Capitulo III – Enamorados.

Aconchegou-se melhor nos braços quentes que o envolviam de forma tenra e protetora. Descansou seu rosto sob a pele desnuda do moreno. Suas respirações normalizavam-se e os carinhos recebidos em seus cabelos lisos e dourados faziam seus olhos pesarem. Estava quase cochilando, quentinho e gostoso naquela enorme cama de casal. Sentiam-se completos pela primeira vez.

- Eu desejei... Por muitas vezes que você aparecesse..

Ainda de olhos fechados ouvia sua confissão... E desta vez não se atrevia a fazer-lhe qualquer negativa ou qualquer represália. Não depois do que passaram... Da longa história camuflada e intimamente insatisfeita que mantiveram por tantos anos...

Dos encontros secretos, das poucas horas e minutos contados para que ninguém desconfiasse...

Demoraram em aceitar; Tentaram se afastar, dar um fim a tudo aquilo, no entanto...

Em um único dia, a uma última discussão e somente ocorreram simples palavras que não deveriam ter sido ditas em meio aquelas sórdidas tempestades de emoções reprimidas e descontroladas... Que não deveriam ter sidas confessadas, expostas daquela forma...

E naquele instante, antes de finalmente se formarem, puderam ter a certeza de estarem realmente perdidos.

-... E por um momento, tive medo de que não aparecesse.

O moreno se afundou ainda mais entre os travesseiros e absorvendo o perfume daquele corpo junto ao seu nada mais disse. Preparando-se confortável para entregar-se ao encontro de Morfeu; Até o silencio destinado àquela noite fosse molestada pela voz passiva e sonolenta de seu companheiro.

- Você tinha certeza que eu apareceria, Harry.

- Não Draco. De repente não havia mais certezas...

- Hn... Jamais permitiria que se casasse com ela.

- Por ser uma Weasley?...

- Por nossa promessa. Sabia que de qualquer forma interferiria naquele show de horrores.

O loiro confessou, puxando mais a coberta para protegê-los do frio da madrugada e adormecendo logo em seguida. Seu corpo estava exausto e merecia o desejável descanso.

Harry ainda ficara algum tempo acordado, lutando contra o sono e o cansado instalado em seu corpo. Seu sorriso satisfeito firmado na face, velando com ternura o sono do homem que o aquecia fortemente abraçando sua cintura.

Passou-se mais alguns minutos antes de perder a batalha contra o próprio sono; Alisou a face rosada delicadamente com as pontas dos dedos, com medo de desperta-lo, para logo mais tarde adormecer.

- Eu amo você.


Sete meses depois.

Malfoy ainda encurvava o nariz diante da situação que se encontrava. Jamais em toda a sua gloriosa e sofisticada vida de luxos e vontades realizadas se imaginaria fazendo compras em um supermercado como as classes inferiores o faziam! Quando tinham – claro – seus cupons de desconto!

Até onde havia chegado... Obrigado nos últimos meses a fazer as próprias compras para a casa que agora compartilhava com Potter, este último por sua vez relutante ao extremo em pagar por uma empregada decente que fizesse o serviço justo ao salário que recebia!

- É romântico fazermos compras juntos, querido!

E suas entranhas reviravam. Forçado a fazer as próprias compras e ainda trazer consigo aquele ser humano patético, mediocremente meloso e pseudo-romantista. Culpa sua! Totalmente sua! Se desconfiasse que Potter ficaria desta forma jamais ter-se-ia levantado da cama naquela manhã e rumado a um casamento que nem se deram ao trabalho de lhe convidar! (pensando sobre isso há algumas semanas... Concluía amargamente seu ressentimento. Que lhe enviassem ao menos um convite por educação, oras!... Teria sido mais fácil desta forma furtar o noivo da ruiva-magrela! Como Draco se deliciava com isso...).

Voltando a falar de Harry... Agora mesmo recebendo carinhos dele enquanto que com uma mão conduzia – entediado- o carrinho metálico pelo corredor e a outra descansava na cintura do moreno despreocupadamente, sendo abraçado quase possessivamente de volta. Sem se preocuparem por um minuto sequer com os olhares que lhe eram lançados ou com as pessoas que os pudessem reconhecer.

- Amor, o que mais falta?

- Um machado, três sacos plásticos pretos e uma pá.

- Você é maravilhosamente adorável mesmo enfezado.

- Você tem mesmo que permanecer grudado em mim?!

- Eu gosto de ficar junto de você.

- Hum... Que seja; pelo menos pegue aqueles negócios para temperar a comida. Meu estômago refinado não sobreviverá mais um dia com os víveres daquela mulher!

- Não acredito... Malfoy cozinhando?

- Para si próprio. Agora pegue Potter.

O sorriso do moreno comprimiu-se e puxando a cintura do outro para que o acompanhasse – mesmo sob reclamações ácidas – ao outro lado do corredor e lhe pegasse alguns temperos para quaisquer os alimentos que Draco estaria interessado a fazer no jantar e colocando-os um por um com a única mão que mantinha livre.

- O transformei em um monstro, Potter!

- Pare de reclamar, Draco. Eu sei que gosta quando deste jeito fico com você.

Recebendo um beijo estalado no pescoço o loiro apenas se conformou, suspirando exasperado e se soltando daquele abraço, mas pegando uma das mãos do moreno.

- Acho que isso é tudo. Vamos pra casa.

- Ainda temos que passar no caixa ou quer correr com as compras até o carro?!

- Já estou no fundo do poço mesmo, Potter... E desde que entramos neste mercado notei não haver muitos seguranças por aqui...

Harry apenas se deu ao trabalho de rir divertido, puxando o corpo do loiro novamente para seu abraço e desta vez tomando conta de levar o carrinho até o caixa.

