Capítulo III – Menina Deusa
- Nossa, que caras são essas meus amigos? – perguntou Hiyoga que descia as escadas ao lado de Eire.
- É verdade. Aconteceu alguma coisa, Shunrei?
É o Seiya. Ele está na biblioteca.
Eu sei que isso é algo muito estranho realmente, mas não precisam fazer essa cara por causa disso. – disse Hiyoga.
Ele está com a Shinna. – disse Shiryu.
Com a Shinna??? – perguntou o cavaleiro de gelo.
Quem é Shinna? – perguntou Eire.
Eu te explico depois. Mas o que ela está fazendo aqui?
Isso eu não sei. Mas isso não é o pior.
Não é o pior???? Como não poderia ser o pior?
A Saori está lá.
Oh! Essa não!!
Ai eu não estou entendendo nada... – disse Eire desolada.
Vamos tomar café. Já vi que essa manhã será muito longa. – disse Hiyoga.
Os dois casais seguiram para a sala de jantar da mansão.
Saori não sabia como reagir, mas de uma coisa ela sabia: jamais abaixar a cabeça para Shinna. Ela sempre soube que a amazona de cobra era apaixonada por Seiya. Na verdade ela tinha um amor doentio por ele. Mas nunca achou que Seiya de alguma forma correspondesse a ela. Infelizmente não era o que parecia naquela biblioteca.
Desculpe incomodar vocês. Eu só pensei que...
Pensou errado, garota. Agora com licença que estamos ocupados.
Saori retirou-se da biblioteca lentamente fechando a porta atrás de si. Seiya ficou imóvel e lamentou que ela tivesse visto aquela cena. Assim que ela saiu, ele empurrou Shinna até que ela ficasse bem longe de seu corpo.
Mas o que pensa que está fazendo??? Você ficou louca vindo até aqui??
Ora, mas eu pensei que fosse gostar. Afinal, nós...
Nós o que, Shinna? Você forçou a barra naquele dia, lembra?? Eu estava bêbado por causa dela e você veio querendo me consolar.
Mas você não recusou. Não me pareceu nada insatisfeito.
Ora, e não fiquei. Mas no dia seguinte quando fui procura-la para conversamos sobre o assunto, encontro você e Shura, na sua cama! E você ainda se acha no direito de cobrar alguma coisa?? Como ousa vir até aqui???
Ora, eu...
Eu nada, saia daqui Shinna. Sei que Saori não me quer, mas se eu não a tenho, não tenho mais ninguém. Vá embora.
Tudo bem, eu vou. Mas você não perde por esperar Seiya. Você ainda será meu.
Eu nunca serei seu, Shinna. Uma noite. Nada mais que isso. Agora vá embora.
Shinna saiu da biblioteca e passou pela sala principal encontrando Saori. Ela sorriu para ela:
-Não me leve a mal, garota. Mas eu sou uma mulher e você é apenas...uma menina. Seiya jamais ficaria com alguém tão infantil como você. - Ela retirou-se da mansão, com passos firmes e um caminhar vulgar. Saori derramou uma lágrima silenciosamente quando Seiya se aproximou.
Bom dia Saori. Me desculpe pelo incidente. Já mandei que ela fosse embora.
Escute Seiya, que acontece entre você e outras mulheres não é da minha conta.
Mas não é nada do que você está...
Eu já disse que não importa, podemos tomar café? Estou morrendo de fome.
Eu...claro.
Seiya não sabia o que falar. Esta totalmente descontente. Afinal, nada do que ele disse a Saori naquele momento justificaria a situação que acabara de acontecer.
Chegando a sala de jantar encontrou todos os casais menos Shun e June. Saori os cumprimentou e sentou-se bem distante de Seiya. Este sentou-se ao lado do amigo Shiryu que lhe deu um tremendo cutuque nas costelas. Seiya gemeu disfarçadamente e olhou nos olhos de Shiryu e no de Shunrei percebendo a insatisfação deles. Olhou para a frente e notou que os amigos Hiyoga e Eire também estavam chateados.
O Clima estava tenso por quase todo o tempo em que o grupo estava tomando seu café. Porém Shun e June surgem com uma proposta a fim de quebrar o gelo daquela situação.
-Bom dia, gente!! – cumprimenta June alegremente.
-Nossa, bom dia!! Quanta alegria!!- diz Jade sorrindo.
-É que tivemos uma noite maravilhosa, não é amor?
-É...-respondeu Shun envergonhado.
Os outros cavaleiros riram da reação de Shun e o clima ficou mais ameno entre os casais. Quando o grupo começou a se retirar, Shun deu uma idéia:
-Ei pessoal, está um dia quente e lindo hoje, porque não vamos pra cachoeira?
