CAPÍTULO III
Ao entrar no quarto do Sr. Cullen, Bella sentiu o perfume de flores. Sem dúvida a notícia de que ele se encontrava lá já tinha sido espalhada, porque vários arranjos haviam sido trazidos, e uma enorme cesta de frutas estava perto do armário.
Qual desses presentes seria o mais querido? Será que Lauren Mallory também enviara o seu?
Pare com isso!, ordenou a si mesma. Não é da sua conta! Porém olhou ao redor e viu que muitas cadeiras tinham sido colocadas ali, denotando visitas. Quanto às roupas que trouxera e o próprio Sr. Cullen, não se encontravam mais.
Ansiosa, Bella saiu do quarto, e se dirigiu à enfermaria. Entretanto, antes que lá chegasse, um grupo animado de pessoas veio em sua direção, e ela teria passado por elas, se não tivesse reparado, no centro do burburinho, o homem alto e meio ruivo que usava o roupão e o pijama que comprara no dia anterior.
Seus olhares se cruzaram, e Bella sentiu o impacto dos olhos verdes, que a deixaram paralisada. Não importava que tivesse curativos na fronte e na linha do queixo, pensou. O rosto viril era muito bonito. Aliás, Edward Cullen era lindo da cabeça aos pés!
Quando percebeu que as demais pessoas também haviam se detido e a fitavam, sentiu as faces em fogo. Percebeu que precisava dizer alguma coisa.
— Muito prazer, sou Bella Swan.
— A moça de quem Lauren nos falou — disse o mais velho do grupo, com forte sotaque texano. Se não tivesse descoberto a confusão, a família ainda estaria em busca de Edward. Estamos em dívida com a senhora. — Estendeu a mão. — Sou Carlisle, pai de Edward. Esta é minha esposa, Esme, nossa filha Leah, e nosso caçula, Jasper. Temos mais um filho, Emmett, que está de férias com a esposa. O marido de Leah não pôde vir.
Todos a cumprimentaram, e Bella sentiu um ridículo alívio, ao saber que Leah não era a esposa de Edward. Ora! Não era da sua conta se ele tinha mulher, noiva ou amante!
Jasper também estendeu a mão, com um sorriso provocante nos lábios, o que a fez lembrar de Mike, que sabia ser atraente para as mulheres. Percebia que Edward devia ter por volta de trinta e cinco anos, e Jasper era mais jovem. Os dois se pareciam muito com a bela Esme, e Leah herdara as feições do pai, com cabelos mais escuros.
A Sra. Cullen perguntou num tom de voz atencioso:
— Seu marido está bem?
É meu ex-marido, pensou Bella, mas respondeu:
— Creio que sim, mas ainda não o encontrei.
Não podia acreditar que Mike abandonara a namorada grávida, prestes a dar à luz. Sem dúvida logo apareceria.
Evitando fitar Edward, tratou de dar uma desculpa para ir embora e não atrapalhar a reunião familiar.
— Agora que o Sr. Cullen já reencontrou vocês, deve estar desejando se deitar. Muito prazer e adeus.
— Não se preocupe com Edward — replicou o pai. — Ele é duro na queda. Mas como o médico explicou que é seu primeiro dia fora da cama, acho que a senhora tem razão.
Ao encaminhar-se para o elevador, Bella ouviu um gemido sufocado, forte o suficiente para ser detectado em todo o andar, porém não se deteve. Já se sentia muito ligada a Edward Cullen, sem saber por que, e não pretendia continuar passando o tempo em sua companhia. O melhor a fazer era voltar ao hotel e esperar notícias do capitão Black.
— Sra. Swan? Espere, por favor!
Ela acabara de chegar ao térreo, quando Jasper a interceptou.
— Se me permite a brincadeira, a senhora corre mais que uma égua antes de um ciclone! Se não fosse pelo outro elevador, não a teria alcançado. Meu irmão quer que volte.
