Capítulo Quatro – Em frente ao espelho

"E quando olhei no espelho eu vi meu rosto e já não reconheci.

Então vi minha história, tão clara em cada marca que tava ali.

Se o tempo hoje vai depressa, não está em minhas mãos

Cada minuto me interessa, me resolvendo ou não.

Quero uma verdata que possa fazer, agora o tempo me obedecer

Que só então eu deixo os medos e as armas pra trás."

Pitty – Temporal.

Estava novamente sozinho no quarto. Tompkins fora conversar com o chefe do St. Mungus e a estagiária Jeanie saíra a pouco, dizendo que precisava ir embora, se ele não se incomodasse. Harry deixou-a ir. Já era noite mas não tinha sono algum.

Sete anos. Ainda tentava digerir as palavras de Rony. Os Weasley. Eles eram os Weasley agora, Rony e Hermione Weasley. Parecia um sonho, um pesadelo irreal. Uma realidade alternativa fatalista e trágica. Como tudo em sua vida.

Respirou fundo, tentando trazer o máximo possível de oxigênio para dentro dos pulmões. Depois se concentrou e fazendo uma força incrível conseguiu se sentar na cama. Tompkins havia lhe dito que estava muito fraco e que somente depois de várias poções energizantes é que poderia andar, falar e pensar de modo completamente claro. Mas Harry não queria saber de poção nenhuma.

Com as duas mãos, segurou a perna esquerda e carregou-a até o lado de fora da cama. Depois fez o mesmo com a direita. Fora uma manobra incrivelmente desajeitada e dolorosa, mas pareceu dar certo. Ficou alguns minutos em silêncio, tentando recuperar o fôlego. O silêncio era absoluto no quarto. Fechando os olhos, ele tentou se levantar. Conseguiu se firmar em cima das próprias pernas por uns cinco segundos e depois caiu com toda força no chão. Sentiu um gosto estranho na boca. Provavelmente o sangue de um dente quebrado.

Bufando e xingando, conseguiu se arrastar até perto da cama novamente onde se apoiou e depois da quarta tentativa conseguiu ficar de pé. Lentamente e com passos vacilantes como os de uma criança, Harry chegou a seu objetivo: um espelho, na parede oposta.

Era um espelho simples e sem graça, mas para Harry tinha toda a importância do mundo. Fechou os olhos e tateou mais uns três passos, até ficar a cinco centímetros dele. Quando viu o reflexo caiu no chão, batendo os joelhos com força. Mas em pouco tempo conseguiu se levantar... e encarar o que via.

Podia ser qualquer pessoa, mas não era ele. Não era. Naquele espelho via a imagem pálida de um homem vestido numa camisola branca de hospital. Um homem desconhecido numa camisola branca de hospital.

Sempre fora magro demais para a idade, mas nada se comparava àquilo. Estava esquelético. A pele parecia repuxar por sobre os ossos, deixando seu rosto ossudo e cadavérico. E estava incrivelmente branco. Um fantasma. O aspecto de alguém que não vê a luz do sol fazia sete anos. O cabelo estava comprido, quase até os ombros. Rony lhe dissera que a enfermeira os cortava e fazia sua barba às vezes. Barba. O que antes era somente um amontoado de pêlos esparsos acabara por se tornar uma barba rala e feia, cheia de falhas. Os olhos, antes verdes e brilhantes, pareciam ter se apagado. Pararam de refletir a vida como os olhos de Lily faziam. A cicatriz continuava lá, em forma de raio, agora se destacando mais do que nunca por conta da palidez.

Apalpou o resto do corpo. Não era ele, não era. Os joelhos saltando pra fora, os pés pareciam maiores. Aquele conjunto assustador não era a sua imagem refletida. Ele se lembrava perfeitamente de como era da última vez que se olhara no espelho. E não era assim. Onde estava Harry Potter? Onde estava Harry Potter? Estaria por trás daquele corpo doente e deprimente? Chegou mais perto do espelho, tocando-o para ver se era de verdade. O espelho não disse nada. Não havia nada para se dizer.

Harry cambaleou para trás, perdeu o equilíbrio, mas se jogou na cama antes que pudesse quebrar mais outra parte do corpo. Ficou olhando o teto. Sete anos. Sete anos... sete anos. Perdera valiosos momentos de sua vida. Rony e Hermione eram casados e tinham filhos. Neville trabalharia no St. Mungus? Onde estaria Luna, Lupin, Hagrid e todos os outros?

E mais importante... onde estaria Voldemort?

. a . a . a .

- Sete anos? – fora a pergunta que Harry berrara a Rony.

- Sete anos – concordou Rony numa voz fraca.

- Eu estou deitado nessa cama no St. Mungus a sete anos? – soltara Harry sentindo subitamente um desprezo imenso pelo lugar onde estava deitado.

- Eles isolaram essa parte do andar pra você. Danos causados por feitiços – informou Hermione se controlando para não começar a chorar mais uma vez – os melhores curandeiros foram chamados para examinar seu caso. Até te levaram para um médico trouxa. Há seis anos Gregory Tompkins assumiu o controle e botou um pouco de ordem nas coisas...

Hermione continuou falando mas Harry não prestou atenção. Só conseguia se lembrar das palavras de Tompkins: "Eu sou Gregory Tompkins, trabalho aqui no St. Mungus há seis anos". Estava começando a sentir nauseado.

