Acordou bruscamente, dando um pequeno salto.

Ainda deitado, em meio a escuridão olhava para cima. De novo aquele sonho. Desde que chegara na Itália ele se repetia.

Via o rosto dela, soado…gritava pelo seu nome, depois via muito sangue e no susto acordava.

- Droga, vou ter que tomar outro banho – Praguejou quando percebeu que estava coberto de suor.

Deixou de lado a ideia.

Levantou. Com alguma dificuldade, devido a escuridão, chegou na porta e, saiu para o corredor. Não acendeu a luz, caminhava em frente, deslizando as mãos nas paredes, sentindo cada porta fechada que se encontravam ao longo do caminho. Sentiu que o corredor acabou. Entrava na escuridão da sala. Virou a direita, e mesmo ao lado da porta de entrada do corredor, encontrou a entrada da cozinha. Parado no alpendre, deslizou o dedo na parede a sua direita e encontrou um interruptor. Apertou-o!

Sentiu um forte incómodo com a luz que invadia seus olhos. Serrou-os durante alguns segundos e, lentamente, voltou a abri-los acostumando aos poucos a visão a forte luz florescente do local.

Quando viu que a luz não o incomodava mais, se dirigiu para a geladeira. Abriu-a e de dentro desta tirou uma garrafa de vidro, com tampa vermelha de plástico, na qual continha agua.

Sentou na cadeira na qual a irmã havia sentado na hora do jantar e, bebeu o liquido na garrafa mesmo.

- Era aqui que eu estava sentado… - Disse com o olhar perdido.

-------------------------Flash Back-------------------------------------

Tinha chegado em casa tarde, todos já estavam dormindo. Agradeceu por isso, pois assim não tinha que dar explicações. Quando deitou em sua cama adormeceu de imediato.

Quando acordou, constatou que não tinha tido sonhos. Tomou um banho e em seguida vestiu uma calça jeans escura e uma camiseta colada ao corpo preta.

Ouvia risadas vindas da direção da sala.

Quando estava vestindo o ténis preto, olhou para o relógio que marcava 13 horas. Balançou a cabeça, se recriminando por acordar aquela hora e, se apressou em direção a cozinha.

Saiu do corredor e entrou na sala. Recebeu o cumprimento de todos que não se deram o trabalho de se levantar. Mascara da Morte, ainda com o sono e a ressaca estampadas no rosto apenas acenou com a mão.

Quando chegou na porta da cozinha, não foi percebido. Viu três rapazes sentados na mesa redonda, conversando animadamente. Sua mãe, de costas para a porta, pegava algo na panela que estava sob o fogão. Viu que os rapazes, eram os mesmo que no dia anterior tinham o arrastado para o café e, fez uma careta. Tentava se lembrar dos nomes, mas sem sucesso. Foi quando foi percebido pela mãe que, se virava com um prato de comida na mão.

- haaaa…Bom dia!!! – Disse a mãe com um sorriso – Ou será Boa tarde?

Os rapazes que só agora o perceberam riram. Mascara da Morte não sorriu, não achou graça.

- Boa Tarde – respondeu seco, sentando na mesa.

- Eu vou te servir… - Disse a mãe indo para o fogão com um outro prato na mão. – Chegou tarde ontem ham…

- Fui me divertir – respondeu pegando o prato que a mãe lhe estendia.

- Fez muito bem – disse um dos primos rindo ao ver a cara de desconfiada da mãe de Mascara da Morte.

Na mesa começou uma conversa "desinteressante" para Mascara da Morte, que respondia a algumas perguntas dos primos com certo mal humor. Da cozinha ouvia-se a conversa exaltada da sala, entre o pai e os tios e, se apurasse mais os ouvidos, ouviria uma conversa de mulheres entre Chiara e suas tias

Aquele falatório todo o deixava mais mal disposto do que já estava. A dor de cabeça estava muito incómoda.

- Eeeeee…Até que enfim chegou!!!- Ouviu o pai exclamar na sala – Pensei que tinha esquecido o caminho de casa.

E o falatório recomeçou. Cumprimentavam alguém. Elogiavam…

- É a Anna – Disse animada a mãe, puxando-o pelo braço, interrompendo sua refeição – Anda depois você termina de comer...