— Farei mais uma visita antes de regressar para os Estados Unidos.
— Não adianta. Edward está muito ansioso. Se não voltar agora, vai ficar furioso.
— Diga-lhe que virei mais tarde, quando não estiver com a família. Não quero ser intrusa.
— Já estamos aqui há seis horas, e a família nunca ficou toda reunida por tanto tempo.
Bella achou graça, e Jasper tratou de continuar:
— Conheço meu irmão, e sei que, se pudesse falar, nos teria posto para fora daqui dez minutos depois de chegarmos. Detesta ver todo mundo falando ao mesmo tempo, e todos os Cullen são tagarelas. Estará fazendo um grande favor se concordar em ser dama de companhia por mais um pouco. — Baixou o tom de voz de modo confidencial: — Mamãe se sente segura com a senhora, porque foi muito elogiada pela equipe do hospital. Assim poderemos sair por uma hora e comer alguma coisa.
Bella podia imaginar que, tendo voado para o Equador às pressas, os parentes de Edward deviam estar exaustos e com fome.
— Muito bem, voltarei, mas não posso ficar por muito tempo.
— Que bom! Faremos qualquer coisa para acalmar nosso irmão mais velho!
Entraram no elevador, e Bella perguntou:
— Quando a esposa do Sr. Cullen virá?
— Isso é o que todos se perguntam, desde que Edward saiu de casa para cuidar da própria vida, há anos.
— Quer dizer que está separado da esposa?
— Quero dizer que não existe uma esposa, mas evite comentar isso com ele.
— Por quê?
— É um assunto proibido para Edward, que vive me ridicularizando porque me casei. Porém como já me divorciei, agora não perde ocasião de me atirar isso no rosto.
— Tem filhos, Jasper?
— Graças a Deus, não. Da próxima vez que me casar, quero estar seguro de que será com a pessoa certa.
— Seus outros irmãos são felizes no casamento?
— Creio que sim. E você?
Por sorte tinham chegado ao sexto andar, e Bella viu-se livre de dar uma resposta. Era melhor não fazer muitos comentários sobre Mike.
Ao entrarem no quarto, viu Edward sentado na beira da cama, circundado pelos familiares. Assim que a viu, Esme Cullen sorriu, aliviada.
— Que bom que voltou! Edward ficou tão perturbado quando desceu no elevador, que mandei Jasper buscá-la. Por favor, fique e converse com ele. — Voltou-se para o doente, que tinha uma expressão aborrecida no rosto semi-enfaixado. — Querido, iremos agora para o hotel Ramada, e voltaremos mais tarde.
Todos se despediram e foram saindo, menos Jasper.
— Também está no Ramada, Sra. Swan?
— Não, no Ecuador Inn.
— Podemos trazer algo para a senhora quando voltarmos.
— Muito obrigada, Jasper, mas não será preciso.
— Certo. Espero vê-la depois.
Quando o rapaz saiu, Bella apoiou a bolsa sobre a mesa, e voltou-se para o homem que tanto a perturbava.
— Tem uma família maravilhosa, porém precisa descansar um pouco. Parece exausto. — Segurou-o pelas pernas, sem cerimônia. — Vamos lá! Vou ajudá-lo a se deitar.
Ele obedeceu, soltando um suspiro satisfeito. Bella o cobriu com o lençol.
— Pronto!
Edward segurou-lhe o pulso com os dedos que já podia mover sem as bandagens.
— Tem algo a me dizer, Sr. Cullen? E sobre Mike? Ele aquiesceu com um gesto de cabeça.
— Que bom! Ninguém o vê há quatro dias, nem seu chefe nem a jovem grávida com quem está vivendo. Ela terá a criança em breve, e precisa de Mike ao seu lado.
Edward largou-lhe o braço e apontou para o criado mudo, mas Bella só viu flores e sua bolsa.
— Oh! Percebo o que quer que eu faça.