- ... e ficamos todos malucos. Não sabíamos o que fazer. Repórteres não paravam de aparecer em nossas casas, de invadir seu quarto. A área isolada foi um ganho. Ela é completamente segura, somente pessoas fichadas podem entrar e funcionários ligados ao caso. Nós mesmos temos de passar por um teste antes de entrarmos e olha que viemos aqui quase sempre uma vez por semana e feriados.

" E Tompkins foi o curandeiro mais dedicado que se poderia ter. Todos pensamos que ele se cansaria de fazer testes e criar poções com o passar dos meses mas ele nunca desistiu. Ele se dedicou o máximo, trabalhava todos os dias, incansável para a sua melhora. Foi eleito o melhor curandeiro por várias revistas antes de vir para cá. Ele é um gênio das curas.

- Por que estou assim? – cortou Harry - como vocês me encontraram naquela casa?

Rony e Hermione se entreolharam por um segundo bastante desconfortável até que Rony resolveu falar:

- Você saiu sem nos dizer nada. Você fugiu. Nos deixou malucos...

. a . a . a .

- Harry foi embora – anunciou Rony à porta do quarto.

- O que? – perguntou Hermione numa voz esganiçada – como assim foi embora?

Rony olhava para o quarto com um olhar vazio. Harry havia prometido. Prometido que iriam pensar no assunto antes de irem. E tinha ido embora... no meio da noite. Como um fugitivo. O ruivo socou a parede. Por que não havia avisado? Ele iria com ele. Porque cumpriria sua promessa de seguir Harry aonde quer que fosse até o fim. E que amigo negligente fora de nem perceber que Harry sumira no meio da noite...

- Rony – chamou Hermione de volta – para onde ele foi?

- Eu não sei, Hermione! – gritou Rony nervoso – só sei que ele não está em lugar nenhum. O malão dele está jogado mais ali na frente, todo revirado...

- Isso não quer dizer nada – disse Hermione. A voz ecoando de um modo dramático no barracão vazio.

- Ah, não? – disse o ruivo passando as mãos nos cabelos de um jeito frenético e descontrolado – e se eu disser que não há sinal da capa da invisibilidade e muito menos da caixa?

- Mas ir embora? Para onde? Fazer o quê?

A pergunta ficou no ar e pareceu se responder por si própria. Lágrimas brotaram imediatamente nos olhos de Hermione que se atirou nos braços de Rony em meio a ruídos inteligíveis. O ruivo por sua vez, a abraçou forte, sem nem ao menos ter consciência do que fazia. Estava perdido...

- Temos que encontra-lo – disse Hermione soltando-o e começando a andar na sala de um lado para o outro – precisamos encontra-lo. Talvez se a gente sair...

- Hermione, ele pode ter ido para qualquer lugar! – gritou Rony, irritado.

- Mas nós temos que... ah meu Deus... Rony... nós temos que... e depois e depois...

- Chega! – berrou Rony. O fato de ver Hermione sair do rumo o desestruturava totalmente. Ela era o controle. Ela era a razão. Se ela estava nervosa, então ele se apoiaria em quê?

Hermione parou de andar e olhou no fundo dos olhos dele:

- E se ele morrer, Rony? Que será de nós se Harry morrer?

- Ele não vai morrer, Mione – disse Rony num sopro de voz – simplesmente porque ele não pode morrer.

Ela engoliu seco.

- Eu vou atrás dele – falou o ruivo soltando-a e começando a juntar suas coisas.

- Você vai? – perguntou Hermione, espantada.

- Hermione, você acha mesmo que vou deixar Harry sozinho nessa? Deixar Harry sozinho na coisa mais perigosa que ele jamais fez? Deixa-lo sozinho para a possível morte?

- Rony – murmurou Hermione sorrindo – jamais pensei que sua dedicação por Harry chegaria a tanto...

- Não é dedicação Hermione – corrigiu Rony pegando a mochila – Harry é meu irmão.

Hermione não disse nada. Só ficou encarando Rony incrivelmente espantada.

- Você é a pessoa mais corajosa que eu conheço – disse ela lentamente – Harry está lutando pelo bem do mundo, mas você está lutando por Harry. Se Harry tem seu heroísmo desvairado, você tem a sua lealdade incondicional.

- E você é a pessoa mais inteligente que eu conheço – acrescentou Rony.

- Uma vez eu disse a Harry que perto de coragem e amizade, isso não significa nada. E eu vejo a prova disso agora.

- Está dizendo que eu sou burro? – perguntou o ruivo erguendo a sobrancelha.

- Não Rony, estou dizendo que eu te amo.

. a . a . a .

- Me desculpe por ter ido embora daquele jeito – falou Harry pesaroso – mas eu tinha que fazer aquilo.

- ... e eu procurei você por toda aquela maldita cidade – continuou Rony sem olhar diretamente para Harry – nunca vi lugar mais assobrado do que Little Hangleton naquela manhã. Foi então que vi a casa no alto da colina, perto do cemitério. Me lembrei quando você contou do duelo com Voldemort no quarto ano – ele falou o nome em menos de um segundo – disse que fora num cemitério, e que era no alto. Foi então que percebi o que você tinha feito. Tinha ido para a mansão. A Mansão dos Riddle, não é esse o nome? Você sabia o tempo todo que ele estava lá, mas nunca nos contou.

Harry baixou os olhos, enquanto ouvia Rony:

- Entrei na casa e estranhei porque não havia nenhum Comensal da Morte de guarda. Pensei que fosse uma armadilha, mas estava errado. Aquele lugar tem um aspecto terrível, me senti mal assim que entrei. Parecia que já sabia o que iria encontrar. Porque quando eu subi as escadas eu percebi que não havia barulho nenhum. Segui até o fim do corredor, abri a porta do último quarto e quando já estava voltando eu tropecei em alguma coisa – dessa vez Rony encarou Harry – eu tropecei no seu corpo caído.

