NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! CAPITULO QUATRO
Kakashi colocou Hinata sobre sua cama.
Ele desabotoou a camisa e começou a tirar os sapa tos. Ela parou de respirar, dizendo a si mesma para não olhar, mas sabia que iria. Tinha 23 anos e nunca vira um homem despido. Ela também nunca havia estado sozinha num quarto com um homem. Por quê? Ela era virgem. Costumava pensar que ainda era vir gem porque tinha encontrado Kakashi primeiro e se ha bituara a querer aquilo que não podia ter.
Aos 19 havia descoberto que o desejo físico podia se sobrepor a qualquer pensamento e mesmo ao orgu lho. Kakashi podia não ter reagido a ela da mesma forma, mas Hinata nunca esquecera a força poderosa e esti mulante de sua reação a ele. Todos os rapazes que entraram em sua vida depois dele haviam sido com parados com ele. Ela queria sentir o que sentia por Kakashi e havia se tornado exigente.
— Vou tomar uma ducha, bella mia...
Com o rosto vermelho, ela desviou sua atenção da vibrante fatia de peito moreno e musculoso que apa recia pela camisa entreaberta.
— Eu não sou bela... Não me chame assim — mur murou.
Kakashi apoiou um dos joelhos na cama. Seus olhos escuros e brilhantes pareciam risonhos quando fixa ram os olhos dela.
— Se eu falo que você é bonita, você é...
— Mas...
— Você tem um corpo celestial...
— Sou baixinha...
— Mas o que tem dentro do espaço de sua altura é de excepcional qualidade. Continua dentro de mim o ímpeto irresistível que eu sentia de tomá-la em meus braços e colocá-la sobre a cama mais próxima... e agora você está aqui.
Kakashi se afastou da cama e desceu o fecho éclair de sua calça bem cortada.
— Você devia estar repousando... — disse Hinata travando uma batalha com sua consciência e desvian do os olhos envergonhada do próprio desejo de acompanhar os movimentos dele. — Eu devia estar em meu quarto...
— Durma, então, e pare de reclamar! — disse Kakashi, rindo.
Ele estava sorrindo. Parecia feliz de uma forma que ela não conhecia. Ela mudou de idéia e disse a si mesma que não havia mal algum em partilhar a mes ma cama. Mas e se ele rolasse na cama durante a noite e... e se tornasse amoroso com ela? Ela seria capaz de resistir? Tinha certeza de que não ia querer resistir.
Entretanto, advertiu-lhe uma voz interior, Kakashi logo recuperaria a memória, e se algo físico aconte cesse entre eles antes, como ele ia se sentir depois? Era um homem solteiro sofisticado e o sexo não de via ser algo muito sério para ele. Se ela agisse de forma irracional, Kakashi pensaria que não tinha muito significado para ela também.
— Ainda está acordada, cara?
Ao som daquela voz pausada e profunda, Hinata puxou a cabeça para fora do travesseiro e o olhou com atenção por cima do lençol.
Com apenas uma toalha à cintura do corpo moreno e insinuante e com gotas d'água cristalinas ainda cintilando sobre os pêlos prateados e crespos do peito musculoso, Kakashi a observou de forma meticulosa e calma. Ela assentiu lentamente com a cabeça. Ele se sentou ao lado dela, na cama, e o coração de Hinata começou a bater com tanta força que ela pensou que estivesse a ponto de ter um ataque de pânico. Ele foi puxando o lençol pouco a pouco enquanto ela segura va a respiração.
— Eu quero ver você — ele lhe disse quase seca mente.
A boca de Hinata formigou pelo simples pensa mento de sentir a boca de Kakashi junto à sua.
— Eu quero ver você toda... — completou ele com voz rouca.
Ela ia dizer não, na verdade faltava apenas acabar de abrir a boca para, reunindo todas suas defesas, dizer não para aquilo que ela mesma desejava, quando então o desastre aconteceu: ela deparou com o brilho escuro dos olhos dele e sua consciência se desvaneceu.
— Kakashi...
— Eu gosto do modo como diz meu nome.
