ZEN
Capítulo IV – Anjos e Demônios.
03 de Janeiro. 07:00 PM. Koneko no Sume Ie.
A neve cai novamente lá fora e se acumula na janela de forma quase ornamental. O céu da noite que começa a se precipitar está nublado, triste e cinza, como o coração do ruivo sentado no chão, ao lado da cama. Sua cabeça está caída sobre o colchão, sua mão enlaçada nos dedos pequenos, frios e levemente trêmulos. Nem o consolo daqueles olhos azuis é concedido a esse coração destruído...
Por sua culpa está prestes a perder a pessoa mais importante de sua vida sem nem sequer ter confessado a extensão de seu amor. Sua covardia os manteve afastados por tanto tempo e agora não há como adiar o inevitável, não há como voltar no tempo. Se pudesse... Mudaria seu modo de agir. Pelo menos teria dado um pouco de felicidade a sua vida e à de Omi.
Hermione entra devagar e se senta ao lado do ruivo, no chão, e os dois se encaram. Os olhos dele estão vermelhos de tanto chorar, deixando de vez sua máscara de frieza guardada em um canto esquecido de sua mente. A dor fazendo-o parecer muito mais velho.
- ...! – Hermione quase diz algo, mas o sofrimento dele a paralisa, mantendo-a em silêncio.
Aya pensa em falar, mas sua voz não sai, a garganta apertada pela vontade de gritar e exigir que lhe devolvam o seu garoto. Espera dela a esperança, mas logo percebe nos olhos tristes da moça que esta não existe.
- Desculpe, Aya. Ainda não consegui chegar a um antídoto. – Ela abaixa a cabeça, frustrada, entendendo toda a dor da perda, imaginando o que sentiria se perdesse Rony.
- Não pense assim. A culpa não é sua. – O ruivo pega as mãozinhas macias da garota nas suas, fazendo-a levantar os olhos para observá-lo.
- Sempre tive a pretensão de ser a melhor, mas hoje sinto que nada sei. E eu prometi a ele que o salvaria. – Diz, sentindo-se aflita por ele.
- O culpado é aquele homem... Mas o pior é que nem posso me despedir. Desperdicei tanto tempo temendo dizer o que sentia e agora imploro por algumas migalhas deste mesmo tempo. Só alguns segundos para poder dizer o quanto eu o amo. – Confessa, sendo sincero.
- ...! – Essas palavras a atingem intensamente, pois percebe o quanto é parecida com tudo aquilo. Ela também teme expor-se, revelar a intensidade de seu amor.
"E se eu também o perdesse sem dizer o que sinto?" – Aperta as mãos de dedos finos, fria como se toda a solidão do mundo o tivesse chamado para si.
Hermione não segura o ímpeto e o abraça com carinho. Inicialmente, há uma resistência a esse contato, mas logo é correspondida, as lágrimas e os soluços ecoando pelo quarto. Sabe muito bem como esse desabafo é difícil para ele, uma pessoa acostumada a esconder-se por trás de uma máscara de indiferença. O observara bem nos últimos dias, mas este é seu eu verdadeiro, esgotando todo o sofrimento que o corrói por dentro, no entanto, este momento logo passa e percebe que ele assumiu uma postura de decisão, separando-se do abraço.
- E você acredita que poderia encontrar a cura... Se tivesse mais tempo? – Ele diz com olhar decidido.
- Sim... Mas... O que você está pensando fazer? – Hermione não gosta da intensidade nos olhos violeta, como se fosse transgredir alguma regra.
Ele se levanta e vai até a escrivaninha de Omi e procura sem qualquer cuidado por algo e logo volta. Traz consigo uma ampola da droga e uma seringa e sem delongas, se senta novamente no chão, começando a encher a injeção com o líquido.
- Você não pode fazer isso! Ele não quer. – Segura forte a mão do rapaz.
- Se ele estivesse no meu lugar, faria o mesmo. – A decisão em seus olhos faz com que a garota o solte.
- Mas... – Pensa em falar algo, porém sabe que nada mudará a decisão de Aya.
- Ele pode até me odiar depois, mas o que importa é ter mais uma chance de salvar a vida dele. – Diz olhando o jovem deitado na cama.
O espadachim injeta com todo cuidado o líquido nas veias do garoto. Logo vê que a palidez vai diminuindo, a respiração ficando mais forte, a letargia desaparecendo... A aparência do garoto começa a assumir os traços finos e a beleza angelical que Omi sempre teve. A inconsciência começa a dar lugar a um sono, perturbado sim por algum tremor, a droga provavelmente fazendo o seu efeito natural, mas sua expressão parece tranqüila, não mais aquela de puro sofrimento que se tornara comum nos últimos dias.
- Acho melhor você ir, Hermione. Ele vai acordar bravo. – Ele sorri. – Nós vamos ter de nos entender.
- Eu vou. Tenho muito trabalho... Um antídoto pra descobrir. – A garota se levanta. De pé, antes de sair, ela coloca a mão no rosto que já volta a parecer novamente o belo ruivo que a impressionou em sua chegada. – Boa sorte! Desta vez fale o que sente, esta é a segunda chance que você pediu.
Os olhos violeta acompanham a saída da moça, que ainda lança um olhar para ele ao fechar a porta. Ele fica ali, sentado no chão, por um bom tempo, a madrugada chegando e o encontrando desperto, observando cada mudança naquele corpo adorado, tão castigado nos últimos dias, os lábios deliciosos voltando a sua cor natural. Isso o faz se ajoelhar e aproximar-se, beijando aqueles que tanto desejara... Eles são quentes e macios, como imaginara, tendo um leve sabor que lembra morango. O beija novamente, desta vez segurando o seu rosto, logo sentindo ser correspondido.
O ato que se iniciou calmo vai se intensificando, tomando aquela boca com mais ânsia, percebendo que o mesmo acontece com o garoto. Logo os dois estão em um beijo ardente, passando seus braços por seu corpo ainda tão frágil ao mesmo tempo em que sente o calor daquele abraço, o contato da pele macia... Mas de repente o garoto pára, tenta se soltar do abraço e o empurra.
