Boa tarde a todos! Tivemos problemas técnicos nesta semana e na semana anterior, mas creio que tudo já está resolvido! Gostaria de agradecer às fofíssimas Haru-Chan e Reneev pelos comentários do último capítulo, e também ao meu fofíssimo carneirinho Orphelin pelo comentário e pela revisão. Espero que gostem do novo capítulo! Até mais! *-*
Guerra à Vista
- Fala a verdade, Shaka! Asmita foi atrás dos biscoitos para o nosso chá, não foi? – O loiro fingiu naturalidade diante do resmungo do outro, disfarçando o próprio nervosismo pela demora do gêmeo.
- Não sei! E você sabe como ele é, só faz o que quer. Deve estar de conversa com alguém na rua... você está com tanta fome assim?
- Não é isso, é que estou preocupado.
- Por quê? Você sempre inventa desculpas pra gente ficar sozinho... e agora que ele saiu, você quer que ele volte? – Shaka fingiu aborrecimento, recostando as costas na parede do quarto e cruzando os braços. Observou o outro se arrepender da pergunta, em seguida aproximando-se dele para ficarem juntinhos. Os braços do loiro envolveram a cintura de Mu, no que trocaram um beijo rápido, os olhos de um vidrados nos do outro quando os lábios se afastaram.
- Você sabe que eu adoro ficar sozinho com você! Mas, sei lá... não sei o que está acontecendo. É uma coisa ruim aqui dentro do meu peito... é isso. – Mu enfiou a cabeça entre o ombro e o pescoço do outro, sentindo o aroma delicioso que desprendia daquele cabelo.
- Para de bobagem! E essa coisa ruim que você está sentindo deve ser porque dois franceses estão para entrar na minha família... o que é horrível. – Shaka bufou, aproveitando-se para mudar dramaticamente de assunto enquanto transparecia, mais uma vez, todo o desgosto com a notícia do casamento do pai com uma mulher francesa, e, sobretudo, com o fato de que ele e Asmita teriam de aturar um "irmão" francês.
- Shaka... você nem conhece eles direito.
- Qual a diferença? Franceses são todos chatos! Por que meu pai tinha que arrumar uma francesa? Tem tanta mulher bonita e de outros lugares por aqui e ele arranja logo uma francesa? E com um francesinho ainda?
- Isso é... como dizem mesmo? Ah! Pre... preconceito! Sim! É preconceito seu achar isso... e eu também não sou daqui, lembra? – Mu franziu o cenho, mirando os olhos azuis com repreensão.
- Você é do Tibete, Mu, o que é muito diferente. Eles são da França... Fran-ce. – Shaka imitou o sotaque francês, torcendo o nariz em desgosto. - É um karma muito grande ganhar um "irmão" francês. E o idiota do Mita está todo contente. Acredita?
- Já entendi! Você está com ciúmes. Está com medo do Mita gostar muito do novo irmão e parar de dar atenção para você... não é?
- Não seja ridículo! Se fosse isso, acho que seria bom ter outro irmão, porque o Asmita ia parar de me irritar o tempo todo.
- Eu sabia! Está com ciúmes...
- Não estou!
- Está sim! – Shaka encarou os olhos de Mu com ar de irritação, tomando os lábios do tibetano em um beijo mais intenso, antes que este continuasse a afirmar "absurdos" sobre si.
E ficaram tão concentrados naquele beijo que não ouviram quando Asmita abriu a porta do quarto e entrou silenciosamente, sentando-se na cama e observando-os com um sorriso divertido. Afinal, adorava deixar o irmão encabulado quando os pegava no flagra.
- Wow! Imagina se fosse o papai aqui. – disse de uma vez, para espanto dos outros dois. – Ah! Podem continuar... faz de conta que sou uma estátua.
- Asmita! Por que demorou tanto? – Mu sentiu as faces queimarem instantaneamente, separando-se de Shaka para interrogar o amigo.
- Nem demorei. Já cheguei faz um tempinho. Você e o Shaka não notaram porque... enfim... – explicou com um sorriso debochado no rosto.
- Tá falando sério? – Mu arregalou os olhos.
- É claro que não! Mas porque você ficou tão assustado? O que estavam fazendo hein? Era algo que não podia?
- Nada demais!
- Sei...
xxxxx
Um silêncio tenso havia se instalado no carro enquanto Sage e Albafica retornavam ao apartamento do tibetano, cada um analisando a visível aproximação entre Lune e Minos. O holandês se preocupou ao notar a forma como Sage respirava pesadamente, observando-o de canto de olho ao entrarem no elevador. Mas, tranquilizou-se assim que o mais velho estendeu a mão para fazer leves carícias em seu rosto.
