Se Você Partir
Notas:
Para este novo capítulo, alguns avisos são necessários: este capítulo é o maior dos quatro já escritos até o momento, existem várias cenas neste capítulo que visualizei desde o princípio. Cenas que ao escrever senti meu coração batendo mais forte, e me deleitando com cada sequência; personagens muito queridos irão aparecer seja em flashback ou nas Terras Imortais. Quem pensou em Frodo e no Boromir, acertou! Sempre amei o bravo guerreiro de Gondor, seu personagem revela nos capítulos: O Rompimento da Sociedade e A Partida de Boromir , a complexidade do ser humano: o desejo pelo poder e a regeneração pela luta ao próximo. E o meu favorito: Frodo, vocês saberão o que penso dele através de um dos personagens da história.
Tenho lido histórias de outras autoras: Sadie, Myri, Lore, Ki, Anne , a Giby, fico perdida, devo revelar que tem um brilhantismo assustador, faces e realidades que minha criatividade não poderia alcançar. E no momento que lêem esta abertura, existe review nas caixas de entrada de vocês.
Sob a face da mudança, curvo-me perante talentos sem explicação dessas grandes autoras, e os defino como luz para guiar meus caminhos, curar e elevar a minha alma. Percebo nos textos destas grandes escritoras, o elo entre nós: o amor ao mundo de Tolkien. Cada uma com sua visão, ora sedutora, ora melancólica, ora poética, desta terra, A Terra-Média. . .
e para este capítulo tão especial e difícil de escrever aguardo reviews...
Capítulo 4 : O Sangue de Faramir.
Aqueles que ficaram
Os ventos dançavam ao som das vozes que cantavam, vozes cheias de lembranças e alegrias. Belas e sedutoras, algumas das vozes possuíam o tom agudo da verdade; outras a doçura da esperança, as favoritas de Frodo cantavam a vitória, mas todas elas tinham o som da saudade.
Ele podia ouvi-los cantar e a letra era tão bela quanto as vozes do elfos.
Dor, agonia, desespero, raiva, ódio... Sentimentos, sensações; as Terras Imortais os transformavam. As sensações que tanto feriam os homens, naquela terra sagrada transcendiam: o ódio regenerava-se em adubo para criar, as tristezas em sabedoria, multiplicadas pela natureza dos elfos em criar. Destruição era uma palavra inexistente no vocabulário das belas criaturas.
Dedicado a perfeição do primeiro raiar o sol ao anoitecer. As esperanças dos elfos poderia ser tocada, se ele tivesse a força para tocar naquela energia bela.
Valinor não era dividida e sim compartilhada. A disciplina vigente nascia da natureza dos elfos. Palavras e promessas tornaram-se sinônimos. Conceitos e crenças inexplicavéis para seus amigos e para ele próprio em seu passado,
"ah" – suspirou, e viu sua saudade se transformar em nuvem branca em Valinor, Frodo contemplou a Terra Imortal, se ele pudesse vê-los. Como explicar para alguém a paz? Como explicar sua natureza está ligada em criar em sentir e na entrega completa para que o novo dia nasça.
Explicar seria confundir, ele mesmo não conseguia entender o fascínio das Terras Imortais, mas entendia a ganância dos homens que desejara um dia alcança-la. Contudo certas dádivas, eram justamente dádivas, não podiam ser usurpadas, apenas compartilhadas. A clareza confundia tanto quanto a loucura, pois sua generosidade em existir, em ser, não era forçada, simplesmente existia. Como explicar para o mundo dos homens a Criação?
Não. As Terras Imortais descrevia o mérito da vida. A vida dos sonhos, a que ocupa nossa mente em desejo de conquista, para apenas muito velhos, se tivermos sorte, descobrirmos que o sentido da existência era conjugar o verbo viver, talvez por sentir suas veias a benevolência daquela terra, Frodo compreendesse a dádiva dos elfos na Terra Média, e entendesse a beleza daqueles que ficaram. Arwen, Legolas, mensageiros da luz, onde ele tão afortunamente, ele , um simples hobbit do Condado vivia.
A Montanha da Perdição havia sido banida da sua mente, a memória da dor, contava apenas uma memória e dor gerara paz, em um incompreensível ciclo da vida, ao qual Frodo reverenciava.
As vozes continuavam a música. E Frodo acompanhou a letra, sentindo a força daqueles que amavam.
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Ela cantava sozinha, sua voz cristalina buscava alcançar o além mar. Lutava pela longevitude de um desejo, se cantasse alto o suficiente, ele ouviria? Legolas saberia de seus pensamentos...
Nada havia mudado. Mentira. Ela havia mudado. O amor dela por ele se fortalecera com a decisão dele em ajudar seus amigos. E de alguma forma podia senti-lo, desejando chegar até ela, mas Elentári sabia, um novo desafio se erguiria. Um novo obstáculo. E eles teriam de esperar.
--- Elentári, você está bem? – perguntou o hobbit em voz baixa, demonstrando preocupação.
Ela olhou para o hobbit, a pele rejuvenecida e os olhos brilhantes do amigo-dos-elfos, famoso pelas suas conquistas, e pelo seu desempenho na Guerra do Anel, o que transformava aquele pequeno hobbit em ser tão luminoso, nascia do seu amor pelos seus amigos, e para ele a vida era tão cara e preciosa quanto a sua própria.
Um gigante no corpo de um pequeno. Desde de sua chegada, Elentári impressionou-se com sua determinação em curar suas feridas, e o hobbit possuía tantas, sem buscar glórias, apenas paz. O pequeno hobbit, adivinhava Elentári, desejava o bem mais precioso, sabendo ofertar o amor. Frodo desejava a paz, e a continuidade da existência de sua amada Terra-Média.
Um amor tão forte que ele trazia para as Terras Imortais, cuidando da terra, como um amante cuida do seu apaixonado.
Frodo viu as lágrimas no rosto belo de Elentári.
---Chora por ele? – os anos transformaram a dama élfica e o hobbit em amigos. Em seus corações, o amor incondicional, sem tempo e sem vaidades os uniram.
---Momentos difíceis, se aproximam, Frodo. Eu sinto o mal. E Legolas tentando detê-lo.