- ...! – Aya se afasta, ficando de pé, sabendo muito bem o que o espera, vendo que Omi se apóia e senta devagar, sem tirar os olhos do rosto do ruivo.
- O QUE VOCÊ FEZ? – Vê ira em seus olhos, enquanto o loirinho se levanta com um pouco de dificuldade.
- Ganhei algum tempo pra você. – O líder dos Weiss não se abala, pois sabia muito bem que esta seria sua reação. Tomara a decisão consciente disso.
- Eu te implorei pra não fazer isso. Mas você fez. – Lágrimas surgem no rosto jovem, desesperado com as conseqüências desse ato.
- Fiz... – Responde sem deixar de fitá-lo nos olhos.
- Eu não quero ser eternamente dependente dessa porcaria. Quero ser livre pra pensar por mim mesmo. Quero... Quero... – Omi vai perdendo as forças, a consciência do que aconteceria dali pra frente deixando-o fraco.
- Omi, me perdoa. Eu... – Aya se aproxima, ficando tão perto que pode sentir o calor de seu corpo e a respiração ofegante. Coloca a mão em seu queixo e levanta seu rosto. – Não queria te ver morrer. Eu te amo!
- Você está mentindo! – Omi o empurra com força, afastando-se, olhos cheios de lágrimas. – Está com pena de mim. Fala isso só pra me consolar, como fez logo que descobriu o que houve.
- Isso não é verdade! – Ele se aproxima, segura o braço do garoto, mas este o puxa com força. – Eu te amo! O meu erro foi só ter dito isso agora.
- Você... Você... Disse que eu era como um irmão... – Ele limpa as lágrimas esfregando o braço no rosto. Ainda está confuso e não consegue acreditar nas palavras de Aya. – Você está com pena... Não quero pena de ninguém.
- Eu... Precisava de uma segunda chance. – O ruivo se aproxima e o segura pelos braços.
- Se-segunda chance?! – Omi está trêmulo, levantando o rosto para observar as duas esferas violetas.
- Para poder dizer que te amo mais do que tudo. Que seus olhos me fazem ficar perdido... – Vê a raiva desaparecer das duas safiras, que começam a brilhar. – E eu não podia te perder. Você é tudo pra mim! Sem você, nada mais tem sentido.
- Ah... Aya... Quanto tempo eu esperei por isso! – As lágrimas de amargura sendo substituídas por outras de felicidade.
Omi se aproxima de Aya, devagar, encantado pelos sentimentos que as palavras do ruivo despertam em seu coração. As mãos pequenas e suaves enlaçam seu corpo, que se perde em sensações, no carinho que brilha nos olhos safira, nas palmas que se aconchegam na face branca, nos dedos que enlaçam as mechas ruivas. Olhos nos olhos se aproximam, o beijo com gosto de ternura acontece... Na verdade, é a ansiedade de quem voltou dos mortos para encontrar aquilo que tanto procurava.
O amor entre os dois é palpável, mas os sentimentos represados por tanto tempo exigem dos apaixonados, se tornam tão grandes e tão fortes que eles não conseguem segurar os impulsos que os dominam. Mãos e lábios se procuram cada vez mais... E o beijo vai ficando cada vez mais intenso, enquanto as mãos do ruivo passam por baixo da camiseta, tocando de leve a pele macia, toda arrepiada.
- Eu fui um covarde... – Toma os lábios inocentes novamente.
"Aya..." – Omi o observa com carinho, encarando suas íris violeta entre os beijos.
- Você estava chorando! – Passa a mão pelo rosto que fora lavado pelas lágrimas.
Aya toma seus lábios novamente, abraçando com força esse corpo que quase perdera. As mãos pequenas acariciam o rosto ainda triste, as safiras encarando as violetas enquanto o beijo fica ainda mais intenso, mas o ruivo então pára completamente, envolvendo o pequeno loiro com seus braços, bem apertado, como se temesse que ele lhe escapasse e Omi fica surpreso, encarando-o novamente.
- Você não me quer? – Há certa decepção em sua voz, a sua companheira de tanto tempo.
- Quero mais do que tudo. Desejo cada centímetro de seu corpo. – Ele o olha com ternura. – Mas não assim. Eu sei que você está sob o efeito da droga. Vamos encontrar a cura e aí você vai ser livre. Vai ter pleno domínio de suas sensações.
Apesar de saber que o ruivo está certo, o garoto se sente frustrado. Pode ter a droga em suas veias, mas naquele momento está lúcido, ele mesmo comanda suas ações. Afasta-se com raiva por se sentir um prisioneiro de algo que o quer dominar. Um obstáculo para sua felicidade.
"E se nunca encontrarmos a cura?" – Fica ali, próximo da porta, com um Aya ainda aturdido. Percebe que sua reação fôra inesperada e fica alguns minutos tentando aceitar as palavras do ruivo, que tinham lógica, mas não consegue entender. Pára então e o encara.
Omi está tomado pela paixão, por aquele sentimento forte, que sabe que é verdadeiro e na ânsia de segurá-lo, de não deixá-lo escapar, se aproxima e, a cada passo que o ruivo se afasta, dois passos seus o aproximam, como uma dança cadenciada, até as costas do ruivo encontrarem a parede atrás de si.
- Se você está cheio de escrúpulos, eu não estou. – A respiração do garoto é ofegante, sua expressão intimidadora, fazendo o ruivo engolir em seco.
O loiro abre a camisa branca de Aya com violência, arrancando os botões e os olhos violeta arregalados pela surpresa. Se há algo que nunca esperou do seu loirinho, é exatamente isso. Essa agressividade...
- Omi, pára com isso. A droga... Ela está te deixando assim. – Os olhos azuis brilham de desejo. – É exatamente o que você não queria.
- É a droga mesmo... Ela está me roubando a oportunidade de ter aquilo que mais desejo. – Coloca a mão em seu peito para impedi-lo de se mover.
- Omi... – Aya tenta argumentar, falar algo...
- E seu eu morrer? – O pequeno sussurra e logo ataca o pescoço alvo com ânsia, mordendo e sugando com violência.
