A Fragrância do Amor
4 – O Presente do Admirador Secreto
No momento em que o bolo entrou na boca, o gosto do bolinho tocava na ponta da língua dela. Rin tinha sido tratada como uma criada normal por exatamente dois meses e seu rosto estava absolutamente encantado quando comeu essa iguaria.
- É realmente bom.
À medida que as duas garotas conversavam, uma amizade surgiu entre elas. Logo, a carruagem deixou os portões da cidade e durante o trajeto elas conversaram sobre muitas coisas. Logo a carruagem parou e a governanta Kaede informou respeitosamente.
- Senhorita Kagome, chegamos.
Kagome respondeu que tudo bem e ela e Rin para fora da carruagem. Um monge, que estava esperando, deu as boas vindas a senhorita. Parecia que a família Higurashi era um visitante regular do local. A governanta e os lacaios não podiam entrar, apenas Rin e Kagome. Elas trancaram a porta atrás deles. No salão em que elas entraram havia um enorme biombo que dividia o lugar. Kagome espiou através da janela para ver se estava tudo bem.
- Eri, então coloque minhas roupas, sente-se atrás do biombo e toque uma música no qin.
Para que ninguém do lado de fora descobrisse o que as duas garotas estavam fazendo dentro da sala, Kagome disse:
- Lembre-se, não pause por muito tempo. Se eles não conseguirem ouvir o qin, os monges e a governanta podem suspeitar e entrar para verificar você.
Ela disse isso enquanto apressadamente colocava sua roupa antes preparada. Ela apagou a maquiagem do rosto, transformando-se instantaneamente em uma simples criada. Depois deu suas roupas originais para Rin, que acabou por trocar também. Ela foi muito rápida, pois já havia feito isso outras vezes com a ajuda da outra criada que ficara doente, Hitomiko. Rin estava preocupada se alguém abrisse a porta e descobrisse que era ela que estava ali se passando por Kagome e que a mesma não estaria lá dentro, e sim saído para encontrar com o seu amado.
- Senhorita Kagome, vai voltar rápido?
- Vou. Eu voltarei quando tiver tempo.
Ela foi até um canto e de alguma forma abriu uma passagem secreta, acrescentando com presunção:
- Somente ele e eu sabemos sobre essa porta, ninguém mais.
Rin também havia visto passagens secretas na Residência Ducal Shichinintai. Parecia que toda casa grande teria alguns, então ela não podia deixar de sorrir e balançar a cabeça, enquanto a figura ansiosa de Kagome desapareceu. Ela sentou-se onde lhe pediu, as mãos ligeiramente tocando o qin. As cordas abaixo dos cinco dedos de Rin tiveram um toque acolhedor. Ela gostava de tocar o qin. Quanto mais rápidas as notas, mais se parece com vinho de alta qualidade, que possui a capacidade de intoxicar o bebedor completamente.
Na Residência Ducal Shichinintai, ela era uma jovem lendária. Nem muitos a viram pessoalmente antes, mas todos sabiam de suas táticas de batalha, trabalhos de bordado e suas habilidades de tocar belas melodias no qin. Mesmo o rei sabia que havia uma serviçal de alto nível que trabalhava para o Duque de Shichinintai.
Rin levemente tocou uma única corda, deixando a nota de baixo pendurada no ar como um aperitivo fascinante antes de uma grande festa. Profundo, não contundente, porém altamente melódica. Depois das notas profundas vieram uma melodia feliz e aguda. Era como uma garça graciosa batendo suas poderosas asas, subindo por uma floresta verdejante ao amanhecer. Os cantos da boca de Rin se transformaram em um sorriso, enquanto seus dedos dançavam nas cordas. A música continuou a fluir, deixando seus ouvintes suspirarem com prazer.
Ela já estava cansada depois de tocar só uma música. Rin alcançou seu lenço e apagou o suor do rosto. Lembrou-se do que a senhorita Kagome lhe contou quando estavam dentro da carruagem e deu um sorriso amargo.
- Você deve continuar tocando o qin, mesmo até que sua mão sinta câimbras e venha o cansaço. Isso mostrará o quanto você sabe sobre este instrumento.
De repente, ela ouviu uma voz de homem na porta.
- Eu nunca ouvi essa melodia celestial em toda a minha vida. Posso ver o rosto divino da senhorita que é capaz de tocar essa música?
Sua voz parecia educada e fazia com que uma pessoa se sentisse relaxada. Rin entrou em pânico. Quem poderia ser?
