Hey, sweeties.
Primeiramente, Feliz Natal pra todos vocês. Espero que tenham comido muito panetone. *-*
Well, tinha prometido pra Diinda Neko que postaria esse capítulo ontem, mas fiquei sem tempo. :x
Não me apedreje, ok?
OHEOAHOEHOHEOHEOH
Enfim, espero que gostem. Esse capítulo é meio pesado, as coisas vão começar a ficar realmente difíceis pra Rin e pro Sessh a partir de agora. Em compensação, coloquei uma personagem meio maluca na história pra animar um pouco. q
Deixem reviews de presente de Natal pra mim, hein. *-*
Enjoy.
Capítulo 3
"Eu a machuco, eu faço tudo errado. E eu não sei por que ela sorri pra mim."
Junho de 2009
— aniversário de Sesshoumaru
Já eram oito da noite e ele ainda não tinha chegado.
A mesa da cozinha estava pronta há pelo menos meia hora, um colorido que dava água na boca. Rin tinha feito tudo o que ele gostava de comer: gyoza, shitake no batayaki, carne de porco cozida ao molho shoyu, camarão e bo-zushi — aquela coisa complicada que lhe tomara boa parte da tarde. Aventurara-se a ir até o mercado que ficava no final da rua, sozinha, e comprara até mesmo sake, que ela nunca havia bebido, mas sabia que os homens gostavam.
Deixara o apartamento um brinco: bateu os tapetes na rua, varreu, lavou e espanou cada canto empoeirado, jogou mais montanhas de lixo fora. Ainda arrumara tempo para preparar o jantar e preparar a si mesma. E agora estava ali, o cabelo ainda úmido do banho, cheirando a sabonete, com a saia branca de bolinhas e a blusa de renda que Sesshoumaru lhe dera.
Estava tudo pronto — só faltava ele.
Cansada de esperar, faminta, ela debruçou-se sobre a mesa e beliscou um camarão. Não entendia por que ele estava demorando tanto pra voltar, se era segunda-feira e o cinema nunca funcionava nas segundas. Aliás, ele havia passado o dia inteiro fora.
Mais meia hora se passou.
Então quando Rin estava quase pegando no sono com a cara sobre a mesa, foi chacoalhada pelo estrondo da porta batendo. Empertigou-se na cadeira, ansiosa.
E esperou.
Mas ele não estava vindo pra cozinha. Ouviu o barulho de coisas batendo — gavetas, ela imaginou — e outras sendo derrubadas com estardalhaço. Depois os passos dele, apressados, no corredor. E os gritos.
— Rin!
Ela tremeu, sabendo, pelo tom de voz dele, que alguma coisa estava errada.
— Rin! — agora mais alto.
— Estou aqui. — ela se forçou a dizer, mas deduziu que ele não tinha escutado, pois continuou gritando.
Quando, então, ela começou a se levantar da cadeira para ir ao encontro dele, Sesshoumaru apareceu na porta da cozinha. E parecia um fantasma saído de um filme de terror.
Alguma coisa mastigada por um pesadelo — alguma coisa desesperada.
Aqueles olhos vermelhos, injetados, varreram rapidamente a cozinha, sem foco, para então caírem sobre o rosto dela. Rin quase soltou um grito de pavor quando percebeu que ele não a reconheceu de imediato.
— Onde estão as seringas?
— Que seringas? — sua voz saiu trêmula.
— As seringas que estavam na gaveta! — ele berrou. — O que você fez com elas?
— Eu... Eu não sei! — Rin choramingou.
Na verdade, ela sabia. Havia jogado aquelas seringas velhas no lixo mais cedo, quando limpou o quarto. Não imaginava por que ele haveria de querê-las.
E sentiu que era melhor não contar aquilo — não estava diante do Sesshoumaru que conhecia. Mas lembrava de já ter visto aqueles olhos loucos, animalescos, mais de uma vez. Não nele, mas nos garotos perdidos e transviados que ela vira na rua.
Rin sentiu os olhos quentes, cheios de água.
— Não, não... — ela implorou baixinho. — Por favor, você não...