Ele se inclinou e saboreou a boca rosada de um jeito devastador. A língua dele abriu caminho entre seus lábios. E penetrou ali profundamente, numa ex ploração segura. Ela emitiu um som baixo de respos ta exaurida enquanto suas mãos se erguiam para mergulhar dentro do profuso cabelo dele e puxá-lo para perto.
— Você tem uma boca maravilhosa — ele falou com voz rouca, puxando-a para cima em seus braços e para junto de suas coxas afastadas.
— Nós não podemos fazer isso... — ela alertou trêmula. — Nós simplesmente não podemos.
— Olhe para mim... — convidou Kakashi em um tom denso, enquanto seus dedos ágeis abriam os peque nos botões de pérola, provocantes, ao longo da camisola dela.
Ele afastou o tecido para pôr completamente à mostra os seios fartos.
— Santo cielo... você é esplêndida.
Ela estava intensamente enrubescida. Ele brincou com os mamilos retesados, cor de framboesa, que co roavam os seios polpudos. O coração dela batia tão rapidamente que parecia estar na garganta. Sentia-se simultaneamente envergonhada, embaraçada e emo cionada pelo toque dele. Emitindo um som grave de apreciação, Kakashi abaixou a cabeça prateada e orgulho sa e, apanhando um dos tenros mamilos com a boca, mordiscou-o com os dentes e a língua.
— Oh... — exclamou ela involuntariamente.
Era como se um choque sensual engolfasse seu cor po despreparado. Enquanto uma deliciosa sensação que misturava prazer e dor corria do topo sensível de seu peito até um lugar secreto entre as coxas, ela se es ticava e se contraía em meio à respiração audível. Seu pescoço se esticou e sua cabeça tombou para trás, so bre o braço dele, num movimento de entrega.
— Desde que pus meus olhos em você lá na clíni ca, fiquei pensando em você na minha cama. Foi um desejo instantâneo... — confidenciou Kakashi, com es petaculares olhos brilhantes esquadrinhando o corpo dela com um forte ardor masculino. — Foi assim da primeira vez em que a vi?
— Você nunca contou — murmurou ela, enfiando o rosto no ombro dele e ocultando-o ali.
— Então eu não compartilho todos meus pensa mentos com você?
— Não...
Ele colocou as costas dela sobre o travesseiro de modo que pudesse olhá-la e de novo beijou-a longa e intensamente. O núcleo de calor que ela sentia na concavidade de sua barriga pareceu incendiar-se, fazendo com que seus quadris se movessem inquietos contra o colchão.
— Você está quente por minha causa, bella mia — falou Kakashi com satisfação.
Não havia como negar isso. Ela sentia o próprio corpo retesado e terrivelmente sensível. O sentimen to era avassalador. Nunca sentira nada tão forte quan to as sensações que ele a fazia experimentar e aquela intensidade tornava a sedução completa. Ela não con seguia pensar, só sentir. Ardendo com uma obscura dor de frustração, ela fez seu corpo se aproximar mais do dele com uma necessidade que não podia controlar.
— Não tenha tanta pressa... — falou ele numa voz baixa e sensual e fez suas mãos hábeis deslizarem para baixo, até os quadris dela, para remover a camisola. Os olhos faiscantes dele, parecendo famintos, esquadrinharam suas curvas polpudas e se centraram no emaranhado de cachos escuros no meio de suas coxas.
Levantando-se, ele deixou cair a toalha úmida que tinha na cintura. Os olhos dela se arregalaram e ela engoliu em seco porque ele estava flagrantemente ex citado. Ele tinha a magnificência flexível e o poder muscular de um atleta nato. Sem se importar com a nudez, ele voltou para a cama, para juntar-se a ela. A expectativa se apossou dela como uma chuva de faís cas que a acendiam por dentro, mas ela ainda não conseguia enfrentar o olhar ardente dele.
— Eu quero você — ele pronunciou com voz rou ca, devorando com a ânsia da própria boca a boca intumescida de Hinata. A invasão erótica da língua dele a enfraqueceu, submetendo-a a uma tempestade da fervente sexualidade.
— Quero atormentá-la de prazer...