"- Esta pessoa deve ter ficado de pé lá fora por um longo tempo, esperando que eu terminasse de tocar a música! Ele deve ser alguém que tem um bom conhecimento musical!"
Rin imediatamente ficou um pouco nervosa porque ela esqueceu temporariamente suas ordens.
"- Vai Rin! O que exatamente você está fazendo no país do inimigo? No momento, a senhorita Higurashi está com o seu amado, então, se esta pessoa entrar, nosso segredo será descoberto e estaremos perdidas!"
Ela usou o polegar para arrumar suavemente uma corda. No entanto, antes que ela pudesse continuar, a pessoa entrou de repente no salão, mas não pôde vê-la por que Rin estava atrás do biombo.
- O som do qin da senhorita está cheio de arrependimento. Eu gostaria muito de vê-la. Como parece que você não deseja que eu veja o seu rosto, então só posso aguardar por este momento em outro dia destinado.
Um cavalheiro tão educado. Rin esperou por um momento, escutou com atenção a porta bater e ela lentamente começou a sorrir. Silêncio. Ela espiou pela fresta do biombo e foi até a janela e olhou para fora. Ninguém estava lá, exceto a governanta e os lacaios com a carruagem.
"- Ele já partiu."
Um olhar de penitência piscou em seus olhos quando seu coração começou a se acalmar. Enquanto Rin olhava pela janela, pensou que o estranho poderia voltar e voltou a tocar o qin por mais um tempo para despistar os outros de fora. À noite, a senhorita Kagome voltou pela passagem secreta. Seu rosto estava corado e ela parecia ter tido um dia muito feliz. Kagome e Rin trocaram roupas e informaram a governanta Kaede que podiam voltar para a Residência.
Na carruagem, Kagome tagarelou para Rin sobre seu amado de forma emocionante. Quando ela chegou aos momentos mais felizes, ela não pôde evitar cobrir sua boca e rir alegremente. Rin viu o quão feliz ela estava e sentiu-se muito feliz por ela.
- Suspiro, o dia passou muito rápido. - Então Kagome suspirou novamente - Não seria bom se eu não tivesse que me casar?
Rin pensou sobre o quão estranho era.
- Se o senhor Higurashi realmente se importa com senhorita, então por que ele firmou um contrato de casamento com o filho da família Akitoki sem antes consultar seus sentimentos?
O rosto de Kagome escureceu na menção do casamento.
- Papai pode me amar, mas esse negócio está em competição com a família Setsuna, que é a qual meu amado Inuyasha pertence. Papai odeia o senhor Gatemaru, o chefe da família Setsuna. Ele jamais permitiria que eu me casasse com o filho da pessoa que ele mais odeia. Não diga isso a papai ou ele vai me fazer casar ainda antes.
- Senhorita, seu casamento com o filho da família Houjo está se aproximando rapidamente. Você não poderá ocultar seus sentimentos pelo Inuyasha, o filho dos Setsuna por mais tempo.
- Sim, eu sei ...
Kagome suspirou e olhou para Rin. De repente, ela teve outro pensamento e agarrou a mão de Rin, suplicando:
- Se você não terminar minha roupa de casamento, isso significa que eu não tenho que me casar? É uma boa ideia, basta fazer um pequeno buraco na roupa do casamento todos os dias e fazer com que a babá Kaede e as outras costureiras trabalharem mais! Faça isto, Eri, por favor?!
Ela piscou as pestanas, claramente satisfeita consigo mesma. Rin riu e revirou os olhos para essa ideia infantil. Ela estava prestes a dizer a Kagome que isso não funcionaria quando a carruagem parou. Uma multidão de homens desconhecidos as rodeou e fechou-se lentamente. Havia cerca de dez deles, e todos estavam montados em cavalos. Esses homens estavam vestindo roupas camponesas, mas sua expressão era muito educada, enquanto suas ações eram muito coletadas. O sol estava começando a se pôr e a carruagem dos Higurashi ainda estava fora da cidade. Não havia outros viajantes na estrada. Os lacaios sabiam que, se fossem atacados por bandidos, não havia como defender-se. A governanta Kaede finalmente criou coragem, mal conseguia ficar na frente da carruagem, seu rosto carnudo se agitando quando um jovem, que parecia ser o chefe, saiu do cavalo.
- Senhor, a senhorita a quem sirvo está nesta carruagem. Nós estávamos apenas retornando do santuário dos monges que fica na colina, então nós doamos a maior parte do nosso dinheiro. Não tem muito...
