O Pássaro Raro

Por: Sissi

Disclaimer Os personagens principais desta história foram retirados do anime Inuyasha de Rumiko Takahashi. O nome da cidade de Cloé foi inventada por Ítalo Calvino, no seu livro ( que é maravilhoso! ) As Cidades Invisíveis. O título desta história não tem nada a ver com o livro de mesmo nome escrito por Jostein Gaarder ( que por um mero acaso, é um dos meus escritores favoritos ).

Aviso: Este fanfiction trabalha com o par romântico Kagome/Sesshoumaru. Se você não gosta deste par, sempre existe o botão voltar. Não diga que eu não avisei. Para os que gostam deste par, ou simplesmente querem experimentar algo novo, sejam bem vindos! É hora do show!


"O Curinga ronda intranqüilo entre os elfos de açúcar como um espião num conto de fadas. Faz suas reflexões, mas não tem nenhuma autoridade a quem informar. Só o Curinga é que vê. Só o Curinga vê o que é."

Extraído de Maya, por Jostein Gaarder


Capítulo 4: Aceitar ou não aceitar?

A sensação efêmera de plumas cálidas roçando sua pele, provocando cócegas e uma sensação de frescura e prazer logo pela manhã, logo após o despertar, não era algo que Kagome sentia todo dia. Geralmente, ela acordava com seus músculos doloridos, um pouco duros depois de horas a fio na mesma posição, com os dedos dos pés fincados nos galhos das árvores, e com sua cabeça repousando sobre seu peito. Sua mente geralmente precisava de alguns minutos para se ajustar à sua nova posição, ao novo tempo, à sua vida um pouco mais perto do fim. Entretanto, naquele dia, algo diferente estava acontecendo. E foi por isso que, com um pouco de medo, Kagome abriu os olhos, e soltou um grito de espanto.

Sua voz ressoou pelo quarto, como o estrondo de uma árvore após ser derrubada pela floresta, e com as faces rosadas, ela tampou a boca com as mãos, olhando a sua volta freneticamente. Seus longos fios de cabelo, negros e brilhantes, esvoaçavam ao redor de seu rosto. Eles cintilavam à medida que os raios de sol refletiam-se neles. Kagome, porém, não prestava atenção nisso. Apenas um pensamento a dominava.

As grades da sua gaiola, onde estavam?

Por um momento, por poucos segundos, um calor de dentro de seu peito se aflorou e começou a se alastrar pelo seu corpo, como a lava de um vulcão escorrendo pela montanha, numa velocidade inimaginável, queimando tudo pelo caminho. Era terrivelmente quente, e a consumia com voracidade. Sua alma frágil, que estivera presa por tanto tempo, soltou-se das correntes e voou para longe.

E então, uma tempestade de neve chegou, e parou a atividade do vulcão, talvez, adormecendo-o para sempre.

Longe dali, Kagome ouviu o rufar de asas de um pardal.

- Bom dia, meu bem. Como você está? Dormiu bem ontem à noite? – Uma voz suave e terna lhe perguntou. Kagome virou o seu rosto para o lado, e avistou uma senhora de cabelos brancos sentada placidamente numa cadeira, com uma tigela fumegante entre suas mãos. A velha senhora sorriu, e mostrou seus dentes alvos e estranhamente belos. Kagome puxou as cobertas mais para perto de si, e abriu a boca.

Nada.

- O que foi? O gato comeu a sua língua?

Kagome fechou a boca com um estalido. Ela sentiu um arrepio subir pela sua coluna.

A boa senhora parou de sorrir, e pôs com cuidado a tigela quente sobre a mesa. Ela apoiou ambas as mãos sobre a mesa, ao redor da tigela, e se levantou. Suas pernas estavam ainda duras pela manhã. Com passos lentos e arrastados, ela chegou para perto da cama, e se sentou nela. O colchão afundou com o novo peso.

- Desculpe-me pelas minhas palavras. Fui um pouco inconseqüente.

Kagome mordeu o seu lábio inferior.

- Ah, não fique assim... – e, sem avisar, abraçou a jovem. Kagome arregalou os olhos, e soltou um grito, que foi perdido para o sempre. Maya bateu de leva nas costas de Kagome, e quando sentiu o jovem corpo ainda tenso e duro sob suas mãos, suspirou, e a soltou. Seus braços tombaram para os lados, resignada.

- Não tenha medo, não vou machucá-la.

Kagome abaixou os olhos para o seu colo. Suas faces estavam quentes e vermelhas.

Maya se levantou da cama, e trouxe a tigela para a cama, onde a ofereceu para Kagome. Ela inalou o delicioso aroma do mingau de aveia com algumas rodelas de banana, e ouviu um ruído grave escapar de seu abdome. Maya soltou uma gargalhada, seus olhos brilhando contra a manhã. Kagome, não sabendo o que era o som, mas percebendo que a outra pessoa no quarto ria dela, abaixou seu rosto.