Mas ele não se importou — não se importaria com nada nas próximas horas — e simplesmente deu-lhe as costas, sumindo na noite outra vez.
Na noite do seu aniversário.
Aquela foi uma noite difícil.
Rin não se deu ao trabalho de ir para a cama, sabia que não seria capaz de dormir. Ficou encolhida na poltrona com o cheiro dele, no quarto escuro, abraçando os joelhos contra o peito, imaginando onde ele estaria. E se fechava os olhos, era só para ver outra vez aquele semblante horrível, alucinado pela droga.
No meio da madrugada, acabou caindo num sono agitado — "Onde estão as seringas? O que você fez com elas?" — e só acordou por volta das quatro horas, quando um barulho no banheiro a despertou num susto. Caminhou, trôpega, no escuro, uma mão tateando a parede e o coração batendo forte, apertado. A luz do banheiro estava ligada, e, por um momento, Rin hesitou.
E se ele não a reconhecesse de novo?
Ouviu, então, a tampa do vaso sanitário batendo na parede ao ser aberta e o gemido abafado de quem vomita, e obrigou-se a entrar. Mas parou na porta, chocada, ao vê-lo tão vulnerável, como ela nunca imaginou que ele pudesse ficar: Sesshoumaru estava ajoelhado no chão do banheiro, abraçado ao vaso, os cabelos caindo sobre o rosto, cuspindo, trêmulo, os últimos fiapos de vômito. E parecia tão magro...
Tão doente.
Mas era ele, outra vez.
E quando Sesshoumaru tombou para o lado, caindo, fraco, de costas na parede, e Rin tomou-lhe o rosto nas mãos, afastando-lhe os cabelos dos olhos, ele a reconheceu. Num estado de semi-consciência, segurou-lhe os pulsos e soltou um suspiro tão sofrido que ela chegou a sentir a dor que havia nele.
— Rin... — ele sussurrou, a voz arrastada.
— Shh. Está tudo bem. — e acariciou-lhe o rosto. — Está tudo bem agora.
Ele fechou os olhos, parecia exausto e acabado. Por um momento, afrouxou as mãos ao redor dos pulsos de Rin, e ela pensou que ele havia caído no sono, mas então voltou a apertá-la num espasmo desesperado, abrindo os olhos de súbito — ainda vermelhos, mas agora derrotados —, e ela percebeu, com um nó na garganta, que Sesshoumaru estava lutando contra aquilo.
— Eu... — ele piscou, confuso. — Não consigo ver você direito.
— Eu estou bem aqui. Olhe.
E guiou as mãos dele ao seu rosto — e sentiu o cheiro da droga nelas.
— Rin... O que eu fiz?
— Não importa mais, já passou.
— Por quê? — ele a encarou com uma dor sem fim. — Por que você não me parou?
E então Sesshoumaru chorou.
Chorou como um menino, e Rin não pôde suportar vê-lo desmoronando daquele jeito. Ajoelhou-se junto de Sesshoumaru e o abraçou, com força, apertando a cabeça dele contra seu peito, embalando-o.
Por quê?
Por que ela não o havia parado?
E enquanto ele soluçava, Rin prometeu que nunca mais o deixaria cair.
Ela arrasta-o para fora do banheiro, para o corredor — ele é grande, pesado, apesar dos ossos salientes sob a pele, e é impossível chegar até o quarto quando as pernas dele não têm força para ajudar a sustentar o corpo. As mãos dele deslizam, mortas, pelo assoalho, quando ela o puxa por baixo dos ombros.
Ele está quase apagado.
Ela vai até o quarto e volta com o edredom embolado nos braços. Estica-o, com carinho, no chão, e então rola o corpo dele para cima da coberta — tem medo de que ele pegue um resfriado se dormir com as costas direto na madeira. Ele solta um gemido baixinho, como se estivesse incomodado com alguma coisa, e se vira de lado.
E apaga de vez.
Ela fica ajoelhada ali, ao lado dele, olhando-o durante algum tempo. Ela pensa que ele é tão bonito, e tão triste. Sente vontade de chorar, mas morde o lábio e engole o soluço, o medo e a dor. Ela precisa ser forte agora, forte por ele. Então aproxima-se em silêncio, enfia-se debaixo do braço dele e encolhe-se, pequena, como um animalzinho.