Aya se segura, pois acredita que todo aquele fogo não é natural do seu menino, afinal, ele sempre está corando, olhando com timidez... Seria incapaz... Ou não? E a sua língua quente vai descendo, deixando um caminho úmido por seu peito, arrepiando sua pele, obrigando-o a morder os lábios, tentando conter-se, um leve gemido escapando de sua boca. Tenta afastá-lo de si, o segura pelos ombros e tenta apartar-se... Mas as mãos antes delicadas seguram seus pulsos com força, prendendo-os contra a parede, surpreendendo-o, enquanto a boca exige que ele corresponda ao beijo, com os lábios macios, os dentes atrevidos e a língua travessa.
Aya sabe, poderia resistir, é claro, sua força é muito maior que a dele, mas não consegue... Ou será que realmente não quer? Omi está tão sensual, tão intenso, que os olhos violeta têm de se fechar para não se excitar... Tenta resistir, não quer que as coisas sejam precipitadas, teme pela integridade dos sentimentos de seu Omi, mas estar assim em seus braços é tão embriagador... Não consegue firmar a mente, não consegue sincronizar pensamentos e ações...
- Omi... Não... Pára... – Aya ainda tenta resistir, mas a boca exigente aprofunda-se em um novo beijo, quase o leva à loucura...
As mãos descem pelos braços, liberando os pulsos que já não oferecem resistência. Deslizam pelo corpo, se esfregando indecentes pelo peito, cintura e abdômen, encontrando o cós da calça e o botão. Os dedos se insinuam ali, e o abrem com determinação. Omi separa os lábios e fita o rosto do ruivo perdido na paixão das suas carícias... Vendo que as pálpebras se abrem revelando as ametistas escurecidas de desejo e, olhos nos olhos, as mãos firmes e insolentes avançam... Acariciam... Instigam... Exigem!
Aya então não pode mais resistir. Toda a intensidade do que sente por ele despertando, quase insano. Segura o pulso do loiro com força e em um único movimento responde ao convite lânguido de Omi e agora é o arqueiro encostado à parede sob o corpo do ruivo que o pressiona, é o garoto que se incendeia sob o domínio das mãos do espadachim... Mãos que respondem com presteza às provocações do corpo quente e sensível ao toque.
O ruivo toma seus lábios ardorosamente, não podendo mais conter o desejo que o vem dominando por tanto tempo. Quem está ali em seus braços é Omi. Ele, com quem tanto sonhara por tanto tempo. Pode senti-lo... Pode tê-lo... Captando seu perfume suave de flores, a doçura de seus lábios quentes, a respiração, o coração batendo rápido. Tudo nele é saboroso! Tentou manter-se inteiro, frio, sabendo que a droga pode estar agindo sobre Tsukiyono... E não é justo tê-lo neste momento.
"Mas é o meu Omi!" – E como saber se aquela intensidade não vem do próprio garoto e da paixão que sentem um pelo outro? Sente-se agora num outro mundo, tentando esquecer a realidade que os cerca. O que importa é que o seu garoto está em seus braços, cheio de amor e desejo... E isso o excita demais.
Aya o abraça, como se pudesse se fundir com o loirinho subjugado em seus braços, sem demora o pega no colo e o leva até ao lado da cama, colocando-o no chão, deslizando a mão sob a camiseta do garoto, puxando-a com delicadeza, expondo-o aos seus olhos e então beija seu peito freneticamente.
- Ahmm... – O corpo pequeno treme e Omi joga a cabeça para trás, fechando os olhos para curtir cada instante.
"Quero vê-lo!" – Com o mesmo toque sutil, tira lentamente seu short, deixando-o nu, voltando a seus lábios, podendo sentir o nervosismo do momento em seu leve tremor.
Aya tenta se conter o máximo possível à visão do lindo corpo... A pele clara e sedosa arrepiada para seu deleite, o rosto rubro de excitação... E o que é aquele piercing adornando o umbigo perfeito? Oh! Seu próprio corpo não quer ser controlado... Nem sua mente quer, e o ruivo simplesmente avança e os dois caem juntos na cama e na urgência do desejo termina de abrir e retirar sua calça.
Eles se olham... Se adoram com o olhar, as mãos acompanham o caminho dos orbes, levando os dois a se renderem um ao outro movidos pelo instinto. Cada toque revelando toda a intensidade do amor que sentem, ao qual timidamente se entregaram no início, mas que agora se intensifica, parecendo mais uma loucura.
Dessa vez é a língua do ruivo que explora o pequeno corpo de pele macia. Desce por seu pescoço, peito, chegando até os mamilos, onde passeiam devagar, fazendo gemidinhos saírem de sua boca entreaberta... E a boca vermelha continua seu caminho, seguindo pelo abdômen, parando para explorar o umbigo, passando repetidas vezes a língua no piercing, deliciado ao sentir Omi se remexer sob seu corpo, e só então vai para a virilha, chegando devagar ao seu objetivo, tocando-o delicadamente com sua língua.
- Ah... Aya... Eu... Ahmmm! – Sua respiração pára quando sente a boca quente tomando seu membro completamente, fazendo-o ficar cada vez mais excitado.
Omi se agarra aos lençóis, enlouquecendo com a sensação, pequenos choques percorrendo todo seu corpo. Os movimentos, os carinhos, mordidas e lambidas, tudo fazendo com que ele delire. Tenta segurar-se, entregar-se a esse momento, fazê-lo durar eternamente... Mas sua inexperiência faz com que já não consiga se conter...
- Aaahhhh!! – Omi geme alto, gozando na boca do espadachim, que parece deliciar-se, olhando para ele com um olhar divertido.
Aya volta novamente a sua boca, dando-lhe a oportunidade de experimentar seu próprio gosto, sorrindo levemente quando percebe a estranheza que este lhe causa. Beija-o mais uma vez repleto de desejo... Desejo de que a primeira vez do seu pequeno seja perfeita. Deita-se sobre seu corpo, afastando levemente suas pernas, colocando-se entre elas.
- Você quer... Realmente? – Ainda preocupado com seu estado.
- Eu sempre te quis... – Aproxima-se da orelha do ruivo. – Sonho com você há muito tempo.