Retirou uma caneta da bolsa e o envelope onde guardava a passagem aérea de volta.
— Pode escrever aqui, mas não o faça se isso lhe causar dor. Podemos brincar outra vez com o alfabeto.
Edward soltou um rugido abafado que, sem dúvida, queria dizer não.
Então ela apoiou o envelope sobre sua perna dobrada, e ele escreveu sem grande dificuldade.
"Mike bateu com a cabeça no barco e ficou desacordado. Morreu no mar com mais dois homens. Quis lhe dizer isso na primeira noite em que a vi. Desculpe."
Bella engoliu em seco.
— Mike...
Lágrimas quentes começaram a escorrer de seus olhos, e Edward segurou-lhe o braço de novo, tentando confortá-la. Quando seus olhos se encontraram, Bella percebeu o motivo da tristeza em seu olhar.
— Presenciou o afogamento? — murmurou. Ele acenou que sim.
— Que coisa triste! E Mike morreu sem conhecer o bebê! Emily vai ficar inconsolável.
Com surpreendente rapidez, Edward se apossou de novo da caneta e escreveu:
"É provável que o bebê não seja dele".
— Isso foi também o que o capitão Black disse. Emily lhe contou que mora com Mike há alguns meses.
"Trabalhava na empresa há quatro meses", escreveu Edward.
— Será que os dois já se conheciam?
"Emprego anterior em Baton Rouge, Louisiana".
— Duvido que Emily tenha estado na Louisiana. Deus! Nem quero pensar no que pode acontecer quando ela souber da morte de Mike. Tive dois abortos, porém no início da gravidez, e...
De repente sentiu os dedos longos e quentes sobre sua mão, em um gesto de consolo e compaixão, e uma enorme emoção a dominou. Tratou de se controlar.
— Sua empresa possui regras sobre os funcionários serem casados?
Edward acenou de modo negativo.
— Não entendo por que Mike alegou ser ainda meu marido. Ele voltou a escrever.
"Faço uma idéia. Contarei quando puder falar".
Bella sentiu um súbito remorso. Esquecera-se do quanto Edward Cullen precisava de apoio. Devia estar sentindo muita dor, depois de escrever tanto.
— Desculpe, Sr. Cullen. Tenho certeza de que o movimento deve fazer mal para sua mão queimada. Receio que o tenha deixado exausto com minhas perguntas. Vou deixá-lo repousar, e voltar para o hotel. Preciso telefonar para o capitão Black e minha família. — Guardou a caneta e o envelope na bolsa. — Posso fazer mais alguma coisa pelo senhor?
Ele tentou falar, e o som pareceu expressar seu desejo de que ela voltasse. Bella percebeu que sua garganta começava a apresentar melhoras, e isso a alegrou.
— Voltarei amanhã. Trate de melhorar e dormir. Ao virar-se para sair, o telefone tocou.
— Pode deixar que eu atendo. Alô?
— Leah? — perguntou uma voz feminina.
— Não. Bella Swan.
— Oh! Aqui é Lauren Mallory.
— Como vai? A família do Sr. Cullen já chegou, e está hospedada no Ramada.
— Sei disso. Fiz as reservas. Só fiquei surpresa em saber que você ainda está aí.
— Estava de saída para o hotel. Deseja falar com o Sr. Cullen?
— Sim, por favor — replicou Lauren com voz aborrecida. Bella colocou o fone junto ao ouvido de Edward, que fez um gesto de repúdio, fazendo-a desejar nunca ter atendido o telefonema.
— Lauren? O Sr. Cullen está... com muita dor, e não pode atender.
Ouviu um estalido seco, e a ligação foi cortada. Voltou-se para Edward.
— Sem dúvida Lauren ficou desapontada. Creio que tentará falar com o senhor amanhã. Agora vou embora.