Frodo meditou sobre as palavras da elfa. E as lembranças do antigo companheiro da Sociedade; quando o conhecera em Valfenda e na separação dos destinos depois de passar pelos Argonats, sua excelência e a amizade com Gimli. Frodo fora testemunho daquela amizade, e em sua visão simples de hobbit, acreditava no poder daquela amizade, em um dos fatores cruciais para a destruição do Um Anel. Cada ato de bondade era um tijolo da Fortaleza de Baradûr a cair.
--- Legolas é nobre, irá superar mais este obstáculo, Tari. Não sofra, eu te peço minha amiga, a amargura – refletiu Frodo – expulse-a do seu coração. Nada escapa do elo entre vocês , ele precisa da sua força.
Ela sorriu, e as lágrimas como encantadas pela palavra do hobbit deixaram de cair. Ele estava certo, o coração puro de Frodo, mais uma vez a salvava da saudade e da auto-comiseração. Ela confiaria nele. No elfo silvestre. E como a rainha da Terra-Média um dia fizera, ela também faria e cuidaria dele em seus pensamentos, sabendo o coração e a mente de Frodo, cuidaria de todos os outros.
Um gigante no corpo de um pequeno – repetiu para si mesma. Se almas pudessem ser pesadas pelo seu valor...
Sorriu para Frodo, uma vez mais, dessa vez,sem dor ou preocupação, Elentári não se enganava, tais sentimentos estavam presentes, contudo Valinor estava-os transformando-o em esperança, e luz para aqueles que pudessem vê-la ou refleti-la, seres como Legolas, e a irmandade do Anel.
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Os pergaminhos repousados na mesa do rei, aglomeravam-se em um mesmo pedido. O rei Elessar ouvia os mensageiros enviados as aldeias e assim como os pergaminhos, a verdade era comprovada, ataques as cidades, de orcs, rápidos e organizados, atacando sempre e apenas uma família. A família do administrador da cidade. Exterminando o pai e o filho mais velho. Deixando a esposa e os outros filhos, em estado de choque e intocados fisicamente.
A organização dos orcs impressionava Elessar; quando guardião estudara a forma dos ataques, e apesar do senso de grupo, o estilo dos novos ataques escondiam um líder. Visivelmente aos olhos do rei, um líder humano. A intenção dos ataques era claramente desafiá-lo. Cabia a ele, inibir novos desmandos e providenciar novas lideranças as cidades, bem como proteger e guiar as famílias.
E uma certeza nascia em Elessar, ele sabia que caminhava para uma armadilha, no momento que deixasse Minas Tirith, uma das cidades próximas, seria atacada, mas qual delas?
Dois meses se passara desde o aniversário de Ecthelion, e no primeiro mês a Terra Média, continuara seu curso tranquila, e apesar dos problemas ( quem não os tem), o último mês trouxera, linhas de preocupação ao belo rosto.
---Entre esses motivos, majestade, pedimos sua presença, a proximidade entre as aldeias, permitiria uma resposta conclusiva, reconhecemos seu trabalho como guardião. E acredito, pessoalmente, que aos seus olhos, esse problema se resolveria. – finalizou o batedor.
Elessar estudou os traços do rosto do mensageiro, a sinceridade habitava nos olhos do mensageiro. O que mais ele poderia esperar de um homem de Rohan? Sob a bandeira da Quarta Era, vários homens provenientes de outras cidades, como Rohan, decidira por oferecer seus serviços a Minas Tirith. Seguidores de seus próprios reinos, os novos guardiões como os moradores de sua cidade os chamavam, devido a inspiração dos serviços prestados pelos guardiães durante tantos anos, em silêncio, buscando proteger as fronteiras.
---E o Condado? – inquiriu o rei, as linhas de preocupação denotava o único sinal de cansaço no rei; palavras ríspidas, ou cruéis pareciam ser desconhecidas de Elessar, assim como fraqueza ou melancolia.
--- Nenhum homem ousou entrar sem ser convidado após sua ordem, majestade, e devemos acrescentar que Meriadoc têm sido zeloso, e excelente anfitrião, quando precisamos de abrigo, e o Periath sente-se ofendido, e ignora quaisquer recusas.
Aquele comentário trouxe um sorriso aos lábios do rei; espantando as preocupações anteriores, por um breve momento.
--- Agradeço suas informações, Háma, e orientações, pode realizar mais um pedido meu? – O novo guardião aquiesceu. – Convocar o rei Éomer para uma reunião?
Desta feita, o soldado baixou a cabeça: ---Ele está aqui, majestade.
Uma esposa adorada como a luz do dia, um filho belo e súditos que liam seu coração. O que mais Elessar poderia desejar?
"Paz" – segredou seu coração. Contudo, Estel, a esperança dos elfos e dos homens, tinha assumido seu papel na história daquela Terra anos atrás. E a paz revelava-se em momentos únicos, eternos na memória, mas as lutas travadas na pena ou na espada, eram constantes.
Os belos salões de Minas Tirith sofrera algumas transformações durante os anos. A mudança cantava na atmosfera, pois a rainha de Gondor em nada alterara o palácio, ou como diria Elessar, ela lançara Luz, e isso fizera toda a diferença.
O rei da Terra dos Cavaleiros estava sentado ao lado de Elessar, seu silêncio pedia para ser ouvido. E seus pensamentos adornavam os olhos de perguntas.
--- Fale, Éomer.
---Esses ataques são rápidos e cruéis, o terror é o objetivo, gerando medo e desconfiança. Essas táticas pertencem aos homens, Aragorn, não aos orcs. Homens de Minas Tirith!
Aragorn conhecia as táticas organizadas dos homens de sua cidade, no passado longíquo lutar ao lado deles, e pudera conhecer seu estilo de luta.
---E qual seria o objetivo? Dominar a cidade? – questionou o rei.
---Não, esclareceu Éomer, o motivo deve ser pessoal. Trata-se de uma cortina de fumaça, e nosso inimigo permanece protegido pelo anonimato e pelas traições que causa.
Arwen observava e ouvia as ruminações. E tentava junto a eles montar o quebra-cabeça. Lembrou-se de estar no Salão de Fogo, junto ao pai e aos irmãos e ouvi-los sem cansar, planos e planos tentando evitar o pior.