- Eu irei conversar com o Lune, não se preocupe. – Albafica sorriu ao escutar as palavras do outro, aproximando-se deste para beijá-lo, ganhando, em troca, os braços fortes presos à cintura. - Controle-se, Sage. – O holandês acabou rindo ao escutar o tibetano falar alto consigo mesmo.
- Falando sozinho, amor?
- Estou tentando me convencer de que não é uma boa ideia agarrá-lo aqui e agora. Não quero nossa intimidade exposta nas câmeras de segurança, afinal...
- É mesmo? – O sorriso de Albafica se transformou em questão de segundos, que foi o tempo necessário para o mesmo puxar a gravata de Sage para baixo, forçando o mais velho a se abaixar, e roubar-lhe um beijo intenso.
Logo os dois travavam uma intensa fricção entre os corpos, as mãos de um tateando o corpo do outro na medida em que aprofundavam o contato. Só retornaram a si quando ouviram o barulho do elevador parando no andar do apartamento de Sage, que, subitamente, voltou a prensar Albafica contra seu corpo, levando-os para fora do elevador para, então, agarrarem-se encostados à parede.
Apartaram os lábios a muito custo, entreolhando-se, quando, só então, perceberam que não estavam mais sozinhos. Havia, a poucos metros de distância, uma garota os observando com uma expressão aterrorizada e os olhos bem azuis cheios de lágrimas. Albafica olhou de Sage para ela e vice-versa, prevendo uma situação muito desagradável. Só que o mais desconfortável mesmo, para o holandês, era a sensação de que conhecia aquela garota de algum lugar, embora, não soubesse discernir de onde.
- Então foi por isso que você me deixou, Sage? – O tibetano suspirou completamente desanimado, contendo-se para não discutir com a garota. Tudo sem largar Albafica, que continuava preso entre os braços do mais alto e, também, escondendo a saliente ereção deste, que não dava sinais de passar tão cedo – o que pioraria ainda mais a situação se a recém-chegada percebesse.
- Rossella, eu já disse que não foi por nenhum outro motivo, além da nossa total incompatibilidade, que nós terminamos. Ainda que eu estivesse desacompanhado, não teríamos como construir um futuro em comum.
- Isso não é verdade! Nós sempre nos demos muito bem, especialmente na cama! – A garota sorriu de canto, provocando Albafica abertamente, que apenas se limitou a estreitar os olhos para ela como resposta à provocação.
- Escute pela milésima vez: Isso não significa que você seja a mulher da minha vida. Agora, por favor, se retire. Nós já conversamos tudo o que tínhamos para conversar, e nada que você disser irá mudar a minha decisão.
- Nem se eu disser que... estou grávida? – A garota retirou um envelope de dentro da bolsa e o atirou no casal, assim que passou por eles para entrar rapidamente no elevador, deixando-os para trás.
Os dois estavam tão catatônicos, depois do que a garota havia insinuado, que permaneceram parados por alguns instantes, isto é, pelo menos até Albafica tomar a iniciativa de se apartar dos braços de Sage e pegar o envelope caído no chão, verificando o seu conteúdo. Arregalou os olhos ao ler o sobrenome da garota no exame que, de forma clara, comprovava o que ela havia dito. Então era aquilo! Finalmente tinha se lembrado de onde a conhecia.
Rosella era justamente a filha de seu chefe, que, segundo as suas informações, tinha apenas dezesseis anos. Sentiu o corpo fraquejar e recostou-se na parede, levando a mão direita à testa, como se não conseguisse acreditar no que estava acontecendo.
- Sage, você não tem responsabilidade nenhuma?
- Aí diz que ela realmente está grávida? Mas nós nunca transamos sem proteção! Não pode ser!
- Engraçado, pois nós nunca transamos com proteção!
- Mas isso porque você é homem! E a situação é diferente. Eu me apaixonei por você desde o princípio. Eu sabia que era você aquele que estava destinado a mim.
- Sage, não muda o fato de que este exame afirma que ela está grávida. O que irá fazer? Pretende abandonar outro filho depois de desejar tanto por ele?
- Eu nunca desejei ter um filho com ela!
- Não tivesse feito um então. Com licença! – Albafica empurrou Sage com mais força, quando este tentou se aproximar, saindo apressadamente pelas escadas.
