Preciosa
Parte 4
Sakura tinha acabado de encontrar uma rara posição confortável para dormir quando o telefone tocou. Ela maldisse quem quer que fosse cruel o suficiente de privar uma mulher grávida de seu sono. Ela demorara quase duas horas para se sentir confortável na cama com aquela barriga enorme – o que já era uma avanço, se levar em consideração as noites em que ela nem sequer conseguia dormir por causa daquela protuberância.
Ela até pensou em ignorar o telefone e voltar a tentar dormir, mas imaginou que talvez fosse algo grave. Não era sempre que ela recebia ligações no meio da noite, especialmente agora que o seu ritmo de trabalho diminuíra drasticamente por conta da proximidade da data do parto. Os funcionários do hospital preferiam deixa-la mais em paz. Mas aquela ligação podia ser uma exceção. Algo realmente terrível pode ter acontecido e eles precisavam da ajuda dela. Ela jamais conseguiria dormir com essa possibilidade pairando sobre a sua cabeça.
Portanto, também com dificuldades para manusear o corpo, ela se sentou e alcançou o telefone sobre o criado mudo.
"Alô?"
Ela foi recebida por um silêncio que só foi quebrado por um longo suspiro. Ela sorriu.
"Olá, Sasuke-kun. Como você está?" O sono e cansaço de antes se esvaíram como um passe de mágica ao ter certeza de que era o seu marido do outro lado da linha.
"Bem." Ele pigarreou. "E você?"
"Estou ótima. Só com muitas saudades de vocês."
Ele fez uma pausa. Ela sabia que ele digeria as palavras dela. "Sarada?"
"Está ótima também, se mexendo bastante." Ela pousou uma mão na barriga. "Inclusive agora que ela provavelmente ouviu a sua voz. Está se remexendo muito aqui querendo ver o papai. Ela também sente a sua falta."
Ela o ouviu engolir em seco. "Eu deveria estar aí."
"Eu não disse isso para fazer você se sentir culpado, Sasuke-kun. Eu só queria que soubesse que estamos te esperando ansiosamente."
"Eu prometo estar de volta em poucos dias."
"Eu fico feliz."
Eles ficaram alguns segundos em mais um silêncio. Sakura já considerava aquilo normal. Sasuke não era o maior conversador do mundo principalmente por telefone.
"Me desculpe ligar a essa hora," ele continuou e Sakura sorriu. Ele realmente queria conversar com ela. "Esse é o único lugar com sinal de telefone que achei em dias."
"Está tudo bem, Sasuke-kun. Eu estava acordada. Como está a missão?"
"Bem. E longa." Ele respirou fundo. "Me lembre de matar Naruto assim que chegar em Konoha."
O sorriso dela se alargou. "Não fique bravo com ele. Ele não te tiraria de casa em uma hora dessas sem que houvesse um motivo forte. Pense que você está protegendo a sua vila e a sua família."
Família.
"Eu... Eu só liguei para saber se está tudo bem."
Os olhos de Sakura se encheram de lágrimas. Céus, como ele havia mudado durante esses anos. Ele não precisava usar palavras para que ela soubesse que as prioridades dele haviam mudado – e que ela e a filha estava no topo dessa lista agora. Ela sabia. Tinha a mais plena certeza sobre isso.
E essa mudança de prioridades fazia tão bem a ela quanto a ele.
"Está tudo perfeito, Sasuke-kun. Obrigada por se preocupar."
"Você tem descansado?"
"Claro."
"... Sakura, pare de trabalhar."
"Mas eu não consigo, Sasuke-kun!" ela exclamou. "Você tem ideia do quanto é ruim ficar em casa sem fazer absolutamente nada?"
"Você não pode ficar manipulando o seu chackra demais com um bebê na sua barriga."
"Eu estou usando o mínimo, eu juro. Eu vou até o hospital mais para pensar e ajudar alguns diagnósticos. Eu não faço nenhum procedimento extenuante. Eu não colocaria a segurança de Sara-chan em risco."
Ela o ouviu respirar em desistência. "Só... Tome cuidado. E cuide-se. E cuide da Sarada."
"Eu te digo o mesmo," ela rebateu. "Volte para casa logo. Nós duas estamos com saudade."
Ela ouviu a respiração dele. Por mais que eles já estivesse há anos juntos, por mais que ela dissesse que o amava todos os dias, ele ainda não estava plenamente acostumado com aquele tipo de afeto. Ele passara tantos tempo sozinho, corroendo-se nos seus próprios sentimentos que tinha dificuldades de acreditar que existia alguém no mundo que o amava.
Ela fazia questão de lembra-lo sempre que possível até que o seu amor fosse tão natural para ele quanto respirar.
Ele a amava também, ela sabia. Ele não dizia com palavras, mas ela o conhecia melhor do que ninguém – talvez até mesmo melhor que ele mesmo.
"Eu tenho que ir," ele disse após alguns instantes.
"Fique bem, Sasuke-kun. Estaremos te esperando quando chegar. Eu te amo."
"... Durma bem."
Xxxx
A.N.: Os capítulos não estão em ordem cronológica.