O espadachim puxa-lhe levemente a perna esquerda para que se dobre sobre a sua, facilitando que sua mão passeie por seu períneo, fazendo-o se mexer em reação, provocando o corpo dele, novamente despertando sua excitação. A mão volta sem pressa, já tendo cumprido seu objetivo e dois dedos percorrem a boquinha rosada, umedecida pelos beijos, invadindo-a devagar, brincando com sua língua de forma divertida.
Omi entra no jogo, sugando sensualmente os dedos finos, tentando esconder a ansiedade que o domina. Os dedos ora passeiam pelos lábios delicados, ora se entregam à carícia deliciosa de sua língua, pequenas mordidinhas excitando o líder dos Weiss ainda mais. Eles então a deixam, um sorriso maroto passeando nos lábios do ruivo, os olhos violeta observando as safiras de forma maliciosa. O garoto percebe o que vai acontecer agora, piscando de forma nervosa, mas sorrindo para que Aya saiba o quanto o quer.
Os dedos descem devagar pelo flanco do seu tórax, da sua cintura, do seu quadril, brincando com ele... Provocando-o. Omi sabe o que vai acontecer, mas o ruivo se aproxima e lhe nega a concretização de seu desejo, então lhe dá um olhar interrogativo, vendo novamente aquele sorrisinho maroto em seus lábios.
"Desde quando Aya sorri assim?" – Percebe então uma nova faceta de sua personalidade que o agrada.
Omi sorri maliciosamente para ele, mesmo que o nervosismo o deixe tenso. Prefere que ele seja direto, temendo perder a coragem de enfrentar a dor, mas ao mesmo tempo se diverte com o lado levemente sádico do ruivo. E quando está completamente perdido nesses pensamentos, sem a expectativa de antes... Só então os dedos o penetram devagar.
Ondas de prazer invadem o corpo do loirinho, uma mistura de dor e prazer, fazendo-o fechar os olhos a fim de curtir cada instante, e os dedos brincam dentro dele, como haviam feito em sua boca, tocando devagar, despertando no chibi a tentação de tê-lo dentro de si... Ansiedade para experimentá-lo. Então os dedos ágeis atingem sua próstata, fazendo-o levantar levemente, ondulando o quadril, pedindo por mais.
- Ahmm... Aya... Quero você... Eu quero... – Puxa o ruivo para si, pedindo, implorando por mais do que seus dedos. Gritinhos quase histéricos saindo de sua boca. Seu membro pulsando de prazer, ficando claro que novamente não conseguirá resistir, mas os deliciosos dedos o deixam então, no exato momento em que ultrapassaria o limite e chegaria ao orgasmo. Os olhos azuis fitam o rosto adorado, vendo nele de novo o sorriso que o provoca. – Não! Eu quero...
Aya finge não ouvir suas súplicas, lhe negando o prazer que seus olhos suplicam, que sua boca e seu corpo anseiam. Volta a beijá-lo, sentindo que todo o seu corpo treme sob ele, desejoso de ter muito mais do que tivera até agora. E quando seus lábios já estão intumescidos de tantos beijos, começa a penetrá-lo lenta... Muito lentamente.
A expressão do pequeno é marcada pela dor do momento, mas logo se rende ao prazer que isso provoca, gemendo baixinho, querendo mais, mas a brincadeira do ruivo não terminara. Ele quer o pequeno implorando sempre por mais, isso lhe dando um prazer imenso. Mantém um ritmo compassado, mas lento, o corpo adolescente acompanhando sua cadência, fazendo movimentos que fazem seu membro tocar e sentir todo o calor do seu chibi. Percebe claramente que seu interior pulsa e deseja, fazendo-o sentir-se acolhido, aumentando ainda mais o seu prazer.
Mas logo o desejo juvenil quer mais novamente, implorando com seus movimentos que o ritmo aumente, que seu membro o penetre ainda mais, com mais força. A mão macia do ruivo tocando seu membro sedento, próximo de um novo gozo, para logo o deixar sozinho, desejando seus dedos em sua pele sensível. As safiras se tornam tórridas, o prazer explodindo naqueles olhos antes tão inocentes, tão tímidos.
- Aya... Eu te quero... Por favor... Ahhh... – Sente então o membro penetrá-lo com força, fundo como ainda não fôra, passando pelo segundo ponto de resistência, causando-lhe novamente a dor prazerosa e alcançando o ponto especial do prazer, levando-o à loucura.
O ritmo então se acelera, com força, já vencendo a resistência, só lhe dando excitação. A mão tomando-lhe o membro já altamente sensível e logo o garoto chega ao clímax novamente, gritando roucamente, mas sem poder relaxar, pois a luxúria já o toma de assalto e o leva a um ponto em que já não sabe se perdeu a razão. A consciência quase deixando seu corpo, colocando-o em um mundo irreal, onde só existem os dois e o prazer que dão um ao outro.
A força do que sente logo faz o ruivo esquecer todo o joguinho divertido que faz com seu loiro. Agora só o quer, deseja estar ali, dentro dele, sentir seu calor, seu acolhimento. Morde os lábios, tentando segurar seu clímax o maior tempo possível, aproveitando cada momento... Cada gemido... Seu coração disparado, sua respiração ofegante aumentando seu prazer. Penetra com força o pequeno corpo, sentindo a resistência, mas logo essa cessa, ficando a sensação gostosa de sentir-se bem vindo, como se seu lugar fosse ali. O suor escorre por seu corpo, suas gotas se misturando com o gozo do seu pequeno, já enlouquecido.
- Omi... – Aya geme enrouquecido o nome do amado. Nunca o vira tão belo, tão delicioso. Ah! Como desejara esse corpo. Quantas noites despertara excitado, ainda com o gosto desses lábios rosados em sonhos que o perturbavam. Com isso chega ao seu momento, preenchendo o pequeno corpo com seu sêmen quente, gemendo alto, jogando a cabeça para trás.
Seu corpo desaba ao lado do seu garoto, os dois suados e ofegantes, extremamente cansados para falar. Somente consegue abraçar o pequeno corpo, decorar cada detalhe de seu rosto, afagando com carinho seus cabelos molhados. Deseja tê-lo em seus braços para sempre!
