhecer Geneviéve compreenderá — disse suavemente Tom — Não se trata simplesmente de beleza. É a autêntica femme fatale. Os homens as assediavam de tal maneira que apenas as deixaram comer. Granger estava muito aborrecido. Felizmente para ele, a senhorita Granger sabe controlar seus encantos. Se não, acredito que teria havido derramamento de sangue. Duas mulheres assim... — moveu a cabeça com tristeza —. É muito para os franceses.

—Seus compatriotas têm estranhas idéias sobre encanto — disse Snape enquanto enchia uma taça para o conde e a dava — Eu vi apenas uma solteirona intelectualoide, altiva e com língua de víbora.

—Eu gosto das mulheres inteligentes — replicou Riddle — São muito estimulantes. Eu adoro que a ache desagradável, Snape. Já há muita competição.

Lestranget se pôs a rir.

—Snape não compete. Permuta. E como todos sabemos, só com um tipo de mulher.

—Eu pago algumas moedas a prostitutas — replicou o moreno de forma calma —. Me dão exatamente o que preciso e quando quero. Como não parece que vão faltar putas no mundo, por que teria que me aborrecer com outro tipo de mulher?

—Por amor — respondeu Riddle.

Os ouvintes explodiram em gargalhadas.

Quando se acalmou a gritaria, o moreno disse de forma mordaz:

—Cavalheiros, talvez cometi um lapso. Não era do amor que eu estava falando?

—Eu acreditava que falava de fornicação — replicouTom de forma calma.

—Segundo o dicionário de Snape, é o mesmo — interveio Rodolphus. levantou-se — Acho que vou descer e jogar uns francos nessa armadilha chamada rouge et noir. Alguém se anima?

Pettigrew e Nott o seguiram para a porta.

— Riddle? —perguntou Lestrange.

—Possivelmente — respondeu o conde — Decidirei depois, quando terminar o vinho.

Tomou o assento que tinha deixado vazio Pettigrew, junto a Snape.

Quando os outros já não podiam ouvi-los, o moreno disse:

—Não me importa, Tom, mas sinto curiosidade. por que não diz tranqüilamente ao Lestrange que errou o tiro?

Riddle sorriu.

—Asseguro-o que não faria diferença, Severus. Tem comigo o mesmo problema que com sua mulher, acredito.

Lestrange se desafogava virtualmente com qualquer a quem pudesse pôr as mãos em cima. Sua mulher, enojada, tinha decidido há anos que ele não a tocaria mais. De todos os modos, ainda a mantinha em suas garras. Lestrange era tremendamente possessivo, e a atração de Riddle por sua esposa o estava deixando louco de ciúmes. Era penoso, pensava Snape. E ridículo.

—Não entendo por que perde o tempo com ela — disse — Poderia estar com qualquer uma parecida com Bellatrix Lestrange por alguns francos. E este é precisamente o lugar indicado para encontrar o que quer, não?

Tom apurou a taça.

—Acho que é melhor não voltar aqui. Produz-me... mal-estar. — levantou-se — Esta noite acredito que prefiro ir à Alameda dê Italiens.

Convidou Snape para que lhe acompanhasse, mas o moreno declinou o convite. Era quase uma hora e tinha um encotro marcado no piso superior com uma morena amazônica chamada Tereza.

Provavelmente foi o mal estar de Riddle que deixara em alerta seus instintos, ou talvez tivesse bebido menos que o normal, mas fosse o que fosse, o marquês pareceu mais atento ao ambiente a sua volta quando entrou no quarto drapeado de cor carmesim onde a moça o esperava.

Descobriu o orifício quando estava a ponto de tirar a jaqueta. Estava a vários centímetros debaixo de seus olhos, no centro da parede, à esquerda da cama. Agarrou Tereza pela mão e a levou até um o local bem a frente à mira. Disse-lhe que se despisse, muito lentamente. Depois ele se moveu com toda rapidez: saiu do vestíbulo, abriu de repente a porta do que parecia um roupeiro e a outra porta com um chute. O quarto estava muito escuro, mas como era muito pequeno não teve que andar muito para perceber que um homem se movia, ao que parecia para outra porta. Mas não o fez com suficiente rapidez.

—Não preciso vê-lo — disse Snape em um tom de voz perigosamente baixo—. Posso cheirá-lo, Lestrange.

Não era difícil reconhecer o homem de perto. Sua roupa e seu fôlego cheiravam sempre a álcool e ópio.

—Estive pensando em me dedicar à pintura — acrescentou o moreno enquanto Lestrange ofegava — E pensei em titular minha primeira obra Retrato de homem morto.

Rodolphus emitiu um ruído abafado. Snape afrouxou a pressão um pouquinho.

— Há algo que queira dizer, porco?

—Não pode... me matar... a sangue frio — conseguiu dizer o assustado homem — A guilhotina.

—Tem razão. Não vou pôr minha cabeça em perigo por um ser repugnante como você...

Ao mesmo tempo que soltava o lenço do pescoço, Snape descarregou o punho direito sobre o rosto do tratante, e o esquerdo sobre o ventre. Lestrange desabou no chão.

—E não volte a aparecer na minha frente — disse o moreno. E a seguir partiu.