Hermione começou a soluçar.

- Nenhum momento da minha vida foi tão desesperador como aquele – prosseguiu Rony numa voz que definitivamente não combinava com ele – eu pensei que estivesse morto. Você sequer parecia respirar! Entrei em colapso, eu acho, porque não me lembro direito de nada até a hora que Hermione chegou.

- Eu tinha ido atrás de Rony, é claro – Hermione tomou a palavra – mas não tive coragem de falar com ele. Ele estava desesperado. Debruçado sobre seu corpo, segurando a sua mão e te chamando sem parar. Nem parecia estar consciente. Quando me abaixei também, ele me viu e nós dois tentamos fazer de tudo para acorda-lo. Mas nenhum feitiço que eu conhecia conseguiu. Então, usamos um feitiço de levitamento e te levamos para o velho barracão e depois para o St. Mungus.

Harry ouvia aquela história sentindo-se a pessoa mais desprezível da face da terra. Quando tomara a decisão de partir sozinho, sentira algo assim também, mas não daquela maneira. Porque nada podia tê-lo preparado para ver Rony e Hermione contando tudo aquilo. Para ele era como se um dia apenas tivesse se passado, mas para os dois foram sete anos numa dúvida e mágoa cruel de um amigo com incerteza de retorno.

- Não posso pedir para que me perdoe – disse com lágrima nos olhos.

- Você não tem que pedir nada disso – falou Rony chegando mais perto de Harry – o importante é que o temos de volta.

- Rony... – murmurou Harry – você poderia me dar um abraço?

Rony não respondeu, somente abraçou Harry. O abraço mais estranho que jamais dera na vida.

- Vocês dois são tão bobos! – exclamou Hermione agora não poupando as lágrimas.

- Mulheres grávidas choram demais – falou Rony virando-se para ela – não tem ninguém morrendo aqui, Hermione.

Harry sorriu ao ver que Rony voltara a agir normalmente. Era muito mais reconfortante saber que ele seria sempre daquele jeito.

- Harry, fique longe das mulheres grávidas, elas são simplesmente aterrorizantes. Começam a chorar e depois a rir como se fossem atrizes mexicanas. É incrivelmente assustador!

- E você é incrivelmente insensível!

- Eu? Pelo menos eu não fico chorando a cada cinco minutos...

- Ao menos eu assumo que choro às vezes!

- Às vezes? Às vezes? Como você é engraçada…

- E como você é indelicado.

- Mas não sou ranzinza.

- Está dizendo que sou ranzinza?

- Se você acha que lhe serve...

- Ei, ei, ei! – chamou Harry – vocês ainda fazem isso? Afinal, são casados!

Rony e Hermione coraram.

- E me contem mais desse casamento... estou curioso.

Foi Hermione quem começou:

- Nos casamos em março, há quatro anos atrás. Foi um casamento simples, porque nenhum de nós tinha muito dinheiro na época. O Ministério estava ainda se recuperando e conseqüentemente, sugava de todos nós o máximo de galeões que podia. Nos casamos em Hogsmeade, foi uma boa festa não foi Rony?

- A comida ao menos estava boa – lembrou Rony com um sorriso.

- Um ano depois Stephen nasceu – prosseguiu Hermione fingindo que não tinha ouvido o comentário de Rony – e a casa saiu um pouco de controle. Porque com Rony trabalhando no Esquadrão de Aurores e eu no Gringotes não tínhamos tempo para cuidar do Stephen o tempo inteiro, mas Gina nos ajudou...

- Espere – interrompeu Harry arregalando os olhos – você é um auror, Rony?

- Sou – falou Rony com orgulho – depois da guerra, digamos que eu fiquei um tanto mais conceituado... daí me ofereceram o emprego e passei nos exames. A Hermione também, mas ela recusou, terminou o sétimo ano em Hogwarts e foi trabalhar no Gringotes.

- Você recusou? – perguntou Harry espantado.

- O Ministério é muito burocrático.

- E o Gringotes não é? – alfinetou Rony.

- É diferente.

- Eu pensei que você tinha dito que não gostava de bancos. O que você faz exatamente no Gringotes? – perguntou Harry formando uma imagem bizarra na mente de Hermione no meio de um bando de duendes mal-encarados.

- Na época era desfazedora de feitiços, mas há dois anos fui promovida.

- Promovida?

- Sim. Relações monetárias com trouxas.

- Relações monetárias com trouxas?

- Eu criei o cargo.

- Ela obrigou os duendes a criarem o cargo.

Hermione lançou um olhar perigoso a Rony que resolveu ficar calado.

- Rony?

Era Tompkins chamando à porta.

- O que foi?

- Será que você poderia vir aqui um segundo? – falou o curandeiro numa voz apressada – é importante.

Por alguns segundos Rony ficou parado, parecendo não entender exatamente o que Tompkins queria dizer, mas a ficha pareceu finalmente cair e o ruivo fez uma careta enquanto saía do quarto visivelmente aborrecido.

- Eu não posso acreditar que isso seja verdade, Hermione – falou Harry, os olhos perdidos no teto – não posso...

- Ninguém vai exigir nada de você, Harry – disse Hermione numa voz branda – leve o tempo que precisar levar.

