n/A: Faz algum tempo né?
Bom gente, voltei.
Aqui está o capítulo 3 de Into the Abyss, espero que gostem :)


Capítulo 3

7:50 AM, sexta-feira, 15 de junho.
Zona Um, Londres, LDN
Alguns Meses Atrás

O conjunto de nuvens cinzentas pairava sobre a cidade de Londres. O mau tempo ameaçava uma típica tempestade de primavera, obrigando os cidadãos londrinos a se equiparem com seus melhores e mais protetores casacos, sapatos e os guarda-chuvas.

Jolie Steimback, que era alemã, mas que vivia na cidade há muito e, portanto, adquirira os melhores costumes londrinos que sua cultura permitira, observava sua maior inimiga dos últimos meses: as escadas do pequeno e antigo prédio à sua frente.

E essa era uma das coisas que a parte alemã em seu ser não conseguia aceitar. Afinal, qual era o problema com essa necessidade de manter as coisas à moda antiga? Ela entendia a parte de preservar a beleza arquitetônica do local, que por sinal não deixava de admirar e almejar viver em um lugar parecido num futuro próximo.

Mas qual era o problema com elevadores? Certo, não são muitos andares, mas tente trabalhar como cirurgiã geral em um hospital movimentado como o St. Mungus e então, depois de um plantão de 30 horas, ser obrigada a subir 70 degraus. Aquilo chegava a ser desgastante, ainda mais com a quantidade de roupas que estava usando devido ao tempo.

Com um suspiro, a morena tomou coragem e começou sua árdua subida até o 5º andar. Fará bem para os meus glúteos, pensava ela constantemente. E, de vez em quando grunhia sem fôlego.

Ela realmente devia parar de fumar.

- Bom dia Jolie – disse uma voz parada no topo da escada que enfim chegava ao último andar do prédio.

- Bom dia Henry, – cumprimentou a morena tentando controlar a respiração ofegante – você precisa que eu assine algo?

Henry, o filho do zelador do prédio que costumava entregar as correspondências no mesmo horário e dias que Jolie aparecia, meneou a cabeça.

- Não, deixei as correspondências sobre o tapete – disse ele e Jolie adivinhou o resto de sua sentencia:

- Eu não sabia se você apareceria hoje.

Jolie sorriu educadamente.

- Eu sempre venho Henry, – disse ela, sua respiração parecia estar quase voltando ao normal – de dois em dois dias, lembra?

O rapaz sorriu.

Henry não era má pessoa, era um jovem ruivo e universitário de apenas 21 anos que demonstrava um forte interesse em mulheres mais velhas. Quando encontrou com Jolie pela primeira vez, não pareceu se importar em perguntar à morena por que estava brigando com a fechadura de um apartamento que não lhe pertencia, ele apenas corou antes de conter o brilho envergonhado em seus olhos verdes, quase transparentes, para depois, reunir toda a coragem que lhe restava e perguntar se a moça precisava de ajuda.

- Oh, é mesmo – respondeu o rapaz, demorando-se nas escadas.

Jolie pegou os envelopes no chão em frente à porta do loft, tirou as chaves do bolso lateral de sua bolsa e levando-as à fechadura.

- Obrigada por trazer as cartas, Henry – disse Jolie antes de entrar, sua mão se demorando na maçaneta – direi à Claire para lhe dar uma gorjeta boa quando... Quando... Bom, você sabe.

Henry sorriu para a moça.

- 'Magina, foi um prazer! – disse ele começando a descer as escadas – Diga a srª Claire para melhorar logo!

Jolie meneou a cabeça, era incrível como o rapaz lembrava-se perfeitamente de usar "senhora" para se referir a Claire, enquanto que com ela era sempre o primeiro nome.

- Bom... – murmurou a morena com um suspiro – acho que isso significa que é hora de eu verificar a situação.

E com isso, girou a maçaneta, mas não passou do hall.

Era como se ela tivesse entrado em um local diferente. Seus olhos percorreram o que dava para ver do apartamento de seu lugar à porta antes de enfim colocar um pé dentro do recinto.

Sua mente questionava o que poderia ter acontecido por ali. Teria sido Remus? Ou até mesmo Lily? Haviam mandado alguém para fazer faxina no local?