Foi conduzido, a contra gosto, pela mãe, até a porta da cozinha. Parou ali.

Esbugalhou o máximo que pode os olhos ao ver a irmã, que se encontrava abraçada com uma tia que à apertava de todas as formas. Vestia uma calça jeans e uma blusa branca lisa, e tinha uma enorme mochila nas costas.

- Eee… Anna!!! – Gritou a mãe do lado da porta da cozinha perto de Mascara da Morte – Olha teu irmão!

Anna, livrando-se dos braços da tia chata, virando-se de imediato na direção da porta da cozinha. O enorme sorriso que tinha nos lábios desapareceu estantaneamente. Foi como se todos os presentes na sala, desaparecessem. Os móveis também já não estavam lá…o chão não estava mais lá. Não se movia. Com os olhos fixos no irmão, sentia os olhos encherem de lágrimas.

"Mascara da Morte", pensou sentindo o coração doer.

Mascara da Morte nada dizia, estava atónito na porta. Não se sentia bem. Com as mãos, se apoiou na porta para não cair.

"Isso não esta acontecendo"pensou.

- Filho você está se sentindo bem? – A voz da mãe o fez acordar e perceber que não estava sozinho.

- Não – Respondeu, desviando da mãe, sem a olhar, entrando, rapidamente para o corredor, sem se importar com os de mais – Só preciso me deitar.

- Ele deve ter bebido muito ontem – Explicou a mãe virando-se, com um falso sorriso, para as visitas.

- Não ligue Anna – Disse Chiara, percebendo os olhos da jovem cheios de água. Sabia o quanto a irmã era susceptível – Ele só deve ter bebido muito e, está de mal humor.

- Quando passar vocês se falam – Completou o pai, não dando muita importância para o acontecido, voltando a sentar na sua poltrona, sendo acompanhado pelos de mais. Conhecia o filho, melhor, conhecia seu mal humor.

Anna não tinha ouvido nenhuma palavra do que foi dita para si na sala. Automaticamente seguiu para o quarto. Os presentes na sala não se incomodaram e logo voltaram para sua conversa "animada".

Mascara da Morte, estava deitado em sua cama, em choque. Aquilo devia ser alucinação. "Estava, tendo um pesadelo e ia acordar a qualquer momento", pensava. Mas não demorou muito para perceber que estava acordado, quando ouviu uma porta bater. Era Anna que tinha entrado no quarto. Jogando a mochila para longe, apoiou as costas na porta que acabara de bater, e deslizando as costas por esta, sentou no chão. Chorava.

- Ele é meu irmão – Disse no meio do choro.

Não sabia como se sentia. Era uma sensação muito ruim por dentro.

Mascara da Morte, em sua cama, sentia o corpo tremer. A única coisa que conseguia pensar é que tinha dormido com a própria irmã e, pior, tinha sido seu primeiro homem.

------------------------------Fim do Flash Back-------------------------------------------

Balançou negativamente a cabeça. Queria esquecer.

"Maldita hora que voltei para essa casa" – pensou.

Na verdade não conseguia achar uma boa razão para ter voltado ali. Tinha resolvido em cima da hora.

Levantou, abriu novamente a geladeira, depositando a garrafa de agua lá dentro e voltou a fecha-la. Ao chegar na porta que dava para a sala, apagou a luz. Instintivamente acendeu a luz da sala.

Percorreu os olhos pelo local até encontrar uma estante, com molduras. Sorriu debochadamente, percebendo que não tinha nem uma foto sua ou de Anna ali.

Parou o olhar em uma foto onde Chiara esta vestida de noiva do lado de um homem bem mais velho. Sorriam.

Caminhou em direção a estante e pegou a moldura que continha esta foto.

- Conseguiu ficar mais bonita – Falou pensando alto.

Sempre achou Chiara bonita. Era 4 anos mais velha que ele, e sem ela saber quando era criança, Mascara da Morte tinha profunda admiração por ela.

Colocou novamente a moldura no lugar e foi para o corredor.

Quando chegou na frente da terceira porta, lembrou do incidente daquela noite. Fixou os olhos na maçaneta durante alguns minutos e num gesto rápido virou-a.

Para seu espanto, ouviu um estalo e a porta abriu.

Continua…