-Cachoeira? – Perguntou Jade.
-É. Aqui numa região próxima à Mansão, temos uma linda cachoeira e também um lago. Quando vovô comprou esse terreno, queria que fosse o mais próximo da natureza possível. Portanto, estamos próximo do mar, das montanhas, de uma linda cachoeira e um lindo lago.
-Que maravilha!! – disse Jade extasiada- Ah Ikki, será que podemos ir pra cachoeira? Eu nunca tive a oportunidade de ver uma tão de perto...
-Mas é claro. Não tem problema. Então iremos todos?
-Claro - disse Hiyoga.
- Podem ir vocês, eu não vou. – disse Saori.
-Por que?? – perguntou Shunrei.
-Eu não estou muito animada. Divirtam-se.
O grupo se entreolhou e Shunrei fez um aceno com a cabeça para que todos fossem se arrumar. Resolveu ficar à sós com Saori.
Shunrei acompanhou a jovem Deusa até seus aposentos.
-O que foi que houve, Saori? Por que não quer vir com a gente? É por causa do Seiya não é?
-Eu sei que não temos nada, nenhum relacionamento, mas... não sei porque alguma coisa dentro de mim...meu coração dói quando penso nele.
-Ah, Saori, não é de hoje que nós sabemos que você está apaixonada pelo Seiya.
-Eu, apaixonada???
-Por favor, não negue isso para sua amiga. Shiryu notou que sua preocupação pelo Seiya era sempre mais sentimental do que pelos outros cavaleiros. Não é de hoje que estamos percebendo isso.
-E ele, será que percebeu? Eu não sei Shunrei, acho que ele não tem os mesmos sentimentos que eu tenho por ele e além do mais...
-Qual é o problema?
Saori fez uma pausa e respirou fundo sentindo um aperto enorme em seu coração.
-Eu não sei se posso amar...porque ainda sou uma Deusa. Onde ficará meu compromisso se eu começar a ocupar meu coração?
-Você tem que entender Saori que antes de você ser Deusa você é uma mulher e que tem sentimentos. Seiya também te ama. Pode ser que ele tenha cometido alguns erros no passado, mas ele não tem certeza dos seus sentimentos por ele. Seja franca e mostre que você está disposta a amar. Tenho certeza de que vai dar tudo certo.
Mas...enquanto a Shinna? Eu acho que ele a ama...
Por favor Saori, a Shinna é uma louca. Sempre foi obcecada por ele. Eu não sei o que aconteceu entre os dois, mas tenho certeza de que ele ama outra pessoa. Confie em nós. Todos nós queremos a sua felicidade e ao lado de Seiya. Dê essa chance ao seu coração, dê essa chance a ele!
Você está certa, Shunrei. Mas...o que é que eu faço?
Agora mesmo! Vamos, coloque seu melhor biquini, estamos esperando você!
Nossa, eu nunca pus uma roupa dessas na frente de meus amigos. Estou um pouco tímida.
Olhe-se no espelho Saori, você é linda, não tem nada que temer. Seja a mulher que sempre sonhou em ser!
Shunrei saiu do quarto sorrindo confiante para Saori. Ela retirou-se para arrumar-se e Saori ficou escolhendo que roupas deveria usar.
Saori olhou-se no espelho de corpo inteiro. Analisou todo seu corpo e conferiu o que a amiga estava dizendo. Realmente, ela não tinha o que se preocupar, tinha um corpo lindo. Seios grandes e firmes, cintura fina, bumbum arrebitado. Cabelos impecáveis. Precisava acima de tudo estar mais confiante de que ela tinha tudo pra que Seiya a olha-se de modo diferente. Tratou de vestir um lindo biquíni branco com alças finíssimas porém, nada muito decotado. Amarrou uma canga de tecido transparente em volta da cintura e calçou um chinelo decorado. Olhou-se mais uma vez no espelho e passou um gloss cor-de-pele. Estava realmente linda e preparada pra conquistar o grande amor de sua vida, só que dessa vez confiante no seu sentimento.
Saori desceu as escadas e encontrou os outros casais esperando na entrada da mansão. Ela ouviu de palmas a assobios. Ficou feliz e enrubescida. Seiya, que estava mais longe do grupo se virou para ver porque seus amigos estavam tão animados. Mas seu queixo caiu quando olhou Saori em trajes de banho.
- Você...está...perfeita.
Saori, tá uma gata, com todo respeito amor! – Disse Hiyoga para a noiva.
A jovem enrubesceu e agradeceu o gesto carinhoso e indiscreto do amigo.
Em poucos minutos de caminhada, logo chegaram a cachoeira.
