Capítulo 4: A História de Kiandra – Parte 2

- Então quer dizer que você tem apenas quatorze anos e mesmo assim conseguiu derrotar todos eles?

- Sim.

- Mas como você fez isso?

- Eu sou um ninja, não é nada difícil pra mim.

- Ual! Então é esse o poder de um ninja?!

- Huhum.

- Isso quer dizer que agora sim estou bem protegida. Sabe, vendo que meus antigos guardas foram derrotados dessa forma, fico até envergonhada de saber que meu irmão os escolheu tão mal!

Kiandra e Espio, que andavam sem rumo pelos jardins da hospedagem, começam a rir. Quando param, Espio continua olhando para Kiandra, notando o quão pura e bela ela era. A camaleoa lhe sorri contente (sorriso que Espio já recebera antes) e é correspondida por outro.

- Apaixonante, não? – Tody chegava perto deles, se referindo à Kiandra quando chegava perto de Espio.

- Ah, oi. – o camaleão diz, sem jeito.

- Bem, agora que te contratei, acho que você tem que se referir a mim como "excelência" , afinal, sou quase um príncipe!

- Hã?

- Ah, brincadeira! – ele bate no ombro de seu subordinado, olhando para sua irmã logo em seguida. - Acha que agora vai estar mais bem acompanhada Ki?

- Huhum.Afinal, nunca tivemos um ninja conosco.

Ele sorri. – Ótimo. Sendo assim, já podemos seguir viagem.

- Viagem? – Espio indaga.

- Sim; algum problema?

- Ah, não! Mas para onde vamos?

- Espio, "NÓS vamos".

- Exatamente Ki. Nós vamos seguir viagem para o Leste. Agora que vimos que aqui está tudo bem, deixarei alguém cuidando de eventuais problemas e vamos para outra área.

- Mas vocês só ficaram por hoje!

- O lugar aqui está ótimo, não precisamos mais nos preocupar com esta cidade. – Tody deixa de sorrir, olhando agora para o horizonte. – Afinal, sei de alguns problemas no Leste.

- Problemas?

- Sim. – Kiandra responde. – Dizem que a cidade está sendo atacada, mas não se sabe o porquê.

- E com pessoas tão perigosas com as quais iremos lidar, é mesmo bom ter alguém como você por perto. – Tody se vira pros dois novamente. – Via mesmo embarcar nesta com a gente?

- Éh claro!

- Que legal! – Kiandra abraça Espio, o qual, estranhando a ação da garota, apenas olhava para ela sem sequer tocá-la.

- Ei Ki, não se apegue a ele. – Kiandra olha para Tody, que já se dirigia para fora do jardim. – Vai ver que o coitado morre cedo!

- Ah Tody, não seja tão mau! – Kandra solta Espio indo se juntar a seu irmão. Ela olha para traz. – Venha Espio!

- Ah... Claro!

- Então quer dizer que você vai embora?

- Sim.

- E nunca mais nos veremos?

- E, não seja tão exagerado. Quem sabe um dia eu não volte?

- Ah mano! O camaleão começa a chorar, abraçando Espio fortemente. – Você não vai mesmo me deixar aqui assim, vai?

- Pare com isso! – Espio "desgruda-o" dele. –E eu já disse pra você não me chamar assim, não somos irmãos.

- Ah, mas para mim é quase. – ele já enxugava as lágrimas.

- Cuide das coisas aqui por mim, ok?

- "Cuidar por você?" Acho que cuidarei por mim mesmo. Você sempre foi tão irresponsável que nunca cuidou e nada!

Espio sorri. – E cuida de você também, tá?

- Tá, você também.

Espio, comas "trouxas" em mãos, segue até a porta, já saindo da casa.

- E não esquece de voltar.

- Huh! – Espio dá seu último aceno deixando seu melhor amigo em depressão, por mais que ambos não soubessem disso.

- Você deixou sua família para traz por nossa causa? – Kiandra perguntava a Espio enquanto os três já seguiam viagem.

- Eu não tinha família, e o único que sentirá minha falta... Bem, ele saberá se cuidar.

- E quem é ele.

- Um amigo, mas ele ficará bem.

- Será mesmo?

-...

Kiandra olha para fora.

- Sabe que ainda pode voltar atrás, não sabe?

- Ah, não! – Espio levanta seu olhar, escondendo dele sua tristeza. – Eu continuarei neste cargo custe o que custar!

