Nota da Autora: Desculpe pela longa espera entre capítulos, a vida real tem sido bem incessante em seus pedidos.
Para responder alguns comentários - e para agradecer muito por comentarem - a estória não será UA (apesar da linha do tempo, que eu percebi estar errada), Bellatrix se tornará má. Eu sou totalmente fã da Bellatrix, mas vamos ser honestos, ela era uma lunática antes mesmo de Azkaban. No entanto, ela será de certo jeito mais amigável aos olhos de sua irmã do que aos olhos de, digamos, Harry.
Nota da Tradutora: 'Brigada por todo mundo que comentou e que adicionou a fic nos favoritos. Vocês não sabem como eu fico feliz! Desculpem pela demora, eu já tinha traduzido esse capítulo há uma semana, mas a preguiça é muita e eu sempre fico enrolando... Enfim, vou responder às reviews agora. (:
Lhu: Eu também sempre achei isso! A Andie com toda certeza é bem melhor que a Bellatrix ou a Narcisa, embora eu goste muito da Cissy também. Nunca gostei da Bella, não sei porque. :x Uhuum, a autora vai levando a Bellatrix pro lado negro aos poucos, é bem legal isso, o jeito como ela trabalha o sentimento dos personagens. Aii, obrigada! Que bom que você achou. Espero que goste desse capítulo! Beeijo :*
Shakinha: Huahsuhaushauhs. Eu também, algumas vezes. Ler em inglês cansa muuuito. É mesmo, e as coisas pioram quando a Bella e a Cissy começam a perceber o quanto o Ted e a Andy passam tempo juntos. :~ Uhuum, eu até gosto do Rodolphus, nada contra ele. Bem, a não ser o fato de que ele praticamente introduziu a Bellatrix à arte das trevas e tal. Ela sempre teve uma mente conturbada desde pequena. =| Chego a sentir pena, porque a Andy sempre mantém as esperanças de que um dia a Bella vai melhorar e perceber que tudo que está fazendo é errado. Ela nunca desistiu da irmã, e eu acho esse amor fraterno tão legal. *-* Jura? Uia, fiquei muito feliz agora! Que bom que você tá gostando. Beeijo!
Capítulo 4 - Mudanças no Vocabulário
Ted Tonks estava parecendo esnobe quando eu me sentei ao seu lado na primeira aula de defesa depois das férias, e eu pude ver um sorrisinho brincando nos cantos de sua boca quando eu irritadamente o olhei de lado. Aparentemente ficando cansado de me esperar falar alguma coisa, ele disse educadamente, mas com um tom escondido de implicância:
- E como foram suas férias, Andy?
- Você não deveria ter feito aquilo. - falei, por detrás de meus dentes trincados.
Ele bateu em sua testa teatralmente.
- Sim, eu te mandei um cartão de Natal! É tudo parte do meu plano malvado... Como eu consigo viver comigo mesmo? Como eu durmo à noite!
- Você poderia ter me dado problemas! Eu só tive sorte que meu primo Reggie pegou a coruja antes de minha mãe!
Quanto mais eu pensava sobre isso, eu eu tinha pensado nisso, mais zangada eu ficava com ele. Teria sido fácil para um elfo doméstico entregar a carta para mamãe, e eu poderia imaginar a cena em detalhes excruciantes. Papai me chamaria em seu escritório, me perguntaria quem era Ted, e depois me obrigaria a dizer porque um sangue-ruim achava que tinha o direito de se corresponder comigo, uma garota puro-sangue, uma garota Black. Não importava o jeito que eu imaginava isso, eu sempre me dava mal. Eu tinha imagido tantas vezes, em detalhes tão vívidos, que eu quase sentia como se tivesse realmente acontecido, e eu estava quase irracionalmente brava com ele. Eu tinha passado todo o resto de minhas férias preocupada que algo sobre isso escaparia - que um elfo doméstico mencionaria à mamãe que Srta. Andromeda tinha recebido um cartão de uma coruja desonchecida, ou que Reggie faria alguma piada na frente de Bella e Cissy sobre o meu "namorado". Eu tinha tido sorte, mas isso não significava que eu teria novamente.