Ela exultou com o peso do rígido corpo masculino nu contra o dela e quando ele comprimiu-lhe as cur vas suaves sob o torso poderoso, envolveu o pescoço dele com os braços. Ela continuava ansiando cada vez mais pela devastadora boca de Kakashi. Cada beijo trazia muito mais do que um dia havia sonhado. Esta va perdida num mundo obscuro de sensualidade que era completamente novo para ela. Respirava em arfadas curtas e rápidas. A atenção experiente que ele dava aos sensíveis bicos dos seios era mais estimu lante do que Hinata podia suportar, ela se retorcia e se virava, pequenos gritos baixos brotavam de sua gar ganta.
— Eu gosto de ficar olhando você... — confessou Kakashi.
A forte sensação de plenitude dolorosa entre suas coxas fez com que ela se contorcesse. Ele a tocou onde ela nunca havia sido tocada antes. Ele descobriu o úmido núcleo dela e descortinou a entrada dilatada, provocando um gemido de súplica nos lábios entreabertos. Ela estava se incendiando, contorcendo-se. Tomado por um desejo impetuoso, ele a havia des vendado em seu íntimo.
— Kakashi... por favor — soluçou ela.
Ele a fez ficar louca. Presa por aquela sedução ar dente, ela estava indefesa e fora de controle. Ondas de calor latejante fluíam nela. Ele a inclinou para trás e mergulhou então no seu cerne úmido e liso.
— Você é tão apertadinha, cara mia... — ele mur murou com um prazer brincalhão, enquanto ela ainda estava em choque com aquela invasão desconhecida.
Ele pressionou novamente, vencendo a carne re sistente e buscando o centro profundo dela. Hinata gritou de dor e lágrimas de espanto encheram seus olhos.
Tranqüilo, Kakashi olhou para ela com um questiona mento incrédulo.
— Você ainda era virgem... ou eu estou imaginan do coisas?
O corpo dela já estava se adaptando à incursão au daciosa dele e o ápice da dor havia passado. Enquan to as emoções e reações corriam com uma força ex tremada, ela se espichou para dar um beijo de perdão a ele. Que Kakashi fosse seu primeiro homem era o que ela sempre sonhara e não havia espaço para remorso.
— Eu não sabia que podia me sentir assim... não pare...
— Minha esposa... uma virgem de 18 quilates... — repetiu Kakashi, com uma voz velada e não inteiramente fluente.
Num convite frenético, Hinata envolveu-o com seus braços, chegando-se mais a ele.
— Venha... venha...
Enquanto ela fazia um movimento instintivo de encorajamento, ele cedeu e mergulhou nela nova mente. A veloz excitação que havia sido suspensa por um momento voltou-se faminta para ela novamente. Com uma forte e contínua movimentação do corpo vigoroso, ele a dominou e ela se rendeu ao ritmo sen sual com um abandono indefeso. A excitação foi au mentando, e aumentando, até que ela poderia ter gri tado de ansiedade e aflição. Só então ele permitiu que sua crescente falta de controle explodisse integral mente, num enorme clímax de prazer convulsivo. Depois, incapaz de respirar ou de falar, ela caiu de novo sobre o travesseiro e ficou inerte, inebriada pe los longos momentos que se seguiram...
Kakashi tinha feito amor com ela e isso transcendera todas suas ingênuas expectativas. Porém, não apenas ela estava já começando a se sentir culpada e desconfortavelmente ciente de que não deveria ter sucumbi do à tentação, como também percebia que ao se tor nar íntima de Kakashi tinha colocado a si mesma em um beco sem saída. Havia sido muito ingênua por não pensar que Kakashi iria perceber que era o primeiro ho mem que ela tinha. Ele supunha que ela era uma mu lher casada, e portanto não virgem.
Nesse exato momento, Kakashi tirou seu peso de cima dela e estendeu um forte braço em volta dela para carregá-la para uma parte mais fresca da cama. Seus olhos contornados por densos cílios inspecio naram o rosto febrilmente afogueado. Ele deu um beijo delicado na face de Hinata.
— Então... minha surpreendente esposa virgem... Será possível que você seja ainda quase uma noiva?
Hinata empalideceu e abaixou a cabeça. É claro que ele agora estava se perguntando se eles eram recém-casados. Se ele ainda não a estivesse segurando, ela teria se escondido debaixo da cama e se recusado a sair de lá. Estava com tanta vergonha de si mesma que não conseguia olhar para ele e tinha ainda menos condições de pensar sobre o próprio comportamento. Teria ficado completamente louca?