- Bom mesmo, porque eu não contratei ninguém para ficar desistindo! – Tody lha para traz, sendo enxerido e entrando na conversa sem ser chamado.

- Tody!

- Haha! Ki, não se preocupe! SE ele quiser voltar pra casa ele pode. Bem, mais ou menos...

- Ele tem razão. – Espio volta seu olhar a Kiandra. – Você não precisa se preocupar: eu não vou voltar.

- Ei Ki (e Espio), ouvi dizer que vamos chegar hoje mesmo.

- Mas já?! - ela indaga.

- Bom, não?

- Não sei. O que acha Espio?

- Quanto mais cedo melhor, assim vocês não precisam demorar tanto com isso.

- É assim que se fala Espio!

- Mas afinal, por que exatamente a princesa mandou vocês?

O jeito brincalhão deixa a expressão de Tody, e o timbre sério toma conta de sua voz mais uma vez.

- A verdade é que só viemos aqui para enganá-los. Nós sabíamos que nada estava acontecendo a esta cidade, e nossa viagem é apenas para o Leste. Se soubessem que estamos tão preocupados com aqueles lados, problemas podem ocorrer. Fingimos que a princesa não sabe de nada, e estamos de viagem supostamente para saber se a Ilha dos Camaleões inteira está com algum problema, quando na verdade sabemos que só aquela parte dela é que está. – ele se vira para traz, olhando para Espio. – Se a informação de que nós já temos conhecimento dos ataques ocorridos por lá chegar a certos ouvidos, nós e até mesmo a princesa estamos em sério perigo. Mesmo que pensemos que tal informação está segura, não baixe a guarda! Isso pode custar a sua vida.

- Certo!

De repente o céu escurece. Os camaleões olham para cima, e não têm tempo de fazer nada: são logo capturados por aquela estranha nave. Já dentro dela são jogados no chão, e dois robôs aparecem na frente deles.

- Será que o doutor irá se orgulhar de nós?- um cinza indaga.

- Não sei. – o outro, amarelo, responde. – De qualquer forma vamos levá-los para a prisão.

- Para a pri... – Tody interrompe sua fala quando é pego por trás por um eggbot; outros dois se encarregavam de Kiandra e Espio. – Nos soltem!

- Tody, não faça movimentos bruscos. – Espio diz. – Os robôs podem não gostar.

- É isso aí! Parece que temos um inteligente no grupo, não é Decoe?

- Sim! Mas inteligentes em grupos inimigos não nos favorecem.

- É mesmo...

- E agora, o que faremos? – Tody pergunta. Ele e os outros dois estavam em um lugar totalmente vazio, com paredes de metal e um minúsculo furo que dava visão para o lado de fora da nave, o qual Espio examinava incessantemente.

- Você tem alguma idéia Espio? - Kiandra indaga.

- Acho que sim.

- Que bom! – Tody se animava. – Qual?

- Este furo... Se eu aumentá-lo um de nós poderá passar por vez.

- E como pretende fazer isso?

- Eu nem pergunto Ki, ele é um ninja!

- Isso vai demorar algum tempo, sem contar que é arriscado pular dessa altura. Mas não se reocupem: encontrei uma forma da queda não ser tão ruim.

- Não sei como...

- E quanto tempo demora? Dias? Semanas? Ai...

- Não se preocupe princesa; talvez só algumas horas.

- Ufa! Aliás, não precisa me chamar de princesa, é só Kiandra.

- Está bem. – ele olha para ela, sorrindo. – Desculpe.

- Sem problemas.

- Ok, então vocês vão mesmo ficar aí papeando ou o Espio vai começar logo?

- Ah, desculpe! – os dois coçavam a cabeça, constrangidos.

Espio pega uma shuriken, enfiando uma de suas pontas no furo e a virando. Aos poucos o furo ia tendo a mesma grossura que a ponta da arma, mas não era o suficiente. Ele continuou cortando o metal, e em algumas horas o buraco estava feito. Um forte vento soprava, e a nave sobrevoava o oceano.

- Teremos que esperar. – Espio diz.

- Pelo menos já está pronto. – Tody olha para sua irmã. – Ki, você será a primeira, tudo bem?

- Tudo!

- Aha! Tentando fugir! – Bocoe e Decoe entram na sala. Kiandra se assusta com os dois robôs, se desequilibrando e caindo da nave. Tody e Espio, desesperados, tentam pegá-la, mas são segurados pelos dois robôs.