O jovem estava com um ar de importância e viu como a governanta balbuciara tão mal. Ele riu:
- Criada, você me entendeu mal. Estou aqui em nome do meu Mestre. - voltando à carruagem, ele falou novamente - Por favor, desculpe minha descortesia, senhorita, e aceite isso.
Kagome não tinha certeza do que estava acontecendo, mas achou tudo muito divertido.
- O que você vai me dar?
- A técnica de qin da senhorita foi espetacular. O Mestre pediu-me para dar-lhe este presente, este guqin, para a senhorita.
Rin fez um pequeno sinal de reconhecimento e de repente se lembrou do homem que havia entrado no salão e queria vê-la. Ela se inclinou para trás para sussurrar na orelha de Kagome.
- Quem é seu Mestre? - perguntou Kagome.
O jovem respondeu educadamente:
- Por favor, perdoe-me, senhorita. O mestre deseja manter seu nome em segredo por enquanto. Mas o Mestre disse que, quando chegar a hora certa, ele virá vê-la novamente.
Depois de dizer isso, ele se curvou novamente e cuidadosamente deu o guqin à governanta. Então ele voltou para o cavalo e saiu. Os outros o viram partir e, gradualmente, seguiram o exemplo. A governanta viu que todos tinham saído e imediatamente relaxou. Passou o guqin para as mãos de Kagome dentro da carruagem e riu:
- Isso foi surpreendente! Hehe! A senhorita deve ter tocado muito bem hoje para ter atraído um homem tão rico. Foi mistificador!
Kagome piscou para Rin e sussurrou:
- Então você é boa no qin, hein? Eu não poderia imaginar!
Rin se inclinou e observou o guqin. O corpo do qin era feito de madeira velha de Paulownia e apenas tocando-o com um simples dedo deixava um som sonoro. Rin de repente ficou pálida.
- Um guqin feito de madeira de Phoenix Paulownia*?
Um instrumento musical como o guqin feito de madeira de Paulownia Phoenix era extremamente raro. Era algo que mesmo o dinheiro de seu Mestre não podia comprar. O proprietário anterior deste item deve ser alguém especial, para distribuir um item tão precioso como um presente.
- Um bom instrumento como este qin entregue como um presente para uma beleza rara, hein. Eu involuntariamente peguei uma garota talentosa. Interessante, muito interessante.
A senhorita Kagome declarou, parecendo muito feliz e cutucou Rin.
- Esse homem disse que vai vir vê-la, tenho certeza que ele está interessado em você.
Nos reinos de TerraNorte e TerraOeste as mulheres ricas não tinham dificuldade em falar sobre o amor.
"- Interessado em mim?" - Rin pensou e tocou o qin.
Seu coração bateu acelerado e ela não tinha certeza do que fazer. Esse homem que deseja muito conhecê-la era de fato muito astuto, suas ações eram muito rápidas e não eram muito lentas. Primeiro, ele entrou no salão sem ser notado pelos outros e ficou ouvindo a música quando Rin tocava o qin. Depois, ordenou aos seus lacaios interceptar a carruagem e o jovem que o serve entregou a mensagem perguntando para se encontrar, embora deixando sem dizer uma palavra ou mesmo revelando seu nome e por último, deu lhe um qin caro. Tudo foi claramente calculado com diferentes motivos, assim como a arte da guerra. Embora não tivessem se encontrado ainda, foi o suficiente para despertar a curiosidade de Rin.
- Eri - a senhorita Kagome a cutucou e riu - olhe para você, está corada!
Rin riu timidamente em resposta, mas seus olhos nunca deixaram o guqin.
"- O reino de TerraOeste não é um parque infantil, eu tenho que ficar alerta".
Continua...
Guqin: nome moderno do qin, instrumento musical da família das cítaras.
Paulownia é um gênero botânico pertencente à família Paulowniaceae. É uma árvore de crescimento rápido originária da Ásia de folha caduca. É uma espécie nova e exótica. Que produz uma madeira nobre e dura, muito leve, forte e resistente. Ao fim de oito anos cada árvore dá cerca de 1,3m³ de madeira e regenera-se cerca de oito vezes. É nativa da China, Laos e Vietnã, e originária e cultivada por muito tempo na Ásia oriental, principalmente no Japão e Coreia. Suas utilizações são múltiplas, desde a madeira à biomassa, passando pelo mel e forragem para animais, e fabrico de pasta de papel. O gênero Paulownia foi nomeado em homenagem a Ana Pavlovna da Rússia (1795–1865), filha do Csar Paulo I da Rússia.