— Você está muito quieta... — observou Kakashi.
— Puxa! Estou precisando de um banho! — excla mou Hinata e praticamente saltou para fora da cama.
Como escapar havia sido a única coisa que lhe ocorrera, ela ficou espantada ao perceber que ainda estava nua como no dia em que nasceu. Ajoelhando-se no chão com mais pressa do que graça, ela vascu lhou à volta da cama em busca de sua camisola e vestiu-a movimentando as mãos de forma frenética.
Recostado sobre os travesseiros brancos desarru mados, Kakashi a olhava com a testa franzida em uma total incompreensão.
— Che cosa hai? — ele perguntou, perplexo. — Qual é o problema com você?
Hinata forçou um sorriso e falou sem se dirigir di retamente a ele.
— Ora, que problema poderia haver?
E voltando para seu próprio quarto, logo que viu que estava fora de vista trancou-se no banheiro pri vativo.
O que Kakashi iria pensar dela quando recuperasse a memória? Uma vergonha aterradora a assaltou. Ele iria pensar que ela era uma criatura deplorável para ter dormido com ele em tais circunstâncias. Ou seria mais provável que ele considerasse que só uma mu lher tonta iria agarrar a única chance que tivera de se aproximar dele?
No quarto ao lado, o telefone interno da casa tocou e Kakashi atendeu. Umberto lhe avisou em tom velado que uma visita havia chegado.
— Quem? — perguntou Kakashi, começando a pegar suas roupas.
O mordomo demonstrou grande relutância em di zer o nome da visita, mas conseguiu dar a entender que a identidade dessa pessoa era um assunto muito confidencial.
Minutos depois, Kakashi desceu a escada.
— Por que todo esse mistério? — perguntou ao empregado em tom extremamente seco.
— É a senhorita Sakura Haruno.
Os ossos faciais de Kakashi se moveram, pois aquele nome não tinha nenhum significado para ele e estava furioso e frustrado pelo que estava acontecendo.
— Fiz mal em deixá-la entrar? — perguntou Um berto com voz trêmula.
Não aceitando estar numa situação vulnerável por causa da amnésia, Kakashi recusou rebaixar-se fazendo confidências ao mordomo. Queria saber por que o empregado supunha que era mais razoável barrar a entrada daquela mulher em sua casa. Mas um orgulho teimoso fez com que se mantivesse em silêncio.
Entrou na sala de recepção dos fundos, raramente usada, onde Umberto havia ocultado a hóspede ines perada. Uma bela ruiva de olhos verdes veio em sua direção. Alta, com medidas perfeitas e a elegân cia de uma modelo, ela atirou-se em seus braços e falou:
— Faz alguma idéia do quanto fiquei preocupada? Quando você não apareceu ontem, pensei que devia estar muito ocupado. Mas quando ouvi rumores de que houvera um acidente, eu simplesmente tive que vir aqui!
Desconcertado pelo tom íntimo dela, Kakashi a afas tou um pouco. Seus olhos escuros penetrantes pare ciam extremamente frios e cautelosos.
— Como pode ver, sua preocupação era desneces sária. Eu estou muito bem de saúde.
Sakura Haruno balançou a cabeça exageradamente.
— Não seja tão frio comigo! — reclamou.
— Eu estou sendo frio? — disse Kakashi ganhando tempo.
— Está bem... — Suspirou ela. — Eu sei que não devia ter vindo aqui porque você considera que sua amante deve ser muitíssimo discreta. Contudo não estamos mais no século 19...
Deixando entrever apenas uma ligeira expressão no rosto, Kakashi sentiu-se chocado com o que ela disse. Uma palavra de baixo calão que ele nunca usava veio abruptamente à sua mente. Finalmente ele entendeu o que havia abalado os admiráveis nervos de aço de Umberto. Sakura Haruno era sua amante, e confiante o bastante para vir à sua casa mesmo sabendo que ele era um homem casado.
