Voo.
Uma Fanfiction de X-Men Evolution de Seriana Ritani. Link do profile: ht*tp:*/*/*w*ww*.*fan*fiction*.*net/*u*/*1383030/*Seriana_Ritani
Sumário: Levemente pós-série. Mística libera a força total dos poderes da Vampira contra uma mulher desconhecida, deixando-a desamparada e longe de casa, em poder de um antigo inimigo e alterada para sempre. O incidente de Carol Danvers no estilo Evolution.
N/T: Olá a todos! Então, estou tentando postar os capítulos relativamente rápido porque dá para ver que tem uma quantidade legal de pessoas lendo e por isso eu fico feliz. Aquela velha história de aumentar a oferta de fics do fandom sempre me empolga =)
Em contrapartida, eu fico um pouco envergonhada, uma vez que não tenho reviews para traduzir e enviar para a autora, como um gesto de gentileza que seria mais do que bem vindo da nossa parte. Chego numa conclusão um pouco triste, de saber que tem gente lendo, mas que quase ninguém está se importando em deixar qualquer comentário que seja.
Então eu reitero meu pedido, se você leu, escreva qualquer coisa. Isso até me dá estimulo para continuar traduzindo e também para pedir permissão para traduzir novas histórias, que certamente tem o poder de enriquecer nosso rol de fanfics. Obrigada!
Capítulo 4
Ela tocou o chão, o pé esquerdo primeiro, afastando do rosto os cabelos emaranhados pelo vento. "Como foi, Tenente?"
"Foi bom, Carol. Boa corrida. Se apresse, troque de roupa e me encontre no refeitório. O time de propulsão quer repassar as especificações do projeto deles com a gente."
"Sim, senhor." Ela pegou uma toalha pendurada nas costas de uma cadeira próxima e enxugou o suor do seu rosto. "Meu Deus, essa umidade!"
"Bem vinda à Flórida."
Ela virou para se dirigir para o vestiário quando uma voz estranha chamou por ela. "Senhorita Danvers! Com licença!"
A voz pertencia a uma mulher, baixa e simples, começando a ficar grisalha, praticamente arrastando atrás de si uma adolescente com roupa escura e maquiagem pesada de gótica. Os olhos da garota estavam desfocados. Provavelmente chapada, coitada.
Uma grande onda de piedade brotou dentro dela. Ela queria dar a garota um abraço tão apertado quanto ela pudesse suportar, mas ao invés disso se satisfez com um aperto de mão -
E então tudo foi agonia e pânico.
"Viens, chérie. Acorda. Nós temos que ir."
Vampira se sentou como uma catapulta, seu rosto coberto com suor. Gambit saltou para trás, cuidadoso em não permitir que ela esbarrasse nele. "Você está bem? Pode andar?"
Ela assentiu. Um sonho. Só um sonho. "Sim, estou bem."
O fogo tinha se extinto. A luz cinzenta da madrugada emoldurava a figura de Gambit enquanto ele se agachava na entrada do esconderijo, estendendo uma mão para ela. "Viens alors," ele ordenou, acenando.
Vampira não entendeu uma palavra do seu francês embaralhado da Louisiana, mas ela pôde perceber que eles estavam com pressa. Ela tirou o casaco e o arrumou sobre os braços, então engatinhou para o ar frio e úmido da manhã.
"Há um trem saindo em direção a Nova York," ele falou enquanto a guiava rua abaixo. "Não é todo o caminho até Bayville, mas pelo menos é mais perto do que aqui."
"Outro passeio de vagão?" Vampira resmungou. Ela não tinha intenção reclamar, não quando Gambit estava ajudando-a sem nenhuma razão aparente, mas ela ainda estava grogue e o sonho permanecia desconfortavelmente provocando sua mente.
Gambit olhou de volta para ela, sorrindo. "Pelo menos eu não te amarrei dessa vez."