Quantas batalhas tinham sido ganhas sem nenhuma gota de sangue, através daquelas conversas, e o auxílio enviado a tempo. Muitas vezes, todos estiveram por um fio, e momento revelava-se outro. E foi essa conclusão, conhecedora da força de mudança que levou a rainha há uma resposta.
O olhar da rainha brilhou em satisfação e remeteu as palavras.
---O alvo é uma pessoa, as cidades são a cortina de fumaça para atrair a vítima. – ao reunir as palavras, Arwen sentiu a alegria da descoberta esvanecer. A vítima era ele. Estel, a rainha sentiu-se subitamente ferida. Antes pudera contar com o poder e alma curadoura do pai. Antes...
Se Estel fosse ferido, seria diferente. Elrond não poderia mais curá-lo. Lorde Elrond não poderia curá-la.
---Arwen, suas conclusões são precipitadas. – alegou o rei, sentindo o rumo dos pensamentos da esposa.
---Eu discordo, majestade – Aragorn estudou o amigo e irmão, Éomer o chamava daquela forma quando tencionava contrariá-lo. E sempre tinha bons argumentos.
---O raciocínio da rainha demonstra lógica e perspicácia. Os ataques visam testar sua força e por fim atingi-lo; - Éomer passou a mão pela testa, buscando afastar os pensamentos, no entanto foi impossível. --- Posso fazer uma solicitação, Majestade. – ao ver o rei concordar, Éomer prosseguiu. --- Conceda-me ir até esses vilarejos?
Elessar estudou o rosto de Éomer, eles haviam se tornado amigos, mais do que isso eram irmãos. E sabia poder conter com Éomer.
---Eu agradeço, Éomer.
---E recusa! – apontou o rei da Terra dos Cavaleiros.
---Sim, meu amigo, você tem seus próprios problemas, e disse muito bem, nosso oponente deseja espalhar o medo. E o que poderia causar mais medo do que o meu silêncio diante dessa situação. Não, Éomer, irei até o vilarejo. Sou necessário e irei. O meu destino está traçado e eu não o temo. E talvez eu não seja o alvo. Ou esqueceu do último batedor, - e um sorriso preocupado assumiu o austero rosto do rei. – como diria,Pipin, sua cabeça está a prêmio, você não pode se ausentar de Rohan, meu amigo.
A mente de Éomer concordava com os argumentos, contudo seu coração estava oprimido, ele pressentia um novo horror, em sua vida. Sentia-se impotente quanto a essas sensações, aqueles próximos ao seu coração pareciam estar seguros, e essa certeza o assustava. Quem correria risco? Todos estavam bem. Éowyn, Lothiriel, Aragorn, Arwen,seu filho e seu sobrinho, contudo aquela sensação não o deixava. Ele não era homem de acreditar em tolices, contudo aquela sensação de perda era forte. E ele sentira muitas vezes no campo de batalha. Ao ver amigos caírem, ao ver Théodred, seu primo e amigo, perder sua vida para sempre.
---Tem a minha promessa, de convocá-lo se assim for necessário. – Confie-mos, Éomer.
Aquelas palavras aos ouvidos de rei da Terra dos Cavaleiros, comprovou sua teoria, como ele, Aragorn pressentia o perigo. E essa era a decisão do seu rei. Ele não agiria diferente.
---E eu iria assim que for convocado, majestade, com sua licença. E olhou para a rainha, curvando a cabeça. ---Lady Arwen.
Ele deixou a sala, levando consigo suas preocupações e suas decisões e o pedido do rei.
O vestido de Arwen oscilou pelo vento frio da porta aberta pelo rei dos Cavaleiros, no Salão de Minas Tirith, o verde-água da roupa da rainha se confundia com os olhos acinzentados do rei de Gondor, em muito anos, ela viu a expressão de Estel determinada, em uma decisão dolorosa.
Ah, como os anos felizes podem curar e até mesmo apagar o curso da maldade. Contudo, ela retorna. E encontram os soldados prontos para uma nova batalha. Estel, não desistiria de lutar contra o mal, depois de tantos sacrifícios, e inesperadamente, Arwen sentiu em suas veias o mesmo desejo. A partida de seu pai tinha um nome e uma vontade. E cabia a ela Estrela Vespertina de seu povo, e a Estrela da Manhã dos homens lutar pela paz, que tanto havia custado a todos.
---Você irá partir. – a voz musical de Arwen, detinha notas de orgulho pelo marido, e de tristeza.
---Arwen, - ele deixou o trono e se aproximou dela, enlaçando e tomando seus lábios, cheio de paixão e com quase tanta tristeza quanto ela.
Quando ele pode sentir os lábios de Arwen sobre os seus, trocando carícias e provocações, o coração de Aragorn se despedaçou. Ele teria de partir. E ficar distante dela, mais uma vez. Depois de tantos anos. Ele a sentiu aumentar a pressão do abraço em um aconchego de fogo e de paz, pois Arwen podia combinar a água e fogo, pois ela era Manhã e Entardecer.
Arwen afastou sua boca da boca de Estel, e seus olhos estavam velados pela tristeza.
---Por quê? – a lágrima rolou no rosto dela.
---Arwen, murmurou Estel,amparando a lágrima dela com as mãos; Oh, Arwen, nós, homens somos assim. O mundo vale pela conquista e pelo poder. A paz não interessa, apenas o poder.
Os olhos dela marejaram.
---Você não é assim. – ela sabia, contudo ela nunca poderia entender como alguém poderia desejar a morte, a dor, apenas pela bela casa, e pelos escravos, pelo dinheiro, não ela nunca entenderia os homens. Arwen sentia-se completa a amar aquele homem capaz de criar, de amar e proteger, Estel tomava as pessoas sob seu escudo, sua coragem e sua luta protegia a todos. Pois ele não se escondia, ele enfrentava. Destinada a amar a coragem, destinada a amar um homem que amava há muitos. E acima de tudos a ela.
---Muitos não são. – E beijando novamente os lábios rosados da esposa, como um vinho da qual a pode-se beber durante toda a vida sem se embriagar, e nunca perder o paladar. – Ele tem de se expor, Arwen, eu preciso saber. Ele nunca deixará o recanto seguro se eu permanecer aqui. Você estará em meu pensamento, em cada passo, Arwen, à noite, me encontre nos sonhos como fez no passado. Eu estarei esperando, contudo não peça para eu ficar. Eu não terei forças se você pedir.