Está tudo bem, está tudo bem agora.
Ela sente a respiração dele no alto de sua cabeça e fecha os olhos.
É quase dia quando ela, finalmente, dorme.
Sesshoumaru acordou com uma dor de cabeça infernal naquela tarde — parecia que os sinos de Notre Dame badalavam ali dentro — e percebeu várias coisas estranhas. A primeira delas foi Rin dormindo ao seu lado.
Piscou algumas vezes, incrédulo, vendo-a encolhida e agarrada à sua camiseta. Então notou que estavam ambos no chão do corredor, sobre um edredom que mal disfarçava a dureza do chão. E o mais esquisito: não fazia a mínima idéia de como haviam parado ali.
A parte de dentro do cotovelo doeu quando ele dobrou o braço ao se levantar, e percebendo a mancha roxa sob a pele no local, lembrou-se, de súbito, do que fizera no dia anterior: encontrara Naraku na rua e passaram muito, muito tempo — só não sabia quanto, ao certo — na casa dele, fumando, cheirando cocaína e injetando heroína na veia.
Maldição. Por que fizera isso de novo?
Olhou para a garota dormindo no chão, e odiou-se, profundamente.
Por que fizera isso com ela?
Sentiu o cheiro do vômito na roupa, e apoiando-se na parede, com a cabeça latejando, enfiou-se no banheiro para uma ducha gelada. Não lembrava do que tinha acontecido ali, mas teve um péssimo pressentimento quando viu o pequeno armário de parede escancarado e todos os frascos de remédio, escova de dente, creme de barbear e tudo o mais caído dentro da pia.
Só esperava que não tivesse machucado Rin.
Suportaria tudo, menos isso.
Depois do banho tomado, foi até a cozinha beber água — sentia a boca e a garganta secas ao extremo. E acabou congelado diante da geladeira aberta, pasmo: o que significada toda aquela comida? Nunca naqueles três anos, desde que fora morar ali, houvera tanta comida na geladeira — e comida boa, não aquelas coisas congeladas que ele comprava no mercado. E o mais surpreendente: havia uma garrafa de sake.
Por que, diabos, Rin fizera tudo aquilo?
Então olhou para a parede ao lado da geladeira e entendeu.
E amaldiçoou-se por ser tão desprezível.
O dia dezoito fora circulado no calendário, várias vezes, com uma caneta preta. E dia dezoito tinha sido ontem, e tinha sido seu aniversário.
Quando Rin entrou na cozinha, havia um bilhete sobre a mesa — na verdade, era um pedaço de jornal rabiscado.
"Que comida toda é essa na geladeira? Você ficou louca? Deve ter custado os olhos da cara (os olhos da minha cara). Mas bem, já que a comida está aí, podemos aproveitá-la hoje à noite. Vou tentar voltar mais cedo. Espero que você esteja bem."
Ela sorriu.
E sim, estava bem. Estava tudo bem, outra vez.
"Perdemos desta forma um segundo frederico; apostamos um terceiro. A vovó não se continha de tanta agitação; ela percorria com seus olhos brilhantes a bolinha que saltitava através das casas da roleta. Perdemos um terceiro frederico. A vovó estava fora de si; não conseguia manter-se quieta e golpeava a mesa com o punho, quando o crupiê anunciou trinta e seis em lugar do zero esperado." Rin começou a rir sozinha, deitada no sofá da sala. Estava lendo um dos livros de Sesshoumaru que encontrara caído atrás da estante — este se chamava O jogador, de um cara com um nome esquisito, Feódor Dostoiévski — e achava a história muito interessante, quando bateram na porta.
Deu um pulo no sofá, surpresa, e acabou fechando o livro sem marcar a página em que parara de ler. Espiou então, por sobre o encosto de estofado puído, na direção da porta, imaginando quem poderia ser. Sesshoumaru nunca recebera visitas, os vizinhos do prédio também não tinham qualquer tipo de relação com ele — no máximo, um cumprimento muito rápido e indiferente quando se cruzavam nas escadas — e a família não era uma possibilidade a se considerar.
