Capítulo III – Reviravolta
POV DE BELLA
É impressionante como a vida é... Como o desenrolar de uma história, de uma vida pode mudar de um segundo para o outro.
Foi assim depois que recebemos aquele telefonema de Aro.
Carlisle atendeu ao telefone receoso após o comentário de Edward e Alice, mas como era de se esperar agiu com naturalidade e tranqüilidade, não deixando transparecer em sua voz nenhuma gota de aflição.
Ficamos todos o encarando apreensivos enquanto os primeiros minutos se passavam, e a conversa mantinha o tom de velhos amigos que não se falavam há muito tempo: como vai a família, alguma novidade?...
Enfim Aro passou a informar o real motivo da ligação, e Carlisle escutava calado, apenas balançando a cabeça e soltando alguns "Hum" e "Ah" alternados. Olhei para Edward e vi que suas feições ficavam cada vez mais sombrias, à medida que lia os pensamentos de Carlisle e descobria o que Aro estava falando.
- Ok Aro, entendi tudo. Como você sabe, vivemos em família, em uma verdadeira democracia em nosso lar. Por isso não posso responder a você imediatamente, antes tenho que consultar a todos. Volto a ligar o mais breve possível. Ok. Até breve.
Carlisle desligou o telefone e olhou para Edward, que mantinha o olhar fixo em seus olhos, visivelmente pensando em como iria nos transmitir a notícia, qualquer que fosse.
- Carlisle, não precisamos nos envolver nessa história! Não faz muito tempo eles estavam contra nós, querendo dizimar nossa família! Não podem...
- Edward, não é educado ficarmos discutindo sem colocar todos à par da situação! – carlisle interrompeu Edward, que voltou a encará-lo com seu olhar sombrio.
- Tem razão, me desculpem, é que não posso acreditar no que Aro teve a audácia de pedir!
- Peloamordedeus gente, se eu tivesse um coração já tinha infartado! – Emmet estava de pé e berrava, com sua camisa parcialmente rasgada – uma cena que seria hilária, não fosse pela seriedade da situação.
- É verdade, querido, o que está havendo? – Esme, sempre com seu jeito doce e tranqüilo, não conseguia deixar de demonstrar sua procupação.
- Vamos para a sala de jantar, por favor.
Todos seguimos Carlisle para a sala de jantar, com sua imensa mesa de carvalho, que servia para nossas reuniões, já que naquela casa não a utilizávamos para seus fins reais.
Sentamos, Carlisle na cabeceira, ladeado por Esme e Edward.
- Aro ligou para falar com relação aos acontecimentos que estão ocorrendo na Espanha.
- Como se nós não soubessemos! Está estampado em todos os jornais e noticiários do mundo! É praticamente uma carnificina! Deve ser o maior exercito criado até hoje, um bando de recém criados matando a esmo! – Jasper falava com indignação, como sempre ocorria quando o assunto era relacionado a vampiros recém criados agindo desgovernadamente.
- Exatamente. Ocorre que a coisa está tomando proporções cada vez maiores. Aro contou que recebeu um comunicado do "líder" do bando, Joshua. Ao que parece, eles estão indo a Volterra, acabar com o "reinado" dos Volturi.
Por um momento todos ficamos calados, nos entreolhando, esperando que Carlisle continuasse, que explicasse o que isso tem a ver conosco. Foi Edward que rompeu o silêncio:
- Eles são muitos. Joshua, claro, não especificou quantos. Aro está temeroso, pois depois que percebeu que os Volturi não são imbatíveis, a julgar pela vez que quase nos enfrentaram, percebe que realmente podem acabar perdendo essa guerra. Querem nossa ajuda, querem que nos unamos a eles.
- Ah, fala séeeeeeerio! – Emmet quase subiu na mesa, tão indignado estava. – Eu quero mais é que eles sejam destronados mesmo, que caiam desse pedestal imaginário que eles criaram! Eu até hoje estou frustrado de não ter dado uma boa surra no Félix, e eles querem que eu vá lá AJUDÁ-LO?
- Emmet, por favor, deixa eles acabarem de falar! – Esme não gostava da situação tanto quanto todos nós, mas sua voz continuava tranqüila.
- A situação é a seguinte: apesar de tudo o que ocorreu entre nossa família e os Volturi há alguns anos, eles controlam a ordem de nossa espécie há muito tempo. Eu mesmo vivi com eles durante algumas décadas, e apesar de existirem divergências em nossa forma de pensar e agir, a convivência de todos da nossa espécie entre si e com os humanos seria praticamente impossível de ocorrer. Como vocês me ouviram dizer a Aro, vivemos em democracia, e em nossa família todos tem direito de fazer e agir como acharem correto. Por isso quero que todos, civilizadamente, exponham suas opiniões, para que possamos decidir, juntos, como iremos agir.
Como sempre, após as sábias palavras de Carlisle, todos ficaram pensativos. Jacob era o que se mostrava mais impaciente, mas não ousava ter uma de suas explosões nesse momento tão delicado para todos. Foi Jasper quem começou.
