Disclaimer:Saint Seiya não é de minha propriedade. Se fosse eu estaria no Caribe tomando sol. Se o Kurumada não está, ele tem um problema. O meu é só falta de dinheiro.

Aviso: Esta fic tem angst, yaoi, twincest e dark lemon. Este capítulo tem imagens gráficas de violência. Ela é perigosa e pode morder. Portanto, cuidado. Daqui pra frente está cada um por si.


A perda


"O que..."

Saga acordou na banheira de seu templo.

Como viera parar ali? Estava treinando na beira do penhasco e...

Sentiu seu sangue gelar. Sabia perfeitamente o que significava aquilo. Ares. Ele tomara seu corpo de novo.

"Não..." Disse num suspiro.

Levantou-se da banheira. Sentia seu corpo cansado, mais cansado que o de costume. Seus braços e pernas estavam pesados, doíam levemente. O que aquele demônio tinha aprontado dessa vez?

Reparara num papel dobrado na borda da banheira. Abriu e reconheceu sua letra, mas não se lembrava de tê-lo escrito.

Olá, Saga.

Sentiu minha falta?

Porque eu senti falta de seu corpo. E voltei uma vez mais, mas fique despreocupado que não tentei dominar o mundo de novo.

Não teria tempo nem condições para isso agora. Tive meu momento, que você arruinou.

Mas deixe estar.

Então, como despedida, te deixei uma lembrancinha.

Espero que goste.

Atenciosamente, "Ares".

Saga passou novamente os olhos pelo papel. Oh, Zeus, aquilo não parecia bom... Vestiu seu roupão. Precisava falar com Kanon. Depois resolveria o que fazer. Mas era certo que precisariam tomar providências seriíssimas para combater aquilo. Procurou o cosmo do irmão. Nada. Não conseguia senti-lo pelo templo. Não estava dormindo, ou teria acordado com seu chamado. Será que ele não voltou para casa?

Olhou o relógio em cima da pia. Eram cinco da manhã.

"Onde será que ele se meteu a uma hora dessas?"

Súbito, um arrepio na espinha. Um lampejo, uma memória que não era sua... Kanon saindo do banho.

"Ei, Saga. Que é isso, está me olhando assim por quê?"

Foi até seu quarto, a porta estava encostada. Sentiu suas pernas tremerem. Abriu a porta. E o inferno se abriu diante de seus olhos.

***

Todos os outros cavaleiros sentiram um cosmo levantar-se em desespero.

Aldebaran, na casa de Touro, ouvia alguém gritar e gritar na casa de Gêmeos. Correu até lá, encontrando também Carlo, vulgo Máscara da Morte, que também viera atraído pelo cosmo e pelos gritos. Encontraram um Saga totalmente descontrolado, aos berros, ajoelhado no corredor que dava para seu quarto. A porta estava encostada. Aldebaran o amparou, pegou o papel de suas mãos e fitou o outro, apreensivo.

"Ares..."

Carlo entrou no quarto. Ao levantar os olhos em direção à cama, parou. E sentiu o sangue abandonar seu rosto.

"Madonna mia..."

Outros chegavam. Aiolos, Mu, Aiolia, Milo, Camus, Shaka, Afrodite, Shura. Todos alarmados. Mais alarmados ainda ficaram ao ver o grande Saga, cavaleiro de Gêmeos, amparado pelo cavaleiro de Touro, totalmente alucinado, desfeito em lágrimas. Carlo virou-se do quarto, pálido, e levou um tempo para que achasse as palavras que tinha que dizer.

"Médico. Precisamos de um médico. Rápido. Touro, tira o Saga daqui." Carlo disse num fio de voz.

Milo antecipou-se aos outros e entrou no quarto, seguido por Camus. Fosse o que fosse, devia ser grave, para deixar o Máscara da Morte sem ação...

Kanon.

Largado na cama, imóvel, exposto, os pulsos atados nas costas. Hematomas, mordidas, cortes por todo o corpo, mas muitos no seu belo rosto, agora quase disforme pelo abuso. Várias marcas de unhas, em suas costas e torso... Palavras. Saga, escrita várias vezes. Ares, outras tantas. Sangue e mais outras secreções escorriam entre suas pernas e de sua boca, muitos dos arranhões e mordidas sangravam também.

De fato. Não havia dúvida do que acontecera ali.

Camus foi o primeiro a sair do estupor. Sentou na cama e gentilmente virou o cavaleiro para si. O desamarrou enquanto o examinava rapidamente. Respirava, mas de forma débil e fraca demais. Quase não tinha pulso. Estava mortalmente pálido. Olhou suas pupilas. Totalmente dilatadas, sinal de que tinha sido drogado. E pelos sinais, ele provavelmente estava tendo uma overdose.