Quem, então, estava do outro lado daquela porta?
E se fosse um assaltante? Mas assaltantes não batem na porta e não pedem permissão para entrar. Ela podia, simplesmente, ficar ali escondida e fingir que não havia ninguém no apartamento, não podia?
Não. Na terceira vez em que bateram na porta, bateram com tanta força que Rin pensou que ela fosse se soltar das dobradiças e despencar no chão. Quem quer que fosse, estava decidido a não sair dali enquanto não falasse com alguém. E aquele alguém seria ela.
Hesitante, Rin arrastou-se até a porta e abriu-a.
E recuou um passo quando a mulher começou a falar, irritada.
— Olha aqui, Sesshoumaru...
Mas então a estranha percebeu que não era Sesshoumaru e calou-se de súbito, a boca ainda aberta, os olhos cravados no rosto da garota que também a encarava. Rin não sabia que tipo de pessoa estava esperando encontrar, mas certamente não era nada parecido com aquela mulher. Três coisas nela logo chamaram a atenção de Rin: as unhas vermelhas — dos pés e das mãos —, o exagero de bijuterias e a pena branca prendendo o coque de cabelo.
A mulher lhe deu uma boa olhada, varrendo-a dos pés à cabeça, colocou as mãos na cintura e perguntou:
— Quem é você?
— Rin. — ela engoliu à seco.
— Não sabia que o inútil do Sesshoumaru tinha arrumado uma namorada.
Namorada? Riu sentiu o rosto pegar fogo.
— N-Não! — apressou-se em dizer. — Não é isso que você está pensando...
— Ah, não? — a mulher sorriu maliciosa. — Então por que está usando a roupa dele?
Ela precisou olhar para si mesma e ver a camiseta de Sesshoumaru em seu corpo — uma camiseta do The Doors — para entender o que a mulher havia insinuado.
— Bem... — como se podia explicar aquilo? — É que...
— Ah, tudo bem. — a outra fez um gesto de desdém com a mão. — Não me importa o que vocês são ou por que você usa as roupas dele. Onde está aquele desgraçado? — e foi entrando, deixando Rin embasbacada na porta. — Eu quero falar umas coisinhas pra ele.
Os saltos altos da mulher faziam barulho no assoalho enquanto ela caminhava, pra lá e pra cá, espiando os quatro cantos do apartamento. Rin apenas podia correr atrás dela e esperar que aquela estranha abusada não fizesse nenhuma loucura.
Quando, enfim, a mulher teve certeza de que Sesshoumaru não estava mesmo ali, sentou-se, aborrecida, no sofá, cruzou as pernas e ficou balançando o pé com o tamanco no ar, olhando as unhas vermelhas e bem cuidadas.
Rin recostou-se na parede e suspirou, cansada da perseguição.
— Eu disse que ele está trabalhando. — ela fez questão de lembrar, pela décima vez.
— Aquele inútil... — a mulher bufou. — Nem sei como ainda tem um emprego.
Rin limitou-se a olhá-la com cara de poucos amigos.
— Como é mesmo o seu nome? — a outra franziu o cenho, pensativa.
— Rin.
— Ah, isso mesmo. — ela ajeitou as pulseiras, que fizeram barulho. — Meu nome é Kagura, muito prazer.
— Igualmente. — mas Rin não sabia se estava sendo sincera.
— Você pode dar um recado ao Sesshoumaru, quando ele voltar?
— Claro.
Ela faria qualquer coisa para que aquela mulher fosse embora logo — não gostava do jeito como Kagura falava mal de Sesshoumaru e ainda sentava confortavelmente no sofá dele.
— Diga a ele... — ela levantou-se e olhou para Rin numa ameaça. — Que se colocar os pés na minha casa outra vez, eu o mato.
E não pareceu uma brincadeira.
A primeira coisa que Rin pensou foi: por que Sesshoumaru estivera na casa daquela mulher? A segunda fez seu coração bater mais rápido e o rosto esquentar: ela jamais deixaria que fizessem mal a ele.
Kagura então saiu desfilando até a porta.