- Bem, vou ser o primeiro a quebrar o silêncio... Como todos sabem, eu conheço muito bem como agem e como pensam esses vampiros recém criados. Por isso mesmo sei que, dependendo de sua quantidade, esse exército de recém criados pode sim ser um perigo aos Volturi. Ainda mais porque, vale ressaltar, nós não sabemos quantos deles podem ter algum dom especial. Nossa Bella mesmo, nos surpreendeu sendo um escudo poderosíssimo. Quem garante que não pode haver um (ou até mesmo mais de um) nesse exército. Tudo bem, é irritante essa arrogância existente nos Volturi, mas será mesmo que é melhor arriscarmos essa pequena civilidade que temos, policiada pelos Volturi, e acabar ficando "nas mãos" desses marginais? Sim porquê, derrotando os Volturi, o ego do exército estará inflado, e eles se sentirão os novos reis. A humanidade poderia ser dizimada rapidamente.
O silêncio na sala era total. Ninguém, exceto Renesmee e Jacob, respirava. Assim, Jasper decidiu continuar:
- Por isso, eu voto por apoiarmos os Volturi. E no final, ainda poderá ser uma atitude positiva para nós, pois não ficaríamos mais receosos cada vez que ouvíssimos o nome VOLTURI. Afinal, eles teriam uma dívida de lealdade conosco.
- Concordo com todas as suas palavras, Jasper. – Carlisle afirmou.
- Aaaffff! Eu também. Até que você ás vezes pensa, né Jazz? – Emmet, como sempre, não conseguia falar com seriedade, mesmo quando o assunto era REALMENTE SÉRIO.
- Edward? – Carlisle olhava para Edward esperando que ele se manifestasse.
- Nunca deixaria você, Em e Jazz sozinhos nessa. Eu piraria se ficasse aqui.
- Ótimo! Então vamos arrumar nossas malas e vamos para Itália! – Renesmee rapidamente falou após a manifestação de Edward. Agora que viu que todos concordaram, havia até uma certa excitação em seu rosto; suas bochechas estavam coradas e podíamos ouvir seu coração de passarinho batendo descompassadamente. Há muito tempo ela sonhava em conhecer a Itália.
- Nem pensar, Renesmee! Você ficou MALUCA? – Edward levantou-se de sua cadeita e bateu na mesa, fazendo um estrondo que assustou Alice e Rose, que estavam em meio a uma conversa. – Nem pensar que iremos colocar você, ou melhor, qualquer uma de vocês nesse risco! Vocês FICAM!
Assim que Edward acabou de falar, uma profusão de vozes se propagou pela sala. Rosalie estava indignada, e gesticulava enquanto tentava se fazer ouvir. Alice, com sua voz de fada, dizia que seu dom de ver o futuro seria um dos mais úteis em uma batalha, e que com certeza Aro pensara nela quando ligara para cá. Carlisle e Esme eram os únicos que permaneciam calados, assim como eu, observando toda aquela confusão que se criara após a observação de Edward.
- Por favor, vamos nos acalmar... Essa confusão não nos levará a lugar nenhum...
Ao ouvir a voz de Carlisle, todos pararam e olharam para ele, aguardando sua opinião.
- Infelizmente, acho que Edward tem razão. Se vivemos hoje com esse receio com relação aos Volturi, é porque temos consciência de que eles desejam coisas muito preciosas para nós: o poder de Edward de ler mentes, o poder de Alice de ver o futuro, o poder de Bella de proteger os que estão a sua volta... Sem falar no maior desejo de Aro: Renesmee. Ele nunca havia visto nada como Renesmee, em toda a sua existência. Sua curiosidade com relação a ela é imensa. Não podemos colocar tantas pessoas de nossa família em "perigo". Além do mais, com Renesmee presente, a atenção de Edward, e de todos nós, ficaria desfocada, pois nos preocuparíamos em protegê-la acima de tudo. Por isso, acho que Renesmee não deve ir à Itália. Com relação à Alice, acredito que sua presença será muito útil, e nos precaveria de surpresas desagradáveis.
Renesmee soltou um muxixo baixo, quase uma lamentação, mas não debateu pois respeitava muito a opinião de Carlisle. E sabia que, acima de tudo, ele estava com a razão.
- Então é isso. – Jasper concluiu – Vamos eu, Carlisle, Edward, Emmet, Alice (não que eu goste dessa idéia mocinha, nós vamos conversar sobre os limites), Rosalie e Esme.
Foi aí que a ficha caiu.
- E eu? Vocês vão me deixar aqui? Meu escudo é muito útil, eu posso ajudar muito vocês e...
- NÃO! Bella, pelo amor de Deus! Alguém tem que ficar aqui, cuidar de Renesmee e...
- Edward, não sou nenhuma criança, já fiz 18 anos!
- Não se mete Renesmee, isso é conversa de adulto! Bella, meu amor, por favor, entende meu lado. Você e Renesmee PRECISAM estar a salvo para que eu possa me concentrar!
Tenho que admitir que ás vezes esse jeito marido/pai/amigo superprotetor de Edward me dá nos nervos... Afinal não sou nenhuma inválida retardada! Pelo contrário, surpreendi a todos como recém criada.
- Edward, raciocina, eu posso ajudar e...
- Fim de papo, Bella. Carlisle, Jazz, Em... Vamos organizar nossa partida.
Simplesmente odiava quando Edward fazia isso. Tomava uma decisão e não ouvia a minha opinião, nem levava em conta. Já havia tentado conversar com ele sobre isso diversas vezes, e ele sempre se esquivava. E pelo visto, essa conversa seria adiada mais uma vez, já que ele, jasper, Emmet, Carlisle, Rose e Alice já haviam saído, para decidir os preparativos da viagem.
- Bella, vai ficar tudo bem, né?
Olhei para Jacob e ele parecia inseguro.
- Espero que sim, Jake... Espero que sim...
