Intervalo? Não acreditava o quanto o tempo se passou. Mal percebi que já estávamos no intervalo. Eu... Estava pensando tanto assim ao ponto de não notar o horário?
Fechei meus olhos e suspirei com a minha descoberta. Mas não conseguia esconder o quanto aqueles pensamentos mexeram comigo. Eu deveria estar ficando louca por imaginar tal coisa com aquele orelhudo.
Eu confesso, por mais que ele seja bonito... Digo, lindo e dono de um corpo maravilhoso... A sua personalidade horrível sempre acaba se sobressaindo mais que sua própria beleza.
A primeira impressão que temos das pessoas é fundamental e por mais que essa pessoa seja possuidora de uma rara beleza é impossível não notar a personalidade da mesma. E o quanto mais arrogante ela for, pior será o nosso conceito sobre ela. Nesse caso, Inuyasha é um ótimo exemplo disso.
Suspirei cansada. Se ele fosse um pouquinho mais amigável, quem sabe eu não me tornaria sua amiga? Bem, eu disse quem sabe!
– Vai ficar ai mesmo? – Escutei a voz de Rin tirando-me de meus devaneios.
E então eu percebi que ainda estava sentada na carteira enquanto Sango e Rin se preparavam para sair da sala.
– Oh, me esperem! – Levantei-me de súbito e corri para alcançá-las.
Sango e Rin são minhas amigas desde os dez anos de idade, posso dizer que simplesmente crescemos juntas. E pelo fato de sempre estudarmos no mesmo colégio, nos fez ficar mais próximas do que já éramos.
– Você é realmente lerda Kagome! – Notei o tom de brincadeira na voz de Sango.
– Concordo! – Desta vez quem se pronunciou fora Rin. – Uma lesma é mais rápida que você! – Não sabia se ria da piada ou da ironia sem graça presente nas palavras de Rin.
– Oh, que engraçado! – Nunca gostei de ser irônica, mas naquele momento... Era preciso ser.
O silencio se fez presente. Caminhamos a passos rápidos e chegamos ao pátio, a qual todos já se encontravam. Alguns estavam sentados nas mesas, outros andavam em direção aos banheiros e a maioria lutava na enorme fila da cantina.
Suspirei. Assim como a maioria, nós também iríamos lutar para conseguir algo que saciasse nossa fome. E só de pensar em enfrentar todas aquelas pessoas, minha fome aos poucos desaparecia.
Na realidade, o problema não seria enfrentar tantas pessoas e sim encontrar certas pessoas em meio a tantas. Se pensaram na Kikyou e em suas seguidoras, muito bem! É delas mesmas que estou me referindo...
E como meu dia não poderia ficar melhor, eu realmente me deparei com essas certas pessoas!
– Oh! – A escutei murmurar enquanto seus lábios pintados de vermelho sorriam debochadamente.
Tentamos ignorá-la, já que tudo o que ela mais deseja é chamar a atenção. E por incrível que pareça, aquela fila não demorou a desaparecer. Logo fomos atendidas e assim que pagamos pelos nossos lanches saímos o mais rápido daquele lugar.
Mas como eu havia dito que o meu dia não poderia ficar melhor... Foi inútil tentar encontrar alguma mesa vazia naquele enorme pátio que parecia abrigar todos os estudantes do colégio.
A única opção que tivemos fora sentarmos nas mesas pequenas próximas a cantina. O que fora nosso erro fatal já que certas pessoas se encontravam próximas de nós.
– Então é aqui que sempre se escondem? – Não me surpreendi em saber que a dona daquela voz era Kikyou.
Kagura e Kanna apenas se deixaram sorrir diante daquele comentário. E como meu maldito orgulho sempre me domina, foi impossível não tentar responder algo.
– Ora Kikyou, por favor, não estou com animo para as suas provocações! – Isso não deixou de ser verdade, aquele dia já estava sendo cansativo demais.
– Deixe Kagome, não vale à pena! – Rin dera uma mordida em seu lanche e pareceu não se importar com a presença delas, principalmente a de Kagura.
Rin e Kagura nunca se deram bem. Não apenas pelo fato de estarem interessadas no mesmo homem, – Que por coincidência é veterano no colégio e irmão de Inuyasha – mas da maneira que Kagura age quando deseja pisar nela. Em toda minha vida, nunca conheci uma mulher tão baixa e vulgar como ela! Claro, não se esquecendo de Kikyou e Kanna.
Mas naquele momento, senti que Kagura se ofendeu pela ousadia que Rin tivera em apartar uma futura discussão. A expressão de seu
rosto mudara, parecia tensa e irritada, mas logo um sorriso maldoso brotara sobre seus lábios vermelhos.
– Pelo jeito são apenas covardes! – Ela se intrometera. E Rin lhe lançara um olhar indiferente, como se não se importasse já que sempre soubera que o esporte preferido de Kagura era provocá-la.
– Quer realmente nos testar para ver se somos covardes? – Desta vez, quem não conseguira ficar quieta fora Sango. A vi levantar o punho fechado como se estivesse pronta para socá-la.
Kagura a olhara surpresa pelo atrevimento e Kanna que sempre parecia tão quieta decidiu agora se pronunciar.
– O que foi que disse? – As palavras dela saíram frias.
Sango e Kanna, ambas são outro caso perdido. O problema na realidade é que Sango é interessada em um certo pervertido – Apesar dela não querer admitir. – e Kanna é um dos passados rolos de Miroku. E
que por coincidência, é amigo de Inuyasha.
