NA: Capítulo curtinho. Espero que gostem.
Perdoem os erros. Sem betagem.
Capítulo três
- O senhor Goldberg está chamando-a – anunciou Penelope, se aproximando de sua mesa, com uma voz fria e sem olhá-la diretamente. – Imediatamente – completou.
Hermione levantou os olhos dos papéis de um caso que estava analisando, e sorriu para a garota em uma espécie de agradecimento. Levantou-se indo em direção à porta do mais jovem sócio que conhecera na semana anterior, o responsável pela seção de acusações, já repassando mentalmente e em alta velocidade o que aquele jovem moço quereria com ela, inventando possíveis afirmações e perguntas que ele talvez a fizesse.
Quando Hermione estava próxima à garota que veio chamá-la, teve o braço pego pela loira.
- Cuidado, Granger – advertiu Penelope, tão próxima ao seu ouvido e com um tom que fazia com que aquela pequena conversinha ficasse apenas entre elas. – Você está se enfiando em um lugar que não deveria, mexendo com pessoas que não deveria mexer. Você pode acabar se arrependendo de continuar agindo assim, Hermione.
A morena encarou a loira, e não conseguiu sorrir. Conhecia quando alguém estava querendo ameaçar, mas não conseguisse demonstrar na voz tal ameaça, sendo essa coberta completamente por uma espécie de medo, insegurança. Conseguia distinguir quando uma frase saia assim, impulsivamente. Não conseguia nem ao menos desvendar o motivo para aquelas palavras, por aquele ódio tão sem mal se conheciam, e Hermione sabia que Penelope não gostava dela. A única coisa que a garota de cabelos ondulados conseguir desvendar sobre a garota de cabelos lisos era a opacidade que escondia os sentimentos em seu olhar.
Queria naquele momento falar que não desejaria sua posição, que não queria seu emprego. Entretanto, já havia algum tempo em que chegou à conclusão de que Penelope simplesmente ignoraria tudo do que Hermione falasse. Invés de tentar usar seus argumentos, a morena simplesmente pegou a mão do braço que estava livre e, delicadamente, soltou os dedos da loira que se fechavam em seu antebraço, e continuou sua caminhada até a sala de seu sub-chefe, como se nada tivesse acontecido.
- Senhor Goldberg? – chamou, batendo na porta, ouvindo um 'entre' gentil do outro lado, e Hermione obedeceu à ordem, abrindo a porta e fechando-a delicadamente a suas costas – O senhor me chamou aqui? – perguntou, indecisa.
Joseph Goldberg acenou, e indicou uma cadeira livre do lado oposto da mesa que ele estava sentado.
A garota sentou-se, permitindo-se analisar mais calmamente a sala do advogado. Com uma passada rápida de olho pelos cantos daquele lugar, conseguiu avistar uma estante com livros grossos, uma papelada em um canto, uma pequena lareira do outro. Conseguiu identificar também, sobre a mesa, um identificador com o nome do homem à sua frente e sua função na empresa.
Joseph sorriu para ela, um sorriso confortante. Levantou-se, pegando toda aquela papelada que a morena anteriormente observou no canto, entregando gentilmente para Hermione.
- Senhoria Granger – disse, ainda com o braço esticado, segurando uma ponta dos papéis e a quase-advogada a outra. – Separei esses papeis para você. Sobre o caso Malfoy.
Folhas nunca intimidaram Hermione, mas foi obrigada a confessar para si mesma que a quantidade que o senhor Goldberg conseguiu em pouco tempo sobre o assunto discutido na reunião da semana passada a... impressionara um pouco e não queria, sinceramente, imaginar os papeis que ele ainda não conseguiu por estarem fora de mão.
- Espero que goste de ler – ele adiantou. – Tem algumas informações repetidas mas, você deve imaginar como seja, Malfoy é um homem que já teve muitos advogados diferentes e cada um teve uma visão diferente sobre tudo o que acontecera. E está também separado nessas folhas as acusações mais pertinentes – o garoto soltou os dedos da papelada.
- Obrigada – foi o que a menina disse em retribuição aos papéis. Sorriu. Sabia que ainda havia algo que o advogado ainda não a informara. Se fosse apenas para entregar os papéis ele podia simplesmente ter dado a ela na sua pequena mesa da sala comum.
Enquanto observava Joseph pelo canto-de-olho e vendo-o tentar encontrar as palavras corretas, Hermione folheou as páginas que, por cima, contara por volta de duzentas. Viu anotações datilografadas, e notas de rodapé escritas a mão. Algumas delas um pouco ilegíveis.
Hermione Granger caiu em si, talvez pela primeira vez desde que aceitara esse caso, que provavelmente fosse realmente um tipo de suicídio em sua carreira mal começada. Em outro lado, não havia mais como voltar atrás e desistir daquele caso.
Viu o garoto levantar-se de sua cadeira, e sentar-se na ponta da mesa, ficando mais próximo da morena. Deu um sorriso fraco. A garota-mais-nova sabia que ele ainda tentava encontrar as palavras corretas.