- É melhor tirarmos vocês daqui!

- Ai ai. O doutor brigará conosco por causa deste buraco!

- É sim!

Espio ainda olhava pelo buraco, com esperanças de encontrá-la.

- Doutor – Bocoe é o primeiro a se arriscar, - precisaremos pousar a nave para alguns reparos.

- Reparos?

- Sim. – Decoe era o próximo. – Nossos prisioneiros tentaram fugir.

- Seus imprestáveis! Nem de tres camaleões vocês conseguem cuidar?! Parece que até eles são mais úteis que vocês!

- É, mas... Nós concertaremos tudo!

- É sim!

- A nave já está pousando, mas da próxima vez eu a irei concertar com as suas peças!

- Ugh!

Espio olha para Tody, que logo compreende a mensagem. Três minutos depois a nave pousa.

- Pronto! Agora vão logo arrumar isso!

- Certo!

- Decoe, mas e eles?

- Os deixe aí, os eggbots virão cuidar deles.

Os dois os jogam, mas os eggbots não chegam a tempo, deixando que Tody e Espio conseguissem correr rumo à cratera.

- Peguem eles!

Eggman olha para traz.

- Seus imprestáveis! Como foram deixar eles fugir?!

- Mais rápido Tody! – Espio olhava para traz, ora se preocupando com os dois robôs e seus eggbots e ora se preocupando com seu superior.

Bocoe e Decoe corriam a toda velocidade. Cansados, ambos param. O esforço fora em vão: dois camaleões haviam fugido.

Kiandra finalmente havia conseguido sair da água. Sua roupa e cabelos estavam todos molhados, e o lenço que cobria sua tatuagem havia se perdido. Ela olha para o mar, suspirando. Olhando ao seu redor nota estar em uma praia, e começa a dispersar-se para a direção que daria à cidade. Usando de sua invisibilidade Kiandra consegue passar pelos praieiros sem ser notada, o que certamente a ajudaria devido á tatuagem. Porém, ao avistar um hotel e ser ver necessitada de sua estadia, ela não encontra outra forma se não mostrá-la.

- Er... Com licença...

O porteiro olha para ela de forma repugnante, estranhando seu estado e nem notando a tatuagem.

- O que quer? – ele diz rudemente.

- É que me perdi e precisarei de estadia e...

- Desculpe, mas aqui só os que podem!

- Mas eu sou uma representante da princesa e...

- Desculpe, mas não temos provas quanto a isso, sem contar que o seu estado está lastimável!

- Só que...

- Oh, minha cara! Então era aí que você estava?

Um camaleão amarronzado que aparentava já ser de idade, usando roupas simples e um chapéu se aproximava de Kiandra tocando-lhe o ombro.

- Senhor Glusts, não sabia que conhecia esta jovem.

- É minha sobrinha.

- Sobrinha? O senhor nunca comentou ter irmãos?

- Não sou mesmo do tipo aberto, não é? – ele entrava no hotel empurrando Kiandra, que pára, não sabendo se seria seguro confiar naquele estranho. – Ora, não seja tímida. Venha!

Um empurrão mais forte resolve o problema. Sem muitas opções e morrendo de fome e cansaço, Kiandra decide aceitar o "convite". Mais tarde teria certeza do que era melhor.

Os dois chegam ao quarto do camaleão que até então era o "senhor Glusts". Ele apenas encosta a porta, colocando seu chapéu e casaco no cabideiro.

- Suenthi, venha cá! Trouxe visitas!

- Visitas?

Uma camaleoa amarronzada e com estilos totalmente chiques entra na sala, se surpreendendo e ficando feliz ao ver Kiandra.

- Ah, mas que linda!

"Neste estado?" – Kiandra pensa.

- Quem é, Simon?

- A encontrei pedindo estadia. Disse ser uma representante da princesa.

- Uma representante da princesa? – ela olha para Kiandra, que afirmava oscilando a cabeça. – E de onde você vem?

- Eu e meu irmão estávamos indo para o Leste quando fomos capturados. Sem querer eu acabei caindo no oceano, e vim nadando até aqui.

- Oh, pobrezinha! – a moça se aproxima de Kiandra, a levando para onde seria o banheiro. – Venha, você tem que tomar um banho, mais tarde explica isso de... Oh meu Deus! Você disse Leste?!

Sentada no aconchegante sofá e usando as roupas de Suenthi, Kiandra tomava chocolate quente e contava aos dois primos (soubera só então qual era o parentesco) sobre sua viagem.