Harry fechou os olhos com força e Hermione pôde ver uma lágrima correr, mas não disse nada.

. a . a . a .

- Gregory!

O curandeiro saiu da lareira sacudindo as cinzas da roupa e se deparou com a mulher sentada na cadeira logo em frente, num olhar definitivamente perigoso.

- Você não sabe como fiquei o dia inteiro... nenhuma notícia e toda coruja que mandava ao St. Mungus não era respondida... ninguém diz nada! Onde você estava? O que aconteceu? Emma quase teve um colapso nervoso quando disse que você tinha ido trabalhar...

- Oh, então Emma está em seu estado normal. É bom que isso aconteça de vez em quando – murmurou Tompkins tirando o casaco e sentando-se no sofá – o mundo não gira ao redor dela. Há coisas mais urgentes a tratar.

- Mas você sabe como ela é! Jogou a culpa toda em mim, é claro, como se eu pudesse fazer alguma coisa! Você saiu correndo e não disse nada...

- Você ficou em casa, como eu disse?

- Mas como se eu tivesse escolha! Fiquei para esclarecer sua querida Emma e todos os seus amigos e sei lá mais quem que apareceu para te desejar um feliz aniversário.

- Oh querida, eu sinto muito por ter de fazer você passar por isso – disse Tompkins levantando-se do sofá e indo até ela – sinto muito mesmo.

Ela não respondeu de imediato, só respirou fundo, deu-lhe um beijo na testa e largou-se na cadeira.

- O dia foi incrivelmente cheio – falou ele brincando com os cabelos dela – mal pude respirar. Vou tomar um banho e então tudo será esclarecido. E vou escrever a Emma também, não se preocupe.

A esposa sorriu de leve.

- Você deve estar com fome. Vou ver se tem algo decente na cozinha.

Tompkins subiu para o quarto. Em cima da mesinha vários pacotes, presentes de aniversário provavelmente. Tinha até se esquecido. Era seu aniversário! Mais um ano de vida e realmente, se sentia mais velho. Parecia ter pensamentos demais na cabeça, pensamentos confusos que não combinavam nada com a vida arrumada e perfeita de Gregory Tompkins.

Foi até o guarda-roupa e começou a remexer na parte de cima. Pegou uma caixa grande e pesada, colocando-a em cima da cama com cuidado. Era daquilo que precisava. Fazia tantos anos desde a última vez que a usara...

Ao retirar a tampa da caixa uma substância prateada e etérea começou a encher o aposento. Era sua penseira. Nela nadavam antigos pensamentos. Com um suspiro, pegou a varinha e colocou-a têmpora, extraindo um pensamento. Assim que a lembrança começou a vagar na penseira sentiu-se mais leve, era como se pesasse menos. Fechou os olhos e tentou pensar em algo positivo. Lembrou-se dos bons dias de sua vida, de momentos melhores que mereciam mais atenção que as memórias que jogava na penseira, mas que mesmo assim insistiam em tentar escapar-lhe.

Abriu os olhos de repente quando ouviu algo cair no chão com força. Era uma xícara de café. Uma xícara que parecia ter estado nas mãos de sua mulher poucos segundos antes.

Ela olhava para o conteúdo da penseira. Naquele momento a imagem era de Harry Potter arregalando os olhos e respirando como se quase tivesse morrido afogado.

Tompkins não conseguiu articular uma palavra, só se preparou para a bateria de perguntas que viria o resto da noite.

. a . a . a .

Não foi a toa que Alyssa Calloway gritou.

Ela era assistente de Tompkins, formada a pouco tempo mas boa o suficiente para poder estar com um paciente importante. Herdara a profissão da mãe e apesar de não ter aquele diferencial que separa os bons curandeiros dos ótimos, era eficiente no que fazia. Trabalho que consistia em limpar o quarto, trocar lençóis e limpar o paciente de vez quando. Revezava o serviço com Jeanie e tinha ambições de se tornar curandeira residente, talvez no primeiro ou terceiro andar, quem sabe. Assim poderia se casar e ter a vida sem graça que sempre desejara.

Absolutamente, Alyssa não estava habituada a coisas estranhas. E foi por isso que berrou. Entrara no quarto de Harry Potter e fora imediatamente tirar os cálices vazios de cima da mesinha. Depois, limpou as cortinas com um feitiço e tirou o pó dos móveis. Foi só quando chegou na mesinha de cabeceira e viu que os óculos redondos não estavam lá, que notou algo estranho. Levantou os olhos para a cama e viu que o paciente não estava dormindo. Harry Potter tinha os olhos abertos de modo perdido, um braço pendurado para fora da cama e se não fosse o levantar e descer de seu peito poderia-se dizer que estava morto.

Harry apenas fechou os olhos como resposta ao grito enquanto a pobre Alyssa cambaleou e foi andando desesperada até a porta, arfando e tropeçando como se tivesse visto um fantasma. E de fato, fora o que parecia ter visto. Quando Jeanie a chamara no dia anterior e ela vira Harry Potter acordando, ficara assustada a princípio, mas nada como aquilo agora. Nada como aquela palidez de olhos arregalados. Abriu a porta do quarto e saiu na pequena ante-sala onde largou-se numa cadeira, tentando recuperar o fôlego.

- Ah! – berrara ela outra vez. Jeanie acabara de entrar na ante-sala também, mas não pela porta de saída e sim pela porta proibida, pela porta que ninguém entrava.

- Alyssa? – perguntou Jeanie em sua voz baixa e apreensiva de sempre – não devia estar limpando o outro quarto?