Maya bateu-lhe carinhosamente nas costas, repousando uma mão sobre seu ombro direito. Com a outra, colocou o mingau debaixo do nariz da garota.

- Vamos, coma. Você deve estar com fome.

Kagome aceitou o convite e pegou a colher que Maya lhe oferecia entre os dedos desocupados (dentro de sua mente, ela se maravilhava com a destreza dos dedos). Segurando a colher meio sem jeito, ela mergulhou o objeto dentro da massa de consistência diferente de sólido e líquido. Levantando-o, ela teve que segurar a colher como se fosse um bebê, pois não conseguia usar direito o polegar e o indicador. Maya, enquanto isso, assistia a tudo com um sorriso entre seus lábios, divertindo-se com a cena apresentada diante de si. O nascer de uma nova criatura sempre lhe trazia imensa alegria e prazer.

Kagome colocou a colher na boca, e com a língua, saboreou o mingau. Seus olhos se arregalaram imediatamente, e ela tossiu para fora o objeto e a comida. Ela abanava sua língua, que ela deixara exposta para fora a fim de esfriá-lo.

Maya soltou mais uma gargalhada, e com os olhos cheios de água, foi até a mesa, e encheu um copo de água. Ela o ofereceu à passarinha, que bebeu tudo em um só gole.

- Ah, meu bem, me desculpe. Achei que você sabia que o mingau estava quente. Mil desculpas. – Maya pegou uma nova colher e trouxe a tigela mais uma vez para perto de Kagome. Ela encheu a colher de mingau, e assoprou com força. A fumaça branca que emanava do prato desaparecia com seus sopros. Ela ofereceu-a mais uma vez a comida. Kagome olhou o mingau, e fez que não com a cabeça. Maya suspirou.

- Vamos, está tudo bem agora. Você não quer passar fome, ou quer?

Sua voz era sincera, e terna, porém Kagome podia perceber que ainda havia resquícios de que a outra ainda ria dela. Kagome fechou a cara, e continuou firme em sua decisão.

Maya meneou a cabeça, e se levantou da cama. Ela pôs a tigela na mesa, e se sentou na cadeira, pensativa. Seus dedos se entrelaçaram sob seu queixo, e com os olhos perspicazes, observou Kagome.

- Imagino que tenha perguntas para me fazer.

- Sim, - Kagome replicou, e sua voz era suave, gentil, melódica. Maya sorriu.

- Como imaginei, - Maya disse para si mesma.

Kagome inclinou a cabeça para o lado, e seu cabelo roçou sua bochecha. Os olhos de Maya ficaram nublados por um momento.

- Você tem uma bela voz.

Kagome levantou e abaixou os ombros, indiferente.

- Ah, não fique assim. Tenho boas notícias. Dentro em breve, você poderá ganhar a sua liberdade. O que você acha?

Kagome arregalou os olhos, e apertou as cobertas com força. Seu coração começou a bater violentamente dentro de seu peito, e ela podia ouvir o sangue subir pelas suas faces, perto de seus ouvidos.

Tum-ta, tum-ta, tum-ta...

Com a voz rouca, cheia de emoção, ela perguntou:

- E... o que eu terei que fazer?

Vender a minha alma, com certeza... Kagome pensou, entristecendo-se à medida que Maya não dizia uma única palavra.

Maya ajeitou sua saia, e em seguida, ao olhar a sua visitante, sorriu, e aproximou-se de Kagome de tal forma que seus lábios quase roçaram o lóbulo direito da pequena pássara. Kagome tremeu de expectativa e de medo.

- Apenas...

Kagome prendeu sua respiração,

-... Mostre-me...

... e sua visão foi ficando nublada,

- ... ou melhor, mostre a um ser humano qualquer...

...e finalmente, uma lágrima escorreu de seus olhos,

- ... Por que é tão importante viver.

...Caindo em cima do lençol.

oOoOoOoOo

Kagome aproximou-se do peitoril da janela, e recostou seu queixo sobre seus braços, virando seu rosto para o lado. Era uma linda manhã, com uma suave brisa a beijar-lhe as faces. O sol já estava quase chegando ao seu destino final, quase pronto a mostrar todo o seu imenso resplendor àquele pequeno planeta azul, isolado e sozinho no universo.