- Harry Potter e Draco Lucious Malfoy a dupla invencível! Conhecidos por todo o mundo por suas famosas e arriscadas fugas de cerimônias de casamento e furtos de temperos dos supermercados da Europa!

Harry disse em tom de suspense ainda rindo, arrancando um riso discreto do loiro.

- A sua farta habilidade de dizer bobagens está se expandido conforme os meses, Harry!

- Obrigado, querido.

- Não há o que agradecer.

Deixado o caixa e tendo pagado devidamente por suas compras eles levam o carrinho até o estacionamento térreo do supermercado, indo à direção do carro Renault Mégane Cabriolet importado pertencente à Harry – presente especial recebido em seu décimo nono aniversário, por seu companheiro atual.

Enquanto Harry ajeitava as compras no porta-malas do carro, Draco já confortável no banco de passageiro ligava o som, procurando por uma estação qualquer.

- Não deseja mudar de carro, Potter? Faz cinco anos que está com ele.

- É claro que não! Eu o adoro! Foi meu primeiro carro, dado por meu primeiro amor.

- Engana-se com isso! Quem o presenteou com está lata velha foi eu!

- E há quem acha que me referia?

- Pare de rir! Se não está lembrado, você teve muitos primeiros amores!

- Não Draco, apenas você. Os outros não passavam de algo momentâneo. Artificial.

Harry bate o porta-malas e entra no carro, ainda sorrindo observa o loiro sentado ao seu lado mexendo no rádio.

- Você foi meu primeiro amor, Draco.

E de repente a busca de uma estação que o agradasse já não tinha mais tanta importância assim.

Encostou-se melhor sobre o assento de couro fino e sorriu convencido para Potter.

- Fui também aquele o primeiro a quem odiou, querido.

E seus rostos se aproximaram novamente, alguns poucos centímetros antes de se tocarem.

- E foi o primeiro quem me amou por ser o que realmente sou; sem dar importâncias á títulos ou qualquer notoriedade induzida pela mídia ou por outras pessoas... O único por quem já solucei... Despedacei... Gritei... Amei.

E novamente aquela sensação que o assustava e o deleitava ao mesmo tempo. A sensação de que seu próprio coração havia parado.

Contradizia-se, mas não se ligava. Amava aquele moreno insuportavelmente doce na maior parte do tempo, e no tempo em que sobrava... Preferia sempre estar sob sua presença constantemente.

Potter pôde vislumbrar a sua frente um sorriso mais aberto e amável de mesma proporção, antes de sentir seus lábios serem prensados e seu corpo puxado para mais perto daquele pequeno espaço entre eles.

Seus corpos curvaram-se ligeiramente sobre os bancos exprimidos, buscando maior encontro de seus corpos até darem-se por satisfeitos. Suas mãos passeavam livres e carinhosos pelos corpos um do outro e seus lábios mergulhavam na maior súbita entrega de emoções e sentimentos fielmente compartilhados.

Se amavam, se ansiavam, se desejavam e queriam demonstrar isso de todas as formas que lhes fossem possíveis ou não.

Potter suspira doce durante os beijos trocados, tomando sua boca nos lábios vermelhos e ligeiramente inchados do companheiro ofegante e ruborizado.

- Eu te quero.

- Eu te amo.

- Eu também...

What day is it and in what month

This clock never seemed so alive

I can't keep up

And I can't back down

I've been losing so much time

Cause it's you and me and all of the people

With nothing to do

Nothing to lose

And it's you and me and all of the people

And I don't know why

I can't keep my eyes off of you

All of the things that I want to say

Just aren't coming out right

I'm tripping in words

You got my head spinning

I don't know where to go from here

Cause it's you and me and all of the people

With nothing to do

Nothing to prove

And it's you and me and all of the people

And I don't know why

I can't keep my eyes off of you

There's something about you now

I can't quite figure out

Everything she does is beautiful

Everything she does is right

You and me and all of the people

With nothing to do

Nothing to lose

And it's you and me and all of the people

And I don't know why

I can't keep my eyes off of

You and me and all of the people

With nothing to do

Nothing to prove

And it's you and me and all of the people

And I don't know why

I can't keep my eyes off of you

What day is it

And in what month

This clock never seemed so alive

(Lifehouse- You and Me)


Obrigada aos quem vem acompanhando!

Até o próximo capitulo!

A tradução desta música linda:

Lifehouse - You And Me (tradução)

Você e Eu.

Que dia é hoje e de que mês?

O relógio nunca pareceu tão vivo

Eu não posso prosseguir

E eu não posso desistir

Tenho perdido tempo demais

Porque é você e eu e todas as pessoas

Com nada para fazer

Nada para perder

E é você e eu e todas as pessoas

E eu não sei por quê

Não consigo tirar meus olhos de você

Todas as coisas que quero dizer

Não estão saindo direito

Viajando em mim mesmo

Você deixou minha mente girando

Eu não sei pra onde ir daqui

Porque é você e eu e todas as pessoas

Com nada para fazer

Nada para provar

E é você e eu e todas as pessoas

E eu não sei por quê

Não consigo tirar meus olhos de você

Existe algo sobre você agora

Que não consigo compreender completamente

Tudo o que ela faz é bonito

Tudo o que ela faz é certo

Você e eu e todas as pessoas

Com nada para fazer

Nada para perder

E é você e eu e todas as pessoas

E eu não sei por quê

Não consigo tirar meus olhos de você

Você e eu e todas as pessoas

Com nada para fazer

Nada para provar

E é você e eu e todas as pessoas

E eu não sei por quê

Não consigo tirar meus olhos de você

Que dia é

e em que mês

Este relógio nunca pareceu tão vivo!