Havia meses desde que vira o loft de Claire – que costumava pertencer tanto a ela quanto a Remus antes da amiga expulsá-lo e o rapaz tomar lugar no sofá de Sirius – brilhando de limpeza como se fosse seminovo. O vasto espaço revelava as mesas, estantes com livros de medicina e alguns romances, sofás, hack e uma televisão livres da grossa camada de sujeira que marcara presença nos últimos meses. O saxofone postado em pé no suporte ao lado do piano e próximo a jukebox que Sirius dera de presente ao casal há alguns anos, brilhava em um dourado vivo, como se tivesse sido polido por longas horas.

Isso sem contar nas cortinas esvoaçantes com o vento que cheirava a um misto de chuva e flores, invadindo o espaço pela janela que há muito não era aberta.

- Oh, Jolie, você está aqui?

A morena olhou para o andar de cima, onde havia um espaço – com um banheiro sensualmente equipado com uma banheira antiga, um quarto espaçoso com uma cama de casal e outro quarto, menor, que seria do bebê, caso este tivesse nascido.

O cenário era estranho para um loft, porém, desde que Claire e Remus souberam que um bebê iria chegar, mandaram que se iniciasse uma reforma completa, de forma que o local parecia um apartamento aconchegante para uma família pequena.

Porém, naquele momento, o que interessava era a moça parada com um sorriso suave nos lábios. Um lenço cobria sua cabeleira loura, e um avental escondia suas roupas.

- Claire... – Jolie sussurrou sem conter a surpresa – Você limpou tudo isso sozinha?

- Sim... – disse ela se dirigindo a escada para encontrar-se com a amiga – Estava tão sujo, você não acha?

De fato, estava mesmo. E Jolie sabia disso, mas não disse nada. Apenas observou a amiga por algum tempo. Seu sorriso era fraco, mas mostrava mais vida do que produzira em meses. Sua aparência era pálida, quase anêmica, porém, parecia ligeiramente disposta.

- O que foi? – a loira riu do estado estupefato da morena – Você deve estar cansada, venha vou lhe preparar um chá com um pedaço de torta que eu fiz com aqueles pêssegos que você trouxe outro dia.

Jolie sorriu enquanto via a amiga se direcionar a cozinha.

- Claire?

A loira buscou seu olhar de maneira curiosa.

- É bom ter você de volta.

12:55 AM, terça-feira, 27 de janeiro
Hospital St. Mungus, Londres, LDN
Atualmente

- Claire voltou.

O silêncio se instalou de maneira que o timbre da voz de James ainda parecia presente no ar, fazendo com que ele se mexesse desconfortavelmente em sua cadeira.

A verdade era que ele sabia bem que a amiga estava de volta. Além da maneira descontraída como Sirius havia lhe informado sobre a presença da loura quando se trocavam no vestiário pela manhã – logo após a saída de Remus, James também tivera a surpresa de vê-la passando pelo corredor com um grupo de residentes.

Seu choque fora tanto que ao menos conseguira retribuir o sorriso que Claire lhe dera.

E agora Remus o olhava acusadoramente.

- Hm, eu já sabia – disse Jolie hesitante tomando a atenção de Lupin para si, a morena largou o garfo para fitá-lo – Acabei de encontrá-la.

- Há quanto tempo vocês sabem? – perguntou Lupin, suas defesas pareciam ter atingido o chão, o que deixava James se sentindo culpado – Por que não me contaram?

- Eu soube essa manhã – disse Sirius olhando para algum ponto além de Jolie – estive com ela e seus internos.

Remus manteve-se em silêncio, enquanto parecia procurar absorver as informações.

- E você? – perguntou olhando para James.

Um suspiro escapou dos lábios do moreno. Odiava o desconforto que se passava na conversa embora não fosse algo que se pudesse evitar. A relação de Claire e Remus sempre fora tão concreta que se James não os conhecesse, diria que era mentira.

Lembrava-se de como Lupin costumava causar problemas no colégio devido sua infância conturbada.

Recordava-se também de como ele próprio havia se sentido um tanto inquieto quando tivera de levar o garoto à sua casa para que pudessem realizar o trabalho de marcenaria do 7º ano – sendo este um castigo indireto dado pelo professor que não aguentava a bagunça feita por ele e Sirius durante as aulas.

Fora nesse mesmo dia que Remus conhecera Claire, quando esta chegara de surpresa junto de Jolie – que crescera na enorme casa vizinha à mansão da família Potter, podendo assim ir e vir a qualquer momento.

- James, essa é a Claire – apresentara-lhe Jolie, seu olhar fixo ao dele como quem insinuasse que aquela era a tal amiga de quem tinha lhe falado.