— Não quero vê-lo perto do Naraku outra vez. Aqueles dois juntos só fazem merda.
— Quem é Naraku? — Rin perguntou, com a mão na maçaneta.
A mulher virou-se, uma mistura de orgulho e perigo brilhando nos olhos, alguma coisa de triunfante, de majestoso naquele rosto. Alguma coisa que fez com que Rin se sentisse dez vezes menor do que ela já era.
— Meu homem. — Kagura disse.
E saiu rebolando, toda cheia de si, até desaparecer nas escadas.
— Aquela Kagura... — ele resmungou irritado enquanto comia.
Rin tinha dado o recado.
Estavam na cozinha jantando o banquete que ela havia preparado para o aniversário dele — um desastre do qual ainda não tinham falado. Sesshoumaru serviu-se pela terceira vez: encheu a tigela e voltou a comer.
— Esses camarões estão ótimos. — falou enquanto mastigava vorazmente. — E, nossa... Os cogumelos na manteiga também! Sem falar no cozido de porco, é claro.
Rin adorava quando ele elogiava a comida dela.
— Ontem devia estar melhor. — deu de ombros. — A geladeira estraga um pouco o gosto.
Sesshoumaru parou de comer e olhou-a, e só então ela percebeu o que havia dito. O silêncio caiu sobre eles, pesado e constrangedor.
— Rin, sobre ontem...
— Está tudo bem. — ela balançou a cabeça.
— Não. Não está. Você fez tudo isso... — ele olhou para a comida. — E eu fui um idiota.
Ela deteve-se a sustentar o olhar dele, calada.
— Desde que você está aqui, eu nunca... — ele buscou as palavras. — Nunca tinha usado mais nada. Mas ontem, eu não sei o que aconteceu comigo. Eu encontrei o Naraku na rua, a gente entrou pra beber alguma coisa... Bem, a Kagura tinha saído... — Rin viu que ele estava se esforçando pra lembrar. — E quando eu percebi, a gente já tava usando. E sabe, Rin, quando se começa, não dá pra parar. Você não consegue.
Sesshoumaru começou a apertar os dedos nervosamente sobre a mesa, o olhar vidrado no vazio, sem enxergar coisa alguma. Uma angústia tão grande estampada no rosto que Rin teve medo de que ele enlouquecesse e nunca mais recobrasse o juízo.
— Você perde a noção de tudo. De tudo.
Ele nem piscava mais. Parecia que também não respirava.
— É tão...
Assustador, Rin pensou. Não suportava mais vê-lo daquele modo, como um doente atormentado, e inclinou-se sobre a mesa para segurar as mãos dele. No mesmo instante, Sesshoumaru pareceu acordar de um sonho estranho e encarou-a, surpreso, como se acabasse de descobrir que ela estivera ali o tempo todo.
Ele baixou os olhos para as mãos dela, tão pequenas em contraste com as suas, e acariciou-as com uma delicadeza que a comoveu.
— Eu não me lembro de muita coisa.
— Você queria seringas. — uma pausa. — Mas eu as joguei fora.
Sesshoumaru a encarou, pasmo, pálido como um fantasma.
E fez a pergunta que o estava consumindo desde que acordara:
— Eu machuquei você?
— Não.
— Mesmo?
— Você teria coragem? — ela o encarou.
— Eu estava fora de mim. Poderia ter feito qualquer coisa.
Sim, qualquer coisa — Rin se lembrou do momento em que ele não a reconhecera. Poderia ter feito mais do que gritar, poderia ter lhe batido, poderia ter lhe machucado de uma maneira que doeria para sempre.
Mas não fizera nada.
Tudo o que ele quis foram as seringas.
— Então, você não se importa?
— Com o quê? — ela piscou.
Sesshoumaru abriu um daqueles sorrisos sarcásticos, bonitos.
— Viver sob o mesmo teto que um drogado estúpido.
Rin pegou um cogumelo com os dedos e o jogou na boca.
— Não. — ela mastigou. — Quem vai tomar conta de você se eu for embora?
Realmente, ele lembrou. Não havia mais ninguém.
Só ela.
"Eu só quero estar ao lado dela."
