10. "Trouble" ( Coldplay)
"And I never meant to cause you trouble/I never meant to do you wrong/ And ah, well if I ever caused you trouble/Oh, no I never meant to do you harm"
"Eu nunca pretendi lhe causar problema/ Eu nunca quis te fazer mal/E se eu alguma vez lhe causei problema/ Oh, não! Eu nunca pretendi te machucar"
- Eu achava que a minha felicidade fosse a sua fiquei feliz quando você mudou de escola e se tornou o técnico do time de futebol, não foi?- Rachel falou amarga, a raiva pulsando em todo o seu corpo.
- Isso é diferente!- Finn retorquiu.- É diferente de fazer um filme com um cara feito o Ashton Kutcher! Um mulherengo, que vai dar em cima de você!
- Finn!- Rachel gritou, lívida- é só um filme! Um trabalho como os que eu faço no teatro! O que você está supondo? Que eu vou cair nos braços do Ashton assim que eu o vir?
Finn rebateu:
- Eu é que não sei, esses caras famosos são charmosos, cheios de lábia, chegam e escolhem com qual garota vão ficar, você é uma presa fácil.
Rachel estava com os olhos arregalados, pasma:
- Você está se ouvindo? Quem você pensa que eu sou? Há dez anos que nos conhecemos, desde a escola, noivamos, casamos, e você não confia o suficiente em mim para me apoiar na melhor oportunidade da minha carreira?
Ele abriu e fechou a boca, sem conseguir articular nada, sua voz não saía, e ele percebia, lentamente, a besteira que tinha feito.
- Estou tão desapontada com você ...- ela disse entre lágrimas.- Eu nunca pensei que você...
- Eu vou embora, Rachel.- ele ofegou.- Eu não...me desculpe...
Dessa vez, foi ela que não conseguiu falar prontamente, e ele falou:
- Essa é a sua vida, seu sonho, sua tô só te atrapalhando com a minha mesquinhez.
Após dizer isso, saiu, batendo a porta do apartamento, resoluto.
{...}
Kurt tomou um susto quando viu Finn parado à sua porta com um jeito de quem tinha feito a maior besteira da vida.
Após acomodá-lo no quarto e ouvir o que o irmão havia feito, ele afirmou, grave:
- Você fez a maior burrada da sua vida.
Finn estava rouco, taciturno, não tinha nem coragem de fitar os olhos frios e azuis do irmão que o perfuravam, condenando o seu ciúme e a sua imaturidade:
- Eu sei.- ele respondeu.
Kurt continuou:
- Minha nossa, era para ter sido o dia mais feliz da carreira da Rachel até agora!
- Eu sei, eu sei que estraguei tudo, droga!- ele gritou, aturdido.- Ela nunca vai querer me perdoar.
{...}
Fazia uma semana que Finn tinha saído de casa e Rachel tinha passado muito mal: chorava bastante, tinha enjôos constantes e, às vezes, vontade imensa apenas de ficar só dormindo. Tirando a parte de chorar demais, ela estava estranhando aquelas sensações físicas, e sua intuição dizia que um exame médico esclarecedor precisava ser feito.
- Ai, meu Deus.- ela gemeu quando soube o resultado.
Não havia nada o que fazer a não ser aquilo.
Rachel apareceu de surpresa no apartamento de Kurt e Finn abriu a porta.
- Oi.- ele cumprimentou, receoso, sem saber com qual estado de espírito ela o trataria.
- Oi.Nós precisamos conversar.- ela respondeu, num tom de voz mais suave do ele esperava.
Eles ficaram por uns instantes se encarando, relutantes, até que Finn falou:
- Vou apanhar o resto das minhas coisas amanhã, se estiver tudo bem para você.
- Finn, eu...
- Eu sou um idiota, você é uma estrela, eu sempre te disse isso.Não mereço ficar com você.
- Finn, é que...
- Pode fazer este filme, ir para Hollywood, seguir sua carreira...
- EU TÔ GRÁVIDA.
- Nós podemos procurar um advogado, e... O QUÊ?- ele parou, em choque.- O que você disse?
- Que eu estou grávida. Fiz um exame e descobri que já estou com três semanas.