Lamentavelmente a atitude da amante lhe mostra va claramente qual tinha sido a sua atitude em relação à esposa. Ocorreu a Kakashi que aquela palavra de baixo calão com a qual ele classificara mentalmente a situa ção poderia muito bem ser aplicada ao próprio cará ter antes do acidente de carro. Não era preciso ser um gênio para descobrir por que seu casamento parecia ter estado em risco ou por que sua esposa havia dito que ele lhe dava pouca atenção: ele mantinha um caso.
— Eu ainda acho que teria sido mais sábio se você tivesse resistido ao impulso de vir aqui — retrucou Kakashi. — Mas como veio, é justo lhe dizer que eu acredito que nosso relacionamento já percorreu todo seu curso e agora deve terminar.
Enquanto Sakura o olhava entre surpresa e zanga da, Kakashi concluiu o que havia falado acrescentando apenas que lamentava, em um tom formal. Ele sabia que não estava sendo convincente, mas a única coisa que lhe interessava era fazer Sakura sair da casa antes que Hinata fosse afrontada com a visão dela. Ele não estava habituado a admitir um erro e parecia furioso com a descoberta de que sua vida pessoal era total mente desordenada. Sakura se referira a um encontro marcado ao qual ele teria faltado no dia anterior. En tão não havia dúvida nenhuma: ele vinha sendo infiel à esposa. Não era à toa que tinha sentido tanta tensão em seu relacionamento!
Hinata saberia sobre Sakura? Claro que ela sabia que havia uma outra mulher! Devia ser por isso que seu casamento ainda não se consumara. Teria Hinata se recusado a dormir com ele enquanto ele ainda mantivesse uma amante? Provavelmente por ter sido avisada pelo Dr. Lerther para não dar nenhuma infor mação perturbadora a seu marido, Hinata não havia dito a ele nada que pudesse causar transtornos. Se não fosse pela inabilidade dela em esconder sua afli ção e confusão depois que eles fizeram amor, ele te ria sem dúvida concluído que ela ainda era virgem porque eles eram recém-casados.
Em vez disso ele havia se confrontado com uma explicação muito menos agradável, e a culpa era uma experiência nova para Kakashi. De fato, como um Hatake, ele estava acostumado a manter um alto nível moral. Os homens da família Hatake se orgulhavam do senso de honra. Foram as esposas desonradas que haviam, nas gerações mais recentes, mostrado indig nidade com sua cobiça, promiscuidade e fraqueza moral.
Mas Hinata já lhe parecia constituir um avanço em relação às mulheres escolhidas por seus antepassa dos, avaliou ele, apertando a boca sensual.
Ele se manteve em silêncio enquanto Sakura se es forçava em convencê-lo a mudar de idéia e depois o acusava duramente de ser cruel e insensível. Ele não disse nada. Ela seria ricamente compensada pelo tér mino repentino da relação deles. Sem esse encorajamento a cena poderia ser interminável, mas, ofendida por não ter conseguido sequer influenciá-lo, Sakura finalmente passou diante dele com a cabeça erguida e saiu para o vestíbulo.
Tendo juntado coragem para ir atrás de Kakashi, por que estava preocupada pelo fato de ele ter desapare cido do quarto quando tudo que ela sabia sobre os homens é que eles dormiam depois do sexo, Hinata ainda teve tempo de ver Sakura Haruno cruzar o ves tíbulo. Ela ficou imóvel no patamar acima e exami nou a estranha com sua longa cabeleira rosácea, seu rosto deslumbrante e pernas que pareceram a Hinata tão longas quanto seu corpo inteiro.
Ela viu a mulher sair e se perguntou quem afinal era ela. Teria vindo visitar Kakashi? Teria sido namorada dele? Na verdade, não havia ocorrido a ela que Kakashi pudesse estar envolvido com alguém. Cheia de ansiedade e mal-estar, ela correu de volta para o próprio quarto e atirou-se na cama.
Cerca de dez minutos depois, Kakashi observou a es posa adormecida. Seus cílios pareciam úmidos e co lados como se ela tivesse chorado. A consciência que ele não sabia que tinha até aquele momento o gol peou. Ele era um verdadeiro sacana. E não havia no vidade nenhuma nessa constatação. Mesmo quando era adolescente ele não havia perdido muito de seu tempo com as mulheres ou pensando nelas. Ele nunca amara e sempre as abandonara. Mas essa mulher era um caso à parte porque ele havia se casado com ela e a tornara infeliz. Suas unhas roídas mostravam isso e ela merecia algo melhor. Ela não havia mencionado Sakura. Isso fora sensato. Ele também não tocaria no assunto. Há coisas que é melhor deixar enterradas. De qualquer forma, naquela noite, sua esposa agira verdadeiramente como esposa, e eles deviam prosseguir a partir dali...