- Você não teria problemas de verdade, não é? - ele perguntou, incrédulo.
- Sim! - sussurrei. - Nós não temos permissão para nos acossiar com sangue-ruins. Bella não estava apenas falando quando disse aquilo, é realmente a regra do meu pai!
Ele me encarou, momentaneamente chocado e em silêncio.
- Wow - ele murmurou finalmente. - Sua família realmente é estranha.
Eu ignorei aquilo e me virei resolutamente, para o lado "Sonserina" da classe, fingindo estar interessada em Theo Nott e Rabastan comparando as fantásticas vassouras de corrida que eles haviam ganhado nas férias, mas eu ainda conseguia sentir os olhos dele em mim.
- Andy, eu não sabia que você teria problemas - ele finalmente disse, soando sincero. - Eu não vou te mandar mais nada.
- Como você conseguiu meu endereço, afinal? - sussurrei, a curiosidade levando a melhor. Ele não respondeu por um bom tempo, então eu finalmente me virei e o olhei.
- Magia. - ele sorriu, então virou-se para a frente da sala e juntou as mãos educadamente em sua carteira, o modelo do estudante perfeito.
- Mas...
- Shh, Andy, a aula está começando. - ele disse, parecendo extremamente satisfeito consigo mesmo. Eu estava me sentindo inquieta, porque quando ele disse que não me mandaria mais nada, havia tido um tom em sua voz como se ele sentisse quase que pena por mim. Ninguém deveria se sentir mal por mim, eu era membro de uma das mais antigas, ricas, e mais proeminentes famílias sangue-puro na Inglaterra. Eu era uma das estudantes mais brilhantes de Hogwarts e uma das mais populares. Meu futuro era certo, eu sabia onde eu ficava em nossa sociedade, e nenhum sangue-ruim deveria sentir pena de mim.
Ao contrário do que a maioria das pessoas acreditava, nem todo mundo na Sonserina era inteiramente puro-sangue. Ocasionalmente haviam mestiços, pessoas ambiciosas, que tinham inclinação para encontrarem os fins escolhidos, mas que origem não era o que um puro-sangue de verdade consideraria aceitável. Na Sonserina, se você não tivesse um nome que fosse reconhecido como uma antiga família puro-sangue, então era melhor você estar pronto para explicar. Às vezes haviam estudantes puro-sangue, mas que os pais simplesmente não eram ingleses, mas haviam outros que todos sabiam ser de famílias bruxas pobres, impuras e de classe baixa. Eles ou precisavam provar nos primeiros dias da escola que eram perigosos demais para alguém mexer com eles, ou tentavam ser invisíveis. O último plano nunca dava certo. Junto com dever de casa e fofocas, snap explosivo e xadrez bruxo, implicar com estudantes que eles consideravam "abaixo" de si mesmos era um passatempo popular para alguns dos meninos mais velhos na Sala Comunal da Sonserina. Solidariedade existia fora da Sala Comunal, mas dentro havia uma hierarquia.
Eu nunca tive problemas, sendo uma Black e irmã de Bella eu era socialmente aceitada antes mesmo que eu passasse pelas portas de Hogwarts, e talvez por causa disso eu sempre tenha pensado no mundo bruxo como tendo duas classes - nós, puro-sangues, e eles, sangue-ruins. Eu assumia que todas as famílias puro-sangue viviam como nós, e esse era certamente o caso no círculo social de meus pais, e eu tinha em minha cabeça que todos os sangue-ruins estavam apenas à um passo de implorarem nas ruas. Era tudo tão simples para mim naquela época.
Era a segunda semana depois das férias, e Annabelle e eu estávamos sentadas no sofá trabalhando em um dever de Transfiguração. Bella estava sentada à nossa frente, de lado em uma das poltronas com suas pernas jogadas do outro lado, e lendo o que parecia ser Hogwarts: Uma História. Eu sabia que ela deveria ter encantado a capa do livro e eu me perguntava o que ela realmente estava lendo.