O tibetano ainda tentou correr atrás do outro, mas desistiu, porque sabia que, por hora, não adiantaria tentar se explicar. Retornou ao apartamento, depois de pegar o envelope que tinha voltado a cair no chão, e atirou-se no sofá, completamente confuso. Telefonou para o gêmeo, contanto a este sobre a provável gravidez do ex-affair, e escutou uma enxurrada de xingamentos por isso.
xxxxx
Albafica saiu do apartamento de Sage completamente transtornado, seguindo em direção ao laboratório onde trabalhava. Ainda não era seu horário de serviço, mas não tinha nenhuma ideia melhor do que fazer para se distrair. Contendo a vontade de chorar, repetia mentalmente e para si mesmo que era esperado que algo como aquilo acontecesse, uma vez que era amaldiçoado e que jamais alcançaria a felicidade.
Chegando ao seu destino, vestiu imediatamente o guarda-pó da empresa, evitando os corriqueiros olhares de cobiça que vários dos colegas lhe destinavam ao percorrer os corredores. Era frequentemente confundido com uma mulher, tanto que já não fazia mais questão de gastar seu tempo explicando às pessoas inconvenientes que era um homem, até porque ninguém costumava acreditar no que ele dizia.
Ao chegar na sala de estar, destinada aos funcionários da empresa para repouso, encontrou somente uma das colegas, já que os demais provavelmente tinham saído para almoçar. Suspirou e esboçou um sorriso nervoso ao notar o barrigão ainda maior da mulher, que estava já aos cinco meses de gravidez. Era definitivamente tudo o que ele precisava naquele momento: deparar-se com uma mulher grávida.
- Bom dia, Mary!
- Bom dia, Albafica! Você está tão pálido... aconteceu alguma coisa?
- Não! Só um pouco cansado mesmo. – O holandês desconversou, sentindo o telefone, que estava guardado no bolso da calça, vibrar. Tratou de pegá-lo e observou quem era. Desgostoso, recusou a ligação, mas o aparelho voltou a tocar em seguida... e, insistentemente, tantas vezes quanto ele ignorou. No final, pediu licença à moça e atendeu ao telefonema de Sage.
- Nós conversamos mais tarde, está bem? Estou no trabalho. Não precisa vir me buscar, eu ficarei bem sozinho, não sou nenhuma mocinha. Até mais! – direto e seco, antes de finalizar a chamada e voltar para o lado da companheira de serviço.
- Brigou com o namorado? – Albafica sentiu o rosto queimar ao ouvir a pergunta da mulher, assentindo com a cabeça, sem maiores comentários.
- A bruxa está solta, preciso cuidar bem do meu marido! Outro dia foi a Rossella, filha do Sr. Ítalo. Aquela menina não tem juízo nenhum. Acredita que ela mentiu a idade para o namorado e ficou falando besteiras por aí? Eu fiquei com tanta pena... ela está realmente desesperada. Acho que a gravidez está me deixando mole demais...
- Você disse que ela ficou falando besteiras? Que tipo de besteiras?
- Que não vai deixar outra mulher tomar o namorado dela de jeito nenhum, não importa o que ela tenha de fazer. Essas coisas. E ela é tão novinha, por isso realmente fiquei me perguntando no que ela está pensando. Não está com jeito de que irá terminar bem.
- Você acha que ela o enganaria para prendê-lo?
- Sei lá, talvez... parece que ela realmente não está disposta a desistir dele.
- Dizem que mentira tem pernas curtas, afinal.
- Verdade! E quem sofreria mais com tudo isso seria ela mesma... mas o que fazer se não consigo convencer aquela mocinha desmiolada?
- Eu... preciso ir ao banheiro, com licença! – Albafica tentou disfarçar a ansiedade, entrando apressadamente no banheiro da sala. Mil pensamentos passavam desordenadamente pela sua mente, tratando de assimilar, de uma vez por todas, a ideia de que Sage não sabia que estava namorando uma menor de idade. E que ela poderia ter mentido em algum outro momento, como, por exemplo, ao dizer que estava grávida. Inspirava e expirava diversas vezes, com as mãos recostadas na pia, encarando o próprio reflexo no espelho enquanto recobrava a calma e a expressão indiferente, que se esforçava para manter no trabalho.
- Albafica, você realmente está bem? Está indisposto? – O rapaz ouviu a mulher bater levemente na porta do banheiro, preocupada. Respirou profundamente antes de sair dali, encarando a mulher com uma expressão séria ao abrir a porta.