Quando Hinata acordou, espreguiçou-se e a esqui sita dor na região íntima entre suas coxas a trouxe repentinamente à consciência mais rápido do que qualquer outra coisa poderia ter feito.
Ela olhou para o relógio desalentada, porque já passava do meio-dia. Perturbada por sonhos incômo dos passara mal a noite e dormira até tarde. Arrastando-se para fora da cama esforçou-se para se arrumar, mas a mente não cessava de atrapalhar. Ficava lembrando-se de Kakashi fazendo amor com ela, do cabelo grisalho despenteado, dos olhos escuros parecendo sel vagens em sua intensidade. Ela estremeceu. Só de pensar nele sentia os joelhos fraquejarem. Sob a apa rência fria e seca escondia-se um temperamento quente e apaixonado.
Mas então... então ela tinha feito amor com Kakashi. Embora isso tivesse sido uma coisa extraordinária para ela, duvidava que ele desse igual importância ao ato sexual. Kakashi era muito rico e muito bonito e, gos tasse ela ou não, devia ser muito experiente com as mulheres. Ele pensava que ela era sua esposa, mas não tinha recordação nenhuma dela. Mesmo assim a havia levado para sua cama e não demorara em satis fazer seu grande apetite sexual com ela. No entanto, para ser franca, Hinata não tinha queixas. Na verdade, refletiu com uma culpa divertida, corria até o ris co de adulá-lo como uma escrava desejosa, na espe rança de que ele sentisse vontade de repetir o que para ela havia sido um acontecimento extraordinaria mente prazeroso.
Hinata ouviu um barulho no quarto e voltou-se do espelho do banheiro ainda com um batom na mão.
— Ah... é você — murmurou insegura quando viu o marido perto da porta.
— Dormiglione... sua dorminhoca — disse Kakashi com voz rouca.
A atenção dela se prendeu àquele rosto longo e forte e seu coração ficou descontrolado.
— Você não precisa de todas essas coisas — falou Kakashi dirigindo um olhar de reprovação para a consi derável coleção de cosméticos na prateleira. — Li vre-se delas.
O lado dominador dele parecia se voltar para ela. Virando-se para o espelho, Hinata inclinou a cabeça para trás para pintar os lábios com gestos desafiadores.
— Eu gosto de maquiagem.
— Mas deve saber que eu não — informou Kakashi em um tom que mostrava sua estupefação por ela es tar se maquiando perto dele.
— Bem, você tem toda liberdade de não usá-los — ironizou ela.
— Não brinque. Não gosto de nada artificial. Hinata fez os lábios luzirem com um tom de framboesa e dirigiu a ele um largo sorriso de perdão.
— Você é um homem surpreendente... É tão con trolador e mimado...
— Mimado? — repetiu Kakashi, num misto de dureza e desconcerto.
— Onde quer que você vá, fica cercado de pessoas que obedecem às suas ordens, seus subalternos, seus empregados. Eu achava que você já devia estar can sado de chefiar tanto, mas em vez disso parece prefe rir continuar dando ordens...
— Expressar uma preferência minha não significa dar ordens — retrucou Kakashi friamente.
— Mas quando você expressa uma preferência, soa como se fosse um comando. Porém eu não vou abandonar minha maquiagem só porque você não a aprecia. Você está usando um casaco muito sem gra ça... vai se livrar dele só porque eu o acho sem graça?
— Eu não me dedico à moda no banco — disse Kakashi rispidamente.
— Mas você não está no banco agora — ouviu a própria boca dizer, com a voz áspera, dificuldade de respirar e uma pequena mas perturbadora fagulha de excitação.
Inesperadamente, Kakashi estendeu as mãos e a pu xou para ele.
— Você é muito... insurgente...