O pátio ferroviário ficava apenas a uns quarteirões de distância do seu esconderijo. Mesmo a essa hora da manhã (o relógio de pulso de Vampira indicava que era cinco e quarenta e cinco) havia pessoas lá. Gambit se esquivou entre os vagões com uma facilidade adquirida através da prática, com Vampira bem atrás dele, e mantendo ambos fora de vista, até chegar a um pequeno prédio ao lado dos trilhos.
"Escritório do supervisor," ele explicou. Ele levou a mão até o bolso do seu sobretudo, o qual Vampira ainda estava vestindo, e puxou um curta tira metálica de lá. À medida que ele inseria a tira no espaço entra a porta e a estrutura, Vampira se pegou pensando na quantidade de equipamento de ladrão que ela estava vestindo e o que encontraria se colocasse as mãos nos bolsos.
Após alguns segundos, a porta se abriu. Gambit guardou a tira metálica e se endireitou. "Você pode se lavar aqui. Me encontre lá fora."
"Mas e se o supervisor vier?"
"Faça cara de coitada, pergunte o caminho para a interestadual e então me encontre lá fora."
Antes que ela pudesse responder, ele tinha ido. Vampira olhou nervosamente em torno do pátio ferroviário, então entrou empurrando a porta.
Havia um banheiro conectado com o escritório. Evidentemente o supervisor estava acostumado a trabalhar por longas horas porque Vampira também encontrou uma toalha, uma navalha e um tubo de pasta de dente, embora a toalha fosse dura e a tampa do creme dental estivesse longe de ser encontrada. Ela escovou e tirou dos seus dentes a sensação repugnante com um pouco da pasta, usando o dedo como uma escova de dente improvisada; então lavou a sujeira, o suor e a maquiagem grudada do rosto. Ela odiava o quão pálida ela parecia no espelho quebrado e manchado, mas não tinha jeito de consertar isso, e imaginou que, por enquanto, deveria simplesmente ser grata por estar relativamente limpa.
Quando ela se esgueirou para a parte traseira do edifício, encontrou Gambit agachado próximo a uma torneira enchendo galões com água.
"Aqui," ele disse, passando para ela uma garrafa cheia. "Cuidado para não derramar. Não consegui achar as tampas."
"Você tirou isso de uma lata de lixo?" Vampira exigiu.
"Nah. Comprei na 7-Eleven (1)," Gambit falou sério para esconder o ar zombeteiro. "Nós estamos com pressa e se ficarmos o dia inteiro num vagão quente de trem sem água, vamos passar mal." Ele fechou a torneira e pegou os outros dois galões. "Vamos lá. Fique por perto."
Eles fizeram o caminho de volta se esquivando através da frota de vagões, subindo com cuidado sobre os engates para evitar derramar a água. Quando eles chegaram ao que Remy dissera ser o trem que iria para Nova York, caminharam seu comprimento por quase 400 metros antes de encontrarem um vagão que ele gostasse. Ele energizou a fechadura que abriu com uma pequena explosão e empurrou a porta, então saltou com uma facilidade não natural para o dentro do vagão. "Passe as garrafas."
Enquanto ela passava a primeira, o vagão estremeceu. "Vite!" Gambit mandou, praticamente arrancando o recipiente das suas mãos. Ela se apressou para entregar o segundo, depois o terceiro.
O trem emitiu um áspero ruído metálico, começando a rastejar para frente. Gambit agachou e estendeu as duas mãos. "Vamos!"
Vampira agarrou as mãos dele e na seqüência as sentiu se fecharem em torno das suas como se fossem de ferro. Ele puxou enquanto o trem ganhava velocidade, aparentemente mais disposto a deixar que ela se arrastasse ao lado do vagão do que permitir que ela ficasse em Baltimore. Vampira saltou, sentindo o chão sob suas sandálias absurdamente extravagantes se afastar. Ela bateu sua perna contra a lateral do vagão, mas seu peito conseguiu atingir o piso. Ela se contorceu, Gambit puxou e em segundos ela estava em segurança a bordo.
"Sacré!" Gambit praguejou, massageando as mãos. "Quase esmagou minhas mãos! Ainda bem que você não é tão pesada."