Kagome piscou os olhos quando avistou uma borboleta cintilante a voar perto de uma árvore. Ela era linda, e as escamas faiscavam quando os raios de luz refletiam-se contra a superfície lisa de suas asas. O movimento lânguido destas era hipnotizante, e a recém-garota se viu observando a rotina deste pequeno ser. Ela aprendeu imediatamente que a borboleta em questão gostava de flores coloridas e perfumadas. Ela também aprender que, uma vez descoberta o néctar açucarado das flores, uma longa haste aparecia de sua boca, e mergulhava-a para dentro da flor. Kagome quase podia jurar que a borboleta fechava os olhos sempre que o açúcar tocava-lhe a língua (ela ainda estava se debatendo se a borboleta tinha uma língua, mas acreditava que sim. Afinal, não seria triste demais não poder sentir o delicioso sabor do mel recém preparado pelas abelhas? Ou o maravilhoso sabor de chuva se aproximando com as nuvens cinzas, carregadas de água? Ou o milagroso sabor de primavera no ar, contagiando todos os animais?).

A borboleta pousou sobre um galho de uma árvore, e suas grandes asas se aproximaram verticalmente. Ela parecia, agora, ser um desenho retirado de um bloco de desenho, pintado a mão com tinta aquarela, e com a arte-final feita a partir de tinta nanquim.

Era a perfeição em carne e osso, Kagome pensou. E, dentro de seu coração, algo muito precioso se quebrou.

Kagome suspirou, os olhos ainda fixados no inseto. A borboleta, como se soubesse que alguém a observava, levantou vôo, e voou para longe dali. Sua platéia silenciosa aplaudiu com os olhos. Era o fim do espetáculo.

Kagome observou suas mãos perto de si. Elas eram estranhas, humanas, frágeis demais para ela. Não imaginava como ela conseguiria se proteger de animais ferozes, ou como se manteria de pé numa árvore sem cair. Talvez fosse por isso que os homens haviam criando tantas máquinas mortíferas, ela disse para si mesmo.

E era verdade, a mais pura verdade.

Tudo o que os homens haviam construído, construíram a fim de se proteger, além de facilitar sua vida. O fogo, antes algo tão inatingível e raro, era, hoje, facilmente obtido com um mero movimento de dedos. Roupas de lã, quentes e aconchegantes, conseguiam retardar o mais frio dos invernos.

Sim, os homens eram, e são, bastante frágeis...

oOoOoOoOo

Kagome viu, perto do peitoril, um jovem casal, de mãos dadas e com grandes sorrisos em seus rostos. Parecia que a primavera havia chegado antes para eles, e a jovem garota sentiu um calor espalhar-se pelo seu peito.

Aquelas mãos juntas, entrelaçadas...

Alguma coisa de belo, de inexplicável estava diante de seus olhos, mas ela não conseguia explicar o quer era. Talvez fosse a expressão de seus rostos, que parecia mostrar que ambos estavam no Paraíso; ou talvez, os gestos carinhosos e delicados que um fazia no outro, como se seu amado fosse feito de cristal; ou então, e Kagome pausou nesta questão, enrugando sua testa, era o estranho gesto de pousar os lábios sobre os do outro que a deixava transtornada.

Sim, deveria ser esta última questão.

A boca, para Kagome, significava comer. Mas, uma pessoa não come a outra, certo? Pelo menos, ela nunca vira um ser humano comer o outro (é claro que ela podia estar errada, pois ela era ainda muito jovem, mas algo dentro dela dizia que não, que a boca tinha algum outro significado. Qual seria, ela não saberia responder).

Com um movimento dos ombros, ela abaixou a cabeça.

Estava cansada.

oOoOoOoOo

- Já decidiu, meu bem? – Maya perguntou, entrando no quarto com algumas peças de roupa em seus braços. Kagome levantou os olhos, mas não se mexeu. Maya arqueou uma sobrancelha.

- O que foi?

Kagome se virou na cama, e suspirou.

- O que significa pousar os lábios de uma pessoa na outra?

Maya riu, e olhou Kagome com curiosidade.

- Minha querida, o que você acaba de descrever significa beijar.

-Beijar? – Kagome replicou, saboreando o som desta palavra.

Beijar... Beijar...

- Sim, beijar, e significa que aquela pessoa ama aquela outra.

- Amar...

Maya sorriu, e se sentou na beira da cama.

- O que a fez pensar em beijos, se é que posso perguntar?

Kagome abaixou os olhos para a cama, e suas faces ficaram vermelhas em um instante. Maya riu consigo mesma.

- ...Curiosidade.

- Ah... - e Maya acenou a cabeça, compreendendo sua palavra. Ela pousou uma mão no seu ombro, e com a outra, levantou a face de Kagome. Seus olhos fortes se fixaram nos olhos azuis da outra. Kagome empalideceu rapidamente.

- Se você quiser saber mais sobre os homens, sugiro que aceite minha proposta. Você sairá ganhando, tenha certeza disso.

Kagome ficou em silêncio, devorando suas palavras.

- Mas os homens são frágeis, e eu sou humana agora.

Maya franziu a testa.

- E você está com medo disso?

Kagome abriu a boca, e um monossílabo escapou da sua garganta. A velha senhora suspirou.

- Entendo.

Kagome fechou os olhos, cansada.