Arwen olhou mais uma vez para o rosto amado, sentindo as mãos dele passearem pelo seu corpo, como se temesse esquecê-lo, ou perdê-lo.
---Vá, e não tema. Eu estarei aqui, assim como Gondor, esperando por você.
---Minha rainha. Arwen. – as palavras não mais poderiam ajudá-lo. Estel contava apenas com o tempo da preparação da viagem, três dias, para estar com o filho e amar Arwen.
Tempo curto demais, para quem deseja toda uma vida, sem partidas.
A comitiva do rei deixou Minas Tirith envolta pela esperança e alegria adventas das ações do rei. Apesar dos temores, a fé em Elessar morava nos corações habitantes de Minas Tirith.
Arwen caminhava solitária, sempre sob os olhares atentos de Eldarion, muitas vezes ela passeava com o filho. Atendia com atenção e carinho os citadinos. Contudo em sua alma, ela podia sentir. Estel demoraria a voltar. A maldade estava a espreita. E ela teria de enfrentar sozinha, em Minas Tirith.
As Lendas de Minas Tirith – o amor infeliz
Ele estava diante do rio e viu ela se afogar, os olhos dela estavam vazios, não havia qualquer expressão; os lindos olhos verdes no passado preenchidos pelo afeto e pela amizade, ela era a personificação da doçura e do recato, e perdera-se em meio ao amor que um dia a alimentara.
---Não, Anya, não se entregue. Eu imploro. – murmurou Faramir, durante o sono.
O sono agitado e traiçoeiro, em meio aos sonhos ele se movimentava desesperado, buscando evitar o pior.
Em meio ao rio, antes tão belo, Faramir viu-a se erguer pálida e morta. Os lábios roxos, e olhar vazio.
Os lábios se moviam, contudo as palavras estavam presas, e apenas o rio parecia entender, tornando-se violento e amargo.
---Não, Anya, por favor não... – pediu ele mais uma vez, enquanto a expressão vazia dela cedia a tristeza.
"Cuidado, Faramir, cuidado" – os olhos verdes pareciam pedir.
Agitado, o rio cobria a morta, em disposição enciumada, e Faramir, mas uma vez a perdia, incapaz de salvá-la.
---Anya, por favor... – ele acordou assustado com o próprio grito, e seu rosto estava marcado pelas lágrimas. E seu choro tornou-se sentido, e repleto de feridas maquiadas com o tempo.
Faramir deixou a cama, abriu a janela, na esperança do luar lavar suas lágrimas, fazia muito tempo desde a morte de Anya, contudo ele não estava imune. Cauteloso, ele lavou o rosto, sentindo o frio da água controlar sua temperatura.
---Faramir?- Éowyn despertara, sentindo a ausência do calor do marido. – O que houve? – perguntou ao ver o traço da lágrimas lavadas.
---Eu sonhei com ela, Éowyn, pálida, triste, e isso não é bom sinal. – exclamou o irmão de Boromir, deixando sua esposa confusa.
--- Quem? – ela se ergueu, tocando o marido. – Faramir, você está gelado. O que houve, conte-me, quem é essa mulher capaz de impressioná-lo tanto? – Éowyn preocupou-se, ele tinha o aspecto doente e enfraquecido.
Faramir retornou seus olhos para a esposa. O encontro dos olhares pareceu aliviá-lo da dor sentida.
---Uma história sobre o meu passado eu não contei, querida. Uma história tão infeliz capaz de me guiar até Ithilien e por um momento pensar em agir errado com Frodo.
---Você nunca agiria errado.
---Minha querida Éowyn, disse ele, olhando nos olhos da esposa, - Eu sou tão belo aos seus olhos, quero ser assim para sempre, os dedos gentis alisaram a face da esposa, em uma promessa. – Contudo, se você soubesse a culpa que carrego. E contarei essa história para você hoje, guerreira, e espero que ainda me ame, e apesar de sofrer entenderei se não mais me quiser.
Éowyn meneou com a cabeça.
--- Que crime você pode ter cometido, Faramir para não mais desejá-lo?
---Crime é a palavra certa, querida – Faramir baixou a cabeça, cheio de dor e pela primeira vez, vergonha, - Eu matei uma mulher, Éowyn. A mais bela mulher de Minas Tirith.
Os lábios de Éowyn se entreabriram, contudo nem um som partir deles.
---Sim, é verdade.
---Eu não acredito. – negou a senhora branca.
---Então ouça a minha história, e decida se quer permanecer ao meu lado, pois esta noite eu sei que a vingança caíra sobre mim.
Éowyn sacudiu a cabeça.
--- Não! Você nunca mataria alguém inocente, muito menos uma mulher, Faramir, eu o conheço.
---Eu nunca contei sobre Anya. Apenas ouça-me, minha senhora. Apenas ouça.
Quando Anya chegou a Minas Tirith, muitos homens se encantaram com sua beleza, seus cabelos ruivos, flamejantes, repleto de brilho, seus olhos verdes como as pedras precisas de Númenor, é claro que todos buscaram sua atenção.
Anya, no entanto, possuía qualidades inestimáveis a uma mulher, pelos padrões dos gondorianos: ela era bela, doce, meiga, e incapaz de trair.
Uma mulher digna de um rei.
Eu a achava bela, e admirava a sua doçura e recato, contudo passava meu tempo estudando, e sempre tive preferência pela mulheres voluntariosas, como o meu destino provou.
Anya pouca atenção prestava nos apelos dos jovens de Gondor, educada, anuia convites com sutileza. Ela não amava a nenhum deles. Até o dia que o meu irmão voltar com sua companhia do leste. Naquela época, poderia apenas cantar como um menestrel de voz doce e vazio, contudo sobre o sentimento que uniu a ambos, hoje sei o que meu irmão e Anya sentiram: amor à primeira vista.
Posso até mesmo vê-los, Éowyn, ver o cenário,pois Boromir dividiu seu segredo comigo.
Boromir estava na taverna alegre e animado, seus esforços resultavam em sucesso, e havia esperança em seus olhos.
---Não adianta, capitão. Ela não dá atenção a ninguém. E acredite, nós tentamos.. – os soldados riam-se, pois Anya estava na taverna, trabalhando e servindo aos soldados, seu sorriso alvo era discreto e sem incentivos.