Essa é nossa famosa Cachoeira. – disse apontando para o alto da queda.
O como se chama? – Perguntou Eire.
Bem, é... acho que ela não tem um nome...
Como assim? – perguntou June.
Mas ela tem que ter – disse Shun.
Bem, eu não sei...
Então vamos dar um nome a ela. Tomo mundo pensa em um e quando terminarmos nosso passeio, vamos batiza-la.
Eu topo! – Disse Shiryu.
Eu vou é pular lá de cima!! – disse Ikki já correndo e arrancando as roupas.
Nada disso, eu sou o especialista em cachoeiras. – disse Shiryu.
Aposto 10 pratas que ninguém pula como eu! Há!!!! – Saiu em disparada.
Enquanto os meninos brincam, vamos arrumar nossas coisas para o pique-nique. – Disse Eire erguendo a cesta.
Jade, admirada com tanta beleza, fica emocionada ao tocar nas águas frias da cachoeira.
-Puxa como é linda! Nunca tinha visto nada igual.
Ela tinha razão, pois realmente a região era algo abençoado por Deus. Com a agua limpida e transparente, ela reluzia a luz forte do sol e ao seu redor, incríveis árvores e flores davam o toque final aquela arte natural. Enquanto elas arrumavam as toalhas, taças, cestas de frutas, pães, queijos e flores, eles brincavam na cachoeira. Porém, somente um que não costumava ser reservado, estava um pouco distante:
O que foi que houve Seiya? – Perguntou Shun jogando água no amigo – Você é quem costuma ser o mais bagunceiro...perdeu o ritmo é? Tá velho demais pra isso???
Não é nada disso, Shun. È que o pateta aqui tá apaixonado. - Disse Ikki zombando da cara do amigo.
Ah, mas isso não é nenhuma novidade. O estranho que sendo o único de nós a ter 3 mulheres arrastando asa pra cima dele, não fica com nenhuma delas. Cara, você é gay? – Perguntou Hiyoga sarcasticamente.
Ora, parem de babaquice vocês dois!!! Po, o cara tá sofrendo aqui, dá pra ajudar em vez de atrapalhar??? – Perguntou Shiryu com a testa franzida.
Ué Shiryu? Mas ajudar em que? Não há nada que se possa fazer. A Saori é uma deusa e ele é um cavaleiro. Notou a discrepância? – disse Ikki fazendo um gesto com os dedos.
Ela era uma Deusa.
Pra mim continua sendo...nossa mãe, uau! – Disse Ikki olhando para a jovem em questão que naquele momento retirava sau canga deixando amostra todas as curvas do seu corpo.
Ora seu filho da... – disse Seiya partindo pra cima dele.
Calma aí cara! Eu só tava brincando!!! Manera no stress!! Você é que é o otário aqui. Não fica com ela porque não quer. Sinceramente, ela é linda e está apaixonada por você. O que mais você quer?
Olha, eu nem sei se ela está realmente apaixonada por mim, pessoal. Hoje de manhã eu a vi com aquele merda do Jabur.
E daí? Você vai ver isso sempre. O Jabur sempre foi um babacão e baba-ovo da Kido. Mesmo que um dia vocês venham a se casar, ele sempre vai dar em cima dela.
Eu não sei não...
Olha, essa insegurança toda é que não deixa que você tome uma atitude. Não espere que ela venha tomar por você, Seiya. Você é cavaleiro aqui, não ela. Você é quem tem que chegar junto- disse Shun.
Foi assim com todos vocês? Vocês foram os responsáveis pela iniciativa?
Todos balançaram a cabeça positivamente. Seiya não viu alternativa. Tinha que ser ele. E tinha que ser mais incisivo e objetivo. Estava decidido a fazer aquilo naquela hora.
Saori estava na água brincando com uma bola junta as suas amigas, quando resolveu chama-la pra conversar.
Saori...eu...posso falar com você um minuto?
Ela olhou para Shunrei que sorriu e aprovou. Sentiu que aquele poderia ser o momento mais importante de sua vida.
Sim... eu vou pegar minha canga.
Seiya se lembrou das palavras de Ikki ao vê-la saindo da água. Como era linda. O jeito como retirava a água dos cabelos. Tão delicada.
A caminho do bosque, Seiya e Saori caminhavam lado a lado lentamente quando ao mesmo tempo sugeriram o início da conversa.
Eu...desculpe, fala você...Não! Fala você! Desculpe... – se combinassem um coral, não teria ficada mais sincronizado.
Saori, eu...quero dizer uma coisa pra você que a muito tempo venho tentando dizer.
Tudo bem Seiya, se você tiver alguma coisa com a Shinna. – interrompeu frustrada – Afinal, ela é louca por você e...