Ele não tentou impedi-la dessa vez. Sabia que Bella já não amava o marido, porém o amor existira um dia, e devia estar muito chocada. Algumas lembranças nunca desapareciam. Entretanto, quando ela foi embora, pareceu que a luz desaparecia do quarto. Edward sentiu-se vazio e frustrado. Bella Swan era, sem dúvida, a mulher mais sensacional que já conhecera, e cada vez mais ansiava por sua presença. Quando lhe falara dos abortos, tivera ímpetos de tomá-la nos braços e consolá-la.
Enquanto isso, Bella fora falar com uma das freiras para que tomasse conta de Edward Cullen, e voltara ao hotel. Ao entrar no quarto, telefonou de imediato para o capitão Black, mas foi a secretária eletrônica quem atendeu.
Deixou as informações que recebera, e telefonou para a mãe.
— Bella, querida! Que bom que ligou! Encontrou Mike? Sem poder responder, prorrompeu em um choro convulso e, quando se acalmou, relatou o que soubera, omitindo Emily.
— Vou encontrá-la aí, querida. Não deve ficar sozinha.
— Agradeço, mamãe, mas a senhora não tem um passaporte, e só entrei no país porque pensavam que eu fosse casada com Mike e me concederam um visto de emergência.
— Então como ajudá-la, querida?
— Caso encontrem ou não seu corpo, voltarei para casa amanhã. Aí conversaremos.
— Mas você está de coração partido...
— Não, apenas triste pela morte de meu ex-marido. Creio que Mike nunca chegou a conhecer a felicidade.
Entretanto, quem sabe, Emily o fizera feliz, refletiu consigo mesma.
— Bem, agora ele está em paz.
— É verdade, mamãe, e só isso me conforta. Pode contar a Ângela? Telefonarei amanhã e avisarei a que horas chegará meu voo.
— Deus a abençoe, meu bem.
Bella relanceou um olhar para o relógio de pulso. Três horas e dez minutos. Se fosse ao apartamento de Mike, não pegaria muito trânsito.
Retirou uma garrafa de água mineral do frigobar, e colocou na bolsa. Então o telefone tocou.
— Sra. Swan? Aqui é Jasper Cullen. Bella sentiu um baque no coração.
— Seu irmão piorou?
— Não que eu saiba. Meus pais desejam saber se pode jantar conosco. Minha mãe soube que foi a senhora quem comprou as roupas novas para Edward, e essa é sua maneira de agradecer.
Bella sentiu um profundo alívio.
— Muito gentil, mas não posso. Ficarei ocupada o resto da tarde e da noite.
— Deseja companhia?
Bella estranhou a insistência, e de repente lembrou—se de Lauren Mallory. Será que a secretária se sentia ameaçada e pedira para Jasper vigiá-la?
— Fala espanhol, Jasper?
— Eu e toda a família. É preciso, no Texas.
Caso aceitasse sua companhia, teria de lhe fazer algumas confidências, refletiu Bella, mas não tinha importância. Jasper também se divorciara e entenderia o problema, além de afastar os temores de Lauren e servir-lhe de intérprete. Rezou para encontrar Emily no apartamento.
— Se não se importa, Jasper, gostaria que me ajudasse.
— Ótimo! Quando posso buscá-la?
— O mais rápido possível.
— Certo. Estarei em um Land Rover com o logotipo da Cullen Corporation.
Assim que desligou, Bella comeu um bolinho que trouxera da rua, a fim de recuperar as forças. Lavou o rosto, escovou os cabelos, e aplicou batom nos lábios.
Sentindo-se mais apresentável, deixou o quarto, e dirigiu-se ao banco do hotel. Trouxera mil dólares consigo, e ainda possuía o bastante até voltar para casa.
Não importava o que o capitão Black dissera. Emily Rosário precisava de ajuda, e Mike já não vivia. A jovem estava para ter um filho e, talvez de maneira ridícula e ilógica, sentia-se um tanto responsável, mesmo sem saber se Mike era o pai.