Apesar da alegria sentida, os olhos de Boromir acompanhavam a moça por toda parte. E ao servir sua mesa, a jovem ruiva preencheu seu copo com mais vinho. Os olhos baixos se ergueram por instante, o suficiente para o capitão de Gondor perder-se no verde meigo e acanhado da jovem.
A jovem ruborizou, afastando-se da mesa.
O colega de Boromir riu.
---Ela não é indiferente a você, meu amigo. Vá até lá, e conte-nos como é o som da voz dela. E o que mais poder descobrir.
Os outros homens riram, exceto Boromir.
E meu irmão não a procurou.
Os livros tinham o cheiro de passado, e minha mente estava impregnada com o dilema, eu tentava descobrir o que aquelas palavras significavam, antes de levar meu sonho até meu pai. Eu precisaria ter um base para o que pressentia. Mithrandir me ensinara o cuidado devido como os pergaminhos, reunidos em relatos e até mesmo livros. Os sons dos passos firmes e decididos de meu irmão chegou aos meus ouvidos.
---Faramir, em toda a bela Minas Tirith, você consegue se esconder no local mais recluso e estranho.
O irmão mais novo sorriu, Boromir não conseguia entender a sua paixão pelas tradições, contudo havia respeito por sua escolha.
---Estranho é vê-lo aqui, meu irmão.
O semblante do capitão de Gondor pareceu intrigado, sentando-se ao lado do irmão.
---Eu preciso da sua ajuda. – pediu.
---Muito bem – riu-se Faramir – vou tentar adivinhar; Boromir, você não tentou enganar Theodred novamente. – o irmão mais velho sorriu, ele quase fora bem sucedido, se o primo de Theodred, não tivesse descoberto, ele teria conseguido trazer Brego, o cavalo favorito do filho de Theodén, até Minas Tirith.
---Avisei que Éomer era esperto e não tem tanto senso de humor quanto Theodréd.
---Não, o assunto é diferente.
---sim.
---Hora! Beregond diz o tempo todo que é capaz ler mentes, irmãozinho, essa seria uma boa hora de utilizar esse dom, pois eu não consigo colocar em palavras.
Faramir olhou para o irmão, desconfiado, conhecia a natureza do irmão e sabia-o capaz de artimanhas para trazer humor e amenizar as diferenças entre ele e o pai. Engenhoso, sem agir tolamente, até mesmo o pai tinha um sorriso nos olhos e nos lábios quando Boromir estava próximo. E algumas vezes este sorriso, era direcionado a ele, pois Boromir tinha a estranha capacidade de fazer o pai enxergar no filho caçula as qualidades que sozinho Faramir encontrava um abismo para demonstrar.
Mas os olhos do irmão contavam um novo segredo.
---Não é possível, Boromir, irá chover mithril, eu não acredito.
---Você é bom nisso. – disse sem graça – Irá me ajudar?
---Eu duvido da necessidade de minha ajuda, Boromir.
---Eu não. Ela é especial.
---A jovem ruiva, então. – exclamou Faramir, pois a ele a beleza da filha do taverneiro também não passara desapercebida.
Boromir olhou para os pergaminhos sem enxergá-lo, sua memória estava presa nos olhos verdes da jovem, e da promessa lida em seu olhar.
Quando falou novamente, as palavras vacilaram: --- Eu não a quero força-la, eu preciso saber...
---Se ela sente o mesmo – completou Faramir; o irmão aquiesceu.
---E o que oferecerá a ela, irmão? A guerra está diante de nós. Ela precisa saber disso, antes de fazer sua escolha.
---Eu não mentirei para ela. E não poderia.
O caçula poderia ter rido do irmão, guerreiro habilidoso, sem nada temer no campo de batalha e naquele instante, vacilante diante de uma jovem. Contudo, Faramir sentiu-se intrigado com o sentimento tão raro e profundo que habitava no irmão. E em segredo, perguntou se algum dia, sentiria essa estranha doença, destinada a felicidade mesclada a agonia e a dor, sem quaisquer hesitação, daqueles a quem a possuíam.
---O que tenho de fazer, Boromir?
O sorriso do primogênito de Denethor espantou o passado da sala de tradições dos Regentes.E Boromir passou a narrar os detalhes de seu plano para conquistar o coração de Anya. E havia futuro para eles.
Os dias correram e eu me vi envolto nessa história, trajando a roupa de mensageiro. Anya acolheu o meu irmão e seu afeto, sem restrições, pois compartilhavam do mesmo sentimento.
Ela amava de uma forma inesperada e inédita aos meus olhos, sem quaisquer cobrança, Anya sabia do amor e da lealdade de Boromir a Minas Tirith, e nunca se colocou entre suas tarefas, caprichosa de mais atenção. A sua amizade, Anya ofereceu a mim. E a pedido de meu irmão, seu relacionamento com a jovem foi mantido em segredo.
Boromir planejava levá-la ao meu pai, em seu retorno de Valfenda.
---Eu pressinto, Faramir, ele não pode ir. Você tem de me ajudar.
---Anya, eu tentarei, mas você o conhece.
---Ele o ouve, Faramir, e único que ele respeita além do pai. Ele o ouvira. Por favor, meu amigo, posso viver a espera dele – e Anya baixou a cabeça, visando esconder a lágrima – reconheço ser sua amante, e apenas Minas Tirith, tem direitos legítimos sobre ele. Contudo – e voz dela, suave baixa, - eu preciso dele vivo, pressinto a morte, Faramir , me ajude!
---Tentativas, todas em vão, pois meu irmão seguiu para Imladris, eu deveria ter tentado mais, eu deveria ter assumido a responsabilidade dos meus sonhos, mas não. Convencido pela astúcia e pela vontade de Boromir. E ele partiu.
"As lágrimas abundantes no rosto dela, o pesar nos olhos do meu irmão, varrido pela sua adoração a Torre Branca".
"Anya o aguardava, e fechou-se em um silêncio doloroso, e até mesmo a amizade a mim, ela retraiu, alegando que nossa semelhança provocava dor nela"
" E um dia, um triste dia, ouvimos o som da corneta de meu irmão."