- Eu estava – explicou-se Alyssa – mas levei um susto. Ele não me parece bem, na verdade me pareceu um tanto... mas espere... – ela levantou os olhos para a colega – hoje não é seu dia de folga? E o que você estava fazendo naquele quarto? Sabe que o Sr. Tompkins não gosta que entremos lá sozinhas...

- Eu esqueci algo lá – falou Jeanie – mas já estou indo embora.

Alyssa já ia perguntar o que Jeanie havia esquecido quando Tompkins entrou correndo.

- O que aconteceu? Que gritaria é essa?

- O Sr. Potter – explicou Alyssa de modo desajeitado – ele não me pareceu bem, ele...

Tompkins não quis saber o resto, escancarou a porta do quarto de Harry e correu em direção à cama do paciente.

- Harry, você pode me ouvir? – falou ele numa voz calma enquanto dava leves tapas no rosto dele – pode entender o que estou dizendo? Está me reconhecendo?

Muito lentamente, Harry fez sinal positivo com a cabeça.

- Mas você está péssimo! – exclamou Tompkins examinando agora suas mãos – não consegue se mexer?

Harry tinha uma aparência pálida-amarelada e olhos de quem não dormira a noite inteira. As pernas e os braços estavam moles e ele parecia ter perdido o controle sobre eles. O olhar tinha uma expressão vazia, de um modo fixo que se assemelhava a um cadáver.

- Alyssa! – Tompkins se voltou para a porta – vá até a sala do Longbottom e pegue uma erva energizante, da mais forte que tiver lá. Depois mande pra sala de poções e mande preparar uma poção com ela, com potência sete. E o que ele está fazendo aqui? – perguntou Tompkins agora vendo Martin em companhia de Jeanie na ante-sala – ele não tem licença pra entrar aqui. Já pra fora, ou eu vou contar ao seu chefe onde você anda... Jeanie, leve-o... e você não devia estar de folga hoje?

Jeanie encarou-o de volta visivelmente sem jeito, mas não disse nada, cumprindo suas ordens e levando Martin embora.

- Eu sabia que você estava reagindo bem demais – murmurou Tompkins ajeitando Harry na cama – bem demais para ser verdade.

Sentou-se numa cadeira ao lado da cama e respirou fundo. O diretor do St. Mungus já fora avisado e a imprensa seria notificada naquela tarde. Na tarde em que Harry parecia mais um cadáver respirando. Não ia ficar nervoso, porque ele era Gregory Tompkins, porque ele era um homem controlado, porque ele sempre conseguia resolver as coisas.

Alyssa pareceu demorar horas com a poção. Harry continuava deitado na cama, sem falar, piscar ou dar qualquer outro sinal de vida que não fosse a respiração. Finalmente, a assistente voltou, trazendo uma poção esverdeada dentro de um frasco.

- Obrigado, Alyssa – disse Tompkins pegando o frasco – agora traga-nos comida.

A moça fez que sim com a cabeça e desapareceu atrás da porta. O curandeiro então se inclinou sobre Harry e sem cerimônia alguma derramou a poção inteira na boca do paciente. Harry tossiu, cuspiu e engasgou, mas Tompkins não pareceu se importar. Pegou o frasco, colocou-o na mesinha e voltou para sua cadeira em silêncio.

- Você está tentando me matar – murmurou Harry depois de alguns minutos.

- Não estou não – falou Tompkins numa voz séria que não parecia nadinha com a dele – acredite nisso.

- O que era aquilo?

- Uma poção energizante de nível sete. O que significa que nem se você quiser conseguirá dormir...

- A última coisa que quero é dormir...

- Você assustou Alyssa – disse o curandeiro.

- Com essa aparência não é muito difícil – falou Harry amargo.

Tompkins olhou para o espelho na parede oposta e riu:

- Você se olhou nele?

- E não me vi – respondeu Harry examinando a mão direita – eu vi um fantasma.

- Ao menos significa que você consegue se levantar e que esse estado é temporário – e virou-se para Harry - e voluntário.

- Pra você tanto faz. Você é um cara bem-sucedido, deve ser famoso, é bonito, de cabelos claros e olhos azuis. Olhar-se no espelho deve ser quase inebriante pra você... – disse Harry, um tom dolorido em sua voz rouca.

- Deve ser – respondeu Tompkins sem expressão – mas reflexos não fazem grande diferença. Eu, como curandeiro, já vi gente desfigurada, de um jeito que você nem pode imaginar, e mesmo esses recebiam visitas daqueles que os amavam.

Harry resmungou alguma coisa, mas Tompkins o cortou:

- Não é besteira. É a verdade, mas eu não vou exigir que você entenda isso agora. Pacientes são como crianças mimadas, só aprendem quando querem. E você precisa comer agora...

Foi como se tivesse executado um feitiço convocatório. Naquele instante, Alyssa entrou trazendo uma bandeja.

- Obrigado Alyssa.

A moça saiu, lançando um olhar nervoso a Harry.

- Prefere mingau ou torrada? – perguntou Tompkins numa voz tranqüila.

- Eu não quero comer – falou Harry olhando com desprezo para a comida.

- Ainda bem que não é você quem dá as ordens aqui, não é mesmo? Vamos ficar com o mingau – disse Tompkins pegando uma colher – você vai comer ou eu vou ter que alimentá-lo como um bebê?

Harry não disse nada, aliás, antes que pudesse dizer qualquer coisa Tompkins enfiara uma colher cheia de mingau em sua boca.

