Cap 3 – Lembranças

Harry chegou tarde em casa. Encontrou o filho na biblioteca lendo. Era um pai cuidadoso e dedicado. Menos é claro com Grauben. Sabia que a menina não tinha culpa do pai que teve, mais não conseguia amá-la como filha. Toda vez que a olhava via Draco e era como se ele ainda estivesse naquela casa. Subiu até o quarto e encontrou Ginevra pensativa.

-Ginevra? Estás acordada?

-Sim Harry. Como foi no trabalho?

-Bem, nada de novo. E você como está?

-Bem, um pouco preocupada com Grauben. Saiu faz tempo e ainda não voltou. Não que isso seja novidade mais não consigo não me preocupar.

-Quer que eu vá procurá-la?

-Não é preciso. Logo ela estará de volta.

-Bom vou tomar um banho. Estou morto.

-Claro. – disse Ginevra levantando-se e indo procurar o filho.

Foi até a biblioteca e lá o encontrou aprofundado em uma leitura. Axel adorava livros.

-Lendo, Axel?

-Sim mãe. Desejas algo?

-Sim meu filho. Quero conversar sobre sua irmã. Não consegui conversar com ela como deves ter percebido. Pra quem ela tanto escreve meu filho? Sabes de algo?

-Não mãe. Ela tem recebido muitas cartas mais nunca fala nada sobre elas. Achas que há algo de errado?

-Não sei. Bom, acho que vou dormir e tirar estes pensamentos da cabeça. Boa noite Axel.

-Boa noite mãe. – disse voltando para sua leitura

Ginevra voltou para o quarto e encontrou Harry já deitado.

-Harry.

-Sim Ginny?

-Hoje Grauben voltou com aquele assunto sobre seu pai.

-E o que lhe disses?

-Que não queria falar sobre isso.

-E ela não aceitou certo?

-Sim. Disse que se eu não a contasse que descobriria por si só. Tenho medo do que ela possa fazer. - disse Ginny abraçando o marido tentando procurar alguma segurança apesar de saber não adiantar

-Acho que algum dia ela irá descobrir. Nós querendo ou não.

Flashback

Fazia um mês desde a morte de Draco. Ninguém além de Hermione sabia a verdade sobre o seqüestro de Ginevra. Por isso todos tratavam Harry como um verdadeiro herói. Ginny tentava ao máximo evitá-lo mais isso se tornava cada dia mais difícil com seus irmãos tentando aproximá-los. Até que um dia em um almoço na Toca o pai de Ginny pediu a palavra.

-Hoje recebi uma ótima notícia! Nosso querido Harry veio me pedir permissão para noivar com Ginny!

Todos gritaram de felicidade. Ginny olhou para o pai sem entender e em seguida para Harry. O moreno sorria como se tudo estivesse normal. Não teve como fugir.

-E então Ginny? – perguntou sua mãe – Não irá deixar Harry esperando sua resposta, não é?

Ginny abaixou a cabeça ao sentir os olhos serem embaçados por lágrimas. Sem levantar a cabeça falou quase num sussurro.

-Sim, aceito me casar com Harry. – Em seguida saiu da sala onde todos comemoravam e foi para seu quarto. Não sabia por que tinha aceitado. Mais sabia que seu coração não queria aquilo. Ouviu Hermione a chamando no corredor e decidiu sair dali. Depois resolveria aquela história de casamento.

Fim do Flashback

Ginevra pegou no sono e em seu sonho, via Grauben quando tinha seus 5 anos e perguntou pela primeira vez sobre o pai. Porém no sonho, a menina decidia ir procurar pelo pai e quando Ginevra se dava conta estava chorando ajoelhada em frente ao túmulo da menina, ao lado do de Draco.

Acordou sobressaltada. Levantou-se devagar para não acordar o marido e foi até o quarto de Grauben. Estava vazio, como o tinha deixado há algumas horas. Sentou-se na cama da menina. Olhou para o quarto e se lembrou de Draco. Eram raros os momentos que olhava pra filha e não lembrava de Draco. A menina era a cara do pai. Fisicamente e na personalidade. O mesmo jeito ordenado, mas que não deixava de lado um próprio jeito bagunceiro. Não conseguiu evitar uma lágrima que escorreu involuntariamente de seu olho. Chorou durante algum tempo silenciosamente e depois dormiu ali mesmo.

------------------------------------------ DG -------------------------------------------------

Grauben saiu da casa correndo. A raiva transbordava em seus olhos junto com as lágrimas. Correu até se cansar. Sentou-se no paralelepípedo da rua e ficou ali ouvindo o silêncio da madrugada. Começou a por as idéias no lugar e concluiu que não podia voltar pra casa. Não queria. Mas para onde iria? Não tinham parentes, a não ser os avó, Sra Weasley, porém a Toca era muito longe dali. Pensou em sua tia Hermione e seu tio Rony, mas não queria incomodá-los. Afinal, haviam acabado de se casar. Então uma idéia lhe ocorreu. Não sabia por que tinha lembrado daquilo, porém era sua única opção. E provavelmente sua mãe não a procuraria ali. Ergueu sua varinha e em questão de segundos estava dentro do Noitibus tomando uma xícara de chocolate quente. Depois de uns quarenta minutos chegou ao seu destino. Saltou e olhou para a Mansão no fim da estrada de terra. Ainda era madrugada, o que deixava a Mansão mais misteriosa e sombria. Começou a andar pela estradinha olhando para as ruínas da Mansão e para o que outrora parecia ter sido um lugar alegre e bem cuidado. Ia naquele lugar desde os seus seis ou sete anos, quando começaram as brigas com sua mãe. Era um lugar que lhe dava um conforto e uma segurança indescritíveis. Conhecia a maior parte da casa, porém tinha certeza ainda Ter muito o descobrir. Entrou pela porta dos fundos. Um inconfundível cheiro húmido veio ao seu nariz, porém já estava acostumada. Subiu as escadarias e passou pela biblioteca. Os livros agora, muito velhos e destruídos, eram seu maior prazer na casa. Pegou um que estava lendo a algum tempo sobre as Artes das Trevas, e foi para o 3° andar. Era lá que encontrava o lugar que mais lhe agradava. Em um quarto, que parecia de um garoto de uns 15 anos que seu coração achava conhecer. Porém nunca ninguém apareceu na casa, então acabou deixando a idéia para lá. Sentou-se num sofá e começou a ler o livro. Falava sobre feitiços de proteção. Não apenas feitiços, mas também as chamadas "escoltas" que não deixavam uma pessoa morrer tão facilmente. Seu corpo podia morrer, mas seu espírito continuava vivo. E com algumas poções de nível altíssimo de elaboração poderia juntar novamente corpo e espírito. Estava tão entretida em sua leitura que não percebeu quando uma porta se abriu no primeiro andar. Depois de passado alguns minutos, começou a ouvir passos na escada que rangia. Estranhou já que ninguém nunca ia até aquele lugar. Pegou sua varinha no casaco e colocou-a em posição de defesa. Ou viu os passos se aproximando e viu uma figura encapuzada entrar no quarto. Viu-a tirar o capuz e ali um jovem que ela achou conhecer de algum lugar. Sua voz saiu como se há décadas não fosse pronunciada.

-Pequena Grauben. Finalmente nos conhecemos.