" Até meu pai, empalideceu após esse dia, e parte de sua força foi roubada."
"Tentando esquecer ou encontrar, não sei mais, caminhei até o rio, e o encontrei, ah, eu o encontrei. Quanto dor. E muito mais, pois eu fora seguido, e Anya estava do meu lado."
"Sem amor nos olhos, ou dor, o vazio a tinha tomado por completo" E tentei alcança-la, no entanto o desespero a tornou veloz e ela se atirou no mesmo rio."
" Um destino triste e infeliz. Anya conhecia nossas lendas, mas o desespero falou mais forte. E ela amaldiçoou a si mesma ao se atirar no rio onde pousava as esperanças do Regente de Gondor.
" Um menestrel teria cantada a beleza daquele amor, e a imortalidade do momento, mas ninguém soube do caso de amor do meu irmão e a bela Anya. O único relato existente são as minhas lembranças".
" A tristeza tomou conta de mim, pois a porta entre eu e meu pai foi fechada para sempre, segui uma ordem ao qual não desejava cumprir. E quando Frodo surgiu com o Um Anel, quase tirei dele. Se os amantes morrem e o mundo cai em sombras. O único benefício é o poder, contudo envergonhei-me até mesmo do meu pensamento, pois o pequeno hobbit tinha fibra e seu seguidor, Samwise,bem, seria verdade, dizer ambos trouxeram-me de volta."
" O poder curador do hobbit em abrir mão do que era mais caro a ele para salvar a todos. Ah, Éowyn, a volta a Minas Tirith, o desencanto de meu pai, vê-lo afastar-se de mim, sem nada poder fazer, apenas acatar suas ordens na vã tentativa de um momento trégua entre nós. A febre, e finalmente o rei trouxe-me de volta, pensei que talvez a morte esquecida de Anya pudesse ter sido perdoada, e convalescente encontrei uma bela mulher, uma mulher ferida, e eu amei essa mulher, rezando para ela voltar sua atenção para mim. Havia nos olhos dessa mulher o abismo e a escuridão, contudo havia a valentia e paixão para lutar contra o mundo de sombras diante de nós. Eu devo ter tido algo certo, pois essa mulher correspondeu o meu amor. E até hoje sou feliz com ela."
--- Eu não entendo qual é o seu crime, meu amigo.
Faramir olhou para a esposa.
---Todos devemos prosseguir com nossas vidas, Éowyn, é nosso direito, é o nosso dever, mas o que eu fiz, foi cruel.
Diante do olhar questionador de Éowyn.
--- Eu a esqueci, Éowyn, guardei tanto sofrimento, contudo não honrei sua memória, sua alma está sendo castigada, e eu poderia ter feito algo para deter meu irmão, ou então proteger sua essência leal, mas eu apenas a esqueci. Existe crime maior do que negar um anjo a obscuridade, minha esposa?
---O que você poderia ter feito,Faramir?
---Existe muitas formas de se dizer adeus, Éowyn, exceto soterrar as lembranças. E esta noite eu a vi em meus sonhos, uma beleza morta e fria. A meiga Anya que tantas vezes vi sorrindo doce para o meu irmão. Tornei-me o portador indigno de um amor infeliz, Éowyn. E Anya, surge, alertando-me do perigo.
---Eu não sou uma mulher de preces, meu esposo, mas posso criar algo para auxiliá-lo.
---Esta hora já passou, Éowyn, pois as lendas de Minas Tirith contam ...
---Contam...
---Apenas um grande bem pode libertar Anya, um grande bem. O que isso pode ser eu não sei.
Éowyn abraçou o marido, beijando seu rosto, seus olhos; o seu culto marido acreditava naquelas lendas, e apesar de Éowyn não sentir o mesmo, seu pai antes de perecer pelas mãos dos orc nojentos a ensinara: a fé torna a profecia real.
Sua mãe morrera de tristeza, como a dama enamorada por Boromir. Em um dia de escuridão, ela também brandira a espada, desesperada e sozinha, como seu esposo, o hobbit salvara sua vida, e evitara sua solidão.
---Deite, Faramir, feche os olhos e prometo que ao amanhecer irei trabalhar para ajudar a jovem ruiva a se libertar da maldição.
Faramir deitou-se ao lado da esposa, deixando-se acalmar, permitindo que a ternura de Éowyn, espanta-se seus medos. Contudo o princípe de Ithilien adivinhava a verdade: seus temores estariam vivos ao amanhecer.
Ele adormeceu sentindo a vigília constante da esposa, e com um pedido, e um pedido incapaz de ser atendido.
"Deixe-os livres da minha punição, deixe Éowyn e Echtelion, livres"
O LabirintoO rosto belo, em seu natural sem expressão, exceto o desprezo, naquele dia trazia um sorriso. E seus olhos acinzentados até mesmo brilhavam.
---Acorde, Igraine. – o toque dele sem gentileza, a despertou, como na noite anterior e nos dias antecedentes, havia uma fúria quase realizada em suas atitudes; parte de Igraine temia o que estava por vir, parte ansiava, pois a ferocidade daquele homem, aquela insatisfação constante, desesperado em tudo, sugando a vida, e bebendo e continuando com sede também atraía a haradrim, ela gostava, ela odiava.
Ela levantou ligeira, contudo seus passos não conseguiam acompanhá-lo, ele estava rápido, e a terra se dobrava a sua passagem, e as outras mulheres olhavam para ela com inveja. O homem dela era diferente. Era soberano sobre os outros.
Igraine poderia sentir pena da família do administrador da cidade, mas em fato ela sentia orgulho.
Ele era dela! Apenas dela!
Não importava se o amor sentido pertencia apenas a ela.
Doriath precisava dela.
Em um mundo onde os homens dominavam suas mulheres, e se todas eram submissas, pelo menos Doriath era um Senhor entre os homens.
Ela estava ao alcance da mão. E ele estava no topo.
Talvez ela sentisse pena do administrador e das crianças, talvez ela sofresse quando eles eram mortos.
Contudo ninguém sentira pena dela, ninguém viera por ela, e todos os que surgiram desejavam apenas criticá-la.
Doriath precisava dela, mesmo quando a desprezava. E para Igraine, distante dos contos de fadas e das mentiras dos elfos, ela era necessária.