- Você disse que queria ir para o Leste, não é?- a moça pergunta.

- Huhum. Mas afinal, onde estou?

- No lado mais urbano da ilha, onde nenhuma princesa pode governar. – o camaleão responde.

- Hã?

- É isso mesmo... – Suenthi continuava. – Este é o lado Lés-sueste da ilha, o lado mais "rebelde". Já há algum tempo nossa população vem aderindo á modernidade, e parece que houve alguns problemas com os reis e a princesa. Mas o povo daqui continuou, e eles desistiram, optando por um pequeno governo a nos governar e tal desenvolvimento foi implantado na cidade. Veja lá fora: carros, hotéis de luxo como este, máquinas de tudo quanto é tipo... Estas coisas nos ajudam no dia-a-dia, não podemos viver sem elas após conhecê-las. Ainda há boatos de que a realeza pretendia implantar isto à populações de outras cidades, mas o projeto terminou por ficar inacabado. Por causa destas revoltas a entrada de qualquer indivíduo é proibida. Só vindo pelo oceano mesmo, mas nunca tentaram isso antes (não que saibamos).

- Mas... Se ninguém pode entrar, creio estar aqui de ilegal nãoé?

- Sim. – o senhor Glusts responde. – Mas acho que você não quer ser jogada para os lados do Leste sozinha.

- "Jogada para os lados do Leste"?

- Sim Kiandra. – mais uma vez a doce e gentil voz de Suenthi continua a fala de seu primo. – Não se ode entrar, mas se pode sair, porém apenas pelo lado Leste. Parece que ele sempre teve certos problemas, e esta foi a forma que encontraram de nos amedrontar.

- Se é assim nunca encontrarei meu irmão e Espio, e muito menos eles irão me encontrar!

- Sinto muito...

- Então vejo que você terá que ficar aqui. – Simon se levantava.

- Seja bem vinda! –Suenthi sorri, tentando animá-la. – Tenho uma filha lá na capital. Cuidarei de você como se ambas fossem irmãs!

- Obrigada! É muita gentileza e bondade da parte de vocês, principalmente por eu ser ilegal. Por favor, deixem-me retribuí-los!

- Oh, não precisa! Só de saber que está feliz e de eu poder sentir o gostinho de ter alguém para cuidar mais uma vez já me é suficiente! – ela olha para traz. – Só não sei dele...

Kiandra sorri, mas seu olhar de preocupada logo lhe retorna.

- Mas se eu sou ilegal, uma hora ou outra eles me pegam, não é?

- Quanto a isso você não precisa se preocupar. Certa vez minha filha fez uma carteira de identidade falsa. Haverá boatos de que você é nova por aqui, mas ninguém irá a fundo para confirmar que você não tenha vindo da capital. Venho guardando a carteira devido à foto de minha filha, mas nós poderemos trocá-la e você poderá usá-la.

- Obrigada!

- E quanto ao porteiro? – Simon indaga. – Aquele fofoqueiro não irá esquecer o ocorrido.

- Ora, subordine-o! O conhecemos bem, ele certamente não abrirá a boca com tal dinheiro!

- Gastar a toa, huh!

- Parece que ele não gosta muito do fato de eu estar aqui...

- Ora, não se doa por causa desse rabugento! Venha, mostrarei onde você vai ficar. – ela se levanta, sendo seguida por Kiandra. – O nosso quarto do hotel não é grande, mas também não é pequeno!

- Obrigada mais uma vez.

Kiandra foi se acostumando com a cidade, e já que não tinha pais Suenthi foi mesmo como uma mãe para ela. Kiandra ajudava ambos os primos e já fazia parte da família até mesmo para o mau humorado Simon, que foi se acostumando aos poucos com sua companhia. A moça também tinha um laptop que usava no trabalho, e nos tempos vagos ela ensinava Kiandra a manuseá-lo. Foi então que a camaleoa se acostumou com o nome de hacker mirim. Ela não sabia qual teria sido o destino de Tody e Espio; sem poder fazer nada, optava apenas por rezar pela sua proteção e não deixava de pensar neles todo dia.

Assim os dias foram se seguindo, até que em um deles, andando calmamente pelas ruas um tanto longe de casa, Kiandra foi levada em um Controle do Caos. Encontrando-se com o presidente Kiandra arranja emprego, sabendo que agora tinha que se acostumar a mais uma "nova vida".

Continua...