Aya sente a respiração de Omi ficar mais tranqüila e percebe que seus olhos estão fechados, um leve ressonar embalando o seu sono, afinal, ele passara por muita coisa nos últimos dias. Puxa-o para si, desejando protegê-lo das maldades do mundo que já o haviam atingido. Nota com tristeza que a palidez começa a aparecer novamente, revelando como a droga cria uma dependência voraz. Abraça-o então com mais intensidade, desejando com todas as suas forças nunca mais sentir a dor de perdê-lo.
ooOoo
Alheios ao que acontece no quarto, Ken e Yohji aguardam na sala a hora de saírem para a missão. Não conseguiram dormir. Hermione já os tranqüilizara quanto ao estado de Omi, não que a solução os deixasse felizes, mas pelo menos aliviados... Toda a situação fora demais para eles. A dor que sentem é tão intensa... Mas tentam disfarçar o máximo que podem, não querendo demonstrar um ao outro o quanto se sentem frágeis nesse momento, no entanto, os muitos cigarros já fumados no cinzeiro ao lado da poltrona e o andar interminável do jogador já são os melhores sintomas disso.
Harry e Rony os observam, sentados no sofá. Sabem o que é tremer por não saber se verão novamente alguém a quem se estima. Todos perderam muito na guerra e essa dor os dois rapazes conhecem bem de perto, mas é muito íntima, sendo guardada em um lugar muito seguro do coração, procurando superar cada perda com mais luta, com mais coragem. Só assim podem continuar lutando e entendem que é exatamente isso que os dois Weiss fazem nesse momento.
- Yohji, você não acha que o Yashiaki já não sabe que vamos atacá-lo? – Ken procura mudar o rumo de seus pensamentos, que ainda estão concentrados na visão de Omi caído no chão daquele escritório.
- Claro que sabe! Não ouviu que ele espera um resgate. Só não tem certeza quando. Sabe que alguém invadiu o escritório, mas sua decisão de deixar aquela agenda no lugar e vasculhar tudo antes de sairmos foi fantástica. – O loiro o olha com verdadeira admiração.
- Assim ele pode pensar que procuramos o endereço e não encontramos. – O moreno fica muito corado. Não está acostumado com elogios.
- Yohji está certo. Foi uma boa idéia sua, pois ninguém tinha cabeça pra pensar nisso depois do que aconteceu. – Harry entra na conversa, ainda sentado, tentando também tirar de sua cabeça o que o perturba...
Weasley então se levanta. Anda até onde deixara seu casaco e tira dele o DVD confiscado.
- Eu e o Ken encontramos algo interessante no escritório. Talvez nos dê uma pista do que o comensal fez com o Draco. – Rony se aproxima de Ken. – Você coloca isso pra mim naquele aparelho... Como se chama?
- O DVD Player? – Ken pisca os olhos, surpreso e curioso, enquanto o fita.
- É. Eu nem imagino como aquilo funciona. – A voz de Ron tem certo tom envergonhado, pois parece algo tão banal para os trouxas.
- Sem problema. Vem aqui que eu te ensino. – Os dois rapazes se colocam diante da TV. Ligam os dois aparelhos e inserem o disco.
Harry nem sequer prestara atenção em sua conversa, perdido que está na expectativa para o dia seguinte. Weasley fica diante da TV esperando que a imagem apareça. A música então se inicia e a imagem dos dois bruxos circulando pela rave. O jovem ruivo se surpreende com as roupas usadas pelos dois, mas também... O que ele entende de moda trouxa? Mas então uma música muito sensual começa a tocar, os dois rapazes se dirigindo para o centro do salão.
- ...! – A música desperta a atenção da Harry.
"Conheço essa música!" – Levanta-se de um pulo e fica de frente para o aparelho, logo atrás do amigo. Pode ver então a dança sensual que lhes garantira um lugar no grupo seleto.
Conforme a intensidade da sensualidade da dança aumenta, tanto Ken como Yohji também se aproximam, olhando do rosto chocado de Harry para o raivoso de Ron. Os dois então se olham, entendendo que esta é a melhor deixa para irem até a cozinha tomar um chá, deixando os dois "conversarem".
A imagem passa da música sensual para a romântica e a visão faz com que Harry recue. Suas lembranças todas ali, registradas em DVD, assim como as recorda, detalhe por detalhe, mas sabe qual a reação do amigo a tudo isso, podendo ouvir a respiração ofegante desse. Conhece-a muito bem. Já o vira assim durante a guerra e agora... E quando a imagem desaparece, ele se volta e os olhos de Weasley encontram os de Harry.
- Quando você planejava me contar isso? – Os olhos dele flamejam de ressentimento.
- Pra quê? É um assunto só meu... Não te interessa. – Harry pretende defender-se. Não se envergonha do que fizera.
- Não é assunto meu? Então quer dizer que o fato do pai dele ter torturado o meu não me interessa? – Respira fundo tentando ter forças para continuar.
- Disse bem... O pai dele. O Draco não é o pai dele. Ou agora você vai ser como o Goldsmith? – A voz dos dois já está mais do que alterada.
- Você me enfiou ele goela abaixo... E eu o aceitei porque sou seu amigo. Faria qualquer coisa por você. – Há um tremor em sua voz.
- Isso na verdade é preconceito. Não importa quem ele seja. Não consegue aceitar que me apaixonei por um homem. – Harry já fala em um tom que seus amigos jamais ouviram, vermelho de raiva.
- Apaixonou?! O que é isso? Está brincando comigo? – Respira ainda mais fundo, um nó na garganta sufocando-o. – Não me importa que seja um homem... Só não aceito... Ele.
- Por quê? Por causa do pai? Não tente me convencer disso. Tem algo mais por trás dessa raiva! – Harry ultrapassa o limite e sabe muito bem disso. Fizera de propósito, exatamente para feri-lo.
Rony avança e acerta um soco no rosto do amigo, que o faz cambalear e cair no chão.