E naquela manhã linda, em que cavalgavam juntos, ela era peça chave para o sucesso. Ela era a chave do labirinto.
O campo aberto e livre convidava Ecthelion a dar vazão a liberdade pulsante em suas veias. Seguido de perto pelo leal filho de Beregond, o garoto pouco se importava com a sua estranha imagem, um garoto de sete anos montando um belo cavalo, Arud, como fora batizado.
Ele sentia a brisa suave acariciando o seu rosto, satisfeita ao encontrar outro filho do vento.
---Não seja tolo, Bergil. Eu estarei próximo – berrou o menino tendo suas palavras carregadas pela distância.
Imitou o amigo Eldarion, e com as palavras aprendidas com ele, sussurrou palavras para o amigo de quatro patas; Arud respondeu a contento diminuindo a velocidade, até o filho de Faramir desmontar, aguardando Bergil se aproximar.
Logo, ele surgiu e não estava só. Dois cavaleiros estavam ao seu lado.
---Ah, Bergil, você tinha de fazer isso. Já disse várias vezes que não preciso ser protegido.
O cavaleiro desceu e olhou sorridente para o garoto: ---Espero que precise do seu pai.
A felicidade estampada no rosto de Ecthelion, Faramir guardaria durante toda a sua vida.
---Acredito que seja a hora de seu professor na arte da esgrima, ser substítuido, a despeito da excelência do seu professor.
Os olhos do menino brilharam:
---Pai?
---Sim, Ecthelion, a partir de agora, serei seu professor.
O outro cavaleiro desceu, tirando o elmo, revelando os cabelos dourados.
---Não seja muito generoso com ele, Faramir.
---Mãe!
---Estarei de olho em vocês. – e Éowyn se afastou, sorrindo, sob o olhar espantado do filho e brejeiro do esposo.
---Pai, de novo!
---Você não está se concentrando, Ecthelion! Em que está pensando?
O menino corou. Ele queria impressionar o pai, ele tinha tido sucesso com o tio. E com o pai...
---Nas suas expectativas. – respondeu com sinceridade.
---Não deve – Faramir discordou – em batalha seus pensamentos são apenas em sua espada e no movimento do seu adversário. A espada é você. Expectativas, entes amados, são importantes, mas não na batalha.- argumentou o pai. – Em luta, sua mente é o elemento mais importante, nunca o seu coração, muito menos sua vaidade.
---Isso não é vaidade, pai – arrematou o Ecthelion, contrariado.
Faramir baixou a espada, e olhou severo para o filho.
---Aprenda essa lição: a vaidade é o que desejamos que outros pensem de nós. E orgulho o que pensamos de nós mesmos. São utéis no dia a dia, em uma batalha são a causa da morte de muitos soldados.
O garoto não se deu por vencido, o conceito do pai contrariava as lendas, as grandes histórias dos guerreiros. Qual era o problema de ser admirado? E de se sentir bem com isso? O rei Éomer, seu tio era respeitado por ser um grande guerreiro. O grande Elessar não tinha enfrentado o Inominado em sua própria casa? E vencido. Ganhando fama e a mão da Estrela Vespertina.
---Pai, senhor – ajuntou com respeito, enquanto a espada tremia em sua mão sob o olhar perspicaz da mãe.- Enquanto ao rei,e ao tio Éomer. Eles não são orgulhosos e vaidosos?
Éowyn ergueu a sobrancelha, contudo de seus lábios nenhuma palavra saiu. Faramir havia se metido naquela história de conceitos, bem ele saberia a saída. E ela estava se divertindo. E aprendera como deixar o senhor das tradições sem palavras, faria o filho participar mais das reuniões, todos tinham muito a aprender com Ecthelion.
---Não – respondeu Faramir, seguro. – Seu tio e o rei Elessar possuem honra. Eles são respeitados pois todos sabem o que seriam capazes de fazer, no amor que sentem pelo seu reino. E na capacidade de se desprender do que lhe mais caro para defender a todos.
---Desprender?
---Sim, Ecthelion, desprender, como Frodo destruiu o Um e não mais vive na Terra-Média. Como seu tio Boromir, defendendo Minas Tirith e os hobbits, a Honra, filho, é o verdadeiro legado.
---Pai?
---Eu posso ser honrado?
---A honra habita no seu coração, mas você tem de treinar sua espada. A forma de lutar revela as qualidades do homem. Uma luta limpa, sem traições. E mesmo assim, você ainda verá a morte, apenas um homem honrado que lutou limpo, pode olhar para os olhos do inimigo sem culpa. Honra, Ecthelion. Vamos voltar a luta?
---Sim.
E as espadas brandiram novamente, golpes suaves, gentis quase, Faramir ensinava para o filho como mover os pés, a altura da espada, aulas ensinadas antes, contudo o garoto absorvia concentrado, Bergil e a mãe o ensinara; Faramir adiantava os conhecimento, ele ensinava Ecthelion os primeiros passos como homem.
Faramir rodopiava o filho sob os risos de Éowyn e Bergil, quando as trovoadas soaram.
O lago distante brilhante e cristalino tornou-se um vidro frio, como se o inverno caísse entre eles.
Em um salto, eles se uniram procurando ver o que seus corações sentiram: o perigo.
Os cavalos fugiram assustados, e som ritmo e pecaminoso feria os ouvidos, o som de corações se partindo unidos ao tambor da vitória dos criminosos.
"Não" – pensou Faramir, olhou para Éowyn e o rosto dela estava apagado pela névoa acentuado, uma parede se levantara entre eles.
---Bergil, tire-os daqui – gritou Faramir, mas a parede se erguia cada vez mais alta.
Um labirinto surgiu entre eles.
Bergil agarrou a mão da dama branca. E correu entre o labirinto.
---Bergil, solte-me, eu tenho de voltar.
---Não.
---Como não? – gritou Éowyn, histérica – esse maldito labirinto não irá me afastar de meu marido e do meu filho. Eu vou voltar.
Bergil tentou detê-la, contudo ela escapou de suas mãos, correndo sendo seguida pelo filho de Beregond.
---Milady – chamou Bergil.
Entre a escuridão, ele surgiu, os olhos acinzentados e os cabelos castanhos, segurando a senhora branca.
---Eu sabia que o encontraria. – exclamou feliz.