Lucius Malfoy e Paul Yaxley estavam jogando um jogo que eles inventaram, e que havia se tornado popular entre os sonserinos quando não havia professores por perto. Parecia um pouco com tênis trouxa, exceto que em vez de raquetes eles usavam varinhas para mandar a bola pra frente e pra trás, e abola estava pegando fogo. Desde que esse era um acontecimento comum à noite, ninguém estava prestando muita atenção até que Paul, parecendo de propósito, mandou um lance na direção de um menino sentado sozinho numa mesa perto do canto da Sala Comunal. Embora tivesse errado o alvo, pousou no dever de casa dele, e o canto do pergaminho pegou fogo. Embora ele rapidamente apagou com água saída de sua varinha, seu dever havia virado uma bagunça chamuscada. A boca dele torceu levemente enquanto ele olhava para aquilo, e eu não pude evitar me sentir um pouco mal. Eu estava trabalhando a noite toda também e não teria gostado se aquele fosse meu trabalho. Com um auto-controle impressionante, ele não reagiu. Talvez ele estivesse esperando que se eles não obtessem a reação desejada, deixariam ele em paz.
- Oops - disse Paul com um sorrisinho irônico e absolutamente nenhuma sinceridade. - Você deveria tomar cuidado, sangue-ruim, você estava no caminho do nosso jogo.
Pessoas estavam assistindo agora. Eu não tinha idéia do nome da vítima, ele era muito bom em não ser notado, mas eu tinha a vaga idéia de que ele era um terceiranista. Ele tinha começado a jogar suas coisas dentro da mochila, talvez esperando voltar ao dormitório, mas no momento em que Paul disse a palavra "sangue-ruim", ele congelou. Uma espécie de tensão apareceu na sala, e então o garoto disse alguma coisa que não era exatamente audível de onde eu estava sentada. O que quer que tenha sido, seus tormentadores ouviram, porque Lucius rolou os olhos e Paul riu.
- Não é um sangue-ruim? Por favor, eu sei quem você é, sua mamãe é uma sangue-ruim suja e nojenta, e até onde eu sei isso te faz um também.
O menino murmurou algo em que "ministério" pode ser ouvido.
- O Ministério não irá quebrar com as famílias puro-sangue, eles seriam idiotas se fizessem isso. Não haveria Ministério sem as antigas famílias. - Lucius disse, sua voz orgulhosa.
O garoto se levantou e foi em direção às escadas do dormitório, apertando sua mochila com o peito. Ele tinha sorte que eles estavam se sentindo cansados e provavelmente não o perseguiriam até o quarto. Paul já estava parecendo entediado com o jogo.
- A separação vai chegar, vocês verão - o menino disse, sua voz tremendo. - E vocês estarão do lado errado. Vejamos se vocês se acharão tanto em Azkaban! - Ele se virou e subiu as escadas correndo.
Eles o observaram ir, como se considerando se valia a pena seguí-lo e azará-lo, e então pareceram esquecer da idéia com um dar de ombros.
- O que foi aquilo? - Bella perguntou, olhando sobre os ombros quando Lucius veio até uma mesa perto de onde ela estava sentada. Ele a olhou por um momento, meio surpreso, e então deu de ombros novamente com o típico ar de alguém de quinze anos de idade. Foi Paul que a respondeu.
- A mãe dele é sangue-ruim, sempre causando problemas no Ministério. Não sei como ele caiu na Sonserina. Costumavam existir padrões. - ele sorriu de lado. - Eu acho que é meio passivo-agressivo por minha parte, mas ele vai ficar acordado a noite toda refazendo o dever de casa.
Eu não achei aquilo tão divertido como ele achou. Aparentemente nem Bella, já que ela o olhou desdenhosa e redirecionou seu olhar para Malfoy.
- Eu queria dizer, o que ele quis dizer sobre o Ministério, e sobre Azkaban?