- Desculpe-me por preocupá-la, Mary, estou perfeitamente bem. – E se desvencilhou dela, servindo um copo de água para si e tomando-o em pequenas goladas.
- Você devia ir ao médico, isso sim! É claro que não está bem!
- Engano seu. Com licença...
Mary observou o misterioso rapaz andrógino deixar a sala de estar antes mesmo do horário do expediente, perguntando-se o motivo que o levava a se mostrar tão arisco quando as pessoas tentavam se aproximar. Por trabalharem no mesmo setor, já havia observado que ele se incomodava bastante quando tocado por quem quer que fosse. Mesmo o mais leve toque em seu ombro, para chamar-lhe a atenção, ou um cortês aperto de mão. Mas ninguém tinha coragem ou abertura suficiente da parte de Albafica para perguntar a ele o motivo de tanta repulsa ao contato humano. Logo, ele havia ganhado a fama de ser uma pessoa tão antipática quanto bela.
Na saída do expediente, Mary alcançou Albafica, questionando-o novamente se ele estava bem. O holandês entrou em pânico ao imaginar que talvez Minos o estivesse observando e o visse conversando com a grávida, no que apertou o passo e a deixou para trás sem respondê-la. Mas arrependeu-se ao notar, de canto de olho, que a mulher estava com os olhos cheios de lágrimas, triste por ser ignorada novamente por ele. Suspirou, parando na banca de flores logo à frente e comprando uma rosa branca, voltando atrás e entregando a flor para ela, que tratou logo de enxugar as lágrimas e sorrir para ele, comovida com aquele gesto de atenção do rapaz.
Albafica sorriu timidamente e se despediu sem sustentar o olhar da mulher, o sorriso murchando nos lábios quando se deparou com a enorme e imponente figura de Sage parada a poucos metros de distância. Percebeu, tão logo pousou os olhos sobre ele, que o tibetano não estava disposto a ouvir um "não" como resposta, e decidiu segui-lo sem maiores questionamentos, simplesmente por ser mais fácil do que iniciar uma discussão naquele momento. Surpreendeu-se, porém, ao entrar no carro e se deparar com três jovens olhares diferentes voltados para si.
- Oi Alba, tudo bem? – Por mais que o visse sempre na casa de Shion, o holandês nunca deixava de se espantar com a enorme semelhança de Mu com Sage. Mesmo que, desde sempre, soubesse do verdadeiro parentesco entre ambos, ainda assim era impressionante tamanha semelhança física entre pai e filho.
- Tudo bem, Mu, e com você?
- Tudo ótimo!
- Shaka e Asmita, certo? Boa noite! – Albafica identificou ambos os garotos com facilidade, surpreendendo-os.
- Boa noite! - Os loiros responderam em uníssono e repararam em como Albafica os observou atentamente, antes de se voltar para a frente. Era apenas impressão do holandês ou os gêmeos eram parecidos com Rossella? Devia estar imaginando coisas, tanto que passou a observar a estrada.
Sage parou o carro em frente ao prédio de Shion e do próprio Albafica, no que este abriu a porta com a intenção de descer, mas teve o pulso segurado firmemente pelo namorado. Engoliu seco ao notar a intensidade do olhar do mais velho sobre si, como se o advertisse para não contrariá-lo. Nesse momento, ele teve a certeza de que Sage era um homem muito controlado, esforçando-se para não deixar vir à tona seu verdadeiro gênio indócil. O próprio Shion já havia advertido Albafica de que Sage era um homem de tendências tão autoritárias quanto as do próprio gêmeo Hakurei, embora, parecesse travar sempre uma luta interna contra o próprio autoritarismo.
- Ei, eu odeio quando você faz essa cara. Esta é a cara do Hakurei, pode parar já com isso! – Mu interveio, com o cenho franzido, debruçando-se sobre Sage para encarar os olhos deste bem de perto. Sage arregalou os olhos ao ver que o filho estava com uma expressão tão autoritária quanto a sua, gargalhando de súbito e o abraçando fortemente, puxando o garoto para se sentar em seu colo ao erguer o corpo dele por cima do banco.
- Ai, que susto! Achei que fosse bater de cara no vidro, sabia? – Mu resmungava enquanto Albafica finalmente fechava a porta do carro e desistia de sair dali, ao ver a expressão de Sage completamente suavizada diante do garoto.
- Seu bobo, acha que eu o machucaria?
- Por querer, não. Mas sei lá!