Não era nem preciso recordar o resto daquela tarde para dizer em quem a tal amiga de Jolie havia causado algum efeito. Fora antes de ir embora que Remus parara ao portão da casa de James e, com hesitante timidez, perguntara-lhe se "sua amiga loura" voltaria no dia em que continuariam o projeto na próxima semana.

James reprimiu um sorriso com a lembrança. Seus olhos fitaram o amigo que aguardava uma resposta.

- Cruzei com ela no corredor antes da minha cirurgia – respondeu com honestidade – Ela parecia bem.

Remus assentiu olhando para o próprio prato.

- Você vai procurá-la? – Perguntou Jolie.

A resposta veio apenas com um meneio de cabeça acompanhado por um dar de ombros.

James estava tão envolvido em seu sono desprovido de sonhos que mal ouvira quando a porta se abrira lentamente. Sua mão envolvia seu Pager a espera da chamada que o despertaria no horário certo, como havia combinado com a enfermeira da pediatria.

Se não estivesse tão cansado, provavelmente notaria a figura feminina que trancara a porta, livrando-se dos sapatos e aproximando-se do beliche onde ele dormia.

Porém, fora apenas quando as mãos geladas da ruiva roçaram sua barriga enquanto procuravam os cadarços da sua calça do uniforme do hospital que o rapaz despertara.

- Meu Deus Lily – grunhiu James quando recuperou a voz após o susto de encontrar sua mulher sobre si – Você poderia ter me acordado de um modo mais gentil!

- Mais gentil que isso? - Perguntou a ruiva mostrando-lhe um sorriso inocente.

Com um suspiro, James se viu parar um segundo para admirá-la.

Embora não houvesse um pingo de inocência por trás daquela máscara cheia de segundas intenções e mesmo que não estivesse usando seus óculos naquele momento, Lílian sempre seria a mulher mais bonita que James já vira.

Era fato que, como qualquer um, Lily possuía sim suas imperfeições. Fossem elas as inúmeras sardas espalhadas por sua face e corpo ou até mesmo o fato de suas sobrancelhas serem tão claras que mal apareciam, obrigando-a a realçá-las com maquiagem.

Mas para James, Lílian tinha uma força descomunal apenas pelo modo como costumava olhá-lo com tanta intensidade em seus olhos verde-esmeralda. Fosse naquele momento, onde havia acabado de sair de uma cirurgia de horas e seu cabelo ruivo se mostrava embaraçado caindo-lhe pelos ombros, ou quando estava pronta para jantar com seus pais nos finais de semana de folga.

- O que foi? – Perguntou-lhe a ruiva.

Um sorriso cresceu nos lábios de James e ele sabia que não conseguiria escapar das intenções da ruiva, por mais cansativas que lhe tivessem sido nos últimos dias.

Eram momentos como aquele que ele se dava conta de que jamais poderia controlar o quanto a amava. E eram momentos como aquele que descobria o quão fraco um homem apaixonado poderia ser.

- Não foi nada – respondeu-lhe o médico.

Ela lhe deu um sorriso impaciente.

- James, eu acho que estou...

Ovulando. Ele sabia, mas não a deixara terminar.

Tomara os lábios da ruiva como costumara fazer no último ano de faculdade, puxando-a para si como se houvesse o mesmo velho desespero de terem de levantar cedo no outro dia para fazerem provas de conclusão de curso.

Ele também invadira sua blusa do uniforme com a mão, a procura do fecho do sutiã, como tinha feito quando completaram muitas semanas de namoro, porém, sem carregar o mesmo nervosismo de senti-la se render ao seu toque em sua primeira noite juntos.

Lily separou-se dele para fitá-lo. Embora não estivesse de óculos, James podia ver a perfeição de seus olhos esmeraldinos fitando-o interrogativamente.

- Certo, o que houve? – Perguntou afastando-se um pouco.

James riu, rolando-a para que ficasse sob ele e então levantou-se um pouco, ajoelhando-se para que pudesse retirar a blusa.

- Não houve nada – respondeu dando de ombros – Só faz algum tempo que nós não fazemos isso sem pensar apenas em um bebê.

Lílian o fitou por alguns segundos antes de abrir um sorriso.

- Podemos continuar? – Perguntou, um ar maroto bastante conhecido brilhava em seus olhos castanho-esverdeados.

- Podemos – assentiu Lily.

E com isso, James tomou a vez para se dedicar ao cadarço que prendia as calças de sua esposa.


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