- Existem certas pessoas no Ministério que são a favor das leis que ajudam sangue-ruins e trouxas ao invés do sangue-puros. Eles chamam isso de "proteção", mas é vender o que isso realmente é. Algumas pessoas estão falando sobre uma separação, entre aqueles que acham isso aceitável, e as família puro-sangue, que querem colocar de volta o poder aonde ele pertence, nas mãos das antigas famílias, aqueles que pertencem, que são do nosso tipo.
Eu pude ver então o que a Sra. Avery havia mencionado sobre Lucius ser feito para política. Ele fez um bom discurso, e parecia tanto com um jovem superior enquanto o fazia. Embora impressionada com aquilo, eu não entendia realmente o que ele queria dizer com colocando de volta o poder aonde ele pertence. Nossa família não faltava em nada, certamente não em poder - papai era um dos homens mais poderosos no mundo bruxo, dentro e fora do Ministério. Como poderiam os sangue-ruins (e a pessoa que veio imediatamente na minha mente era Ted, o único sangue-ruim com quem eu já havia conversado) representarem qualquer tipo de ameaça para ele?
- Isso irá acontecer, uma quebra? - Bella estava perguntando.
- Eu duvido - Lucius se abaixou e pegou o livro das mãos dela, olhou para a capa, depois para ela, e riu. - Alguém tem que pagar as contas do Ministério, ele não existiria sem a caridade das famílias antigas. Não se preocupe Black, sua família estará no lado certo se isso acontecer.
O primeiro mês do ano passou sem grandes eventos, a não ser que você contasse Sirius e James Potter entrando em uma briga espetacular um dia no café-da-manhã, o que não causou pequena quantidade de destruição e os fez ganhar detenções todos os sábados durante um mês. No típico jeito estranho de seres do sexo masculino, eles emergiram disso como melhores amigos. Potter era um puro-sangue, o único filho de pais que eram de certa forma preominentes no mundo bruxo. Ele talvez tivesse sido considerado um amigo perfeito para Sirius, exceto que no carregado clima política daqueles tempos, os pais dele eram o que meu pai chamava de "amantes de trouxas ultra-liberais", e ele queria dizer que eles apoiavam direitos iguais para sangue-ruins e proteção mais forte para trouxas. Mas como Bella admitia, na Grifinória ele poderia ter se tornado amigo de um sangue-ruim, então Potter parecia o menos dos possíveis males, e nada foi dito.
- Hey Andy, você é boa em Feitiços, certo? - ele perguntou um dia, achando Bella e eu sentadas na biblioteca à tarde. Bella estava fazendo um ótimo trabalho em leitura, para ela, mas nunca eram seus livros da escola. De qualquer forma, ela sempre teve interesses estranhos e eu não estava pensando muito nisso.
Ela me olhou perplexa.
- Ela é boa em tudo, grifinório.
- Eu estou tendo problemas com feitiços de expelir¹, você pode me ajudar? Eu sei que você os está estudando também.
Eu dei de ombros e me movi para ele poder se sentar.
- Claro, só me deixe terminar esse parágrafo para Astronomia.
Ele esperou, olhando em volta da biblioteca de modo preguiçoso enquanto eu terminava, e encontrou um sextanista grifinório que era um jogador de quadribol muito promissor. Haviam algumas conversas entre os garotos, falando que ele talvez pudesse jogar profissionalmente quando terminasse a escola.
- Gostaria de poder jogar quadribol - ele disse pensativo.
- Garotos e quadribol! Honestamente Sirius, ele é um sangue-ruim de qualquer forma.
- Você não deveria dizer isso, sabe.
- Dizer o que? - Ela mal estava prestando atenção nele.
- Sangue-ruim. É uma palavra ruim.
Houve um longo silêncio enquanto ela levantava seus olhos do livro e encontrava os dele. Eu queria entrar debaixo da mesa e me esconder da explosão que viria, mas ele a olhou desafiante. Bella o observou como se não pudesse estar mais surpresa nem se ele houvesse a acertado com um tapa.
- O que? - Ela soava incrédula, como se não tivesse ouvido direito, e esperava que fosse isso que tivesse acontecido.
- É como xingar. Você deveria dizer nascido-touxa - ele disse corajosamente. - James me disse que ele falou isso uma vez, e o pai dele o mandou para o quarto sem jantar e pegou sua vassoura por um mês.