- Sei lá? Isso é resposta que se preze?
- Sei lá! – Mu gargalhou da expressão incrédula de Sage com a sua resposta, ajoelhando-se, em seguida, sobre as coxas do mais alto para estalar um beijo na bochecha dele.
- Agora eu vou descer que o Shaka já está olhando com uma cara de quem não está feliz.
- Grande coisa, pois eu nunca vi o Shaka com "cara de quem está feliz". – Sage murmurou no ouvido de Mu, no que este teve uma crise de riso.
- Só que ele faz essa cara, sim.
- Só para você então, Mu.
- Pois é!
- Como assim, Mu?
Sage estreitou os olhos, intuindo a relação entre Mu e Shaka, quando o loiro bruscamente abriu a porta do motorista pelo lado de fora e o encarou com cara de poucos amigos, visivelmente irritado com alguma coisa. O que Sage não tinha como imaginar era o motivo da irritação de Shaka para consigo, tampouco que aquela reação mais agressiva do garoto era fruto de uma constante e crescente irritação com os fatos que os familiares de Mu escondiam.
- Já chega, Mu! Vamos embora logo, que seu pai está esperando a gente para o jantar.
- Calma, Sha... já estou indo, deixa eu despedir do tio Sage! – Mu quase fez um bico, contrariado. A verdade é que suas despedidas com Sage sempre se estendiam, deixando o loiro irritadíssimo com toda aquela situação na qual o namorado sequer desconfiava que aquele era o verdadeiro pai biológico dele.
- Escuta aqui, garoto, quem você acha que é para falar com o Mu desse jeito? – Sage estreitou os olhos novamente, lançando um olhar ameaçador para o loiro.
- O namorado dele. Algum problema com isso?
- Shaka! – Mu arregalou os olhos, sentindo as faces arderem. Sequer conseguiu encarar os olhos do "tio", tão encabulado que estava com a declaração do outro.
- É mentira, Mu? – Shaka perguntou secamente, sem desviar os olhos dos de Sage.
- Na-não, é que...
- Então vamos logo. Agora!
Sage ainda estava imobilizado pelo choque da notícia quando Mu beijou a bochecha dele novamente e, subitamente, pulou de seu colo, indo na direção do loiro. Fez menção de se levantar, ao ver o loiro torcer o nariz para ele e entrelaçar os dedos nos de Mu, mas foi a vez dele ter seu pulso segurado firmemente por Albafica.
- Ahn, eu... vou nessa. Foi mal... o Shaka é assim mesmo, não tem jeito. – E Asmita saiu correndo atrás do casal, empurrando o irmão e o cunhado para andarem mais rápido, antes que Sage tivesse um rompante de nervosismo e resolvesse dar cabo à vida de seu gêmeo.
Sage estava boquiaberto, assustado demais para esboçar qualquer reação. Albafica suspirou, pousando uma das mãos na coxa do mais velho e debruçando-se por cima deste, fechando a porta e travando-a, antes que o tibetano resolvesse sair dali. Não que ele não quisesse ao menos adiar a conversa que teriam, mas tinha certeza de que não seria bom se Sage decidisse ir atrás dos garotos naquele momento.
- Buddha Celestial... você ouviu o que aquele garoto disse, Alba? O meu garotinho está namorando! Ele só tem doze anos, isso não devia estar acontecendo!
- Ele está crescendo, Sage... é natural que tenha esse tipo de relacionamento.
- Mas... o que eles chamam de namoro? O que os meninos de hoje fazem? Na idade dele eu nem pensava nisso. Anos mais tarde é que eu pensaria em como faria para pedir a mãe dele em noivado!
- Você cresceu em um vilarejo, Sage. Na cidade, as coisas são diferentes. É normal namorar, se conhecer...
- Se conhecer? Como assim, Alba? – Sage estava escandalizado com o que o holandês dizia.
- Assim como os adultos, os jovenzinhos também se conhecem... ficam uns com os outros para saberem como é, se um dá certo com o outro, essas coisas...
- Conhecer em que sentido, Alba? – O rosto do tibetano estava subitamente vermelho, e ele dava sinais de que estava prestes a sair em uma verdadeira cruzada contra aquele garoto loiro, que se declarou namorado do seu filho.
- Sage, não é o que você está pensando! Eu quis dizer que é normal que eles andem por aí de mãos dadas, que queriam passar mais tempo um com o outro, beijarem-se... imagino que só. Por enquanto, claro! – Albafica não conseguiu segurar o riso ao notar o cenho de Sage tremer pelo nervosismo.