- Você precisa comer, então é melhor engolir isso logo – falou o curandeiro de modo prático – porque você tem visitas hoje.

- Eu não quero ver ninguém.

- Que pena. Mas como eu disse, não é você quem dá as ordens aqui.

. a . a . a .

Neville mandara um cartão, desejando melhoras e prometendo uma visita. Harry não se empolgou. A poção energizante tinha animado seu corpo, mas não sua mente. Tudo ainda parecia trágico demais, triste demais, melodramático demais. A perspectiva de que teria uma tarde cheia de visitas não o deixava mais feliz. Não queria ver gente, muito menos gente feliz e saudável. Queria ficar sozinho.

Mas isso obviamente não foi possível. O diretor do St. Mungus, um homem de cabelos compridos e barba, que parecia mais um integrante das Esquisitonas, fora visitá-lo. Fez um monte de perguntas inúteis como "Você está bem?", "Está doendo?" ou "Se sente confuso?". E Harry respondera a todas elas monossilabicamente. Ao menos o homem se dera por satisfeito.

Depois viera Tompkins acompanhado por uns dois ou três curandeiros (Harry não se dera ao trabalho de contá-los) que se limitaram a debater os métodos empregados durante o "tratamento". Harry agradeceu por não precisar falar com eles.

- Tem mais alguém que deseja falar com você – anunciou Tompkins à porta do quarto.

Harry gemeu na cama e a pessoa entrou. Imediatamente desejou estar dormindo. Não queria, não queria aquela visita. Preferia um hipogrifo cor-de-rosa dançando do que ela...

Era Gina, claro, quem mais haveria de ser? Era ela quem o via moribundo naquela cama, despenteado e com manchas de mingau na camisola. Não conseguiu encará-la durante muito tempo. Fechou os olhos e tombou a cabeça para o lado esquerdo.

Sentiu que ela se sentava em sua cama.

- Harry...

Ele voltou a encará-la, com aquela expressão de olhos vazios.

- Isso é injusto... é o que se paga por tentar ser um cara legal...

E esboçou um sorriso sarcástico horrível.

- Você não devia estar aqui – continuou ele – não devia estar vendo isto... – e apontou para si mesmo.

Gina parecia estar a mesma. Os cabelos ruivos caindo pelos ombros, o rosto coberto de sardas, o gosto por casacos da cor bege... Ah, Harry se lembrava bem. Se lembrava de seu rosto, de sua voz, do modo como ela pronunciava seu nome ou de seus olhos castanhos brilhando ao vê-lo. Lembrava-se de um monte de coisas estúpidas. Lembrava-se da torre da Grifinória olhando-os quando ele a beijou pela primeira vez, lembrava-se dos passeios por Hogwarts, das noites sem dormir em que pensava nela. Não precisava fazer esforço algum e já conseguia ouvi-la rir ou olhar com desprezo para os fofoqueiros de Hogwarts. E era como um sonho vê-la ali agora, tão perto e ao mesmo tempo tão distante da sua Gina de quinze anos...

- Eu... – Harry tentou dizer mais alguma coisa, mas as palavras desapareceram completamente quando tentou pronunciá-las.

Encarou Gina por leves instantes. A expressão dela era difícil de ler. Estaria feliz? Triste? Penalizada ou quem sabe até com raiva? Impossível de dizer. Ela se limitava a olhá-lo, quieta, respirando lentamente... parecendo se esquecer do tempo, do quarto em si, até mesmo que Harry estava ali...

A única coisa que Harry conseguia sentir era uma dor estranha, uma angústia quase desesperada com aquele silêncio. Por que ela não dizia nada? Por que não tentava confortá-lo como Rony e Hermione fizeram? Ou se mostrava assustada como Neville? Por que não mostrava um interesse clínico? Repulsa? Por que continuava olhando-o com aquele olhar indecifrável?

Gina sempre fora tão enérgica... sempre com algo na ponta da língua. Raciocínio rápido, facilidade de se adaptar a novas situações. E agora não conseguia expressar nada. Estava tudo tão vazio.

Inesperadamente, ela ergueu a mão. Primeiro tocou-lhe a mão de leve, quase como se tivesse medo de levar um choque elétrico. Depois mexeu em seus cabelos. Era como se quisesse provar a si mesma de que não estava vendo um fantasma. Acariciou-lhe a face, a pele fria e pálida. Harry fechou os olhos e Gina se limitou a fitá-lo mais uma vez.

Ele abriu os olhos quando ouviu soluços. Gina estava chorando. Harry nunca a vira chorar antes.

- Gina... – ele começou devagar – por favor não...

Iria dizer "Por favor não chore" mas não conseguiu completar a frase. Antes disso a ruiva já tinha saído correndo do quarto.

. a . a . a .

- Por que você fez isso comigo?

Foi berrando essas palavras que Gina aparatou na casa de seu irmão Rony.

- Mas o que é isso, afinal? Que gritaria é essa?

Rony entrou na sala, trazendo nas mãos um prato com restos de mingau de aveia e atrás dos calcanhares seu filho Stephen.

- O que é que você está fazendo aqui? – perguntou ele franzindo a testa.

- Não quero falar com você – cortou Gina lançando um olhar de desprezo ao irmão – quero falar com a sua querida esposa.

- O quê? – Rony fez uma cara confusa para o tom hostil da irmã – o que está acontecendo Gina?

- Não é da sua conta. Meu assunto é com Hermione.