- Sirius... Nós falamos sangue-ruim porque é isso que eles são - ela disse com uma paciência exagerada. - Eles não são puro-sangues, ele tem sangue trouxa.
Eu observei Sirius pensar nisso, já que uma nova idéia vinda de seu amigo confrontava com antigos ideais impostos por sua família, ideais que Bella, que ele secretamente adorava, ainda abraçava.
- É apenas malvado dizer, é uma palavra feia - ele insistiu.
- A tia e o tio falam isso - ela observou. Era uma prova do quanto ela gostava dele, já que estava tentando convencê-lo. Eu tinha esperado azarações voando pelos ares. - E mamãe e papai também. Eles nos puniriam se nós disséssemos palavrões. Especialmente mamãe, porque não seria "do feitio de uma dama". Não é uma palavra ruim, Sirius. É apenas o que eles são.
Nós estávamos aprendendo feitiços para desarmar em Defesa Contra as Artes das Trevas. O progresso era variado, mas tínhamos passado a primeira metade da primeira lição praticando em pares (eu tinha de novo que trabalhar com Ted), e a segunda metade anotando coisas complicadas sobre a teoria por detrás do feitiço. Eu estava me sentindo orgulhosa, porque Ted havia ficado tão surpreso quando eu o desarmei que não viu aonde sua varinha tinha ido, e ficou surpreso quando ela voltou, em estilo bumerangue, e raspou em sua bochecha. Agora ele teria que explicar o arranhão em seu rosto, e eu estava me divertindo com a idéia. Mas outra coisa estava invadindo minha mente também. Quando a aula estava chegando ao fim, a concentração geral começou a se dissipar, e a conversação tomou conta. Finalmente quando havia som o bastante que eu sabia que ninguém nos ouviria, eu me virei e o encarei.
- Você é um sangue-ruim.
Ele não levantou os olhos de seu livro, e não me olhou, mas eu vi sua boca entortar ligeiramente, mas eu não podia dizer se de divertimento ou perturbação.
- Eu sempre te achei uma menina observadora, Andy - ele respondeu suavemente.
- Bem, você se importa que as pessoas digam isso? Quando elas dizem "sangue-ruim", eu quero dizer?
Ele deu de ombros.
- Eu não posso dizer que estou particularmente orgulhoso disso, mas você sabe... Ou oito ou oitenta...
- Mas você nunca se estressa quando eu falo isso. - Eu sabia que o havia chamado de sangue-ruim, e várias vezes, mas nunca havia pensado nele de qualquer outro jeito, e ele nunca me disse uma palavra sobre isso.
- Eu imagino que você não está tentando ser má, você apenas não sabe o que está dizendo - Ele me olhou e então sorriu. - Vindo de você é apenas um apelido amigável.
Eu não disse nada, apenas o olhei como se achasse que ele era louco. Ele apenas sorriu de volta como se soubesse de algo que eu não sabia.
Enquanto o semestre passava e a nova preocupação estranha de minha irmã com livros também, ela voltou a ser a mesma de antes. Desde as férias, ela estava mais quieta que o normal, mais subjugada, e havia limitado sua companhia àqueles da Sonserina, e eu me tornei a única pessoa que estava sempre junto dela. Eu nunca havia me importado com a constante presença dela em casa e certamente não me importava agora, me sentia como se aquele fosse o jeito certo de as coisas acontecerem. Mas lentamente ela saiu da névoa qualquer que vinha a envolvendo e se tornou social de novo, cercada por um círculo de amigos e admiradores. Eu me perguntava sobre seu humor, até perguntei sobre isso à Sirius, que simplesmente me disse que garotas eram pessimamente estranhas e difíceis de se explicar. Eu entendi aquilo como o fato de que alguma menina o havia interessado, e suas entusiasmadas e coradas negações apenas confirmaram isso.