- Eu não quero pensar no que vem depois. Definitivamente, não quero. – Sage cerrou os olhos, suspirando e recostando a cabeça na poltrona do carro, pensativo.
- Então, acho que não tem jeito. Terei de ir para a sua casa com você. Eu queria adiar essa conversa um pouco, mas, talvez, seja melhor dizer de uma vez por todas. Cheguei à conclusão de que pode até ser um gesto egoísta, mas não estou disposto a abrir mão do meu homem para uma garota mimada, mesmo que ela esteja esperando um filho dele.
- Alba... é você quem eu amo. Mesmo que ela esteja grávida, nós vamos dar um jeito. E eu quero que saiba que, mesmo se eu tiver outro filho de sangue, não desistirei de adotar um filho com você. Nós teremos o nosso filho. Estamos resolvidos assim?
- Sim, estamos.
xxxxx
Lune sustentava o olhar violáceo no dourado de Minos, os cabelos platinados de ambos se misturando de forma que era impossível distingui-los. O cheiro de suor, esperma e sangue se misturava nas narinas do agente, que se perguntava mais uma vez que raios estava fazendo naquela cama junto ao homem que já deveria ter prendido. Oportunidades foram várias, mas ele procurava adiá-las ao máximo.
- Pele de alabastro tingida de cor de sangue... é tão belo quando o ar lhe falta... – Com um olhar predador, Minos demonstrava a sua satisfação em ser admirado pelo outro. Tapou as narinas dele antes de roubar-lhe mais um beijo intenso, separando os lábios dos dele apenas quando sentiu que o corpo alheio contorcendo-se pela falta de ar. Mas orgulhoso, Lune não reclamava, pelo contrário, via com resignação o sofrimento que o outro lhe impunha.
Vindo de uma família pacata e tradicional, Lune nunca havia se aceitado como homossexual. Não conseguia perdoar a si próprio por não ser exatamente aquilo que os outros esperavam dele. Escondia da família os seus romances, que, por sua vez, sempre terminavam mal. Isso porque seus parceiros eram geralmente homens sádicos, uma vez que ele não conseguia sentir prazer em ser tratado com carinho. Pelo contrário, quando maltratado, era como se a dor fosse o justo castigo que ele recebia pelo prazer sexual, e o jovem norueguês conseguia se libertar de todos os seus pudores para desfrutar do contato físico com outro homem daquela forma doentia.
Minos era o homem dos sonhos de Lune, naturalmente sádico, naturalmente louco, naturalmente intenso como apenas ele sabia ser. E justamente por notar o imenso prazer que causava no outro com os seus "castigos" é que Minos estava encantado por ele. Mas havia um pequeno detalhe... Lune estava procrastinando seu trabalho, estava agindo de uma forma que não deveria agir e que nunca havia agido antes, e havia se deixado levar completamente pela paixão arrebatadora que sentia pelo compatriota. Subitamente, estalou um sonoro tapa no rosto de Minos, bem onde já estava inchado pelo soco que Sage acertou em cheio mais cedo, estreitando os olhos enquanto ele gargalhava cinicamente.
- A que devo esse tapa, René? Está nervoso por que não consegue dizer claramente o quanto me ama?
- É porque acho que você apanhou pouco, querido.
- Não foi você quem o interrompeu, querido?
- Sim, mas me arrependi depois. Por que você tinha de mexer com o namorado do seu ex?
- Para irritar o meu ex.
- E por que irritá-lo se você tem a mim? Não sou o suficiente para você? Reconheço que jamais vi um homem tão belo quanto ele, mas está claro que ele não dá a mínima para você!
- Sim, e é por isso mesmo. Não preciso mais dele.
- Se não precisa dele, por que perde seu tempo indo atrás?
- Porque quero quebrá-lo.
- Anh?
- Quero me vingar porque ele foi embora sem a minha permissão. Só irei parar quando conseguir quebrá-lo inteiro.
- E... desde quando ele precisava da sua permissão para coisa alguma?
- Desde o momento em que ele foi salvo por mim. Ele pertence a mim.
- Ouça bem, Minos: se algum dia eu precisar da sua ajuda para sobreviver, deixe-me abandonado para morrer, ok? Serei autossuficiente nem que seja no inferno, que fique bem claro.
xxxxx
Fim deste capítulo!
Gostou? Mande seu review, please!
Grande abraço, Nathalie Chan