Além disso, sem dúvida apanhara muito; sem a mínima condição de se defender. Fora, claro, as inegáveis evidências da violência sexual que sofrera.

Pegou um lençol da cama e o cobriu. Junto com Milo e Carlo, o pegaram para levá-lo dali para o hospital o mais rápido que pudessem.

***

Saga sentia sua cabeça doer como se fosse explodir ao meio.

Flashes de memórias que não eram suas invadiam sua mente. E lhe contavam a história do que acontecera em seu quarto. Uma após a outra, imagens de seu querido irmão sendo drogado, abusado, espancado até quase a morte... por ele próprio.

Alguém gritava e gritava, enquanto as imagens passeavam pela sua cabeça. Mas por que grita tanto, essa pessoa...

Sentia alguém amparando seu corpo, então percebeu que estava no chão.E que era ele mesmo quem gritava, incessantemente. Os outros cavaleiros de ouro estavam lá... Aldebaran o levava dali. Mu e Shaka tentavam acalmá-lo, em vão. Ele nem entendia o que estavam dizendo.

"Saga!"

Já não gritava mais, perdera a voz. Alguém o sacudia, tentando chamar sua atenção. Era o Mestre Shion.

"Saga! Me escute!"

Escutar o quê? Não havia mais nada para fazer ou dizer. Ele vencera. Ares, sua contraparte maligna, uma vez mais voltara para vingar-se por seus planos frustrados. Saga sabia muito bem o quanto sua contraparte maligna podia ser cruel, especialmente quanto estava enraivecida ou contrariada. Saga fizera os dois, o contrariara e o enraivecera... E o que foi feito a Kanon era de uma crueldade inédita, até para os padrões de Ares.

"Gostou da minha lembrancinha, Saga?

Não foi uma delícia?"

A voz dele o interpelava, quase risonha, num tom sardônico. Saga fechava-se mais e mais dentro de si. Shion o sacudia com mais força, tentando tirá-lo de seu transe. Ares se vingara dele, tirando o que lhe era mais caro... seu irmãozinho, sua única família... Por acaso ele não sabia o quanto lhe doera atentar contra seu irmão, colocando-o na prisão? Ou o quanto ele ficara feliz de ter seu irmão de volta, ao lado da justiça, defendendo a Deusa... Ares sabia. Sabia de tudo. E foi por isso que o atacara exatamente nesse ponto.

"Saga, Saga, Saga...

Sabe que nada sou, além de você.

Vai negar que queria fazer isso?

Tomar teu amado irmão, como homem...

Você pode esconder-se de todos, atrás de sua máscara de beato de Athena, mas não pode se esconder de mim.

Hipócrita.

EU SEI que você deseja seu irmão. Sempre soube, Saga.

Foi também por isso que o prendeu no Cabo Sunion, não foi?

Não foi só a traição dele..."

"C-cale-se..."

"O que foi, Saga?" Shion estava visivelmente preocupado. Saga desmoronava diante de seus olhos.

"Estava difícil de esconder seu desejo por ele, não é...

Porque o nome disso, Saga, é desejo. Você o quer, você o deseja. Sempre desejou...

Eu sei, eu sempre soube.

Quer que eu volte, Saga?

Quer que eu tome seu corpo, e lhe poupe de ver o que NÓS fizemos? É mais cômodo para você, não?

Pois não vou voltar. Seu corpo é seu agora. As memórias do que aconteceu a Kanon também.

Pode até usá-las para se aliviar um pouco, como fazia quando era mais mocinho... lembra?

E, quem sabe, SE ele sobreviver, você pode repetir a dose. Ele é tão apertadinho e gostoso, que realmente vale a pena..."

Saga voltou a gritar. As imagens queimavam em sua mente, assolando-o com culpa, vergonha, ódio de si. Ares não mentia. Amava Kanon como irmão, e como mais; mas sempre mantivera esse lado desse amor selado dentro de si. Jamais se permitira macular seu irmão, desejando-o abertamente como parceiro, como homem. Apenas tê-lo próximo de si era suficiente.

Ares destruiu esse amor.

Ares o fez cometer o incesto que sempre estivera reprimido nas profundezas de sua alma. Ares lhe tirou seu esteio na terra, escancarando a podridão que havia dentro de si...

A aberração que era. Incestuoso. Pervertido. Fratricida.

"Eu jamais teria conseguido sem você, Saga..."

***


Créditos à Pipe pelo nome Carlo para o Máscara da Morte. Combina!!!