Vampira ainda estava tentando recuperar o fôlego. Gambit flexionou os dedos algumas vezes para se certificar que a circulação estava de volta e então a ajudou a ficar de pé. "Me ajude a fechar a porta."
Ela colocou todo o seu peso na massiva porta deslizante, e juntos eles rolaram-na até fechar a abertura.
"Voilà," ele anunciou, limpando-se da poeira. "De primeira classe por todo o caminho."
Vampira sentou-se em um caixote para examinar a perna que ela havia batido. "Obrigada," ela murmurou. Nem mesmo uma marca; ela havia tido sorte.
Ele deu de ombros. "Você não achou que eu ia partir sem o meu casaco, não é?"
Vampira tirou o sobretudo dos seus ombros. "Aqui."
"Fique com ele, se ainda estiver com frio. Você vai enjoar dele quando o vagão começar a esquentar." Ele se sentou com as costas contra uma grade, esticou suas longas pernas e fechou os olhos. "Vamos ficar aqui um tempo, então é melhor você ficar confortável."
Um vagão preenchido pela metade com caixotes dificilmente era a ideia de conforto que a Vampira tinha. Ela sentiu uma pontada súbita de saudade da sua cama quente na mansão, das suas roupas limpas, do seu chuveiro, da cozinha cheia de comida e de todos os seus amigos que não tinham antecedentes criminais e que nunca haviam intencionalmente tentado seqüestrá-la ou explodi-la.
Mas ela não tinha nenhuma dessas coisas. O que ela tinha era um criminoso Cajun muito presunçoso, um sobretudo que ainda estava muito quente e uma carona para Nova York. Poderia ser pior. Não muito pior, mas ainda assim poderia.
Ela se enrolou entre os caixotes, apertando o casaco firmemente em volta de si, tentou dormir e espantar da memória seus sonhos abomináveis.
O relógio de pulso da Vampira indicava que era pouco depois das onze da manhã. Ela e Gambit tinham dormido, começado a tomar a água e aberto a porta quando o Sol começou a bater no teto do vagão. Agora Gambit estava sentado jogando cartas, distraidamente, e Vampira estava acomodada na porta, observando a paisagem enquanto prosseguiam ruidosamente. Gambit parecia perfeitamente contente em se sentar em silêncio todo o caminho até Nova York, mas quanto mais Vampira era deixada com seus próprios pensamentos mais ela pensava em coisas que não gostaria – o que estaria acontecendo em casa, as marcas de agulha no seu braço, a queda do avião que pareceu um sonho, o jeito que o vagão balançava e se torcia como se as paredes fossem feitas de folha de alumínio, a memória que não tinha sido real.
"Por que você está me ajudando?" ela perguntou de repente.
Gambit olhou para cima, o quatro de ouros em sua mão pronto para cair sobre alguma outra coisa. "Pode repetir?"
"Por que você está me ajudando? Eu não sou problema seu."
Ele sorriu. "Talvez eu não esteja te ajudando. Você só tem a minha palavra de que estamos indo para onde eu disse que iríamos."
Vampira não tinha pensado naquilo. "Por que você iria mentir para mim?"
"Hábito, talvez. Ou eu poderia estar te seqüestrando de novo."
"Sim, porque deu muito certo da última vez."
Ele deu de ombros e colocou sua carta no lugar apropriado. "Consegui o que eu queria." Em seguida olhou para ela, seu sorrisinho irreverente desapareceu. "Mas eu não teria dado o fora de lá se você não tivesse voltado. Você não tinha que fazer aquilo. Então, eu te devo uma. Vou te levar para casa. Gambit paga seus débitos." Ele juntou suas cartas, enfiou-as em um bolso do sobretudo (Vampira há muito tinha dado devolvido o casaco; algo no bolso estava cutucando-a e ela não queria descobrir o que era) e veio sentar-se no lado oposto da porta.