- Nunca mais insinue uma coisa dessas. Fui seu amigo mais do que fiel por todos esses anos e mereço um pouco mais de respeito da sua parte. – Mal consegue se manter de pé, a respiração tão pesada que dói.
Harry leva a mão ao local atingido, sentindo o gosto do sangue.
- Eu devia pegar a Hermione e ir embora, mas... – Sua voz quase não sai, engasgada na garganta. - Você sabe que aconteceu algo comigo naquela noite... No covil de Voldemort. E ele estava presente. Ele... Participou.
- Mas você mesmo me disse que não se lembra direito do que aconteceu! – Harry se levanta devagar, sangue na boca e lágrimas nos olhos.
- Eu menti! Me lembro como se fosse hoje. – Coloca as mãos no rosto. – Eu sei que o Draco estava sob a Imperius quando... Fez. Mas eu não consigo me esquecer dele presente. NÃO POSSO!
Harry se aproxima do amigo, mas este se afasta. Olha para os olhos verdes que sempre apoiou, mas sente uma profunda revolta contra eles neste momento.
- Eu sinto muito. Devia ter me contado. – A voz de Harry se torna mais compreensiva. Se soubesse da verdade sobre o que acontecera naquela noite decisiva, teria entendido melhor a hostilidade entre os dois. Ia além das velhas rivalidades, mas nunca imaginou... – Mas você se lembra como terminou?
O amigo tenta encontrar o passado doloroso em suas memórias. Ele e Draco haviam entrado no covil de Voldemort, enquanto Harry e Hermione iam por outra entrada. Não confiava no Malfoy, mas ele salvara o Harry e era o único que conhecia o lugar, só que os comensais estavam preparados para invasões e foram capturados rapidamente. O sádico "Lorde das Trevas" pessoalmente torturara Draco na sua frente, raivoso com a traição, deixando-o terrivelmente ferido. Então sua fúria voltara-se para ele. Usou a Imperius no loiro e... Afasta essa lembrança.
- Não! Eu não quero me lembrar. – Suas lágrimas correm copiosamente por seu rosto. – Você me salvou. Matou o miserável e me tirou de lá.
- Ele me ajudou a tirá-lo. Te apoiou por todo o caminho, mesmo sem quase conseguir se manter de pé. – Harry entende agora a necessidade de Draco manter-se sempre afastado de Rony. Ele o hostilizava, como se não quisesse jamais que o garoto gostasse dele, coisa que não fazia com Hermione. E jamais falou do que acontecera.
- Foi ele... Isso é o que importa. E nada do que disser mudará isso. – Rony se volta para sair e se depara com a sua Mione parada diante dele.
No mesmo instante, Ron sente uma vergonha que não consegue controlar. Não sabe se fica ali ou sai correndo. Na verdade, gostaria de desaparecer neste momento, mas não seria a resposta. A garota avança até ele e o abraça com uma ternura tão intensa que quebra as resistências. Abaixa a cabeça ruiva em seu ombro, recebendo a retribuição do abraço.
- Hoje estou tendo minha segunda chance de ser sincera com você. – Ela diz em seu ouvido quase num sussurro. – Eu te amo demais! E jamais sinta vergonha diante de mim. Você é o homem da minha vida e não quero te perder, nem que seja para o passado.
Afasta-se um pouco o olhando diretamente nos olhos. Ela não chora. Sente uma força que jamais podia imaginar ter.
- Eu sempre soube que algo aconteceu. Quando saímos de lá, o Draco só falava que era o culpado. Que não podia se perdoar. Falava para si mesmo... Como se fosse algo terrível. – Beija várias vezes seu rosto, com carinho.
- Mione... – Sua voz sai fraca, sem forças.
- Deixa o passado no passado. Por esta criança. Nossa criança! Ela precisa do Ron Weasley por quem me apaixonei, cheio de coragem e generosidade. – Completa, suave.
Ele se afasta do abraço e olha para os dois.
- Não me peçam para perdoá-lo. Pude suportá-lo e tentar ser colega dele, mas jamais vou esquecer. Sinto muito. – Olha para Harry com raiva.
- ...! – Harry sente o coração apertar ao ver aquele sentimento nos olhos do amigo, mas quando pensa em dizer algo, é cortado pelo mesmo.
- E você vai ter que escolher quem é mais importante pra você. Se escolher ele, não sou mais seu amigo. – Sentencia Weasley.
Harry fica em choque, vendo Ron sair, deixando-os para trás. Hermione o segue, não sem antes lançar um olhar triste para o amigo, que fica parado ali, perturbado por tudo que acontecera. A dor aumentando de intensidade. Não pode escolher... Não quer escolher.
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04 de Janeiro. 07:00 AM. Mansão Yashiaki.
Ele desperta com a luz do sol batendo diretamente em seu rosto. Ainda está confuso, recordando-se do seu delírio como se fosse realidade, mas percebendo que na verdade nunca tivera a coragem de confrontar o pai como fizera. Só quando o matou. Fôra tudo mais uma alucinação. E Harry morto? A dor que sentira fora genuína. Toda a intensidade daquela perda tão vívida...
Só então percebe que há algo estranho. Já não está mais na cela fria e úmida, sente a maciez de lençóis de cetim e o conforto de uma cama. Abre novamente os olhos, mas dessa vez mais desperto. Está em um quarto bonito e espaçoso, a grande cama de dossel onde está deitado sendo o centro da decoração. Ao lado da cama, lindas flores adornam o ambiente, fazendo a manhã parecer ainda mais bonita.
"Ainda estou no delírio?" – Levanta-se devagar, ainda tonto.
Quando fica de pé, percebe que também mudara. Fôra banhado e suas roupas sujas haviam sido retiradas. Agora vestia uma calça de couro preta e uma camisa de seda da mesma cor toda aberta. Consciente de que esta é a realidade, não uma fantasia, fica preocupado. Qual seria a intenção de seu algoz?
Coloca-se diante da grande janela, vendo os campos brancos, cobertos de neve. Lembra-se da própria casa e como gostava do inverno quando criança, apesar de sua infância não ter sido "normal", afinal sempre havia alguma lição ou algum erro. Vivia sozinho boa parte do tempo, restrito ao seu quarto, à biblioteca e à sala de jantar. Não tinha amigos, não brincava, não conversava, mas o pior era quando falavam com ele. Se fôra a vida inteira um arrogante miserável, era isso que fora ensinado a ser.