- Agora que tia Gina chegou, eu ainda preciso comer o mingau? – perguntou Stephen.

- Gina, eu não sei o que está acontecendo, mas acho melhor você voltar quando estiver mais calma...

- Não. Vai ser agora.

- Eu não quero mingau! – falou Stephen fazendo uma cara emburrada. Rony ignorou.

- Onde ela está? – perguntou Gina olhando em volta.

- Ela está lá em cima...

- Eu já estou aqui.

Hermione veio descendo as escadas lentamente por conta do peso extra.

- Mãe! – gritou Stephen assim que a viu – papai não quer me dar comida... eu estava pedindo a ele mingau agora mesmo...

- Rony, dê o mingau ao Stephen logo – pediu Hermione e Rony lançou um olhar indignado ao filho que deu uma risadinha marota.

- Que bom que você chegou – falou Gina numa voz fria – estava precisando falar com você... sobre o que você fez com a minha vida! – ela gritou as últimas palavras.

- Gina, o que é isso? Acho melhor você ir embora... – começou Rony, as orelhas começando a ficar vermelhas.

A ruiva já ia se virar e dar uma resposta ferina, mas Hermione foi mais rápida:

- Rony, leve Stephen lá pra cima e dê o mingau pra ele. Eu vou conversar com Gina.

- Mas... mas... – balbuciou Rony.

- Agora Ronald.

Mesmo contrariado Rony não discutiu e levou o filho para o quarto, filho que parecia deliciado com a discussão é preciso dizer.

- Eu sabia que você acabaria vindo – disse Hermione se sentando na poltrona mais próxima.

- Não venha com essa – falou Gina rápida – você não sabe de tudo. Não sabe. Então não faça pose de quem sabe...

- Gina – começou Hermione num tom calmo – você deve estar confusa. Eu sei que deve estar. Todos nós estamos. Sei o que você está sentindo e compreendo a sua dor. Eu compreendo que...

- Você não compreende nada! – berrou Gina, o rosto vermelho – não me venha com essa historinha manjada de que você entende, que você compreende o que estou passando... você não tem noção do que está falando! Então não diga que tem! Não finja que tem! Só eu posso contar o que passei antes e o que estou passando agora...

- A situação é complicada, Gina – continuou Hermione inabalável – afinal, foram sete anos. O mundo mudou, nós mudamos. Se é difícil para nos adaptarmos, imagine para Harry! Temos que estar unidos para ampará-lo e ajudá-lo!

- Agora você quer ajudá-lo, não é? Agora você quer acreditar que tudo está bem? Você é uma hipócrita, Hermione, uma mentirosa! – acusou a ruiva – você me disse que ele não ia acordar, me disse que ele não ia... me disse que ele dormiria para sempre. Você me disse que eu nunca mais poderia vê-lo! Que não havia chances! Você destruiu a minha vida!

- Não distorça as minhas palavras! – exclamou Hermione num tom duro – eu nunca disse que Harry não ia acordar...

- É claro que disse! Você me mostrou todas aquelas revistas trouxas, todos os livros que você pesquisou. E me disse que pacientes assim raramente se recuperam...

- Eu disse que as chances eram mínimas – continuou ela no mesmo tom seco – eu disse o que os livros diziam...

- Você me mandou esquecê-lo! – gritou Gina se controlando para não chutar a mesinha – você disse para não me apegar e...

- E seguir com a sua vida – completou Hermione agora se levantando da poltrona – sim, eu disse isso. E não me arrependo.

- Como não se arrepende? Será que ainda não percebeu a gravidade da minha situação ou será preciso que eu escreva isso em algum livro pra você?

Foi como um tapa na cara. Hermione imediatamente abandonou a pose controlada e falou quase no mesmo tom que a cunhada:

- O que queria que eu fizesse? Deixasse você definhar durante todo esse tempo? É claro que eu mandei você seguir com a sua vida, não se apegar a Harry. Porque as esperanças eram mínimas. E você sabia disso. Todos sabiam disso. Queria que eu tivesse te abandonado?

- Ninguém sabe o que eu passei – murmurou Gina, agora com lágrimas nos olhos – ver Harry daquele modo foi uma das maiores provações da minha vida. Eu o amava! Eu o amava com todo meu coração! E ele estava naquele estado... perdido. Eu não sabia como reagir e... e você me enganou! Você me contou mentiras! Quando é que você vai aprender que os livros não são tudo? Que os livros podem errar? Quando é que você vai acordar e viver... deixar o sangue que corre nas suas veias falar mais alto do que um monte de pergaminhos velhos? Porque você sempre foi assim, não foi? Sempre se fingiu de durona, se escondendo atrás dos livros para não encarar a vida e...

- Quem você pensa que é pra falar assim comigo? – cortou Hermione agora visivelmente alterada – eu não sou um de seus irmãos, que deixam você falar o que bem quer sem receber uma resposta à altura! Eu não sou como Rony, Gina. Eu não sou mais uma garotinha de escola que vai chorar no banheiro à primeira ofensa! Não venha até a minha casa, onde está o meu filho, atirar esse tipo de coisa. Não é gritando com os outros e ferindo-os que você vai se livrar dos seus próprios problemas. Eu te ajudei. Quem é que sempre ouviu você falar do Harry? Quem é que sempre te deu conselhos? Quem é que estava do seu lado quando tudo aconteceu? Ah, você se esqueceu? Eu te disse a verdade, as chances de ele acordar eram mínimas. Se você continuasse vivendo daquele jeito teria definhado totalmente... eu abri seus olhos, você precisava viver!