*.*.*

Naquele mesmo momento Hermione estava sentada na cama de sua avó. Era a primeira oportunidade que tinham de manter uma longa conversa, sem Alonso metendo-se em tudo. Partira uma hora antes, a caminho de um de seus antros de perdição, circunstância que Hermione aproveitou para pedir o melhor conhaque de seu irmão. Acabava de contar a Geneviéve seu encontro com Snape.

—Atração animal, evidentemente — disse a senhora.

Com essas palavras, a leve esperança da jovem — que sua perturbação interna tivesse sido uma reação febril aos eflúvios que emanavam do esgoto em frente à loja Dervish and Banges — sofreu uma morte rápida, brutal.

—Maldição — disse, encontrando-se com o cintilante olhar de sua avó — Não é por que eu me envergonhe, e sim pela situação pouco prática. Sinto desejo por Snape. Precisamente neste momento, e precisamente ele.

—Muito pouco prático, certamente, mas é uma provocação interessante, não?

—A provocação consiste em libertar Al das garras desse homem e seu círculo de incultos degenerados — replicou Hermione com severidade.

—Seria muito mais proveitoso que libertasse Snape por ti mesma — replicou sua avó — É muito rico, de excelente linhagem, é jovem, forte e são, e você sente uma grande atração por ele.

—Não é material para marido.

—O que acabo de descrever é um material perfeito para marido — disse a senhora.

—Não quero um marido.

—Mione, não há mulher que possa considerar objetivamente os homens, mas você sempre foi extraordinariamente objetiva. Não vivemos em uma utopia. Não tenho dúvida de que abrindo esta loja ganhará dinheiro, mas a família lhe dará as costas, afundará socialmente falando, as pessoas da alta sociedade sentirão pena de você, embora possam se arruinar para comprar o que vender. E ainda por cima, todos os homens de Londres lhe farão propostas desonestas. Certamente demonstra um grande valor ao empreender semelhante empresa quando se encontra em uma situação desesperada, mas não é seu caso, minha querida. Sabe que posso mante-la.

—Já falamos este assunto mais de uma vez — replicou a moça — Não é rica, e ambas temos gostos muito caros. E ainda por cima, somente conseguirá provocar mais aversão na família, enquanto pensarão que sou uma hipócrita, depois de anos dizendo que não nos deve nada e que não somos responsabilidade deles.

—Olhe, céus, é muito orgulhosa e valente, e a respeito e admiro por isso. — a avó se inclinou para lhe dar um tapinha no joelho — E certamente, é a única que me compreende. Sempre fomos mais irmãs ou amigas íntimas que avó e neta, não é? Pois como irmã e amiga digo a você que Snape é um partido perfeito. Aconselho-a jogar o anzol.

Hermione tomou um bom gole de conhaque.

—Geneviéve, não se trata de uma truta. É um tubarão enorme, faminto.

—Pois use um arpão.

A jovem negou com a cabeça.

A senhora se aconchegou sobre os almofadões e suspirou.

—Enfim, não vou insistir. Sei que odeia. Só espero que ele não tenha reagido como você para ele. Olhe Mione, é um homem que consegue o que quer, e se eu estivesse em seu lugar, eu não gostaria que fosse ele quem estivesse atirando a linha.

Hermione estremeceu, mas conseguiu dissimular a apreensão.

—Não terá que se preocupar com isso. Ele não quer saber das damas. Segundo Al, Snape considera as mulheres respeitáveis como uma espécie de cogumelos venenosos. A única razão pela qual falou comigo foi se divertir, para tentar me desequilibrar.

Geneviéve soltou um risinho.

—Ah, pelo relógio. Foi um presente de aniversário encantador. E mais encantadora, se couber, a expressão de Al quando o abri. Nunca tinha visto aquele tom de vermelhidão em sua face.

—Provavelmente porque se empenhou em abrir o presente no meio de um restaurante, com o conde Riddle ali presente.

E isso era o que mais a exasperou, pensou a jovem. Por que demônios não podia sentir esse desejo pelo conde? Ele também era rico. E ainda por cima, de uma beleza esmagadora, e civilizado.

—Riddle c'est trés amusant — disse Geneviéve — É uma lástima que já esteja nas redes de alguém. Quando falou da senhora Lestrange seus preciosos olhos tinham um brilho especial.

A senhora tinha falado para o conde sobre o misterioso quadro, e havia dito que a neta pensava que era algo mais do que parecia. Riddle sugeriu perguntar à senhora Lestrange para que lhe desse os nomes dos peritos que pudessem restaurar e avaliar a obra. Ofereceu-se para apresentá-la a Hermione. Marcaram uma entrevista para a tarde do dia seguinte, quando a senhora Lestrange ia assistir uma amostragem beneficiente para a viúva de seu antigo professor de pintura.

—Bom, veremos se há algo interessante em seus olhos amanhã, ou melhor dizendo, hoje — disse a jovem. Apurou o conhaque e desceu da cama—. Quem me dera se já estivéssemos ali. Francamente, não tenho sono. Não sei por que, mas tenho a impressão de que vou sonhar com um tubarão.


1- Abraham-Louis Breguet foi um brilhante relojoeiro e inventor, suas peças fizeram história e agradaram a muitos e entre seus clientes houve: Maria Antonietta, a família de Napoleão, o czar Alexandr rei George IV da Inglaterra.

2- O que é

3- Nada, nada

4- Muito engraçado, divertido.