- Granger? – chamou.
- Sim? – Hermione levantou agora a cabeça, permitindo-se encará-lo nas íris verdes de seus olhos.
- Você tem certeza? - ele perguntou, ficando vermelho, talvez por aquelas não serem exatamente as palavras que ele tanto planejava ter falado – Quer dizer, não que eu esteja duvidando de sua capacidade. Ou algo do tipo. Mas... quer dizer...
Sorriu novamente, querendo tranqüilizar o garoto.
- Tudo bem, senhor Goldberg...
- Pode me falar de Joseph...
- Tudo bem, Joseph... Eu... acho tenho certeza, sim. – suspirou - Vou estudar o caso e ver o que eu posso fazer pelo Malfoy.
Ele sorriu, divertido.
- Você é uma garota muito corajosa. Principalmente por eu saber que ele não gosta muito de você, e por muito menos ele fez os advogados desistirem dele.
Quis perguntar como Joseph sabia que Malfoy não gostava muito dela, mas não encontrou as palavras corretas. Apenas sorriu – novamente.
- Obrigada. Eu... eu vou começar a trabalhar arduamente nesse caso. – colocou uma mecha de cabelo por trás de sua orelha e levantou-se gentilmente da cadeira, fazendo o garoto levantar automaticamente, acompanhando seus gestos, sem jeito. – Obrigada, novamente. – despediu-se com um forte aperto de mão.
- Se eu souber de alguma coisa, eu te aviso. – soltou o aperto, enquanto Hermione calmamente ia se dirigindo à saída.
Não perca o controle, mandou a si mesma.
A garota estava quase saindo da sala, quando Joseph a chamou, fazendo-a se virar para olhá-lo, novamente.
- Sim?
- Quer que eu intermedio um encontro da senhorita com o Malfoy na semana que vem?
- Não precisa, obrigada. Vou mandar uma coruja para ele, e vai ficar tudo bem. Obrigada.
E virou as costas, saindo da sala.
Não sabia quantas vezes naquela pequena conversa tinha agradecido ou sorrido. Esta nervosa, e era seu jeito intuitivo de tentar não demonstrar seu nervosismo. Até porque observou que o garoto estava quase tanto nervoso como ela.
Hermione Jean Granger sentia-se exausta. Aquelas folhas em sua mão tinham um peso maior do que o real. Todo o peso de preocupações, de responsabilidade, de medo e de o que seus amigos falariam e como a imprensa a julgaria. Não sabia ao certo se estava fazendo o que era correto para os outros, mas algo dizia que era importante que ela fizesse aquilo por ela mesma. Algo que ele faria pensando em si, pensando em seu futuro, e como conseqüência até o futuro de outras pessoas, mas o seu em primeiro lugar.
Voltou para a sua mesinha, pegando um pergaminho novo em uma das gavetas e molhando a pena no tinteiro, pensando no que escrever. Ou tentando. Não sabia exatamente as palavras que deveria usar para falar com Ron e Harry, contar todas as notícias, tudo o que estava acontecendo tão rapidamente. Fazia tanto tempo que eles não se falavam; e Hermione estava sentindo mais falta deles do que já sentira antes.
Ao invés de escrever para seus amigos, escreveu uma pequena nota para o acusado que ela defenderia.
Pensou nas palavras, e usou uma das formulações mais simples.
"Caro senhor Malfoy.
Segunda-feira, semana que vem, no café de Londres da esquina aonde você está morando. Às dez horas, sem falta. Estarei esperando.
Sua advogada"
E mandou a coruja, ainda meio atordoada não sabendo o que deveria sentir. E, logo depois que enviou o papel, sabia que naquele momento estava feito. Agora sim, não poderia mais voltar atrás. Sabia que muitos já voltaram atrás por motivos quaisquer, mas ela não.
Era Hermione Granger. E a morena tinha uma certa obsessão em provar que ela era capaz, e um certo sentimento de orgulho que não a permitia admitir que estava errada. E, no fundo, tinha medo de aquele combinado de características a fizesse sofrer novamente. Afastar novamente as pessoas que estavam a sua volta.
Na sua cabeça veio o rosto de seus pais, de Harry, dos ruivos. Pessoas que amava, que admirava, e que apenas um deles continuaria ali, do lado dela. Os outros, por motivos e sentimentos que ela não conseguia muito bem entender, tinham se afastado.
Só ele continuava ao seu lado. Mas por quanto tempo?
Patético! Exclamou, lendo o papel.
Patético! Dessa vez gritou, dando um murro na mesa de canto e espantando a coruja acinzentada que entregou a carta, fazendo com que ela voasse pela janela, sem esperar alguma comida ou aconchego.
Sorriu um sorriso falso.
Patético, exclamou novamente, relendo aquele pequeno pedaço de papel. Sabia que em pouco tempo o advogado entraria em contato, mas não pensava que seria tão rápido.
Rasgou o papel em pedaços pequenos. Estaria lá no café, a espera de quem quer que fosse. Seria divertido brincar um pouco.
Com quem quer que fosse.
Advogada. Patético!
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