"Então… O que você estava fazendo em Baltimore, afinal?" Vampira perguntou hesitante. Ela provavelmente não ia querer saber o que ele esteve fazendo, mas era a única coisa que conseguia pensar para manter a fraca conversa, uma vez que ela não queria se sentar em silêncio com seus pensamentos por mais um minuto. "Eu achei que você tivesse ficado na sua terra natal, com sua família."
Gambit riu, olhando a paisagem passar voando por eles "Isso é o que você pensou."
"Sim," Vampira disse, surpreendida pela resposta singularmente inútil.. "Eu sei que você e seu pai não se dão bem, mas Nova Orleans ainda é sua cidade, não é?"
Ele sorriu – não para ela, mas para algo que apenas ele podia ver. "Nova Orleans sempre será minha cidade. Isso não significa que eu possa voltar."
"O que aconteceu? Os Assassinos ainda estão atrás de você?"
"Você se tornou muito mais abelhuda desde a última vez que nos encontramos, chère."
Vampira deu de ombros. "Apenas curiosidade, só isso."
"Não é uma coisa tão boa, às vezes."
"Melhor do que sentar aqui encarando minhas unhas. Por quanto tempo mais vamos ficar nessa coisa?"
"Muito tempo." Ele a avaliou por um momento, então pareceu ficar com pena dela. "Vamos sair do vento. Você sabe como jogar five card stud (2)?"
Vampira sacudiu negativamente a cabeça. "E eu não tenho nada para apostar também."
"Jogamos com pedrinhas por enquanto. Você fica me devendo um jogo de verdade."
Vampira não estava certa se ela gostou de como aquilo havia soado, mas estava entediada o bastante para ceder. Ela foi até onde ele estava jogando anteriormente e se sentou para aprender a jogar pôquer.
"Wolverine para Xavier."
"Sim, Logan? Quais são as novidades?"
"Eu peguei um rastro. Os agentes federais não a encontraram. Essas são as boas notícias."
"E quais são as más notícias?"
"Há outro rastro com ela, e este fede como um pântano na Louisiana."
"Gambit?"
"O nariz sabe, Chuck. Achei restos de uma fogueira em uma parte do sistema de ventilação de um desses armazéns refrigerados e decadentes. Parece que eles se esconderam a noite passada aqui. Eu os rastreei até o pátio ferroviário, mas o rastro se perdeu. Mas os garotos aqui me informaram que um par de trens saiu essa manhã, um direcionado para Nashville, o outro para Nova York. Então agora nós temos um problema. Se Vampira é quem está tomando as decisões nessa dupla, então eles estão indo para o norte, mas se é o Cajun que detém todas as cartas..."
"Não acho que Gambit iria querer prejudicar a Vampira."
"Eu adoraria vê-lo tentar. Boas intenções não o impediram de levá-la a força para a Louisiana."
"Aquilo foi uma circunstância única para ele. Foi premeditado. Todas as evidências sugerem que este encontro é por acaso. Eu não vejo nenhuma razão para ele se recusar a ajudá-la nas circunstâncias atuais. Certamente Vampira sabe que estamos dispostos a pagar uma quantia considerável ao Gambit para garantir o seu auxílio em trazê-la para casa."
"Então você acha que eles estão indo para Nova York?"
"Isso é o que meus instintos me dizem, sim."
Logan resmungou. "Sua decisão, Chuck. Eu vou te contar o que eu descobrir."
Mística virou um interruptor para desligar o equipamento de escuta para que ela pudesse se concentrar em pilotar o avião. "Temos uma direção."
Mais uma vez, a autora traz para você Diversão com Expressões em Francês, estrelando Gambit. Hoje as expressões são:
Viens: Venha
Viens alors: Venha logo.
Vite! Rápido
Sacré: Literalmente 'sagrado'. A expressão utilizada mais ou menos como o nosso 'caramba'.
Nota da Tradução Inglês-Português.
1. 7- Eleven: loja de conveniência. Tem esse nome devido ao horário de operação, das 7 da manhã até as 11 da noite.
2. Five-card stud: jogo de pôquer com cinco cartas.