Eu não me importava, estava acostumada com ela, e não fiquei sozinha mesmo quando seu tempo era tomado por garotos brigando por sua atenção. Eu tinha minhas próprias amigas. Annabelle e eu éramos amigas no jeito de crianças que são joagadas juntas pelos seus pais e pelas circunstâncias. Enquanto nós tínhamos pouco no quesito interesses em comum, nós dividíamos o dormitório e não víamos razões para não sermos amigas. Todas as outras garotas no meu quarto trouxeram suas próprias qualidades. Adrienne LeBlanc era a filha de um rico pai francês, um bruxo puro-sangue em que toda a fortuna da família vinha de cosméticos e poções de beleza, legais ou não. Ela havia passado sua infância entre Paris e a casa de campo de sua mãe inglesa, e ao escolher uma escola para ela parecia que Hogwarts havia ganhado de Beauxbatons. Pelas primeiras semanas ela havia importunado todas nós ao contar repetidamente como as coisas eram feitas de modo diferente (e inevitavelmente melhor) em Paris, mas ela eventualmente veio a aceitar que seu destino era Hogwarts e depois se tornou muito mais tolerável, embora mantivesse um carregado, e provavelmente falso, sotaque durante todos os nossos sete anos na escola. Shannon Mallory era a mais nova de uma família puro-sangue irlandesa, e apesar de sua aparência estranha, ela era algo como um prodígio em poções com um particular interesse em venenos. Enquanto eu achava sua fixação meio perturbadora, não havia dúvidas que minhas notas em Poções teriam sofrido sem sua ajuda. Alison Goyle fechava o grupo de garotas que dividiam o dormitório comigo, e enquanto ela não se esforçava muito na escola e nunca mostrava muito talento para qualquer coisa, geralmente era agradável viver com ele e ela tendia a aceitar tudo o que o resto de nós sugerisse.
- Você acha que nossos exames serão difíceis? - Shannon perguntou uma manhã enquanto olhávamos em volta e percebíamos que o Salão Principal estava um pouco mais silencioso que o normal, e realizávamos que as provas estavam chegando perto e alunos começavam a se perder dentro de livros. Mesmo que os nossos exames fossem preocupantes, não era nada comparado ao estresse dos estudantes dos quinto e sétimo ano, que tinham se tornado perigosos para qualquer um que falasse mais alto que um sussurro na Sala Comunal.
Alison adquiriu uma cor esverdeada, sabendo que ela mal passaria a maioria de seus exames, e eu meramente balancei os ombros embora aquilo tenha estado bastante na minha mente. Minhas notas durante todo o ano haviam sido excelentes, mas Ted Tonks estava facilmente mantendo o mesmo passo que eu, e eu não tinha certeza se conseguiria suportar a humilhação de ter sido derrotada, ou a implicância que viria junto. Adrienne não achou o tópico particularmente fascinante e tentou mudá-lo.
- Os exámes, els non imporrtan até nosso quinto ano - ela decidiu, jogando o cabelo para trás com indiferença. - Mas olhe, nós non deverríamos nos atrasar parra Transfiguraçon.
- Eu alcanço vocês depois - eu disse à elas enquanto as via partir. Bella havia pego meu livro de Transfiguração na noite anterior para olhar algo e eu ainda precisava pegá-lo de volta. Eu não tinha idéia de onde ela estava, mas como ela não estava no café-da-manhã eu optei por checar a Sala Comunal da Sonserina. Ela não era uma pessoa matinal e freqüentemente dormia demais para conseguir tomar o café.
Eu a encontrei na Sala Comunal, bocejando e ainda parecendo sonolenta, e levei um minuto para fazê-la entender o que eu queria. Ela pegou o livro e eu me apressei a sair da Sala Comunal para evitar chegar atrasada, apenas para bater com toda força em um garoto bonito do segundo ano, de cabelos escuros chamado Will Avery. Eu nunca havia prestado muita atenção nele antes, mas enquanto ele me ajudava a levantar e me entregava o livro que eu tinha deixado cair, ele sorriu, e meu coração pulou.
E então começou meu primeiro amor.
¹: desculpe pela tradução tão ruim dessa parte, mas eu realmente não consegui achar um nome decente em português.