- Eu o amava! – bradou Gina agora aos prantos.

- Não pense que você é a única que ama Harry por aqui – Hermione gritou também – todos nós amamos Harry. Todos nós ficamos ao lado dele. Você acha que foi a única que sofreu? Que foi a única que passou noites chorando por causa dele? Pois saiba que Harry foi meu melhor amigo durante sete anos seguidos. Nós estamos nessa desde os onze anos... já quase morremos um pelo outro. Como você acha que eu me senti quando ele sumiu naquele dia? Não passou pela sua cabeça que eu pudesse me sentir terrível? Pensando que o meu melhor amigo estaria morto! Morto! Harry foi a primeira pessoa que me estendeu uma mão de amizade e você sabe disso! Então não venha falar do seu sofrimento, pense no meu primeiro.

"Pense no de Rony! Você nunca parou para refletir na reação de Rony ao saber que seu melhor amigo talvez nunca mais visse a luz do dia? Como você acha que Rony reagiu? Ele se sente culpado até hoje por não ter impedido Harry de ir. Harry é como um irmão para Rony... você acha que Rony também não o ama? Eu estava com ele esse tempo todo. Era comigo que ele vinha chorar, soluçando como uma criança, implorando que Harry voltasse. Rony nunca se perdoou, ele vive assombrado até hoje! Já parou pra pensar nisso? Ou em Hagrid, em Lupin? Em todos os outros que assim como você amavam Harry, de diferente formas, mas não deixavam de amar?

- Você arruinou tudo! – gemeu Gina totalmente fora de controle – arruinou tudo! Arruinou qualquer chance, qualquer...

- Eu mandei você seguir a sua vida – falou Hermione agora se recompondo – eu não mandei você se casar com outro.

A ruiva deixou-se cair no tapete, chorando compulsivamente.

- Mas que diabos está acontecendo aqui?

Rony apareceu na escada, todo sujo de mingau e uma expressão preocupada no rosto.

- Já está tudo bem, Rony – disse Hermione lentamente.

- Tem certeza? – perguntou o ruivo indo até ela – você está grávida, Mione... não pode se envolver nessas coisas... e Gina, ela devia saber disso – e se virou para a irmã – Gina, o que você tem na cabeça, hein?

- Deixe-a – murmurou Hermione limpando os olhos – ela precisa ficar sozinha.

- Mamãe! – gritou Stephen do alto da escada.

- Desça aqui, Stevie.

O garotinho desceu e Hermione o abraçou com força. Como se quisesse se lembrar de que ainda havia um pedacinho de felicidade naquela sala.

. a . a . a .

N/A: Espero que vocês todos tenham tido um bom começo de ano. O meu foi bom também, meio atribulado, por isso não publiquei o capítulo antes. Finalmente o encontro H/G, não houve muita informação nele, eu sei, mas em breve vocês vão começar a descobrir como tudo realmente aconteceu. Beijos.

#pulcher: as cenas H/G como eu disse, estão por vir ainda. Esse foi só o primeiro encontro... Quanto ao final feliz, eu não garanto nada.

#Sukita: eis a atualização! Demorei um pouquinho nessa. Manda review dizendo se gostou...

#Lady Bunce: eu morro de pena do Harry também enquanto faço essa fic... é uma situação bem complicada mesmo. Espero que tenha gostado do capítulo.

#Amanda Dumbledore: eu sempre atualizo no repente, Mandie. Hahahahahaha. Nada nunca é previsto pra mim. Esse é novinho, gostou dele? Depois me diz, principalmente da Gina. Beijos.

#Miaka-ELA: sim, vai ser difícil... imagino que vá ser mesmo.

#Nati Prongs: as pistas da fic estão por aí, é só catar! Mas daqui a pouco tudo começa a ficar as claras...

#SugarLily: Greg lembra Slughorn? Que comparação mais... inédita? Mas eu gostei. Quanto ao Voldemort eu me abstenho totalmente de comentários. Que bom que está gostando tanto da fic. Beijão!

#Nick Evans: aqui está. Gostou do capítulo?

#Claudia: amei sua review! Que coisa mais linda, Clau. Bem, eu gosto especialmente do Martin, não sei direito porque, mas o Tompkins me parece ser o tipo de médico que toda mulher deseja: bonito e divertido. Hahahahahaha. R/H Pride na veia! Os dois têm é que procriar mesmo! (vou fingir que não li a parte do "prefiro o Harry ao Ron") E ultimamente eu tenho empolgado no tamanho dos capítulos mesmo... beijos.

#Mah Potter: ah, muito obrigada. Beijos.

#Nina: a Jeanie? Nossa, nunca ninguém tinha comentado isso. Que legal! Ela é do tipo sem graça e esquisita. Até que ponto? Eu não sei... E eu acho que Harry, Ron e Hermione só funcionam bem juntos mesmo... um tem o que falta nos outros dois...

#Mellie Erdmann: eu fiquei feliz que tenha gostado! Beijos.

#Luisa Weasley: esse demorou um pouquinho, né? Mas veio. E vou tentar não demorar muito com os outros. Estou com a história toda na cabeça e vou escrever o mais rápido que puder. Beijos.

#Tathi Weasley: aha, você leu a fic! Consegui te convencer! Continua mandando reviews, viu? Eu adoro! Beijão.

#AnnaMel: dá pra acreditar que eu to escrevendo H/G? Oh vida hein... sim, existem pouquíssimas boas fics H/G em português e espero que essa esteja boa. Beijos.