Finn ficou parado com lágrimas brotando nos seus olhos, uma espécie de torpor atingia seu corpo.
Rachel aproximou-se dele, e, delicadamente, pegou sua mão e pousou junto com a dele sobre a sua barriga.
Ele ajoelhou-se e colocou sua cabeça lá, como se pudesse sentir ou escutar o bebê. Murmurou:
- Me perdoa, eu amo você.
Rachel passou a mão nos seus cabelos e sorriu:
- Sim, perdoo, agora vamos para casa, que nós sentimos muito a sua falta.
11. "Daughters" ( John Mayer)
"Fathers, be good to your daughters/Daughters will love like you do/Girls become lovers who turn into mothers/So mothers, be good to your daughters too"
"Pais, sejam bons com suas filhas/Filhas amarão como vocês amam/Meninas se tornam amantes que se transformam em mães/Então mães, sejam boas com suas filhas também"
A gravidez de Rachel foi tranqüila, apesar de não ter sido planejada com tempo o suficiente que não atrapalhasse seus compromissos profissionais. Ela filmou com Ashton Kutcher antes de a barriga ficar aparente, mas teve que dar um tempo nos musicais, mas ela não poderia ter ficado mais feliz, ela teve lá seus inchaços, oscilações hormonais e desejos malucos no meio da noite ( tomar sorvete de milho verde, por exemplo), mas nada que não pudesse ser driblado pela paciência de Finn.
A pequena Sarah Katherine Hudson nasceu numa tarde chuvosa de fevereiro em Nova York.
Sarah era fisicamente muito parecida com o pai, com seu narizinho arrebitado e o sorriso com covinhas, mas tinha o mesmo gênio determinado e decidido de Rachel, que se fazia transparecer em momentos como aquele em que ela e a mãe decidiam os últimos detalhes da decoração da sua festinha de quatro anos:
- Eu quero bichinhos, mãe!- ela berrava, enquanto Rachel lhe mostrava lembrancinhas cor-de-rosa.
{...}
- Ela quis tema safári, Finn, de meninos, MENINOS!- Rachel repassava para ele à noite, quando eles já estavam a sós no quarto.
Ele riu da ironia do destino, justo Rachel, que sempre gostara de tudo rosa e de coisas extremamente femininas, tinha sido dobrada pelo gosto descolado de sua filhinha de quatro anos:
- Querida, ela gosta de bichos, natureza, e a festa é dela, não sua.
- Ah, tá. Duvido que você vai me dar uma resposta como esta quando ela tiver quinze anos e quiser acampar com o namorado "porque gosta de bichos e natureza".- Rachel replicou.
Finn começou a ficar vermelho:
- Que história é essa de acampar com o namorado?
Rachel começou a rir e se sentou na cama, de frente a ele, tentando acalmá-lo pondo as mãos em seus ombros:
- Finn, ela vai crescer, sabia? Vai se tornar adolescente, um dia, vai querer acampar com o namorado; no outro, casar e ter filhos.
- Mas ela ainda é tão pequena!- ele bufou, olhando embaraçado para a esposa.- Eu só queria protegê-la pra sempre.
Rachel sorriu e pousou seus lábios sobre os dele:
- Ela vai ter sorte se encontrar um cara como o pai, eu tenho certeza.
Finn sorriu também, puxando Rachel para si enquanto a envolvia num beijo quente, que em minutos se tornou mais urgente. Sua boca passeava agora pelo pescoço da sua mulher, ao passo que suas mãos deslizavam sorrateiramente a fina camisola de Rachel. Ela montou em seu colo, gemidos baixos e excitados preenchiam seu quarto, Rachel arfava o nome de Finn embalada nos seus movimentos, quando a porta do quarto abriu e Sarah disse:
- Mãe, deixa eu dormir com você e o papai? Tô com medo do escuro.
O casal congelou por instantes, perplexos com a situação embaraç que seus pais pareciam estranhos, Sarah indagou:
- Mãe, você tá brincando com o papai?
Finn murmurou no ouvido de Rachel antes de levantá-la e inventar uma desculpa esfarrapada para a filha:
- Anotação mental importantíssima: sempre lembrar de trancar a porta do quarto.