---eu também, milady.
Éowyn engoliu em secos, os olhos eram frios, e sem o calor da voz de Faramir.
Ele a segurou pelo punho, ferindo com sua mão pesada e cruel.
---como Denethor previu, uma mulher inferior.
Éowyn debateu-se, lutando contra o homem de Númenor.
---Solte-a! – exclamou Bergil, ao encontrar o casal, com a espada em punho.
Doriath gargalhou.
---Cale-se, o labirinto me protege, moleque. – exclamou com desprezo; Bergil prosseguiu, avançando sob seu opositor.
---Moleque! Eu disse para não se meter.
Obedecendo a voz do homem, o labirinto se moveu.
E Bergil também.
Enfrentando.
O movimento foi rápido, e Éowyn nunca vira ninguém lutar daquela forma... ele tinha fome de sangue. Independente do inimigo. Os primeiros cortes surgiram na pele de Bergil. E a cada corte um riso, e a cada gota que pingavam no solo, os olhos cinzas se tornavam negro.
Ela viu o rapaz perder o equilíbrio, e cair. Desarmada, pois o cavalo detinha sua espada, Éowyn faz a única coisa que poderia: saltou sobre o homem, utilizando suas unhas par rasgar a pele do demônio.
---Maldita – gritou Doriath, e ergueu sua mão veloz, vendo o arrogante olhar da esposa de Faramir.
A mão de Doriath deteve-se no ar.
---Ninguém toca na minha esposa – anunciou Faramir, segurando o braço de Doriath.
---Escapou do Labirinto? Pensa isso mesmo, Faramir, que depois de anos, me venceria tão facilmente?
---Bergil, tire Éowyn daqui, rápido.
O garoto ouviu a ordem e vencendo a lerdeza provocando pelo sangue que escorria, um sangue estranho vermelho misturado ao negro. Ele ergueu-se e puxou Éowyn, com uma força inesperada.
---Lembra-se de mim, Faramir?
Os pensamentos de Faramir deixaram a esposa relutante em partir e o leal Bergil fechados em um novo labirinto. E voltou-se para o estranho.
O rosto dele era familiar, e uma risada doce, invadiu sua memória.
Anya.
---Ouça-me, Faramir, não dê atenção a Doriath!
---Ele é melhor amigo de Boromir, Anya.
---Preste atenção, Faramir, ele é maligno. Não confie nele!
Doriath Celeb, o amigo de Boromir, expulso da cidade, antes da partida do irmão.
---Doriath?
---Sim. – baixou sua espada, pois o labirinto se movera novamente.
---Os ataques...
---Eu fico contente que tanto estudo tenha dado em algum resultado. Uma vez que sabemos como seu manejo da espada é deficiente. – escarneceu Celeb.- Agora, ajoelhe-se.
---Que absurdo! Eu nunca faria isso.
O outro riu.
---Nunca? Igraine, traga-o. – ordenou Doriath.
Uma mulher de cabelos negros surgiu, e seu filho estava com ela; a mulher acariciava uma faca no pescoço do filho.
Os olhos de Ecthelion retinha as lágrimas, e um pedido de desculpas, ele ouvira as vozes dos pais, mas eles estavam em outro sentido e o garoto pensou em pedir ajuda a bela haradrim em sua frente. E ela o levara até ali. Com uma faca.
---Ajoelhe-se, Faramir. Ou seu filho morre.
---Você não fará isso. Já foi um soldado de Gondor.
---E seu irmão me expulsou, Faramir, lembra-se disso? – aquilo ainda provocava dor em Celeb, talvez a única coisa que ainda doesse.- Boromir me expulsou por sua causa. Não serei indulgente com você, traidor. Ajoelhe-se, e não pense que a mulher está blefando. Ela é minha, Faramir, e meu desejo é uma ordem para Igraine.
A haradrim desceu a faca do pescoço para o braço, e afundou a lâmina para provar e o sangue de Ecthelion correu, e o garoto segurou o grito e as lágrimas, ao ver o sangue avermelhado escorrer pelo chão e os olhos de Celeb enegrecerem.
---Garoto corajoso. Tem certeza que é o seu filho, Faramir? Ajoelhe-se!
O movimento foi lento e doloroso. E os joelhos pareciam estar endurecidos. De repente, ele lembrou de suas próprias palavras, desistir daquilo que lhe era mais caro.
Ele teria de abrir mão de seu orgulho, naquele momento.
Quando finalmente ele se ajoelhou. Doriath, completou:
---Os orcs encontraram sua esposa e o moleque, Faramir. Eu levarei os corpos deles até você, em seu novo lar.
As palavras mal deixaram os lábios de Doriath, e os orcs surgiram, segurando o filho de Denethor, e cortando sua pele, até o sangue empapar sua camisa.
---não o matem, ele não serve morto. Faramir é o começo, será minha moeda de troca com o rei de Gondor. Leve o traidor e seu filho.
Dois orcs golpearam Faramir, que caiu em um sono inquieto.
---quando ele acordar, a mente dele estará aberta para a minha.
Igraine se aproximou junto com o menino silencioso.
--- Viu seu pai, garoto? Covarde,não é? Ele parece diferente quando não está cercado pelos soldados.
O menino ergueu o pescoço em desafio, segurando o braço, buscando reter o sangue.
---Você foi expulso de Gondor? Pelo meu tio? – o homem fechou o semblante. – Teria sido por covardia?
---não me faça perder a cabeça, garoto,podemos ser amigos.
---eu tenho amigos. Você não é um deles. – exclamou o garoto.
--- Veremos. Igraine, leve-o, vamos ver quanto tempo essa lealdade ao pai se mantêm.
O orc voltou do grupo, ferido, e a parede do labirinto se moveu.
Doriath fechou os olhos com raiva.
---Onde está o garoto e a mulher?
---O veneno, senhor, foi em excesso.
---Como assim?
---O veneno aplicado na espada, o senhor se excedeu, o menino se tornou furioso e matou vários de nossos orcs.
Doriath sorriu.
---não me importo. Onde o garoto e a mulher forem estaram levando a loucura, junto com eles.
E em breve, todas as cidades serão nossas. Eles espalharam a loucura.
O riso ficou preso aos lábios de Doriath.
Sua vingança começara.
Lady Éowyn
