Capítulo 3

- Teddy! – exclamou James ao ver o afilhado nos braços do pai. O garotinho o encarou com os olhos arregalados enquanto o padrinho brincava com suas mãozinhas e cantava uma música.

James sorria abertamente e Remus pensou que era um dos poucos momentos em que podia ver a alegria que o amigo tinha dentro de si e que costumava contagiar a todos.

- A que devo a honra de tão importante visita? – sorriu James, desviando os olhos de Teddy, que fora posto sentadinho numa poltrona.

Remus sorriu fraco e olhou ao redor rapidamente. O apartamento era enorme e claro, mas tinha poucos móveis e pouca cor.

- Viemos te convidar para a festa do aniversariante do mês – Remus disse simplesmente, olhando o filho rir quando seu sapato caiu no chão.

- Mas é claro que eu vou, Moony! Preciso estar constantemente presente na vida do meu afilhado, senão aquela tratante da sua esposa vai fazer o Teddy torcer para o Arsenal – reclamou James, como se fosse muito importante.

- Quero mesmo que você esteja presente, James... – Remus olhou para baixo, pensativo. James olhou, franzindo a testa. – O que aconteceu ontem, Prongs?

Lupin estava sério e James já esperava por aquela conversa. Suspirou.

- Fomos ver o jogo. Connor sabia que estávamos fracos e desfalcados e foi até a estação. O resto você já sabe.

- Isso não está certo, James – foi a vez de Remus suspirar. – Isso não é vida! É violência pura! Não consigo ficar vendo você no meio disso e não dizer nada. Queria que você enxergasse que há outras coisas além disso tudo...

Potter ficou quieto, porque enxergava muito bem. A torcida organizada do West Ham United precisava agora do respeito das outras torcidas, e esse respeito, em que torcer é mais importante do que quebrar um nariz, só se conseguiria vencendo brigas gratuitas. James estava cansado.

- Eu sei, Moony. Talvez eu não seja do tipo família – James riu de leve, mas sentiu uma ardência nos olhos que quis esconder de Remus.

- Acho que você faz exatamente o tipo família – Remus disse tão francamente que soou um tanto indignado.

James riu com gosto.

- Acho que ainda não – disse apenas e viu Teddy começar a fechar os olhinhos com sono. – Você tem sorte de tê-los.

- Muita sorte... Eu não os mereço – respondeu Remus, também observando o filho pegar no sono.

- Para com isso, Moony. Você merece tudo o que acontece com você. A vida é assim – James disse casualmente e Remus achou que o amigo não merecia tudo o que havia acontecido e o que ainda acontecia com ele. – É por isso que aqueles desgraçados vão merecer o que vou fazer.

- James, eu sabia que você ia dizer isso, mas no fundo eu tinha esperança que você não carregasse esse peso nos seus ombros. Vingança, Prongs? Onde você acha que isso vai te levar? – Remus perguntou. – Olhe onde levou Sirius. Foi parar num hospital em estado grave e depois teve que fugir de lá para não ser preso... Sei que você sente que isso é sua responsabilidade, mas também sei que não é isso que quer pra você.

James passou a mão pelos cabelos, como era de costume, e sorriu triste para o amigo.

- Então você deve saber também o que eu escolhi fazer, Moony.

- É... - Remus o encarou de volta e esboçou um sorriso também. Levantou-se e pegou o adormecido Teddy no colo e James o seguiu até a porta. – Tome cuidado, James.

- Vou tomar, Remus. Eu ainda tenho juízo – piscou ele, sorrindo.

- Mas prefere, obviamente, ignorá-lo – Remus disse e James riu. – Bem, sábado da semana que vem, às quatro. Fala tchau pro tio Prongs, Teddy!

O padrinho riu ainda mais ao ver o garotinho babar no ombro do pai. James fechou a porta atrás deles e engoliu de volta os antigos planos sobre família que resolviam atormentá-lo quando o assunto surgia. Só havia um único plano, uma única meta em sua vida, e ele não estava pronto para abdicar essa aparente simplicidade por sonhos que nunca se realizariam.