Não é nada disso...
Tudo bem, eu não me importo mesmo. Ela já é uma mulher e acho que você prefere isso.
Você está errada.
Estou? Mas e o que eu vi hoje de manhã na minha biblioteca? Foi uma ilusão.
Não foi uma ilusão... Eu a Shinna realmente já fomos amantes.
Amantes? Quer dizer...
É, nós...você sabe...uma vez. Mas foi isso apenas, nada mais além disso. Na verdade eu estava muito deprimido por causa de uma outra pessoa...e fiquei bêbado. Ela se aproveitou disso e fez o que quis.
E você foi obrigado...sei...
Não, você não entende. – disse ele segurando em seus braços, olhando em seus olhos azuis turqueza.
Saori sentiu um arrepio correr pelo seu corpo, deixando seus seios mais rijos e amostra por baixo do fino biquini. Seiya, ao notar o arrepio, percebeu também seu corpo. Os dois ficaram enrubescidos e viraram-se de costas um para outro.
Desculpe...eu não tive a intenção de...
Era só isso que você tinha pra me dizer, Seiya? Acho que devo ir andando...
Espera Saori... – disse ele correndo para ficar frente a frente com ela – Eu...eu...que droga não consigo dizer. Prefiro fazer...
Seiya mais do que depressa, agarrou Saori e roubou-lhe um beijo. Um beijo roubado...que sensasão maravilhosa percorria pelo corpo dela. Nunca havia sido beijada antes, não daquele jeito. Tão cheio de paixão e intensidade. Aos poucos Seiya afrouxou os braços envoltos do corpo da menina, dando carinho ao lugar da aflição. O beijo apressado foi lentamente se acalmando e as línguas podiam sentir o toque perfeito de uma com a outra. Seiya deslizou uma das mãos para nuca da jovem, fazendo-a gemer bem baixinho entre os lábios dele. As mãos delicada dela, deslizavam pelo tórax definido do cavaleiro. Foi então que, num leve abrir dos olhos, Saori notou uma aura reluzente saindo de seu corpo. Assustada, ela empurrou o jovem que, ao cair no chão, despertou do transe que havia sido envolvido.
Mas...Saori...o que está fazendo?
Desculpe, Seiya...eu não posso.
Não pode o que???
Eu...só não posso. Desculpe – disse a jovem aos prantos que acabou retornando correndo sozinha para a Mansão.
Mas...Saori espera!!! Eu te amo!!!! Não conseguia dizer...mas a verdade é que eu te amo!!! Saori!!!! Droga!!!
Seus gritos não adiantavam mais. Ela já estava longe demais para ouvi-los.
Ao retornar para a mansão correndo, Saori entrou em seu quarto, trancou-o e não quis mais sair. Mais uma vez ela chorou, desta vez, acreditando que realmente seria impossível realizar seu maior sonho: ser uma mulher de verdade.
- Seiya, o que foi que aconteceu com a Saori??? – perguntou Shun aflito.
- É, viemos correndo porque sentimos o cosmo dela. Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Hiyoga.
- Não...não foi nada, nós estávamos aqui nos beijando e... – Seiya interrompeu sua fala com um pensamento bem particular. " Será que ela emanou o cosmo porque...o Deus! E agora?"
- Onde ela está, Seiya? – Perguntou Shiryu.
- Não se preocupem, ela foi pra casa. Eu te avisei Seiya. – disse Ikki.
- Não pode ser...
- Pode sim. Tira ela da sua cabeça cara. Ela é uma Deusa. Você jamais poderá ter alguma coisa com ela. Qualquer coisa que ela sentir, provocará o chamamento de outros deuses. E que explicação ela vai dar a eles. Hein? Que estava dando uns amassos ao invés de cuidar de seu templo?
- Ikki! – Disse Jade – não fale assim!!! Não está vendo que ele está sofrendo!!!
- Eu também já sofri muito nesta vida, Jade. Ninguém está imune a isso.
Ikki voltou na frente e Jade o seguiu. Os outros cavaleiros, assim como as mulheres não tinham mais clima para o passeio e resolveram retornar a mansão. Seiya ficou para trás do grupo e seguiu caminhando ao lado do amigo Shiryu:
- O que eu faço agora, hein? O que faço da minha vida se não puder te-la, Shiryu?
- Precisamos pedir um conselho a alguém que saiba mais do que nós. Precisamos chamar o Mu. Só ele será capaz de dizer o que é certo fazer.
Ao chegar, o grupo se reunião na sala oval de reunião sem Saori e resolveram acertar o casamento de Hiyoga e Eire, mas aquilo seria mais um motivo para tentar resolver está triste questão.