É incrível como tudo nesse colégio parece estar envolvido com esse orelhudo arrogante.
– É surda agora? – Sango revirou seus orbes escuros.
– Ora sua... – Kanna parecia se controlar para não dizer algum impropério.
– Pare kanna! – Kikyou a interrompeu antes que a pequena e fria Kanna se descontrolasse. – Estamos perdendo nosso tempo com elas!
– Em apenas uma coisa eu concordo com você Kikyou! – Me levantei e me aproximei da mesma. – Não vale à pena discutir, mas isso aqui eu sei que vai valer muito! – E não esperei nem mais um minuto. Fiz questão de deixar a marca de meus cinco dedos na face de Kikyou.
Não sei como pude contar sobre a vida de Rin e Sango sem a menos dizer sobre a minha. E por mais que possa ser surpreendente, eu e Kikyou já fomos muito amigas, mas uma pequena briga acaba com qualquer relacionamento. Comigo e com ela não foi diferente! E tudo porque eu fui acusada de roubar algo que lhe pertencia. O que de fato, eu não o fiz.
Mas creio que se esse desentendimento não tivesse acontecido, jamais eu perceberia o caráter dessa mulher. E eu o descobri depois de muito tempo convivendo com essa mesma situação dia após dia. Como eu já disse, as pessoas realmente gostam de acabar com a pouca paciência que ainda me resta.
Meu passado foi deixado para trás em meus pensamentos e agora eu me encontrava mais uma vez no presente. No presente em que eu acabei de esbofetear aquela que nunca me deixara em paz. O tapa fora alto e eu a vi colocar a mão no local em que seu rosto ardia.
– Como teve a coragem de fazer isso? – Kagura estava indignada.
– Eu acho que isso é entre a Kagome e a Kikyou Kagura querida! – Olhei em direção de onde aquela voz vinha e me surpreendi de encontrar Rin ao meu lado me apoiando.
– Ora sua... – Antes que Kagura pudesse retrucar algo, ela fora interrompida por outro barulho de tapa.
Senti meu rosto arder. Eu havia acabado de receber um tapa de Kikyou. A olhei de uma forma assassina e quando estava prestes a levar a mão e desferir outro tapa nela, meus braços foram agarrados. Levantei a cabeça para olhar quem estava me segurando e o inspetor era o dono daquelas mãos grandes que me impediam.
Desviei os olhos de seu rosto e fitei Kikyou, que parecia estar na mesma situação que eu. Não precisava ser um gênio para saber o que iria acontecer... Kikyou e eu iríamos ser acompanhadas até a diretoria.
Meu dia realmente não poderia ficar melhor.
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Caminhou lentamente até a mesa onde minutos atrás estava e voltou a sentar-se nela.
– E então? – O hanyou de cabelos prateados perguntou.
– Era uma briga! Entre Kikyou e Kagome... – Aquele que acabara de sentar-se na mesa se pronunciou pela primeira vez enquanto fitava a alvoroço de pessoas no pátio.
– Kagome? – Inuyasha se surpreendeu. – Tem certeza que era ela na briga Miroku?
– Não tem como aquelas belas nádegas me enganarem Inuzinho, era realmente ela! – Miroku lhe sorriu.
Mas logo o sorriso desaparecera ao notar o olhar mortal na face do outro.
– Por favor, cale essa sua maldita boca Miroku! – A voz de Inuyasha saíra alta demais. Alta o suficiente para fazer varias pessoas o encararem.
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Não sabia o que era pior. Estar na diretoria ou no mesmo lugar com a presença de Kikyou. Diante de nós estava Kaede, a diretora.
– Bem, fora uma agressão, não? – Kaede nos fitava atentamente
– Kagome quem começou! – Kikyou dissera com um brilho de esperança de ter feito a culpa cair sobre mim.
– Porque você mereceu, caso contrário eu não teria feito nada! – Me defendi.
– Não me interessa quem começou! – Kaede novamente se pronunciou.
– Expulse-a logo, assim não precisará perder seu tempo! – Kikyou parecia tranqüila demais diante a uma situação como aquela e eu não estava entendendo nada.
– Calada! – Ainda assim, eu precisava me defender.
– Por favor, pelo menos finjam que possuem educação!
E aquelas palavras me acertaram em cheio como um soco no estomago. Diante daquilo eu não possuía nada para retrucar. E nem deveria já que quem se manifestara fora a própria diretora Kaede.
– Apenas não quero que isso se repita novamente! Essa escola tem uma reputação a zelar! – Não sabia como, mas ela impunha respeito.
– Sim! – Kikyou e eu falamos juntas.
– Ótimo! – Kaede gostara do que ouvira. – Kikyou, vá para sua sala! Apenas a Higurashi ficará...
Hãn? O que? Eu não estava entendendo! Kikyou também deveria continuar naquela sala, mas eu fui à única que fiquei. Algo me diz que a tentativa de Kikyou em colocar a culpa em mim tinha dado certo. E assim que a mesma saíra da sala, eu arrisquei em lhe perguntar.
– O que a senhora deseja conversar comigo?
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Queridos, aqui esta mais um capitulo antes de minha viagem! Em breve viajarei e por certo a fanfic ficará por volta de 10 dias sem atualização... Farei um esforço para postar enquanto viajo, mas não prometo nada ;T Enfim, espero que gostem deste capitulo *-*