Com todos os sentidos despertos pela expectativa que se acendia, Hinata olhou-o ardentemente. Ele a puxou ainda para mais perto. Maravilhada ao sentir os músculos fortes, ela se deixou envolver pelo irre sistível corpo masculino dele.
— Você quer dizer atrevida? — sussurrou ela. Kakashi ergueu as mãos morenas até o rosto dela e alisou sua face. Os olhos claros de Hinata pareciam agora lagos convidativos. Os olhos dele, calorosos e acesos, fixavam-se em seu rosto, transmitindo uma forte ânsia.
— Tudo o que sei é que você me faz incendiar. Se as criadas não estivessem ali ao lado arrumando as malas, eu a agarraria contra a parede. Gostaria de po der fazer isso rápida e decididamente, e acho que você também gostaria, bella mia.
Uma onda de calor rosada subiu ao rosto de Hinata por debaixo da maquiagem. Mal podia acreditar que ele havia dito tal coisa, mas a intensidade sensual do carinho de Kakashi revelava o quanto ele falara sério. As pernas dela tremeram. Embora desnorteada, ela se sentiu ardorosamente excitada pela ousadia. Os mamilos haviam se contraído, formando pequenos picos sob a camiseta, e o formigamento na sua pélvis fez com que se sentisse insuportavelmente fraca.
— E eu creio que poderia fazer isso sem desman char a maquiagem — continuou Kakashi no mesmo tom meditativo.
— Provavelmente — emendou ela com voz aguda. Vendo que os olhos dela ardiam de paixão, Kakashi riu com uma satisfação muito masculina.
— Mas acho que vou resistir a esse desejo até você retirar a maquiagem!
— Vai esperar muito tempo!
Pouco à vontade com a brincadeira dele, Hinata se afastou um pouco. Depois hesitou. Querendo ou não, sabia que devia perguntar a ele quem era a visitante da noite anterior.
— Vi a mulher que veio aqui para vê-lo ontem à noite. Fiquei sem saber quem era ela...
Kakashi desviou dissimuladamente os belos olhos.
— Que mulher? Hinata enrubesceu.
— Aquela com longos cabelos rosados... e muito atraente...
— Ah, sim, aquela...
Kakashi deu de ombros friamente, sem mover um músculo no rosto magro e inteligente.
— Ela trabalha para mim.
A corrente de alívio que perpassou o corpo de Hinata fez com que sua cabeça arejasse. Tinha sido tolo de sua parte ficar amedrontada com a visão daquela bela mulher. Ela ouviu alguém no quarto ao lado per guntar alguma coisa a Kakashi.
— Hinata, as criadas estão dizendo que só conse guiram encontrar uma pequena quantidade de roupas suas. Onde está o resto de seu guarda-roupa?
Esforçando-se freneticamente para descobrir uma boa explicação para a falta de roupas, Hinata tentou colocar-se no mesmo nível de Kakashi e também deu de ombros.
— Eu decidi fazer uma boa limpeza no guarda-roupa — afirmou.
As sobrancelhas negras dele se franziram.
— Mas segundo as empregadas você tem apenas duas mudas de roupa aqui, cara.
Hinata mordeu o lábio inferior e baixou os olhos. Sua mente estava enevoada.
— Uma parte sumiu?
Houve um longo silêncio e ela lançou um olhar nervoso na direção dele. Mas não conseguiu ler nada no belo rosto moreno. Ele olhou de volta para ela com um ar franco.
— Eu realmente estou precisando fazer compras... — murmurou ela.
— Se não soubesse que não pode ser verdade, pen saria que você esteve morando em outro lugar — dis se Kakashi.
— Pelo amor de Deus... — exclamou Hinata, tensa.
— Então explique os armários vazios de uma for ma que eu possa acreditar.
Retesada como uma corda, Hinata respirou pro fundamente e felizmente lhe veio uma inspiração.
— Nós tivemos um briga estúpida porque você não aprecia meu gosto a respeito de roupas... e eu fiquei tão aborrecida que joguei todas elas fora!
Kakashi reagiu de modo compreensivo.
— Ora, com seu temperamento irritadiço, posso imaginar...
Um pouco da terrível tensão se aliviou.
— Por que as criadas estão fazendo malas? Esta mos indo a algum lugar?
— Para o Castello Hatake.