- Mas os homens são fortes, querida. À sua maneira, é claro.

Kagome abriu os olhos, e olhou a mulher do seu lado.

- De que maneira?

Maya piscou para Kagome, e bateu-lhe de leve na coxa.

- Oras, eles possuem o amor.

E Kagome ficou calada, mastigando sua mensagem.

oOoOoOoOo

- Sim, Kagome?

Ela estava assustada, nervosa. Suas mãos não conseguiam ficar quietas, e ela quase bateu em si mesma.

Não fique nervosa desse jeito!

Mas seu corpo não lhe obedecia, e Kagome mordeu seu beiço, indignada consigo mesma.

- Sim?

- E-eu... aceito a sua proposta.

Os olhos de Maya se arregalaram, e uma luz parecia se irradiar deles. Ela abriu os braços, e Kagome, sem jeito, aproximou-se de seu corpo, sentindo, pela segunda vez, o calor de um abraço humano.

Era reconfortador, ela admitiu silenciosamente, mas seu coração não deixava de bater furiosamente, quase que enlouquecidamente.

- Maravilhoso! Amanhã mesmo, você escolherá seu projeto!

Maya disse com muita animação em sua voz. Kagome sorriu com timidez, e pousou sue queixo no ombro de Maya.

Era um gesto de rendição... ou simplesmente de cansaço?

Kagome podia sentir uma laço invisível se atar em volta de seu corpo, e ligá-la, talvez para sempre, a esta estranha mulher chamada Maya. Era algo perigoso, seu pequeno coração lhe dizia, mas nada podia fazer. Sua curiosidade falava mais alto. Algo lhe dizia que uma grande surpresa ainda viria lhe fazer uma visita.

Poderia ser uma visita má, mas ela duvidava disso. Afinal, ela passara muito tempo presa, e nada poderia ser pior do que isso.

Certo?

Do fundo de sua garganta, uma nota musical brotou, e floresceu.


Notas da Autora: Desculpem-me pela demora deste capítulo, mas Luz e Sombras é a minha prioridade do momento.Espero que gostem deste capítulo, porque ela foi muito difícil de ser escrita. Fiquem à vontade para criticar a história.

Kurumi-chan : É sempre muito gostoso ouvir pessoas que também gostam deste casal, eles são lindos, né? Muito obrigada pelas suas palavras, e sim, estive sumida, mas não dá para escrever o tempo todo, o que é uma pena. Espero que goste deste capítulo. Estou tentando escrever o próximo capítulo de Luz e Sombras, então aguarde atualizações desta outra fic minha. Bjos.

Dani: Oi, Dani! Nossa, estou vermelha depois de ler todos os seus elogios! Rsrs. Muito obrigada, amiga, elas me dão forças para continuar a escrever. Eu também adoro fantasia, assim como você disse, e talvez seja por isso que eu ame tanto Harry Potter. Adoro entrar num mundo novo, diferente, em que tudo é possível, bastando apenas força de vontade (parece que estou descrevendo Zephyr de Guerreiras Mágicas de Rayearth. Rsrs). Tentei dar um toque surreal a esta história, não só pelos personagens, mas pelo próprio tom da história. Espero que tenha dado certo neste capítulo. E sim, vai ter romance, não se preocupe. Aliás, eu também amo romances, não apenas aqueles bem açucarados, mas aqueles em que há muita drama e o desenvolvimento de vários conflitos. O final não precisa ser feliz para mim, para ser sincera, bastando que o casal se ame. Obrigada pela inspiração, vou tentar escrever o máximo que puder. Bjos, te adoro! Ah, e adorei ter te encontrado no Animecon!

MaHn: Oi, Mahn, tudo bom? Não se preocupe se você não viu esta fic antes, aliás, não precisa ler todas as minhas fics, não, viu? Nem escrevo tão bem assim, e atualizo tão pouco... sinto-me péssima quando penso nas pessoas que estão acompanhandominhas histórias. Ah, é tão bom saber que você também gosta de Kag/Sess, e é verdade, existem poucas fics com este casal. Acho que deveríamos incentivar mais autores a escrever sobre ele, pois ele é lindo! Rsrs. O aparecimento de Sesshoumaru só vai acontecer no capítul seguinte, se tudo der certo. Bjos!

Kanna: Oi, tudo com com você? Eu sinto muito por ter feito você esperar, espero que este capítulo seja o suficiente para lhe mostrar minhas sinceras desculpas. Mas, era melhor esperar um tempo razoável por um produto bom a um capítulo que foi rapidamente atualizado porém ruim, né? Bjos!

Quem quiser falar comigo sobre a fic, ou sobre outras fics minhas, ou quer simplesmente fazer mais uma amiga, podem me mandar e-mails ou me adicionar no MSN. Meu e-mail está no meu profile, ok?

Bjos.