Jasper teria que falar depressa com Emily, antes que ela batesse com a porta no seu nariz outra vez.
Quando chegaram ao prédio, quarenta e cinco minutos depois de Jasper apanhá-la na porta do hotel, Bella explicou a situação.
— É admirável ver uma mulher divorciada disposta a ajudar outra pessoa em tais circunstâncias — comentou ele.
Mas Bella sabia que a alavanca que a movia era o fato de ter perdido duas crianças na gravidez, e na ocasião tivera o apoio da família, o que não acontecia com Emily.
— Estou acostumada a resolver problemas de outros no meu trabalho — apressou-se a dizer. — Mas obrigada pelo elogio. Vamos entrar?
Jasper deixou seu chapéu de caubói no carro, e encaminharam-se ao apartamento de Mike.
Dessa vez, quando Emily entreabriu a porta com a proteção da corrente, Bella pôde ver seu rosto sulcado por lágrimas recentes. Fitou Jasper, pedindo ajuda, e o rapaz começou a falar em espanhol.
Bella soube o momento exato em que revelou a morte de Mike, porque Emily prorrompeu em um choro convulso. Instantes depois, ergueu o rosto e encarou Bella.
— O que disse a ela, Jasper?
— Que estava muito triste com a situação, porque já foi casada com Mike.
— Diga—lhe, por favor, que vim aqui para que não se preocupe com dinheiro, e lamento não poder lhe oferecer mais.
Enquanto Jasper explicava, estendeu quinhentos dólares para a moça, que dessa vez aceitou, segurando as notas com mão trêmula.
Em um gesto generoso, Jasper também sacou o talão de cheques, e fez uma contribuição significativa.
— Aceite isso da parte da Cullen Corporation, señorita.
— Gradas, señor. — Emily fitou Bella com doçura. — Muchas gracias, señora.
— Jasper, por favor, diga-lhe que se precisar de alguma coisa, poderá me contatar por meio do capitão Black, na central de polícia. Estou rezando por ela e pelo bebê.
Assim dizendo, anotou o número do telefone e entregou a Emily.
Quando voltaram ao carro, Jasper esperou que Bella enxugasse as lágrimas.
— Sempre se envolve emocionalmente com estranhos, Sra. Swan?
— Claro que não.
Ele deu partida no motor.
— Então por que comprou roupas novas para Edward e por que ele ficou desesperado quando a viu ir embora? Não procedeu como o homem que conheço.
— Talvez porque quase perdeu a vida no acidente que matou meu ex marido, e está impressionado.
— Isso não é próprio do meu irmão. Até Lauren comentou com Emmett que estava surpresa pelo modo como se interessa por Edward.
— Porque ela está apaixonada por ele.
Bella mordeu o lábio ao perceber o que dissera sem pensar.
— Como percebeu isso?
— Instinto, Jasper.
Bella ansiava por perguntar se Edward Cullen também estava apaixonado pela secretária, mas não ousava, e Jasper não parecia disposto a satisfazer sua curiosidade. Então mudou de assunto:
— Não sei como agradecer sua gentileza.
— Pode jantar comigo.
Bella achou que devia estar pensando em uma refeição com a família.
— Obrigada, mas o capitão Black pode me telefonar a qualquer momento. Quero saber se recuperaram o corpo de Mike.
Jasper estacionou em frente ao hotel.
— Se precisar de mais alguma coisa ligue para o hospital. Estarei com Edward.
— Tenho certeza que está contente de ter a família perto nesse instante. — Bella desceu do carro. — Obrigada de novo.
— Estou disposto a ajudar muito mais, se me deixar. Dessa vez não havia como não perceber a insinuação, e Bella lembrou-se do homem com quem jantara fora em Lead, na noite em que recebera o chamado de Lauren Mallory. Ambos eram divorciados, ansiosos para encontrar alguém para amar, porém ela não era a pessoa certa.
— Já me ajudou o suficiente com Emily Rosário, Jasper.