12. "Suddenly I See" ( KT Tunstall)
"Her face is a map of the world/ Is a map of the world
You can see she's a beautiful girl/ She's a beautiful girl
And everything around her is a silver pool of light
The people who surround her feel the benefit of it
It makes you calm/ She holds you captivated in her palm"
"O rosto dela é um mapa do mundo
É um mapa do mundo
Você pode ver, ela é uma garota linda
Ela é uma garota linda
E tudo ao seu redor é um poço prata de luz
As pessoas que a cercam sentem o benefício disso
Te faz calmo/ Ela mantém você na palma da mão"
Rachel respirava tranquilamente quando sua filha chegou estrepidamente da escola, fazendo o maior barulho.
- Shhhh, você vai acordar o seu irmão!- ela a repreendeu.
Ela e Finn tinham um novo bebê em casa, Benjamin só tinha cinco meses e era um custo para colocá-lo para dormir, então ela pediu que Sarah falasse mais baixo.A garotinha já estava com sete anos, e foi com muito custo que conseguiu baixar o tom de voz:
- Mãe, você não vai acreditar! Hoje nós fomos para o zoológico, foi incrível! - os olhinhos dela brilhavam, e, por conseqüência, os de Rachel também. Ao contrário do que ela e Finn pensavam, aquela fascinação toda por animais não havia passado, e eles já tinham até colocado Sarah nas suas primeiras aulas de equitação.
Sarah era muito louca por animais, mas também, por mú gostava de tocar piano e de cantar, mas preferia os classic rocks que seu pai ouvia e tocava na bateria do que os musicais idolatrados por sua mãe.
Rachel, porém, não se importava.A maternidade, por incrível que parecesse, a tinha transformado em alguém mais tolerante, mais tinha toda certeza que apoiaria Sarah e Benjamin em qualquer coisa que eles quisessem fazer na sua vida.
Finn também era completamente louco pela mulher e pelos filhos, tinha orgulho de ter conquistado uma pessoa maravilhosa, uma atriz premiada e talentosa, e der ter construído junto com ela uma família, nem tudo eram flores, mas as dificuldades eles já eram acostumados a tirar de letra.
- Nós poderíamos tirar umas férias bem gostosas em algum lugar do mundo, não acha?- Finn perguntou ao final do jantar para Rachel.
- O que você sugere?
- Ah, sei lá...eu sempre quis conhecer o Brasil.
- Finn, posso te perguntar algo? Seja sincero.- Rachel olhou fundo nos seus olhos.
- O que? Bom, Rach, se é sobre a fama das bundas das brasileiras, não se preocupe, a sua também é nota dez.
- Não é isso, seu tarado!- ela riu, batendo de leve no seu peito.- É sobre nóê ainda me ama como na época em que a gente era mais jovem, tipo, quando o máximo das nossas preocupações era se ganharíamos as Nacionais, e não se a nossa filha levou um tombo do cavalo na aula de equitação ou se nosso filho é pequeno demais ainda para dizer se está chorando por causa de dor ou fome?
Ele passou os seus grandes braços em volta de sua cintura, de forma que estavam bem próximos:
- Não, eu não amo da mesma forma.
Ela piscou, um pouco confusa, mas deixou-o continuar:
- Eu te amo com os pés no chão, sabendo que você tem TPM, que às vezes as exigências do seu trabalho e a atenção dispensada aos nossos filhos te deixa estressada, de vez em amo tudo em você, tudo sobre você, sem ilusões, sem queixas.Não é como no passado, em que a gente não tinha idéia de como a vida era fora da escola, mas muito mais ainda porque, agora, eu sei que a vida não é fácil, e que o melhor de tudo sempre foi te ter ao meu lado.
Rachel sorria e chorava ao mesmo tempo. Mais palavras não eram necessárias. Na ponta dos pés, ela ofereceu seus lábios para mais um beijo de Finn.
#K2: E é isso, povo! "Baladas" chegou ao fim, mas eu já tô com outra fic no forno. Obrigada pelo carinho e pelas reviews, beijos!