"Sentimentos são para os fracos." – Era o que seu pai sempre dizia. E ele sempre tinha de ser forte... De um jeito ou de outro.
Olha em torno do quarto e percebe uma bandeja com comida em uma pequena mesa. Cogita não cooperar dessa forma, mas seu estômago pede que o satisfaça e senta-se. Come com ânsia, já se perguntando qual a tática de seu torturador dessa vez. Todo esse luxo e conforto têm de ter algum objetivo. E todas essas delícias... Come com prazer. Pega um dos doces e senta no batente da janela, olhando a neve que cai novamente.
Encosta a cabeça no vidro. Olhando para fora pensa em Harry... Tudo que sente é muito novo. Se tivesse alguma esperança de sair dessa casa... Não sabe o que aconteceria com eles. Teria que ter muita coragem para assumir uma relação dessas, ainda mais gente o odiaria, mesmo que fosse apenas por macular a reputação do "salvador do mundo", mas e...
"Eu mereço ser feliz...? Não. Não depois de tudo que fiz." – Sua vida nos últimos tempos é um profundo poço de culpas... Todas genuinamente suas... Talvez seu pai sempre tivesse razão.
"Eu não presto mesmo." – Não merece a amizade de Hermione e de... Dele muito menos. Rony precisa odiá-lo, não ser seu amigo. É o que faria se a situação fosse invertida. Nunca o perdoaria. E mais do que tudo...
"Não mereço o amor de Harry Potter!" – Diz a si mesmo em pensamento.
Nem sabe por quanto tempo fica perdido em pensamentos ou, como costuma dizer, ruminando seus problemas. Sente um leve enjôo e se arrepende de ter comido tanto, mas sente novamente, dessa vez com mais intensidade. Levanta-se e então uma forte dor o faz cair de joelhos. Não é como a dor que sente quando é drogado, mas uma dor mais intensa, que o parece dividir ao meio. Se contorce no chão, pedindo que a inconsciência venha e o afaste disso, mas está preso à realidade como nunca estivera.
Lutando contra a dor, ele caminha até a cama e se joga sobre ela, os gemidos saindo cada vez mais altos. Sua aparência também muda depressa, a palidez ficando cada vez mais profunda, ainda mais na sua pele, sente as forças lhe faltando, mas a consciência mantendo seu sofrimento presente, ondas de dor percorrendo todo seu corpo. Pensa nos olhos verdes... A única coisa de sua vida que lhe dá algum conforto. Resiste o quanto pode, mas as lágrimas começam a correr por seu rosto. Uma imensa solidão tomando-o de assalto. Merece todo esse sofrimento, mas... Não pode suportar mais.
- Vejo que a abstinência é bem mais rápida nos bruxos. – Só então o loiro percebe que Yashiaki havia entrado, estando parado, encostado à porta, olhando-o com um sorriso maldoso nos lábios. – Nos trouxas esse estágio demora alguns dias... O efeito é bem pesado para um bruxo de sangue puro como você. Foram apenas algumas horas. E essa dor... Não observei isso em nenhuma das cobaias trouxas.
- Você é doente... Ah... – Sua visão escurece, a dor quase lhe tirando a razão. Agarra os lençóis, tentando suportar mais uma onda que o parece corroer por dentro.
- Não precisa passar por tudo isso e sabe muito bem. Posso acabar com essa dor. E diminuindo as doses que lhe dou diariamente... Você viveria muito bem. – O sorriso maldoso cada vez mais irônico.
- Seu mestiço miserável! Ah!... – Por mais que tente manter sua postura, já não consegue mais. Toda sua arrogância, toda sua resistência sucumbem à profunda dor. – O QUE VOCÊ QUER?
Noboru se aproxima e senta na cama. Uma expressão de satisfação emoldurando o rosto frio, uma das mãos tocando de leve o rosto suado e transtornado pela dor. Os olhos cinza o observam, as lágrimas tirando aquele brilho aristocrático que os caracterizavam antes. Nada de desafio ou de orgulho, apenas sofrimento e dor.
- Você sabe muito bem o que quero. – O triunfo em suas palavras. – Mas quero que peça apropriadamente. Humilhe-se.
Draco se arrasta pela cama e coloca sua cabeça sobre a perna do homem, assume um ar infantil enquanto a pesada mão acaricia seus cabelos. Ele sente dor, mas a controla em seu rosto, parecendo tão belo quanto no momento em que Yashiaki o vira pela primeira vez, circulando pela rave. O desejara naquele momento e o teria escolhido para o "Círculo da Morte" mesmo que não tivesse dado aquele espetáculo com Harry Potter.
- Eu te imploro... – Uma vozinha manhosa surge daquela boca, a mesma que há poucos instantes o chamara de "mestiço miserável". – Faz isso parar. Faço o que você quiser.
A dor é tanta que as lágrimas escorrem por seus olhos, mas não há um gemido ou qualquer mudança em seu rosto.
- Qualquer coisa? – O homem o olha com desejo.
- Eu... Serei seu... – Morde os lábios pra conter mais uma onda de dor, tão forte que sangue escorre por sua boca.
Noboru passa a mão pelo lábio ferido, para em seguida lamber o dedo sujo de sangue.
- Fico... Do seu lado. – Sussurra quase sem forças.
- E vai me ajudar a capturar...
- Não! Não me pede isso, por favor. – Ele começa a chorar de verdade, olhando o homem diretamente nos olhos. – Não me pede isso... Ah... Isso não! Eu te imploro... Não faz isso comigo.
- Mas você disse qualquer coisa. – A mão passa novamente em seus cabelos e segura em seu queixo. – Se você for bonzinho comigo, sou com você.
- Eu... Ahm... Sou bonzinho... Sou todo seu, mas... Eu te imploro... – Se o homem desejava vê-lo humilhado, a sua postura súplice o deixa contente.