— Então nos veremos amanhã — disse ele, recolocando o chapéu de caubói.
Bella afastou-se, sem dar uma resposta. Embora tivesse prometido a Edward Cullen que voltaria no dia seguinte, a razão lhe dizia que não era uma boa ideia. Tudo estava ficando muito complicado.
Era melhor voltar o quanto antes para sua vida em Dakota do Sul. Quando mergulhasse no trabalho, não teria mais tempo de lembrar como apreciara a breve amizade com o homem enfaixado, no pouco tempo em que ele não tivera identidade, nem título, família ou uma secretária chamada Lauren Mallory.
Vinte minutos após chegar ao hotel, Bella já falara com Black, que obtivera o nome e endereço do pescador, mas até o momento a polícia não conseguira falar com o homem. Só haviam encontrado alguns destroços de madeira que podiam pertencer ao barco.
Quanto às outras duas vítimas mencionadas pelo Sr. Cullen, não eram funcionários da empresa, e a única pessoa dada como desaparecida fora Mike. Isso complicava ainda mais o caso.
Dependendo das correntes marinhas, vários dias ou semanas passariam para que os corpos aparecessem, e talvez isso nunca acontecesse.
Black disse que desejava visitar o Sr. Cullen no hospital nessa mesma noite, e pediria que escrevesse o que mais sabia sobre o acidente, caso não estivesse sentindo muitas dores. Seu testemunho era vital.
Bella concordou e, antes de desligar, disse ao capitão que nada mais a prendia em Guayaquil, e que pretendia voltar aos Estados Unidos pela manhã. Se surgisse alguma novidade, ele poderia contatá-la pelo telefone em Lead.
Em seguida Bella ligou para a agência de viagens, e pediu confirmação no voo para Atlanta que partiria pela manhã, às nove e quarenta e cinco.
Pediu o jantar no quarto, e ligou para a irmã.
— Está encarando a morte de Mike muito bem — comentou Ângela.
— Talvez porque sei que alguém esteve ao seu lado e o amou até o fim. Emily é muito jovem, e percebe-se que o idolatrava. — Engoliu uma garfada de salada. — É ela quem me dá mais pena.
— Fez o que era possível, Bella. Não creio que muitas ex esposas se dariam ao trabalho que teve, e entregariam dinheiro à amante do ex marido!
— Emily vai ter um bebê.
— Que não é de Mike!
— Sei disso, mas Mike a sustentava.
— Tem um coração de manteiga, mana! Agora me fale do dono da Cullen Corporation. Como é ele?
— É difícil dizer. Ainda está enfaixado e não pode falar.
— Então como soube a respeito de Mike?
— É uma longa história e ainda não sei de todos os detalhes. — Bella não ousava contar que brincara com Edward como brincava com a irmã na infância, adivinhando palavras. — Conseguimos nos comunicar, e ele escreveu algumas coisas.
— Pensei que estivesse com as mãos queimadas.
— Só as palmas.
— Que estranho pensar que foi procurar seu ex-marido e encontrou outro!
— Nem me fale.
— Como foi que percebeu que não se tratava de Mike?
— Quando tiraram a máscara de oxigênio, pude ver seus olhos. São verdes, e não azuis. — Bella não se sentia à vontade com aquela conversa. — Ângela, preciso desligar. Esse telefonema vai custar uma fortuna. Vejo você e mamãe amanhã.
— Mal posso esperar! Quero saber de todos os detalhes. Vamos esperá-la no aeroporto de Rapid City. Faça boa viagem!
Bella tomou banho e fez a mala antes de se deitar, mas não conseguiu conciliar o sono.
Aborrecida por ficar remoendo momentos que deveria tentar esquecer, acabou por ligar a televisão. Havia uma revista de turismo sobre o criado-mudo, com todos os lugares onde comer e fazer compras em Guayaquil, e ela leu até adormecer.