- Vou atendê-lo porque está sendo bonzinho... – Puxa-o para si e o beija, com tal luxúria que o loiro mal consegue respirar.
- ...! – Draco pensa seriamente em afastá-lo, tal o asco que isso lhe provoca, mas sabe o que está em jogo e simplesmente se deixa beijar permitindo que o homem se delicie em seus lábios, com sua pele macia...
"Tê-lo assim lindo e submisso é melhor do que tudo!" – Yashiaki afasta-se do abraço e levanta.
Draco está ofegante, a sensação de asco ainda presente em seu ser.
- ... Afinal, o Potter virá atrás de você de qualquer forma! – E um sorriso demoníaco se desenha naqueles lábios.
Draco entende muito bem o sentido de suas palavras e o olha com ódio. Isso diverte ainda mais Noboru, que anda até o armário e pega a seringa, com a agora tão desejada droga. O loiro acompanha seus movimentos, as ondas de dor cada vez mais intensas fazendo-o fechar os olhos. Logo sente as mãos grandes segurando seu braço já ferido e a agulha é inserida sem qualquer cuidado. A poção circula por suas veias, fazendo a cor voltar a sua pele e a dor cessar. Olha para o homem a sua frente.
- Cobro sua dívida quando você voltar dessa nova "viagem". – Sorri malicioso, volta e beija suavemente seus lábios. – Quero-o bem consciente.
Mas o jovem bruxo mal ouve as palavras do ex-comensal, já adentrando aos domínios de um novo delírio, encarando novamente seus demônios. Seu mundo de alucinação volta, o jardim colorido, de grama macia, por onde corre, fugindo da dor. Não a mesma dor que o dobrara, que o fizera se render àquele homem que odeia, é a dor da droga, mais suave, mas nem por isso menos perturbadora. É como se fogo corresse por suas veias, fazendo-o sempre fugir para as profundezas de sua mente. E na procura por um lugar seguro, entra em uma caverna, escura, repleta de insetos.
"Odeio insetos!" – Resmunga pra si mesmo.
Uma luz surge, vinda de algum lugar no final do túnel, e decide segui-la. A luz geralmente é benéfica, mas, ao deixar a escuridão, Draco percebe que desta vez a luz é uma isca enganosa, levando-o a um lugar que jamais imaginou ver novamente. Diante dele está o covil de Voldemort, igualzinho àquela noite em que Harry o matou. Tenta recuar, mas a abertura por onde entrara se fecha depressa, prendendo-o ali.
Olha em volta e lá estão os mesmos comensais que compunham o séqüito pessoal do Lorde das Trevas na ocasião. Não exatamente. Reconhece entre eles o sorriso arrogante e os cabelos platinados, o observando com maldade, mas a cadeira do líder está ocupada, não pelo Lorde, mas por... Yashiaki! E, a seus pés, como naquela noite... Não! Ele cai de joelhos.
"Quero sair daqui. Não posso encarar isso. Não posso!" – Ron então se levanta e caminha até o centro do covil, sempre encarando o jovem loiro.
- Você é um covarde! – Weasley grita para ele, os olhos repletos de ressentimento.
Malfoy levanta e se aproxima, visivelmente perturbado. Tudo relacionado àquela noite fôra relegado a um lugar muito escondido de sua mente. Desde então nunca mais falara no assunto, mas muitas vezes acordara assustado durante a noite, assombrado por este momento. Depois se tornara amigo de Harry, mas sempre evitara Rony.
Quando decidiram ajudá-lo alugando o apartamento, fôra uma idéia do moreno, não dele. Sentiu-se meio na obrigação e nunca dissera nada contra, mas temia o que podia acontecer. Tornara-se amigo de Hermione, precisa admitir, mas não podia ser amigo do ruivo. Não queria ser amigo dele... Não merecia a amizade dele! Coloca-se diante de Weasley. Sabe que é uma ilusão, mas a intensidade de seus olhares...
- Weasley, me perdoa. Eu não queria... Fui fraco. – O rapaz avança para ele e o esbofeteia. Leva a mão ao rosto, a dor desse gesto atingindo-o de forma brutal. A culpa aumentando a intensidade de tudo. – Bem... Eu mereço isso mesmo.
- Eu nunca vou te perdoar. Você tinha que resistir, tinha que lutar! Mas você foi um covarde. – Ron anda em torno dele, um olhar acusador intimidando-o, fazendo-o sentir-se ainda mais culpado. – Sentir-se culpado não diminui o que fez.
Yashiaki então avança na direção deles e Draco acompanha seu movimento, temendo o que pretende fazer. Aproxima-se então por trás de Rony e passa o braço em torno dele, deixando claro em seu olhar qual sua intenção. O loiro então cai de joelhos, diante dos dois, que o observam um tanto surpresos.
- NÃO! Deixa ele em paz. – Seus olhos se enchem de lágrimas. – Não de novo. Faça-o comigo. Eu mereço!
A expressão do homem é indescritível, aproximando-se, os olhos cinza se fechando, à espera do que viria, mas todo o sofrimento do dia lhe cobra um custo para o corpo e este cai. A total inconsciência salvando-o do destino cruel, que sua própria culpa lhe inflige.
"Por favor..." – E Draco só queria que tudo acabasse de uma vez...
Continua...
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NOSSA! Nem acredito que estou finalmente postando o cap 4. Tive vários problemas, assim como minha beta, mas com grande esforço ele está aqui. Espero não demorar tanto no cap 5, o último. Peço perdão a todos que estavam acompanhando a fic, mas a demora foi algo inevitável.
Agradeço aos comentários do meu afilhado Felton Blackthorn, Sy.P e Alis Clow. A minha afilhada e amiga Samantha Tiger Blackthorn, a quem essa fic é dedicada, teve uma super paciência comigo, como sempre. Mil beijos pra você, querida.
Um beijo mais do que especial a minha beta e filhota Yume Vy, que teve muita paciência com meus problemas e batalhou muito pra conseguir betar. Você é uma das razões pra eu sempre continuar a escrever, nunca se esqueça disso.
Espero que gostem e comentem se puderem.
21 de Março de 2008.
5:30 PM.
Lady Anúbis
